Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia - PPGSA/IFCH
URI Permanente desta comunidadehttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/6622
O Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) é vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e foi aprovado pela CAPES no ano de 2002, ainda com o nome de Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais. Iniciou suas atividades no primeiro semestre de 2003, com o funcionamento da primeira turma de Doutorado. Atualmente o Programa oferece também curso de Mestrado Acadêmico.
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Tese Acesso aberto (Open Access) A pajelança quilombola em Benevides - Aurora do Pará: etnoidentidade e território(Universidade Federal do Pará, 2026-10-09) BORGES, Adão souza; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; LEMOS, Flávia Cristina Silveira; BELLOC, Márcio Mariath; SILVA JÚNIOR, Sebastião Rodrigues da; OLIVEIRA, Daniela Ribeiro de; RIBEIRO, Tânia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; http://lattes.cnpq.br/8132595498104759; http://lattes.cnpq.br/1570092596184654; http://lattes.cnpq.br/3931008488643780; http://lattes.cnpq.br/3340719766336945; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; https://orcid.org/0000-0003-4951-4435; https://orcid.org/0000-0003-0928-7557; https://orcid.org/0000-0001-7308-6990; https://orcid.org/0000-0003-2792-322X; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659A presente tese aborda a expressão religiosa denominada Pajelança Quilombola, praticada na comunidade Benevides, localizada em Aurora do Pará. Os protagonistas dessa manifestação são povos quilombolas, descendentes de ancestrais que atuaram nos antigos engenhos de açúcar do século XIX, conhecidos como Engenho do Aproaga e Engenho do Calixto. Com o objetivo de legitimar o território herdado, os quilombolas, em parceria com instituições de pesquisa, órgãos de reconhecimento étnico e agrário, além de movimentos sociais, realizaram a cartografia de seu território e instrumentalizaram suas cosmologias como forma de defesa territorial e dos usos tradicionais dos recursos naturais. Esses recursos encontram-se atualmente ameaçados pela expansão do agronegócio, por fazendas e pela atuação de mineradoras de caulim. A Pajelança Quilombola é compreendida nesta pesquisa como uma expressão religiosa de resistência, voltada à preservação das memórias ancestrais e à afirmação da etnoidentidade da comunidade. Essa prática realiza uma bricolagem e hibridização de elementos das religiosidades católica, da umbanda, da pajelança tradicional e do acompanhamento de espíritos ancestrais, que atuam na proteção dos recursos naturais do território quilombola. O protagonismo religioso dessa expressão é exercido pelo Pajé e pelas benzedeiras da comunidade, que mobilizam saberes botânicos e sagrados para a cura de enfermidades, reafirmando o papel central de saberes ancestrais e dinâmicos no dia a dia, na vida e na resistência quilombola.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A piedade popular foi o que sustentou a fé do povo: a experiência dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras, Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-03-06) SOUSA, Cintia Nayara Ribeiro de; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264; SILVA, Adriane dos Prazeres; PACHECO, Agenor Sarraf; LUCA, Taissa Tavernard de; http://lattes.cnpq.br/5223916677125110; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267; http://lattes.cnpq.br/8603721964124324; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/Esta dissertação tem como principal reflexão a experiência com o sagrado dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras (Pa), e a relação que esses especialistas populares estabeleceram e estabelecem com a hierarquia da igreja local, seus acordos, conflitos, proximidades e distanciamentos. No contexto simbólico-religioso mais amplo, no mundo social amazônico/marajoara há uma diversidade de cosmovisões, que inclui práticas de cura e benção, crença nos encantados e assombrações, o que podemos denominar como religiosidade afroindígena (Sarraf-Pacheco, 2024). As ladainhas são orações cantadas em latim e português, constituídas de oração principal e resposta. Elas são classificadas academicamente dentro das práticas do catolicismo popular (Macedo, 2008; Maués, 1995). Em Ponta de Pedras, as ladainhas são eventos religiosos e sociais, de reza e de festa, pois além do ritual, é comum ser sucedido por jantar, arraial, festa