Navegando por Assunto "Praias"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Caracterização morfossedimentar durante o ano de 2007 das praias estuarinas da ilha de Cotijuba (Baía do Marajó) no estado do Pará.(Universidade Federal do Pará, 2008-08-22) OLIVEIRA, Gheisa Karla Martins de; EL-ROBRINI, Maâmar; http://lattes.cnpq.br/5707365981163429A ilha de Cotijuba situada a 90 km da foz do rio Pará está inserida em uma zona de maré do rio, onde a salinidade é zero, e a condutividade média é de 65,70 μS. A ilha pertencente ao município de Belém está localizada a 33 km desta, com 15 km2 de extensão e forma alongada na direção NE-SW. A ilha é sustentada pelos: (1) sedimentos da Formação Barreiras, aflorando sob forma de falésias expostas e plataformas de abrasão, na parte oeste, (2) Sedimentos Pós-Barreiras, que se encontram sobrejacentes e separados por uma discordância erosiva (SÁ, 1969 apud SANTOS, 1996) e (3) Sedimentos Recentes (mangues, terraços marinhos, barras e praias). O estudo da caracterização morfossedimentar das praias estuarinas da Saudade e do Vai-quem-quer durante o ano de 2007 (janeiro, março e agosto), mostrou evidentes transformações sazonais destas praias. Foram executados perfis topográficos: nove na praia da Saudade e doze na praia do Vai-quem-quer utilizando uma Estação Total, além das coletas sedimentológicas. A praia da Saudade possui 800 m de comprimento e encontra-se na parte sul da ilha, com gradiente topográfico elevado variando de tg d = 0,030 a tg d = 0,286. Na parte norte da ilha está a praia do Vai-quem-quer com 1 km de comprimento, que possui um gradiente topográfico menor em comparação à praia da Saudade, variando de tg d = 0,069 a tg d = 0,143. Foram aplicados nas praias os modelos morfológicos de Guza & Inmam (1975), Wright; Short (1984) e Masselink & Short (1993) elaborados para praias oceânicas. Através dos parâmetros usados a praia da Saudade exibiu estado refletivo (b = 0,10 – 2,38) e barra e calha longitudinal (b = 2,70 – 12,90), no período chuvoso e apenas refletivo (b = 0,05 – 1,84), no período seco pelo método de Guza & Inmam (op. cit.). Através do parâmetro de Wright & Short (op. cit.) a praia comportou-se como refletiva (a = 1,08 e 0,86, em janeiro e março, respectivamente; e a = 0,43 em agosto) nos dois períodos. A praia do Vai-quem-quer apresentou pelo parâmetro de Guza & Inmam (op. cit.) estados dissipativo (b = 20,05 – 31,28) e barra e calha longitudinal (b = 9,21 – 18,23), no período chuvoso. No período seco, exibiu os estados refletivo (b = 1,61 – 2,46) e barra e calha longitudinal (b = 2,63 – 3,44). Pelo parâmetro de Wright & Short (op. cit.) foi classificada como dissipativa (a = 4,12), em janeiro; barra e calha longitudinal (a = 2,64), em março; e terraço de maré baixa (a = 2,38), em agosto. O parâmetro RTR de Masselink & Short (1993) indicou que em janeiro a praia da Saudade foi influenciada por ondas e marés (RTR = 5,2) e em março por marés (RTR = 14,5). Já a praia do Vai-quem-quer em janeiro foi influenciada por ondas (RTR = 2,15) e em março por ondas e marés (RTR = 4,80). No período seco, as duas praias foram influenciadas por ondas e marés (RTR = 10,5 e RTR = 3,16 para a praia da Saudade e Vai-quem-quer, respectivamente). As praias são recobertas predominantemente por areia média (65%), moderadamente selecionada (59%), com curtose mesocúrtica (53%) e assimetria negativa (54%) na praia da Saudade e aproximadamente simétrica (43%) na praia do Vai-quem-quer. Houve evidências da sazonalidade através de perfis de acresção e de erosão, respectivamente, nos períodos seco e chuvoso. Na praia da Saudade ocorreu erosão, durante o período chuvoso e acresção, durante o período seco. Esta praia foi dividida em dois setores: Norte e Sul. O Setor Sul não apresentou grandes modificações, entretanto no Setor Norte ocorreu o desenvolvimento de um sistema de crista e calha (“ridge and runnel”) e este sofreu intensas variações com as alterações das medidas das zonas de supramaré e intermaré. Na praia do Vai-quem-quer, não houve alterações notáveis no período chuvoso. Todavia, no período seco foi notada acresção nas zonas de intermaré superior e supramaré, devido a influência eólica sobre os sedimentos que encontram-se enxutos neste período. A caracterização morfossedimentar das praias da Saudade e do Vai-quem-quer sofreu influência da Zona de Convergência Inter-Tropical (ZCIT), no período chuvoso. Este sistema intensifica os ventos neste período, os quais alcançaram velocidade máxima de 7,5 m/s e direção preferencial NE, e conseqüentemente, formaram ondas com maior energia (Hb = 1,3 m em Janeiro na praia do Vai-quem-quer) e contribuíram para o processo erosivo praial. Além das maiores amplitudes de maré (Hm = 2,9 m em Março) que alcançaram as zonas mais internas das praias.