Dissertações em Sociologia e Antropologia (Mestrado) - PPGSA/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/6623
O Mestrado Acadêmico pertence ao Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) é vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) “É noite de reggae em Belém do Pará: uma etnografia em torno dos sujeitos da cena reggae em Belém do Pará”(Universidade Federal do Pará, 2024-10-29) OLIVEIRA, Rodrigo Gabriel da Silva; COSTA, Antônio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264; COSTA, Antônio Maurício Dias da; CONRADO, Mônica Prates; SILVA, Edilson Mateus Costa da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; http://lattes.cnpq.br/6141735247260273; http://lattes.cnpq.br/7852386761870941; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264; https://orcid.org/; https://orcid.org/Este trabalho tem o objetivo de fazer uma análise etnográfica e histórica sobre os processos que propiciaram o surgimento e a consolidação da cena reggae em Belém do Pará, compreendendo seus atores, espaços, práticas sociais e ações políticas, navegando em todo o universo que permeia esta cena. Para tal, será utilizado como base teórica as definições de cenas musicais, propostas pelo pesquisador de cultura Will Straw (1991), bem como os conceitos de José Magnani (2001; 2003; 2005) acerca de uma categoria de análise chamada “Pedaço”, que se apresenta como um lugar familiar a um grupo social que, algumas vezes, não se conhecem, mas se reconhecem enquanto “massa regueira”, membros ativos, participantes do que chamo de cena reggae belenense, que servirá de base na análise dos interesses dos atores dos quais tive contato . Além disso, pretendo trabalhar com o conceito de memória coletiva e individual de Maurice Halbwachs (2004) para cruzar as informações obtidas em campo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As “Donas” da feira: vivências de boieiras do Ver-o-Peso em Belém/PA(Universidade Federal do Pará, 2026-03-06) MELO, Andréa Silva de; DANTAS, Luísa Maria Silva; http://lattes.cnpq.br/1573989294603242; https://orcid.org/; OLIVEIRA, Daniela Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/3340719766336945; https://orcid.org/0000-0003-2792-322X; GÓMEZ, Guillermo Stefano Rosa; SILVA, Carlos Freire da; SANTOS, Patrícia da Silva; http://lattes.cnpq.br/6493056213953884; http://lattes.cnpq.br/7489756177996098; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; https://orcid.org/0000-0003-2902-9993; https://orcid.org/0000-0002-0202-8678; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311A presente dissertação de mestrado tem como objetivo conhecer as vivências de boieiras – que são mulheres que trabalham no setor alimentício e, predominantemente, pobres e negras – do Ver-o-Peso em Belém/PA diante do evento crítico da Covid-19 e do megaevento da COP 30, que foi realizada na capital em novembro de 2025. Foram realizadas entrevistas com doze trabalhadoras da feira do Ver-o-Peso, sendo uma do setor de polpas e sucos, uma do setor de refeição do calçadão da Castilhos França e dez boieiras, que são objeto do estudo e das quais cinco são donas de boxes e cinco são funcionárias de boxes no período compreendido de 2022 a 2024. Assim, buscamos, especificamente, mostrar que a pandemia desencadeou a interrupção das atividades laborativas e o fechamento do local, incidindo também sobre a atuação do Estado, por meio de políticas públicas de saúde e emprego, sobretudo durante o auge pandêmico. A adoção de estratégias de sobrevivência foi de suma importância para essas trabalhadoras, que são responsáveis por suas famílias e por seus locais de trabalho, como o trabalho escondido e a entrega de refeições por delivery e/ou aplicativos, que geraram estranhamento com o mundo digital e que a despeito dos auxílios fornecidos pelos governos municipal, estadual e federal, não foram capazes de suprir a renda familiar adquirida pelo trabalho constante e precarizado na feira. Com a notícia da escolha da cidade para ser a anfitriã da COP 30, a cidade de Belém passou por uma série de medidas preparativas como intervenções e reformas urbanas, principalmente na região central, onde está localizado o Ver- o-Peso, que consequentemente acarretaram no realojamento de vários setores e feirantes do lugar para um espaço provisório denominado de “Feira Provisória”, inclusive o setor das boieiras, causando conflitos e problemáticas, referentes ao novo local, à temperatura, modo de trabalho e sociabilidade. Apesar disso, as feirantes almejam um futuro melhor para a feira após a Cúpula do Clima que colocou a cidade em evidência