Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) “O que vamos comer hoje, professora?”: Um estudo sobre a inserção de alimentos amazônicos no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional(Universidade Federal do Pará, 2024-10-09) MORAIS, Rayssa De Fátima Gomes; ALVES, Livia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346; FRAZÃO, Andréa das Graças Ferreira; CORREA, Nadia Alinne Fernandes; http://lattes.cnpq.br/5712188054153873; http://lattes.cnpq.br/4959431698628064; https://orcid.org/0000-0002-7833-3919O presente estudo aborda a importância de incorporar produtos originários da Amazônia no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), como uma estratégia para promover a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nas escolas. O estudo fundamenta que a inclusão de produtos amazônicos na alimentação escolar pode trazer benefícios significativos, tanto para a saúde dos estudantes quanto para a economia local e a preservação da biodiversidade da região. A diversificação da alimentação escolar por meio da inclusão de alimentos da região amazônica não apenas amplia as opções alimentares dos estudantes, mas também contribui para a valorização da cultura local, incentivando a produção e o consumo de produtos tradicionais. No ano de 2022, foi conduzida uma pesquisa de campo nos municípios de Belém, pertencente à região metropolitana, e Cametá, localizado no baixo Tocantins, a partir de escolas selecionadas, tanto de nível municipal quanto de nível estadual do ensino público. Apesar de estarem situadas em diferentes regiões geográficas, as escolas foram escolhidas de maneira criteriosa com o propósito de refletir realidades socioculturais distintas. A condução da pesquisa abrangeu uma gama de métodos, incluindo observação participante, a aplicação de questionário, registros fotográficos e revisões bibliográficas. Os resultados obtidos foram abordados e expostos por meio de dois artigos distintos: 1 – O primeiro artigo dedicou-se a identificar a alimentação escolar fornecida nas escolas em diferentes contextos culturais, além de contextualizar a dinâmica do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no estado do Pará. Para alcançar seus objetivos, a pesquisa empregou técnicas de campo, incluindo a observação participante, a aplicação de questionário, além da revisão bibliográfica contextualizando a dinâmica do PNAE no estado do Pará; 2 – O segundo artigo direcionou seu foco na análise do impacto da alimentação escolar na promoção da Segurança Alimentar e Nutricional dos educandos, específicos do 8º ano do ensino fundamental. A conclusão derivada dos resultados evidenciou que os estudantes enfrentam obstáculos consideráveis para obter acesso a uma dieta condizente com princípios de adequação e nutrição. A conjugação dessas abordagens proporcionou uma investigação abrangente das mudanças na alimentação escolar, gerando percepções valiosas sobre a evolução das políticas e práticas ao longo do tempo, suas consequências e possíveis direções futuras. Os resultados antecipados deste estudo têm o potencial de influenciar a tomada de decisões e a elaboração de políticas que melhorem o sistema de alimentação escolar, assegurando uma nutrição adequada e saudável para os alunos dessas localidades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Transição produtiva para implantação de sistemas agroflorestais na agricultura familiar em Tomé-Açu: estudo de caso na comunidade de Santa Luzia – PA(Universidade Federal do Pará, 2024-05-27) NOGUEIRA, Ludmila da Rocha; ARAGÃO, Débora Veiga de; http://lattes.cnpq.br/3936738736449608; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227; OLIVEIRA, Jose Sebastião Romano de; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/8943632694777429; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923; https://orcid.org/0000-0003-1311-1271O uso tradicional do corte e queima por agricultores familiares na Amazônia, especialmente em Tomé-Açu entre 1947 e 1968, foi impulsionado pela introdução do cultivo de pimenta-do-reino (Piper nigrum) em larga escala a partir da chegada dos imigrantes japoneses na década de 30, transformando a região em um centro de produção para exportação. No entanto, a competição global e a Fusariose (Fusarium spp) causaram uma crise financeira, afetando os agricultores familiares dependentes desse cultivo. Em resposta, os produtores japoneses precisaram modificar suas formas de produção, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) foram uma alternativa, representando uma significativa mudança na prática agrícola do município, visando modelos mais sustentáveis e diversificados. Este estudo tem como foco entender o processo de transição produtiva de quatro agricultores familiares em Santa Luzia, Tomé-Açu, Pará, afim de entender se deram as mudanças nas propriedades com a introdução dos SAFs. Para isso, foram aplicados questionários, registros fotográficos e análise multitemporal das propriedades pelo software QGIS. Como resultados, observou-se que a criação da APRAFAMTA foi fundamental para disseminar conhecimentos sobre SAFs, facilitando a inclusão dos agricultores em políticas públicas como o PNAE e o PAA, ampliando os canais de comercialização. Além disso, as quatro famílias estudadas abandonaram o monocultivo de pimenta (Piper nigrum L.) em favor dos SAFs, contribuindo para uma produção sustentável, com uma diversidade de espécies e arranjos produtivos dentro de seus sistemas, o que permite garantir renda e alimentos ao longo de todo o ano, não dependendo apenas de uma única cultura. No entanto, ainda há desafios, como as dificuldades presentes nos financiamentos bancários e poucos canais de comercialização direta, mesmo com a introdução da associação no mercado, o que os torna dependentes de atravessadores. Conclui-se que a transição para SAFs foi crucial para garantir uma produção diversificada, segurança alimentar e soberania às famílias, promovendo uma maior autonomia e resiliência frente aos desafios do mercado, além da melhoria da qualidade de vida e estrutura das propriedades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Repactuação dos acordos de pesca do mapará (Hypophthalmus edentatus) no Rio Baixo Anapu, interior do município de Igarapé-Miri(Universidade Federal do Pará, 2024-06-26) MACIEL, Maria Beatriz Portilho; MOURA, Gustavo Goulart Moreira; http://lattes.cnpq.br/4226146956798142; https://orcid.org/0000-0001-7157-857X; SILVA, Katiane; FOPPA, Carina Catiana; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/2513553021717721; http://lattes.cnpq.br/0150061207696674; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; https://orcid.org/0000-0002-1938-9373; https://orcid.org/0000-0003-2367-553XA pesca, uma das atividades humanas mais antigas, desenvolvidas pelos povos da região Amazônica, se reveste de grande importância na vida de comunidades tradicionais, seja pela produção de alimentos ou abastecimento dos comércios nos centros urbanos da capital e do interior de estado. Na região do Baixo Tocantins a pesca artesanal de destaca a partir do declínio dos engenhos (1975), onde os ribeirinhos buscam na atividade da pesca uma alternativa para garantir o sustento de suas famílias, tornando-a uma profissão de grande valor