Dissertações em Sociologia e Antropologia (Mestrado) - PPGSA/IFCH

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/6623

O Mestrado Acadêmico pertence ao Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) é vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

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  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Território quilombola de Jambuaçu, Moju-PA: histórico, invasão de empreendimentos e conflitos
    (Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) CAMPOS, Emerson Jean de Souza; CASTRO, Carlos Potiara Ramos de; http://lattes.cnpq.br/3132802376511499; https://orcid.org/0000-0002-0493-6397; SILVA, Carlos Freire da; MACHADO, Almires Martins; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/7489756177996098; http://lattes.cnpq.br/7157067003023784; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; https://orcid.org/0000-0002-0202-8678; https://orcid.org/; https://orcid.org/
    A pesquisa tem como objetivo descrever a história que envolve o processo de formação, autorreconhecimento, e titulação das comunidades que compreendem o Território Qui-lombola de Jambuaçu, evidenciando a importância desse histórico para os negros que habitam nas comunidades remanescentes de quilombo local, ressaltando as inquietações por parte dos quilombolas quanto à ameaça de destruição de sua identidade e raízes dei-xadas por seus ancestrais mediante a empreendimentos que invadem o território, além, de minuciar os conflitos entre os quilombolas e as empresas invasoras. Nesta perspectiva, o trabalho se propõe a descrever sobre o processo de formação do território, aludindo como os primeiros negros vieram para a região, formação das primeiras comunidades, o processo autodefinição e titulação e os embates com autoridades e projetos de capital voltado à invasão de terras. Também, aborda uma análise histórica das conceituações atri-buídas ao termo “quilombo” e de como as legislações brasileiras tratam as questões terri-toriais desses grupos, considerando as variadas situações de ocupação territorial de terri-tórios quilombolas no contexto atual.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Do jirau aos quintais: saberes e usos de plantas medicinais a luz do Coletivo Mãe Preta - sementes da ancestralidade na Comunidade Quilombola do Itacuruçá, Abaetetuba(PA)
    (Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) TORRES, Priscila Ferreira; CAÑETE, Voyner Ravena; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; CARVALHO, Luciana Gonçalves de; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; MOURA , Edila Arnaud Ferreira; CAÑETE, Thales Maximiliano Ravena; http://lattes.cnpq.br/9870905738650852; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; http://lattes.cnpq.br/2154370107837866; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; https://orcid.org/0000-0001-7916-9092; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-0093-8464; https://orcid.org/
    A construção desta dissertação reflete minha experiência como sujeito de pesquisa e expressa o amadurecimento por mim vivido, por meio dos caminhos por mim percorridos, uma quilombola que busca ser antropóloga. O objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender como os conhecimentos associados para acesso e uso de ervas e plantas medicinais figuram como estratégia de enfrentamento às pressões da sociedade do entorno e resiliência diante às mudanças socioambientais sobre o território quilombola do Itacuruçá. E como objetivos específicos: descrever os conhecimentos tradicionais de ervas e plantas medicinais por conta das pressões sobre o território quilombola de Itacuruçá; descrever as estratégias de enfrentamento ao apagamento do conhecimento tradicional vinculado às práticas ancestrais da comunidade do Itacuruçá; registrar o conhecimento tradicional de ervas e plantas medicinais para acessar outras formas de políticas públicas relacionadas a direitos culturais. A pesquisa se caracteriza como sendo de cunho qualitativo. Inicialmente se, debruça sobre uma pesquisa bibliográfica e documental acerca da historicidade da comunidade locus da pesquisa, e na sequência se propõe a realizar uma etnografia colaborativa (Clifford, 2011) sobre o coletivo Mãe Preta: sementes da ancestralidade, projeto que trata de práticas e saberes de mulheres quilombolas no uso e prática voltados a ervas e plantas medicinais. Os resultados demonstram que os saberes atrelados às plantas medicinais por si só não existem se não estiverem interligados a um conhecimento ecologicamente local. É através das variadas formas de cuidar e entender o universo em que se apresentam o cenário da temática que fazem esses saberes serem pulsantes no viver cotidiano do povo local. A comunidade por sua vez vem avançando em enfrentamentos diante dos obstáculos vividos pela degradação socioambiental e cultural impostos pela sociedade hegemônica, por meio das estratégias desses conhecimentos específicos construídos na coletividade para a gestão de seu território.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    “Só falta chegar a hora do puxo”: os saberes das parteiras tradicionais em uma comunidade quilombola na Amazônia paraense
    (Universidade Federal do Pará, 2024-05-23) RIBEIRO, Domingos do Carmo Ferreira; CARVALHO, Luciana Gonçalves de; http://lattes.cnpq.br/9870905738650852; https://orcid.org/0000-0001-7916-9092; RIBEIRO, Tania Guimarães; FERNANDES, Mariana Balen; SILVA, Givânia Maria da; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; http://lattes.cnpq.br/1926309262817057; http://lattes.cnpq.br/5051165750709968; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; https://orcid.org/0000-0002-6718-1294; https://orcid.org/0000-0001-5094-2715
