Exercício físico, criatividade, inibição e humor: interseções entre Neurociências, Ciências do Exercício e Educação

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25-02-2026

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SEABRA, Adriene Damasceno. Exercício físico, criatividade, inibição e humor: interseções entre Neurociências, Ciências do Exercício e Educação. Orientador: João Bento Torres Neto. 2025. 109 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) - Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18603. Acesso em:.

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No cenário educacional do século XXI, destaca-se a importância do desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, como criatividade, controle inibitório e regulação emocional, para a promoção de ambientes de aprendizagem mais inovadores, críticos e reflexivos. A criatividade configura-se como uma habilidade essencial para a resolução de problemas complexos e a diferenciação profissional, enquanto a literatura científica aponta o exercício físico como uma estratégia que favorece a saúde cerebral e aprimora funções cognitivas e emocionais. No entanto, as repercussões do exercício sobre a criatividade e o desempenho docente ainda carecem de investigações. Esta tese investiga os efeitos do exercício físico sobre a criatividade, o controle inibitório e os estados de humor, articulando fundamentos das neurociências, ciências do exercício e educação. A pesquisa é composta por três estudos independentes e complementares. O primeiro, uma revisão narrativa da literatura, discute os efeitos do exercício físico sobre a criatividade e suas aplicações educacionais. A revisão aponta que o exercício, especialmente em intensidade moderada a vigorosa, pode ser uma ferramenta promissora para estimular a criatividade, principalmente em crianças e adolescentes. O segundo estudo realiza uma meta-análise sobre os efeitos do exercício físico nos subcomponentes do pensamento divergente: originalidade, fluência e flexibilidade. A busca identificou vinte e nove estudos, sendo dez incluídos na meta-análise. Os resultados indicam ausência de efeito significativo do exercício agudo sobre originalidade e fluência, mas demonstram efeito positivo moderado na flexibilidade (SMD = 0,588; p = 0,006). Para o exercício crônico, observou-se efeito pequeno na fluência (SMD = 0,336; p = 0,042) e moderado nos escores totais de criatividade (SMD = 0,532; p < 0,001). A alta heterogeneidade dos estudos e a falta de clareza sobre a dose-resposta reforçam a necessidade de mais pesquisas experimentais. O terceiro estudo, núcleo experimental da tese, consiste em um ensaio clínico cruzado com professores universitários atuantes em sessões de Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL). Avalia os efeitos agudos de uma sessão de exercício físico sobre a criatividade, o controle inibitório e os estados de humor. Os participantes são submetidos a duas condições (exercício e controle), em momentos distintos, com período de washout de 72 horas. As variáveis são mensuradas imediatamente após a intervenção e ao final da sessão tutorial. A análise estatística utiliza modelos lineares de efeitos mistos, com significância de p ≤ 0,05. Os resultados indicam redução do tempo de resposta no teste Flanker na condição incongruente (p = 0,011) e prevenção da queda de acurácia na condição controle (p = 0,018). Observa-se aumento do vigor (p < 0,001) e redução da fadiga (p = 0,049) e da tensão (p = 0,027), sem efeitos significativos sobre a criatividade. Conclui-se que o exercício físico de curta duração apresenta efeitos positivos sobre o controle inibitório e os estados de humor de professores universitários, sugerindo sua viabilidade como estratégia complementar para a otimização do desempenho docente no ensino superior.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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