Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Navegando Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF por Agência de fomento "CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ação coletiva na criação e gestão do projeto de assentamento Paulo Fonteles em Mosqueiro, Belém – Pará(Universidade Federal do Pará, 2010-08-27) PANTOJA, Rosiane Cristina Pimentel; SCHMITZ, Heribert; http://lattes.cnpq.br/2294519993210835A pesquisa apresentada tem por finalidade estudar as formas de organização para a cooperação na criação e na gestão do Projeto de Assentamento Paulo Fonteles, em Mosqueiro, Belém – Pará. Para este estudo de caso, utilizou-se uma abordagem qualitativa, a partir da aplicação de entrevistas com questionário semiestruturado. A problemática da pesquisa é embasada tanto nas Teorias dos Movimentos Sociais, com as discussões das manifestações sociais, quanto na Escola Francesa da Sociologia das Organizações, com os debates das organizações e da centralidade do poder. A inquietação é compreender como os grupos sociais influenciam nas formas de cooperação para a criação e gestão do Projeto de Assentamento Paulo Fonteles. Percebe-se que os movimentos sociais têm sido os intermediários da ação coletiva nas lutas pela reforma agrária, tornando-se referências de continuidade das lutas e garantindo a mobilização das famílias para uma ação coletiva. O objetivo comum para a conquista da terra é o que garantiu o engajamento e a cooperação para a ocupação do assentamento. Mas, a conquista da terra traduz uma realidade multifacetada, pois as famílias têm perspectivas futuras diferenciadas como: moradia, produção, empregos, entre outras. A ampliação do número de assentamentos e o aumento da produção questionam a necessidade da reforma agrária como política para o desenvolvimento rural. O MST, reafirmando essa política pública, tem proposto novas formas de organização dos assentamentos, denominada de ―comuna da terra‖. Estes assentamentos estão localizados próximo às regiões metropolitanas, com a finalidade de atender à população dessas periferias que demanda por terra para moradia e emprego. Estes novos assentamentos visam a incorporação das infraestruturas urbanas para facilitar a produção e as relações com o mercado. Para que a proposta seja bem sucedida, a cooperação torna-se um tema central. Assim, no assentamento, observa-se que a cooperação se dá em níveis diferenciados, pois não existe assentamento sem cooperação, muito menos grupos que não tenham adesão. Portanto, o engajamento e maior adesão situam-se as regras de poder, com a maior ou menor centralidade. Assim, identificou-se que enquanto a associação tem no presidente a centralização do poder; o grupo do mutirão (organização local) apresenta uma gestão equilibrada, que leva a uma maior participação das famílias para a cooperação da gestão do assentamento Paulo Fonteles.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agricultores familiares e sistemas agroflorestais: a relação família e trabalho em questão(Universidade Federal do Pará, 2010) BEZERRA, Nicolle Rafaella Costa; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611A pesquisa objetivou analisar a configuração do trabalho da família durante o processo de implantação de sistemas agroflorestais em estabelecimentos agrícolas, por meio do estudo com agricultores familiares que atuavam no projeto Raízes da Terra. A hipótese norteadora foi a de que ocorre um acréscimo de atividades dos membros das famílias, em curto prazo, para a implantação dos sistemas agroflorestais nos seus estabelecimentos. A pesquisa de campo foi realizada na comunidade São João, município de Marapanim (PA) em três etapas no ano de 2009. A metodologia utilizada mesclou abordagens quantitativas e qualitativas com a realização de entrevistas, questionários, observações e revisão de literatura. Tendo em conta o debate atual sobre família, trabalho e sistemas agroflorestais, os dados e informações foram sistematizados e analisados. As principais conclusões mostram que: a) há migração das famílias ou parte dos seus membros principalmente para as sedes municipais próximas, ratificando estratégias de reprodução social baseadas numa complementaridade do trabalho rural e urbano; b) o trabalho nos sistemas agroflorestais e nos outros sistemas de produção dos estabelecimentos é organizado baseado na composição da família, local de residência dos seus membros e nas relações de gênero; c) as principais dificuldades para a implantação e manejo dos sistemas agroflorestais foram: seguir os espaçamentos dos desenhos dos arranjos agroflorestais, a maneira do movimento de se abaixar para plantar a muda, principal queixa dos idosos, e, consequentemente, a necessidade de contratar mão de obra e o custo disso; a capina manual das ervas daninhas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agricultura familiar e informação para o desenvolvimento rural nos municípios de Igarapé-Açu e Marapanim(Universidade Federal do Pará, 2005-02-16) MATOS, Lucilda Maria Sousa de; PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/9613980184982976; KATO, Maria do Socorro Andrade; http://lattes.cnpq.br/7117950232304118A pesquisa foi feita com o objetivo de identificar e analisar as necessidades, demandas e usos de informação por agricultores parceiros do projeto de pesquisa "Adaptação e validação participativa de uma alternativa tecnológica de preparo de área sem queima no nordeste paraense", desenvolvido nos municípios de Igarapé -Açu e Marapanim, pela Embrapa, no processo de comunicação e de informação para ação. Com base em entrevistas e observação foi traçado o perfil dos agricultores parceiros, agricultores vizinhos e formadores de opinião e identificadas as suas demandas de informação, sendo a mais significativa relacionada à Agricultura (cultivo, doenças, pragas, financiamento I crédito agrícola), seguida de informações sobre Educação, Previdência Social, Direito etc. O conceito de informação foi construído a