    Neste estudo discuto aspectos do ato de partejar realizado pelas parteiras tradicionais na comunidade quilombola e extrativista da Vila de Joana Peres, no município de Baião, estado do Pará. Mulheres como elas foram, até o final do século XIX, as responsáveis diretas pelos cuidados da mãe e do bebê durante a gestação, parto e pós-parto. Com a institucionalização e a medicalização do parto no Brasil, porém, as parteiras tradicionais foram perdendo o protagonismo nesses cuidados por não deterem saberes baseados na ciência ocidental (biomédica). Deste modo, foram desautorizadas a exercerem os seus ofícios e paulatinamente substituídas – inicialmente, por parteiras diplomadas, e depois por médicos e obstetras. Nas comunidades tradicionais e nos lugares mais distantes dos centros urbanos, contudo, parteiras tradicionais continuam resistindo. Na observação participante por entrevistas propõe-se uma abordagem qualitativa com o objetivo de narrar trajetórias e experiências das parteiras tradicionais na comunidade, com foco em seus saberes e fazeres relativos aos cuidados da gestação, do parto e do pós-parto. Os resultados indicam que os conhecimentos empíricos das parteiras tradicionais da comunidade quilombola de Joana Peres fazem parte da cultura local e estão associados a práticas de saúde que vão além do parto. Mostram, ainda, que, embora sejam menos numerosas que no passado, as parteiras não são menos importantes na atualidade. No entanto, elas necessitam de motivação e valorização, assim como de implementação de políticas públicas de Estado que sejam capazes de reparar a marginalização imposta a elas.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    “Ela não era uma santa” e “eles estavam desbaratinados”: as narrativas dos conflitos socioambientais da Amazônia reveladas no tribunal do júri
    (Universidade Federal do Pará, 2025-09-24) OLIVEIRA, Mônica da Costa; CASTRO, Carlos Potiara Ramos de; http://lattes.cnpq.br/3132802376511499; https://orcid.org/0000-0002-0493-6397; RAVENA, Voyner; SANTOS, Patrícia da Silva; QUINTANS, Mariana Trotta Dallalana; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; http://lattes.cnpq.br/4242484568301137; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311; https://orcid.org/
    Esta pesquisa analisa disputas simbólicas e significados que atravessam os conflitos socioambientais de Anapu, no Pará, com ênfase nos casos de Dorothy Stang e Geraldo Magela, crimes julgados no Tribunal do Júri, esse ritual teatralizado no qual personagens e dramas são criados a fim de convencer os jurados em um jogo de persuasão. A dissertação foi construída por meio da articulação entre trabalho de campo, análise documental, revisão teórica e de uma etnografia do conflito socioambiental, a fim de investigar como narrativas antagônicas sobre esses atores e seus legados são produzidos e disputados em arenas públicas e jurídicas. Para isso, foram realizadas entrevista com agricultores, religiosas, advogados, além da observação de eventos e entrevistas públicas, para investigar o papel do gênero, da teologia da libertação e da criminalização da luta por reforma agrária dentro dessas narrativas sobre o que acontece em Anapu. O trabalho demonstra que nos casos abordados o júri popular se configura como um espaço em que o histórico de conflitos socioambientais dessa região vem à tona e representações sobre movimentos sociais de luta pela terra, violência, e direitos humanos se tensionam. Por fim, esta pesquisa conclui que a disputa sobre quem são as vítimas e quem tutela a violência em Anapu segue ativa, posto que reflete a continuidade do conflito socioambiental e das desigualdades fundiárias na Amazônia paraense.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    “Este aqui é o mingau das almas”: um estudo sobre o ritual de iluminação aos mortos e o consumo do mingau de manicuera em Vigia de Nazaré – PA
    (Universidade Federal do Pará, 2026-02-23) COSTA, Marcelo Alves; GARCÉS, Claudia Leonor López; http://lattes.cnpq.br/5655397771707702; https://orcid.org/0000-0001-9550-0152; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de; PICANÇO, Miguel de Nazaré Brito; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; http://lattes.cnpq.br/4202561791565993; http://lattes.cnpq.br/4489977476724659; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/
    Esta dissertação analisa o ritual da iluminação aos mortos no município de Vigia de Nazaré, nordeste do estado do Pará, enfatizando o consumo do mingau de manicuera no contexto do Dia de Finados. A pesquisa toma como ponto de partida a compreensão da morte como fenômeno social e ritual, abordando as práticas desenvolvidas nos cemitérios públicos da cidade como formas organizadas de relação entre vivos e mortos, marcadas por cuidados materiais, circulação de afetos, produção de memória e sociabilidade. O objetivo central do trabalho consiste em analisar a correlação entre o consumo do mingau de manicuera e o ritual da iluminação, compreendendo essa prática alimentar como elemento constitutivo do evento ritual e como resultado de processos históricos de ressignificação cultural. A investigação considera a tradição indígena tupinambá como matriz histórica de referência para o uso ritual das variedades de mandioca e de suas beberagens, sem tomar essa herança como continuidade direta ou sobrevivência cultural. O foco analítico dedica-se a compreender os modos pelos quais essas referências são reelaboradas no contexto caboclo amazônico, articulando práticas agrícolas, saberes culinários e usos rituais contemporâneos. Nesse sentido, a presença da manicuera nos roçados, no preparo doméstico e no consumo concentrado no Dia de Finados é analisada como parte de um sistema simbólico que associa o alimento articulado com a memória e relacionado ainda que acidentalmente com a morte, produzindo sentidos específicos no interior da “iluminação”. A pesquisa busca constituir uma narrativa etnográfica, desenvolvida por meio de observação direta por meio de uma "observação flutuante" durante o período que antecede e culmina no Dia de Finados, especialmente nos dois cemitérios públicos da área urbana de Vigia de Nazaré. O trabalho de campo incluiu entrevistas semiestruturadas e narrativas com moradores locais, fazedoras do mingau, consumidores, trabalhadores dos cemitérios e outros sujeitos envolvidos nas dinâmicas do ritual. Foram realizadas, ainda, observações do preparo da manicuera em contexto doméstico e