Revisão sistemática da representação e do transtorno de apego em crianças que vivenciam cuidado substituto

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21-03-2022

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FURTADO, Monalisa Pereira. Revisão sistemática da representação e do transtorno de apego em crianças que vivenciam cuidado substituto. Orientador: Celina Maria Colino de Magalhães. 2022. 144 f. Dissertação (Mestrado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2022. Disponível em: . Acesso em: .

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Existe grande quantitativo de estudos que realizam investigações na temática do apego em crianças que vivenciam cuidado substituto, porém, pouco se fala a respeito da forma como as avaliações são realizadas nesse espaço. A investigação do apego em crianças que residem em instituições é fundamental pois há estudos que evidenciam a variedade de consequências ao desenvolvimento, físico e psicológico, decorrentes da privação do cuidado familiar. O presente estudo tem como objetivo investigar na literatura a forma como as representações de apego e os transtornos de apego são avaliados em crianças que se encontram em cuidado substituto. Foi realizada revisão sistemática de literatura. Esta revisão sistemática seguiu os itens do PRISMA. Os artigos foram buscados nas bases de dados eletrônicas PubMed, Science direct e Scopus. Os descritores utilizados foram: attachment and foster*, attachment and orphan*, attachment and shelter e attachment and instituti*. Dentre os critérios de inclusão destacam-se os artigos de pesquisas empíricas quantitativas, em texto completo publicados em revistas científicas revisadas por pares, que trabalhem com os instrumentos de avaliação de apego de crianças em instituições de cuidado substituto. Artigos publicados em português, inglês e espanhol foram lidos. Os estudos deveriam possuir como participantes: crianças na faixa etária de zero a doze anos residentes em ambientes de cuidado substituto. Os dados foram sintetizados a partir da síntese temática. Os 22 artigos que compuseram a pesquisa foram trabalhados em dois estudos, no Estudo I foram usados nove artigos acerca das representações de apego, e teve como principais resultados: inclusão de estudos de grande relevância da área investigada, a qual possui caráter atual; os instrumentos são adaptados de forma restrita para o contexto do cuidado substituto, com a modificação do termo pai/mãe por “cuidador” em sua aplicação; percebe-se lacuna quanto à delimitação do cuidador de referência da criança; as representações de apego das crianças que vivenciam o cuidado substituto estão interrelacionadas à qualidade da interação cuidador-criança, ao contato com a família biológica, ao tempo em cuidado substituto, ao número de transição de cuidadores, às características do cuidador substituto e; diversos fatores influenciam nas representações de apego das crianças, como problemas de comportamento, sintomatologia de quadros psicopatológicos e desenvolvimento do QI. No Estudo II, 13 artigos acerca dos transtornos de apego, o qual teve como principais resultados: artigos de estudos de grande relevância e representatividade; poucos estudos fazem uso de grupo controle para assegurar comparabilidade; apenas dois instrumentos utilizados relatam adaptação para o contexto de cuidado substituto; apenas três estudos delimitam uma forma de determinação do cuidador de referência; muitas variáveis são associadas aos transtornos de apego, como as interrupções nos cuidados, os números e tipos de maus-tratos pelos quais a criança passou, o período de tempo em que elas passaram em cuidado substituto e a idade que ela possuía no momento do acolhimento; e muitos aspectos do desenvolvimento da criança se associam aos transtornos de apego, como problemas de comportamento e psicopatológicos. A partir dos dados da presente revisão para analisar o âmbito nacional nota-se tanto a necessidade de se ampliar os estudos acerca do apego em ambientes de cuidado substituto quanto a relevância de se trabalhar políticas públicas para ampliação dos serviços de família acolhedora no Brasil. Conclui-se que a presente revisão acrescenta importantes dados, tanto em relação à Teoria do apego quanto em relação aos transtornos de apego. Os quais são conceitos distintos, porém, com um importante ponto em comum, sua influência nos aspectos de desenvolvimento da criança, especialmente para aquelas que vivenciam o cuidado substituto.

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