Dissertações em Teoria e Pesquisa do Comportamento (Mestrado) - PPGTPC/NTPC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2333
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 1987 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), que integra o Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento(NTPC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Autores de Violência Doméstica entre Parceiros Íntimos: Características Biopsicossociais a Partir dos Casos Notificados entre 2018 e 2022(Universidade Federal do Pará, 2025-12-12) RIBEIRO, Adriana Almeida de Azevedo; REIS, Daniela Castro dos; http://lattes.cnpq.br/8805305887566391; https://orcid.org/0000-0002-9505-4516; CARVALHO NETO, Marcus Bentes de; https://lattes.cnpq.br/7613198431695463; https://orcid.org/0000-0001-9550-409X; VALE, Kamilly Souza do; SOARES, Pedro Felipe dos Reis; http://lattes.cnpq.br/9384106567155237; http://lattes.cnpq.br/6486322487647409; https://orcid.org/0000-0002-7031-2240; http://orcid.org/0000-0002-7154-908XA violência contra a mulher configura-se como um grave problema de saúde pública, manifestando-se predominantemente no ambiente doméstico e em relações de afeto, resultando em danos físicos, sexuais e psicológicos. Apesar do aumento expressivo de casos no Brasil, com o estado do Pará ocupando a 8ª posição entre os mais violentos do país, a literatura ainda apresenta lacunas quanto às características dos agressores. Diante desse cenário, o presente estudo objetivou traçar o perfil biopsicossocial dos autores de violência doméstica entre parceiros íntimos, utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) entre 2018 e 2022. Os resultados indicaram que os autores no Pará são majoritariamente homens adultos, cujas ações estão inseridas em um contexto patriarcal que naturaliza desigualdades de gênero. Observou-se a predominância das violências física e psicológica, frequentemente associadas ao consumo de álcool como fator potencializador da agressividade. Conclui-se que, embora o foco acadêmico recaia majoritariamente sobre as vítimas, a compreensão detalhada do perfil e das práticas dos autores é um passo fundamental para o rompimento do ciclo de violência, fornecendo subsídios essenciais para a elaboração de políticas públicas preventivas e educativas mais eficazes no cenário regional.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Desenvolvimento de Cidadania Relacionada à Energia Elétrica a Estudantes do Ensino Fundamental(Universidade Federal do Pará, 2025-02-04) RÊGO, Marcelly Gabriele de Moura; COSTA, Thiago Dias; https://lattes.cnpq.br/1248194912228326; https://orcid.org/0000-0002-5443-5232; BARROS, Romariz da Silva; https://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; MARQUES, Leonardo Brandão; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; https://lattes.cnpq.br/3705407022339177; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://orcid.org/0000-0003-4993-4587; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707O Brasil enfrenta o desafio da transição energética, ou seja, transformar a matriz energética do país em uma renovável e menos danosa ao meio ambiente. Um outro ponto desse desafio é ensinar comportamentos pró-ambientais a população. Contudo, os métodos e tecnologias de ensino tradicionais têm sido pouco eficientes, especialmente frente ao público infanto-juvenil atual, dados os estímulos tecnológicos que competem com esses métodos e tecnologias. Por esse motivo, a utilização de ferramentas que promovam o aprendizado de forma ativa e autônoma pode ser uma opção para ensino e aprendizagem nas Escolas. Dessa forma, o presente trabalho avaliou a eficácia de intervenções educacionais voltadas para promoção de comportamentos pró-ambientais, por meio do ensino sobre o funcionamento do sistema de energia elétrica no Brasil. Para isso, uma cartilha disponibilizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) foi adaptada, validada e transformada em livro para o público infanto-juvenil e foram elaborados vídeos, ambos com base na ferramenta storytelling. Livros e vídeos foram avaliados mediante seu uso junto a turmas do Ensino Fundamental de escolas públicas em Belém do Pará. O desempenho dos alunos foi avaliado por meio de pré-testes e pós-testes, em um delineamento experimental de sujeito único. Os resultados da intervenção mostraram que os participantes apresentaram aprendizagem equivalente sobre energia elétrica considerando os grupos experimentais. Contudo, o