dançante com ou sem bebidas alcoólicas, brincadeiras e jogos, eram uma oportunidade para estreitar laços de amizade e sociabilidade. Os donos de santos (Maués, 1995) são os proprietários de imagens consideradas poderosas e milagrosas e, na medida em que também promovem suas festas e rezam suas ladainhas, o prestígio social e influência religiosa a eles se agregam. Portanto, as famílias eram os principais organizadores das festividades religiosas no período da desobriga em Ponta de Pedras (1737-1950). Até a década de 1950, com a vinda do primeiro sacerdote a morar no município, mas principalmente em 1963, com a criação da Prelazia de Ponta de Pedras, houve mudanças significativas no cotidiano dos rezadores e rezadoras de ladainhas. Dentre as várias ladainhas, seus rezadores e rezadoras, foram destacados três e suas sucessoras. A escolha se deu exatamente ao fato de haver continuidade temporal das orações. Foram destacadas: a família Amanajás, que organiza todos os anos a Trezena de Santo Antônio; a família Ferreira, Ribeiro e Baía que comemoram a festividade de São Miguel Arcanjo e, por fim, a família Benvindo dos Santos e Ramos, que celebra a ladainha de São Raimundo Nonato. A tradição, o dom e o sangue são citados como motivos para se manter as rezas de ladainhas vivas e o repasse de conhecimento é incentivado pelos membros mais velhos das famílias como uma herança espiritual. A metodologia utilizada foi qualitativa: pesquisa de campo com observação (Uriarte, 2012) e realização de entrevistas não-diretivas gravadas e registro de histórias de vida (Thompson, 1992), com acompanhamento do ritual das ladainhas junto às rezadoras atuais. Esta presença mais marcante dos membros do clero católico na cidade provocou reações e posicionamentos dos rezadores e rezadoras, cada um com seu protagonismo tomou decisões e escolhas que reverberaram nas festas atuais e nas suas respectivas sucessões, pois são vistos como exemplos a serem seguidos.Tese Acesso aberto (Open Access) A Rede de Mulheres das Marés e das Águas do litoral do Pará e a construção de um feminismo ecoterritorial nos maretórios(Universidade Federal do Pará, 2026-01-20) MOREIRA, Carla Cilene Siqueira; RIBEIRO, Tânia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; RIBEIRO, Tânia Guimarães; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; SARMENTO, Rayza; AMARAL, Telma; SANTOS, Patrícia da Silva; MANESCHY, Maria Cristina Alves; TEISSERENC, Maria José Aquino; OLIVEIRA, Ney Cristina Monteiro de; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; http://lattes.cnpq.br/2829775863179545; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; http://lattes.cnpq.br/5129734199358770; http://lattes.cnpq.br/1799861202638255; http://lattes.cnpq.br/4355112931326342; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; https://orcid.org/0000-0003-2367-553X; https://orcid.org/0000-0002-9817-7941; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-1908-7463; https://orcid.org/0000-0002-8091-5213A tese tem por objetivo central compreender as ações sociopolíticas, as práticas sociais e os conhecimentos e vivências das mulheres extrativistas costeiras e marinhas, no processo de mobilizações para criação da Rede de Mulheres das Marés e das Águas do Litoral do Pará e a atuação em defesa de seus maretórios nos manguezais da Amazônia paraense, e se nesse processo podem constituir uma alternativa social em diálogo com os feminismos ecoterritoriais do Sul (Svampa, 2021; 2025). Assim, a tese contribui com o registro e a análise do histórico da luta pela proteção dos manguezais na Amazônia, pois são destacados, neste contexto, os processos ocorridos nas reservas extrativistas marinhas do Pará e a atuação das mulheres e os discursos envolvidos tanto nas reivindicações por justiça socioambiental quanto nas ações do Estado. A análise parte das perspectivas da sociologia política, ecologia política, epistemologia feminista, ecologia política feminista, bem como de outros autores da crítica ao desenvolvimento. Este trabalho, portanto, soma esforços para compreender criticamente os sentidos das lutas e resistências que foram e estão sendo construídas nos maretórios e o protagonismo das mulheres das marés e das águas nesse contexto. Dessa forma, a partir de um estudo de caso, a tese analisa como as mulheres das marés e das águas estão construindo um feminismo ecoterritorial das marés, simultaneamente, situado, pois emerge de suas experiências específicas. Conectado, tendo em vista que se articula com outros movimentos e