Matemáticas do Maracapucu: o potencial criativo e as inteligências divergentes na Amazônia Paraense

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05-09-2026

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CARVALHO, Mônica de Nazaré. Matemáticas do Maracapucu: o potencial criativo e as inteligências divergentes na Amazônia Paraense. Orientador: Elielson Ribeiro de Sales. 2025. 142 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) - Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18839. Acesso em:.

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Nas vastas extensões das regiões ribeirinhas da Amazônia Paraense, onde as águas fluem como veias de vida, emergem matemáticas únicas, enraizadas nas práticas socioculturais. A educação matemática constituída nesse território transcende os limites da sala de aula convencional e incorpora conhecimentos, valores e tradições entrelaçados com as vidas e identidades das comunidades desse lugar. Essa tese está inserida no contexto de uma educação matemática crítica inclusiva. Tem-se como objetivos compreender o potencial criativo revelado nas práticas matemáticas de jovens com inteligências divergentes, em comunidade ribeirinha; descrever as matemáticas constituídas nas práticas socioculturais dos participantes; identificar como a matemática escolar influencia os foregrounds, ou seja, as expectativas de futuro dos participantes. Caracteriza-se por uma abordagem qualitativa, tecida a partir das vivências no cotidiano de três jovens da comunidade de Santa Maria do Maracapucu, localizada na cidade de Abaetetuba, na região nordeste do estado do Pará, no Brasil. A metodologia se baseou em pesquisa de campo com traços etnográficos, na construção de dados, adotando estratégias e alternativas próprias para registrar a imersão nas vivências junto aos participantes. Dessa forma, foram realizados diálogos, com escuta sensível, a respeito do acompanhamento das atividades desenvolvidas por eles na comunidade, valorizando as ideias, os procedimentos, o fazer matemático e a diversidade cultural local. A fundamentação teórica do estudo se apoia na Educação Matemática Crítica (EMC), nas ideias de Skovsmose (2001) e na Etnomatemática de D'Ambrosio (2005). Assim, a tese traz uma discussão sobre a relação da educação matemática crítica com a educação inclusiva, o fazer matemático no cotidiano dos participantes, para mostrar a conexão das matemáticas divergentes com a realidade sociocultural historicamente produzida. Descreve ainda o protagonismo dos participantes e a construção coletiva do conhecimento na vivência, cujas narrativas favoreceram a compreensão da influência da matemática na perspectiva de futuro dos jovens e o fortalecimento dos laços culturais entre eles e a comunidade. Os resultados evidenciam matemáticas divergentes de vender gasolina na beirada; do agir na rabeta e pelas lentes do celular. Com isso, sustentam a importância de uma educação que considere o contexto sociocultural dos indivíduos, seus saberes etnomatemáticos e seu modo de fazer cultura, valorizando a diversidade cognitiva e estimulando o potencial criativo, para que o indivíduo possa matematizar o conhecimento e expressar sua inteligência.

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