Treme treme treme: ativismo e representatividade na construção de narrativas de empoderamento feminino por ativistas digitais negras na Amazônia

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02-04-2024

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VIEIRA, Amanda Karoline Pimentel. Treme treme treme: ativismo e representatividade na construção de narrativas de empoderamento feminino por ativistas digitais negras na Amazônia. Orientadora: Rosaly de Seixas Brito. 2024. 123 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação, Cultura e Amazônia) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2024. Disponível em: ttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18757. Acesso em:.

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Propomos nesta pesquisa analisar o challenge, desafio virtual nas redes sociais, sob o aspecto social e político. O desafio que ensejou este estudo é o challenge Treme treme treme, voltado a exaltar a negritude amazônica no Instagram. Trata se de uma versão amazônica do desafio virtual chamado Don’t rush challenge, cujo objetivo é valorizar a beleza preta, bem como promover o empoderamento de mulheres negras, em busca de representatividade e aceitação social e de si mesmas. Postulamos, aqui, o papel das mulheres que protagonizam o desafio como ativistas, por abordarem em suas postagens narrativas que envolvem, para além da valorização da beleza preta, elementos que contribuem para confrontar o racismo estrutural vigente na sociedade brasileira. Atraem, dessa maneira, a atenção de seus seguidores para esse tema e suas implicações. Pretendemos investigar, por meio do challenge Tremme Treme Treme, como as produções midiáticas de ativistas no Instagram perante os preconceitos vivenciados diariamente por mulheres negras ressignificam o papel das redes digitais e podem constituir um importante instrumento na luta pelo empoderamento feminino. Aquino (2009) nos permite pensar o desafio virtual como uma nova forma de ativismo, graças à sua capacidade de gerar uma ação conectiva, no sentido que lhe é atribuído por Prudencio (2018). É notável o entrelaçamento entre o ativismo e os conceitos de participação, conectividade, subversão, bem como a ausência dos limites entre físico e virtual (MALINI E ANTOUN, 2013). Considerando o ambiente midiatizado, ou o bios midiático (SODRÉ, 2010), analisamos os relatos de si apresentados no desafio virtual sob a ótica da narrativa, partindo do pressuposto de que é por meio da narração que se constroem identidades, assim como realizamos entrevistas com as participantes e com as espectadoras do challenge. A pesquisa se desenvolve sob a perspectiva da teoria feminista negra e das narrativas de si, base para a análise das experiências individuais apresentadas no desafio. A pesquisa parte do pressuposto de que as mídias digitais não devem ser vistas como mero instrumento ou ferramenta, e sim como um ambiente no qual, ao interagirmos, construímos laços e podemos participar de alguns debates cruciais na sociedade contemporânea, como é o caso do objeto de estudo deste trabalho. É perceptível também que a valorização da beleza preta em si não é suficiente para empoderar um indivíduo, principalmente se não estiver atrelada a uma consciência crítica racial. Postulamos que a confrontação e rupturas com a matriz moderno-colonial, numa perspectiva antirracista e decolonial, são fundamentais para a reafirmação da identidade negra. O challenge contribui, nesse sentido, na formação de uma consciência crítica racial ao promover uma reflexão acerca da autoaceitação da beleza negra

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