Dissertações em Comunicação, Cultura e Amazônia (Mestrado) - PPGCOM/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/4453
O Mestrado Acadêmico em Comunicação, Cultura e Amazônia funciona no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Amazônia ameaçada: análise do discurso jornalístico nos portais de notícias O Liberal.com – PA e A Crítica – AM sobre desmatamento e queimadas no contexto da pandemia da COVID-19(Universidade Federal do Pará, 2022-07-26) MANGAS, Laiza Monik de Oliveira; COSTA, Luciana MirandaO ano de 2020 foi marcado pelo início da pandemia da COVID-19 e pelo aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia Legal Brasileira. Dados do Inpe (2020) registraram 10.312, 88 km2 de desmatamento consolidado na região, além de 103.161 focos de queimadas durante o ano. Os meses de agosto e setembro foram os que apresentaram maior índice de queimadas e os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas responderam por 70% do desmatamento. Enquanto isso, “a boiada passava” com a aprovação de 593 atos pelo governo federal relacionados às mudanças de regras sobre a proteção ambiental no Brasil (OBSERVATÓRIO DO CLIMA, 2021). Em meio à crise sanitária, política e ambiental, o jornalismo desempenhou um papel importante no fornecimento de informação à população (CASERO-RIPOLLÉS, 2020). Nesse contexto, esta pesquisa analisa como foi a cobertura sobre desmatamento e queimadas em dois dos principais portais de notícias da região Norte do país: O Liberal.com – PA e A Crítica – AM, durante o mês de setembro de 2020, considerando o período pandêmico e suas adversidades. O principal referencial teórico-metodológico escolhido foi a Análise Crítica do Discurso - ACD (FAIRCLOUGH, 2001). A partir da análise realizada nos jornais pode-se concluir que o governo Jair Bolsonaro, em meio à pandemia da COVID-19, conseguiu ocupar um espaço privilegiado nas publicações, com um discurso voltado a amenizar os problemas na Amazônia e largamente reproduzido pelos dois jornais sem contrapontos expressivos. Foram utilizadas justificativas que atribuíam os desmatamentos e queimadas ao próprio clima na Amazônia e às atividades agrícolas realizadas tradicionalmente por comunidades rurais, indígenas e quilombolas. Além disso, colocou-se em dúvida a credibilidade de dados científicos sobre o tema divulgados por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Amazônia ameaçada: análise do discurso jornalístico nos portais de notícias O Liberal.com – PA e A Crítica – AM sobre desmatamento e queimadas no contexto da pandemia da COVID-19(Universidade Federal do Pará, 2022-07-26) MANGAS, Laiza Monik de Oliveira; COSTA, Luciana Miranda; http://lattes.cnpq.br/1310961057480638; https://orcid.org/0000-0003-3843-4499O ano de 2020 foi marcado pelo início da pandemia da COVID-19 e pelo aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia Legal Brasileira. Dados do Inpe (2020) registraram 10.312, 88 km² de desmatamento consolidado na região, além de 103.161 focos de queimadas durante o ano. Os meses de agosto e setembro foram os que apresentaram maior índice de queimadas e os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas responderam por 70% do desmatamento. Enquanto isso, “a boiada passava” com a aprovação de 593 atos pelo governo federal relacionados às mudanças de regras sobre a proteção ambiental no Brasil (OBSERVATÓRIO DO CLIMA, 2021). Em meio à crise sanitária, política e ambiental, o jornalismo desempenhou um papel importante no fornecimento de informação à população (CASERO-RIPOLLÉS, 2020). Nesse contexto, esta pesquisa analisa como foi a cobertura sobre desmatamento e queimadas em dois dos principais portais de notícias da região Norte do país: O Liberal.com – PA e A Crítica – AM, durante o mês de setembro de 2020, considerando o período pandêmico e suas adversidades. O principal referencial teórico-metodológico escolhido foi a Análise Crítica do Discurso - ACD (FAIRCLOUGH, 2001). A partir da análise realizada nos jornais pode-se concluir que o governo Jair Bolsonaro, em meio à pandemia da COVID- 19, conseguiu ocupar um espaço privilegiado nas publicações, com um discurso voltado a amenizar os