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Tipo: Dissertação
Data do documento: 4-Jun-2025
Autor(es): CARVALHO, Wivian Maria Rodrigues
Primeiro(a) Orientador(a): SOARES, Joelson Lima
Primeiro(a) coorientador(a): BRITO, Ailton da Silva
Título: Análise palaeoambiental e caracterização dos Folhelhos Negros da Formação Barreirinha utilizando análises Multiproxy
Agência de fomento: 
Citar como: CARVALHO, Wivian Maria Rodrigues. Análise paleoambiental e caracterização dos Folhelhos Negros na Formação Barreirinha utilizando análises Multiproxy. Orientador: Joelson Lima Soares, Coorientador: Ailton da Silva Brito. 2025. xviii, 98 f. Dissertação (Mestrado em Geologia) - Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em:https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/17666 . Acesso em:.
Resumo: A Formação Barreirinha teve sua fase inicial de sedimentação vinculada a uma rápida elevação relativa do nível do mar, durante um expressivo evento de transgressão marinha que inundou a Bacia do Amazonas. Esses folhelhos ricos em matéria orgânica afloram ao longo de uma faixa estreita, porém extensa, situada na borda sul da Bacia do Amazonas. Existem poucos estudos dedicados especificamente às possíveis variações paleoambientais associadas à deposição desses folhelhos. Isso se deve, principalmente, à relativa uniformidade litológica dessas rochas, predominantemente compostas por sedimentos finos, além de sua relevância econômica, que direciona a maior parte das pesquisas para a maturação da matéria orgânica. Com objetivo de investigar as variações paleoambientais ocorridas durante a deposição destes sedimentos finos, com foco na dinâmica sedimentar, origem e proveniência da matéria orgânica, utilizando como base a associação de diversas técnicas quantitativas, semiquantitativas e qualitativas (multiproxy). Deste modo, a sucessão estratigráfica analisada é composta majoritariamente por folhelhos de tonalidades cinza a negras, apresentando variações faciológicas associadas a influxos de sedimentos terrígenos mais grossos e episódios de bioturbação. Essas características indicam um ambiente deposicional marinho profundo, anóxico e distal, sem influência de carbonatos, típico do Membro Abacaxis da Formação Barreirinha. Análises mineralógicas (cluster) revelam predomínio de caulinita, caracterizando a fácies Caolinita, com ocorrência subordinada de quartzo, sulfatos e sulfetos nas porções inferiores. A base da sucessão contém arenitos finos, maciços e com estratificação cruzada, correlacionados à Formação Ereré, de origem deltaica a plataforma interna. A transição para folhelhos laminados com intercalamentos de arenitos e siltitos marca o início da transgressão devoniana (Frasniano), com importante aporte continental, atestado por minerais pesados, restos vegetais piritizados e tasmanites. A ocorrência de dumpstones sugere influência de processos glaciais, com deposição por transporte glacial marinho (ice-rafted debris). Os níveis superiores exibem folhelhos mais homogêneos, enriquecidos em matéria orgânica, desprovidos de bioturbação e minerais detríticos, refletindo a máxima anóxia durante o pico transgressivo na Bacia do Amazonas. Do ponto de vista diagenético, os folhelhos passaram por compactação, fraturamento, substituições minerais, oxidação e intensa piritização, principalmente na forma framboidal, típica de ambientes marinhos redutores. A mineralogia é dominada por caulinita e quartzo, com minerais acessórios indicativos de processos de alteração e possíveis intrusões ígneas jurássico-triássicas (magmatismo Penatecaua), que elevaram a maturação térmica do querogênio. Análises de Rock-Eval e biomarcadores revelam querogênios tipo II-III, com potencial gerador de gás, variando de imaturo a pós-maturo conforme a distância das intrusões. Esses dados refletem um sistema transgressivo com forte controle ambiental e influência térmica regional.
Abstract: The initial sedimentation phase of the Barreirinha Formation was associated with a rapid relative sea-level rise during a significant marine transgression event that flooded the Amazon Basin. These organic-rich shales outcrop along a narrow yet extensive belt located on the southern margin of the Amazon Basin. Few studies have specifically addressed the potential paleoenvironmental variations linked to the deposition of these shales. This is mainly due to the relative lithological uniformity of these rocks—composed predominantly of fine-grained sediments—and their economic relevance, which has directed most research toward the maturation of organic matter. To investigate the paleoenvironmental variations during the deposition of these fine sediments—focusing on sedimentary dynamics, the origin, and provenance of the organic matter—a multiproxy approach was applied, combining various quantitative, semi-quantitative, and qualitative techniques. The analyzed stratigraphic succession is mainly composed of gray to black shales, exhibiting facies variations related to coarse terrigenous input and episodes of bioturbation. These features suggest a deep, distal, anoxic marine depositional environment, with no evidence of carbonate sedimentation, typical of the Abacaxis Member of the Barreirinha Formation. Mineralogical cluster analyses indicate a dominance of kaolinite, characterizing the Kaolinite Facies, with subordinate quartz, sulfates, and sulfides in the lower portions. The base of the succession includes massive fine-grained sandstones with cross-bedding, correlated with the Ereré Formation, interpreted as deltaic to inner shelf deposits. The transition to laminated shales interbedded with sandstones and siltstones marks the onset of the Devonian (Frasnian) transgression, with substantial continental input evidenced by heavy minerals, pyritized plant remains, and tasmanites. The presence of dumpstones suggests glacial influence and ice-rafted debris deposition. Upper levels show more homogeneous shales, enriched in organic matter, lacking bioturbation and detrital minerals, indicating maximum anoxia during the peak of the transgressive event in the Amazon Basin. Diagenetically, the shales underwent compaction, fracturing, mineral substitution, oxidation, and intense pyritization, mainly as framboidal pyrite—typical of reducing marine environments. The mineralogy is dominated by kaolinite and quartz, with accessory minerals indicating alteration processes and possible Jurassic-Triassic igneous intrusions (Penatecaua magmatism), which contributed to increasing the thermal maturity of the kerogen. Rock-Eval pyrolysis and biomarker analyses reveal Type II-III kerogen with gas-generating potential, ranging from immature to post-mature depending on proximity to igneous intrusions. These findings reflect a transgressive system strongly influenced by environmental controls and regional thermal input.
Palavras-chave: Geoquímica Pará
Tasmanites
Pirita
Lâminas delgadas
Magmatismo
Geochemistry Pará
Tasmanites
Pyrite
Thin sections
Magmatism
Área de Concentração: GEOLOGIA
Linha de Pesquisa: ANÁLISE DE BACIAS SEDIMENTARES
CNPq: CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIAS::GEOLOGIA
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal do Pará
Sigla da Instituição: UFPA
Instituto: Instituto de Geociências
Programa: Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Fonte URI: Disponível na internet via correio eletrônico: bibgeociencias@ufpa.br
Aparece nas coleções:Dissertações em Geologia e Geoquímica (Mestrado) - PPGG/IG

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