visitas a roçados de mandiocaba, permitindo situar a prática para além do espaço cemiterial e compreender sua inserção no cotidiano produtivo e simbólico local. O material empírico constituído entre os anos de 2024 e 2025, é articulado a levantamento bibliográfico e documental sobre o ritual da iluminação, práticas funerárias, alimentação e religiosidade popular na região nordeste do Pará. No plano analítico, a dissertação dialoga com contribuições da antropologia da morte, dos ritos de passagem e das interpretações sobre a sociedade relacional brasileira, articulando essas perspectivas a reflexões sobre comensalidade, memória, afetos e consumo. Argumenta-se que o mingau de manicuera atua, no contexto da iluminação aos mortos, como mediador ritual e relacional, organizando formas de sociabilidade, reforçando vínculos familiares e comunitários e reinscrevendo os mortos no espaço social. Conclui-se que a iluminação aos mortos, em Vigia de Nazaré, constitui um ritual complexo e processual, no qual práticas alimentares, cuidados materiais e memória operam conjuntamente na produção de sentidos sobre a morte e sobre a continuidade das relações sociais.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    A piedade popular foi o que sustentou a fé do povo: a experiência dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras, Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2025-03-06) SOUSA, Cintia Nayara Ribeiro de; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264; SILVA, Adriane dos Prazeres; PACHECO, Agenor Sarraf; LUCA, Taissa Tavernard de; http://lattes.cnpq.br/5223916677125110; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267; http://lattes.cnpq.br/8603721964124324; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/
    Esta dissertação tem como principal reflexão a experiência com o sagrado dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras (Pa), e a relação que esses especialistas populares estabeleceram e estabelecem com a hierarquia da igreja local, seus acordos, conflitos, proximidades e distanciamentos. No contexto simbólico-religioso mais amplo, no mundo social amazônico/marajoara há uma diversidade de cosmovisões, que inclui práticas de cura e benção, crença nos encantados e assombrações, o que podemos denominar como religiosidade afroindígena (Sarraf-Pacheco, 2024). As ladainhas são orações cantadas em latim e português, constituídas de oração principal e resposta. Elas são classificadas academicamente dentro das práticas do catolicismo popular (Macedo, 2008; Maués, 1995). Em Ponta de Pedras, as ladainhas são eventos religiosos e sociais, de reza e de festa, pois além do ritual, é comum ser sucedido por jantar, arraial, festa dançante com ou sem bebidas alcoólicas, brincadeiras e jogos, eram uma oportunidade para estreitar laços de amizade e sociabilidade. Os donos de santos (Maués, 1995) são os proprietários de imagens consideradas poderosas e milagrosas e, na medida em que também promovem suas festas e rezam suas ladainhas, o prestígio social e influência religiosa a eles se agregam. Portanto, as famílias eram os principais organizadores das festividades religiosas no período da desobriga em Ponta de Pedras (1737-1950). Até a década de 1950, com a vinda do primeiro sacerdote a morar no município, mas principalmente em 1963, com a criação da Prelazia de Ponta de Pedras, houve mudanças significativas no cotidiano dos rezadores e rezadoras de ladainhas. Dentre as várias ladainhas, seus rezadores e rezadoras, foram destacados três e suas sucessoras. A escolha se deu exatamente ao fato de haver continuidade temporal das orações. Foram destacadas: a família Amanajás, que organiza todos os anos a Trezena de Santo Antônio; a família Ferreira, Ribeiro e Baía que comemoram a festividade de São Miguel Arcanjo e, por fim, a família Benvindo dos Santos e Ramos, que celebra a ladainha de São Raimundo Nonato. A tradição, o dom e o sangue são citados como motivos para se manter as rezas de ladainhas vivas e o repasse de conhecimento é incentivado pelos membros mais velhos das famílias como uma herança espiritual. A metodologia utilizada foi qualitativa: pesquisa de campo com observação (Uriarte, 2012) e realização de entrevistas não-diretivas gravadas e registro de histórias de vida (Thompson, 1992), com acompanhamento do ritual das ladainhas junto às rezadoras atuais. Esta presença mais marcante dos membros do clero católico na cidade provocou reações e posicionamentos dos rezadores e rezadoras, cada um com seu protagonismo tomou decisões e escolhas que reverberaram nas festas atuais e nas suas respectivas sucessões, pois são vistos como exemplos a serem seguidos.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Mudanças e permanências: uma análise sobre a memória e relações entre humanos e não-humanos de uma comunidade amazônica
    (Universidade Federal do Pará, 2025-06-23) LIMA, Ticiano Rafael Santiago de; CAÑETE, Voyner Ravena; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; CARDOSO , Denise Machado; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; MOURA, Edila Arnaud Ferreira; CAÑETE, Thales Maximiliano Ravena; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; http://lattes.cnpq.br/2154370107837866; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-0093-8464; https://orcid.org/