internacional, mas também um futuro melhor para elas, como a conquista de seus boxes, trabalhar em outros lugares, obter a casa própria, descansar e ter mais tempo com suas famílias. Esse estudo socioantropológico é uma contribuição às pesquisas sobre comércio e feiras populares, abordando a questão de gênero e demais interseccionalidades que norteiam as vidas de boieiras no Ver-o-Peso, e adotou como perspectiva metodológica a análise qualitativa de inspiração etnográfica, utilizando roteiro semiestruturado, junto a feirantes do Ver-o-Peso e suas associações, aos órgãos de fiscalização e organização, além de outras fontes mobilizadas, como dados oficiais dos governos, das mídias jornalísticas e de institutos de pesquisa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Território quilombola de Jambuaçu, Moju-PA: histórico, invasão de empreendimentos e conflitos(Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) CAMPOS, Emerson Jean de Souza; CASTRO, Carlos Potiara Ramos de; http://lattes.cnpq.br/3132802376511499; https://orcid.org/0000-0002-0493-6397; SILVA, Carlos Freire da; MACHADO, Almires Martins; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/7489756177996098; http://lattes.cnpq.br/7157067003023784; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; https://orcid.org/0000-0002-0202-8678; https://orcid.org/; https://orcid.org/A pesquisa tem como objetivo descrever a história que envolve o processo de formação, autorreconhecimento, e titulação das comunidades que compreendem o Território Qui-lombola de Jambuaçu, evidenciando a importância desse histórico para os negros que habitam nas comunidades remanescentes de quilombo local, ressaltando as inquietações por parte dos quilombolas quanto à ameaça de destruição de sua identidade e raízes dei-xadas por seus ancestrais mediante a empreendimentos que invadem o território, além, de minuciar os conflitos entre os quilombolas e as empresas invasoras. Nesta perspectiva, o trabalho se propõe a descrever sobre o processo de formação do território, aludindo como os primeiros negros vieram para a região, formação das primeiras comunidades, o processo autodefinição e titulação e os embates com autoridades e projetos de capital voltado à invasão de terras. Também, aborda uma análise histórica das conceituações atri-buídas ao termo “quilombo” e de como as legislações brasileiras tratam as questões terri-toriais desses grupos, considerando as variadas situações de ocupação territorial de terri-tórios quilombolas no contexto atual.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Do jirau aos quintais: saberes e usos de plantas medicinais a luz do Coletivo Mãe Preta - sementes da ancestralidade na Comunidade Quilombola do Itacuruçá, Abaetetuba(PA)(Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) TORRES, Priscila Ferreira; CAÑETE, Voyner Ravena; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; CARVALHO, Luciana Gonçalves de; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; MOURA , Edila Arnaud Ferreira; CAÑETE, Thales Maximiliano Ravena; http://lattes.cnpq.br/9870905738650852; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; http://lattes.cnpq.br/2154370107837866; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; https://orcid.org/0000-0001-7916-9092; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-0093-8464; https://orcid.org/A construção desta dissertação reflete minha experiência como sujeito de pesquisa e expressa o amadurecimento por mim vivido, por meio dos caminhos por mim percorridos, uma quilombola que busca ser antropóloga. O objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender como os conhecimentos associados para acesso e uso de ervas e plantas medicinais figuram como estratégia de enfrentamento às pressões da sociedade do entorno e resiliência diante às mudanças socioambientais sobre o território quilombola do Itacuruçá. E como objetivos específicos: descrever os conhecimentos tradicionais de ervas e plantas medicinais por conta das pressões sobre o território quilombola de Itacuruçá; descrever as estratégias de enfrentamento ao apagamento do conhecimento tradicional vinculado às práticas ancestrais da comunidade do Itacuruçá; registrar o conhecimento tradicional de ervas e plantas medicinais para acessar outras formas de políticas públicas relacionadas a direitos culturais. A pesquisa se caracteriza como sendo de cunho qualitativo. Inicialmente se, debruça sobre uma pesquisa bibliográfica e documental acerca da historicidade da comunidade locus da pesquisa, e na sequência se propõe a realizar uma etnografia colaborativa (Clifford, 