partir de percepções dos entrevistados e foram estudados, ainda, ações participativas promovidas pelo projeto, meios de comunicação de massa de maior audiência, além de estímulos e barreiras na informação. Entre os atores sociais e institucionais atuantes no processo há forte participação dos familiares e agricultores vizinhos, como fonte de informação para as comunidades e, entre as diversas instituições, a Embrapa. Através da aplicação da técnica do incidente crítico foi analisada a busca de informação mais recente, quando agricultores parceiros precisaram de informação para desenvolver suas atividades, se a obtiveram ou não, e o que isso ocasionou nas suas atividades na agricultura familiar e nas suas vidasDissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade e as relações de trocas entre agricultores familiares que possuem sistemas agroflorestais na região de Itabocal, Irituia (PA)(Universidade Federal do Pará, 2021-04-30) SANTOS, Tasseli Figueiredo dos; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055A presente pesquisa trata dos processos de trocas de saberes locais, mudas e sementes entre agricultores familiares e as influências desses processos sobre o avanço dos SAFs e da agrobiodiversidade local. Como objetivo geral, a pesquisa busca analisar as dinâmicas das trocas de saberes locais, mudas e sementes entre os agricultores que possuem SAF na região de Itabocal (Irituia-PA) e as influências sobre a agrobiodiversidade local. A coleta de dados se deu a partir de pesquisa em campo, em que foi realizado um estudo exploratório da área e visitas a agricultores familiares com aplicação de entrevistas semi-estruturadas e/ou questionário semi-aberto acompanhado da turnê guiada. Em seguida, também foi apresentado um croqui da área de estudo para os agricultores visando indicar as relações de trocas. Os resultados da pesquisa estão descritos em três tópicos: o primeiro trata dos SAFs e as dinâmicas das trocas de mudas e/ou sementes, descrevendo o processo do avanço dos SAFs na região e o papel da cooperativa D’Irituia; em relação às trocas de mudas e/ou semente, revelamos que existe um fluxo intenso desses materiais entre os agricultores e também fora da região em nível municipal, que ocorrem em momento de idas a feiras de agricultores, visitas aos vizinhos ou familiares e outros momentos de encontros ou reuniões de agricultores cooperados e outros. O segundo tópico trata do saber local, as trocas e os diálogos com o saber técnico-científico, revelando que o saber local é formado pelo acúmulo de experiências culturais, ou seja, com anos de trabalho e aprendizagem com os sujeitos mais antigos aliado com saber técnico-científico repassado pelas instituições. Portanto a troca de saberes ocorre tanto entre os agricultores como entre os técnicos ou pesquisadores por meio da oralidade, sendo importante para compreender a solidariedade e reciprocidade como base para melhorar o plantio e a produção. O terceiro tópico trata da agrobiodiversidade local a partir da formação dos SAFs, revelando uma diversidade de 81 (oitenta e uma) espécies distribuídas em 45 (quarenta e cinco) famílias botânicas, sendo 59,8% de uso alimentício e 24,4% de uso madeireiro. Neste sentido, os processos de trocas de saberes e de mudas e sementes estão sendo fundamentais para o avanço dos SAFs na região e têm contribuído significativamente na manutenção e manejo da agrobiodiversidade local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade e conhecimentos locais das plantas alimentícias no quilombo de Deus Ajude, Arquipélago do Marajó – Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-09-08) BEZERRA, Sueyla Malcher; SABLAYROLLES, Maria das Graças Pires; http://lattes.cnpq.br/0250972497887101; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923Nesta pesquisa, buscamos analisar os conhecimentos e práticas tradicionais associadas à agrobiodiversidade das plantas alimentícias, bem como, a constituição da soberania alimentar e autonomia na produção dos alimentos no quilombo de Deus Ajude, Salvaterra/PA. Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizamos a abordagem quali- e quantitativa. Em relação ao procedimento metodológico, optamos pelo estudo de caso, observação participante, entrevistas não diretivas, questionários, listas livres, coleta e identificação de material botânico. A análise dos dados coletados foi realizada pela sistematização das informações, análise vertical e horizontal das entrevistas, triangulação dos dados e Índice de Saliência Cognitiva. Os resultados demonstraram que o conhecimento e práticas tradicionais da comunidade quilombola sobre as plantas alimentícias é constituído a partir da relação diária dos quilombolas com a natureza, bem como, pela promoção continuada do diálogo de saberes entre as diferentes gerações. A sazonalidade amazônica revelou-se como uma reguladora da pluralidade de atividades produtivas ao logo do ano, e, estas são desempenhadas por intermédio de uma relação simbiótica, onde natureza e quilombo se sustentam. No mais, as comidas representativas do quilombo marajoara, como: beiju, cação, tiborna, cunhapira e crueira etc., transformam-se em uma das formas de manter a agrobiodiversidade do quilombo. Em contrapartida, as limitações de acesso ao território de uso comum impostas pelas fazendas ao redor do quilombo e as influências do mercado capitalista são ações concretas e simbólicas capazes de promoverem mudanças: na forma como os alimentos são obtidos e nos hábitos alimentares dos quilombolas. Portanto, a valorização da cultura quilombola e do seu modo de vida torna-se uma aliada na preservação dos conhecimentos, práticas e saberes tradicionais, bem como, da natureza manejada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise da sustentabilidade na produção familiar no Sudeste Paraense: o caso dos produtores de leite do Município de Rio Maria(Universidade Federal do Pará, 2003-06-18) FEITOSA, Terezinha Cavalcante; HOMMA, Alfredo Kingo