problemas na Amazônia e largamente reproduzido pelos dois jornais sem contrapontos expressivos. Foram utilizadas justificativas que atribuíam os desmatamentos e queimadas ao próprio clima na Amazônia e às atividades agrícolas realizadas tradicionalmente por comunidades rurais, indígenas e quilombolas. Além disso, colocou-se em dúvida a credibilidade de dados científicos sobre o tema divulgados por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O aplicativo alerta clima indígena: digitalização das terras indígenas à luz da ecologia da comunicação(Universidade Federal do Pará, 2021-11-17) RAYOL, Clarissa da Silva; COSTA, Luciana MirandaEsta dissertação tem como objetivo analisar, à luz da ecologia da comunicação, a digitalização das Terras Indígenas experenciada pelo aplicativo Alerta Clima Indígena, desenvolvido pelo Ipam junto ao Instituto Raoni, Conselho Indígena de Roraima (CIR) e Comissão de Caciques e Lideranças da Terra Indígena Araribóia (CCOCALITIA), cuja finalidade consiste na divulgação de dados científicos sobre clima, fogo e desmatamento das Terras Indígenas da Amazônia brasileira. A plataforma também dispõe de recursos para a criação de alertas contra ameaças à Terra Indígena e a inserção de informações sobre os usos tradicionais como roça, caça, pesca e coleta. Nesse contexto, com base em acionamentos teóricos da Ecologia da Comunicação (DI FELICE; PEREIRA, 2017), esta pesquisa caracteriza-se como experimental e qualitativa, alinhada à perspectiva imersiva na qual a pesquisadora adentra às redes e integra as conexões ali empreendidas. No percurso investigativo, apresentamos a descrição das organizações indígenas parceiras do aplicativo e a construção colaborativa das oficinas enquanto espaços de interlocução, posteriormente imergimos nas arquiteturas interativas digitais do aplicativo para depois analisar os processos autônomos experenciados pelo povo Mẽbêngôkre Mẽtyktire (Kayapó), sob a ótica de dois entrevistados residentes da Terra Indígena Capoto/Jarina localizada no estado do Mato Grosso. Nesse sentido, a experiência de digitalização das Terras Indígenas, a partir do aplicativo Alerta Clima Indígena, está inserida na “criação de mundos híbridos” (DI FELICE, 2021), onde os dados científicos, as tecnologias, as chuvas, o vento, os animais e as árvores possuem suas próprias agências e são transformados por elas, assim como os povos indígenas demonstram criatividade nas formas de apropriação e reinterpretação da plataforma a partir da invenção de novas práticas para a Gestão das Terras Indígenas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comunicação e resistência: meios e usos da comunicação por grupos sociais atingidos pelo desastre da Hydro Alunorte em Barcarena, Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-10-28) SANTOS, Andressa Arielly de Souza; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744; https://orcid.org/0000-0003-4321-7245O objetivo desta dissertação é identificar e analisar os usos e meios de comunicação acionados pelos grupos sociais atingidos pelo desastre da Hydro Alunorte, em Barcarena - Pará, situada num histórico contexto de injustiça ambiental (ACSELRAD, 2001) que atravessa os conflitos socioambientais na Amazônia. O que motivou nosso estudo foi o fato da cobertura midiática do desastre ambiental, denunciado pelas comunidades locais e ocorrido no início do ano de 2018, envolvendo o vazamento de rejeitos da empresa norueguesa Hydro Alunorte, líder no mercado global de alumínio, ter alcançado repercussão nacional e internacional, porém com escasso espaço para as vozes populares e locais (STEINBRENNER, GUERREIRO NETO; BRAGANÇA; CASTRO, 2020). Assim, nosso intuito, a partir de um estudo exploratório de caráter qualitativo (YIN, 2016), considerando um período de 24 meses da ocorrência do desastre, foi justamente buscar as outras vozes, usual e historicamente invisibilizadas, no sentido de compreender, na perspectiva da midiatização (HEPP, 2014), os processos e práticas de comunicação (FRANÇA, 2016) para resistência (PERUZZO, 1998) que marcam nesse período as ações dos grupos sociais mobilizados, no que chamamos de campo da resistência comunicativa, em reação aos impactos ocasionados pelo desastre e na defesa de direitos e de seus territórios no município de Barcarena, entendido como "zona de sacrifício" da mineração (CASTRO, 2019).