2011) sobre o coletivo Mãe Preta: sementes da ancestralidade, projeto que trata de práticas e saberes de mulheres quilombolas no uso e prática voltados a ervas e plantas medicinais. Os resultados demonstram que os saberes atrelados às plantas medicinais por si só não existem se não estiverem interligados a um conhecimento ecologicamente local. É através das variadas formas de cuidar e entender o universo em que se apresentam o cenário da temática que fazem esses saberes serem pulsantes no viver cotidiano do povo local. A comunidade por sua vez vem avançando em enfrentamentos diante dos obstáculos vividos pela degradação socioambiental e cultural impostos pela sociedade hegemônica, por meio das estratégias desses conhecimentos específicos construídos na coletividade para a gestão de seu território.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Só falta chegar a hora do puxo”: os saberes das parteiras tradicionais em uma comunidade quilombola na Amazônia paraense(Universidade Federal do Pará, 2024-05-23) RIBEIRO, Domingos do Carmo Ferreira; CARVALHO, Luciana Gonçalves de; http://lattes.cnpq.br/9870905738650852; https://orcid.org/0000-0001-7916-9092; RIBEIRO, Tania Guimarães; FERNANDES, Mariana Balen; SILVA, Givânia Maria da; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; http://lattes.cnpq.br/1926309262817057; http://lattes.cnpq.br/5051165750709968; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; https://orcid.org/0000-0002-6718-1294; https://orcid.org/0000-0001-5094-2715Neste estudo discuto aspectos do ato de partejar realizado pelas parteiras tradicionais na comunidade quilombola e extrativista da Vila de Joana Peres, no município de Baião, estado do Pará. Mulheres como elas foram, até o final do século XIX, as responsáveis diretas pelos cuidados da mãe e do bebê durante a gestação, parto e pós-parto. Com a institucionalização e a medicalização do parto no Brasil, porém, as parteiras tradicionais foram perdendo o protagonismo nesses cuidados por não deterem saberes baseados na ciência ocidental (biomédica). Deste modo, foram desautorizadas a exercerem os seus ofícios e paulatinamente substituídas – inicialmente, por parteiras diplomadas, e depois por médicos e obstetras. Nas comunidades tradicionais e nos lugares mais distantes dos centros urbanos, contudo, parteiras tradicionais continuam resistindo. Na observação participante por entrevistas propõe-se uma abordagem qualitativa com o objetivo de narrar trajetórias e experiências das parteiras tradicionais na comunidade, com foco em seus saberes e fazeres relativos aos cuidados da gestação, do parto e do pós-parto. Os resultados indicam que os conhecimentos empíricos das parteiras tradicionais da comunidade quilombola de Joana Peres fazem parte da cultura local e estão associados a práticas de saúde que vão além do parto. Mostram, ainda, que, embora sejam menos numerosas que no passado, as parteiras não são menos importantes na atualidade. No entanto, elas necessitam de motivação e valorização, assim como de implementação de políticas públicas de Estado que sejam capazes de reparar a marginalização imposta a elas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Ela não era uma santa” e “eles estavam desbaratinados”: as narrativas dos conflitos socioambientais da Amazônia reveladas no tribunal do júri(Universidade Federal do Pará, 2025-09-24) OLIVEIRA, Mônica da Costa; CASTRO, Carlos Potiara Ramos de; http://lattes.cnpq.br/3132802376511499; https://orcid.org/0000-0002-0493-6397; RAVENA, Voyner; SANTOS, Patrícia da Silva; QUINTANS, Mariana Trotta Dallalana; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/3554364096207512; http://lattes.cnpq.br/4242484568301137; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/0000-0002-1266-1311; https://orcid.org/Esta pesquisa analisa disputas simbólicas e significados que atravessam os conflitos socioambientais de Anapu, no Pará, com ênfase nos casos de Dorothy Stang e Geraldo Magela, crimes julgados no Tribunal do Júri, esse ritual teatralizado no qual personagens e dramas são criados a fim de convencer os jurados em um jogo de persuasão. A dissertação foi construída por meio da articulação entre trabalho de campo, análise documental, revisão teórica e de uma etnografia do conflito socioambiental, a fim de investigar como narrativas antagônicas sobre esses atores e seus legados são produzidos e disputados em arenas públicas e jurídicas. Para isso, foram realizadas entrevista com agricultores, religiosas, advogados, além da observação de eventos e entrevistas públicas, para investigar o papel do gênero, da teologia da libertação e da criminalização da luta por reforma agrária dentro dessas narrativas sobre o que acontece em Anapu. O trabalho demonstra que nos casos abordados o júri popular se configura como um espaço em que o histórico de conflitos socioambientais dessa região vem à tona e representações sobre movimentos sociais de luta pela terra, violência, e direitos humanos se tensionam. Por fim, esta pesquisa conclui que a disputa sobre quem são as vítimas e quem tutela a violência em Anapu segue ativa, posto que reflete a continuidade do conflito socioambiental e das desigualdades fundiárias na Amazônia paraense.