As “Donas” da feira: vivências de boieiras do Ver-o-Peso em Belém/PA

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06-03-2026

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MELO, Andréa Silva de. As Donas da feira: Vivencias de boieiras do Vero-o-Peso em Belém/PA. Orientadora: Daniela Ribeiro de Oliveira. 2026. 189 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia e Antropologia) - Instituto de Filosofia de Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/1573989294603242. Acesso em: .

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A presente dissertação de mestrado tem como objetivo conhecer as vivências de boieiras – que são mulheres que trabalham no setor alimentício e, predominantemente, pobres e negras – do Ver-o-Peso em Belém/PA diante do evento crítico da Covid-19 e do megaevento da COP 30, que foi realizada na capital em novembro de 2025. Foram realizadas entrevistas com doze trabalhadoras da feira do Ver-o-Peso, sendo uma do setor de polpas e sucos, uma do setor de refeição do calçadão da Castilhos França e dez boieiras, que são objeto do estudo e das quais cinco são donas de boxes e cinco são funcionárias de boxes no período compreendido de 2022 a 2024. Assim, buscamos, especificamente, mostrar que a pandemia desencadeou a interrupção das atividades laborativas e o fechamento do local, incidindo também sobre a atuação do Estado, por meio de políticas públicas de saúde e emprego, sobretudo durante o auge pandêmico. A adoção de estratégias de sobrevivência foi de suma importância para essas trabalhadoras, que são responsáveis por suas famílias e por seus locais de trabalho, como o trabalho escondido e a entrega de refeições por delivery e/ou aplicativos, que geraram estranhamento com o mundo digital e que a despeito dos auxílios fornecidos pelos governos municipal, estadual e federal, não foram capazes de suprir a renda familiar adquirida pelo trabalho constante e precarizado na feira. Com a notícia da escolha da cidade para ser a anfitriã da COP 30, a cidade de Belém passou por uma série de medidas preparativas como intervenções e reformas urbanas, principalmente na região central, onde está localizado o Ver- o-Peso, que consequentemente acarretaram no realojamento de vários setores e feirantes do lugar para um espaço provisório denominado de “Feira Provisória”, inclusive o setor das boieiras, causando conflitos e problemáticas, referentes ao novo local, à temperatura, modo de trabalho e sociabilidade. Apesar disso, as feirantes almejam um futuro melhor para a feira após a Cúpula do Clima que colocou a cidade em evidência internacional, mas também um futuro melhor para elas, como a conquista de seus boxes, trabalhar em outros lugares, obter a casa própria, descansar e ter mais tempo com suas famílias. Esse estudo socioantropológico é uma contribuição às pesquisas sobre comércio e feiras populares, abordando a questão de gênero e demais interseccionalidades que norteiam as vidas de boieiras no Ver-o-Peso, e adotou como perspectiva metodológica a análise qualitativa de inspiração etnográfica, utilizando roteiro semiestruturado, junto a feirantes do Ver-o-Peso e suas associações, aos órgãos de fiscalização e organização, além de outras fontes mobilizadas, como dados oficiais dos governos, das mídias jornalísticas e de institutos de pesquisa.

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