econômico, social e cultural. Apesar da sua importância a pesca artesanal é impactada negativamente, sobretudo pela construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí década de 1980. Devido ao barramento do rio Tocantins pela hidrelétrica, instala-se uma crise no setor da pesca artesanal, desencadeando conflitos entre pescadores e ribeirinhos em torno dos recursos pesqueiros, impulsionando-os a buscar estratégias para amenizar os conflitos e regular o acesso e uso do pescado em especial do mapará. Nessa perspectiva, surgem as experiências de gestão compartilhada criada a partir das demandas dos ribeirinhos e pescadores artesanais - os chamados acordos de pesca. O trabalho tem como objetivo analisar o processo de repactuação do acordo de pesca do mapará (Hypophthalmus edentatus) no Rio Anapu, interior do município de Igarapé- Miri, relatando como acorreu esse processo a partir da divisão do território de pesca em dois grupos (grupo de baixo e grupo de cima), e o envolvimento de conflitos intercomunitários entre os usuários dos recursos pesqueiros, a pesquisa foi desenvolvida em regime de trabalho autoetnográfico que, enquanto método, entende o trabalho de campo como uma experiência vivida pelo sujeito que pertence ao lócus da pesquisa empírica. Os dados foram coletados através de 12 entrevistas com ribeirinhos e pescadores da comunidade do Rio Anapu. Conforme o que se apresenta, por meio da repactuação do acordo de pesca existe uma melhor comunicação e gestão da pesca do mapará na comunidade, após muitos conflitos envolvendo os recursos pesqueiros na localidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Território pra gente é casa”: mobilizações quilombistas no Marajó dos Campos(Universidade Federal do Pará, 2025-02-28) COSTA, José Felipe Rodrigues da; PINHEIRO, Patrícia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/6769403803602637; https://orcid.org/0000-0001-5366-3447; MEDEIROS, Monique; http://lattes.cnpq.br/4244130793736395; https://orcid.org/0000-0001-8789-0621; GUERRERO, Natalia Ribas; NOGUEIRA, Mônica Celeida Rabelo; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; http://lattes.cnpq.br/6825916756980912; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273; https://orcid.org/0000-0002-4541-7008Esta dissertação tem como lócus de análise o município de Salvaterra, na Ilha do Marajó, estado do Pará, onde se situam cerca de 18 comunidades quilombolas. O estudo se concentra em duas dessas comunidades, Vila União/Campinas e Mangueiras, onde atuam dois movimentos organizados majoritariamente por mulheres: o Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campinas/Vila União (Narq) e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, da comunidade de Mangueiras. O objetivo central deste trabalho é analisar as estratégias de resistência quilombola diante dos projetos neocoloniais implementados em Salvaterra (PA). De forma específica, busca-se: (1) identificar as estratégias desenvolvidas por essas organizações para enfrentar os impactos dos projetos neocoloniais nos territórios quilombolas; (2) caracterizar as alianças e redes de apoio formadas para amplificar suas demandas e resistências; e (3) compreender como esses movimentos articulam atividades culturais e econômicas para fortalecer as comunidades quilombolas. A pesquisa adotou entrevistas semiestruturadas individuais com membros do Narq e do Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, além da observação participante em suas atividades coletivas. A análise baseou-se nas perspectivas da antropologia do desenvolvimento, da territorialidade quilombola e do conceito de quilombismo. Os resultados evidenciam que as ações de enfrentamento aos projetos neocoloniais em Salvaterra são fundamentadas em uma identidade étnico-racial, elemento essencial para mobilizar ações e dar coesão ao histórico de organização das comunidades quilombolas. O Narq e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo se configuram, à luz da teoria do quilombismo, como movimentos quilombistas, pois promovem a autonomia e o fortalecimento comunitário, buscando a independência de suas comunidades. Além de sua identidade quilombista, essas iniciativas integram uma rede mais ampla de mobilizações, articulando-se territorialmente para fortalecer seus territórios por meio de atividades culturais e econômicas, como a dança, a geração de renda e o resgate de práticas agrícolas tradicionais. Essas ações também se conectam a mobilizações estaduais e nacionais, estabelecendo parcerias alinhadas a seus objetivos internos. Ao contribuir para o campo dos estudos sobre quilombos, neocolonialismo e resistência territorial, esta dissertação também dialoga com o debate sobre políticas públicas voltadas para a garantia dos direitos territoriais e o fortalecimento da autonomia das comunidades quilombolas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O acontecimento da comida: memória coletiva sobre produção, preparo e consumo de alimentos no Quilombo Jacarequara, no Nordeste paraense(Universidade Federal do Pará, 2025-07-03) PEIXOTO, Quimera de Moraes; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611; ZIMMERMANN, Silvia Aparecida; SOUZA, César Augusto Martins de; SANTOS, Raquel Rodrigues dos; http://lattes.cnpq.br/2430257571633286; http://lattes.cnpq.br/3353195442153329; http://lattes.cnpq.br/4077740709764864; https://orcid.org/0000-0003-2318-2743; https://orcid.org/0000-0003-4530-4844Esta dissertação analisa a memória coletiva sobre a produção, o preparo e o consumo de alimentos no território quilombola Jacarequara, localizado no município de Santa Luzia do Pará, na região Nordeste paraense, Amazônia Oriental. O objetivo foi analisar a memória coletiva sobre a produção, preparo e consumo de alimentos no quilombo Jacarequara, em Santa Luzia do Pará no Nordeste Paraense. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise de estatísticas, a realização de 15 entrevistas abertas com pessoas idosas e 59 entrevistas semiestruturadas com quilombolas de diferentes gêneros e gerações, além de observações de campo realizadas entre 2023 e 2024. Os relatos destacam que, no passado, a maior disponibilidade de terras favorecia uma produção agroextrativista mais diversificada, o que se refletia na variedade e composição das refeições. O preparo dos alimentos era realizado principalmente pelas mulheres, com base nas condições locais, nas chamadas cozinhas estendidas — espaços centrais da casa destinados ao preparo das refeições. Nesses ambientes, utilizavam-se predominantemente utensílios de barro, além de pilões, cuias e cabaças, com o uso limitado de utensílios metálicos. As refeições eram preparadas com grande quantidade de lenha proveniente de galhos de árvores da região. O café da manhã era marcado pelo consumo de mingaus de tubérculos e frutas; o almoço incluía alimentos cultivados nas roças e caças; e o jantar consistia em refeições leves, como caldos e mingaus. No presente, embora a produção voltada ao autoconsumo persista, ela é reduzida, assim como o uso de alimentos tradicionais, devido a dificuldades socioambientais. Mesmo sendo um território titulado, a comunidade enfrenta pressões externas, como o avanço de fazendas e monocultivos, agravadas pela crise climática. A perda de território e a degradação ambiental, registradas na memória coletiva, resultam na diminuição da produção de alimentos e geram riscos de insegurança alimentar, além de transformações na cultura alimentar quilombola.