Evidências de validade da Escala de Comportamentos Parentais para adolescentes brasileiros: relações com estilos parentais e habilidades sociais na perspectiva bioecológica

Imagem de Miniatura

Tipo

Data

16-06-2026

Afiliação

Grau

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Tema

Eixo temático

Tipo de acesso

Acesso AbertoAttribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 Internationalaccess-logo

Contido em

Citar como

OLIVEIRA, Adriane Lima da Silva. Evidências de validade da Escala de Comportamentos Parentais para adolescentes brasileiros: relações com estilos parentais e habilidades sociais na perspectiva bioecológica. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2026. 356 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: . Acesso em:.

DOI

A adolescência constitui uma fase marcada por intensas transformações biopsicossociais, na qual o contexto familiar exerce um papel fundamental no desenvolvimento. Nesse cenário, práticas e estilos parentais, especialmente quando associados à negligência, podem influenciar significativamente o repertório de habilidades sociais. Assim, compreender as relações entre esses constructos torna-se essencial para a promoção do desenvolvimento saudável de adolescentes. Diante dessas premissas, esta tese teve como objetivo, realizar a adaptação transcultural e a análise das propriedades psicométricas da Escala de Percepção de Negligência Parental para Adolescentes Brasileiros, incluindo evidências de validade externa por meio da relação com habilidades sociais e estilos parentais, à luz do modelo bioecológico do desenvolvimento humano. Buscou-se compreender como práticas parentais e variáveis contextuais se associam ao desenvolvimento socioemocional na adolescência, bem como adaptar e analisar evidências psicométricas de uma escala Measure of Parenting Behaviours voltada à avaliação da negligência parental nesse público. Para a construção da presente pesquisa, propôs-se um método com pesquisa de campo e abordagem quantitativa e qualitativa dos dados. A pesquisa envolveu adolescentes do município de Santarém, com idades entre 12 e 17 anos, matriculados em três escolas municipais da zona urbana do município. Participaram do estudo 385 adolescentes, dos quais 233 eram do sexo feminino e 152 do sexo masculino. Para coleta dos dados, foram aplicados os seguintes instrumentos: um questionário sociodemográfico, um inventário de estilos parentais, um inventário de habilidades sociais e uma escala de comportamentos parentais, para a qual foi realizado o processo de adaptação transcultural. Foram realizadas análises descritivas, fatoriais e correlacionais bivariadas de Pearson e Correlação Canônica Múltipla, visando identificar padrões de funcionamento parental e suas relações com o repertório comportamental dos participantes. Os aspectos éticos da pesquisa envolvem a assinatura dos termos TCLE para os pais e responsáveis dos adolescentes e o TALE para os participantes. No que se refere à Análise Fatorial Exploratória da Escala de Comportamentos Parentais, os resultados confirmam que a escala apresenta uma estrutura tri fatorial consistente, sustentada empiricamente e teoricamente pelas dimensões de Apoio Emocional, Supervisão e Apoio Educacional. A adequação da amostra (KMO = 0,78) e a significância da matriz de correlações (teste de Bartlett, p < 0,0001) evidenciam a robustez do modelo e a interdependência entre os itens analisados. A extração dos três fatores explica 72,8% da variância total, indicando elevada capacidade de síntese do construto avaliado. Além disso, as altas cargas fatoriais e os índices satisfatórios de confiabilidade interna (α ≥ 0,78) reforçam a consistência interna da escala. Quanto aos achados da correlação entre gênero e variáveis sociodemográficas, os resultados apontaram que o gênero não é um fator determinante para diferenças estruturais nas condições sociodemográficas e familiares, reforçando a homogeneidade do grupo e a inexistência de padrões discriminatórios ou desigualdades marcantes entre meninos e meninas nos aspectos avaliados, neste estudo. Quanto às práticas maternas, identificou-se que o fator Comportamento Moral se destaca como a dimensão mais consistente entre as práticas positivas (89,7%). Por outro lado, nas práticas negativas, a Monitoria Negativa (61,9%) e o Abuso Físico (até 32,7%, além de 28,7% relacionados ao medo de apanhar) emergem como as dimensões de maior criticidade, evidenciando elevada ocorrência de comportamentos parentais negativos, como controle excessivo e práticas agressivas. Quanto às práticas paternas, observou-se a presença de práticas positivas, com destaque para o comportamento moral (70,4%), coexistindo com práticas negativas relevantes, como monitoria negativa (39,5%), disciplina relaxada (43%) e negligência (30,5%), evidenciando um padrão ambivalente, marcado por inconsistência na aplicação de regras e no suporte emocional. Em relação ao repertório de habilidades sociais, os adolescentes apresentaram maior consistência nas dimensões de civilidade (até 65,9% de nenhuma dificuldade), empatia (entre 51,1% e 58,3%) e autocontrole (até 30,9%), indicando bom repertório de comportamentos prossociais e regulatórios. Em contrapartida, a abordagem afetiva configurou-se como a dimensão com maior déficit, apresentando elevados percentuais de dificuldade (até 36,5%) e baixos índices de domínio (5,4%). As análises de correlação indicaram que práticas parentais positivas, especialmente relacionadas às dimensões de monitoria positiva e comportamento moral do IEP, associam-se a fatores da ECP, como apoio emocional (r = 0,275; p < 0,001; r = 0,198; p = 0,003) e supervisão (r = 0,181; p = 0,007), evidenciando relações com melhores indicadores socioemocionais. Em contrapartida, práticas negativas e indicadores de negligência apresentaram associações inversas com o apoio emocional (r = -0,314; p < 0,001), indicando maior vulnerabilidade no desenvolvimento socioemocional. Variáveis socioeconômicas, como presença de cuidadores, renda e estabilidade familiar, mostraram-se associadas a maiores níveis de supervisão e cuidado, ao passo que fatores como menor escolaridade, idade e gênero influenciaram a percepção de suporte parental. E ainda, resultados que se apresentaram de forma paradoxal, envolvendo a presença de correlações positivas entre apoio emocional e práticas de monitoria negativa (r = 0,196; p = 0,003; r = 0,207; p = 0,002) na percepção dos adolescentes quanto às práticas paternas, sugerindo a coexistência de padrões relacionais ambivalentes. Observou-se outro achado paradoxal nas associações com o uso de álcool e drogas, que apresentou correlação positiva com indicadores de apoio emocional, como ajudar em problemas (r = 0,328; p < 0,001) e consolar quando triste (r = 0,305; p < 0,001). O que sugere a presença de comportamentos compensatórios, nos quais os cuidadores intensificam o suporte diante de contextos de risco. De modo geral, os resultados evidenciam que o desenvolvimento das habilidades sociais na adolescência está diretamente relacionado à qualidade das práticas parentais e ao contexto bioecológico no qual o adolescente está inserido. Observa-se que, embora haja presença de repertórios sociais bem desenvolvidos, persistem déficits importantes associadas à inconsistência parental e à negligência, reforçando a necessidade de intervenções que promovam práticas educativas mais consistentes e sensíveis às demandas socioemocionais dessa fase do desenvolvimento. Assim, conclui-se que a presente pesquisa contribui para a ampliação da compreensão da relação entre negligência parental, estilos parentais e habilidades sociais, articulando esses construtos em uma perspectiva ecológica, sendo sensíveis às diversas variáveis que permeiam este fenômeno, tanto as relacionais quanto as psicométricas, apresentando-se como uma medida culturalmente adaptada ao contexto brasileiro, especialmente na região Norte. Isso evidencia, ainda, a necessidade de dar maior visibilidade às questões ambivalentes presentes nos contextos bioecológicos de desenvolvimento, muitas vezes compreendidas e nomeadas como práticas de educação parental, transmitidas ao longo das gerações.

browse.metadata.ispartofseries

Área de concentração

País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará

Sigla(s) da(s) Instituição(ões)

UFPA

item.page.isbn

Fonte

PDF

item.page.dc.location.country

Fonte URI

https://www.ppgtpc.propesp.ufpa.br/index.php/br/teses-e-dissertacoes/teses