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Este aqui é o mingau das almas”: um estudo sobre o ritual de iluminação aos mortos e o consumo do mingau de manicuera em Vigia de Nazaré – PA(Universidade Federal do Pará, 2026-02-23) COSTA, Marcelo Alves; GARCÉS, Claudia Leonor López; http://lattes.cnpq.br/5655397771707702; https://orcid.org/0000-0001-9550-0152; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de; PICANÇO, Miguel de Nazaré Brito; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; http://lattes.cnpq.br/4202561791565993; http://lattes.cnpq.br/4489977476724659; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/Esta dissertação analisa o ritual da iluminação aos mortos no município de Vigia de Nazaré, nordeste do estado do Pará, enfatizando o consumo do mingau de manicuera no contexto do Dia de Finados. A pesquisa toma como ponto de partida a compreensão da morte como fenômeno social e ritual, abordando as práticas desenvolvidas nos cemitérios públicos da cidade como formas organizadas de relação entre vivos e mortos, marcadas por cuidados materiais, circulação de afetos, produção de memória e sociabilidade. O objetivo central do trabalho consiste em analisar a correlação entre o consumo do mingau de manicuera e o ritual da iluminação, compreendendo essa prática alimentar como elemento constitutivo do evento ritual e como resultado de processos históricos de ressignificação cultural. A investigação considera a tradição indígena tupinambá como matriz histórica de referência para o uso ritual das variedades de mandioca e de suas beberagens, sem tomar essa herança como continuidade direta ou sobrevivência cultural. O foco analítico dedica-se a compreender os modos pelos quais essas referências são reelaboradas no contexto caboclo amazônico, articulando práticas agrícolas, saberes culinários e usos rituais contemporâneos. Nesse sentido, a presença da manicuera nos roçados, no preparo doméstico e no consumo concentrado no Dia de Finados é analisada como parte de um sistema simbólico que associa o alimento articulado com a memória e relacionado ainda que acidentalmente com a morte, produzindo sentidos específicos no interior da “iluminação”. A pesquisa busca constituir uma narrativa etnográfica, desenvolvida por meio de observação direta por meio de uma "observação flutuante" durante o período que antecede e culmina no Dia de Finados, especialmente nos dois cemitérios públicos da área urbana de Vigia de Nazaré. O trabalho de campo incluiu entrevistas semiestruturadas e narrativas com moradores locais, fazedoras do mingau, consumidores, trabalhadores dos cemitérios e outros sujeitos envolvidos nas dinâmicas do ritual. Foram realizadas, ainda, observações do preparo da manicuera em contexto doméstico e visitas a roçados de mandiocaba, permitindo situar a prática para além do espaço cemiterial e compreender sua inserção no cotidiano produtivo e simbólico local. O material empírico constituído entre os anos de 2024 e 2025, é articulado a levantamento bibliográfico e documental sobre o ritual da iluminação, práticas funerárias, alimentação e religiosidade popular na região nordeste do Pará. No plano analítico, a dissertação dialoga com contribuições da antropologia da morte, dos ritos de passagem e das interpretações sobre a sociedade relacional brasileira, articulando essas perspectivas a reflexões sobre comensalidade, memória, afetos e consumo. Argumenta-se que o mingau de manicuera atua, no contexto da iluminação aos mortos, como mediador ritual e relacional, organizando formas de sociabilidade, reforçando vínculos familiares e comunitários e reinscrevendo os mortos no espaço social. Conclui-se que a iluminação aos mortos, em Vigia de Nazaré, constitui um ritual complexo e processual, no qual práticas alimentares, cuidados materiais e memória operam conjuntamente na produção de sentidos sobre a morte e sobre a continuidade das relações sociais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A piedade popular foi o que