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O desafios da sucessão geracional no extrativismo do babaçu no povoado Sumaúma do Japão (Maranhão, Brasil)(Universidade Federal do Pará, 2024-08-26) SILVA, Silvia Teixeira da; GUERRERO, Natalia Ribas; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273; BARROS, Flávio Bezerra; ALVES, Yara de Cássia; BARBOSA, Viviane de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262; http://lattes.cnpq.br/3080311482315245; http://lattes.cnpq.br/5697398324818667; https://orcid.org/0000-0002-6155-0511; https://orcid.org/0000-0002-3555-7461A problemática da sucessão geracional no meio rural é uma questão debatida amplamente, tanto entre os próprios povos e comunidades tradicionais e camponesas quanto em diferentes cenários acadêmicos e políticos. A importância dessa discussão está no impacto profundo que a participação dos jovens tem para a continuidade e sustentabilidade do meio rural. A sucessão geracional não é apenas um desafio econômico, mas também social e cultural, afetando diretamente as dinâmicas familiares, a coesão comunitária, a relação com o território, o modo de vida e a transmissão de conhecimentos tradicionais. Esta dissertação analisa a temática da sucessão geracional por meio de um estudo de caso, focado na descrição e análise das práticas contemporâneas de jovens no extrativismo do babaçu no povoado de Sumaúma do Japão, localizado no município de Vitória do Mearim, no Maranhão. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com observação participante e a realização de entrevistas semiestruturadas e abertas com um amplo conjunto de interlocutores, que envolveu quebradeiras que estão e que não estão engajadas na atividade, com jovens filhos de quebradeiras de coco babaçu e jovens que migram sazonalmente. Os procedimentos de pesquisa também buscaram uma abordagem etnográfica, principalmente no campo visual, com a produção de cadernos de imagens que acompanham o texto. A pesquisa buscou captar percepções, práticas e valores associados à transmissão do conhecimento tradicional sobre o babaçu, bem como identificar as etapas do trabalho com o babaçu em que os jovens estão presentes e quais os desafios enfrentados no envolvimento com a atividade. A pesquisa revelou que o extrativismo de babaçu segue uma prática importante em Sumaúma do Japão, tanto do ponto de vista econômico quanto da transmissão de conhecimento. Contudo, observou-se que, entre parte significativa da juventude do povoado, é presente o estigma que associa o trabalho do babaçu com a pobreza, prejudicando a motivação à dedicação na atividade, consequentemente fragilizando a sucessão geracional e a transmissão do conhecimento tradicional. Além disso, o estudo apontou também que os eventos de mobilidade sazonal que têm levado jovens rapazes para trabalhar fora do povoado também influenciam a atividade, na medida em que as remessas enviadas por eles, juntamente com a participação em programas sociais e aposentadorias, contribuem para que suas esposas ou mães por vezes optem por não se dedicarem à atividade. Por fim, restrições e cerceamentos no acesso aos babaçuais começam a ser sentidas na região, configurando-se como fator adicional de pressão sobre a atividade. Espera-se que esta pesquisa contribua com o debate sobre sucessão rural, extrativismo de babaçu e o campo de formulação de políticas correlato.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O cooperativismo e as trajetórias familiares: O papel da Coomar nos sistemas produtivos do Quilombo de Pimenteira, Santa Luzia do Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-02-25) CRISTOVÃO, Eduarda Emilia Magalhães; SABLAYROLLES, Philippe Jean Louis; http://lattes.cnpq.br/7201576326250482; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923; https://orcid.org/0000-0003-1311-1271; CAMPELO, Marilu Marcia; ASSIS, William Santos de; GHIRARDI, Maria de Nazaré Reis; http://lattes.cnpq.br/8338592541775616; http://lattes.cnpq.br/0188412611746531; http://lattes.cnpq.br/6685424954177125; https://orcid.org/0000-0002-4517-8705; https://orcid.org/0000-0002-9525-7153A pesquisa tem como objetivo compreender a trajetória dos sistemas produtivos e das práticas de comercialização das famílias da Comunidade Quilombola de Pimenteira, localizada no município de Santa Luzia do Pará, Região Bragantina no Estado do Pará, e o papel que a Cooperativa Mista dos Agricultores e Agricultoras Familiares entre os rios Caeté e Gurupi (Coomar) exerce nessas trajetórias agrárias. Para tanto, buscamos conhecer a história da comunidade, da cooperativa e seu contexto local, caracterizar os sistemas de produção e práticas de comercialização das famílias, além das mudanças percebidas pelos agricultores para então identificar o papel da Coomar nas mudanças observadas. A fim de alcançar os objetivos propostos, foi realizada uma pesquisa de caráter qualitativo na forma de um estudo de caso exploratório. Como instrumentos de pesquisa foram aplicadas junto a comunidade entrevistas semiestruturadas, observação direta em campo, seguida de sistematização e análise dos dados. Os resultados mostram que houve rupturas nas trajetórias produtivas pelo abandono da produção comercial da farinha de mandioca e escolha de alternativas para composição da renda monetária: o murumuru, PNAE e PAA, via cooperativa e açaí, via atravessador. Nesse sentido, a cooperativa exerce um papel importante como canal de comercialização para a comunidade, os mercados acessados via cooperativa moldaram parte das mudanças percebidas nos sistemas de produção, como a inserção do extrativismo do murumuru como principal atividade geradora de renda monetária, maior comercialização e valorização dos cultivos dos quintais agroflorestais, como frutas e hortaliças, e possibilidade de investimento na agricultura, por meio da renda alcançada. Todavia, é importante ressaltar a dependência do mercado aos quais essas relações comerciais do extrativismo de oleaginosas são subordinadas, e a importância da diversificação como instrumento de manutenção da autonomia das comunidades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Caça, domínios e passagens: a produção e reprodução dos corpos Tembé na sociabilidade com o cosmos(Universidade Federal do Pará, 2024-09-06) GONÇALVES, Jakson da Silva; PONTE, Vanderlúcia da Silva; http://lattes.cnpq.br/2911877430319887; SILVA, Katiane; http://lattes.cnpq.br/2513553021717721; https://orcid.org/0000-0002-1938-9373; COELHO, José Rondinelle Lima; BARROS, Flavio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/1303899492681221; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262; https://orcid.org/0000-0002-6155-0511Este trabalho possui como temática central as conexões entre a atividade de caça e o ritual pubertário da festa-do-moqueado, junto aos Tembé, na Terra Indígena do Alto Rio Guamá. A festa-do-moqueado é a terceira e última etapa da passagem da menina moça e do menino Tembé à condição de sujeito de adulto. A produção de seus corpos durante esse ritual se faz a partir de elementos