lutas. E, sobretudo, transformador, pois propõe outras formas de vida, economia, educação e relação com a natureza, mudando a vida das mulheres que fazem parte dele e de suas comunidades. A partir da construção de uma rede que se articula e atua de maneira multiescalar desenvolvendo sua epistemologia das emoções e dos afetos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ações Afirmativas para Indígenas Estudantes na Universidade Federal do Pará, Região Norte, Amazônia, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2026-02-25) BRAGA, Gabriel Silva; CARDOSO , Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; COSTA, Solange Maria Gayoso da; CAÑETE, Voyner Ravena; AMORAS, Maria do Socorro Rayol; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/2325286514501589; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/4427101624225075; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/; https://orcid.org/As ações afirmativas, no contexto do ensino superior brasileiro, constituem-se como políticas fundamentais para a promoção da diversidade nas universidades públicas, bem como caminhos para que novos sonhos possam ingressar em cursos de graduação e pós-graduação. O acesso massivo de populações indígenas ao ensino superior ocorreu, sobretudo, a partir dos anos 2000, com a implementação de reserva de vagas nas instituições públicas, cujo caráter adveio da luta organizada dos movimentos indígenas brasileiros para garantia de direitos. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), no que se refere à graduação, esse acesso acontece por meio do Processo Seletivo Especial (PSE), método de ingresso diferenciado, aprovado em 2009 em conselho universitário (a primeira oferta foi em 2010), o qual assegura duas vagas para indígenas em todos os cursos de graduação – no entanto, o começo da presença desses povos na UFPA se iniciou em 2006 no Programa de Pós-Graduação em Direito. Dessa maneira, esse estudo busca questionar como contextos de ações afirmativas, que estão presentes na UFPA, podem tensionar estudantes. Dessa maneira, possuo os seguintes focos: (a) analisar o Estado da Arte sobre as ações afirmativas para povos indígenas na UFPA e na Amazônia Legal; (b) discutir sobre como a relação entre identidade e homogeneização das diferenças entre os indígenas; (c) avaliar os dados institucionais sobre esses estudantes; (d) questionar como o acesso de indígenas acontece nos programas de pós-graduação da UFPA. Como estratégia de pesquisa, realizei conversas com quatro estudantes da UFPA – três da graduação, uma pessoa da pós-graduação. Para concretização desses objetivos, foi necessário levantamento bibliográfico para saber o que já foi produzido sobre a temática na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), com os seguintes descritores: “indígenas”, “ensino superior”, “ações afirmativas”, “políticas afirmativas” e “cotas”, com recorte em instituições da Amazônia Legal. Outrossim, a literatura consolidada sobre educação indígena e ações afirmativas no contexto universitário foram essenciais para embasamento teórico-metodológico. A pesquisa indica alguns caminhos importantes para caracterizar as ações afirmativas no contexto da UFPA: os avanços se estenderam para além da graduação, com políticas de acesso a programas de pós-graduação da universidade, mas nem todos os programas cumprem determinação legal de ofertar vagas para cotistas, conforme estipula a lei n.º 14.723/2023; a quantidade de produções sobre essa política pública em níveis de dissertação e tese no programas de pós da UFPA é insuficiente; no contexto da Amazônia Legal, há pouca produção sobre ações afirmativas para povos indígenas nas pós-graduações, o que impacta negativamente para aprimoramentos – reflexo da região norte ser a última do país a implementar cotas; não se estimula a valorização das diferenças entre os vários grupos indígenas que estudam na UFPA, mas sim uma homogeneização em torno de uma única identidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agarrada nos jogos de identidade quilombola: representatividade, conflitos e resistência no Arquipélago do Marajó(Universidade Federal do Pará, 2024-11-05) SANTOS, Paulo Henrique Santos dos; ZAMPARONI, Valdemir Donizette; http://lattes.cnpq.br/9786959916347562; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366Este trabalho aborda a agarrada, uma luta corporal presente dentro dos Jogos de Identidade Quilombola no arquipélago do Marajó, com foco nas comunidades de Salvaterra, Pará. O trabalho explora como essa prática, além