    Esta dissertação analisa as dinâmicas de mudanças e permanências nas relações entre humanos e não-humanos na comunidade ribeirinha Independência, localizada em São Domingos do Capim, no nordeste paraense. A partir da Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour e dialogando com autores como Leandro Tocantins e Maurice Halbwachs, a pesquisa explora como o rio Capim atua como mediador central das interações sociais, econômicas e culturais da comunidade. O trabalho se ancora na abordagem qualitativa e utiliza metodologias como história oral, entrevistas semiestruturadas, observação direta e levantamento bibliográfico para compreender o impacto das transformações socioambientais impulsionadas por grandes projetos econômicos e pela colonização histórica da região. Ao enfocar a memória coletiva dos moradores, especialmente pescadores artesanais e agricultores familiares, a dissertação identifica práticas tradicionais que resistem às pressões externas, revelando estratégias de adaptação e reafirmação cultural. O estudo destaca a importância das populações tradicionais amazônicas, evidenciando a comunidade amazônica como forma de vida e identidade que articula elementos materiais, simbólicos e territoriais. A pesquisa conclui que, apesar das intensas transformações, a comunidade Independência mantém uma relação simbiótica com o rio Capim, reafirmando saberes locais e redes de sociabilidade como pilares de resistência e sustentabilidade.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Ações Afirmativas para Indígenas Estudantes na Universidade Federal do Pará, Região Norte, Amazônia, Brasil
    (Universidade Federal do Pará, 2026-02-25) BRAGA, Gabriel Silva; CARDOSO , Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; COSTA, Solange Maria Gayoso da; CAÑETE, Voyner Ravena; AMORAS, Maria do Socorro Rayol; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/2325286514501589; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/4427101624225075; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/; https://orcid.org/
    As ações afirmativas, no contexto do ensino superior brasileiro, constituem-se como políticas fundamentais para a promoção da diversidade nas universidades públicas, bem como caminhos para que novos sonhos possam ingressar em cursos de graduação e pós-graduação. O acesso massivo de populações indígenas ao ensino superior ocorreu, sobretudo, a partir dos anos 2000, com a implementação de reserva de vagas nas instituições públicas, cujo caráter adveio da luta organizada dos movimentos indígenas brasileiros para garantia de direitos. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), no que se refere à graduação, esse acesso acontece por meio do Processo Seletivo Especial (PSE), método de ingresso diferenciado, aprovado em 2009 em conselho universitário (a primeira oferta foi em 2010), o qual assegura duas vagas para indígenas em todos os cursos de graduação – no entanto, o começo da presença desses povos na UFPA se iniciou em 2006 no Programa de Pós-Graduação em Direito. Dessa maneira, esse estudo busca questionar como contextos de ações afirmativas, que estão presentes na UFPA, podem tensionar estudantes. Dessa maneira, possuo os seguintes focos: (a) analisar o Estado da Arte sobre as ações afirmativas para povos indígenas na UFPA e na Amazônia Legal; (b) discutir sobre como a relação entre identidade e homogeneização das diferenças entre os indígenas; (c) avaliar os dados institucionais sobre esses estudantes; (d) questionar como o acesso de indígenas acontece nos programas de pós-graduação da UFPA. Como estratégia de pesquisa, realizei conversas com quatro estudantes da UFPA – três da graduação, uma pessoa da pós-graduação. Para concretização desses objetivos, foi necessário levantamento bibliográfico para saber o que já foi produzido sobre a temática na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), com os seguintes descritores: “indígenas”, “ensino superior”, “ações afirmativas”, “políticas afirmativas” e “cotas”, com recorte em instituições da Amazônia Legal. Outrossim, a literatura consolidada sobre educação indígena e ações afirmativas no contexto universitário foram essenciais para embasamento teórico-metodológico. A pesquisa indica alguns caminhos importantes para caracterizar as ações afirmativas no contexto da UFPA: os avanços se estenderam para além da graduação, com políticas de acesso a programas de pós-graduação da universidade, mas nem todos os programas cumprem determinação legal de ofertar vagas para cotistas, conforme estipula a lei n.º 14.723/2023; a quantidade de produções sobre essa política pública em níveis de dissertação e tese no programas de pós da UFPA é insuficiente; no contexto da Amazônia Legal, há pouca produção sobre ações afirmativas para povos indígenas nas pós-graduações, o que impacta negativamente para aprimoramentos – reflexo da região norte ser a última do país a implementar cotas; não se estimula a valorização das diferenças entre os vários grupos indígenas que estudam na UFPA, mas sim uma homogeneização em torno de uma única identidade.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Bicicleta, mobilidades e itinerários: pensando o fazer urbano de mulheres que pedalam em Belém/Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2024-11-08) TEODORO, Mayara Feitosa; DANTAS, Luísa Maria Silva; http://lattes.cnpq.br/1573989294603242; ECKERT, Cornelia; SOUSA, Rosinaldo Silva de; SILVEIRA, Flávio Leonel; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/7446126566413577; http://lattes.cnpq.br/1263109110578509; http://lattes.cnpq.br/1972975269922101; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/0000-0002-2815-7064; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/
    A pesquisa discute relações entre mulheres e mobilidade por bicicleta em Belém do Pará. Analisa narrativas de três mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte e ferramenta de trabalho; explora como elas se apropriam do espaço urbano e os sentidos e significados presentes nessas práticas. Através da observação direta e participante e da produção e reflexão de narrativas biográficas, o trabalho visibiliza a diversidade de usos da bicicleta em Belém, mesmo que ainda seja marcada por uma presença majoritariamente masculina. As histórias de Nayane, Renata e Suelen destacam o uso da bicicleta enquanto um instrumento de empoderamento, resistência e transformação pessoal; permite que elas criem estratégias e negociem seus espaços na cidade, e desafiem desigualdades de gênero. Nas narrativas produzidas na pesquisa, a bicicleta não é apenas meio de transporte, mas também extensão do corpo, objeto de memória afetiva e símbolo de liberdade.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    "Ela não era uma santa" e "eles estavam desbaratinados": as narrativas dos conflitos socioambientais da Amazônia reveladas no tribunal do júri.
