Dissertações em Zoologia (Mestrado) - PPGZOOL/ICB

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2344

O Mestrado Acadêmico foi criado em 1985 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZOOL) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) foi consolidado como um convênio entre Universidade Federal do Pará (UFPA) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

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  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Filogeografia de Bucco tamatia (Aves: Bucconidae): uma linhagem associada a florestas alagadas na Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2013-02) ALMEIDA, Bruno; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-7816-9725; SANTOS, Marcos Pérsio Dantas; http://lattes.cnpq.br/7941154223198901; https://orcid.org/0000-0001-8819-867X
    Neste trabalho nós apresentamos uma análise filogeográfica multilocus da espécie politípica B. tamatia a partir de sequências de dois marcadores mitocondriais (cytb e ND2) e quatro nucleares (BF7, MUSK, G3PDH e CHD) obtidas a partir 45 indivíduos amplamente distribuídos pela Bacia Amazônica. A partir de filogenias, informações de genética populacional e datação molecular foi possível reconstruir o contexto temporal e espacial do processo de diversificação dessa espécie. Nossos dados revelaram a existência de pelo menos três espécies biológicas e cinco espécies evolutivas/filogenéticas no complexo B. tamatia. O estudo revelou ainda uma relação entre áreas de endemismo ainda não descritas na literatura, entre as áreas do extremo leste da Amazônia e o oeste amazônico. Os dados obtidos aqui reforçam que dados moleculares quanto visto como reciprocamente informativos com dados geológicos e ecológicos podem ajudar na reconstrução de cenários evolutivos complexos como o de B. tamatia.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    O efeito das espécies raras e comuns na diversidade funcional de aves florestais em uma paisagem dominada por palma-de-dendê na Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2024-03) PINHEIRO, Beatriz Tavares; ALMEIDA, Sara Miranda; http://lattes.cnpq.br/2785084573828283; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-8372-5482; SANTOS, Marcos Pérsio Dantas; http://lattes.cnpq.br/7941154223198901; https://orcid.org/0000-0001-8819-867X
    O avanço da agroindústria na Amazônia representa uma grande ameaça à biodiversidade pois provoca desmatamento intenso para dar lugar à pecuária e monoculturas, como a palma-de-dendê. A perda de áreas florestais pode alterar a distribuição e o tamanho populacional das espécies raras, as quais são restritas em número de indivíduos ou área de ocorrência, afetando a estrutura funcional das comunidades e os serviços ecossistêmicos. Assim, nesse estudo avaliamos a contribuição das espécies raras e comuns para a diversidade funcional das comunidades de aves florestais em uma paisagem dominada por palma-de-dendê. A amostragem de aves foi realizada através de censo por pontos de escuta em plantações de palma-de-dendê e em fragmentos florestais na Amazônia oriental. Ao todo, registramos 232 espécies de aves, das quais 198 ocorreram nos fragmentos e 53 em plantação de palma. Para cada espécie registrada nos fragmentos florestais calculamos um índice de raridade, que combina a abundância local, o alcance geográfico e a especificidade de habitat. Para avaliar a estrutura funcional, calculamos a riqueza funcional (FRic), originalidade funcional (FOri), especialização funcional (FSpe) e a composição funcional (CWM), e as comparamos entre as comunidades de florestas e de plantações considerando três cenários: 1) florestas com todas as espécies versus palma; 2) espécies raras são removidas das florestas; e 3) espécies mais comuns são removidas das florestas. Houve uma clara diferença na composição de características entre os dois habitats. A remoção de espécies raras aumentou a diversidade funcional, mas diminuiu a redundância funcional. Em contraste, a remoção de espécies comuns reduziu os valores de FOri e FSpe, demonstrando que espécies comuns de aves florestais fazem contribuições funcionais únicas. Concluímos que a perda de espécies raras e comuns afeta as comunidades de aves florestais e que é essencial conservar e proteger áreas florestais para garantir a saúde e a resiliência do ecossistema.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Diversidade de helmintos parasitos de uma população de Osteocephalus cabrerai (Anura: Hylidae) na Amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2024-10) NEVES, Jorge Kevin da Silva; MELO, Francisco Tiago de Vasconcelos; http://lattes.cnpq.br/8939740618818787; https://orcid.org/0000-0001-8935-2923
