A piedade popular foi o que sustentou a fé do povo: a experiência dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras, Pará

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06-03-2025

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SOUSA, Cintia Nayara Ribeiro de. A piedade popular foi o que sustentou a fé do povo: a experiência dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras, Pará. Orientador: Antonio Maurício Dias da Costa. 2025. 138 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia e Antropologia) - Instituto de Filosofia de Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18262. Acesso em: .

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Esta dissertação tem como principal reflexão a experiência com o sagrado dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras (Pa), e a relação que esses especialistas populares estabeleceram e estabelecem com a hierarquia da igreja local, seus acordos, conflitos, proximidades e distanciamentos. No contexto simbólico-religioso mais amplo, no mundo social amazônico/marajoara há uma diversidade de cosmovisões, que inclui práticas de cura e benção, crença nos encantados e assombrações, o que podemos denominar como religiosidade afroindígena (Sarraf-Pacheco, 2024). As ladainhas são orações cantadas em latim e português, constituídas de oração principal e resposta. Elas são classificadas academicamente dentro das práticas do catolicismo popular (Macedo, 2008; Maués, 1995). Em Ponta de Pedras, as ladainhas são eventos religiosos e sociais, de reza e de festa, pois além do ritual, é comum ser sucedido por jantar, arraial, festa dançante com ou sem bebidas alcoólicas, brincadeiras e jogos, eram uma oportunidade para estreitar laços de amizade e sociabilidade. Os donos de santos (Maués, 1995) são os proprietários de imagens consideradas poderosas e milagrosas e, na medida em que também promovem suas festas e rezam suas ladainhas, o prestígio social e influência religiosa a eles se agregam. Portanto, as famílias eram os principais organizadores das festividades religiosas no período da desobriga em Ponta de Pedras (1737-1950). Até a década de 1950, com a vinda do primeiro sacerdote a morar no município, mas principalmente em 1963, com a criação da Prelazia de Ponta de Pedras, houve mudanças significativas no cotidiano dos rezadores e rezadoras de ladainhas. Dentre as várias ladainhas, seus rezadores e rezadoras, foram destacados três e suas sucessoras. A escolha se deu exatamente ao fato de haver continuidade temporal das orações. Foram destacadas: a família Amanajás, que organiza todos os anos a Trezena de Santo Antônio; a família Ferreira, Ribeiro e Baía que comemoram a festividade de São Miguel Arcanjo e, por fim, a família Benvindo dos Santos e Ramos, que celebra a ladainha de São Raimundo Nonato. A tradição, o dom e o sangue são citados como motivos para se manter as rezas de ladainhas vivas e o repasse de conhecimento é incentivado pelos membros mais velhos das famílias como uma herança espiritual. A metodologia utilizada foi qualitativa: pesquisa de campo com observação (Uriarte, 2012) e realização de entrevistas não-diretivas gravadas e registro de histórias de vida (Thompson, 1992), com acompanhamento do ritual das ladainhas junto às rezadoras atuais. Esta presença mais marcante dos membros do clero católico na cidade provocou reações e posicionamentos dos rezadores e rezadoras, cada um com seu protagonismo tomou decisões e escolhas que reverberaram nas festas atuais e nas suas respectivas sucessões, pois são vistos como exemplos a serem seguidos.

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Brasil

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