Oyama; http://lattes.cnpq.br/1026511676619526Neste trabalho é feita uma análise da sustentabilidade da pecuária leiteira na agricultura familiar, decorrente do rápido processo de degradação das pastagens formadas em área de terra firme, numa região de fronteira da Amazônia brasileira. A pesquisa foi realizada no Município de Rio Maria, Sudeste Paraense, sendo este um dos Municípios do Pará reconhecido internacionalmente pelo alto índice de conflitos fundiários. Foram entrevistadas 55 unidades de produção familiar, nos Projetos de Assentamentos Itaipavas 126, Barra Mansa, Mata Azul, Fazenda São Roque e Vale da Serra que sobrevivem, especificamente, da pecuária leiteira, que foram entrevistados nos meses de julho a agosto de 2002. A escolha das propriedades foi intencional, e constitui-se na identificação da renda da pecuária (venda do leite e reses), bem como, uma análise das técnicas utilizadas pelos pequenos produtores, no manejo das pastagens, do rebanho para garantir a sustentabilidade da unidade produtiva. Essa análise permitiu identificar através dos indicadores socioeconômicos que, embora a pecuária seja considerada uma atividade de baixo risco, economicamente viável para a Amazônia, entre os pequenos produtores, torna-se uma atividade insustentável, posto que, o processo de degradação das pastagens inicia-se a partir de três a cinco anos, sem, no entanto, permitir que as unidades de produção poupem recursos para renovação ou recuperação. A renda sustentável da atividade de pecuária leiteira sendo muito baixa em relação à renda obtida logo na fase inicial da atividade desestimula a adoção de práticas mais sustentáveis. A tendência declinante da produtividade das pastagens, com leves acréscimos decorrentes das queimadas e de controle da juquira tem sido compensadas com a incorporação de novas áreas de pastagens. O esgotamento de estoques de reservas florestais tende levar ao colapso da atividade, a despeito da existência de mercado para carne e leite, as práticas de recuperação não são adotadas. Considerando uma taxa de depreciação de pastagens de 10% ao ano e uma taxa de juros de 15% ao ano, do lucro líquido obtido os proprietários deveriam investir pelo menos 40% para garantir a sustentabilidade das pastagens ao final de dez anos. Verifica-se que a pecuária leiteira da agricultura familiar está sendo feita com a contínua drenagem dos recursos naturais, sem a devida compensação no preço de venda desses produtos (leite e carne). Espera-se que estes resultados possam contribuir para definir políticas públicas, com medidas concretas para os pequenos produtores de leite, no sentido de garantir renovação/recuperação das pastagens degradadas, visto que, são estes produtores os responsáveis por grande parte do desequilíbrio ecológico do ecossistema no Sudeste Paraense. Entre os pequenos criadores de gado não há necessidade de financiamento para contínua aquisição do gado, pois todos os proprietários já possuem rebanho acima da capacidade das pastagens. Nesse caso, seria necessária capacitação do produtor capacitação do produtor, para manejo adequado do pasto e do rebanho e financiamentos voltados para recuperação das pastagens degradadas. Não existe entre os produtores um espírito de conservação, mas sim uma ansiedade em aumentar o rebanho e as pastagens.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comunidades tradicionais e unidades de conservação no Pará: a influência da criação da Reserva Extrativista Rio Xingu - Terra do Meio, nos modos e vida das famílias locais(Universidade Federal do Pará, 2013-05-28) CASTRO, Roberta Rowsy Amorim de; OLIVEIRA, Myriam Cyntia Cesar de; http://lattes.cnpq.br/0949702419746141A natureza, conforme visualizamos hoje, foi moldada através da ação humana. Entretanto, essa ação em alguns casos foi depredadora, tornando os recursos naturais escassos. Com o tempo esse modelo de exploração foi questionado, surgindo diversas propostas que preconizavam a preservação ambiental e ecológica, sendo muitas voltadas para região amazônica. Dentre diversas alternativas para viabilização da preservação socioambiental, surgiram as Reservas Extrativistas, fortemente alavancadas pelo Movimento dos Seringueiros, originário no Acre. Mesmo sendo uma alternativa à devastação do meio ambiente e da cultura das comunidades tradicionais residentes, as RESEXs, através das regras estabelecidas em seu Plano de Uso podem, em alguns casos, coibir ações corriqueiras de seus habitantes. Buscando analisar tão assertiva, a pesquisa teve como objetivo compreender as influências exercidas pela criação da RESEX Rio Xingu, Terra do Meio, Pará, sobre os modos de vida e as práticas sociais, de gestão e manejo de recursos naturais adotadas pelas famílias locais. A metodologia utilizada foi a imersão ao locus de pesquisa em duas visitas, compreendidas entre maio e agosto de 2012, onde através de roteiro pré-elaborado, foram entrevistadas 23 famílias moradoras da Unidade. Como métodos para alcançar o objetivo proposto, foram realizadas também conversas informais, observação participante e observação direta. Verificou-se que as comunidades tradicionais da região passaram por intensos processos históricos, muitos deles regados a conflitos ocasionados pela expropriação e coação sofridas pelos habitantes locais, o que corroborou para a criação da área protegida. Após a criação da RESEX que se deu de forma muito rápida, na tentativa de cessar a exploração dos recursos naturais por atores externos, as famílias se sentiram mais seguras em relação à permanência nas terras. No entanto, as regras instituídas no Plano de Manejo não foram apreendidas pelas mesmas, o que se justifica pela não participação nas reuniões (40%); falhas de comunicação, uma vez que a linguagem dos atores externos (gestores) não é compreendida (26%), a participação passiva dos moradores na escolha e determinação das regras e a existência de falhas nos critérios de escolha dos conselheiros, ambas relatadas em 17% das entrevistas. Mesmo