Das raízes às redes: interfaces entre comunicação e educação em práticas de jovens indígenas da Amazônia

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10-04-2026

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SEREJO-SANTOS, Hericley. Das raízes às redes: interfaces entre comunicação e educação em práticas de jovens indígenas da Amazônia. Orientadora: Vânia Maria Torres Costa. 2026. 305 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18673. Acesso em:.

DOI

A partir do compulsório isolamento social para prevenção à Covid-19, os povos indígenas da Amazônia intensificaram a apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais para informar, denunciar e reivindicar direitos por meio de plataformas digitais. A juventude esteve à frente desse movimento e motivou a criação da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em 2021. As oficinas remotas que deram origem à Rede foram realizadas com base em “conceitos da Educomunicação”, conforme a própria Coiab declarou em seu site, o que atraiu os questionamentos centrais desta pesquisa. Nosso objetivo é discutir e compreender a interface entre Educação e Comunicação, indígenas e não indígenas, a partir da apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais por jovens da referida Rede da Coiab. Para isso, buscamos identificar as práticas realizadas por esses jovens; analisar materiais midiáticos elaborados por eles e elas, estabelecendo relação com suas especificidades sociais, históricas, políticas e culturais; e compreender a relação dessa interface com a busca por poder de voz. A base teórico-metodológica desta tese articula a Teoria das Mediações (Martín-Barbero, 1997; Orozco Gómez, 2014; Consani, 2008) à Narratologia (Ricoeur, 1987; Motta, 2013), juntamente com a análise empírica do poder de voz (Motta, 2012; 2013), e à noção de processualidade da teoria tentativa da Comunicação (Braga, 2017), tendo como plano de fundo as discussões sobre colonialidade (Quijano, 2005; Mignolo, 2017). Empiricamente, as narrativas indígenas se constituem como materialidades observáveis da investigação, acessadas por meio de entrevistas narrativas (Jovchelovitch; Bauer, 2008) com os jovens comunicadores indígenas Jakukrei Gavião (Pará), Luene Karipuna (Amapá), Alana Manchineri (Acre) e Anderson Arapaço (Amazonas), e com as lideranças Alcebias Sapará, vice-coordenador da Coiab, Concita Sompré, presidente da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), e Madson Gavião, liderança de comunicação na Aldeia Gavião Kyikatêjê. Complementamos a apreensão dos sentidos sobre essas narrativas com a análise de quatro materiais midiáticos elaborados pelos jovens da Rede: os podcasts “Amazônia Indígena” e “Vozes Indígenas da Amazônia”, a animação “Grandes Guerreiros e Guerreiras” e o vídeo “Autoridades do Clima”. A compreensão desse corpo-narrativo foi organizada a partir de três marcadores temporais (“Antes”, “Durante” e “Depois” da realização das oficinas da Rede), estruturados com base na definição de Temas Geradores (Silva, 2004; Scaladrin, 2020), de perspectiva freiriana. Os resultados de nossas reflexões nos levaram a caracterizar as práticas protagonizadas por esses jovens como intercontextuais, reforçando tanto o seu caráter intercultural quanto de interface entre múltiplos contextos, e como práticas de poder de voz, pelas contribuições à efetivação dos aldeamentos digital e político realizados junto com o movimento indígena. O entendimento dessas práticas nos permitiu ainda estabelecer uma conexão entre as noções de processualidade na comunicação e nas mediações com a educomunicatividade. Partindo de uma perspectiva decolonial referenciada, reconhecemos as significativas transformações que ocorrem na apropriação e ressignificação de pressupostos do paradigma educomunicativo, descentralizando-nos de enrijecidas delimitações teóricas e nos fazendo voltar a práticas intercontextuais imersas em multimediações, o que aponta para uma rica fonte de aprendizados para a compreensão de fenômenos comunicacionais de interface, como são as práticas da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coiab.

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