Teses em Letras (Doutorado) - PPGL/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/6713
O Doutorado Acadêmico iniciou-se em 2012 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Tese Acesso aberto (Open Access) A semovência da poesia da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2023-08-24) PANTOJA, Roberta Isabelle Bonfim; CASTILO, Luís Heleno Montoril del; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125; https://orcid.org/0000-0002-2507-5346; CASTILO, Luís Heleno Montoril del; FARES, Josebel Akel; SANTOS, Josiclei de Souza; SANTOS JÚNIOR, Luiz Guilherme dos; NUNES, Paulo Jorge Martins; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125; http://lattes.cnpq.br/1177199217893227; http://lattes.cnpq.br/7588985867886177; http://lattes.cnpq.br/1266664476541392; http://lattes.cnpq.br/4987306548638650; https://orcid.org/0000-0002-2507-5346; https://orcid.org/0000-0003-2384-0582A poesia não se fixa, atravessa e é atravessada pelos movimentos dos textos e das culturas, desliza pela e com as Artes Plásticas, Literatura, Música e Cênicas. Como condição de sua existência, o homem usa a linguagem como instrumento mágico para expressão de suas subjetividades. A poesia semove as palavras grávidas de sentido, transfigura o mundo. Pensar esse movimento é observar como a poesia figura socialmente na história de um espaço-tempo, as diferentes maneiras em que se manifesta. Nesse trajeto, não é possível traçar corpo fixo da palavra semovente, tampouco se pode discernir onde termina seu movimento. Contínuo. Em cada um de seus suportes a poesia se expressa de modo completo. E em cada um está presente todos os outros. Na letra enformada na página há a voz que se repete, circula e desdobra. A relação voz-letra tende a e se distende em letra-voz, e se fortifica segundo um movimento sustentado em si mesmo. Isso justifica esta tese, de uma Semovência como forma de persistência de uma poesia, que divide nessas formas sua matéria em voz de um lado e letra de outro, como pares e não opostos. Esta tese se compõe de seções semoventes em que o gênero ensaio prevalece sobre a metodologia monografada. Seu corpus vem de poemas de Max Martins, Paes Loureiro, Vicente Franz Cecim e Bruno de Menezes. Reside também fora do escrito, em Semovência gravada disponível em um link, e de ensaios fotográficos assumidos como escritura. Para pensar esta tese, vemos e ouvimos as palavras que ressoam dos estudos de Paul Zumthor (1993), (2010), (2014), Octavio Paz (2012), (2018) e Gaston Bachelard (1986), (2001), (2018).Tese Acesso aberto (Open Access) Onde as nossas palavras nascem: um estudo sobre a função-autor constituída em textos acadêmicos escritos por professores(Universidade Federal do Pará, 2023-06-20) SILVA, Lia Barile da; FAIRCHILD, Thomas Massao; http://lattes.cnpq.br/1771292039081039; FAIRCHILD, Thomas Massao; PESSOA, Fátima Cristina da Costa; BARZOTTO, Valdir Heitor; CAMPOS, Sulemi Fabiano; RODRIGUES, Isabel Cristina França dos Santos; SILVA, Herodoto Ezequiel Fonseca da; http://lattes.cnpq.br/1771292039081039; http://lattes.cnpq.br/4011084861970140; http://lattes.cnpq.br/9127475410589664; http://lattes.cnpq.br/4256675396235128; http://lattes.cnpq.br/0226549641470972; http://lattes.cnpq.br/7403548875603152; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-7212-0621; https://orcid.org/0000-0001-5750-5868; https://orcid.org/0000-0001-8832-2589Nesta tese, buscamos compreender o funcionamento da função-autor em trabalhos acadêmicos escritos por professores, observando o modo como referências teóricas são incorporadas ao texto. Perguntamos: a) de que modo o professor demonstra lidar com a função-autor ao manejar as palavras de outros autores; b) de que modo esse manejo contribui para a constituição de sua própria autoria (do professor). O conceito de autoria foi construído pela conjunção de diferentes perspectivas, começando pela de Foucault (1969, 1971, 2015), segundo a qual o autor é uma “função” ou lugar que se ocupa nos discursos e que permite ao sujeito exercer determinadas funções. A segunda é encontrada em Bakhtin (2009, 2015), que, na perspectiva dialógica e polifônica, aborda a