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Diretrizes técnicas e legais para locação de limites edificados em praias(Universidade Federal do Pará, 2009-07-16) NASCIMENTO, Flávio Campos do; LIMA, José Júlio Ferreira; http://lattes.cnpq.br/5176390429456548As diretrizes para locação de limites edificados em praias são importantes para projetos de intervenção urbana, uma vez que, o muro de contenção tem papel fundamental como limite da urbanização. Os muros de contenção também têm a função de minimizar os efeitos da erosão e inundação de áreas ocupadas e fazer a sustentação do aterro necessário para a consolidação do sistema viário. Foi desenvolvido um estudo na Praia do Amor (Outeiro, Pará), objeto de projeto urbanístico, tendo sua obra executada e inaugurada no ano de 2005. A partir da análise do estado atual da obra, mais precisamente, sobre o posicionamento do muro de arrimo e as consequências desse posicionamento para o paramento edificado são formuladas diretrizes para locação de limites edificados em praias, a saber: i) ao delimitar a área exata da intervenção, estabelecer claramente seus limites por meio de levantamentos cadastrais, planialtimétricos e fotográficos; ii) levantar as demandas sociais, econômicas e infraestruturais para definir precisamente que tipo de obra será realizada; iii) fazer a caracterização da forma, ocupação, paisagem e situação fundiária de edificações existentes; iv) fazer estudos climatológicos, hidrológicos e oceanográficos a fim de levantar o histórico do ambiente praial uma vez que o entendimento dos processos morfodinâmicos auxiliará nas projeções de possíveis impactos ao perfil da estrutura a ser construída; v) posicionar o muro de contenção resguardando a área de proteção de 50m para proteger as estruturas de processos erosivos; vi) em casos em que não seja possível manter a zona de proteção estabelecida para as novas construções, posicionar o muro após o término do perfil praial determinado previamente em seus estudos do perfil; vii) quando o perfil já estiver ocupado por edificações e que não sejam passíveis de remanejamento, calcular o paramento de forma a suportar a ação das ondas e correntes para evitar colapsos nas estrutura e danos materiais e humanos na área.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Eficiência de diferentes abordagens metodológicas e caracterização das associações macrobentônicas estuarinas da zona costeira amazônica(Universidade Federal do Pará, 2009-06-10) MONTEIRO, Viviane Ferreira; ROSA FILHO, José Souto; http://lattes.cnpq.br/3223362071251898As associações macrobentonicas estuarinas de regiões costeiras amazônicas foram caracterizadas usando diferentes aberturas de malha e profundidades de amostragem. As amostragens aconteceram na ilha de Algodoal e península de Ajuruteua (PA), nos períodos chuvoso e seco (junho e dezembro de 2007, respectivamente), nos habitats borda do mangue, mangue, areno-lamoso e arenoso. Em cada habitat foram coletadas oito amostras biológicas, utilizando tubo cilíndrico de 0,0079 m², assim como amostras para caracterização do substrato (textura, umidade e concentrações de matéria orgânica), e concentrações de clorofila a e feopigmentos. Cada amostra biológica foi dividida em três estratos (0-5, 5-10 e 10-20 cm), sendo cada estrato peneirado em malhas de 1,0, 0,5, 0,3 e 0,25 mm de abertura. Foram utilizadas técnicas univariadas (ANOVA) e multivariadas (MDS, ANOSIM, SIMPER e BIOENV) para a analise dos dados. A macrofauna foi composta por 68 táxons com dominância de Annelida (Tubificidae e Capitellidae). As malhas de 0,3 e 0,25 mm foram as mais eficientes na retenção de organismos e