    Os anfíbios são bons modelos de estudo para a diversidade de parasitos devido sua diversidade de estratégias de vida, se destacando como hospedeiros de diversos grupos de nematódeos, trematódeos, cestódeos, monogêneos e acantocéfalos. A estrutura da comunidade parasitária de anuros pode ser influenciada por diversos fatores bióticos ou abióticos e, apesar de terem sido muito estudadas, os táxons encontrados raramente são todos identificados ao nível de espécie. Até o momento, não existe nenhum estudo parasitológico para representantes de Osteocephalus cabrerai, sendo a fauna parasitária desse anuro totalmente desconhecida. O objetivo do presente estudo é caracterizar a diversidade de helmintos parasitos de O. cabrerai, da Reserva Extrativista Beija-Flor Brilho de Fogo. Esta dissertação é composta por dois capítulos. O primeiro consiste em um artigo já publicado que apresenta os primeiros registros de parasitos para O. cabrerai, analisando a composição e as características da comunidade parasitária, os padrões de distribuição dos parasitos e a correlação entre os fatores bióticos dos hospedeiros e a intensidade parasitária. Encontramos predominantemente nematódeos de ciclo de vida monoxênico, com alta prevalência e infecção abundante. A maioria dos espécimes encontrados representam o primeiro registro de parasitos para o gênero Osteocephalus. Além disso, nas nossas análises, os indivíduos com maior massa corporal tiveram uma tendência maior a infecção por helmintos parasitos. O segundo capítulo apresenta uma nota científica com as primeiras análises moleculares e filogenéticas que incluem Aplectana pella, chegando à conclusão de que o gênero Aplectana não é monofilético. Nós fornecemos o primeiro estudo sobre a estrutura da comunidade de helmintos de O. cabrerai, e adicionamos a primeira sequência de Aplectana da região Neotropical. Dessa forma, contribuímos para a compreensão da diversidade e ecologia de helmintos parasitos de anuros, além das relações filogenéticas de espécies da família Cosmocercidae.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Ecologia urbana de uma abelha nativa: respostas comportamentais de colônias de uruçu amarela (Melipona flavolineata, Apidae, Meliponini) às variações climáticas em um gradiente de urbanização
    (Universidade Federal do Pará, 2020-02) GATTY, Dora Carmela Ramirez; VEIGA, Jamille Costa; http://lattes.cnpq.br/2287525928643401; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0001-7554-2785; CONTRERA, Felipe Andrés León; http://lattes.cnpq.br/0888006271965925; https://orcid.org/0000-0002-7078-5048
    A urbanização pode gerar mudanças na estrutura do ambiente afetando também processos físico- químicos. Essas mudanças ao longo do tempo têm provocado a perda de habitats e com elas a redução de populações de abelhas sem ferrão, que são um grupo de insetos importantes para a manutenção dos ecossistemas. As populações de abelhas sem ferrão, a diferença do gênero Apis, correm o risco de reduzir a sua população por serem pouco flexíveis às mudanças e sua possibilidade de adaptação a áreas urbanizadas é muito baixa. Por isso o nosso estudo teve por objetivo conhecer a ecologia urbana da espécie de abelha sem ferrão Melipona flavolineata, medindo a suas respostas no comportamento de forrageio e de postura aos parâmetros climatológicos em ambientes com diferentes graus de urbanização (agroflorestal- semi-urbano e urbano). Observamos 12 colônias de M. flavolineata durante cinco meses. As observações foram semanais intercalando atividade interna e atividade externa. A taxa de forrageio (média semanal), foi avaliada de 07h00 as 11h00 (horário de maior forrageio) e se contabilizavam as abelhas voltando à colônia, paralelo a esse processo se registraram dados de temperatura, umidade relativa, luminosidade e pressão barométrica. A taxa de postura (média semanal), foi avaliada durante quatro dias consecutivos na semana correspondente. Os resultados mostraram que os parâmetros climatológicos tiveram uma alta variação nos três pontos de coleta, afetando a performance das abelhas. A pressão