relação do autor com as diversas vozes que participam do texto. Finalmente, recorremos aos autores que debatem as relações do sujeito com o conhecimento e, por conseguinte, as tensões exercidas sobre a autoria em textos acadêmicos, como Barzotto (2011, 2014, 2015,2016), Fabiano (2007, 2014, 2015) e Fairchild (2008, 2013, 201, 2022). A estes autores, foram articulados, subsidiariamente, as noções de Heterogeneidade Mostrada e Constitutiva, de Authier-Revuz (1998, 2004), e a diferenciação entre locutores e enunciadores, conforme a teoria polifônica de Ducrot (1987). O corpus foi constituído por 30 artigos científicos da área do Ensino de Línguas, vinculados à Universidade Federal do Pará e à Universidade do Estado do Pará, produzidos por professores formados em Letras, pós-graduados, que trabalham no Ensino Básico. Destes artigos, nos ativemos à análise das seções dedicadas à fundamentação teórica. A análise se fundamentou nas categorias da “inserção” e da “apropriação”, sendo que, na primeira, descrevemos os mecanismos linguísticos pelos quais as palavras dos autores são introduzidas no texto e, na segunda, discutimos os efeitos de sentido produzidos. A análise foi organizada de acordo com três recortes distintos do corpus: análise dos casos contabilizados de autonímia explicitamente constituída nos textos, análise das formas de encadeamento dos autores citados no texto e análise dos procedimentos de construção das paráfrases. O objetivo geral foi compreender como as formas de inserção e de apropriação das palavras do outro nas produções acadêmicas de professores manifestam um reconhecimento da função-autor por parte daquele que escreve o texto e, consequentemente, como contribuem para a constituição do próprio professor enquanto autor de seu texto. Como objetivos específicos, buscamos: a) analisar quantitativamente o volume de texto que pode ser atribuído a outros em comparação com o volume de texto atribuído ao próprio autor; b) discutir de que forma a introdução das palavras do outro ajuda o professor a construir sua própria autoria; c) analisar os efeitos de sentido produzidos pelas formas de encadeamento dos autores citados no texto; d) confrontar as palavras dos autores tal como apropriadas pelo escritor citante com os textos originais citados para verificar como as paráfrases são construídas; e) relacionar as características textual-discursivas encontradas na análise do corpus aos processos de proletarização da docência. Para isso, partimos das seguintes hipóteses de pesquisa: i) há pouca variedade nas formas de introdução e referências teóricas, geralmente utilizadas apenas para fortalecer as posições assumidas pelo escritor citante; ii) a quantidade de autores citados e a forma como são encadeados diminui a participação do escritor citante no texto que escreve; iii) a constituição das paráfrases compromete a produção de dizeres que possam ser atribuídos aos escritores dos textos analisados. As análises mostraram que a primeira hipótese não se confirmou por inteiro, uma vez que se observou uma clara tendência pela diversificação dos modos de introduzir o discurso alheio no plano da inserção. Já a segunda hipótese foi confirmada, pois constatamos que o autor dos textos assume um papel de “cicerone” dos teóricos que chama para encenar em sua escrita e a forma como são encadeados sinaliza pouca mediação entre eles (autores já constituídos) e aquele que os cita, assim como com o conhecimento já produzido na área. A terceira hipótese também se confirmou, à medida em que as paráfrases se mostraram marcadas pela cópia, por gestos interpretativos constituídos pela distorção ou contradição com o dizer alheio. A análise nos levou um pouco adiante, pois mostrou também que o posicionamento implícito do autor citante leva a distorcer as palavras do autor citado. Pudemos, ao fim, relacionar essas características dos textos a um processo de proletarização do docente (APPLE, 1989), já que se interpretam os movimentos de escrita nesses textos assinados por um professor à luz de um lugar de pouca autoridade para a manifestação de seu dizerTese Acesso aberto (Open Access) Vozes docentes em