e instrumentos de pertencimento aos domínios não humano, como as florestas e rios, e que são manuseados para atribuir condições e condutas desejáveis pela moral Tembé. Neste aspecto, a caça entra como atividade necessária na promoção dessa corporalidade à medida que proporciona animais específicos e críticos para a mobilização e transmutação desses atributos. Para essa discussão fazemos uso das contribuições teóricas de Fausto (2008), Da Matta (1977), Gennep (2011), Turner (1974; 2005), Galvão (1955), Ponte (2022, 2014), Coelho (2022) entre outros. Como recurso metodológico, nos valemos da observação participante, em uma caçada específica para o ritual, bem como no próprio ritual que acontece logo em seguida. Os lóci de pesquisa foram as aldeias Sede, Ytwaçu e Pyno’á. O universo de conhecimentos para operacionalização da caça reforça variáveis tangíveis e intangíveis de importância nessa atividade. A caça se faz nas matas, no domínio de karuwars, com que(m) o caçador se relaciona para poder levar, entre outras coisas, alimento à aldeia. A festa-do-moqueado, por sua vez, acontece no centro da aldeia e busca evitar, ao máximo, conexões com matas e rios. Desta forma, temos que a caça e o ritual aduzem à perspectiva da liminaridade, seja do caçador, seja dos jovens do ritual, que cruzam, por escolha ou por imposição, fronteiras dominiais e desumanizadoras em potenciais para a preservação da humanidade de seu coletivo, na produção e reprodução constante da “mulher e do homem verdadeiro”. _Dissertação Acesso aberto (Open Access) Identificação, trocas e usos de variedades de cacau (Theobroma Cacao) associados aos conhecimentos tradicionais de agricultores familiares nos municípios de Tomé-Açu e Irituia, Pará(Universidade Federal do Pará, 2024-07-09) RAMOS, Gilfran dos Anjos; FOPPA, Carina Catiana; http://lattes.cnpq.br/0150061207696674; MOURA, Gustavo Goulart Moreira; http://lattes.cnpq.br/4226146956798142; ROCHA, Carla Giovana Souza; GUERRERO, Natalia Ribas; http://lattes.cnpq.br/6995325935325969; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; https://orcid.org/0000-0002-7066-0480; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273Esta pesquisa se dedica a compreender a origem, os usos e a circulação das variedades do cacau (Theobroma cacao) em Sistemas Agroflorestais (SAFs) de Tomé-Açu (PA) e Irituia (PA) associados aos conhecimentos tradicionais dos agricultores familiares. O sistema produtivo adotado pelas comunidades tradicionais está em um processo de transição produtiva em que muitos agricultores familiares migram para sistemas orientados por pacotes tecnológicos, com a introdução de variedades híbridas, clonais e defensivos agrícolas. Deste modo, a pesquisa buscou compreender a inter-relação dos conhecimentos tradicionais associados à identificação da origem, uso e troca do cacau e de que maneira estas práticas fortalecem a manutenção de SAFs na região estudada. Foram realizadas entrevistas com agricultores dos municípios de Tomé-Açu e Irituia que cultivam cacau em sistemas agroflorestais com diferentes arranjos produtivos para identificar a presença de cacau clonal, híbrido e variedades nativas. As formas de circulação das variedades envolvem arranjos diferenciados, em múltiplas escalas, no nível local, municipal e estadual. A identificação do cacau, orientada pelos conhecimentos tradicionais dos agricultores familiares, decorre de características como pigmentação do fruto, forma da casca, sementes e sabor. Os núcleos familiares têm uma predominância de origem migratória da região nordeste do país e outras regiões da Amazônia paraense. A mão de obra é familiar e o cultivo de cacau está prioritariamente associado a outros cultivares presentes no SAFs que contribuem para a sustentabilidade amazônica.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O Programa Nacional de Cantinas Escolares em Guiné-Bissau: entre a luta contra a insegurança alimentar e a influência do mercado global(Universidade Federal do Pará, 2024-09-30) MANÉ, Binto; MEDEIROS , Monique; lattes.cnpq.br/4244130793736395; https://orcid.org/0000-0001-8789-0621; DIAS, Ivanira Amaral; ACOSTA-LEYVA, Pedro; SOUZA, César Augusto Martins de; http://lattes.cnpq.br/9277043318765721; http://lattes.cnpq.br/5351002551094367; http://lattes.cnpq.br/3353195442153329A presente pesquisa tem como objetivo analisar o impacto da contribuição de recursos estrangeiros no Programa Nacional de Cantinas Escolares (PNCE) e sua promoção da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Para atender ao objetivo proposto, foi utilizada a abordagem qualitativa, e os instrumentos metodológicos foram a pesquisa bibliográfica, documental e entrevistas semiestruturadas. A partir dos resultados obtidos, fica evidente que a instabilidade política contínua em Guiné-Bissau desde a sua independência impacta na implementação de políticas públicas eficazes e o seu desenvolvimento. No entanto, o PNCE pode ser analisado a partir de duas perspectivas: por um lado, o programa visa combater a evasão escolar e a insegurança alimentar local por meio da oferta de alimentação adequada, ajudando a diminuir a pobreza e as desigualdades sociais. Por outro lado, existe a inserção de alimentos industrializados e processados nas cantinas escolares, provenientes dos países parceiros (por exemplo, o arroz e a sardinha ofertados sob forma de “ajuda” pelo Japão e o arroz pelo governo de Correia de Sul), isso ocorre apesar o fato de a Guiné-Bissau ser um país rico em recursos pesqueiros e possuir potencial agrícola, entretanto, a dependência excessiva de ajuda externa compromete a soberania alimentar e o desenvolvimento de um país. Teoricamente o trabalho contribui para o debate sobre o impacto da ajuda externa na promoção de SAN, destacando como a ajuda externa pode tanto apoiar como criar um círculo vicioso e limitar o desenvolvimento sustentável de países em situações de vulnerabilidade como a Guiné-Bissau. Metodologicamente, a combinação de fontes documentos e entrevistas semiestruturadas proporciona uma visão holística e crítica das dinâmicas envolvidas, permitindo uma análise mais completa dos impactos sociais, econômicos e políticos associados ao programa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise socioeconômica e agroambiental de propriedades camponesas da Travessa São Francisco, Santa Luzia do Pará(Universidade Federal do Pará, 2024-08-23) SANTOS, Dayla Carolina Rodrigues; MELO JÚNIOR, Luiz Cláudio Moreira; http://lattes.cnpq.br/3064385690292102; https://orcid.org/0009-0009-2407-936X; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227; OLIVEIRA, José Sebastião Romano de; ARAGÃO, Débora Veiga de; MEDEIROS, Monique; http://lattes.cnpq.br/8943632694777429; http://lattes.cnpq.br/3936738736449608; http://lattes.cnpq.br/4244130793736395; https://orcid.org/0000-0001-8789-0621A propriedade camponesa é uma forma de organização, na qual pequenas parcelas de terra são trabalhadas por famílias rurais para garantir o autoconsumo e, muitas vezes, gerar excedentes para comercialização. Os quintais são componentes cruciais para a reprodução e segurança alimentar dessas famílias. Esta pesquisa foi desenvolvida na comunidade da Travessa São Francisco, BR 316, km 26, em Santa Luzia do Pará, com o objetivo de