espécies, enquanto a malha de 1,0 mm perdeu quantidades significativas de organismos, sobretudo de Tubificidae. As amostras coletadas a 10 e 20 cm de profundidade não diferiram significativamente quanto numero de táxons e organismos. Foram observadas variações espaciais significativas na estrutura da macrofauna entre habitats em ambos os locais e ocasiões de amostragem, com densidade e riqueza superiores nos habitats lamosos. As variáveis ambientais mais correlacionas com a fauna foram a quantidade de argila, a concentração orgânica e o teor de umidade nos sedimentos. Foi possível concluir que: 1. A fauna bentônica na ilha de Algodoal e península de Ajuruteua foi composta por poucos táxons, sendo eles tipicamente estuarinas e de pequenas dimensões, dominada por Annelida; 2. para a caracterização da macrofauna bentônica e necessário a tomada de amostras somente ate a profundidade de 10 cm de sedimento e o peneiramento em malha de 0,3 mm de abertura; 3. os habitats lamosos tiveram geralmente maiores densidades e riqueza; 4. apenas na ilha de Algodoal se observou variação temporal na estrutura da macrofauna; 5. a quantidade de argila, feopigmentos e teor de umidade nos sedimentos foram os principais fatores responsáveis pela estruturação da fauna.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Encadeamento geoquímico entre sedimentos (solos) e cultivares em praias, além do cabelo humano de ribeirinhos, ao longo de rios da bacia do Purus, no estado do Acre e a sua importância ambiental(Universidade Federal do Pará, 2005-06-10) MARTINS, Milta Mariane da Mata; COSTA, Marcondes Lima da; http://lattes.cnpq.br/1639498384851302; https://orcid.org/0000-0002-0134-0432O estado do Acre, situado no sudoeste da Região Amazônica é atravessado por duas grandes e importantes bacias hidrográficas da região, Purus e Juruá. São rios de água branca com vales em U nos altos cursos e com grandes planícies de inundação nos baixos e médios cursos. Durante o período de estiagem (vazante) as águas desses rios baixam expondo praias (barra em pontal) e barrancos. A população ribeirinha se beneficia destas, desenvolvendo agricultura de subsistência, cultivando milho (Zea mays) e feijão (Vigna unguiculata (L) Walp), e completando sua dieta alimentar com peixes, carne de caça e animais domésticos. O presente trabalho procurou investigar a alta fertilidade dessas praias e principalmente a inter-relação entre seus sedimentos (solos) e os cultivares e ainda com os seus ribeirinhos (via cabelo). Para isto relacionou os principais rios que constituem a bacia do Purus. Abrange as áreas à montante e à jusante das cidades de Sena Madureira (rios Iaco e Caeté), Manuel Urbano (rio Purus) e as cidades situadas no vale do rio Acre (Assis Brasil, Brasiléia, Xapuri, Rio Branco e Porto Acre). Foram assim estabelecidas 16 estações de estudo com a coleta de sedimentos de praia, folhas e sementes de feijão e folhas de milho. As amostras de sedimentos foram analisadas por difração de raios-X (DRX) para determinação mineral, para caracterização química (elementos maiores e traço) e por ICP-MS. Nas cultivares foram determinados Ca, Fe, K, Na, Ba, Zn, Mo, Co, Cr, Cu, Pb, Hg, As e Se por água régia + ICP-MS e ativação neutrônica com o objetivo de determinar as concentrações desses elementos bem como sua transferência sedimento (solo) - cultivar. Os sedimentos das praias estudadas são essencialmente finos, constituídos de quartzo, grãos de argilominerais (esmectita, illita e menos freqüente caulinita) e feldspatos (K-fesdspatos e albita). A composição química destaca-se pelas concentrações altas de SiO2, Al2O3 e Fe2O3, além K2O, Na2O, CaO. Essas concentrações e a dos elementos-traço estão abaixo da crosta terrestre superior (exceto Si2O), porém acima daquelas de sedimentos de praias, mas comparável com sedimentos de rios de alta fertilidade e água branca. Os resultados químicos obtidos para as cultivares mostram que as folhas de feijão são mais ricas em Ca e as sementes de feijão em K. Bário, Zn, Mo, Co e Cr concentram-se mais nas folhas do que nas sementes de feijão, com exceção do Mo que se concentrou mais nas sementes. Entre Hg, As e Se apenas As mostrou significativa concentração nas cultivares, especialmente