demonstrando incompreensão sobre as normas estabelecidas, a maior parte das famílias entrevistadas (entre 65% e 78%) afirmou cumprir as regras. A afirmação das mesmas foi analisada como uma tentativa de manter seus modos de vida inalterados, uma vez que, mesmo expondo cumprir as normas, os moradores denunciam uns aos outros, o que permite deduzir que estes continuem a realizar as atividades conforme faziam antes da criação da RESEX, ficando alheios as normas estabelecidas. Além disso, como o entendimento das normas se deu de diferentes formas, isso pode servir como justificativa para o não cumprimento. Constatou-se ainda que os modos de vida das famílias no que diz respeito a atividades praticadas não foi significativamente alterado. Entretanto, as relações sociais entre as comunidades foram abaladas pela imposição e os diferentes entendimentos sobre as regras, o que se legitima pela externalização e intensificação de brigas e fofocas entre os moradoresDissertação Acesso aberto (Open Access) Dendê é Reflorestamento? Percepção de diferentes atores envolvidos na agroindústria do dendê no Nordeste Paraense(Universidade Federal do Pará, 2019-11-20) TAVARES, Paula Izadora do Egyto; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611Esta dissertação analisa a percepção de agricultores familiares integrados à agroindústria sobre a dendeicultura como reflorestamento. A temática se deu em torno da indicação de possíveis benefícios ambientais com a implantação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodi-esel (PNPB) para produção de agrocombustíveis no país. O programa foi o principal impulsio-nador da expansão da palma de óleo pela na Amazônia paraense. Entre as suas diretrizes, se estabelece que o cultivo seja de cunho sustentável e funcione como uma possibilidade de recu-peração de áreas degradadas por meio do reflorestamento. Para esta pesquisa foi realizado le-vantamento de dados secundários e primários no município de Irituia, Nordeste do estado do Pará, bem como do histórico do reflorestamento no Brasil. Foram revisadas leis ambientais e trabalhos científicos a fim de analisar sob quais circunstâncias a atividade é indicada e implan-tada, e os conceitos utilizados. Foram entrevistados 30 agricultores, dois técnicos das Secreta-rias de Meio Ambiente e de Agricultura e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Tra-balhadoras Rurais do município. Os resultados são apresentados em dois artigos. O primeiro analisa a chegada da dendeicultura em Irituia e as reações iniciais ao projeto por atores locais, expondo as motivações para sua adesão ou rejeição. O segundo revela as percepções dos atores sobre a noção de reflorestamento segundo suas diferentes visões de mundo. Conclui-se que a dendeicultura em Irituia foi recebida com divergências que persistem até os dias atuais entre os defensores da atividade, que a têm como boa opção para a melhoria de vida e rendimentos econômicos, e os opositores, que acreditam que a atividade não se adequa à realidade local. Sobre o reflorestamento, houve a atuação de grupos de interesses para legalizar a dendeicultura sob esta condição. Os agricultores, ao compararem as atuais áreas de dendê com as de outrora (formadas por pasto ou capoeira baixa), acreditam que é pertinente dizer que a palmeira cumpre o papel de reflorestá-las, uma vez que apreciam benefícios como sombra, melhoria no clima ao redor do plantio e existência de animais, mesmo que se tratem apenas de roedores, cobras e aranhasDissertação Acesso aberto (Open Access) O direito vivo na luta pela terra no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Virola Jatobá em Anapu/PA(Universidade Federal do Pará, 2012) MENDES, Josilene Ferreira; SHIRAISHI NETO, Joaquim; http://lattes.cnpq.br/1945327707689415; PORRO, Noemi Sakiara Miyasaka; http://lattes.cnpq.br/3982338546545478Essa dissertação tem como objetivo analisar e descrever os diferentes aspectos da noção de “direito vivo” apreendida junto às unidades familiares camponesas ao longo dos processos de ocupação, criação e implementação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Virola Jatobá no município de Anapu, Estado do Pará. Nesses diferentes processos, as unidades familiares construíram e acrescentaram, com base em seu direito vivido, diferentes aspectos à noção de direito à terra, a partir de suas práticas sociais e jurídicas que se contrapõem, por vezes, ao que dita o direito formal. No processo de ocupação, se destacam as práticas sociais e jurídicas de lideranças de organizações sociais locais e das primeiras famílias ocupantes da área, e abstrai-se então a noção de direito a terra para quem nela trabalha. No processo de criação oficial do assentamento, as unidades familiares ocupantes passam a assumir o comando do PDS. Para tanto, se fazem representar pela figura de uma Associação para protagonizar negociações e reivindicações perante as instituições do poder público, particularmente o INCRA, e assim se configura a noção do direito a terra para quem nela trabalha com autonomia. No processo de implementação do PDS, as famílias enfrentam a execução do projeto de manejo florestal comunitário, que passa por um processo de negociação entre o poder público e as famílias envolvendo a adoção de novas condições de trabalho. Nessa negociação, se configura a noção do direito a terra para quem nela trabalha com autonomia e cuidado com a mata.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Empates nos babaçuais: do espaço doméstico ao espaço público - lutas de quebradeiras de coco babaçu no Maranhão(Universidade Federal do Pará, 2005-03-28) FIGUEIREDO, Luciene Dias; ACEVEDO MARIN, Rosa Elizabeth; http://lattes.cnpq.br/0087693866786684; ANDRADE, Maristela de Paula; http://lattes.cnpq.br/8924456262459198O eixo principal da análise volta-se aos condicionantes presentes no processo de construção das relações de gênero no chamado Movimento ASSEMA. Busca-se apreender, analisando diferentes momentos da história de constituição desse Movimento, em que condição se dá a participação de mulheres e homens, tanto na esfera privada quanto pública. Estuda-se o contexto e as situações que levam as mulheres denominadas como quebradeiras de coco babaçu a questionar a equidade de gênero, tanto no domínio da casa como no espaço público.