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comunicação pública da ciência na Amazônia: uma análise dos processos comunicacionais do projeto Ciência na Ilha, em Cotijuba, Belém-PA(Universidade Federal do Pará, 2021-12-09) BATISTA, Elissandra Cristina; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744O eixo de investigação deste trabalho busca compreender de que forma os processos comunicacionais do projeto ―Ciência na Ilha: educação e divulgação científica na Amazônia‖ contribuem ao diálogo e à interação entre o conhecimento científico e os saberes da população ribeirinha da Ilha de Cotijuba, em Belém do Pará. Destacando-se o contexto da comunicação face a face em que o projeto de extensão do Clube de Ciências da UFPA se realiza, investiga-se os processos comunicacionais do evento à luz das teorias da Comunicação Pública da Ciência e do paradigma relacional, caminho por onde a comunicação deixa de ser um processo recortado e restrito e é tomada como lugar de constituição dos fenômenos sociais. Na lógica da ecologia de saberes, defendida por Boaventura Santos e, ainda, pelo processo de aprender a desaprender, também se analisa a feira de ciências pelas lentes das teorias decoloniais, que buscam romper com os métodos cartesianos do pensamento moderno abissal, o qual cria linhas imaginárias de visibilidade e invisibilidade, desperdiçando a diversidade sociocultural do mundo. Nos procedimentos metodológicos, faz-se uma análise de conteúdo, sob inspiração de Bardin, da programação documental de 11 edições da feira, entre 2006 e 2019, com foco especial em cinco delas, realizadas na Ilha de Cotijuba, na Escola Estadual Marta da Conceição; também entrevistas semiestruturadas com alunos e professores da escola ribeirinha e do Clube de Ciências da UFPA, que há cerca de 15 anos realiza a feira de ciência em escolas das ilhas mais populosas de Belém. Na metodologia, inclui-se ainda a observação dos processos comunicacionais em duas edições do Ciência na Ilha, em Cotijuba. Assim, a feira, revela-se neste estudo com características múltiplas da Comunicação Pública da Ciência, com fortes traços do sistema unidirecional e funcionalista, mas também dentro das concepções dialógicas relacionais. Envolvendo pesquisas experimentais sobre o cotidiano e as vivências dos estudantes da educação básica, aponta-se que o projeto contribui com o processo de desmistificação da produção científica. E enquanto um dispositivo interacional cria pontes entre as diversidades e as assimetrias, atravessando o rio e buscando ultrapassar as linhas abissais do conhecimento.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Inovação social nos veículos jornalísticos independentes: um olhar para as narrativas sobre povos indígenas na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2023-06-02) DUARTE, Glenda Suelem Magno; CUNHA, Elaide Martins da; http://lattes.cnpq.br/3778190981135428; https://orcid.org/0000-0001-7723-7055Esta dissertação busca analisar e compreender as manifestações da inovação no jornalismo a partir de um olhar para as produções dos seguintes veículos jornalísticos: InfoAmazonia, Agência Pública e Amazônia Real. Ambos se classificam como veículos independentes e priorizam a Amazônia em suas abordagens. A fim de compor o corpus da pesquisa e delimitar a temática investigada, selecionou-se, ao todo, 38 reportagens sobre os povos indígenas na região. Como principais referências teóricas sobre comunicação e inovação no jornalismo, a pesquisa ampara-se nos estudos de Rosseti (2013), Barbosa (2014), Longhi e Flores (2017), Pedro Varoni (2017), Martins (2018, 2021), Longhi (2020), Martins e Sousa (2020), Storch e Feil (2021), dentre outros. Adota-se a abordagem metodológica de natureza qualitativa, por meio dos métodos de pesquisa Estado da Arte, com Norma Ferreira (2002) e Sampaio e Mancini (2007) e Análise de Conteúdo, com Laurence Bardin (2011). A partir dos eixos de inovação identificados no estado da arte, utiliza-se o eixo ‘narrativa’ como categoria de análise. Com base nesta proposta, procurou-se compreender se esse e/ou outros eixos de inovação no jornalismo estão presentes nas reportagens analisadas e como eles se constituem e se delineiam nessas produções. Partiu-se da hipótese de que os veículos independentes têm uma forma própria de abordar os povos indígenas, voltada para uma narrativa de caráter social que busca valorizar o protagonismo desses povos em suas abordagens. Com isso, os principais resultados apontam para as temáticas ‘protagonismo feminino indígena’, ‘invasão de terras indígenas’, ‘política’, ‘resistência’, ‘covid-19 (saúde)’ e ‘violência’, contribuindo para o entendimento da dimensão social que a inovação desempenha no jornalismo independente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A marca Instituto Evandro Chagas e a Amazônia enquanto território produtor de ciência(Universidade Federal do Pará, 2023-06-26) BASTOS, Fábio Augusto Silva; AMARAL FILHO, Otacílio; http://lattes.cnpq.br/2605877670235703; https://orcid.org/0000-0001-5467-8528A presente dissertação analisa o discurso de marca do Instituto Evandro Chagas (IEC), instituição científica criada em 1936, considerada como uma das mais importantes da região Norte, para compreender como esse discurso apresenta a Amazônia enquanto território produtor de ciência. Utilizamos como corpus de pesquisa quatro materiais de divulgação institucional do IEC elaborados entre 1990 a 2021 e entrevistas semi-dirigidas com pesquisadores da instituição, além de documentos referentes à história do Instituto. A pesquisa tem natureza exploratória-qualitativa e como metodologia para análise da marca, utiliza uma abordagem multiperspectivada (BONIN, 2008) fazendo uso dos conceitos de marca, e do modelo projeto/manifestações de Semprini (2010), de maneira concatenada com a teoria dos discursos sociais, análise do discurso midiático, e contrato de leitura de Verón (1983; 1986; 1987; 2004). Como lentes teóricas para observar os investimentos de sentido da marca, são acionados o conceito de Marca Amazônia (AMARAL, 2011, 2015, 2016), junto com outros autores que analisam a região Amazônica, sua história, imaginário e construções simbólicas (COSTA, 2017; DUTRA, 2003; GONDIM, 2007; LOUREIRO, 2022). Utiliza-se também aporte das teorias decoloniais (QUIJANO, 1993; MIGNOLO, 2003, 2017) e do pensamento abissal (BOAVENTURA, 2009) como chão epistemológico para um olhar crítico sobre as construções simbólicas do modelo de ciência hegemônico enquanto forma de legitimação da superioridade eurocêntrica e como fator da hierarquização geopolítica na produção do conhecimento. Como resultado, observa-se uma condição ambígua: a Amazônia é desacreditada e periférica quando se tem em foco a produção local de ciência, mas, ao mesmo tempo, conserva um alto grau de visibilidade na produção de ciência na/e sobre a Amazônia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O massacre de Eldorado do Carajás para além do factual: a reconstrução narrativa de uma tragédia no jornalismo literário(Universidade Federal do Pará, 2023-04-14) DIAS, Erica Marques; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa buscou compreender como o jornalismo literário constrói o sentido narrativo dos conflitos por terra na Amazônia, em específico o massacre de Eldorado do Carajás, tragédia ocorrida no dia 17 de abril de 1996, que resultou em 19 trabalhadores mortos e mais de 60 feridos em um trecho da PA-150, chamado Curva do S, no estado do Pará. O fato foi notícia nos jornais diários do Brasil e do mundo, assim como em produtos do jornalismo literário, como o livro-reportagem. Por isso, esta dissertação parte de questões que permeiam os conflitos no campo e da abordagem em profundidade de casos reais em produtos do gênero jornalístico-literário. Assim, analisamos a construção narrativa dos conflitos por terra, tendo como corpus de análise o livro-reportagem O Massacre: Eldorado do Carajás – Uma História de Impunidade (2019), escrito pelo jornalista Eric Nepomuceno, com o objetivo de compreender as estratégias utilizadas nessa modalidade jornalística e operacionalizadas no texto. À luz do suporte metodológico