vídeo favoreceu mais fortemente a captura e atenção ao material enquanto na modalidade livro, houve maior dispersão durante a exposição ao material. Os dados também indicam os pontos em que o material de ensino pode ser melhorado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As Influências das Agências de Controle e do Conservadorismo na Construção e Manutenção da LGBTfobia no Brasil(Universidade Federal do Pará, 2025-03-17) SANTIAGO, Beatriz Ramos; VASCONCELOS NETO, Aécio de Borba; https://lattes.cnpq.br/1327787867439433; https://orcid.org/0000-0002-6842-2045; TOURINHO, Emmanuel Zagury; https://lattes.cnpq.br/5960137946576592; https://orcid.org/0000-0001-6165-6837; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; BAIA, Fábio Henrique; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://lattes.cnpq.br/5051301232598518; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707; https://orcid.org/0000-0002-4084-4828A LGBTfobia é caracterizada pela representação de vários tipos de violência direcionadas a pessoas que não vivenciam a sexualidade de acordo com a lógica cisheterocêntrica. A violência de ordem institucional é destacada neste trabalho, por ser ela mesma um possível fator de fomento às demais formas de violência contra a população LGBTQIA+. A LGBTfobia institucional, autorizada pela tradição conservadora de nosso país, é composta por algumas agências controladoras como o governo, a religião, a economia, a família e a educação. Assim, tomando como base os conceitos de Agências Controladoras propostos por B. F. Skinner e o entendimento da Análise do Comportamento como ferramenta para leitura teórica de fenômenos sociais com possibilidade de transformação social, o objetivo deste trabalho foi propor uma breve interpretação analítico-comportamental sobre como as Agências de Controle e o conservadorismo atuam na construção e manutenção da LGBTfobia no Brasil. Para tal, a pesquisa foi constituída pelas seguintes fases: a) formulação da pergunta de pesquisa; b) especificação de fontes relevantes; c) seleção de fontes; d) levantamento de informações; e e) tratamento das informações. Dentre as principais reflexões encontradas nesta pesquisa, estão: o destaque das diferenças entre os dois principais grupos envolvidos no fenômeno da LGBTfobia, a importância do contexto histórico brasileiro para a explicação das relações do país com o cisheterocentrismo e com a LGBTfobia, as implicações da ideia de que discursos (procedimentos de controle) sustentam práticas lgbtfóbicas, a análise de como estas práticas controladoras são selecionadas e se mantém, a análise de práticas contracontroladoras no contexto de LGBTfobia e seus efeitos e do contexto de interação entre diferentes instituições controladoras no Brasil.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Variáveis que afetam o uso de capacete por ciclistas: análises qualitativa e experimental(Universidade Federal do Pará, 2025-01-31) CERDEIRA, Tereza Regina Furtado; COSTA, Thiago Dias; https://lattes.cnpq.br/1248194912228326; https://orcid.org/0000-0002-5443-5232; BARROS, Romariz da Silva; https://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; SANDALL, Hugo Leonardo Póvoa; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; RAMOS, Camila Carvalho; https://lattes.cnpq.br/1610165164635357; https://lattes.cnpq.br/8960291779730857; https://lattes.cnpq.br/4681656913940932; https://orcid.org/0000-0002-6500-2678; https://orcid.org/0000-0002-3885-5835; https://orcid.org/0000-0002-9801-9361O uso de capacete de ciclismo pode reduzir em até 80% a gravidade de lesões na região da cabeça em casos de acidentes. A despeito da sua importância, a prática de usá-lo é incipiente no Brasil. Este trabalho investiga os fatores que podem influenciar ciclistas a usarem capacete e avalia os efeitos de intervenções experimentais na promoção desse comportamento. Para isso, dois estudos foram realizados. No primeiro estudo, 185 ciclistas foram sondados a respeito dos fatores que os levam ou dificultam a usar capacete. Então, eles foram divididos em dois grupos: 1) aqueles que relataram usar capacete e 2) aqueles que relataram não usar capacetes. Fatores críticos foram investigados através de uma análise comparativa das respostas dadas pelos dois grupos. Os resultados indicaram que o desconforto, os preços elevados, o design incômodo e a ausência de armários e vestiários próximos ao ponto de chegada, desmotivam o uso deste item. No segundo estudo, foi