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Entre leiras e labaredas: a adoção da roça sem queima pelos agricultores do Município de Lago do Junco - MA(Universidade Federal do Pará, 2011-08-03) MATOS, Francinaldo Ferreira de; MARTINS, Paulo Fernando da Silva; http://lattes.cnpq.br/3223618156268542Esta dissertação estuda as razões que levaram os agricultores familiares, associados da Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas do Município de Lago do Junco - MA (COPPALJ), a adotar (ou rejeitar) e desistir (ou persistir) a execução da proposta do sistema técnico denominado roça sem queima (RSQ), considerada como inovação, em incorporação no sistema de produção desses agricultores. Essa proposta é incentivada pela Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA) e possui objetivos de preservação dos babaçuais e de sustentabilidade do sistema de produção agrícola. A pesquisa utilizou o método hipotético-dedutivo a partir de levantamento de dados obtidos através de entrevistas semi-dirigidas, acompanhadas de observação não participante. Os resultados obtidos indicam que a adoção da RSQ como inovação técnica para os agricultores adotantes, constituiu-se de inovações passíveis de sofrer diferentes graus de integração no sistema de produção, enquanto que para os que a rejeitaram constituiu-se em uma inovação técnica cuja adoção requeria um elevado risco de transformação no sistema de produção que não pode ser superado. Contudo, dentre os agricultores que persistem, a RSQ não se constitui uma alternativa que exclui a roça queimada (RQ), mas um complemento que alcança parcialmente os objetivos técnico-produtivos, sociais e ambientais, negociados com a cooperativa. Essas inovações incluem adoções, rejeições, desistências e persistências parciais, e os agricultores se apropriam delas, transformando-as e aplicando-as em outras atividades desenvolvidas no estabelecimento. Por outro lado, a adoção ou não da proposta da RSQ está ligada, respectivamente, à existência de equilíbrio ou de desequilíbrio entre o trabalho aplicado na operação do sistema de produção e o atendimento das necessidades de consumo dos grupos familiares; a desistência está ligada ao aumento desse desequilíbrio após a adoção e a persistência ao aumento do equilíbrio. Mesmo os agricultores que rejeitaram, ou desistiram, incluem no sistema de RQ e no estabelecimento, em graus e em atividades diferenciadas, práticas oriundas da proposta da RSQ.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Expectativas de jovens que vivem em assentamento: um estudo sobre a tríade trabalho-educação-família(Universidade Federal do Pará, 2006-09-05) OLIVEIRA, Rosa de Souza; SOUZA, Orlando Nobre Bezerra de; http://lattes.cnpq.br/8567141884452588O presente estudo procurou compreender as expectativas de jovens que vivem no assentamento Luiz Lopes Sobrinho, localizado no Município de São Francisco do Pará. É uma pesquisa caracterizada como quantitativa e qualitativa, uma vez que os dados tiveram tratamento estatístico e interpretativo com base na análise de conteúdo. O Método Probabilístico Aleatório Estratificado foi utilizado para a seleção da amostra. Os instrumentos de coleta de dados foram os seguintes: observação direta e entrevista por meio de formulário e de roteiro. O corpus da pesquisa se constituiu no discurso de trinta jovens do gênero masculino ou feminino, na faixa etária de 15 a 24 anos e inseridos em uma família de origem ou de reprodução. As aproximações conclusivas revelaram que a produção da juventude desse assentamento, em geral, nutre expectativas de exercer atividades distintas da agropecuária, com a finalidade de melhorar sua condição de ida; deseja transmitir valores e regras sociais, objetivando dar continuidade aos saberes adquiridos na família de origem; espera conseguir um trabalho/emprego/formação profissional, buscando um sentido a própria existência, bem como quer constituir família, ter uma (um) companheira (o) e filhos com a finalidade de reproduzir o modelo de família vigente. Essas esperanças, em seu conjunto, reportam para a esfera de políticas que possibilitem desenvolvimento rural.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Florestas e comunidade: cotidiano de famílias em Jericó, Garrafão do Norte, Pará(Universidade Federal do Pará, 2005-05-25) VIEIRA, Paulo Roberto; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880Na Amazônia oriental, famílias de agricultores constroem seu cotidiano de vida a partir das florestas que completam a paisagem, apropriando-se dos recursos materiais e não materiais oriundos dessa vegetação. A pressão humana sobre a natureza, com o passar dos anos, gera um drama social. As famílias vêem declinarem as florestas à sua volta e sentem ameaçada sua permanência na terra. Buscou-se discutir as diversas faces dessa relação famílias-florestas, embasado na detalhada observação do cotidiano de vida na Comunidade Jericó, em Garrafão do Norte, Pará, Brasil, utilizando como recursos: entrevistas, conversas informais e registros fotográficos, tendo sempre no conhecimento empírico local sobre a natureza uma base sólida para as análises. Existe preocupação por parte das famílias com a degradação das florestas, entretanto, há uma constante necessidade de utilizá-las na garantia das produções agropecuárias e das outras atividades cotidianas. E nesse contexto a floresta funciona como um espelho do homem, diante do qual ele busca se entender no mundo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) (In) Segurança alimentar em comunidades quilombola do Município de Abaetetuba, Pará(Universidade Federal do Pará, 2013) NASCIMENTO, Elcio Costa do; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880Este trabalho apresenta a análise e compreensão das diferentes estratégias de Segurança Alimentar e Nutricional - SAN desenvolvidas pelas famílias da Comunidade Quilombola do Baixo Acaraqui, município de Abaetetuba, Pará. A comunidade está enfrentando mudanças em suas práticas alimentares devido à redução de recursos naturais (animais de caça, peixes e camarões), diminuição das áreas destinadas à produção agrícola, aumento do valor comercial da produção e aumento no gasto com produtos industrializados. A partir de uma abordagem qualitativa e utilizando os procedimentos de: observação participante, entrevista semi-estruturada, registro fotográfico, lista livre e oficinas sobre os hábitos alimentares buscou-se, através da integração entre o pesquisador e o grupo social em questão, se apropriar de informações que permitissem uma compreensão da comunidade e de suas práticas produtivas e alimentares. Dentre as práticas desenvolvidas pelas famílias, foi possível observar: a) a especificação da produção voltada para a comercialização, diminuindo a diversidade da produção local, reduzindo a autossuficiência das famílias e tornando a produção instável frente às flutuações do mercado local; b) aumento da importância do extrativismo do açaí como fator econômico gerador de renda; c) aumento da dificuldade na aquisição de alimentos localmente produzidos (peixes, camarões, caças); d) Substituição de produtos naturais (sucos, chás) por produtos industrializados (café, refrigerante) elevando os gastos com alimentação e a necessidade de geração de renda; e) o aumento do poder aquisitivo, estimulado tanto pelo aumento na comercialização quanto pelos benefícios sociais recebidos (bolsa família, aposentadoria e seguro defeso), que levou à substituição da produção local de alguns produtos (arroz e feijão) por sua aquisição nos comércios locais. Esta realidade tem influenciado significativamente nas práticas produtivas e alimentares das famílias da Comunidade do Baixo Acaraqui, influenciando nas decisões produtivas e na aquisição dos alimentos, tornando as famílias cada vez mais dependentes do comércio e da geração de renda na garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias quilombolas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Índices de infestação de laranja por Anastrepha serpentina (Wiedemann) (dip. tephritidae) e parasitoides associados em diferentes sistemas de cultivo em Capitão Poço, Pará(Universidade Federal do Pará, 2013-05-13) CASTILHO, Alison Pureza; LEMOS, Walkymário de Paulo; http://lattes.cnpq.br/6841621785311887Nas últimas décadas a fruticultura tropical alcançou desenvolvimento em diferentes partes do mundo, particularmente no Brasil, que se destaca como terceiro maior produtor, o que reflete positivamente na sua balança comercial. Na região Amazônica, esse segmento agrícola também vem se expandindo, especialmente na última década. Dentre os insetos mais danosos à fruticultura amazônica, o complexo de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) destaca-se, sendo seu controle requisito básico para viabilizar exportações de frutas "in natura". As informações sobre moscas-das-frutas na região Amazônica brasileira ainda são escassas, embora se observe avanços nos conhecimentos quando comparado ao início do século. No Pará houve aumento expressivo no conhecimento da diversidade de espécies de moscas-das-frutas, seus inimigos naturais e hospedeiros nos últimos cinco anos. Apesar disso, tais conhecimentos ainda são pequenos em certos estados Amazônicos, quando comparado com outras regiões do Brasil. Dessa forma, esta pesquisa quantificou os índices de infestação por Anastrepha serpentina (Wiedemann) (Dip., Tephritidae) em diferentes sistemas de cultivos de laranja e seu respectivo parasitismo no município de Capitão Poço, Pará, ressaltando que essa associação se mostra incomum no território brasileiro. Para tanto, ações de pesquisa foram conduzidas em quatro sistemas de cultivos de laranja (Orgânico Certificado, Orgânico não certificado, Em Transição e Convencional) visando à identificação, nesses ambientes, da resposta de A. serpentina e seus parasitóides aos fatores bióticos e abióticos, através da coleta e processamento de frutos em laboratório. Concluiu-se que no município de Capitão Poço ainda é relatada apenas a presença da espécie A. serpentina como mosca-das-frutas nos cultivos de laranja avaliados, e a única espécie de parasitóides a ela associada é Ooryctobracon areo/atus (Szépligeti) (Hym., Braconidae). Os períodos que mais favorecem a presença de A. serpentina nos cultivos avaliados são transição chuva-seca e seca. Cultivos orgânico e diversificados são os mais propícios para a manutenção de populações do parasitóide D. areo/atus. A área orgânica certificada é a que mostra maior estabilidade na interação com fatores bióticos e abióticos. Os níveis de infestação de A. serpentina em laranja para a região estudada ainda são baixos quando comparados a outras regiões brasileirasDissertação Acesso aberto (Open Access) Intensificação ou diversificação?: a pecuária leiteira em questão(Universidade Federal do Pará, 2010-06-04) NOGUEIRA, Simone Silva; DARNET, Laura Angélica Ferreira; http://lattes.cnpq.br/3450720474559096; https://orcid.org/0000-0003-2523-9248Na região Sudeste do Pará a pecuária bovina voltada para a produção de leite tem crescido e se desenvolvido principalmente no âmbito da agricultura familiar, formando uma bacia leiteira caracterizada por sistemas de produção em diferentes níveis de especialização na atividade. O objetivo da pesquisa consistiu em identificar e analisar tipos de sistemas de produção leiteira desenvolvidos por agricultores familiares refletindo se a pecuária leiteira configura-se ou não como uma atividade que fortalece a agricultura familiar regional. Aplicou-se 30 questionários em duas comunidades, Murumuru e Vale do Mucura, onde identificamos seis (6) tipos de sistemas de produção, os quais se