    (Universidade Federal do Pará, 2025-09-24) Oliveira, Mônica da Costa; Castro, Carlos Potiara Ramos de; http://lattes.cnpq.br/3132802376511499; https://orcid.org/0000-0002-0493-6397; RAVENA, Voyner; SANTOS, Patricia; QUINTANS, MARIANA TROTTA DALLALANA; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; http://lattes.cnpq.br/4242484568301137; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311; https://orcid.org
    Esta pesquisa analisa disputas simbólicas e significados que atravessam os conflitos socioambientais de Anapu, no Pará, com ênfase nos casos de Dorothy Stang e Geraldo Magela, crimes julgados no Tribunal do Júri, esse ritual teatralizado no qual personagens e dramas são criados a fim de convencer os jurados em um jogo de persuasão. A dissertação foi construída por meio da articulação entre trabalho de campo, análise documental, revisão teórica e de uma etnografia do conflito socioambiental, a fim de investigar como narrativas antagônicas sobre esses atores e seus legados são produzidos e disputados em arenas públicas e jurídicas. Para isso, foram realizadas entrevista com agricultores, religiosas, advogados, além da observação de eventos e entrevistas públicas, para investigar o papel do gênero, da teologia da libertação e da criminalização da luta por reforma agrária dentro dessas narrativas sobre o que acontece em Anapu. O trabalho demonstra que nos casos abordados o júri popular se configura como um espaço em que o histórico de conflitos socioambientais dessa região vem à tona e representações sobre movimentos sociais de luta pela terra, violência, e direitos humanos se tensionam. Por fim, esta pesquisa conclui que a disputa sobre quem são as vítimas e quem tutela a violência em Anapu segue ativa, posto que reflete a continuidade do conflito socioambiental e das desigualdades fundiárias na Amazônia paraense.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Migração quilombola na Transamazônica: um caso no município de Novo Repartimento (PA)
    (Universidade Federal do Pará, 2025-09-23) LIMA, Gilberto Teixeira; PEIXOTO, Rodrigo Corrêa Diniz; http://lattes.cnpq.br/9872938064820413; https://orcid.org/; AMORAS, Maria do Socorro Rayol; CONRADO, Mônica Prates; MURACA, Mariateresa; MORAES, Manoel R. de; http://lattes.cnpq.br/4427101624225075; http://lattes.cnpq.br/6141735247260273; http://lattes.cnpq.br/1031878280995937; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-3250-0988; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671
    Esta dissertação aborda o fenômeno da migração quilombola na região da Rodovia Transamazônica, com ênfase no município de Novo Repartimento (PA), a partir de uma perspectiva antropológica. O estudo investiga como os deslocamentos de comunidades quilombolas, motivados por pressões econômicas, conflitos territoriais e transformações socioambientais articulam-se a práticas de resistência cultural e reconstrução identitária. A partir de um estudo de caso etnográfico, com base em entrevistas, observação participante e análise de narrativas orais, analisa-se como o processo migratório é ressignificado pelos sujeitos quilombolas, que recriam territórios simbólicos e comunitários em novos espaços. O conceito de quilombismo é mobilizado não apenas como herança histórica, mas como prática viva de organização coletiva, memória ancestral e enfrentamento às dinâmicas de marginalização. A pesquisa revela que, mesmo em contextos de deslocamento, os quilombolas reafirmam suas cosmologias, redes de solidariedade e formas próprias de viver e habitar, contribuindo para um entendimento mais amplo da territorialidade negra na Amazônia contemporânea. Diante disso, este estudo, conclusivamente, reconhece o processo de manutenção e reconstrução e da identidade quilombola em um espaço urbano.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    O que é meu ninguém tasca!: estudo antroplógico com moradores do Carmelândia / Belém-PA e a regularização da casa própria
    (Universidade Federal do Pará, 2025-07-22) PIMENTA, Artemisa Ferreira; DANTAS, Luísa Maria Silva; http://lattes.cnpq.br/1573989294603242; SILVEIRA, Flávio Leonel Abreu da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264
    Nesta dissertação partilho reflexões sobre a política pública de Regularização Fundiária Urbana de Interesse Social - REURB-S, baseada em pesquisa realizada com beneficiários do Conjunto Carmelândia, em Belém, no Pará. O trabalho possui abordagem etnográfica, estabelecendo diálogo com autores das áreas da antropologia urbana e da antropologia da política e com a realização de uma etnografia de documentos e de rua. O trabalho de campo foi realizado em março de 2023, quando frequentei o conjunto Carmelândia, a pesquisa foi construída com a participação de vários interlocutores, os principais optei por apresentar com nomes fictícios, os outros decidi não nomear, como forma de preservá-los. O interesse pela temática surgiu a partir da minha experiência profissional na Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém - Codem e atuação na regularização dos imóveis do Conjunto Carmelândia. Neste estudo, pretendo compreender os significados da regularização na vida dos moradores, a partir da perspectiva de pessoas que foram beneficiadas por este processo, apresentar um banco de dados com a sistematização das informações socioeconômicas dos residentes da área, bem como refletir sobre as contradições do processo de implementação da política urbana de habitação. Os resultados da pesquisa indicam que os moradores do Carmelândia têm memórias associadas ao local e ao tempo de habitação com suas vivências conectadas ao lugar onde moram. A regularização dos imóveis proporcionou-lhes segurança jurídica e simbólica, garantindo que não serão forçados a sair de suas casas. Além disso, ao traçar o perfil socioeconômico das famílias, constatei que a população desta área apresenta baixos níveis de escolaridade, rendimentos familiares parcos e muitos dependem de programas sociais. Vários imóveis têm utilização mista, com uso residencial e econômico, sendo utilizados para complemento de rendimento. O conjunto foi a primeira área em Belém, de propriedade de um particular, a ter os imóveis regularizados, através do instrumento de legitimação fundiária. Os moradores atualmente e com a regularização de suas casas possuem estabilidade habitacional, além disso, por residirem há muitos anos no local, possuem um forte vínculo com a área.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Partilhando o sensível: práticas dissidentes de cinema na Amazônia paraense