da perspectiva lúdica e de competição, atua como um espaço de reafirmação identitária, resistência simbólica e política. A agarrada, presentemente ligada no cotidiano quilombola, é analisada sob diferentes óticas, desde seu valor simbólico até as tensões e disputas narrativas sobre ela. A pesquisa investiga também os conflitos fundiários e territoriais enfrentados pelas comunidades quilombolas, relacionando-os com a prática da Agarrada, que se torna um reflexo das lutas políticas e sociais em curso. A metodologia utilizada inclui entrevistas com lideranças quilombolas, observações participantes durante os jogos e análise documental, refletindo sobre a importância da agarrada não sobre o olhar desportivo, mas como um símbolo de resistência e mobilização comunitária. O estudo conclui que a luta quilombola transcende o campo da competição física, representando uma forma de resistência contra a exclusão e o apagamento da ancestralidade das comunidades quilombolas de Salvaterra.Tese Acesso aberto (Open Access) Arena pública, dominação e resistência em um território amazônico: o fórum de desenvolvimento sustentável das ilhas de Belém-PA (2006-2020)(Universidade Federal do Pará, 2020-11-24) LOPES, João Luiz da Silva; TEISSERENC, Maria José da Silva Aquino; http://lattes.cnpq.br/1799861202638255Neste estudo discute-se a maneira como as comunidades ribeirinhas insulares dos municípios de Belém e Acará, estado do Pará-Brasil, se mobilizaram e participaram da Arena Pública/Fórum de Desenvolvimento Sustentável das Ilhas, para reivindicar seus direitos concernentes a saúde, educação, saneamento, abastecimento de água, segurança pública, energia elétrica/solar, geração de renda e superação de sua invisibilidade. Para analisar essa problemática, adotou-se como quadro de análise a abordagem sociológica da ação coletiva de Daniel Cefaï, Veiga e Mota (2011), que privilegia as situações locais que estão na origem da constituição de arenas públicas. O estudo demandou uma abordagem qualitativa descritiva em que a coleta de informações/dados foi realizada através de conversa informal; observação participante em eventos como: reuniões, entregas de cestas básicas, brinquedos e material escolar, visitas e mutirões; pesquisa em documentos (projeto, planos, relatórios e atas de reuniões); e entrevistas abertas com atores das comunidades ribeirinhas insulares, do poder público, de instituições religiosas, ONGs e de pesquisa e extensão. Os resultados indicam que em um contexto territorial historicamente marcado por relações sociopolíticas clientelistas, é razoável considerar essa experiência de participação e mobilização como um evento importante, que se constitui como educação política, com aprendizagens significativas em direção à inclusão desse segmento subalternizado no processo de tomada de decisões referentes às políticas públicas de seu interesse. Essa mobilização se beneficiou do apoio essencial de técnicos de órgãos públicos, experts de universidades e políticos do campo progressista para encorajar a denúncia de injustiças herdadas da colonização, mantidas e atualizadas pelo sistema de dominação, com efeitos perversos impregnados no conjunto das relações com os atores do sistema de poder local – a que se chama de colonialidade. A mobilização enfrentou resistência de certa concepção que concebe as comunidades ribeirinhas insulares como atrasadas e fadadas ao desaparecimento. As estratégias dos ribeirinhos insulares contribuíram para uma politização dos desafios locais, mas foram limitadas por vários elementos, como a ausência de um aparato jurídico inovador, a desconsideração sobre a desigualdade das condições de participação, o uso de metodologias pouco adequadas, a falta de valorização do trabalho dos tradutores/mediadores, o não reconhecimento da diversidade de ontologias do sujeito, a incompreensão das diferentes cosmologias e epistemologias, fatores que funcionaram como obstáculos para que a mobilização colocasse em questão o sistema de dominação tradicional no qual se assenta o poder local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As “Donas” da feira: vivências de boieiras do Ver-o-Peso em Belém/PA(Universidade Federal do Pará, 2026-03-06) MELO, Andréa Silva de; DANTAS, Luísa Maria Silva; http://lattes.cnpq.br/1573989294603242; https://orcid.org/; OLIVEIRA, Daniela Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/3340719766336945; https://orcid.org/0000-0003-2792-322X; GÓMEZ, Guillermo Stefano Rosa; SILVA, Carlos Freire da; SANTOS, Patrícia da