analisar a influência dos quintais nas propriedades camponesas nos aspectos econômicos, sociais e ambientais. Foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: a) entrevistas com camponeses; b) caminhada transversal; c) inventário florestal em 10 quintais, nos quais foram medidos o diâmetro à altura do peito (DAP) e a altura total (H) de todos os indivíduos com DAP≥3 cm; d) análise florística e estrutural, incluindo o coeficiente de importância das espécies (CIE); e) determinação de biomassa e carbono. Os resultados revelam a complexidade e riqueza das práticas agrícolas e sociais das famílias rurais. A diversificação das fontes de renda, incluindo agricultura, criação de animais e auxílios governamentais, garante a reprodução e segurança alimentar das famílias. A participação em organizações sociais, como cooperativas e associações, é crucial para o acesso a recursos financeiros e tecnológicos. As mulheres desempenham um papel fundamental na gestão das propriedades e na produção agrícola, especialmente nos quintais. Apesar de representarem uma pequena porção das propriedades, os quintais são ricos em biodiversidade e têm um papel central na alimentação familiar e no lazer. A produção de biomassa e o estoque de carbono se mostraram relevantes, devendo-se priorizar espécies como açaí, coco, banana e jarana. O calendário de safras e produtos reflete a produção camponesa ao longo do ano, evidenciando as potencialidades da comunidade, o que pode auxiliá-los nas tomadas de decisão para os próximos ciclos produtivos. Com o domínio do processo produtivo, os camponeses podem afirmar que consomem alimentos saudáveis e desejados. Conclui-se que as famílias da comunidade da Travessa São Francisco são verdadeiras guardiãs da agrobiodiversidade amazônica, devido à sua profunda relação com o ecossistema e ao cuidado com que preservam suas sementes, técnicas e histórias. É essencial reconhecer e valorizar esses homens e mulheres que, por gerações, têm lutado e aplicado ciência nos campos, promovendo saúde e autonomia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “A água ficou presa pra lá”: transformações socioambientais a jusante da barragem de Tucuruí/PA.(Universidade Federal do Pará, 2019-10-18) HOLANDA, Bianca da Silva; MARTINS, Paulo Fernando da Silva; http://lattes.cnpq.br/3223618156268542; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407Esta dissertação trata sobre a memória das transformações socioambientais a partir do que os camponeses ribeirinhos, registram como mudanças, no q ue se ref ere ao t erritório de pesca e ao consumo do mapará. Utilizo como referenciais teóricos a memória social e a memória biocultural, associadas ao conceito de desastre ambiental levando em consideração o princípio homem natureza. O trabalho foi realiza do em trê s comuni dades ribeirinhas da ilha Saracá, município de Limoeiro Ajuru, estado do Pará. Localizada na região à jusante da barragem hidrelétrica de Tucuruí, próximo à foz do rio Tocantins. O trabalho analisa como as transformações socioambientais de rivadas d o desast re do barramento do rio Tocantins, repercutem no modo de vida e na reprodução social dos ribeirinhos. Também busca compreender e descrever a relação dos homens com os peixes e suas interações com o ambiente. A pesquisa foi realizada a part ir de uma abordag em qualitativa com base na observação participante, também foram realizadas entrevistas informais semiestruturadas . O trabalho considera que os danos são irreparáveis, o represamento do rio Tocantins desestruturou os ecossistemas aquáticos da regiã o, ocasi onando a diminuição da abundância e da diversidade dos peixes, afetando diretamente o modo de vida das populações ribeirinhas. Mesmo diante da escassez dos recursos pesqueiros a pesca coletiva do borqueio do mapará, se mantém com uma impor tância nã o apenas , do ponto de vista econômico, mas simbólico e cultural. Os conhecimentos envolvidos nesta atividade são fruto do cotidiano e da vivência do pescador, observador nato do rio e dos peixes.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A ação coletiva de agricultores integrados à agroindústria de dendê na Associação dos Moradores e Agricultores Familiares da Região do Igarapé-Açu de Baixo, em Irituia - Pará.(Universidade Federal do Pará, 2020-11-17) OLIVEIRA, Khety Elane Holanda de; SCHMITZ, Heribert; http://lattes.cnpq.br/2294519993210835Neste estudo analiso a atuação dos sócios comuns e da diretoria da Associação dos Moradores e Agricultores Familiares de Igarapé-Açu de Baixo (Amafib), no município de Irituia, Pará, em propostas relativas à ação coletiva junto a seus parceiros, a Central das Organizações Sociais Entre os Rios Guamá e Capim (Consergc) e a empresa multinacional Archer Daniels Midland Company (ADM) no contexto da integração da agricultura familiar à agroindústria de dendê. A metodologia constou de um estudo de caso com abordagens qualitativa e quantitativa. Foram realizados: observação direta de reuniões e de atividades de trabalho dos sócios; entrevistas não diretivas e semiestruturadas entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020; e revisão da literatura pertinente, priorizando as categorias ação coletiva, associativismo e integração produtiva. Os resultados mostram que as ações da Amafib junto a seus parceiros têm sido favoráveis aos integrantes da associação. Na cooperação com a Consergc foram alcançadas várias reivindicações como a adequação da pesagem dos frutos para a balança digital, a venda de fertilizantes pela própria empresa, o aumento do preço pago pelo dendê e a comercialização de ferramentas por meio de compra coletiva. Num cenário de negociações entre as partes para o bem comum, a Consergc possui protagonismo na ação coletiva e contribuiu para o bom andamento dos projetos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade, conhecimentos e práticas tradicionais sobre plantas alimentícias na comunidade quilombola do Jacarequara, Santa Luzia do Pará, Nordeste Paraense(Universidade Federal do Pará, 2022-08-09) ALVES, Ellem Suane Ferreira; FITA, Didac Santos; http://lattes.cnpq.br/4290251127696280O presente estudo analisa o papel da agrobiodiversidade e dos conhecimentos e práticas tradicionais relacionados às plantas alimentícias e de que forma influenciam na promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional (SSAN) na comunidade quilombola do Jacarequara, em Santa Luzia do Pará, Pará. Para tanto, foram utilizados métodos quali-quantitativos, com as técnicas da observação participante, entrevistas semiestruturadas, questionários, turnê-guiada e lista livre. Os dados obtidos foram tabulados e sistematizados para proceder à triangulação dos dados, além de ser calculada a frequência de citação e o Índice de Saliência Cognitiva (ISC) das plantas alimentícias inventariadas. Os resultados demonstraram que práticas produtivas como o cultivo das roças, o extrativismo de açaí (Euterpe oleracea Mart.) e murumuru (Astrocaryum murumuru Mart.), a pesca e a caça são a base alimentar e um meio de geração de renda. A essas práticas está atrelado importante conhecimento tradicional, onde os saberes são construídos pela constante troca entre os quilombolas, através das gerações, e tem como cerne as dinâmicas do meio natural