    (Universidade Federal do Pará, 2024-11-14) ARAUJO, Gabriela Laroca; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; SANTOS, Patricia da Silva; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311
    Esta dissertação investiga a democratização do audiovisual na Amazônia paraense, com foco no projeto Telas em Rede em Santarém/PA, que utiliza o audiovisual como ferramenta de comunicação popular para amplificar as vozes das comunidades periféricas e fortalecer suas lutas por reconhecimento e direitos. O estudo discute as práticas dissidentes de produção audiovisual como uma forma de resistência contracolonial, explorando os entrelaçamentos entre arte e política. Ancorada na teoria estética de Jacques Rancière, a pesquisa analisa como o audiovisual pode reconfigurar percepções, sensibilidades e modos de agir, tanto no nível individual quanto coletivo, propondo novas formas de subjetivação política e transformação social. O principal objetivo é examinar a relevância do audiovisual como uma ferramenta de luta em contextos de organização popular e defesa de territórios, além de discutir os múltiplos significados atribuídos ao fazer audiovisual nas periferias da Amazônia. A metodologia utilizada inclui uma etnografia multissituada que combinou observação participante, entrevistas abertas e semiestruturadas com os membros do Telas em Rede e análise das produções audiovisuais realizadas no projeto. O trabalho de campo foi realizado em Santarém, e foi ampliado com análises de relatórios de atividades e materiais digitais relacionados ao projeto. A pesquisa destaca a importância da democratização das tecnologias de produção audiovisual como forma de reconfigurar o sensível, permitindo que grupos historicamente marginalizados criem suas próprias narrativas e questionem as representações coloniais dominantes, articulando novos horizontes políticos e sociais. Dessa forma, o Telas em Rede busca reconfigurar a percepção do espaço amazônico, não apenas como uma área de exploração, mas como um território de resistência, criação e transformação coletiva, onde o audiovisual se torna um meio de amplificar as demandas e as vozes das populações invisibilizadas.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    A dendeicultura em Igarapé-Açu/Pará: um olhar sobre as relações de trabalho que tipificam o trabalhador rural na Agroindustrial Palmasa
    (Universidade Federal do Pará, 2024-02-29) CARDOSO, Marlon Kauã Silva; RIBEIRO, Tânia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659
    O objetivo desta pesquisa foi analisar as relações de trabalho que tipificam os trabalhadores rurais na agroindústria do dendê em Igarapé-Açu, notadamente analisando a Agroindustrial Palmasa. A agroindústria do dendê, em nível macropolítico, foi territorializada no nordeste paraense através das ações estatais desenvolvimentistas nos governos civis-militares nos anos 1960, planejadas pela Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), e, tem novo impulso com o neodesenvolvimentismo dos anos 2000, associada ao desenvolvimento sustentável, através do Programa Nacional de Produção do Biodiesel (PNPB) e do Programa Sustentável de Óleo da Palma (PSOP). Estes desembocaram em projetos de integração, para a obtenção do Selo do Combustível Social (SCS), entre produtores do dendê e agricultores familiares em municípios do nordeste paraense. Através de metodologia de natureza qualitativa, aliando dados de entrevistas, bibliográfico e quantitativos verificamos que as políticas públicas mais recentes não abrangeram as atividades econômicas da Agroindustrial Palmasa, em Igarapé- Açu. Na região predominam contratos, mas apenas de compra e venda, relação associativa, entre médios/grandes produtores rurais de dendê e a própria empresa. Dessa forma, as relações diretas entre classes gravitam entre médios/grandes fazendeiros e boias-frias responsáveis pelo trabalho nas lavouras.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Guardiães de saberes quilombolas da Amazônia brasileira: relações entre mulheres, território, memórias e plantas no Médio Itacuruçá
    (Universidade Federal do Pará, 2024-12-17) CARVALHO, Silviane Couto de; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366
    Esta dissertação posiciona-se no estudo das relações que as mulheres da comunidade quilombola Igarapé São João no Médio Itacuruçá, estabelecem com as plantas e ervas por elas cultivadas. Volto-me para os conhecimentos, práticas e cosmovisões advindas historicamente do manejo e cultivo de uma diversidade de espécies de plantas e árvores frutíferas, ervas medicinais, raízes, cascas de árvores, hortaliças e verduras. Produção que fomenta a economia local e municipal, além de configurar-se como fonte de abastecimento alimentar e formas distintas de uso pelas famílias nesta comunidade. O lugar de estudo onde realizei a pesquisa etnográfica é a comunidade ribeirinha e quilombola de Igarapé São João, no Médio Itacuruçá, está situada no município de Abaetetuba, na região das ilhas, área rural no estado do Pará, Amazônia, região norte do Brasil. A etnografia é um dos caminhos da pesquisa qualitativa por compreender o estudo a partir da observação direta das práticas costumeiras de viver de um grupo particular de pessoas (Mattos, 2011). Assim, utilizei a observação participante, a etnobiografia (Gonçalves, 2012) e a escrevivência (Evaristo, 2020), com vistas a captar a experiência vivida pelas interlocutoras desta pesquisa. Entre adoecimentos, observação dos quintais, relatos sobre remédios caseiros e plantas, além de minhas lembranças de infância, experiências e convivência na comunidade quilombola do Médio Itacuruçá, percebi a diversidade de conhecimentos adquiridos e transmitidos pelas mulheres. Em face a uma crise ambiental global e o enfrentamento de conflitos ambientais (monocultivo de dendê e pecuária), o sistema de agrofloresta utilizado pelas populações tradicionais, aqui destaca-se ribeirinha e quilombola é de suma importância para a manutenção da vida e da biod iversidade.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    O rio que embaçou no horizonte: narrativas e percepções sobre os impactos urbanos da construção e operação do terminal da Cargill em Santarém - PA
