Onde as nossas palavras nascem: um estudo sobre a função-autor constituída em textos acadêmicos escritos por professores

Imagem de Miniatura

Tipo

Data

20-06-2023

Grau

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Tema

Eixo temático

Tipo de acesso

Acesso AbertoAttribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 Internationalaccess-logo

Agência de fomento

Contido em

Citar como

SILVA, Lia Barile da. Onde as nossas palavras nascem: um estudo sobre a função-autor constituída em textos acadêmicos escritos por professores. Orientador: Thomas Massao Fairchild. 2023. 188 f. Tese (Doutorado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18829. Acesso em:.

DOI

Nesta tese, buscamos compreender o funcionamento da função-autor em trabalhos acadêmicos escritos por professores, observando o modo como referências teóricas são incorporadas ao texto. Perguntamos: a) de que modo o professor demonstra lidar com a função-autor ao manejar as palavras de outros autores; b) de que modo esse manejo contribui para a constituição de sua própria autoria (do professor). O conceito de autoria foi construído pela conjunção de diferentes perspectivas, começando pela de Foucault (1969, 1971, 2015), segundo a qual o autor é uma “função” ou lugar que se ocupa nos discursos e que permite ao sujeito exercer determinadas funções. A segunda é encontrada em Bakhtin (2009, 2015), que, na perspectiva dialógica e polifônica, aborda a relação do autor com as diversas vozes que participam do texto. Finalmente, recorremos aos autores que debatem as relações do sujeito com o conhecimento e, por conseguinte, as tensões exercidas sobre a autoria em textos acadêmicos, como Barzotto (2011, 2014, 2015,2016), Fabiano (2007, 2014, 2015) e Fairchild (2008, 2013, 201, 2022). A estes autores, foram articulados, subsidiariamente, as noções de Heterogeneidade Mostrada e Constitutiva, de Authier-Revuz (1998, 2004), e a diferenciação entre locutores e enunciadores, conforme a teoria polifônica de Ducrot (1987). O corpus foi constituído por 30 artigos científicos da área do Ensino de Línguas, vinculados à Universidade Federal do Pará e à Universidade do Estado do Pará, produzidos por professores formados em Letras, pós-graduados, que trabalham no Ensino Básico. Destes artigos, nos ativemos à análise das seções dedicadas à fundamentação teórica. A análise se fundamentou nas categorias da “inserção” e da “apropriação”, sendo que, na primeira, descrevemos os mecanismos linguísticos pelos quais as palavras dos autores são introduzidas no texto e, na segunda, discutimos os efeitos de sentido produzidos. A análise foi organizada de acordo com três recortes distintos do corpus: análise dos casos contabilizados de autonímia explicitamente constituída nos textos, análise das formas de encadeamento dos autores citados no texto e análise dos procedimentos de construção das paráfrases. O objetivo geral foi compreender como as formas de inserção e de apropriação das palavras do outro nas produções acadêmicas de professores manifestam um reconhecimento da função-autor por parte daquele que escreve o texto e, consequentemente, como contribuem para a constituição do próprio professor enquanto autor de seu texto. Como objetivos específicos, buscamos: a) analisar quantitativamente o volume de texto que pode ser atribuído a outros em comparação com o volume de texto atribuído ao próprio autor; b) discutir de que forma a introdução das palavras do outro ajuda o professor a construir sua própria autoria; c) analisar os efeitos de sentido produzidos pelas formas de encadeamento dos autores citados no texto; d) confrontar as palavras dos autores tal como apropriadas pelo escritor citante com os textos originais citados para verificar como as paráfrases são construídas; e) relacionar as características textual-discursivas encontradas na análise do corpus aos processos de proletarização da docência. Para isso, partimos das seguintes hipóteses de pesquisa: i) há pouca variedade nas formas de introdução e referências teóricas, geralmente utilizadas apenas para fortalecer as posições assumidas pelo escritor citante; ii) a quantidade de autores citados e a forma como são encadeados diminui a participação do escritor citante no texto que escreve; iii) a constituição das paráfrases compromete a produção de dizeres que possam ser atribuídos aos escritores dos textos analisados. As análises mostraram que a primeira hipótese não se confirmou por inteiro, uma vez que se observou uma clara tendência pela diversificação dos modos de introduzir o discurso alheio no plano da inserção. Já a segunda hipótese foi confirmada, pois constatamos que o autor dos textos assume um papel de “cicerone” dos teóricos que chama para encenar em sua escrita e a forma como são encadeados sinaliza pouca mediação entre eles (autores já constituídos) e aquele que os cita, assim como com o conhecimento já produzido na área. A terceira hipótese também se confirmou, à medida em que as paráfrases se mostraram marcadas pela cópia, por gestos interpretativos constituídos pela distorção ou contradição com o dizer alheio. A análise nos levou um pouco adiante, pois mostrou também que o posicionamento implícito do autor citante leva a distorcer as palavras do autor citado. Pudemos, ao fim, relacionar essas características dos textos a um processo de proletarização do docente (APPLE, 1989), já que se interpretam os movimentos de escrita nesses textos assinados por um professor à luz de um lugar de pouca autoridade para a manifestação de seu dizer

browse.metadata.ispartofseries

Área de concentração

País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará

Sigla(s) da(s) Instituição(ões)

UFPA

item.page.isbn

Fonte

1 CD-ROM

item.page.dc.location.country

Fonte URI

Disponível na internet via correio eletrônico: bibletras@ufpa.br