diálogo : a prática de análise linguística a partir do ladrão de Marabaixo na formação continuada de professores do Ensino Fundamental na Amazônia amapaense(Universidade Federal do Pará, 2025-09-24) SANTOS, Gercilene Vale dos; OHUSCHI, Márcia Cristina Greco; http://lattes.cnpq.br/3038449011739174; https://orcid.org/0000-0001-8292-9806; FAIRCHILD, Thomas Massao; CAMPOS, Jailma do Socorro Uchôa Bulhões; POLATO, Adriana Delmira Mendes; http://lattes.cnpq.br/1771292039081039; http://lattes.cnpq.br/9062353513535112; http://lattes.cnpq.br/0099891414348765; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-4236-9661Esta Tese consiste em um estudo teórico-prático sobre a Prática de Análise Linguística – PAL – em perspectiva dialógica a partir do ladrão de marabaixo – composição poética entoada na manifestação religiosa e cultural afroamapaense denominada Marabaixo –, desenvolvido com professoras das séries finais do Ensino Fundamental, da rede pública do Amapá, em contexto de formação continuada, para o trabalho com a produção ética e valorada de enunciados. Parte da pergunta norteadora: como professores das séries finais do Ensino Fundamental, da rede pública do Amapá, em contexto de formação continuada, desenvolvem conhecimentos acerca da PAL em perspectiva dialógica a partir do ladrão de marabaixo para o trabalho com a produção ética e valorada de enunciados? Tem como objetivo geral compreender como professores das séries finais do Ensino Fundamental, da rede pública do Amapá, em contexto de formação continuada, desenvolvem conhecimentos acerca da PAL em perspectiva dialógica a partir do ladrão de marabaixo para o trabalho com a produção ética e valorada de enunciados. À luz da Linguística Aplicada, trata-se de uma pesquisa qualitativo-interpretativa, de cunho etnográfico, desenvolvida via pesquisa-ação de viés colaborativo, em Macapá-AP, pautada na perspectiva dialógica da linguagem, a partir de pressupostos teóricos do Círculo de Bakhtin e de pesquisadores que seguem esta vertente. O percurso metodológico consistiu em duas fases: diagnóstico da PAL na prática docente e realização de curso teórico-prático, desenvolvido em três partes: a) introdução teórica; b) implementação de uma Sequência de Análise Linguística – SAL – em perspectiva dialógica elaborada a partir do ladrão Aonde tu vai rapaz; c) produção de nova SAL a partir de outro ladrão. Na análise, reflete-se sobre como as professoras se apropriam do discurso formativo e elaboram conhecimentos acerca do ladrão de marabaixo e da PAL à luz de princípios orientadores como concepções de linguagem, axiologias sociais, autoria e estilo. Os resultados apontam, na primeira fase, a coexistência de concepções de linguagem como instrumento de comunicação, quando relacionada à gramática e como interação, quando relacionada à leitura. Na segunda fase, o estudo do ladrão de marabaixo despertou nas docentes, na primeira parte do curso, senso de pertença, identidade, responsabilidade e ética a favorecer o engajamento na pesquisa; na segunda parte, o estudo teórico-prático a partir da SAL ampliou reflexões sobre o ladrão de marabaixo: tia Zezé realçou vulnerabilidades sociais dos sujeitos, ao enfatizar o viés sociocultural; tia Gertrudes, os embates sociais, ao percebê-los pelo viés socioideológico. Sobre a PAL, as duas demonstraram compreensões acerca do contexto cultural e sócio-histórico e das axiologias sociais. Na terceira parte do curso, a análise deteve-se na produção de tia Zezé, que evidenciou: estilo autoral, com internalização em grau de criatividade e personalidade na análise dialógica do ladrão Foi na boca do Cajari. Na produção de atividades de PAL, houve internalização: em grau de apropriação, compreensão, criatividade e personalização expressada em estilo pictórico didático-reflexivo, nas atividades linguísticas; em grau de compreensão e criatividade, marcada por estilo pictórico didático-pedagógico nas atividades epilinguísticas; em grau de transição, nas atividades metalinguísticas, estilo didático-orientado. A mediação demonstrou processos de reelaboração e reacentuação das atividades de PAL em grau de relevância, configurados