Terapia de Aceitação e Compromisso com Pessoas Idosas: um modelo de intervenção breve

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16-03-2026

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FARO, Lidiane Colares de. Terapia de Aceitação e Compromisso com Pessoas Idosas: um modelo de intervenção breve. Orientador: Janari da Silva Pedroso. 2026. 172 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18427. Acesso em: .

DOI

O envelhecimento populacional brasileiro impõe desafios significativos às políticas públicas voltadas à atenção à pessoa idosa, especialmente quanto à oferta de intervenções psicológicas viáveis e sensíveis às especificidades da velhice. O aumento da expectativa de vida, associado a contextos de vulnerabilidade social, demanda estratégias de cuidado que transcendam modelos exclusivamente biomédicos e considerem recursos subjetivos relacionados à adaptação no desenvolvimento humano. Nesse contexto, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), abordagem contextual-comportamental baseada em processos, apresenta-se como alternativa ao enfatizar flexibilidade psicológica, compreendida como a capacidade de agir de maneira coerente com valores pessoais mesmo diante de experiências internas difíceis. Esta tese teve como objetivo investigar a viabilidade e possíveis efeitos de uma intervenção grupal breve baseada na ACT para pessoas idosas em contexto público de cuidado, articulando referenciais desenvolvimentais do envelhecimento, especialmente o paradigma life-span e o modelo de Seleção, Otimização e Compensação (SOC), à perspectiva da ACT. O trabalho foi estruturado em quatro estudos complementares. O Estudo I consistiu em uma revisão da literatura acerca da aplicação da ACT com pessoas idosas. Os achados indicaram evidências favoráveis à utilização da ACT e de versões breves, como a FACT, especialmente na redução de sofrimento psicológico, sintomas depressivos e dor crônica, além do aumento do engajamento com valores pessoais. Entretanto, observaram-se heterogeneidade metodológica, limitações amostrais e escassez de estudos nacionais. O Estudo II, de natureza qualitativa, analisou os significados atribuídos ao envelhecimento por 116 pessoas idosas usuárias de serviços públicos de cuidado, por meio de análise lexical de questões abertas. Foram identificadas três classes discursivas: retração social, adaptação reflexiva e envelhecimento como maturidade. Os resultados indicaram predominância de significados relacionados à reorganização adaptativa diante das mudanças do envelhecimento. O Estudo III, de delineamento transversal, investigou associações entre flexibilidade psicológica, autoeficácia e resiliência na mesma amostra. Utilizaram-se os instrumentos AAQ-II, GSES e CD-RISC-10, além de dados sociodemográficos e comportamentais. Os resultados evidenciaram correlações entre maior flexibilidade psicológica, maiores níveis de autoeficácia e resiliência. Também foram observadas associações entre esses recursos e fatores contextuais, como participação em atividades físicas, lazer e redes sociais. O Estudo IV consistiu na implementação e avaliação de um protocolo piloto grupal baseado na ACT, composto por seis encontros semanais, realizado com cinco participantes que concluíram todas as etapas. Observou-se tendência de redução dos escores de inflexibilidade psicológica, além de elevada aceitabilidade da intervenção. Relatos qualitativos destacaram a relevância do espaço grupal, da reflexão sobre valores pessoais e da aplicabilidade prática dos exercícios no cotidiano. Barreiras estruturais, como dificuldades de locomoção e disponibilidade de horário, foram identificadas como desafios para futuras implementações. De forma integrada, os resultados sugerem que intervenções breves fundamentadas na ACT são viáveis em contextos públicos de cuidado à pessoa idosa e podem favorecer processos relacionados à adaptação psicológica na velhice. A articulação entre modelos desenvolvimentais e abordagens comportamentaiscontextuais constitui uma contribuição teórica ao indicar convergências entre a reorganização adaptativa descrita pelo modelo SOC e a flexibilidade psicológica proposta pela ACT.

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Universidade Federal do Pará

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