Navegando por Autor "ROMERO BARRERA, Ivan Alfredo"
Agora exibindo 1 - 2 de 2
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Dissertação Acesso aberto (Open Access) Paleoambiente do Grupo Serra Grande, borda Leste da Bacia do Parnaíba, localidade de Ipueiras, Estado do Ceará(Universidade Federal do Pará, 2020-04-25) ROMERO BARRERA, Ivan Alfredo; NOGUEIRA, Afonso César Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/8867836268820998A transição entre os períodos Ordoviciano e Siluriano na porção oeste do supercontinente Gondwana foi marcada por um longo período glacial, que teve seu máximo no Hirnantiano (~445 Ma). Este evento ocorreu durante um longo período climático de greenhouse, no qual o conteúdo de CO2 na atmosfera era cinco vezes maior que o atual. A migração do supercontinente Gondwana em direção ao Polo Sul foi concomitante com fatores astronômicos tais como mudanças da rotação da terra e diminuição da radiação solar que favoreceu o crescimento dos lençóis de gelo. O final da glaciação foi marcado pelo maior aumento do nível eustático do mar registrado na história da terra, gerando expressivas transgressões marinhas, que iniciaram no Llandovery (~443 Ma) e finalizaram no Ludlow (~423 Ma). Um dos melhores registros destes eventos dentro do contexto de Gondwana Oeste é o Grupo Serra Grande que representa uma sucessão siliciclástica ordoviciana-devoniana presente na Bacia do Parnaíba, nordeste do Brasil. Esta sequência aflorante na borda leste da bacia é dividida em três formações: Ipu, Tianguá e Jaicós. A maioria dos trabalhos prévios sobre este Grupo tem caráter estritamente regional e litoestratigráfico o que não tem permitido determinar os ambientes e sistemas deposicionais calcados em um arcabouço estratigráfico preciso. Este trabalho apresenta novas interpretações dos sistemas deposicionais presentes no registro do Grupo Serra Grande, baseados em análises sedimentológicas e estratigráficas de afloramentos da região de Ipueiras, Estado do Ceará, nordeste do Brasil. A descrição faciologica detalhada desta sucessão siliciclástica teve como objetivo principal propor um modelo deposicional e evolutivo para estes depósitos. Foram definidas sete associações de fácies (AF) representativas de depósitos gerados em sistemas fluviais, glaciais e costeiros. Depósitos de planície fluvial sheet braided (AF1), consistem em arenitos grossos e conglomerados com estratificação cruzada tabular e acanalada. Depósitos glaciais (AF2 e AF3) que correspondem a conglomerado maciço, arenito grosso com estratificação cruzada e diamictitos maciços. Diamictito estratificado com clastos caídos foram depositados em ambiente glacio-marinho (AF4). Folhelhos laminados são interpretados como depositados em ambientes marinhos distais (offshore) (AF5) depositados durante estágios pós-glaciais. Depósitos deltaicos (AF6) são constituídos por siltito laminado e arenito com estratificação cruzada sigmoidal com ocorrências do icnogênero Arthrophycus. Esta sucessão flúvio-glacialdeltaica é sobreposta erosivamente por arenitos com estratificação cruzada acanalada, depositados dentro de uma planície fluvial channeled braided (AF7). Esta proposta confirma parcialmente interpretações paleoambientais previas, descartando a presença depósitos gerados em leques aluviais e outwash plains. A interpretação das sequências estratigráficas presentes no Grupo Serra Grande foi refinada usando principalmente a interpretação coerente de superfícies chave e correlacionando os tratos de sistema com a curva global do nível do mar, fornecendo um modelo evolutivo sequencial de terceira ordem mais robusto que inclui três sequências deposicionais. O desenvolvimento de um amplo sistema fluvial (AF1, Formação Ipu) diretamente sobre o embasamento cristalino da bacia, com espessuras de centenas de metros sugere um rio perene provavelmente suprido por regiões montanhosas ao Oeste do Gondwana. Estes depósitos de idade Ordoviciano Médio foram gerados dentro de condições de mar baixo pertencentes à sequência 1, e são truncados por uma expressiva inconformidade que possivelmente removeu os estratos gerados em condições transgressivas e de mar alto. Essa inconformidade produzida pela dinâmica glacial retirou aproximadamente 25 Ma do registro sedimentar da bacia. A segunda sequência iniciou com o avanço das geleiras no Siluriano inferior, a partir da instalação de um ice-contact fan (AF2 e AF3, Formação Ipu), em condições de mar baixo. Durante o recuo das geleiras grandes quantidades de agua e detritos foram liberados permitindo a deposição de diamictitos estratificados com presença de clastos caídos (AF4, Formação Ipu). A fase de desgelo culminou no aumento do nível do mar e posterior deposição de folhelhos negros da AF5 (Formação Tianguá), durante o Siluriano médio a tardio. A fase de mar alto no Siluriano tardio é marcada instalação de um sistema deltaico (AF6, Formação Tianguá). No Devoniano inferior uma nova expressiva etapa de descida do nível do mar produziu uma discordância na plataforma concomitante com a progradação de sistemas fluviais entrelaçados (AF7, Formação Jaicós), em condições de mar baixo pertencentes à sequência 3. A reconstituição paleoambiental e paleoclimática do Grupo Serra Grande forneceu elementos sedimentológicos e estratigráficos importantes para o entendimento das fases transgressivas e regressivas pré e pós-glaciais, além de auxiliar na reconstrução paleogeografica dos lençóis de gelo do Gondwana Oeste durante os períodos Ordoviciano e Siluriano.Tese Acesso aberto (Open Access) As sucessões cambriana-siluriana da Bacia do Parnaíba e da Província Mineral de Carajás: paleoambiente, proveniência e extensão da glaciação siluriana no Gondwana Oeste.