nas folhas de feijão (média de 338,3 ppb) e 10 vezes superior as sementes. Mercúrio não apresentou variação entre semente (7,7 ppb) e folha de feijão (7,1 ppb). Selênio está abaixo do limite de detecção (<20 ppb). As folhas de milho (abertura: água régia + ICP-MS) estão mais ricas em K (média 1,97 %), além de Ca (média 0,38 %). A inter-relação sedimentos (solo) – cultivar pode ser vista através do coeficiente de absorção biológica (CAB) que mostra a seguinte ordem decrescente de absorção: Ca > K > Na > Zn > Ba > Co > Cr > Hg > As; sementes de feijão Na > K > Ca > Zn > Co > Hg > As e folhas de milho K > Ca > Cr > Zn > Cu > Hg > As. Essa ordem de transferência pode estar representando as próprias necessidades do cultivar ou mesmo a biodisponibilidade desses elementos no ambiente praiano. Os altos valores de CABs encontrados para esses elementos nas cultivares refletem os valores relativamente elevados de (K, Ca, Mg, Zn, Ba e Cr) nos sedimentos e barrancos dos rios do Acre, refletindo assim sua alta fertilidade. Os baixos valores de Hg nos sedimentos (solos), que também são muito baixos nas cultivares, da mesma forma que os valores altos de K, Mg, Ca, Zn e Ba transferidos para os cultivares, mostram a eficiência e forte relação química dos cultivares com a química dos solos. Também mostram que os sedimentos de praias do Acre não apontam anomalias geoquímicas naturais e nem de origem antropogênica, não podendo se enquadrar como impactados. Os altos valores de Hg encontrados em cabelos humanos em Manuel Urbano e em parte Sena Madureira não podem ser explicados pelo consumo de sementes de feijão e milho. Uma nova fonte na dieta deve ser explorada, como aquela à base de peixes carnívoros e carne de caça. O presente estudo confirma também o conhecimento empírico das populações que habitam os rios do Acre sobre as propriedades das praias para agricultura de subsistência.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estrutura e fisiologia da paisagem da praia do Areião, Ilha de Mosqueiro (Belém-PA)(Universidade Federal do Pará, 2013-07-04) VIANA, Ivan Gomes da Silva; FRANÇA, Carmena Ferreira de; http://lattes.cnpq.br/5723672412810714O presente estudo tem sua análise pautada no conceito de paisagem na perspectiva sistêmica. Sendo assim, entende que existem elementos constituintes da paisagem que interagem entre si de maneira complexa. A praia do Areião mostra uma particularidade em relação às demais praias da ilha de Mosqueiro. Com isso, busca-se compreender os elementos que atuam na parte sudoeste da zona costeira da referida ilha, onde se encontra a área de estudo. Do ponto de vista físico, são analisados elementos da paisagem, tais como: a ação das ondas, dos ventos, das marés, da vegetação e da pluviosidade. Em relação aos elementos antrópicos, analisam-se fatores como a influência do trapiche, dos efluentes urbanos e do processo de uso e ocupação. Não obstante, para se compreender a paisagem da praia do Areião de maneira satisfatória, foram obdecidas etapas no estudo. Primeiramente foi elaborado um levantamento teórico-conceitual do conceito de paisagem em geografia, seguindo os objetivos do presente trabalho. Nesse sentido, adota-se a classificação em unidades de paisagem proposta por Bertrand (1972). Posteriormente, foi compreendida a estrutura da paisagem, mostrando a distribuição espacial em planta dos fenômenos encontrados na área de estudo. Delimitou-se assim, quatro compartimentos na praia. Em seguida, a sazonalidade dos elementos da paisagem foi evidenciada através da fisiologia da paisagem. Neste aspecto, ressaltou-se a análise pautada nas interpretações dos dados de variabilidade da morfologia dos perfis e da granulometria, bem como suas interações com os elementos antrópicos. Neste momento, identificou-se a influência do trapiche na dinâmica da paisagem. Acredita-se que o trapiche cria uma zona de proteção, onde a ação das marés é atenuada no tocante aos processos erosionais que atingem a praia. Além disso, as análises da média granulométrica e do grau de seleção evidenciaram que existem duas células de transporte sedimentar. A primeira antes do trapiche, onde estão localizados os perfis 1 e 2. E a segunda após o trapiche, na área de localização