conduzido um experimento com 794 ciclistas, clientes de uma locadora de bicicletas, com o objetivo de aferir os efeitos de intervenções experimentais sobre o comportamento de usar capacete. Na Intervenção 1, capacetes de ciclismo ficaram visualmente expostos atrás do balcão de aluguel da locadora, com pouco ou nenhum efeito sobre o comportamento dos ciclistas. Na Intervenção 2, os capacetes foram posicionados nas manoplas das bicicletas disponíveis. Com isso, o percentual de ciclista que usaram capacete alcançou 17%. Conclui-se que o planejamento de intervenções que promovam o comportamento seguro no trânsito deve iniciar na identificação do perfil e das necessidades de seu público-alvo para aumentar a eficácia e a efetividade dessas estratégias.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Treinamento de profissionais via Videomodelação para o ensino de Habilidades de Vida Diária(Universidade Federal do Pará, 2025-02-17) ROCHA, Larissa Monteiro; GUIMARÃES, Mariane Sarmento da Silva; https://lattes.cnpq.br/9865693510170459; https://orcid.org/0000-0003-4790-8561; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; https://lattes.cnpq.br/8960291779730857; https://orcid.org/0000-0002-3885-5835; PAIXAO, Glenda Miranda da; MARTINS, Tatiana Evandro Monteiro; https://lattes.cnpq.br/4907341979044292; https://lattes.cnpq.br/7616890300950792; https://orcid.org/0000-0001-9479-2659; https://orcid.org/0000-0002-5270-1912Os dados da prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm apresentado um aumento expressivo no mundo inteiro, o que implica diretamente na necessidade de profissionais qualificados que atendam a crescente demanda. Pessoas com TEA costumam apresentar dificuldades para realizar habilidades de vida diária (HVDs) de forma independente, por conta de aspectos característicos do quadro diagnóstico, e é da competência do Terapeuta Ocupacional operar com essas capacidades de desempenho durante o ensino das HVDs. Diante disso, o presente trabalho objetivou elaborar e avaliar a aplicação de um pacote de treinamento para ensinar a implementação de procedimentos de ensino de HVDs a quatro discentes do curso de Terapia Ocupacional. O delineamento utilizado foi de sondas múltiplas, no qual a variável independente foi a exposição das participantes a um pacote composto por: a) Treino Conceitual (TC) que consistiu na apresentação de vídeos instrucionais com conteúdos envolvendo procedimentos para o ensino de HVDs; e b) Treino Prático através de Videomodelação (VM) que instruiu a implementação dos procedimentos ensinados no TC para ensinar duas HVDs. As variáveis dependentes foram a porcentagem de acertos (a) nos testes conceituais e, (b) na integridade de ensino das HVDs. Os resultados obtidos apontam para a eficácia do pacote utilizado, tendo em vista o desempenho inicial das participantes que foi entre 0% e 7,7% na integridade de implementação de treinos de HVDs e que após passarem por todas as etapas de treino, alcançaram acima de 80% de precisão, inclusive na fase de generalização. O tempo total de treinamento variou de 47 a 78 minutos, entre as participantes. Considerando a média de tempo do presente estudo quando comparada à média de outros treinamentos, é possível verificar também a eficiência deste pacote de treinamento, em razão do menor custo de tempo despendido. Tais resultados também ratificam a indicação do uso de VM no treino de profissionais, por ser uma ferramenta que além de promover aquisição de desempenho, garante redução no custo e tempo de treinamento.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Treinamento de profissionais da educação: ensino de conceitos necessários para o entendimento de uma análise de contingência(Universidade Federal do Pará, 2025-08-21) SILVA, Rodrigo Sousa da; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; https://lattes.cnpq.br/8960291779730857; https://orcid.org/0000-0002-3885-5835; MARTINS, Tatiana Evandro Monteiro; GOULART, Paulo Roney Kilpp Goulart; https://lattes.cnpq.br/7616890300950792; https://lattes.cnpq.br/7800966999068746; https://orcid.org/0000-0002-5270-1912; https://orcid.org/0000-0001-5427-8743Este estudo investigou os efeitos de um treinamento conceitual, composto por vídeos instrucionais narrados, sobre a aprendizagem dos princípios fundamentais da Análise do Comportamento (AC) necessários à compreensão da análise de contingências por profissionais da educação. Participaram cinco profissionais da rede pública de ensino, com