Grandes projetos na Amazônia e suas condicionantes: uma abordagem a partir do esgotamento sanitário em Altamira – PA

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05-09-2025

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ZARAMELLA, Lucas Santos. Grandes projetos na Amazônia e suas condicionantes: uma abordagem a partir do esgotamento sanitário em Altamira – PA. Orientador: Wellington de Pinho Alvarez. 2025. 179 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Altamira, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18396. Acesso em:.

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Este estudo analisa a evolução histórica, urbana e socioambiental do município de Altamira (PA), com foco na constituição e nos desafios relacionados ao sistema de esgotamento sanitário, tendo como marco principal o processo de transformação urbana associado aos grandes programas de desenvolvimento, em especial a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte-UHEBM. A pesquisa parte de uma abordagem interdisciplinar e analítica, considerando os períodos anteriores à obra, o momento da sua execução e o contexto posterior, com o objetivo de compreender como a ausência, a precariedade e a posterior tentativa de implementação de um sistema de esgotamento influenciaram as condições de saúde pública, habitação e ordenamento territorial. O trabalho revisita desde a formação inicial da cidade, marcada por ocupações jesuíticas, ciclos econômicos como o da borracha, e as transformações provocadas pela abertura da Rodovia Transamazônica na década de 1970. Examina-se como o crescimento urbano pouco equitativo, impulsionado por fluxos migratórios e pela especulação fundiária, contribuiu para o adensamento populacional em áreas alagáveis, sem infraestrutura básica. O estudo evidencia que a cidade historicamente não contou com planejamento sanitário eficaz, e que o esgoto, quando não lançado a céu aberto, era destinado a fossas rudimentares, valas e, posteriormente, a redes pluviais sem tratamento, culminando na poluição dos corpos hídricos, especialmente do rio Xingu. Durante o processo de instalação da UHE Belo Monte, verifica-se a intensificação de problemas socioespaciais, com remoções de populações vulneráveis e a criação de novos bairros sem estrutura adequada. Embora tenham sido implantadas redes de esgoto como parte das condicionantes do licenciamento ambiental, a pesquisa aponta falhas na execução, na abrangência e na operação do sistema. Os dados levantados e as análises documentais e históricas demonstram a continuidade da exclusão socioespacial e da desigualdade no acesso ao saneamento, com efeitos diretos sobre o meio ambiente e a saúde coletiva. Ao integrar aspectos históricos, técnicos, urbanos e sociais, o estudo revela que a questão do esgotamento sanitário em Altamira é um problema estrutural de longa data, agravado por sucessivos ciclos de crescimento desordenado e falta de políticas públicas eficazes. Conclui-se que a cidade ainda carece de um planejamento sanitário integrado, que contemple tanto os aspectos técnicos quanto os direitos sociais, ambientais e territoriais da população, especialmente das camadas mais vulneráveis.

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País

Brasil

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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