em estilo didático-pedagógico.Tese Acesso aberto (Open Access) Glossário da área de pedagogia para LSB: um estudo socioterminológico(Universidade Federal do Pará, 2025-02-26) MOTA, Carina da Silva; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917; LIMA, Alcides Fernandes de; CHAGAS, Angela Fabiola Alves; SANTOS, Patrícia Tuxi dos; http://lattes.cnpq.br/2565242209879834; http://lattes.cnpq.br/2172763060506928; http://lattes.cnpq.br/8079466991155659; https://orcid.org/0009-0002-9250-1613; https://orcid.org/0000-0002-4925-1711; https://orcid.org/0000-0002-0210-5303Esta pesquisa de tese de doutorado se insere na linha de pesquisa dos estudos linguísticos e é desenvolvida junto ao grupo de pesquisa GeoLinTerm – Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia. Desenvolveu-se um glossário em Língua de Sinais Brasileira (LSB) na área de especialidade da Pedagogia. Embora inúmeros Surdos escolham cursar essa licenciatura, não existe nenhum dicionário, glossário e/ou sinalário da especialidade Pedagogia disponível para comunidade Surda. Objetiva-se saber quais terminologias têm sido convencionadas em Língua Brasileira de Sinais com conceitos do curso de Pedagogia e as registrar em um dicionário para consulta e compreensão de acadêmicos surdos, intérpretes de Libras e professores ouvintes e surdos. Foi realizado um estudo bibliográfico a partir de Faulstich (2003), Quadros (2004), Faria-Nascimento (2009), Castro Júnior (2014), Costa (2012) e Oliveira (2015) para respaldar o estudo no âmbito linguístico, particularmente na convencionalização da construção de morfemas que expressem adequadamente a terminologia da categoria curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Os dados coletados são norteados pela metodologia da Socioterminologia, que é uma área da ciência terminológica, cujo cerne busca reorganizar uma tipologia para a classificação de variantes em categorias técnicas e científicas, com duas concorrentes, quais sejam, a variante formal terminológica e a variante formal de registro Faulstich (1995). Traça-se, então, um mapeamento nacional das 05 regiões brasileiras para catalogar e registrar os sinais-termo convencionados por Pedagogos, acadêmicos Surdos do curso e Intérpretes de Língua de Sinais. Com a catalogação, foi construído um glossário Socioterminológico com 114 termos da Pedagogia emLíngua de Sinais, disponibilizado em Software de celular Android à Comunidade Surda.Tese Acesso aberto (Open Access) Os vegetais político-selvagens de Clarice Lispector e as artes visuais de mulheres latinoamericanas(Universidade Federal do Pará, 2025-06-10) COSTA, Fabrício Lemos da; GUIMARÃES, Mayara Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/6834076554286321; GARRAMUÑO, Florencia; NODARI, Alexandre André; SEQUEIRA, Alexandre Romariz; CASTILO, Luís Heleno Montoril Del; http://lattes.cnpq.br/0000000000000000; http://lattes.cnpq.br/3298943752969192; http://lattes.cnpq.br/0763555042066498; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0001-9519-145X; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-2507-5346A presente tese visa apontar nos vegetais as políticas selvagens em contexto cultural latinoamericano. Para isto, analisamos as obras literárias A maçã no escuro (1961) e Água viva (1973), de Clarice Lispector (1920-1977), em diálogo com as artes visuais produzidas por mulheres. Com as plantas, frisamos as radicalizações insurgentes diante das realidades fundamentadas na mentalidade metafísico-colonial, advinda da complexa história da América Latina. Em nosso estudo, defendemos as criações vinculadas às sublevações – contra-ataque estético feminino –, cuja força instaura a chave para articular críticas aos sistemas castradores da vida, principalmente em períodos marcados por maiores totalitarismos – fascismos históricos. Nesse diapasão, vemos no indomesticado o modo pelo qual as obras tramadas na tensão política operam segundo um intento libertário de si mesmo e dos outros. Sendo assunto comum em objetos culturais de artistas latino-americanas, as representações botânicas são catalisadoras da desmobilização e descentralização de ideias construídas