sustentou a fé do povo: a experiência dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras, Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-03-06) SOUSA, Cintia Nayara Ribeiro de; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264; SILVA, Adriane dos Prazeres; PACHECO, Agenor Sarraf; LUCA, Taissa Tavernard de; http://lattes.cnpq.br/5223916677125110; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267; http://lattes.cnpq.br/8603721964124324; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/Esta dissertação tem como principal reflexão a experiência com o sagrado dos rezadores e rezadoras de ladainhas no município de Ponta de Pedras (Pa), e a relação que esses especialistas populares estabeleceram e estabelecem com a hierarquia da igreja local, seus acordos, conflitos, proximidades e distanciamentos. No contexto simbólico-religioso mais amplo, no mundo social amazônico/marajoara há uma diversidade de cosmovisões, que inclui práticas de cura e benção, crença nos encantados e assombrações, o que podemos denominar como religiosidade afroindígena (Sarraf-Pacheco, 2024). As ladainhas são orações cantadas em latim e português, constituídas de oração principal e resposta. Elas são classificadas academicamente dentro das práticas do catolicismo popular (Macedo, 2008; Maués, 1995). Em Ponta de Pedras, as ladainhas são eventos religiosos e sociais, de reza e de festa, pois além do ritual, é comum ser sucedido por jantar, arraial, festa dançante com ou sem bebidas alcoólicas, brincadeiras e jogos, eram uma oportunidade para estreitar laços de amizade e sociabilidade. Os donos de santos (Maués, 1995) são os proprietários de imagens consideradas poderosas e milagrosas e, na medida em que também promovem suas festas e rezam suas ladainhas, o prestígio social e influência religiosa a eles se agregam. Portanto, as famílias eram os principais organizadores das festividades religiosas no período da desobriga em Ponta de Pedras (1737-1950). Até a década de 1950, com a vinda do primeiro sacerdote a morar no município, mas principalmente em 1963, com a criação da Prelazia de Ponta de Pedras, houve mudanças significativas no cotidiano dos rezadores e rezadoras de ladainhas. Dentre as várias ladainhas, seus rezadores e rezadoras, foram destacados três e suas sucessoras. A escolha se deu exatamente ao fato de haver continuidade temporal das orações. Foram destacadas: a família Amanajás, que organiza todos os anos a Trezena de Santo Antônio; a família Ferreira, Ribeiro e Baía que comemoram a festividade de São Miguel Arcanjo e, por fim, a família Benvindo dos Santos e Ramos, que celebra a ladainha de São Raimundo Nonato. A tradição, o dom e o sangue são citados como motivos para se manter as rezas de ladainhas vivas e o repasse de conhecimento é incentivado pelos membros mais velhos das famílias como uma herança espiritual. A metodologia utilizada foi qualitativa: pesquisa de campo com observação (Uriarte, 2012) e realização de entrevistas não-diretivas gravadas e registro de histórias de vida (Thompson, 1992), com acompanhamento do ritual das ladainhas junto às rezadoras atuais. Esta presença mais marcante dos membros do clero católico na cidade provocou reações e posicionamentos dos rezadores e rezadoras, cada um com seu protagonismo tomou decisões e escolhas que reverberaram nas festas atuais e nas suas respectivas sucessões, pois são vistos como exemplos a serem seguidos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Mudanças e permanências: uma análise sobre a memória e relações entre humanos e não-humanos de uma comunidade amazônica(Universidade Federal do Pará, 2025-06-23) LIMA, Ticiano Rafael Santiago de; CAÑETE, Voyner Ravena; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; CARDOSO , Denise Machado; DIAZ, Rafael Paiva de Oliveira; MOURA, Edila Arnaud Ferreira; CAÑETE, Thales Maximiliano Ravena; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; http://lattes.cnpq.br/0071623721470815; http://lattes.cnpq.br/2154370107837866; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-0093-8464; https://orcid.org/Esta dissertação analisa as dinâmicas de mudanças e permanências nas relações entre humanos e não-humanos na comunidade ribeirinha Independência, localizada em São Domingos do Capim, no nordeste paraense. A partir da Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour e dialogando com autores como Leandro Tocantins e Maurice Halbwachs, a pesquisa explora como o rio Capim atua como mediador central das interações sociais, econômicas e culturais da comunidade. O trabalho se ancora na abordagem qualitativa e utiliza