    (Universidade Federal do Pará, 2025-02-27) PIMENTA, Karina Cunha; SILVA, Carlos Freire da; http://lattes.cnpq.br/7489756177996098; https://orcid.org/0000-0002-0202-8678
    Este trabalho investiga os impactos urbanos da instalação e operação do terminal da Cargill em Santarém (PA), focando nas transformações socioambientais resultantes dessa intervenção e na experiência vivida pelos moradores da cidade. A pesquisa surgiu a partir de uma abordagem etnográfica iniciada em 2017, com o objetivo de compreender as mudanças nas paisagens urbanas, a partir das narrativas de moradores que, antes da instalação do terminal, viviam na antiga praia da Vera Paz e foram deslocados para o atual bairro do Laguinho. A partir dessa perspectiva, busca-se refletir sobre os efeitos da extinção desse espaço de lazer e sociabilidade, ampliando a análise para as dinâmicas econômicas do agronegócio, a expansão da monocultura da soja e os impactos decorrentes de grandes projetos de infraestrutura. Com base em uma metodologia qualitativa, a pesquisa utiliza narrativas orais, relatos de vida, entrevistas, poemas, canções e análise de documentos para explorar como as transformações causadas pelo terminal da Cargill moldaram novas formas de sociabilidade e resistência. A dissertação questiona como os processos de exploração econômica alteram a dinâmica urbana e ambiental, abordando não só as consequências econômicas, mas também os impactos sobre o sensível e as subjetividades dos moradores. A pesquisa também destaca a reconfiguração do sensível, simbolizada pela extinção da antiga praia da Vera Paz, e como isso representa um cerceamento do direito à cidade, revelando um processo de aceleração das violências socioambientais, invisibilizadas pela mídia, e propõe um olhar interdisciplinar sobre as questões urbanas na Amazônia, integrando dimensões emocionais e culturais frequentemente negligenciadas, visando abrir caminho para investigações mais profundas sobre as paisagens amazônicas e as novas formas de luta e pertencimento que emergem desses conflitos socioambientais.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Pandemia e a espiral das crise: memórias de professoras e professores da Educação Básica durante a implementação do ensino remoto no Estado do Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2024-12-09) MONTEIRO, Ádima Farias Rodrigues; BUENO, Michele Escoura; http://lattes.cnpq.br/3126701924384242
    Com o objetivo de compreender os efeitos sociais, profissionais e emocionais dos arranjos políticos emergenciais praticados pelo Governo do estado do Pará na educação pública estadual durante a pandemia da COVID-19, a partir da experiência de professoras e professores da Rede Pública Estadual de Ensino no Município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, esta dissertação traz a análise das memórias que as/os 24 professoras/es que entrevistei compartilharam comigo suas vivências profissionais. À medida que eu os/as escutava, ia também revivendo minhas memórias e, assim, assumo no texto a posição de nativa/etnógrafa (Peirano, 2014). Analiso também os principais documentos que normatizaram a educação pública no Estado do Pará no ano de 2020 e 2021 relacionando-os com as decisões do governo federal. Guiada pelo que ouvi, em campo, em janeiro e fevereiro de 2022, o recorte deste estudo está no período da pandemia em que o governo do estado do Pará implementou o ensino remoto na rede pública estadual, a saber, os meses de janeiro a junho de 2021. A análise dessas experiências está em diálogo com a elaboração antropológica e sociológica sobre o tema. No capítulo 1 mostro como o governo estadual geriu a educação básica no período da pandemia, em que as aulas presenciais ficaram suspensas na rede pública. Para, no capítulo 2, mostrar como as/os professoras/es vivenciaram as mudanças decorrentes da nova normatização e regulamentação da educação básica estabelecida pelo governo do estado. Ao analisar a experiência das/dos docentes percebi que além da contradição entre as/os profissionais e o estado, outras contradições afloraram na medida em que as/os professoras/es exerceram sua profissão a partir do ambiente doméstico, elementos estes para o qual dedico o capítulo. Avento como resultados desta pesquisa, que a pandemia aprofundou crises e desigualdades já pré- existentes, ao mesmo tempo que produziu novas dinâmicas de crise. Pelos dados, mostro que à medida que as políticas públicas educacionais do estado se mostravam insuficientes para conter os efeitos da pandemia na educação básica paraense, a vida das/os professoras/es passou a ser tomada por um processo de aprofundamento da precarização do trabalho docente, expresso na flexibilização total da jornada de trabalho e no adoecimento físico e mental decorrente das atividades laborais. E, ainda, evidencio que no caso das professoras mães, filhas e/ou esposas, se somou ainda uma interminável jornada de trabalhos de cuidados, que foi multiplicada pela suspensão de serviços públicos ofertados pelo Estado e fez, do período, um momento de sobreposição de desigualdades laborais e de classe às desigualdades de gênero.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Precisamos pisar no chão: plantas medicinais e ancestrais usos de práticas e saberes entre os quilombolas de Deus Ajude