barométrica e a umidade relativa do ar tiveram um efeito positivo e significativo sobre a coleta de pólen. Umidade relativa e a temperatura tiveram um efeito positivo e significativo com o forrageio de néctar; a pressão barométrica teve um efeito negativo, não significativo. A taxa de postura foi maior à medida que a umidade relativa do ar se acrescentava, mostrando uma relação positiva; a pressão barométrica teve um efeito positivo, mas não significativo. As relações entre a taxa de forrageio e a taxa de postura; assim como a relação entre a taxa de forrageio de pólen e a taxa de forrageio de néctar, foram positivas e significativas e não se diferenciaram entre os ambientes, apenas pela amplitude dos dados. Assim concluímos que a abelha sem ferrão M. flavolineata é uma espécie pouco tolerante a áreas completamente urbanizadas, e a sua capacidade de adaptar a ambientes com condições ambientais desfavoráveis é muito limitada, pois suas atividades estão restringidas pelas altas variações climáticas e provavelmente pela escassez de recursos alimentares. Nesse sentido seria bom implementar estudos da ecologia urbana de espécies menores, e adicionar nos estudos de respostas aos fatores climáticos o parâmetro da pressão barométrica que, ao parecer, segundo nossos resultados afetam o comportamento das abelhas sem ferrão
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Potencial de contribuição de Tapirus terrestris (Tapiridae, Perissodactyla) na restauração florestal pós mineração de bauxita na Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2024-03) AMARAL, Lia Torres; CERQUEIRA, Roberta Macedo; http://lattes.cnpq.br/2863595777814509; OLIVEIRA, Ana Cristina Mendes de; http://lattes.cnpq.br/1199691414821581; https://orcid.org/0000-0002-7863-9678
    A dispersão de sementes é um dos processos ecológicos fundamentais para a restauração florestal em áreas degradadas. Considerados os maiores herbívoros terrestres da América do Sul, as antas (Tapirus terrestris) têm participação essencial na dispersão de sementes, herbivoria e ciclagem de nutrientes nas florestas neotropicais. Neste estudo investigamos o potencial da espécie Tapirus terrestris em contribuir no processo de restauração florestal, através da dispersão de sementes, em áreas em restauração após a extração de bauxita. Para isso, coletamos 30 amostras fecais, triamos e identificamos as sementes encontradas. No total, registramos 51.961 sementes de 33 espécies, distribuídas em 11 famílias. Setenta e oito porcento das sementes registradas permaneceram fisicamente íntegras após passagem pelo trato digestório das antas. A alta concentração de fezes em áreas de restauração florestal mostra que estas áreas são atrativas para as antas. Os taxa mais abundantes foram dos gêneros Cecropia, Byrsonima, Mimosa e Solanum. Nossos resultados contribuem para reforçar o papel de dispersor de sementes atribuído à espécie Tapirus terrestris, além de acrescentar pelo menos sete espécies à lista já existente na literatura de plantas dispersadas por antas nos neotrópicos.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Estrutura da comunidade de helmintos parasitos de Bothrops atrox (Linnaeus, 1758) (Serpentes: Viperidae) da Amazônia Oriental brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2025-05) MOURA, Fred Gabriel Haick de; MELO, Francisco Tiago de Vasconcelos; http://lattes.cnpq.br/8939740618818787; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0001-8935-2923; MASCHIO, Gleomar Fabiano; http://lattes.cnpq.br/7967540224850999; https://orcid.org/0000-0002-9013-4437
    As serpentes desempenham um papel importante nos ciclos de vida de uma ampla variedade de helmintos parasitos, atuando tanto como hospedeiras definitivas quanto intermediárias. Diversos fatores podem influenciar a diversidade, a composição e a estrutura das comunidades parasitárias associadas a esses répteis. Bothrops atrox, uma serpente peçonhenta pertencente à família Viperidae com ampla distribuição pela Amazônia, é de grande relevância médica e, apesar de possuir uma helmintofauna relativamente bem conhecida, ainda há lacunas quanto à dinâmica das relações parasito-hospedeiro envolvendo essa espécie. Diante disso, nosso objetivo nesse estudo foi analisar a diversidade e estrutura da comunidade parasitária de B. atrox de duas localidades da Amazônia Brasileira. Estruturamos essa dissertação em dois capítulos, sendo