Geologia e eventos mineralizantes do depósito Cupro-Aurífero Santa Lúcia, Província Mineral de Carajás (PA), Cráton Amazônico

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08-08-2025

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BRASIL, Fábio Luiz Moreira. Geologia e eventos mineralizantes do depósito Cupro-Aurífero Santa Lúcia, Província Mineral de Carajás (PA), Cráton Amazônico. Orientador: Carlos Marcello Dias Fernandes. 2025. xxi. 83 f. Dissertação (Mestrado em Geoquímica e Petrologia) - Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica. Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: . Acesso em:.

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A Província Mineral de Carajás, no sudeste do Cráton Amazônico, abriga depósitos metálicos de relevância global, destacando-se os sistemas mineralizantes de cobre e ouro. Este trabalho combinou dados estratigráficos, análises petrográficas, microscopia de minérios e espectroscopia de infravermelho (VNIR–SWIR) para investigar os produtos das alterações hidrotermais e sua relação com as zonas mineralizadas do depósito cupro-aurífero Santa Lúcia (Oz Minerals Brasil), situado na região do município de Canaã dos Carajás, sul do estado do Pará. Foram realizadas descrições em lâmina delgada e seção polida para caracterizar as litologias e paragêneses minerais. Em seguida, foram analisadas 84 amostras por espectroscopia de infravermelho, resultando em 422 espectros processados no software proprietário Spectragryph 1.2, utilizando a biblioteca espectral de minerais e misturas da USGS (versão 7). Este depósito, localizado no extremo sudeste da província, ocorre em um contexto estrutural controlado por zonas de cisalhamento, sendo hospedado por riolito afírico e matriz sílicofeldspática; granodiorito milonítico com foliação bem desenvolvida e quartzo estirado; pegmatitos zonados com cristais de feldspato potássico; e anfibolitos com hornblenda e plagioclásio bem preservados e, subordinadamente, turmalinas finamente granuladas associadas a bandas quartzo-feldspáticas. Essas rochas revelam múltiplos pulsos mineralizantes, acompanhados por superposição de tipos e estilos distintos de alteração hidrotermal. A mineralização, dominada por calcopirita, com subordinadas pirita, bornita e galena, ocorre em diferentes estilos. Inclui veios e vênulas paralelos ou discordantes à estrutura da rocha; como preenchimento de fraturas; como brechas hidrotermais cimentadas por sulfetos; ou como disseminações finas na matriz das rochas hospedeiras e mineralização maciça de calcopirita em profundidade de até 80 metros. Os minerais de alteração mais frequentes são muscovita, clorita, epídoto, calcita, microclina, além de argilominerais como caulinita e montmorillonita. A distribuição desses minerais está em consonância com os domínios de alteração potássica, propilítita, carbonática e sericítica identificados em lâmina delgada. As variações na largura e posição das bandas espectrais permitiram identificar zonas com diferentes graus de cristalinidade, refletindo a atuação sucessiva de fluidos hidrotermais sob distintas condições físico-químicas, incluindo os corpos pegmatíticos. A integração dos dados litológicos, estruturais, espectrais e mineralógicos permitiu a construção de um modelo evolutivo paragenético, que evidencia a atuação de um sistema hidrotermal multifásico. As características do depósito, tais como ambiente redutor, predominância de sulfetos, baixa concentração de óxidos de ferro e associação com elementos como Ni, Co e ETR leves, indicam afinidade com sistemas do tipo ISCG (iron sulfide copper-gold). Dados oficiais da empresa indicam que o depósito Santa Lúcia apresenta recursos medidos de 5,8 Mt@2,1 % Cu, 0,35 g/t Au e 4,8 g/t Ag, com vida útil estimada em 8 anos, reforçando seu potencial econômico. Assim, os resultados desta pesquisa fornecem subsídios relevantes para a compreensão dos processos mineralizantes no depósito Santa Lúcia, bem como ressaltam o potencial da espectroscopia de infravermelho como ferramenta analítica na delimitação de zonas de alteração e no entendimento de sistemas hidrotermais complexos. O trabalho também evidencia a atuação de múltiplos pulsos mineralizantes, associados a distintos estágios de alteração hidrotermal e eventos estruturais sucessivos, que contribuíram para a complexidade e zonalidade do sistema. A identificação de afinidades com sistemas do tipo ISCG é particularmente relevante para a Província Mineral de Carajás, onde esse tipo de mineralização ainda é pouco caracterizada em relação aos depósitos IOCG, ampliando o espectro de modelos exploratórios aplicáveis à região.

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