que os cerca. Foi observado que a sazonalidade influencia a dinâmica produtiva e o calendário agrícola da comunidade, sempre considerando a relação entre os quilombolas e a natureza. Pelo inventário botânico foram catalogadas 140 etnoespécies alimentícias, com destaque para as famílias Euphorbiaceae (27), Arecaceae (12), Musaceae (10) e Rutaceae (9). Entre as plantas alimentícias com maior ISC destacaram-se o açaí, a banana (Musa paradisiaca L.), a mandioca/macaxeira (Manihot esculenta Crantz), o coco (Cocos nucifera L.), o caju (Anacardium occidentale L.), a acerola (Malpighia glabra L.), a bacaba (Oenocarpus bacaba Mart.) e a laranja (Citrus sinensis (L.) Osbe). Foram catalogadas 27 etnovariedades de M. esculenta demonstrando sua fundamental importância para a alimentação dos quilombolas, sendo composta pela farinha de mandioca e de tapioca, beiju, manicueira, tucupi, entre outras comidas. Entretanto, o avanço das áreas de pastagens das fazendas ao redor da comunidade e a adesão por hábitos alimentares externos à comunidade impostos pelo capitalismo, marcado pelo aumento do consumo de alimentos industrializados principalmente pelas crianças e jovens quilombolas, reflete mudanças e riscos à alimentação. Esses fatores direcionam a uma nova realidade alimentar, podendo interferir também em sua permanência no quilombo, na geração de renda, o respeito ao modo de vida quilombola e a valorização dos saberes e práticas tradicionais ali existentes e mantidos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As florestas e as roças: a construção de uma territorialidade indígena na aldeia Pino’a Tembé (Alto rio Guamá, Pará)(Universidade Federal do Pará, 2020) OLIVEIRA, Dayana Portela de Assis; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055O objetivo geral deste trabalho foi analisar o processo de construção de um território de pertencimento do povo Tembé, na aldeia Pino’a (alto rio Guamá, Pará) com enfoque na importância das florestas e roças. A pesquisa foi realizada em uma área de retomada e diante disso, buscamos traçar a trajetória territorial do povo Tembé, dentro do contexto maior da história e do grupo indígena. Posteriormente caracterizamos-se as práticas de manejo das áreas de roça e de floresta na aldeia Pino’a; e analisamos como as práticas de manejo nestas áreas contribuem para a construção de uma territorialidade indígena local. A pesquisa foi realizada por meio de uma abordagem qualitativa, de cunho etnográfico, baseada em transcrições e descrições do caderno de campo, assim como a interpretação dos dados inspirados pela etnografia. Além disso, foi utilizado a observação participante e entrevistas semiestruturadas, e os dados secundários foram coletados por meio de livros, revistas, artigos, entre outros. O estudo foi realizado com os primeiros moradores, e com os chefes (as) de famílias e seus filhos, para analisarmos a importância das roças e florestas para o povo local de origem Tembé. De forma geral, foi realizado uma análise, com toda comunidade indígena da aldeia Pino’a, para que fosse possível entender o processo de territorialidade e território de pertencimento, dentro do contexto regional e local indígena. Os interlocutores envolvidos no processo de pesquisa se expressaram livremente para que fosse possível apreender a sua percepção sobre a realidade, sem interferir ou induzir o entrevistado a outro caminho que não se articula com a pesquisa. As principais conclusões mostram que a terra indígena do alto rio Guamá, foi palco de conflitos territoriais, uma vez que, parte dela, encontrava-se colonos e fazendeiros não-indígenas. E, o trecho que atualmente é a aldeia Pino’a, antes era ocupado por colonos, mas por um processo de extrusão, atualmente essa área é composta por indígenas Tembé. E, nesse território, os indígenas realizam práticas de cultivo de mandioca nas roças e fazem acampamentos nas matas como forma de perpetuar sua cultura, por meio de seus hábitos e costumes. E, as primeiras roças foram elaboradas nesse período inicial, como forma de sobrevivência e resistência na terra. A partir disso, os indígenas foram criando laços de territorialidade com o local, sendo que, as roças e as florestas estão interligadas como fonte de alimento, abrigo, proteção e resistência em permanecer no território. Dessa forma, as roças e as florestas fazem parte da territorialidade local, uma vez que, as florestas estão ligadas as práticas de acampamento e coleta de frutos como o açaí, e a roça está coadunada aos rituais da festa da menina Moça, por meio da mandioca de variedade Mandiocaba, que é utilizada durante o ritual de passagem de menina para mulher, representando um ato simbólico para os indígenas Tembé. Além disso, a roça é muito significativa para eles, por meio da confecção de farinha, um alimento muito utilizado durante as refeições indígenas Tembé. Portanto, é nesse território localizado na terra indígena do alto rio Guamá e mais especifico na aldeia Pino’a, que os Tembé reproduzem sua territorialidade, perpetuando suas formas de vida e seus laços culturais e simbólicos, assim como suas relações de afetividade entre os membros e suas formas de utilizar os recursos oferecidos pelas roças e florestas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O impacto da covid-19 na comercialização e no consumo de animais silvestres: um estudo sobre segurança alimentar e nutricional em tempo de pandemia no município de Abaetetuba/PA(Universidade Federal do Pará, 2022-01-25) Costa, Tayara Silva; Fita, Dídac Santos; http://lattes.cnpq.br/4290251127696280É bem sabido que os animais silvestres e seus subprodutos seguem sendo manuseados em diversas culturas e sociedades, especialmente como base da dieta alimentar humana. Desse modo, o presente trabalho visou caracterizar o impacto da pandemia de COVID-19 no comércio da fauna silvestre e de seus subprodutos destinados à alimentação, analisando se os consumidores associam a carne de caça ao contágio do novo coronavírus e, consequentemente, se acreditam que o consumo frequente de animais silvestres pode ameaçar a Segurança Alimentar e Nutricional na cidade de Abaetetuba/PA. O período de campo foi entre setembro de 2019 e novembro de 2020, com alguns espaços de tempo entre as idas a Abaetetuba. Os principais instrumentos da metodologia empregada foram entrevistas semiestruturadas in loco e um questionário registrado via internet. Não houve coleta de material biológico, cabendo esta verificação ao registro fotográfico e à literatura específica. Como resultado da investigação, pode-se constatar que a feira livre da “beira” de Abaetetuba ainda representa um local de preservação das relações sociais e culturais, que fortalecem os laços afetivos e o saber local. Nela, existe uma extensa rede de relações na qual a comercialização de animais silvestres se mantém enraizada a uma cadeia de afinidades que caracterizam a identidade sociocultural e simbólica local, além de representar uma importante fonte de renda e/ou complemento econômico. O surgimento da pandemia da COVID-19 impactou, em certa medida, o comércio e o consumo de animais silvestres, pois, com o baixo abastecimento de proteína animal na feira e o encarecimento das carnes domésticas (gado, frango, porco...), ocorreu um aumento no consumo de carne de caça, mesmo que o preço desta também tenha sido elevado no período pandêmico. A carne de caça tornou-se uma alternativa mais barata, mais saudável e de maior durabilidade (vende-se salgada). Assim, muitos consumidores disseram não associar o contágio da COVID- 19 ao consumo de carne de caça, bem como não acreditavam que o consumo frequente de animais silvestres pudesse ameaçar a Segurança Alimentar e Nutricional no município.