que no primeiro apresentamos os resultados obtidos a partir de uma análise comparativa da estrutura da comunidade de helmintos parasitos de B. atrox de dois ambientes contrastantes da região amazônica: floresta ombrófila e campos naturais. Nossas análises revelam uma maior abundância de parasitos em hospedeiros proveniente de áreas florestadas, além de mostrar uma correlação positiva entre o tamanho dos hospedeiros e a abundância parasitária. Este é o primeiro estudo dedicado a investigar a diversidade e a estrutura das comunidades de helmintos de B. atrox em diferentes ecossistemas. No segundo capítulo apresentamos, com base em características morfológicas e dados moleculares, uma nova espécie do gênero Kalicephalus, que apresentou os maiores índices de abundância, dominância e prevalência nas comunidades florestais. Esse capítulo também tráz novas perspectivas sobre a história evolutiva do gênero, contribuindo para o entendimento da diversidade e da evolução desse grupo de parasitos. Assim, nosso estudo fornece dados inéditos para a compreensão da diversidade e ecologia de helmintos parasitos de serpentes na Amazônia.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Padrão de distribuição de larvas de EPT (Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera) em riachos na Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2025-03) RAMOS, Thaiz Maria; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-6188-4386; KOROIVA, Ricardo; http://lattes.cnpq.br/3262687790057613; http://orcid.org/0000-0002-6658-0824
    A dispersão é o deslocamento de organismos entre habitats na paisagem, sendo essencial para a colonização de espécies em novos locais e para manter a diversidade genética na região, e a sua eficiência está relacionada com a capacidade de dispersão de cada espécie, com as variáveis ambientais e com a distância entre os habitats. Os mecanismos de estruturação da comunidade e os impactos antrópicos sobre os invertebrados aquáticos têm sido avaliados através de abordagens baseadas em traços funcionais das espécies, mas a utilização deste método para determinar o potencial dispersivo das espécies ainda é pouco estudado. Com base nisso, o potencial dispersivo da maioria das espécies é observado de forma indireta ao utilizar traços funcionais e principalmente utilizando o conhecimento de especialistas. A partir deste cenário, o objetivo da dissertação foi avaliar o padrão de distribuição de larvas de EPT (Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera), buscando classificar o potencial dispersivo dos gêneros com base em traços funcionais de dispersão e relacionar esses traços às variáveis ambientais. A dissertação está dividida em dois capítulos. No capítulo 1 avaliamos como os traços funcionais de dispersão de larvas de EPT estão relacionados com as condições ambientais de riachos da Amazônia Oriental. A maioria dos traços e suas categorias tiveram alguma associação, negativa ou positiva com algumas das nove variáveis físico-químicas selecionadas no estudo. Assim, corroboramos o fato de que as condições do ambiente influenciam a composição de traços funcionais de dispersão. No capítulo 2 classificamos o potencial dispersivo dos gêneros de larvas de EPT com base nos traços funcionais de dispersão e em consultas aos especialistas das ordens. Ephemeroptera foi a ordem com mais gêneros com alta capacidade de dispersão, enquanto os gêneros de Plecoptera tiveram valores médios e baixos para a dispersão. Já os gêneros de Trichoptera tiveram valores para o potencial dispersivo bem variados. Também avaliamos se a capacidade de dispersão dos gêneros de larvas de EPT estaria sendo refletido pela abundância e pela ocorrência nos riachos da Amazônia Oriental, o que não foi corroborado. Em nosso estudo, vimos o papel dos traços funcionais, sejam relacionados a dispersão ou não, sendo excelentes ferramentas utilizadas como proxies
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Influência das características morfológicas e do habitat físico sobre a capacidade de dispersão de Odonata em igarapés amazônicos
    (Universidade Federal do Pará, 2025-01) PEREIRA, Silvia Rafaela Alves; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-6188-4386; KOROIVA, Ricardo; http://lattes.cnpq.br/3262687790057613; http://orcid.org/0000-0002-6658-0824