    (Universidade Federal do Pará, 2024-11-07) SOUZA, José Luis Souza de; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366
    A presente pesquisa é realizada em um território tradicional reconhecido como Deus Ajude e investiga a relação entre o uso de plantas medicinais e a identidade quilombola nessa comunidade, situada no arquipélago do Marajó, Pará. Motivada pelos debates sobre a preservação dos territórios quilombolas, especialmente após o reconhecimento constitucional das terras tradicionais pelo Art. 68 do ADCT (1988), esta pesquisa antropológica e sociológica examina como os saberes ancestrais vinculados ao uso de plantas fortalecem a identidade cultural quilombola e contribuem para a conservação territorial. Com uma população de aproximadamente 300 habitantes, a comunidade faz uso sustentável de uma área biodiversa composta por florestas que proporcionam o uso de seus frutos, plantas ancestrais e medicinais, cipós e junco, além dos rios com peixes e outros animais aquáticos que compõem um cenário rico e com potencialidade para o desenvolvimento de diferentes atividades. A pesquisa também analisa os desafios impostos pela expansão do agronegócio sobre esses territórios e a substituição de saberes tradicionais por práticas farmacológicas modernas, destacando a relevância dos saberes tradicionais para a resistência cultural e a sustentabilidade ambiental.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Violências e narrativas: trajetórias de mulheres que romperam com o relacionamento íntimo violento
    (Universidade Federal do Pará, 2024-04-29) SILVA, Elcione da Silva e; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167
    A questão da violência contra as mulheres é uma realidade em diversas histórias de vida, deixando marcas profundas nas subjetividades e memórias das vítimas. Este estudo traz à luz do espaço público científico uma problemática tradicionalmente associada aos domínios das relações amorosas e, consequentemente, considerada de natureza privada. Esta dissertação investiga a trajetória de seis mulheres que romperam com relacionamentos íntimos violentos, seja com namorado ou marido, explorando suas experiências durante e após o término dessas relações. A pesquisa se fundamenta em uma abordagem qualitativa, utilizando o método “Narrativas de Vida” (Bertaux, 2010), com a utilização de entrevistas narrativas, para acessar suas histórias. Buscou-se compreender os significados subjetivos atribuídos a essas experiências, destacando as tentativas de ressignificação e resistência por parte das participantes, visando a possíveis rupturas com o ciclo de violência. Os resultados revelam narrativas ricas e complexas, evidenciando os desafios enfrentados durante o relacionamento violento, as dificuldades enfrentadas ao tentarem romper, e os processos de reconstrução pessoal e social após o rompimento. Identificamos como os discursos sociais sobre o amor moldam a subjetividade das mulheres em relacionamentos abusivos, destacando a idealização do amor e as expectativas em torno dos relacionamentos e como as mulheres têm a tendência em valorizar as características positivas dos parceiros, mesmo diante de comportamentos abusivos, pois a violência se manifesta de forma enraizada culturalmente. São discutidos também os diversos tipos de apoio social e institucional disponíveis para as mulheres em situação de violência, bem como as marcas e impactos psicológicos e sociais dessas experiências. Identificamos as estratégias de resistência adotadas por mulheres que sofrem violência doméstica para resistir e eventualmente romper com relacionamentos abusivos. As experiências de violência variam em sua manifestação, contexto e circunstâncias específicas, mas compartilham efeitos negativos duradouros tanto para as vítimas quanto para a sociedade como um todo. No entanto, as histórias de sobrevivência dessas mulheres revelam um desejo de reconstrução de suas vidas, demonstrando um movimento em direção à resiliência, autonomia e ressignificação, o que indica um deslocamento nas relações de poder, conforme discutido e nos estudos feministas sobre violência de gênero.
  • DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Agarrada nos jogos de identidade quilombola: representatividade, conflitos e resistência no Arquipélago do Marajó
    (Universidade Federal do Pará, 2024-11-05) SANTOS, Paulo Henrique Santos dos; ZAMPARONI, Valdemir Donizette; http://lattes.cnpq.br/9786959916347562; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366
    Este trabalho aborda a agarrada, uma luta corporal presente dentro dos Jogos de Identidade Quilombola no arquipélago do Marajó, com foco nas comunidades de Salvaterra, Pará. O trabalho explora como essa prática, além da perspectiva lúdica e de competição, atua como um espaço de reafirmação identitária, resistência simbólica e política. A agarrada, presentemente ligada no cotidiano quilombola, é analisada sob diferentes óticas, desde seu valor simbólico até as tensões e disputas narrativas sobre ela. A pesquisa investiga também os conflitos fundiários e territoriais enfrentados pelas comunidades quilombolas, relacionando-os com a prática da Agarrada, que se torna um reflexo das lutas políticas e sociais em curso. A metodologia utilizada inclui entrevistas com lideranças quilombolas, observações participantes durante os jogos e análise documental, refletindo sobre a importância da agarrada não sobre o olhar desportivo, mas como um símbolo de resistência e mobilização comunitária. O estudo conclui que a luta quilombola transcende o campo da competição física, representando uma forma de resistência contra a exclusão e o apagamento da ancestralidade das comunidades quilombolas de Salvaterra.