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses e o potencial de extratos de plantas medicinais no manejo de pragas e doenças do maracujazeiro(Universidade Federal do Pará, 2015) SILVA, Clenilda Tolentino Bento da; ISHIDA, Alessandra Keiko Nakasone; http://lattes.cnpq.br/8756162526907626; https://orcid.org/0000-0002-6021-185X; LEMOS, Walkymário de Paulo; http://lattes.cnpq.br/6841621785311887; https://orcid.org/0000-0002-1608-9551O presente trabalho teve como objetivo ampliar os conhecimentos sobre os sistemas produtivos, os aspectos sociais, econômicos e culturais dos filiados a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses (Irituia-PA), avaliando-se o efeito de extratos alcoólicos das plantas medicinais cultivadas pelos agricultores sobre o crescimento in vitro de patógenos da cultura do maracujazeiro e na redução da severidade da bacteriose em casa de vegetação, bem como avaliar o potencial inseticida dos extratos sobre larvas de Tenebrio molitor L. 1758. Na pesquisa utilizaram-se entrevistas gravadas e guiadas por questionários previamente estruturados. Observou-se que a agricultura é a principal atividade econômica para os cooperados, a mão-de-obra é familiar e o sistema de produção é baseado em lavouras temporárias e perenes, piscicultura, criação de animais de pequeno porte, além do trabalho de recuperação e preservação da floresta nativa. As principais plantas medicinais cultivadas pelos agricultores são: alfavacão (Ocimum gratissimum L.), babosa (Aloe vera L.), boldo-do-reino (Plectranthus barbatus Andrews), capim-santo (Cymbopogon citratus (DC.). Stapf), cipó d’alho (Mansoa alliaceae Gentry), coramina (Pedilanthus tithymaloides Port), erva-cidreira (Lippia alba (Mill) N.E.Brown.), eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.), gengibre (Zingiber officinallis Rosc.), manjericão (Ocimum basilicum L.), mastruz (Chenopodium ambrosioides L.), nim (Azadirachta indica A. Juss), noni (Morinda citrifolia L.) e vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.). Para avaliar o efeito antifúngico sobre o crescimento micelial in vitro dos fungos Rhizoctonia solani, Fusarium oxysporum, Fusarium solani e Colletotrichum gloeosporioides isolados do maracujazeiro, os extratos alcóolicos foram incorporados ao meio de cultura (BDA) fundente, 55°C a 1%. Após a solidificação do meio de cultura nas placas, depositou-se um disco de micélio do fungo de aproximadamente 8 mm de diâmetro no centro de cada placa. A testemunha não recebeu os tratamentos. O crescimento micelial foi avaliado diariamente com auxilio de um paquímetro digital até que o fungo em um dos tratamentos atingisse as extremidades da placa. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com 15 tratamentos e cinco repetições. Na avaliação do efeito antibacteriano sobre o crescimento de X. axonopodis pv. passiflorae, os extratos foram incorporados ao meio 523 na concentração de 1% a 55 oC. Após a solidificação do meio, depositou-se 100 L da suspensão bacteriana, a qual foi espalhada com auxilio de uma alça de Drigalski. As placas foram incubadas por 48h a 28 oC e o delineamento experimental foi o inteiramente casualizado. A avaliação foi realizada através da contagem das Unidades Formadoras de Colônia (UFC) nas placas. No ensaio in vivo, os extratos a 1% foram aplicados em plantas de maracujá com 2 a 3 pares de folhas verdadeiras três dias antes da inoculação do patógeno. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com 16 tratamentos e cinco repetições. A avaliação foi aos 2, 4, 6, 8, 10 e 12 dias após a inoculação, o oxicloreto de cobre foi utilizado como tratamento controle. Em ambos os ensaios os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste Scott & Knott (1974) utilizando-se o programa estatístico SISVAR. Foi constatado que todos os extratos apresentaram potencial antifúngico sendo que, o extrato de eucalipto reduziu o crescimento micelial de todos os fungos estudados com resultados entre 21,06 a 51,73%. Enquanto que, os extratos de erva-cidreira, eucalipto, cipó d’alho, mastruz, nim, babosa e vinagreira inibiram o crescimento de X. axonopodis pv. passiflorae entre 15,35 a 30,3%. Em casa de vegetação os extratos de boldo-do-reino, coramina, gengibre, nim, eucalipto e oxicloreto de cobre promoveram redução da severidade da mancha bacteriana entre 27,24 e 53,86%. Na avaliação do potencial inseticida utilizaram- se dois métodos, o de contato e de aplicação tópica sobre larvas de Tenebrio molitor. No efeito por contato em superfície contaminada, discos de papel de filtro foram impregnados com 700 μl dos extratos brutos e para a via de aplicação tópica utilizou-se 3 μl do extrato aplicado sobre cada larva. As quais foram mantidas em câmara do tipo B.O.D., a 25 ± 2 o C, umidade relativa de 70% e fotoperíodo de 12 horas. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com 18 tratamentos e quatro repetições avaliadas diariamente. Após 10 dias constatou-se que em superfície contaminada os extratos não apresentaram propriedade inseticida. Porém, quando aplicados topicamente todos os extratos promoveram mortalidade entre 50 e 100%, demonstrando potencial biocida contra larvas T. molitor em laboratório. Concluiu-se que, a Cooperativa D’ Irituia exerce papel importante no desenvolvimento econômico, social e cultural dos agricultores. O processo de adoção das práticas agroecológicas esta ocorrendo de forma gradual. Com base nos resultados obtidos pode-se inferir que os extratos das plantas medicinais estudadas nesta pesquisa, além do potencial inseticida as mesmas possuem substâncias potencialmente promissoras que podem ser utilizadas como controle alternativo no manejo de doenças bacterianas e fúngicas em maracujazeiros.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As práticas de produção de leite dos agricultores familiares de Paragominas-Pará e as ditas “boas práticas” de produção: caminhos e descaminhos de uma aproximação(Universidade Federal do Pará, 2015) CORRÊA, Cristiane Fonseca Costa; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346Estudos realizados na Amazônia oriental mostram a produção leiteira relevante à agricultura familiar. Contudo, o setor leiteiro nacional sofreu profundas mudanças no aspecto da padronização do leite devido exigências internacionais, gerando alterações inclusive na legislação brasileira. Estas mudanças acabaram por pressionar todo o setor, inclusive nessa região, pois para atender estas exigências foram estabelecidas normas operacionais para toda a cadeia produtiva, as Boas práticas de produção de leite. No primeiro artigo, num enfoque sistêmico da unidade produtiva e da construção de uma tipologia dos sistemas de produção encontrados nesta região, especificamente em Paragominas no Pará, analisamos as diversidades de atividades, as dificuldades de adaptação