patriarcalmente, a exemplo da conformação social-cultural que coloca as mulheres no campo da fragilidade e obediência. Na pesquisa, em “ato de guerrilha”, lançamos “flechas” epistemológicas do sul que (re)avaliam criticamente as produções das décadas de sessenta e setenta do século XX, à luz da diferença e da alteridade. Para este trabalho, recorremos aos estudos de Benjamin (2019), BuckMorss (2012), Cixous (2022), Didi-Huberman (2017; 2020; 2021), Deleuze e Guattari (2011), Foucault (1994), Garramuño (2012), Guimarães (2009;2020), Nascimento (2011; 2012; 2021), Santiago (2006; 2008; 2019), Sousa (2012; 2013; 2021), Viveiros de Castro (2002; 2015; 2018), entre outros.Tese Acesso aberto (Open Access) Das películas às páginas: o indígenas (en)cena(Universidade Federal do Pará, 2021-02-26) CRUZ, Nathália da Costa; LEAL, Izabela Guimarães Guerra; http://lattes.cnpq.br/2507019514021007; FARES, Josebel Akel; NUNES, Paulo Jorge Martins; NASCIMENTO, Maria de Fátima do; CHAGAS, Angela Fabiola Alves; http://lattes.cnpq.br/1177199217893227; http://lattes.cnpq.br/4987306548638650; http://lattes.cnpq.br/6007359856182459; http://lattes.cnpq.br/2172763060506928; https://orcid.org/0000-0003-2384-0582; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-4925-1711A Coleção Um Dia na Aldeia, realização do projeto Vídeo nas Aldeias em parceria com a extinta editora Cosac Naify e patrocínio da Petrobras, é composta por seis livros-adaptações feitos a partir de seis documentários filmados nas comunidades indígenas no Brasil – Wajãpi, do Amapá; Ikpeng, no Parque Indígena do Xingu, ao norte do Mato Grosso; Panará, da divisa entre os estados do Pará e Mato Grosso, Kisêdjê, também no Parque Indígena do Xingu; Ashaninka, na Amazônia peruana, no Acre; e Mbya-Guarani, no Rio Grande do Sul. Destarte, esta tese objetiva investigar as aproximações e dissonâncias entre os processos de criação das diferentes versões midiáticas em tela – os filmes (produzidos por cineastas indígenas ou com a colaboração dos oficineiros do projeto nas aldeias) e os livros ilustrados (produzidos por não indígenas) – de modo a compreender as questões relacionadas às adaptações desses filmes para a literatura. Para tal empreitada, o texto foi dividido em cinco seções principais, que tratam desde a origem do projeto Vídeo nas Aldeias aos meandros da criação da Coleção Um Dia na Aldeia. As análises intentam explicitar e informar o que embasa cada uma dessas histórias. O que a Coleção Um Dia na Aldeia revela sobre a perspectiva do pensamento indígena? Quem são as adaptadoras e ilustradoras e quais as suas relações com os povos indígenas? Por que as adaptações são direcionadas ao público infantil e juvenil? Como as adaptadoras conciliam as imagens dos indígenas dos vídeos para os livros? Quando as obras foram publicadas e por quais meios e editoras? Em que contexto surgem as adaptações de filmes indígenas para a literatura? Cada adaptação traz consigo não somente um conteúdo estético, mas também um complexo e singular conteúdo identitário e cultural. As obras da Coleção Um Dia na Aldeia, ao trazerem os indígenas como protagonistas das histórias, desde as películas dos filmes às páginas dos livros, oferecem uma abertura para se pensar tanto o processo adaptativo, quanto o literário, neste maravilhoso intercâmbio de signos, mídias e culturas.Tese Acesso aberto (Open Access) Os Omágua/Kambeba: narrativas, dispositivo colonial e territorialidades na Pan-Amazônia contemporânea(Universidade Federal do Pará, 2024-12-19) KAMBEBA, Marcia; NEVES, Ivânia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/2648132192179863; OLSCHEWSKI, Elvira Belaunde; MACHADO, Ananda; LUCIANO, Gersem José dos Santos; TAVARES, Maria Lucilena Gonzaga Costa; http://lattes.cnpq.br/2452943059817065; http://lattes.cnpq.br/1012133793187374; http://lattes.cnpq.br/1021166118431706; http://lattes.cnpq.br/9432855899972772; http://lattes.cnpq.br/7211811266353518; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000-0002-3363-2587; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000-0003-2093-3388Esta tese investiga, a partir dos estudos do discurso, as experiências