diferenciam pelo nível de integração e importância da pecuária leiteira na contribuição da renda e no uso do solo. Os resultados foram divididos em duas partes, na primeira, realizou-se a caracterização dos tipos identificados, onde os dados mostraram que em todas as situações a pecuária leiteira se configura como de dupla aptidão, salvo em duas situações onde há rebanhos específicos para produção de leite e outro para produção de carne. Isto significa que os agricultores não estão “especializados” stricto sensu na produção de leite, ao contrário, eles adotam a estratégia de mestiçagem do rebanho e de diversificação de atividades e rendas. Na segunda parte do trabalho, faz-se uma análise dos tipos de sistemas de produção identificados, através dos pilares diversificação (DIV), eficiência técnico-produtiva do sistema leiteiro (ET) e a comercialização do leite (COM) onde se verificou que as situações e interações desses critérios contribuem de formas específicas para o fortalecimento dos sistemas de produção leiteira. Os dados permitem concluir que a pecuária leiteira em conjunto com as demais atividades desempenhadas por esses agricultores-produtores de leite visam à produção e à reprodução (socioeconômica) dos mesmos e de seus sistemas de produção. Contudo, esta atividade, tem se refletido de forma negativa em relação ao aspecto agroecológico dos estabelecimentos agrícolas, pois em longo prazo os recursos poderão estar ameaçados.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Introdução de leguminosas forrageiras em sistemas de criação leiteiros no assentamento Belo Horizonte I, São Domingos do Araguaia-PA(Universidade Federal do Pará, 2012-05-18) MALANSKI, Priscila Duarte; DARNET, Laura Angélica Ferreira; http://lattes.cnpq.br/3450720474559096; https://orcid.org/0000-0003-2523-9248A transformação social, econômica, política, ambiental e produtiva pela qual passou e ainda passa a região de Marabá, no sudeste paraense, tem significante ligação com a pecuária, seja como modelo de exploração dos recursos naturais que provocou profundas alterações na paisagem regional ou como principal atividade agropecuária desenvolvida tanto por fazendeiros como por agricultores familiares. Em virtude desta ligação, as dinâmicas que envolvem a pecuária e o processo de desenvolvimento rural tem sido objeto de pesquisa de professores e estudantes de instituições como a Universidade Federal do Pará. Esta dissertação é fruto de uma destas pesquisas, cujo desenvolvimento se deu no âmbito do projeto Promover inovações para o fortalecimento da agricultura familiar em assentamentos do sudeste do Pará, que desde 2008 vem testando alternativas de manejo para superar limitações técnicas na produção pecuária. As intervenções técnicas do projeto são feitas em parceria com os agricultores do Projeto de Assentamento Belo Horizonte I, em São Domingos do Araguaia-PA, onde foram implantadas ações-teste com leguminosas forrageiras. Nesta pesquisa, investigamos três estudos de caso com o instrumental teórico-metodológico da teoria de sistemas aplicados ao estudo dos sistemas de produção, em especial o sistema de criação, com o objetivo de analisar a coerência do tipo de uso das leguminosas nos sistemas de criação. Nossa hipótese é a de que o tipo de uso da leguminosa depende do produto final almejado pelo agricultor. No assentamento Belo Horizonte I, os principais produtos oriundos da pecuária mista são o leite e o bezerro. Privilegiar um ou os dois produtos implica em maneiras diferenciadas de manejo da leguminosa. Os resultados demonstram que a coerência da decisão do tipo de uso atribuído às leguminosas está na razão de privilegiar uma categoria ou lote de animais por meio das práticas de manejo para obter o(s) produto(s) almejado(s) segundo o objetivo produtivo estabelecido para o sistema de criação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Mesmo com essas coisas ruins que o dendê trouxe, eu não saio daqui”: resistência a agroindústria do dendê na comunidade do Castanhalzinho em Concórdia do Pará(Universidade Federal do Pará, 2017-03-31) RIBEIRO, Lissandra Cordeiro; SCHMITZ, Heribert; http://lattes.cnpq.br/2294519993210835A produção do dendê no cenário mundial ganhou forças nas últimas décadas, nos principais países produtores do óleo de palma no mundo Indonésia e Tailândia, a produção da matéria-prima para o agrocombustível não esteve acompanhada de uma política ambiental rigorosa, desencadeando conflitos com comunidades locais e chamando a atenção de Ongs e movimentos ligados a defesa do meio ambiente. Em 2004, no Brasil é lançado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) criado pelo Governo Federal como forma de fomentar a produção de combustíveis alternativos ao petróleo a partir do óleo de dendê, prevendo a criação de emprego assalariado e a inclusão da agricultura familiar por meio de contratos de produção (BRASIL, 2010). Verifica-se no nordeste paraense a instalação de agroindústrias de dendê, como a empresa BIOPALMA S/A que em sua área de abrangência adquiriu grandes extensões de terras ao redor da comunidade do Castanhalzinho, provocando mudanças às condições de vida dos moradores por conta da abertura e ramais dentro da comunidade e pelos efeitos dos produtos químicos utilizados na manutenção do plantio. O objetivo desta dissertação é analisar as formas de resistência à agroindústria do dendê na comunidade do Castanhalzinho, localizada no município de Concórdia do Pará. O conceito de resistência cotidiana de Scott (2013) e fundamentos teóricos da Ação Coletiva são utilizados como enfoque teórico deste estudo pois nos ajuda compreender formas de resistência produzidas tanto no cotidiano pelos moradores, como também pelas associações quilombolas do local. O estudo foi construído por meio do estudo de caso e pesquisa qualitativa, com a utilização de observação participante, entrevistas abertas e semi- estruturadas com os moradores da comunidade e com lideranças quilombolas das associações