da Hermenêutica de Profundidade de J.B. Thompson (2011), a obra foi tomada pela análise sócio-histórica, delineando o percurso histórico e social dos conflitos no campo e do jornalismo literário; a análise formal ou discursiva, em que se empregou a análise pragmática da narrativa jornalística, com base em Motta (2007); e a reinterpretação/interpretação de O Massacre. Os três estágios foram essenciais para a identificação dos recursos narrativos usados pelo autor ao dar espaço sobre uma realidade violenta e que aparece de vez em quando nos noticiários. Nepomuceno reconstrói uma calamidade que pôs fim a dezenove pessoas e marcou a vida de centenas. Demonstra que essa história não faz parte só do passado, mas do presente de milhares de trabalhadores rurais que vivem na esperança diária de ter seu lote de terra e uma vida sem ameaças e mortes.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Representações de mulheres gordas em quadrinhos de autoria feminina da/na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2023-03-29) GILLET, Fabiana Oliveira; SANTOS, Luiz Cezar Silva dos; http://lattes.cnpq.br/2449524316115443Propomos nesta pesquisa uma abordagem comunicacional sobre as histórias em quadrinhos com enfoque nas representações gráficas de personagens gordas. Busca-se compreender quais as representações de mulheres gordas em webcomics de autoria feminina da/na Amazônia, se existem estas representações e quais as leituras dessas quadrinistas sobre o corpo gordo, enquanto autoras e desenhistas mulheres e se existem quadrinistas que se identificam como mulheres gordas. Destaca-se a pertinência das discussões que envolvem os estudos do corpo gordo no Brasil, pesquisas ainda em desenvolvimento no âmbito das Ciências Sociais e da Comunicação. Considera-se que as representações sociais em produtos da mídia hegemônica têm papel fundamental na concepção e manutenção de modelos sociais constitutivos do imaginário, ordenando o que será aceito ou reprimido na sociedade. Assim, é importante enfatizar que as histórias em quadrinhos, enquanto mídia, são vetores de discursos e representações estereotipadas dos sujeitos (BOFF, 2014; EISNER, 2005; THENSUAN, 2020), criando e fortalecendo estigmas sociais como no caso da gordofobia (ARRUDA, 2021, JIMENEZ, 2020). Por isso, este estudo se alinha a ideia de que a partir do bios midiático (SODRÉ, 2002) que se desenvolve a gordofobia, o que evidencia a importância de uma abordagem sob a ótica da comunicação (ARRUDA, 2021). Pretendemos com o estudo contribuir para a pesquisa e debate sobre a comunicação enquanto vetor de manutenção ou transformação de modelos, estereótipos e estigmas sociais; refletindo acerca da gordofobia e do campo de estudos sobre gênero e histórias em quadrinhos. Com objetivo de analisar a representação de personagens e a produção de sentidos sobre corporalidades gordas em webcomics produzidos por quadrinistas mulheres da/na Amazônia, buscamos identificar personagens gordas nas webcomics e ilustrações de artistas mulheres da/na região amazônica, em seus perfis da rede social Instagram no período de 2015 a 2022; dialogar com as quadrinistas por meio de entrevistas semi-estruturadas (DUARTE, 2005; GASKELL, 2002) sobre a representação de mulheres gordas; analisar os sentidos apreendidos sobre corporalidades gordas nos dados coletados a partir de uma análise das imagens (JOLY, 2007) das ilustrações e webcomics fundamentada na semiótica peirceana; e discutir as representações do corpo gordo feminino e quais os sentidos produzidos e apreendidos por estas representações. Concluímos que os sentidos apreendidos nas representações apresentam convergências com os discursos de aceitação e amor-próprio difundidos na mídia hegemônica com base no movimento de aceitação corporal body positive/corpo livre em consonância com as biossociabilidades de consumo da indústria plus size (AIRES, 2019), gerando ressignificações nos regimes de visibilidade do corpo gordo, criando estereótipos positivos, com ainda invisibilização de corpos gordos maiores, os quais não existem no imaginário social, exceto por mínimas representações permeadas por estereótipos estigmatizantes.