diferentes níveis de escolaridade e experiência, sem conhecimento prévio aprofundado sobre AC. Utilizou-se um delineamento experimental do tipo pré-teste/pós-teste, com follow-up. A variável independente foi um treinamento em vídeo, e a variável dependente foi o desempenho das participantes em testes compostos por múltiplos exemplos. Os resultados indicaram aumento no número de acertos de todas as participantes após o treinamento, com manutenção do desempenho após 30 dias, em comparação com o pré-teste. Os achados sugerem que treinamentos conceituais breves e acessíveis podem ser eficazes para introduzir fundamentos da AC a profissionais da educação, ampliando as possibilidades de ensino para implementação de análise de contingências no ambiente escolar.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Mulheres Autoras de Violência: Caracterização dos Casos de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes Notificados entre 2018 e 2022(Universidade Federal do Pará, 2025-08-13) SOUZA, Jhuliane Karine Costa de; VELOSO, Milene Maria Xavier; https://lattes.cnpq.br/6105598873866312; https://orcid.org/0000-0002-1035-8968; REIS, Daniela Castro dos; https://lattes.cnpq.br/8805305887566391; https://orcid.org/0000-0002-9505-4516; RAMOS, Maely Ferreira Holanda; NUNES, Mykaella Cristina Antunes; https://lattes.cnpq.br/8174411008021957; https://lattes.cnpq.br/7041139708384047; https://orcid.org/0000-0001-6150-6345; https://orcid.org/0000-0002-2939-7924A violência sexual contra crianças e adolescentes é um grave problema social e de saúde pública, podendo causar diversas implicações emocionais e cognitivas. Nas últimas décadas do século XXI, a compreensão do fenômeno e sua relação com a trajetória de vida dos envolvidos (vítimas e autores) tem sido objeto de estudo de pesquisadores. Os estudos concentram-se principalmente nas vítimas, havendo menor produção sobre os autores, sendo que a maioria dessas pesquisas aborda apenas autores do sexo masculino, o que resulta em uma subinvestigação sobre mulheres autoras. A pesquisa tem como objetivo analisar e comparar os casos de violência sexual praticada por mulheres contra crianças e adolescentes, notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no período de 2018 a 2022. Adotou-se uma abordagem quantitativa, descritiva e exploratória, com base em dados documentais. Os dados foram obtidos a partir do banco de dados do SINAN, referentes aos estados do Amazonas, Pará, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, e analisados utilizando o software SPSS. Foram realizadas análises descritivas e de associação por meio de testes estatísticos, como o qui-quadrado, Teste Exato de Fisher e a medida Cramér’s V, envolvendo características das autoras, das vítimas e das situações de violência. As variáveis de interesse foram organizadas em três grupos: características das autoras (sexo, ciclo de vida, número de envolvidos, uso de álcool, tipo de relação interpessoal com a vítima); características das vítimas (sexo, idade, raça, situação conjugal, escolaridade, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência ou transtorno); e características da violência (estado de notificação, zona e hora da ocorrência, local, repetição do episódio, tipos de violência, tipo de violência sexual e meio de agressão). Para as análises do qui-quadrado, selecionaram-se duas variáveis centrais (número de envolvidos e sexo das autoras), associadas às demais variáveis. Foram analisadas 4.174 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os resultados descritivos indicaram que a maioria das autoras estava na faixa adulta (25-59 anos), embora houvesse registro significativo de autoras jovens e adolescentes, com prevalência de coautoria. As vítimas foram predominantemente crianças (0-9 anos), especialmente meninas negras. A maior parte das violências ocorreu no ambiente intrafamiliar, com predominância de mães autoras. As características das autoras e das vítimas revelaram padrões distintos conforme o estado analisado, indicando importantes variações regionais quanto ao número de envolvidos, ciclo de vida das autoras e raça das vítimas. Os resultados exploratórios demonstraram associações estatísticas significativas entre o sexo das autoras e o número de envolvidos com características das autoras, das vítimas e do contexto da violência. Destacou-se forte associação entre o número de envolvidos e o sexo das autoras (χ² = 212,85; p < .001; Cramér’s V = 0,714), indicando