e de entidades como a Malungu e Cedenpa. Os resultados da pesquisa apontaram para formas de resistências desempenhadas pelas associações quilombolas e por resistências cotidianas desempenhadas pelos moradores da comunidade como negação à venda de terras para o monocultivo, ao assalariamento, aos efeitos do cultivo do dendê na comunidade quilombola e a resistência ao impedimento do acesso ao entorno pela desvalorização do oponente. Elementos da organização social da comunidade como o parentesco, religiosidade e reciprocidade garantem relações sociais sólidas entre os moradores e deles com o território garantindo maior possibilidade de resistência no local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no nordeste paraense: as motivações dos participantes em Tomé-Açu(Universidade Federal do Pará, 2022-01-25) MORAES, Lucas Gabriel da Silva; SCHMITZ, Heribert; http://lattes.cnpq.br/2294519993210835O Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) é uma das principais ações coletivas organizadas em prol da luta por melhores condições de vida e trabalho no campo. No Nordeste paraense, a luta por direitos desta categoria teve início nos meados da década de 1950, com a criação das primeiras organizações de camponeses na região e, mais tarde, com a institucionalização da luta em 1962. Parte das demandas dos trabalhadores rurais eram direitos que os trabalhadores urbanos já tinham, fossem eles: saúde, previdência social, leis trabalhistas e salários dignos, além da reivindicação principal, a reforma agrária. Estes e outros objetivos guiaram as ações coletivas no âmbito do MSTTR que, por sua vez, constituíram a atual estrutura de representação dos trabalhadores rurais. Em Tomé-Açu, o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) foi, durante pelo menos 35 anos, a única organização que defendia a categoria e representava seus interesses. Essa realidade sofreu mudanças a partir de 2006, com a criação do Sindicato de Agricultores e Agricultoras Familiares de Tomé-Açu (SINTRAF) e do Sindicato de Empregados e Empregadas Rurais de Tomé-Açu (SINDTER), em 2016, alterando as dinâmicas de participação, de afiliação e de realização de ações coletivas no âmbito do MSTTR. Com relação à estas dinâmicas, a literatura dos movimentos sociais tem demonstrado que a ação coletiva não é um empreendimento de fácil realização e pode depender de uma série de fatores para se concretizar, como, por exemplo, as motivações. Dentro desse contexto, o presente trabalho tem o objetivo de identificar as motivações da participação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no MSTTR, mais especificamente, no STTR de Tomé-Açu, Nordeste paraense, tratando de analisar sua trajetória e os desafios atuais que se impõem à ação coletiva. A metodologia utilizada partiu de uma abordagem qualitativa com a utilização da técnica de análise de conteúdo. Durante a coleta de dados foram realizadas 34 entrevistas com dirigentes sindicais e trabalhadores rurais sócios e não sócios que participam de algum dos três sindicatos rurais de Tomé-Açu. Os resultados do estudo demonstraram duas bases de motivações, sendo uma delas material, ligada aos serviços e benefícios do sindicato, com a aposentadoria rural sendo a principal delas; e a outra imaterial, com a representatividade sindical em destaque. Entre os não-sócios, a terra foi a motivação central, exemplificada no caso da ação coletiva realizada no acampamento Mancha Negra. No processo de mobilização de novos sócios, o papel das lideranças se mostrou fundamental, tanto dentro do próprio sindicato, através da figura da presidente, quanto no contexto local, através da ação dos delegados sindicais. Quanto aos desafios atuais, foram identificados sinais de uma crise no STTR, que se dá no âmbito das ações coletivas e que reflete os problemas que ocorrem na administração da organização sindical, com a manutenção do poder nas mãos de um mesmo grupo por muitos anos, a priorização do utilitarismo no sindicato e a falta de novas lideranças que possam iniciar uma renovação à atual gestão.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Narrativas cosmológicas registradas na mata do Bacurizal no quilombo Bairro Alto, Salvaterra (PA)(Universidade Federal do Pará, 2019-06-11) LIMA, Mayara Gonçalves; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055Esta pesquisa de mestrado se debruçou em analisar as relações produtivas do trabalho com o bacuri, e a relação entre a sociedade e a natureza da Comunidade Quilombola Bairro Alto, pertencente à cidade de Salvaterra, que faz parte do arquipélago fluviomarinho do Marajó (PA). A ilha passou por diversas ocupações ao longo dos séculos inicialmente as etnias indígenas, e posteriormente com a colonização europeia houve a diáspora africana, no qual os africanos foram trazidos para trabalhar em fazendas de gado. As comunidades quilombolas marajoaras se constroem a partir das relações étnicas no arquipélago, assim como a organização politica nacional de outros quilombos, atravessaram a comunidade estudada, e ao longo dos anos reivindicam as leis principalmente as ligadas à titulação definitiva das suas terras, devido os conflitos territoriais com fazendeiros, a EMBRAPA, entre outros. As áreas em disputas são importantes para a reprodução econômica dos quilombos, os trabalhos com coleta dos recursos naturais, nas roças, matas, rios, mares, campos, entre outros ecossistemas garantem a manutenção das unidades familiares, a pesquisa se debruçou em analisar justamente o trabalho com a coleta do bacuri, os saberes tradicionais usados nas matas dos onde estão as árvores do bacuri revelam as cosmovisões das comunidades. A pesquisa antropológica efetuada metodológica se baseou na etnografia aliada à observação participante nas casas das famílias, entrevistas, foetnografia, e nas vivências nas matas, para compreender a rotina das famílias e como se organizavam para o trabalho nos bacurizais, as entrevistas e fotos complementam os dados coletados.