históricas e contemporâneas dos Omágua/Kambeba na Pan-Amazônia. Atualmente, vivem em terras indígenas espraiadas nos territórios de três países: Brasil, Peru e Equador. Propomos para essa tese uma metodologia chamada Kuara Açu que significa “grande caminho”. O nome “Kuara Açú” já carrega uma conotação de sabedoria ancestral e de um percurso importante, pois essa metodologia é uma forma de reconhecer e incorporar esses conhecimentos no processo científico, dando-lhes a mesma importância que às metodologias ocidentais. As pesquisas apresentadas envolveram extensos levantamentos de referências bibliográficas, de sites e de documentos eletrônicos e a realização de duas etapas de trabalho de campo. Consideramos a obra de Samuel Fritz e de naturalistas e viajantes que estabeleceram contato com os Omágua/Kambeba como uma das fontes para a construção de Kuara Açú. Realizamos duas etapas de trabalho de campo nos anos de 2022 e 2023. Em nossa primeira ida ao campo, na cidade de Nauta, no Peru, os Omágua da região desconheciam a existência de seus parentes no Brasil e nós ainda sabíamos muito pouco sobre a realidade peruana. Em função das condições políticas no Equador no período da pesquisa, não conseguimos chegar até lá. A riqueza de narrativas orais, arquiteturas, pinturas, fotografias, vídeos, roupas, materialidades registradas durante as interações do trabalho de campo, compõe a outra significativa fonte do arquivo de materialidades que analisamos nessa tese para desenhar o grande caminho. As análises comprometidas em visibilizar a pluralidade da história e a versão Omágua/Kambeba sobre a submissão aos governos das línguas impostos no Brasil e no Peru, abordam como o dispositivo colonial (NEVES, 2009, 20215, 2022) e suas potentes estratégias moldaram as relações de poder e território, resultando em processos de separação, silenciamento, resistência e adaptação por parte dos Omágua/Kambeba. Elas procuram mostrar a complexidade das territorialidades Omágua/Kambeba, considerando as interações com outros povos indígenas, o Estado e o mercado global e as estratégias adotadas por este povo para preservar sua identidade e reivindicar seus direitos territoriais em um contexto marcado pela expansão econômica e mudanças climáticas. Apresentamos as histórias entrelaçadas do povo Omágua/Kambeba, cujas trajetórias foram delineadas por distintos contextos coloniais, mas que, apesar dessas diferenças, permanecem profundamente conectadas por um território amazônico compartilhado. Para pensar o território como lugar de vivência, tomamos como aporte as formulações do geógrafo Rogério Haesbaert (2009). Ao examinar as narrativas, práticas culturais e processos de resistência desses povos, a tese explora como as influências coloniais brasileiras e peruanas impactaram suas identidades e territorialidades, mas também como os Omágua/Kambeba têm continuamente renegociado essas influências, fortalecendo suas conexões por meio de uma memória coletiva que ultrapassa fronteiras.Tese Acesso aberto (Open Access) A Trajetória de Franz Keller-Leuzinger e a circulação e recepção de Vom Amazonas und Madeira(Universidade Federal do Pará, 2025-08-25) COSTA, Alex Santana; AUGUSTI, Valéria; http://lattes.cnpq.br/6970953321235328; SMITH JÚNIOR, Francisco Pereira; SANJAD, Nelson Rodrigues; ROCHA, Hélio Rodrigues da; NENEVÉ, Miguel; http://lattes.cnpq.br/4369023473293807; http://lattes.cnpq.br/9110037947248805; http://lattes.cnpq.br/5420606386720546; http://lattes.cnpq.br/5600512410423908; https://orcid.org/0000-0002-6336-9249; https://orcid.org/0000-0002-6372-1185; https://orcid.org/0000-0001-7086-9594; https://orcid.org/0000-0002-9792-1134Esta tese vislumbra analisar, a partir da perspectiva teórico-crítica de escritores do pós-colonialismo e do decolonialismo, tais como Bhabha (2010), Cesaire (2010), Fanon (1961; 1963), Memmi (2007), Mannoni (1964), Said (1990; 2011), Quijano (2009) e outros, as representações simbólicas tecidas pelo engenheiro e desenhista alemão Franz Keller-Leuzinger a respeito dos povos indígenas de múltiplas regiões do Império do Brasil, com predomínio de grupos amazônicos do Vale do rio Madeira. Para