Corpo e educação: biopoder, higienismo e Instrução Pública em Belém do Pará, entre o final do século XIX e início do XX

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28-08-2025

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PAES NETO, Gabriel Pereira. Corpo e Educação: biopoder, higienismo e Instrução Pública em Belém do Pará, entre o final do século XIX e início do XX. Orientador: Eduardo Paiva de Pontes Vieira. 2025. 169 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) - Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em:https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18836. Acesso em:.

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O presente estudo investiga as articulações entre práticas corporais – sobretudo ginásticas e esportes – e os dispositivos de biopoder e biopolítica que atravessaram a cidade de Belém do Pará entre o final do século XIX e o início do século XX, período marcado pela estética e pelas racionalidades da Belle Époque. Orientada pela perspectiva arqueogenealógica de Michel Foucault, a pesquisa toma documentos históricos – como jornais, revistas ilustradas, campanhas publicitárias e iconografias – não como registros neutros de um passado a ser recuperado, mas como monumentos discursivos que produzem efeitos de verdade sobre o corpo, a educação e a vida coletiva. As análises demonstram que práticas esportivas e ginásticas foram incorporadas a projetos higienistas, moralizadores, militarizantes e produtivistas, constituindo uma rede pedagógica dedicada à normatização e normalização dos corpos e à formação de sujeitos saudáveis, disciplinados e funcionalmente ajustados às exigências da modernidade. Tais práticas compuseram um conjunto de estratégias de governo da população, articulando discursos médicos, educacionais e urbanísticos na construção de um ideal de corpo que atendesse às demandas de saúde pública, progresso, civilidade e produtividade. O estudo também mostra tensões e disputas entre práticas corporais institucionalizadas e expressões culturais populares, especialmente aquelas de matriz indígena, africana e das camadas trabalhadoras. Essas tensões revelam mecanismos de exclusão, hierarquização e silenciamento que se consolidaram na organização da vida urbana e escolar da capital paraense. Conclui-se que as práticas corporais, ao serem normalizadas e legitimadas pelos discursos da época, operaram como tecnologias de governo que articularam saúde, moralidade, civismo e rendimento, contribuindo para regular a vida social e moldar subjetividades no contexto da modernização de Belém. A pesquisa mapeia, assim, processos históricos que instituíram modos específicos de ver, classificar e educar o corpo na cidade, abrindo caminhos para problematizar permanências contemporâneas desses dispositivos no ensino da Educação Física e nas políticas de corpo.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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