dos perfis 3, 4 e 5. Desenvolvida a compreensão da estrutura e da fisiologia da paisagem, partiu-se para a classificação da praia do Areião em unidades de paisagem. A praia foi classificada na escala do Geosssistema, sendo subdividida em Geofácies Ie, IIa1, IIa2, IIa3, IIIe, IIIa, IVe e IVa. Na definição de cada Geofácies, objetivou-se pontuar, em uma escala espaço-temporal de detalhe, a inter-relação entre os elementos físicos e antrópicos atuantes em cada unidade de paisagem. Para tal definição, houve o cruzamento dos dados da morfologia e da granulometria com as análises qualitativas desenvolvidas através das observações in locu.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos em Microplásticos de Praias do Litoral Brasileiro(Universidade Federal do Pará, 2021-07-30) BRANCO, Felipe Ohade Lopes; CORRÊA, José Augusto Martins; http://lattes.cnpq.br/6527800269860568Quando introduzidos no ambiente, os materiais plásticos podem ter vários destinos, sendo um deles a fragmentação. A contínua degradação e fragmentação dos materiais plásticos origina os chamados microplásticos (MP), partículas com tamanhos que variam de 5 mm a 1 μm de grande potencial de dispersão. Quando em ambientes poluídos, os microplásticos tendem a se tornar superfícies de adsorção para poluentes hidrofóbicos de forma mais eficiente do que partículas sólidas naturais, como os Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA). Os HPA são poluentes orgânicos que podem ter sua origem tanto de forma natural quanto antrópica. Assim como os microplásticos, os HPA possuem uma alta persistência no meio ambiente, e por apresentarem propriedades mutagênicas e potencialmente carcinogênicas quando absorvidos pelo metabolismo humano e de organismos aquáticos são extremamente perigosos. Por sua característica tóxica e nociva à saúde ambiental e humana, dezesseis HPA são definidos como prioritários em estudos ambientais pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US EPA). Diversos estudos avaliaram a ocorrência de microplásticos e HPA individualmente em matrizes ambientais, mas ainda são poucos os que investigaram a associação desses dois poluentes. Sendo assim, especialmente no Brasil, existe uma necessidade de expansão de trabalhos a respeito dessa temática. O presente trabalho tem por objetivo investigar a ocorrência e concentração de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos em microplásticos presentes em sedimentos praiais de oito estados costeiros brasileiros, verificar sua composição e possíveis fontes dos compostos para os MP nas áreas estudadas, relacionando o acumulo dos MP e presença dos HPA considerando os fatores de uso de terra e socioambientais de cada região, e por fim avaliar o potencial tóxico e de contaminação dos HPA através dos MP para organismos aquáticos. Amostras de sedimentos superficiais foram coletadas na linha de maré alta das faixas praiais de locais potencialmente poluídos nas praias do Ver-o-Rio e Farol (PA), Iracema (CE), Boa Viagem (PE), Porto da Barra (BA), Curva da Jurema (ES), Arpoador e Botafogo (RJ), Praia Grande, Santos e São Vicente (SP), e Praia Grande (RS). Em laboratório utilizando uma solução hipersalina e um sistema de filtração, os MP foram separados dos sedimentos. Os HPA foram extraídos utilizando três tipos de microplásticos, sendo estes 0,2-0,3 g de fragmentos e pellets, e 0,02 g de EPS (isopor) e analisados em Cromatógrafo a Gás acoplado a um Espectrômetro de Massas com Triplo Quadrupolo (GC/MS/MS). Foi possível detectar quatorze dos dezesseis HPA estudados, onde a concentração total de HPA (Σ-HPA) variou de 0,25 a 71,60 ng g-1 entre as amostras e os tipos de MP. Na região Norte e Nordeste, as baixas concentrações (0,31 a 71,60 ng g-1) dos HPA nos MP aparentam estar relacionadas aos intensos processos hidrodinâmicos atuantes. As concentrações do Naftaleno nas amostras de isopor estiveram acima do Threshold Effect Level (TEL > 35) nas amostras coletadas em Pernambuco e Bahia, e próxima no Ceará (70,15, 36,97 e 33,28 ng g-1, respectivamente); sendo assim, efeitos nos organismos podem ocorrer devido a esse composto. As regiões Sudeste e Sul são as únicas que apresentaram estudos anteriores de HPA em MP, foi então possível