que a presença de dois ou mais autores tende a incluir, ao menos, um coautor do sexo masculino. O ciclo de vida das autoras influenciou o padrão de coautoria: adolescentes e jovens tendem a agir sozinhas, enquanto mulheres adultas participam mais de coautorias com homens, principalmente em contextos intrafamiliares envolvendo pais, padrastos e mães. O uso de álcool foi mais comum em casos de coautoria de ambos os sexos. Em relação às vítimas, mulheres autoras tendem a vitimizar crianças mais novas (média 7,75 anos), enquanto coautorias envolvem vítimas mais velhas (média 9,29 anos). Crianças foram alvo principal de autoras únicas, e adolescentes, de coautorias. O sexo feminino predominou entre as vítimas em todas as configurações. A raça das vítimas apresentou associação fraca com o sexo das autoras, sendo mais prevalente em casos com coautoria masculina. A pesquisa evidencia que a violência sexual praticada por mulheres contra crianças e adolescentes, embora menos estudada, apresenta perfis e dinâmicas complexas, marcadas por variações no ciclo de vida das autoras, coautoria predominante com homens e ocorrência em contexto intrafamiliar. As vítimas foram majoritariamente meninas, especialmente crianças pequenas, com nuances regionais relevantes. Esses achados reforçam a necessidade de ampliar o foco investigativo sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes e seus autores, visando aprimorar políticas públicas e estratégias de prevenção e proteção, contribuindo também para a formação dos profissionais da rede de proteção.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Efeitos de um Análogo a Esquema Lag N na Produção de Variabilidade de Culturantes(Universidade Federal do Pará, 2025-02-07) XAVIER, Danielle Borges; VASCONCELOS NETO, Aécio de Borba; https://lattes.cnpq.br/1327787867439433; https://orcid.org/0000-0002-6842-2045; TOURINHO, Emmanuel Zagury; https://lattes.cnpq.br/5960137946576592; https://orcid.org/0000-0001-6165-6837; BENVENUTI, Marcelo Frota Lobato; FONSECA JUNIOR, Amílcar Rodrigues; https://lattes.cnpq.br/5625607708848040; https://lattes.cnpq.br/4367734116952280; https://orcid.org/0000-0002-9397-3033; https://orcid.org/0000-0002-9764-080XContingência é uma ferramenta conceitual para a análise de interações organismo-ambiente. Na análise do comportamento individual, a contingência operante descreve a relação entre estímulo discriminativo, resposta e consequência. Metacontingência está para uma unidade de análise da cultura, assim como a contingência operante está para uma unidade de análise do comportamento individual. Na análise de fenômenos culturais, a metacontingência descreva a relação entre contingências comportamentais entrelaçadas (CCEs) e seus respectivos Produtos Agregados (PAs) mantido por Consequências Culturais (CC). Da mesma forma que em contingências individuais, é possível identificar uma grande gama de esquemas de apresentação de CC. Buscando obter contribuições para o estudo da variabilidade dos produtos agregados, este projeto avaliou os efeitos de um esquema análogo à contingência Lag no nível operante para produzir variação dos produtos agregados em uma metacontingência. Para tanto, foram realizados dois experimentos com um total de 27 participantes. A atividade consistiu na escolha de uma sequência de cores diferentes por trios em uma matriz. No Experimento 1, houve as condições Sem Lag e Lag 1 com reversão e posteriormente a condição Acoplado. No Experimento 2 foram realizadas cinco fases: Sem Lag, Lag 1, Lag 2, Lag 3, Acoplado e Extinção. Em ambos os experimentos, as fases com a contingência Lag produziram variação dos produtos agregados. Os resultados indicam que a implementação de metacontigências Lag produziu efeitos na variabilidade dos PAs, evidenciando o potencial para selecionar padrões culturais. As fases experimentais demonstraram que a variabilidade dos culturantes foi diretamente influenciada pelo aumento progressivo das exigências de Lag. Esses achados sugerem a necessidade de investigar mais profundamente os efeitos de esquemas Lag em contextos culturais distintos, avaliando em que medida (a) promovem a manutenção e transmissão de padrões culturais em cenários com elevada complexidade interacional e (b) permitem diferenciar a variabilidade induzida pelas contingências programadas da variabilidade gerada por fatores aleatórios ou contextuais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Percepção Materna e Paterna da Relação Coparental