Diversificação dos meios de vida como estratégia de reprodução da agricultura familiar

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PAULINO, Gessiane da Silva. Diversificação dos meios de vida como estratégia de reprodução da agricultura familiar. Orientador: Sérgio ; Coorientador: Hilder André Bezerra Farias. 2025. 142 f. Tese (Doutorado em Economia) - Programa de Pós-Graduação em Economia, Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Pará. Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/17877. Acesso em:.

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A agricultura familiar é essencial para a segurança alimentar, a preservação ambiental e a valorização de saberes tradicionais, mas enfrenta vulnerabilidades estruturais, como desigualdades no acesso à terra e a políticas públicas, e conjunturais, como a pressão do mercado, mudanças climáticas e competição com o agronegócio, que aprofundam as incertezas quanto à sua capacidade de reprodução. Diante desses desafios, os agricultores familiares adotam estratégias adaptativas, como a diversificação dos meios de vida. Esta tese tem como objetivo analisar os efeitos da diversificação das fontes de renda sobre os níveis de reprodução da agricultura familiar brasileira, com base nos dados do Censo de 2017. A fundamentação teórica apoia-se em Chayanov, Polanyi e Ellis, destacando a lógica própria das unidades camponesas, a economia substantiva, o enraizamento (embedded) social da economia e os diversos ativos que compõem os meios de vida das famílias rurais e as estratégias utilizadas para sua reprodução. A metodologia proposta utilizou dados do Censo Agropecuário 2017, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde os dados omitidos dos estabelecimentos das microrregiões brasileiras foram tratados. Como proxy da diversidade foi criado o Índice Geral de Diversidade, obtido por meio da análise dos componentes principais dos índices de Shannon, Pielou e Simpson. Enquanto, utilizou-se a análise fatorial exploratória para identificação das dimensões das estratégias de reprodução da agricultura familiar. Os resultados mostram que maior diversificação está associada a melhores níveis de reprodução, enquanto maior inserção no mercado correlaciona-se com menor diversidade. A análise regional revela distintos padrões de diversificação, demonstrando que sua eficácia depende das condições locais. No Nordeste, a diversificação está associada a uma agricultura resiliente, sustentada por práticas agroecológicas, redes de cooperação e políticas públicas, indicando forte capacidade de reprodução social. No Centro-Oeste, a diversificação surge como resposta à fragilidade estrutural; no Norte, articula subsistência, transferências sociais e atividades não agrícolas; no Sudeste, apesar da presença da diversificação, esta não tem revertido os baixos níveis de reprodução; e no Sul, destaca-se uma diversificação articulada à organização social, com maior inserção em mercados. Esses padrões reforçam a ideia de que a diversificação é uma prática funcional e enraizada nos territórios, que exige políticas públicas territorializadas e sensíveis à pluralidade dos modos de vida rurais.

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