    A capacidade de dispersão das espécies está diretamente ligada às características morfológicas, fisiológicas e comportamentais individuais, além do contexto ambiental em que vivem. Espécies com menor capacidade de dispersão tendem a ser mais vulneráveis às mudanças climáticas e ao uso intensificado da terra, em razão da perda de cobertura vegetal e fragmentação que acarretam mudanças na conectividade dos habitats e nas condições térmicas do ambiente. Investigamos neste estudo os fatores que afetam a capacidade de dispersão de Odonata adultos em igarapés na Amazônia, focando nas características morfológicas e no efeito do uso da terra e da integridade ambiental. Testamos as hipóteses: i) que o tamanho corporal, volume do tórax e largura da base das asas estarão relacionadas positivamente à capacidade de dispersão e a proporção das asas estará relacionada negativamente à capacidade de dispersão; ii) que a maior formação florestal e a integridade do habitat estarão negativamente relacionadas à capacidade de dispersão, pois a maior cobertura de dossel filtra indivíduos com menor capacidade de voo. O estudo foi realizado em 12 igarapés no município de Barcarena, Pará, Brasil. Utilizamos o método de marcação-recaptura e análise de dados por Modelos de Equações Estruturais. Consideramos variáveis de paisagem (formação florestal e pastagem), de habitat físico (cobertura do dossel do canal, vegetação rasteira lenhosa, largura do canal, índice de integridade de hábitat e temperatura), morfológicas (comprimento total do corpo, volume do tórax e proporção das asas) e como variável resposta utilizamos a capacidade de dispersão (distância em metros). Foram marcados 541 indivíduos (n=466 Zygoptera e n=75 Anisoptera). A taxa de recaptura foi de 29% para Zygoptera e 1,4% para Anisoptera. A maioria dos indivíduos recapturados foram machos pertencentes aos gêneros Mnesarete, Argia e Hetaerina. Aproximadamente, 91% dos indivíduos deslocaram-se menos de 60 metros. Os resultados utilizando apenas Zygoptera corroboraram parcialmente a primeira hipótese: a proporção das asas esteve negativamente relacionada à capacidade de dispersão, indicando que asas mais curtas e largas estão relacionadas a maior capacidade de voo. No entanto, não foi encontrada relação direta entre a integridade do habitat ou formação florestal sobre a dispersão, mas a formação florestal e a largura do canal influenciaram na morfologia da proporção das asas dos indivíduos. Esses padrões sugerem que gêneros encontrados em ambientes florestais, como Heteragrion, que apresentaram maior proporção das asas teriam menor capacidade de dispersão, que suportam maior temperatura e luminosidade, como Mnesarete e Hetaerina, exibiram menor proporção das asas e maior dispersão. Destacamos a vulnerabilidade dos indivíduos com menor capacidade de dispersão às modificações dentro de seus habitats aquáticos e na paisagem terrestre circundante por perda de cobertura vegetal.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    A influência das características funcionais nas propriedades estruturais das redes de interações entre abelhas e plantas e na especialização das espécies
    (Universidade Federal do Pará, 2024-05) BRITO, Renata dos Reis; RIBEIRO, Felipe Martello; http://lattes.cnpq.br/7573847493388303; GIANNINI, Tereza Cristina; http://lattes.cnpq.br/5065441638246972; https://orcid.org/0000-0001-9830-1204
    As interações dentro de uma rede são reguladas por diversos fatores, incluindo as características funcionais das espécies, as quais podem prever a estrutura da rede e ainda definir os pares de parceiros interagentes. O objetivo central do presente estudo é avaliar a influência das características funcionais nas propriedades estruturais das redes de interações entre planta-abelha e na especialização das espécies em áreas de floresta na Amazônia Oriental. Para isso, foram coletados dados sobre interações em 14 pontos amostrais na Floresta Nacional de Carajás (Pará). Para descrever a estrutura topológica da rede foram utilizadas as métricas Diversidade de interações (ID, da sigla em inglês) e Homogeneidade de interações (IE), e para determinar quais espécies são generalistas ou especialistas, foi utilizada a métrica de especialização d’. A diversidade funcional foi representada pelas métricas: Dispersão Funcional (FDis) e Regularidade Funcional (FEve). Para avaliar se há diferença nas métricas ID e IE, considerando as 14 redes analisadas, foram feitas análises de Z-score. Para