Percepções de homens gays brasileiros acerca da homofobia internalizada e qualidade de vida

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28-08-2026

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Gomes, Hiago Veras. Percepções de homens gays brasileiros acerca da homofobia internalizada e qualidade de vida. Orientador: Janari da Silva Pedroso. 2026. 161 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: . Acesso em:.

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Esta tese investiga a homofobia internalizada (HI) e sua relação com a qualidade de vida (QV) em homens gays brasileiros, em um delineamento transversal com grupos etários vinculados a diferentes momentos do curso de vida. Ancorada na Teoria do Estresse de Minoria, parte-se do entendimento de que a HI não constitui um fenômeno psicológico estático ou homogêneo, mas dinâmico, contextual e multinível, cujas repercussões variam conforme a etapa de vida e as condições socioeconômicas. Adotou-se um percurso multimétodo progressivo, estruturado em quatro estudos complementares. O Estudo 1, uma revisão metaetnográfica com 11 estudos, identificou dois eixos organizadores da HI, um proximal (saúde mental, autoimagem, revelação da orientação sexual, status sorológico) e um distal (estigma, discriminação, contexto socioeconômico), evidenciando que maiores índices de HI se associam consistentemente a pior QV na literatura. O Estudo 2, com 136 participantes, revelou que a experiência da homofobia muda de forma ao longo da vida: no Grupo 1 (18-29 anos) associa-se a medo e restrição de espaços públicos; no Grupo 2 (30-49 anos), a rejeição familiar e barreiras profissionais; e no Grupo 3 (50 anos ou mais), a isolamento e invisibilidade social. O Estudo 3 mostrou que a própria concepção de QV é geracionalmente situada, organizando-se em cinco dimensões (saúde, relações sociais, lazer, segurança, autonomia) que assumem prioridades distintas conforme a faixa etária. O Estudo 4, com 138 participantes, testou essas relações empiricamente: a HI associou-se negativamente aos domínios psicológico e de relações sociais da QV, sem associação significativa com os domínios físico e ambiental, mesmo após controle sociodemográfico. A renda emergiu como moderadora com efeito duplo: atenua o impacto da opressão social, mas intensifica o efeito do estigma internalizado, contrariando a premissa de que maior renda protege contra o preconceito internalizado. A integração desses achados fundamenta. um modelo de três níveis interdependentes (individual, relacional e estrutural) influenciados pelo curso de vida, ampliando sem romper a Teoria do Estresse de Minoria. Conclui-se que a HI constitui fator psicossocial crítico e dinâmico para a QV de homens gays brasileiros, com expressões geracionalmente distintas que demandam respostas articuladas em níveis clínico, comunitário e de políticas públicas.

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Universidade Federal do Pará

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