realizar uma melhor comparação e discussão dos dados obtidos no presente estudo. As fontes de HPA para o meio e consequentemente para os MP foram atribuídas à contribuição antropogênica (petrogênica e pirogênica). As maiores concentrações de HPA foram encontradas nas amostras de isopor, sugerindo que esse tipo de MP pode ter considerável contribuição na dispersão desses contaminantes especialmente em locais mais poluídos. Por fim, conclui-se que os HPA estão presentes em todos os estados brasileiros estudados e sua ocorrência foi evidenciada pela adsorção deles em MP coletados em ambientes praiais. Esses contaminantes orgânicos originam-se tanto petrogênica como pirogenicamente, sendo as principais fontes para os locais avaliados são as atividades industriais e portuárias, o descarte inadequado de efluentes, e o escoamento superficial urbano por águas pluviais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Variabilidade morfo-sedimentar das Praias Estuarinas do Amor e dos Artistas (Ilha de Caratateua, Pará)(Universidade Federal do Pará, 2006-06) FARIAS, Daniel Ramôa; EL-ROBRINI, Maâmar; http://lattes.cnpq.br/5707365981163429As praias são ambientes muito dinâmicos e sensíveis, pois são formadas por material inconsolidado (areia e cascalho), que sofrem influência permanente de processos meteorológicos, hidrológicos, oceanográficos e antrôpicos, sendo estes responsáveis pelas transformações morfosedimentares. Os estudos sobre a variabilidade morfo-sedimentar dos ambientes praiais permitem, dentre outros aspectos, a identificação dos locais e dos períodos de maior/menor erosão e deposição existentes no ambiente praial, que servem também como proteção costeira para os ecossistemas adjacentes, atividades urbanas e como hábitat para várias espécies de animais e vegetais. As praias arenosas estuarinas do Amor e dos Artistas são localizadas na ilha de Caratateua, a cerca de 30km de Belém, que está inserida na região estuarina do golfão Amazônico, sob a influência do clima Equatorial Amazônico, com pluviosidade anual bastante elevada – 2.700 a 3.000 mm – e com dois períodos bem definidos: um menos chuvoso (Junho a Novembro) e um mais chuvoso (Dezembro a Maio), com os meses de Junho e Novembro considerados como de transição. A maré é do tipo meso e macro, cuja variação no período de sizígia está entre 3,65 e 4,7 m. A praias estuarinas do Amor e dos Artistas constituem-se de sedimentos arenosos holocênicos, assentados sobre o Grupo Barreiras e Pós–Barreiras como unidade geomorfológica de áreas de acumulação. Para o monitoramento da morfologia e da sedimentologia, foram realizados perfis transversais à linha de costa das praias do Amor e dos Artistas em quatro etapas de campo de acordo com a sazonalidade local – Outubro de 2003/2004 (seco), Fevereiro de 2004 (chuvoso) e Junho de 2004 (de transição) – num intervalo de 12 meses, onde, na Praia do Amor, foram feitos três perfis em cada etapa e na Praia dos Artistas um perfil por etapa, totalizando 148 amostras de areia (37 por etapa – 10 por perfil na Praia do Amor e 7 por perfil na Praia dos Artistas). Os resultados demonstram uma relativa variabilidade morfo-sedimentar praial, onde na praia do Amor o ambiente praial apresentou classificação de terraço de maré baixa com pequenas dunas e extensa zona de intermaré (210m), além da ocorrência de calhas, sangradouros e baixa declividade (β=0,95º). Já na praia dos Artistas, verificou-se características de ambiente praial reflectivo com falésias (~8m), estreita zona de intermaré (60m) e alta declividade (β=5,5º). A praia do Amor foi classificada como Terraço de Maré Baixa no período seco (Outubro/2003-2004) e Correntes de Retorno e Barras Transversais no período chuvoso (Fevereiro/2004) e de transição (Junho/2004). A praia dos Artistas é classificada como praia intermediária, com dois estágios morfológicos: Terraço de maré baixa, durante o período seco (Outubro/2003-2004), enquanto que no período chuvoso (Fevereiro/2004), o estágio morfológico intermediário foi de Banco e Calha Longitudinal, que possui como característica marcante a presença de zona de intermaré superior íngreme e presença de bancos e calhas, que estão localizados na zona de intermaré inferior/inframaré.