Silva; http://lattes.cnpq.br/6493056213953884; http://lattes.cnpq.br/7489756177996098; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; https://orcid.org/0000-0003-2902-9993; https://orcid.org/0000-0002-0202-8678; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311A presente dissertação de mestrado tem como objetivo conhecer as vivências de boieiras – que são mulheres que trabalham no setor alimentício e, predominantemente, pobres e negras – do Ver-o-Peso em Belém/PA diante do evento crítico da Covid-19 e do megaevento da COP 30, que foi realizada na capital em novembro de 2025. Foram realizadas entrevistas com doze trabalhadoras da feira do Ver-o-Peso, sendo uma do setor de polpas e sucos, uma do setor de refeição do calçadão da Castilhos França e dez boieiras, que são objeto do estudo e das quais cinco são donas de boxes e cinco são funcionárias de boxes no período compreendido de 2022 a 2024. Assim, buscamos, especificamente, mostrar que a pandemia desencadeou a interrupção das atividades laborativas e o fechamento do local, incidindo também sobre a atuação do Estado, por meio de políticas públicas de saúde e emprego, sobretudo durante o auge pandêmico. A adoção de estratégias de sobrevivência foi de suma importância para essas trabalhadoras, que são responsáveis por suas famílias e por seus locais de trabalho, como o trabalho escondido e a entrega de refeições por delivery e/ou aplicativos, que geraram estranhamento com o mundo digital e que a despeito dos auxílios fornecidos pelos governos municipal, estadual e federal, não foram capazes de suprir a renda familiar adquirida pelo trabalho constante e precarizado na feira. Com a notícia da escolha da cidade para ser a anfitriã da COP 30, a cidade de Belém passou por uma série de medidas preparativas como intervenções e reformas urbanas, principalmente na região central, onde está localizado o Ver- o-Peso, que consequentemente acarretaram no realojamento de vários setores e feirantes do lugar para um espaço provisório denominado de “Feira Provisória”, inclusive o setor das boieiras, causando conflitos e problemáticas, referentes ao novo local, à temperatura, modo de trabalho e sociabilidade. Apesar disso, as feirantes almejam um futuro melhor para a feira após a Cúpula do Clima que colocou a cidade em evidência internacional, mas também um futuro melhor para elas, como a conquista de seus boxes, trabalhar em outros lugares, obter a casa própria, descansar e ter mais tempo com suas famílias. Esse estudo socioantropológico é uma contribuição às pesquisas sobre comércio e feiras populares, abordando a questão de gênero e demais interseccionalidades que norteiam as vidas de boieiras no Ver-o-Peso, e adotou como perspectiva metodológica a análise qualitativa de inspiração etnográfica, utilizando roteiro semiestruturado, junto a feirantes do Ver-o-Peso e suas associações, aos órgãos de fiscalização e organização, além de outras fontes mobilizadas, como dados oficiais dos governos, das mídias jornalísticas e de institutos de pesquisa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bicicleta, mobilidades e itinerários: pensando o fazer urbano de mulheres que pedalam em Belém/Pará(Universidade Federal do Pará, 2024-11-08) TEODORO, Mayara Feitosa; DANTAS, Luísa Maria Silva; http://lattes.cnpq.br/1573989294603242; ECKERT, Cornelia; SOUSA, Rosinaldo Silva de; SILVEIRA, Flávio Leonel; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/7446126566413577; http://lattes.cnpq.br/1263109110578509; http://lattes.cnpq.br/1972975269922101; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/0000-0002-2815-7064; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/A pesquisa discute relações entre mulheres e mobilidade por bicicleta em Belém do Pará. Analisa narrativas de três mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte e ferramenta de trabalho; explora como elas se apropriam do espaço urbano e os sentidos e significados presentes nessas práticas. Através da observação direta e participante e da produção e reflexão de narrativas biográficas, o trabalho visibiliza a diversidade de usos da bicicleta em Belém, mesmo que ainda seja marcada por uma presença majoritariamente masculina. As histórias de Nayane, Renata e Suelen destacam o uso da bicicleta enquanto um instrumento de empoderamento, resistência e transformação pessoal; permite que elas criem estratégias e negociem seus espaços na cidade, e desafiem desigualdades de gênero. Nas narrativas produzidas na pesquisa, a bicicleta não é apenas meio de transporte, mas