avaliar se e quais atributos funcionais das abelhas estão associados à especialização, foram utilizados modelos lineares para os atributos numéricos e ANOVA para os atributos categóricos. Para avaliar a relação de ID e IE com a diversidade funcional, foi feita uma seleção de modelos lineares corrigida pelo tamanho da rede, com as métricas de rede como variáveis respostas e as métricas funcionais como preditoras. Foram registradas 60 espécies de abelhas, visitando 74 espécies de plantas. Não houve diferença significativa da métrica ID e IE entre os pontos amostrais, o que indica que a diversidade e a homogeneidade de interações não variam entre os mesmos. A espécie Borreria ocymifolia (Roem. & Schult.) Bacigalupo & E.L.Cabral possui, em média, valores baixos de especialização d’ sendo também a mais comum, ocorrendo em 11 dos 14 pontos amostrados. Outras seis espécies de plantas mais comuns que foram identificadas também possuem, em média, valores baixos de especialização d’, o que pode indicar uma seleção de parceiros oportunistas em comparação a outras espécies nas redes. A espécie Trigona guianae Cockerell, 1910 possui, em média, valores intermediários de especialização d’ sendo também a mais comum, ocorrendo em todos os pontos amostrados. As características funcionais não tiveram relação com a especialização d’, seja de plantas ou abelhas. Neste estudo, a dispersão funcional das plantas foi positivamente relacionada com a diversidade de interações, sugerindo que as comunidades de plantas são funcionalmente mais singulares. O tamanho da rede também foi positivamente relacionado com a diversidade de interações. Destaca-se a importância de considerar a diversidade e a função das espécies nas redes de interação entre abelhas e plantas para a compreensão da ecologia dessas relações.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Integrando conhecimentos locais e armadilhas fotográficas para avaliar a detecção e as características ecológicas que afetam a presença e a abundância de vertebrados médios e grandes no Vale do Xingu, Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2024-10) VULCÃO, Otávio Augusto Pereira Leão; CARVALHO JUNIOR, Elildo Alves Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/7456274393700395; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-4356-2954; PEZZUTI, Juarez Carlos Brito; http://lattes.cnpq.br/3852277891994862; https://orcid.org/0000-0002-5409-8336
    A escolha de métodos adequados para observar mudanças populacionais de espécies de interesse em monitoramento ambiental é crucial para garantir a sustentabilidade de programas a longo prazo. Este é um desafio na avaliação de vertebrados de médio e grande porte, pela sua importância ecológica e custos relativamente elevados para avaliação. Na região tropical é usual o método de censo em transectos ou armadilhas fotográficas. Porém ambos os métodos tem suas limitações e podem ter custos elevados e de dificil manutenção, sobretudo em países tropicais megadiversos. A inclusão de métodos baseados no conhecimento ecológico local (CEL) pode contribuir com a sustentabilidade de programas de monitoramento. Avaliamos a congruência entre taxas de detecção obtidas por armadilhas fotográficas e avistamentos e vestígios detectados através de LEK em duas áreas protegidas da Amazônia Oriental, comparamos a probabilidade de detecção e testamos a influência de três traços ecológicos. Observamos que, apesar de uma relação positiva geral, as taxas obtidas por ambos os métodos apresentam alta variabilidade. Para 11 das 20 espécies, a probabilidade de detecção foi maior pelo método utilizando vestígios identificados pelo LEK dos monitores locais. Dentre os traços selecionados, massa corporal, sociabilidade e nicho trófico, apenas a última característica foi significativa dentro dos nossos modelos, apontando para uma capacidade de detecção baseada principalmente pelos padrões de comportamentais das espécies. Nossos resultados demonstram a grande capacidade dos monitores locais em detectar a presença de espécies de interesse, e da aplicabilidade do CEL em monitoramentos faunísticos. Recomendamos estratégias de pesquisa colaborativa e a inclusão de seus saberes e experiência das populações locais em programas de monitoramento e conservação na Amazônia e em outros sistemas tropicais, que são as regiões mais ricas tanto em diversidade biológica como sóciocultural.