tanto, investigamos, com base nos pressupostos teóricos de Bourdieu (1996; 001), a trajetória profissional do autor, visando a compreender sua inserção no ontexto brasileiro e estrangeiro, mapeando as instituições nas quais atuou e os grupos sociais com os quais se relacionou. Ademais, com o aporte de teóricos da istória do livro e da leitura, como Roger Chartier (1998, 2003 e 2006), Michel de Certeau (1998) e Robert Darnton (1990), investigou-se como se deu a circulação de Vom Amazonas und Madeira nos mercados editoriais brasileiro e estrangeiro, bem como sua recepção crítica dentro e fora do Brasil, ao longo do século XIX. No que concerne à circulação do referido relato de viagem, os resultados demonstram que sua divulgação ocorreu não apenas enquanto obra completa, no formato códex, mas também de maneira fragmentada, por meio da publicação de ilustrações e excertos em periódicos e livros nacionais e estrangeiros como Jornal do Commercio (1874), Revista Illustração Brasileira (1876), O Vulgarisador (1877), Le Tour du Monde (1874), Revue des Deux Mondes (1875), Globus (1874; 1875; 1879; 1885), Petermanns (1874), Zeitschrift Für Ethnologie (1875) e The Academy (1875). Quanto história editorial, a primeira edição da obra circulou freneticamente pelos grandes centros culturais e industriais da época, ganhando quatro edições em inglês no intervalo de um ano após sua publicação em língua alemã. Os resultados da pesquisa indicam ainda a ausência de reimpressões da obra de Keller ao longo do século XX. Entretanto, no século XXI, registrou-se o maior número de publicações de edições impressas, sendo quatro delas em língua alemã, sete em inglês e apenas uma em língua portuguesa. No tocante à recepção crítica, a obra foi interpretada de maneira distinta a depender do contexto. No Brasil, foi vista como símbolo de progresso nacional, ao passo que, na Europa, sob uma ótica etnográfica e expansionista. Por sua vez, nos Estados Unidos, a obra foi lida com viés pragmático. Foi destacado ainda o valor estético de suas gravuras e a relevância das informações técnicas, embora também tenha enfrentado críticas relativas à sua estrutura narrativa e às traduções, vindo a ser posteriormente analisada pela historiografia como produto do colonialismo oitocentista. Com relação aos povos indígenas, a análise traz à tona a dicotomia presente no discurso de Keller, que, embora reconheça a diversidade étnica esociolinguística dessas populações, reafirma concepções estereotipadas a seu respeito.Tese Acesso aberto (Open Access) A história do Makunaima e a história do Timbó: um estudo das relações entre humanos e outros-que-humanos(Universidade Federal do Pará, 2024-03-25) BARRETO, Mêrivania Rocha; LEAL, Izabela Guimarães Guerra; http://lattes.cnpq.br/2507019514021007; TRUSEN, Sylvia Maria; ALMEIDA, Carlos Henrique Lopes de; SIMAS, Mônica Muniz de Souza; CARVALHO, Fábio Almeida de; http://lattes.cnpq.br/1704721088122823; http://lattes.cnpq.br/9511564560016368; http://lattes.cnpq.br/; http://lattes.cnpq.br/9997225424532634; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-2037-905X; https://orcid.org/É impossível negar que o pensamento ocidental, eurocêntrico, o dito civilizado, quase sempre predominou como o correto, o aceitável, na maioria das vezes sem abrir possiblidades para que outros saberes, como o dos indígenas, por exemplo, também pudessem ser levados em consideração, especialmente quando se trata da relação que estes mantêm com os seres da natureza em geral. Diante disso, esta pesquisa de doutoramento se desenvolve a partir da hipótese de que as narrativas Panton Pia’ a História do Timbó e Panton Pia’ a História do Makunaima ilustram bem a maneira como os povos indígenas se relacionam com os outros-que-humanos, como os animais e plantas, assim como com a natureza de modo geral, demonstrando que todos os seres que habitam o universo estão interligados a um único ser, a Mãe Terra. Nesse sentido, proporemos uma discussão acerca das epistemologias indígenas para entender como se dão as relações dos humanos com os outros-que-humanos nas narrativas Panton Pia’ a História do Timbó e Panton Pia’ a História do