Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Navegando Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF por Afiliação "UFPA-Universidade Federal do Pará"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comunidades tradicionais e unidades de conservação no Pará: a influência da criação da Reserva Extrativista Rio Xingu - Terra do Meio, nos modos e vida das famílias locais(Universidade Federal do Pará, 2013-05-28) CASTRO, Roberta Rowsy Amorim de; OLIVEIRA, Myriam Cyntia Cesar de; http://lattes.cnpq.br/0949702419746141A natureza, conforme visualizamos hoje, foi moldada através da ação humana. Entretanto, essa ação em alguns casos foi depredadora, tornando os recursos naturais escassos. Com o tempo esse modelo de exploração foi questionado, surgindo diversas propostas que preconizavam a preservação ambiental e ecológica, sendo muitas voltadas para região amazônica. Dentre diversas alternativas para viabilização da preservação socioambiental, surgiram as Reservas Extrativistas, fortemente alavancadas pelo Movimento dos Seringueiros, originário no Acre. Mesmo sendo uma alternativa à devastação do meio ambiente e da cultura das comunidades tradicionais residentes, as RESEXs, através das regras estabelecidas em seu Plano de Uso podem, em alguns casos, coibir ações corriqueiras de seus habitantes. Buscando analisar tão assertiva, a pesquisa teve como objetivo compreender as influências exercidas pela criação da RESEX Rio Xingu, Terra do Meio, Pará, sobre os modos de vida e as práticas sociais, de gestão e manejo de recursos naturais adotadas pelas famílias locais. A metodologia utilizada foi a imersão ao locus de pesquisa em duas visitas, compreendidas entre maio e agosto de 2012, onde através de roteiro pré-elaborado, foram entrevistadas 23 famílias moradoras da Unidade. Como métodos para alcançar o objetivo proposto, foram realizadas também conversas informais, observação participante e observação direta. Verificou-se que as comunidades tradicionais da região passaram por intensos processos históricos, muitos deles regados a conflitos ocasionados pela expropriação e coação sofridas pelos habitantes locais, o que corroborou para a criação da área protegida. Após a criação da RESEX que se deu de forma muito rápida, na tentativa de cessar a exploração dos recursos naturais por atores externos, as famílias se sentiram mais seguras em relação à permanência nas terras. No entanto, as regras instituídas no Plano de Manejo não foram apreendidas pelas mesmas, o que se justifica pela não participação nas reuniões (40%); falhas de comunicação, uma vez que a linguagem dos atores externos (gestores) não é compreendida (26%), a participação passiva dos moradores na escolha e determinação das regras e a existência de falhas nos critérios de escolha dos conselheiros, ambas relatadas em 17% das entrevistas. Mesmo demonstrando incompreensão sobre as normas estabelecidas, a maior parte das famílias entrevistadas (entre 65% e 78%) afirmou cumprir as regras. A afirmação das mesmas foi analisada como uma tentativa de manter seus modos de vida inalterados, uma vez que, mesmo expondo cumprir as normas, os moradores denunciam uns aos outros, o que permite deduzir que estes continuem a realizar as atividades conforme faziam antes da criação da RESEX, ficando alheios as normas estabelecidas. Além disso, como o entendimento das normas se deu de diferentes formas, isso pode servir como justificativa para o não cumprimento. Constatou-se ainda que os modos de vida das famílias no que diz respeito a atividades praticadas não foi significativamente alterado. Entretanto, as relações sociais entre as comunidades foram abaladas pela imposição e os diferentes entendimentos sobre as regras, o que se legitima pela externalização e intensificação de brigas e fofocas entre os moradoresDissertação Acesso aberto (Open Access) Ocupação dos espaços, gestão e degradação das pastagens entre pecuaristas da microrregião de São Félix do Xingu-PA(Universidade Federal do Pará, 2011-08-02) CLAUDINO, Livio Sergio Dias; POCCARD CHAPUIS, René Jean Marie; http://lattes.cnpq.br/2908492529201445; https://orcid.org/0000-0003-2200-0637; DARNET, Laura Angélica Ferreira; http://lattes.cnpq.br/3450720474559096; https://orcid.org/0000-0003-2523-9248A pecuária bovina é uma das principais atividades em diversas partes da Amazônia brasileira. Na microrregião de São Félix do Xingu, particularmente nos municípios de São Félix do Xingu e Tucumã, a atividade apresentou exponencial crescimento especialmente a partir dos anos 90, observando-se principalmente pela rápida expansão das pastagens e efetivo dos rebanhos bovinos. Diversos questionamentos sobre o papel da atividade nos processos de desmatamentos na região emergiram. Um dos apontamentos centrais, encontrados na literatura das duas últimas