metodologias como história oral, entrevistas semiestruturadas, observação direta e levantamento bibliográfico para compreender o impacto das transformações socioambientais impulsionadas por grandes projetos econômicos e pela colonização histórica da região. Ao enfocar a memória coletiva dos moradores, especialmente pescadores artesanais e agricultores familiares, a dissertação identifica práticas tradicionais que resistem às pressões externas, revelando estratégias de adaptação e reafirmação cultural. O estudo destaca a importância das populações tradicionais amazônicas, evidenciando a comunidade amazônica como forma de vida e identidade que articula elementos materiais, simbólicos e territoriais. A pesquisa conclui que, apesar das intensas transformações, a comunidade Independência mantém uma relação simbiótica com o rio Capim, reafirmando saberes locais e redes de sociabilidade como pilares de resistência e sustentabilidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ações Afirmativas para Indígenas Estudantes na Universidade Federal do Pará, Região Norte, Amazônia, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2026-02-25) BRAGA, Gabriel Silva; CARDOSO , Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; COSTA, Solange Maria Gayoso da; CAÑETE, Voyner Ravena; AMORAS, Maria do Socorro Rayol; GONÇALVES, Telma Amaral; http://lattes.cnpq.br/2325286514501589; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/4427101624225075; http://lattes.cnpq.br/7335593537033167; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/; https://orcid.org/As ações afirmativas, no contexto do ensino superior brasileiro, constituem-se como políticas fundamentais para a promoção da diversidade nas universidades públicas, bem como caminhos para que novos sonhos possam ingressar em cursos de graduação e pós-graduação. O acesso massivo de populações indígenas ao ensino superior ocorreu, sobretudo, a partir dos anos 2000, com a implementação de reserva de vagas nas instituições públicas, cujo caráter adveio da luta organizada dos movimentos indígenas brasileiros para garantia de direitos. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), no que se refere à graduação, esse acesso acontece por meio do Processo Seletivo Especial (PSE), método de ingresso diferenciado, aprovado em 2009 em conselho universitário (a primeira oferta foi em 2010), o qual assegura duas vagas para indígenas em todos os cursos de graduação – no entanto, o começo da presença desses povos na UFPA se iniciou em 2006 no Programa de Pós-Graduação em Direito. Dessa maneira, esse estudo busca questionar como contextos de ações afirmativas, que estão presentes na UFPA, podem tensionar estudantes. Dessa maneira, possuo os seguintes focos: (a) analisar o Estado da Arte sobre as ações afirmativas para povos indígenas na UFPA e na Amazônia Legal; (b) discutir sobre como a relação entre identidade e homogeneização das diferenças entre os indígenas; (c) avaliar os dados institucionais sobre esses estudantes; (d) questionar como o acesso de indígenas acontece nos programas de pós-graduação da UFPA. Como estratégia de pesquisa, realizei conversas com quatro estudantes da UFPA – três da graduação, uma pessoa da pós-graduação. Para concretização desses objetivos, foi necessário levantamento bibliográfico para saber o que já foi produzido sobre a temática na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), com os seguintes descritores: “indígenas”, “ensino superior”, “ações afirmativas”, “políticas afirmativas” e “cotas”, com recorte em instituições da Amazônia Legal. Outrossim, a literatura consolidada sobre educação indígena e ações afirmativas no contexto universitário foram essenciais para embasamento teórico-metodológico. A pesquisa indica alguns caminhos importantes para caracterizar as ações afirmativas no contexto da UFPA: os avanços se estenderam para além da graduação, com políticas de acesso a programas de pós-graduação da universidade, mas nem todos os programas cumprem determinação legal de ofertar vagas para cotistas, conforme estipula a lei n.º 14.723/2023; a quantidade de produções sobre essa política pública em níveis de dissertação e tese no programas de pós da UFPA é insuficiente; no contexto da Amazônia Legal, há pouca produção sobre ações afirmativas para povos indígenas nas pós-graduações, o que impacta negativamente para aprimoramentos – reflexo da região norte ser a última do país a implementar cotas; não se estimula a valorização das diferenças entre os vários grupos indígenas que estudam na UFPA, mas sim uma homogeneização em torno de uma única identidade.