(Universidade Federal do Pará, 2024-01-12) ROMERO BARRERA, Ivan Alfredo; NOGUEIRA, Afonso Cesar Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/8867836268820998O registro sedimentar correspondente ao Paleozoico Inferior nas bacias sedimentares do Norte e Nordeste Brasileiro é bem exposto em afloramentos na Bacia do Parnaíba e de forma localizada na Província Mineral de Carajás (PMC). Estes depósitos considerados de idade Cambriano/Ordoviciano-Siluriano, baseado na identificação de estratos glaciais silurianos e idades máximas de deposição (U-Pb em zircão detrítico), representam uma janela de oportunidade para entender a evolução paleoambiental e paleogeográfica do Gondwana Ocidental. Os registros analisados neste trabalho incluem sequências siliciclásticas de 300-400 metros de espessura e extensões laterais que superam os 300.000 Km2, representativos de depósitos aluviais, glacio-marinhos e deltaicos sobrepostos discordantemente às rochas cristalinas do embasamento. A sucessão basal compreende litoarenitos de granulação grossa e conglomerados fluviais que afloram em bacias intracratônicas e grabens isolados no nordeste do Brasil e na África central. No Brasil, essas unidades correspondem às formações Ipu, Cariri e Tacaratu, enquanto na África são representadas pelos grupos Inkisi, Banalia e Biano. Os conglomerados e arenitos da Formação Ipu, base do Grupo Serra Grande da Bacia do Parnaíba, são aqui correlacionados com os depósitos aluviais correspondentes à Formação Gorotire do Grupo Paredão, isolada em grabens na PMC. Estes depósitos estão recobertos em contato brusco por diamictitos maciços a estratificados, folhelhos carbonosos com estruturas dumpstone e dropstone e arenitos com estratificação cruzada sigmoidal pertencentes ao membro superior do Grupo Paredão na PMC e à Formação Tianguá na Bacia do Parnaíba. Durante o evento de amalgamação do supercontinente Gondwana no Neoproterozóico-Cambriano, a aglutinação das massas continentais foi controlada pelo desenvolvimento dos principais sistemas orogênicos, com deposição das primeiras sequências sedimentares em bacias tipo rifte. Esses extensos compartimentos geotectônicos subsidentes foram concomitantes com o rearranjo do padrão regional de drenagem e produção de grandes volumes de sedimentos dispersados por sistemas fluviais transcontinentais. No limite Cambriano- Ordoviciano, estes “Big Rivers”, se estendiam ao longo de amplas peneplanícies por centenas de quilômetros, atravessando os limites das atuais bacias intracratônicas da margem noroeste do supercontinente, e alimentados por diversas áreas-fonte. A arquitetura deposicional destas sucessões consiste em leitos tabularesde conglomerados e arenitos maciços a estratificados lateralmente contínuos por quilômetros,às vezes preenchendo a geometrias concavas-canalizadas. Esses depósitos são organizados em ciclos granodecrescentes ascendentes em escala métrica que refletem a predominância do fluxo em lençol com incisões esporádicas de canal preenchidas por formas de leito bidimensionais e tridimensionais de pequena a grande escala. Fácies de leques aluviais para a Formação Ipu não foram observados e sugerem erosão do registro da borda da depressão onde aconteceu a deposição destes registros. Da mesma forma, os dados de paleocorrentes unidirecionais preferencialmente para NNW, ultrapassam os limites atuais da Bacia do Parnaíba indicando que a área deposicional era maior do que a atualmente preservada. Durante a transição dos períodos Ordoviciano e Siluriano a porção oeste do supercontinente Gondwana foi submetida a um extenso período glacial, cujo máximo está registrado em rochas de idade Hirnantiana (~445 Ma), em bacias do norte da África. Sendo assim, o evento glacial que iniciou no Ordoviciano médio teria congelado porções continentais que representariam as cabeceiras dos grandes sistemas aluviais na África e no Brasil, dando começo ao declínio destas drenagens transcontinentais. A migração do supercontinente em direção ao Polo Sul foi concomitante com fatores astronômicos tais como mudanças da rotação da terra e diminuição da radiação solar, que favoreceram o crescimento dos lençóis de gelo. O término do evento glacial foi marcado pelo maior aumento do nível eustático do mar registrado na história da terra, gerando expressivas transgressões marinhas, que iniciaram no Llandovery (~443 Ma) e finalizaram no Ludlow (~423 Ma). A fase de degelo propiciou a instalação de sistemas glacio-marinhos pro-glaciais com ampla presença de icebergs, processos de ablação e aumento da zona anóxica dos mares que permitiu uma vasta preservação da matéria orgânica a nível global. A progradação de sistemas deltaicos de desgelo marco o final da deposição da sequência pós-glacial. Estas sucessões estariam bem representadas pelo membro superior do Grupo Paredão e pela Formação Tianguá. A partir da investigação dos registros sedimentares Ordovicianos do nordeste do Brasil e da África central por meio de análises detalhadas da arquitetura fluvial e idades U-Pb de zircão detrítico, surge uma narrativa convincente dos imensos sistemas de drenagem transcontinental que moldaram a paisagem após a amalgamação do supercontinente Gondwana. Adicionalmente, registros paleozoicos são descritos pela primeira vez na PMC, fornecendo assim uma chave fundamental para melhor entendimento estratigráfico, aumentando o entendimento das reconstruções paleoambientais, paleogeográficas e paleoclimáticas do Supercontinente Gondwana durante o Paleozoico Inferior.