nas questões de infraestrutura às boas práticas; e para uma maior aproximação no nível do estabelecimento, fez-se uma tipologia das práticas dos agricultores familiares numa análise teórica de possível adaptação. Para tanto, foram realizadas observação, entrevistas semi-estruturadas a informantes-chaves e aplicação de questionário misto a 60 famílias produtoras de leite, em 12 comunidades rurais do município, a fim de apreender as principais dificuldades para a produção de leite no contexto amazônico. O segundo artigo aborda as influências das boas práticas para a produção leiteira e as dificuldades de adaptação destes procedimentos pela agricultura familiar amazônica. Mostramos que o agricultor amazônico é caracterizado por sua diversidade tanto produtiva quanto social, ressaltando a diferenciação regional quanto à aplicação destes procedimentos e exclusão resultante de se ignorar os contextos locais onde são aplicadas. No terceiro artigo, consideramos as boas práticas uma inovação exógena e questionamos sua contribuição para o processo de inovação dos agricultores familiares. Aproximamos comparativamente eixos temáticos das Boas práticas às práticas desenvolvidas pelos agricultores desta região; e apresentamos uma trajetória de evolução de uma das comunidades estudadas, mostrando as mudanças no sistema de produção e nas práticas, mediante importantes eventos históricos locais. Constatamos que as dificuldades de adaptação às Boas práticas estão além da falta de conhecimento e escassez de recursos e sim em ações governamentais de infraestrutura e comprometimento com o fortalecimento da agricultura familiar. Assim como a ação mais participativa dos órgãos de apoio a produção.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comercialização como fator de mudança nas práticas de produtores de leite do município de Paragominas(Universidade Federal do Pará, 2015) SILVA, Rozangela Sousa da; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346As dinâmicas da pecuária leiteira desenvolvida nas zonas de fronteiras agrárias da Amazônia Oriental, em especial o município de Paragominas, Nordeste do Pará, caracterizam-se historicamente pelas fortes transformações do meio natural, com a venda de terras, com a implantação de pastos, e pela forte influencia migratória de pessoas dos estados do sul e centro oeste do País. Para tornar possível a política de desenvolvimento da integração brasileira da Amazônia, o município de Paragominas surge com a construção da BR-010, Belém – Brasília, trazendo perspectivas de integração rodo-territorial da Amazônia com os demais estados da Federação e de ocupação da Amazônia. Nos últimos anos, no entanto, estão ocorrendo transformações significativas na região de Paragominas, principalmente na agricultura familiar, com a implementação de políticas públicas, trazendo a pecuária mista ou leiteira como alternativa para geração de renda significativa e regular ao longo do ano. A inserção dos produtores familiares no mercado do leite introduz uma nova lógica de comercialização, e mudanças para os sistemas de produção. Esses produtores passam a investir continuamente na produção leiteira, não a tendo mais apenas como fornecimento de alimento para suas famílias, ou como poupança viva. O objetivo geral desta dissertação foi identificar e analisar as diferentes formas de comercialização do leite e sua influência nas práticas de produção dos agricultores familiares no município de Paragominas, estado do Pará. Dessa maneira, esta pesquisa desenvolveu ao longo dos anos de 2013, 2014 e 2015: análises de dados secundários; levantamento de dados primários com pesquisas de campo e aplicação de questionários com perguntas semiestruturadas; construção de tipologias; e entrevistas retrospectivas com o método de Moulin et. al. (2005), que consiste no estudo das transformações rurais, através da identificação e da interpretação das mudanças técnicas, econômicas e sociais ocorridas tanto no nível dos sistemas de produção como na região de estudo. Com os estudos realizados sobre a atividade leiteira com agricultores familiares do Município de Paragominas, constatou-se uma mudança ocasionada por esses agentes em seus sistemas de produção, acarretando perspectivas de melhores investimentos, inserção no mercado, e melhor qualidade de vida. Tal mudança se deve a fatores externos como migrações, estruturação da bacia leiteira, comercialização de produtos, e as recentes fiscalizações ocorridas no município.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A adoção de práticas agroecológicas por camponeses: estudo de caso no oeste maranhense(Universidade Federal do Pará, 2015-03-24) SÁNCHEZ COUTO, Xoán Carlos; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346A agroecologia tem sido definida como ciência, movimento social e conjunto de práticas alternativas. Neste trabalho analisamos as duas últimas dimensões. Para estudar a organização social da agroecologia brasileira utilizamos a teoria do processo político, encontrando evidências de que o movimento agroecológico brasileiro cumpre os requisitos desta proposta teórica para ser considerado um movimento social. Num segundo artigo focamos nosso olhar na problemática em torno da adoção de tecnologias por parte dos camponeses no Oeste maranhense. Partindo de um enfoque sistêmico do estabelecimento agrícola e da construção de uma tipologia dos sistemas de produção encontrados na região, analisamos as dificuldades relativas à adoção da agroecologia, percebida como uma mudança técnica de origem exógena. Para tanto, foram realizadas observação participante, diagnóstico rural participativo e entrevistas semiestruturadas em 38 famílias camponesas em três comunidades rurais. Também exploramos as possibilidades de integração da agroecologia na dinâmica de transformação dos sistemas produtivos, constituindo um processo de inovação endógeno. No terceiro artigo aplicamos os conceitos de estratégia e tática ao processo de tomada de decisões dos camponeses quanto à adoção de práticas agroecológicas. Focando naqueles que escolheram a estratégia da diversificação da propriedade, encontramos uma variedade de estratégias de diversificação e que os critérios seguidos para a tomada de decisões estratégicas são diferentes dos aplicados para as decisões táticas. Num quarto artigo buscamos compreender as motivações dos agricultores familiares do Oeste maranhense para fazerem suas escolhas produtivas e tecnológicas, entendendo os fatores históricos decisivos para a diferenciação dos sistemas de produção, que fizeram com que alguns tiveram possibilidade de aderir às práticas agroecológicas e outros não. Através da análise retrospectiva, identificamos dois vetores de transformação, que contribuem a que os agricultores familiares deem respostas diferentes às mesmas influências do meio. Variáveis externas, unidas a decisões produtivas da família, influenciam no percurso histórico das propriedades. Constatamos que nem sempre a promoção da agroecologia condiz com a lógica dos agricultores familiares. Porém, quando existe efetivo acompanhamento técnico e se criam grupos permanentes de interesse por esta inovação, cria-se um ambiente em que os camponeses sentem-se mais confiantes para adotarem as práticas agroecológicas.
