Teses em Agriculturas Amazônicas (Doutorado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/17911
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Tese Acesso aberto (Open Access) Parentesco e renovação do patrimônio territorial camponês: diversidade de expressões em comunidades tradicionais no Médio Mearim, Maranhão(Universidade Federal do Pará, 2026-07-04) NASCIMENTO, Aline Souza; PORRO, Noemi Sakiara Miyasaka; http://lattes.cnpq.br/3982338546545478; PORRO, Roberto; http://lattes.cnpq.br/2282097420081043; https://orcid.org/0000-0003-4133-0068; BARBOSA, Viviane de Oliveira; BENATTI, José Heder; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/5697398324818667; http://lattes.cnpq.br/6884704999022918; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611; https://orcid.org/0000-0002-3555-7461; https://orcid.org/0000-0003-1159-912XNesta tese, analisamos regras e processos associados à herança em duas comunidades tradicionais do Médio Mearim, no Maranhão, região de escravização tardia, que passou por intensos conflitos fundiários. Formado a partir da desestruturação de fazendas escravistas, de deslocamentos forçados e, mais recentemente, de mobilizações por direitos que resultaram na recuperação do acesso à terra, o campesinato no Médio Mearim possui expressões territoriais diferenciadas, com arranjos e formas específicas de apropriação, uso e herança da terra. Com o intuito de analisar a diversidade de expressões territoriais existentes, estudamos duas comunidades construídas a partir da reapropriação do espaço por um campesinato negro e da sua fusão étnica com outros grupos sociais. Localizadas nos municípios de Bacabal e Lima Campos, Aldeia de Odino conta com famílias que passaram a ser beneficiárias de terras regularizadas como Projeto de Assentamento na década de 1980, enquanto as famílias de Nova Olinda são proprietárias tituladas e autorreconhecidas como comunidade remanescente de quilombos. Nesta tese, observamos territorialidades que tensionam os normativos estatais de regularização fundiária, ao evidenciarem suas limitadas possibilidades de reconhecimento de direitos, e questionamos a adoção de modalidades fundiárias que homogenizam as formas de apropriação e uso da terra. Como aporte teórico, nos apoiamos na proposição de zonas de fragmentação para entendermos o processo de formação das comunidades estudadas, assim como a abordagem sobre infrapolítica, para compreendermos os múltiplos mecanismos criados para escaparem do controle estatal e que, ainda que não intencionalmente, se tornam modos de resistência quilombola. Tais aportes são articulados aos conceitos de parentesco, patrimônio e herança, pois as estratégias locais não estão dissociadas da necessidade de constituição de um patrimônio que possa ser transmitido aos descendentes. O estudo está embasado em consulta bibliográfica e documental, combinada a entrevistas semiestruturadas e interativas. As experiências e vivências das comunidades tradicionais permitiram construir uma forma específica de habitar suas terras, não assentada fundamentalmente no uso comum, desafiando a compreensão do que convencionou-se entender como territorialidade negra. Constatamos que o uso comum ou a posse comum não podem ser tratadas como uma característica essencialista do negro ou do camponês, mas resultado de relações social e economicamente construídas. Também argumentamos que a herança, na perspectiva dos grupos estudados, tem obedecido a critérios estabelecidos em contextos locais de partilha, assim como normas legais têm sido acionadas para validar práticas costumeiramente adotadas.Tese Acesso aberto (Open Access) Visagens, mizuras, aparições: aspectos da ontologia ribeirinha na ilha Saracá, município de Limoeiro do Ajuru, estado do Pará(Universidade Federal do Pará, 2024-07-04) CHAVES, Genisson Paes; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407; CARDOSO, Denise Machado; CARDOSO, Thiago Mota; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; GUERRERO, Natalia Ribas; TORRES, Maurício Gonsalves; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; http://lattes.cnpq.br/4160103099571815; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880; http://lattes.cnpq.br/2929109944619542; http://lattes.cnpq.br/3514108376561503; https://orcid.org/0000-0002-7220-7487; https://orcid.org/0000-0003-3349-4273Os ribeirinhos da ilha Saracá, localizada no município de Limoeiro do Ajuru, no estado do Pará, acreditam que o mundo em que vivem é também habitado por seres não-humanos. Estes seres se descortinam quando querem e aparecem na forma que querem porque possuem vontades próprias. Nesta tese buco compreender as relações estabelecidas entre estes dois conjuntos de seres que habitam a mesma ilha, utilizam os mesmos rios, pisam no mesmo chão, nas mesmas folhas, enxergam as mesmas árvores e que vivem “vidas” que se entrelaçam. Fundamento minhas análises em um vasto material de pesquisa que revela a existência de seres não-humanos (GALVÃO, 1955; MAUÉS, 1990, FIGUEIREDO, 2009, VAZ FILHO e CARVALHO, 2013), presentes em diferentes contextos amazônicos e de outras partes do Brasil. O estudo foi construído seguindo os pressupostos metodológicos das ciências sociais, particularmente da antropologia, apoiando-se na autoetnografia e na etnografia. Nesse sentido, fiz entrevistas estruturadas, observações diretas e participantes, bem como o uso de registros fotográficos. Os dados sugerem que a ilha Saracá é a morada das visagens, das mizuras, das aparições e de outros seres. Assim como nós, eles fazem o que bem entendem. Alguns são maus, bons, outros não se sabe ao certo qual é sua índole, pois apenas aparecem sem dizer nada e assim como aparecem, desaparecem. Estas narrativas são importantes, na medida em que agenciam a vida das pessoas, isto é, moldam suas decisões, afetam o seu cotidiano. Por outro lado, são dotadas de significados simbólicos e morais, sugerindo a existência de um conjunto de seres ainda por explorar e revelando o acervo imaterial de uma comunidade tradicional amazônica que guarda similitudes com outras desta mesma região.
