Da Adversidade À Ofensa: Experiências Adversas na Infância e o Papel Mediador das Concepções de Masculinidades em Jovens Ofensores

Imagem de Miniatura

Tipo

Data

31-03-2026

Afiliação

Grau

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Tema

Eixo temático

Tipo de acesso

Acesso AbertoAttribution 4.0 Internationalaccess-logo

Contido em

Citar como

FERRAZ, Maíra de Maria Pires. Da Adversidade À Ofensa: Experiências Adversas na Infância e o Papel Mediador das Concepções de Masculinidades em Jovens Ofensores. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2026. 225 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: . Acesso em: .

DOI

Esta tese buscou compreender a relação entre Experiências Adversas na Infância e o desfecho da ofensa sexual e não sexual em jovens que cometeram ato infracional, verificando se as concepções de masculinidades funcionam como variável mediadora. Realizou-se um estudo multimétodo com 156 jovens (N=156) de Belém/PA, divididos em três grupos: ofensores sexuais, ofensores não sexuais e grupo comunitário. A coleta utilizou o questionário ACE-IQ Test, a Escala de Concepções de Masculinidade (ECM) e entrevistas semiestruturadas. A análise integrou modelos de correlação, análise de correspondência, regressão logística multinominal (Estudo I e II) e mediação estatística via bootstrapping (Estudo III) com análises lexicais de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e Similitude (Estudo III) a partir do Software Iramuteq. Como resultados, o Estudo I identificou que ofensores não sexuais possuem ACEScores elevados (>7), associados a contextos de violência coletiva e familiar encarcerado, enquanto ofensores sexuais apresentam maior histórico de abuso emocional e doméstico. O Estudo II demonstrou que o heterossexismo e a restrição emocional diferenciam os grupos, com os ofensores apresentando alta adesão a normas rígidas de masculinidade em comparação ao grupo comunitário. Por fim, o Estudo III confirmou que o heterossexismo atua como uma variável de mediação crítica, explicando, 45,7% da relação entre negligência emocional e comportamento de ofensa geral. A análise qualitativa transversal confirmou que o termo "Homem" ancora expectativas de coragem e inibição da vulnerabilidade emocional, funcionando como um dispositivo de validação social a partir da homossociabilidade. À luz do modelo PPCT, os achados sugerem que díades primárias seguras com a presença de um Terceiro Responsável, menor reatividade emocional, transições ecológicas supervisionadas e a flexibilidade de gênero podem funcionar como fatores protetivos que inibem a trajetória infracional mesmo em contextos de risco. Conclui-se que a ofensa juvenil deve ser compreendida como um fenômeno bioecológico, produzido na interseção entre trajetórias marcadas por adversidades, contextos sociais e processos de socialização de gênero. Os resultados afastam-se de perspectivas deterministas, indicando que a prevenção da ofensa juvenil requer intervenções voltadas à transformação das condições contextuais de desenvolvimento e à construção de concepções de masculinidades menos associados à violência, capazes de interromper trajetórias marcadas pela reprodução do sofrimento e da agressão.

browse.metadata.ispartofseries

Área de concentração

País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará

Sigla(s) da(s) Instituição(ões)

UFPA

item.page.isbn

Fonte

PDF

item.page.dc.location.country

Fonte URI

https://ppgtpc.propesp.ufpa.br/index.php/br/teses-e-dissertacoes/teses