também extensão do corpo, objeto de memória afetiva e símbolo de liberdade.Tese Acesso aberto (Open Access) Bio-etnografias do cuidar: vozes, memórias e ambientes das artesãs do cuidado em universos multissituados da Amazônia paraense(Universidade Federal do Pará, 2026-05-22) SANTOS, Leonardo Silveira; LUCAS, Flávia Cristina Araújo; http://lattes.cnpq.br/4286675736752972; https://orcid.org/0000-0002-0752-7206; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; CHAVES, Andréa Bittencourt Pires; CAÑETE, Voyner Ravena; JEROME, Laurent; CABRAL, Jimmy Sudário; RIBEIRO, Tânia Guimarães; SANTOS, Seidel Ferreira dos; http://lattes.cnpq.br/2807941293114021; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/0987540213617485; http://lattes.cnpq.br/5534543538363263; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; http://lattes.cnpq.br/6531723156764196; https://orcid.org/0000-0003-0247-9265; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; https://orcid.org/Esta tese analisa, a partir de abordagens bioetnográficas, as práticas de cuidado, cura e proteção tecidas por mulheres, as “artesãs do cuidado”, em múltiplos contextos da Amazônia paraense. O estudo aborda como esses saberes emergem de modos de vida ancestrais e tradicionais, profundamente conectados às dimensões ambientais, simbólicas e socioculturais. Metodologicamente, a pesquisa multissituada articula narrativas biográficas, técnicas etnográficas e o diálogo com coletivos da Terra Indígena Sororó, da ilha do Combu e da ilha de Itapuá, partindo do entendimento de que o fazer biográfico também se constrói de forma coletiva. Os resultados indicam que as práticas dessas artesãs configuram ecossistemas dinâmicos e vivos de conhecimento, marcados pela criatividade, pela bricolagem e pela incorporação de entes, em um processo aqui compreendido como “antropofagia do cuidado”. Tais práticas evidenciam sistemas locais de saúde nos quais o cuidado, entendido como um conjunto integrado de ações de cura e proteção, se realiza de forma relacional, articulando corpo, território, memória, crenças e religiosidades. A pesquisa demonstra, ainda, as tensões entre esses saberes e as políticas públicas de saúde, sobretudo em razão das dificuldades de diálogo com a biomedicina promovida pelo Estado diante das especificidades socioculturais locais, o que pode resultar em processos de deslegitimação e colonialidade. Desse modo, esta tese apresenta as artesãs do cuidado como protagonistas das práticas de saúde na Amazônia, evidenciando a necessidade de reconhecimento, valorização e construção de diálogos entre seus saberes e as políticas públicas, em direção a uma abordagem mais plural, sensível e intercultural da saúde coletiva.Tese Acesso aberto (Open Access) A Braz é (e) quem ‘a faz’: paisagens de poder, experiências e apropriações na avenida Braz de Aguiar, em Belém (PA), Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2023-03-31) OLIVEIRA, Enderson Geraldo de Souza; SILVEIRA, Flávio Leonel Abreu da; http://lattes.cnpq.br/1972975269922101Nesta pesquisa observo as vivências e experiências de sujeitos na avenida Braz de Aguiar, bairro de Nazaré, considerado um dos mais destinados às camadas médias de Belém do Pará, Amazônia (achei estranho isso. Talvez “um dos bairros de maior status”). Levando em conta que as paisagens são construções processuais (SANSOT, 1983; SILVEIRA, 2004; ECKERT, 2009; ECKERT e ROCHA, 2013), me atento principalmente ao estabelecimento de “paisagens de poder” (ZUKIN, 1996), que são provocadas e/ ou se coadunam às práticas dos sujeitos. Tais poderes, em especial o econômico, se expressam nos habitus (BOURDIEU, 1983), perceptíveis mediante a realização da Etnografia de Rua (ECKERT e ROCHA, 2013) e da Etnografia da Duração (ECKERT e ROCHA, 2013). Na via, os serviços eram e ainda são direcionados a uma camada financeiramente mais privilegiada da cidade, com maior poder de consumo, aquisitivo e status, algo fundamental na construção e manutenção de certa “distinção” no contexto belenense. A Braz, então, torna-se um “espaço geográfico socialmente hierarquizado” (BOURDIEU, 2007), em que o ócio (VEBLEN, 1965) parece ser mais possível de ser praticado, mas não por todos. Em conjunto, isto aponta para o stabelecimento de processos específicos de sociabilidade e sociação (SIMMEL, 1983) no mundo urbano belenense, em que é necessário discutir também a forma “aristocrática” como alguns indivíduos aderem/(re)criam tal fisionomia urbana contemporânea e como a avenida é referida e representada nas redes sociais.