décadas, é o fato da pecuária bovina se desenvolver a partir da conversão de florestas em pastagens, que apresentam elevado estado de degradação agrícola em pouco tempo, sendo posteriormente abandonadas pelos pecuaristas, principalmente familiares, que migram para novas áreas de floresta, iniciando novos processos de desmatamentos. Compreender estas dinâmicas e estabelecer estratégias de conter os processos de desmatamentos são grandes desafios da atualidade. Neste trabalho, buscamos compreender se e como a degradação das pastagens se constitui num motor de novos desmatamentos, verificando também as distinções e/ou similaridades nos processos de gestão e situação das pastagens e dos rebanhos entre as distintas categorias socioeconômicas de pecuaristas que desenvolvem a atividade na microrregião de São Félix do Xingu. As hipóteses levantadas foram que: i) os fatores socioeconômicos, ambientais, políticos, fundiários e produtivos influenciam as formas de ocupação e gestão dos espaços; ii) as práticas de gestão das pastagens e dos rebanhos são as principais causas da degradação agrícola dos pastos; e, iii) a degradação das pastagens influencia novos desmatamentos. Foram entrevistados 63 pecuaristas entre os meses de setembro e dezembro de 2008, no âmbito das pesquisas da Rede – Geoma. Utilizamos os resultados dos testes de análises de variância (ANOVA) para compararmos as formas de ocupação e gestão das pastagens entre os distintos grupos de pecuaristas, e, modelos de regressão estatística para identificarmos as variáveis que influenciam os estádios de degradação agrícola das pastagens. Os resultados obtidos mostraram que, tanto as formas de ocupação dos espaços como a gestão e a situação das pastagens são bastante similares entre todas as categorias socioeconômicas de pecuaristas. Os fatores que influenciam a degradação das pastagens diferem entre pecuaristas de categorias socioeconômicas distintas, sendo que, fatores externos como os períodos secos e ataques de pragas afetam principalmente os pecuaristas em condições socioeconômicas menos favorecidas. No entanto, distintamente da hipótese levantada, atualmente a degradação das pastagens não se mostra como motor da migração e abertura de novas áreas, mesmo entre pecuaristas familiares. A estratégia adotada em todas as categorias de pecuaristas é a intensificação no manejo das pastagens, principalmente pela reforma dos pastos e aumento no número de divisões, além de variação sazonal no efetivo dos rebanhos durante o ano, a fim de diminuir a pressão sobre o pasto e capitalizar-se para efetuar melhorias nos pastos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Resistência e expropriação de famílias na Volta Grande do Xingu: o caso de duas áreas atingidas pela barragem de Belo Monte, Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2013-05-28) MAIA, Ricardo Eduardo Freitas; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880Por meio deste trabalho foi estudada a mobilização contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a partir de duas áreas localizadas na Volta Grande do Xingu. Foram feitas 26 entrevistas no período compreendido entre os meses de maio e julho de 2012. A resistência contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte perdura por mais de duas décadas, passou por fases em que houve mudanças no posicionamento dos atores em relação ao projeto, inclusive nas entidades de representação. No caso dos camponeses essas mudanças influenciaram fundamentalmente na maneira como foi iniciado o conflito, sobretudo porque que a percepção em relação ao projeto depende da situação vivenciada nas áreas. Em São Raimundo Nonato e no Ramal dos Penas a mobilização se deu em função do medo das mudanças, de perder o espaço de moradia e de produção, das modificações nas relações sociais moldadas na área, do controle da produção do alimento, contudo essa resistência era dos que foram forçados a sair, e os enfrentamentos ao projeto foram solapados fundamentalmente pela rapidez das transformações socioambientais em decorrência do início das obras. Já na Ressaca, Garimpo do Galo e Ilha da Fazenda pode ser percebido que além dos questionamentos em relação à construção da barragem existe a pressão em consequência da implantação do projeto de Mineração Volta Grande. Essas frentes expropriatórias parecem cada vez mais efervescer o conflito em função das modificações sofridas na área e da iminência do deslocamento decorrente da mineração. Nesse sentido, o caso em estudo fornece elementos para o debate sobre outros Grandes Projetos de Investimento que eclodem na Amazônia, que seguem a tônica do apaziguamento dos conflitos, da irredutibilidade da obra e da naturalização da expropriação das pessoas sob o pretexto do progresso e do bem comum, que sobrepuja vidas e amplia injustiças sociais.