Makunaima. As duas narrativas que servirão como corpus para esta pesquisa foram coletadas pelo projeto “Panton Pia’: Narrativa oral indígena, registro e análise” no circum-Roraima, território transnacional ao redor do Monte Roraima, onde habitam os povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ye’kuana, Wai-wai, Ingarikó, entre outros. Para tanto, temos como objetivos específicos falar sobre as narrativas indígenas; discutir as transformações metamórficas ocorridas nas narrativas Panton Pia’ a história do Timbó e Panton Pia’ a história do Makunaima que mostram as relações entre os humanos e outros-que-humanos; mostrar a importância das metamorfoses presentes na narrativa A história do Makunaima para a construção das paisagens que compõe o circum Roraima; bem como ressaltar a importância dos elementos que constituem a paisagem do circum-Roriama como acionadores da memória do narrador indígena Clemente Flores. A pesquisa será de cunho investigativo bibliográfico e interpretativo no âmbito interdisciplinar, envolvendo estudos da literatura em geral e da literatura indígena, da filosofia, antropologia, biologia, entre outros, e será baseada nos estudos de Viveiros de Castro (1996-2008-2011), Paul Zumthor (1993-1997), Maria Inês de Almeida e Sônia Queiroz (2004), Michel Collot (2012), Lúcia Sá (2012-2017), Graça Graúna (2013), Fábio Carvalho (2017), Devair Fiorotti e Clemente Flores (2019), Emanuele Coccia (2020), entre outros.Tese Acesso aberto (Open Access) Ensino e aprendizagem de línguas adicionais na complexidade: a emergência do método por projetos(Universidade Federal do Pará, 2024-08-22) CARNEIRO, Tiago da Fonseca; MAGNO E SILVA, Walkyria Alydia Grahl Passos; http://lattes.cnpq.br/6129530461830312; https://orcid.org/0000-0001-8572-147XA aprendizagem baseada em projetos (ABP) tem recebido cada vez mais atenção na discussão internacional e nacional, uma vez que visa aproximar os estudantes de questões cotidianas e de alta relevância em sua comunidade, bem como de competências e habilidades para a vida no século XXI, de forma que a aprendizagem de conteúdos escolares ocorra a partir da reflexão sobre esses problemas e desafios comunitários (Bender, 2014). A ABP atende, portanto, às demandas previstas na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) pois torna a aprendizagem significativa no lugar e tempo em que ocorre. Entretanto, no contexto do ensino e aprendizagem de línguas adicionais (EALA), a inexistência de um método por projetos (MpProj) fundamentado em discussões próprias da Linguística Aplicada (LA) impõe desafios ao professor quanto à sua implementação, sobretudo ao considerar a sala de aula como um sistema adaptativo complexo (SAC). Em vista disso, o objetivo geral deste trabalho é propor o MpProj à luz da complexidade. Especificamente, os seguintes objetivos foram satisfeitos: 1) situar o MpProj na LA fazendo referência à abordagem do qual deriva, nomeadamente, a Abordagem Múltiplas Inteligências; 2) descrever como o desenho do MpProj opera como condição inicial para a ABP; e 3) indicar como a visão da sala de aula como um holograma pode apoiar o professor no uso do MpProj enquanto método complexo. No tocante à metodologia, realizamos uma pesquisa-ação com alunos do 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública de Belém fazendo uso dos seguintes instrumentos de pesquisa: grupo focal, protocolo de observação e protocolo de avaliação. Os resultados indicam que a proposta do MpProj e a sugestão de procedimentos subjacentes mitigou a dificuldade de incorporar elementos da ABP ao EALA, em especial devido à emergência do eixo gerencial. Além disso, ratificou-se que o MpProj deva operar como condição inicial, de forma que seu desenho esteja aberto às contingências e que a visão da sala de aula como um holograma favorece a adaptação retroativa do desenho do método. De forma prospectiva, esperamos que o MpProj possa favorecer a implementação de um currículo bilingue na referida escola, uma vez que pode ser utilizado como método de outra abordagem, a “Aprendizagem integrada de conteúdo e língua” (Content and Language Integrated Learnig – CLIL).