em Famílias Ribeirinhas da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2025-11-21) MATTOS, Bruna Jamilly Carvalho de Assis; MENDONÇA, Júlia Scarano de; https://lattes.cnpq.br/4361732982560734; https://orcid.org/0000-0003-1461-3759; SILVA, Simone Souza da Costa; LUCCI, Tania Kiehl; https://lattes.cnpq.br/9044423720257634; https://lattes.cnpq.br/4524302441806887; https://orcid.org/0000-0003-0795-2998; https://orcid.org/0000-0002-9268-3755A coparentalidade é o subsistema familiar que organiza como os cuidadores compartilham responsabilidades, apoio e o manejo de conflitos no cuidado infantil. A qualidade dessa relação influencia diretamente o desenvolvimento socioemocional da criança e pode ser afetada por fatores como conjugalidade, envolvimento parental, condições socioeconômicas e características culturais. Esta dissertação investigou a coparentalidade em 38 famílias biparentais ribeirinhas da região insular de Belém do Pará, envolvendo 43 crianças, sendo 20 meninas e 23 meninos, com idades entre 3 e 5 anos (M = 3,61). Adotou-se uma abordagem sistêmica, integrando autorrelato, dados sociodemográficos e observação direta das interações parentais. Os resultados mostraram elevados níveis de percepção de coparentalidade, com padrões distintos entre mães e pais. Entre os pais, observou-se uma associação particularmente forte entre coparentalidade e conjugalidade, indicando que a qualidade do relacionamento conjugal exerceu influência expressiva sobre a forma como percebiam a colaboração e o apoio mútuo no cuidado com os filhos. Para as mães, o fator mais relevante foi o envolvimento paterno percebido. As observações das interações parentais revelaram sincronia funcional, proximidade física, engajamento variável e clima afetivo predominantemente neutro, com tendência a expressões positivas de afeto, refletindo momentos alternados de colaboração e desengajamento. A análise sociodemográfica apontou efeitos sutis de variáveis contextuais, destacando a influência negativa da religião paterna nas percepções maternas e uma tendência negativa da renda materna sobre as percepções paternas de cooperação coparental. A comparação entre autorrelato e observação mostrou predição parcial do instrumento PATER, especialmente em aspectos de proximidade física e orientação corporal. Os achados reforçam a relevância da abordagem sistêmica, evidenciando a influência recíproca entre subsistemas familiares e fatores ambientais, e fornecem subsídios para intervenções culturalmente sensíveis que promovam coparentalidade positiva e bem-estar infantil.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Formação do Psicólogo Escolar e Educacional no Brasil: Uma análise das Ementas Curriculares(Universidade Federal do Pará, 2025-05-05) SILVA, Ana Maria Prates da Silva; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707; COSTA, Thiago Dias; KIENEN, Nádia; https://lattes.cnpq.br/1248194912228326; https://lattes.cnpq.br/0997667104499788; https://orcid.org/0000-0002-5443-5232; https://orcid.org/0000-0003-2179-3700O presente estudo teve como objetivo identificar lacunas entre as propostas formativas e o que é esperado do psicólogo escolar e educacional por meio da análise das ementas de disciplinas de cursos de graduação em Psicologia. O conteúdo das ementas foi agrupado em categorias temáticas e relacionado ao documento “Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas (os) na Educação Básica”, elaborado pelo Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Foram analisadas ementas de 37 instituições de ensino superior de todas as regiões do país. Os dados evidenciaram uma formação bastante heterogênea, marcada pela ausência de um núcleo comum entre os cursos e pela pouca clareza quanto aos objetivos formativos. Observou-se uma distância significativa entre a formação ofertada e as práticas profissionais previstas nas referências técnicas, indicando que não há, atualmente, um perfil de psicólogo escolar sendo formado no país. Tais achados apontam para a necessidade de avançar na delimitação mais precisa do que se espera da atuação do psicólogo escolar, a fim de subsidiar propostas formativas mais consistentes e alinhadas às exigências da prática profissional.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Efeitos da cafeína sobre parâmetros físicos e comportamentais de atletas: força, elasticidade, impulsividade e forças de caráter.(Universidade Federal do Pará, 2025-05-08) CACERES, Ana María Bonilla; GOUVEIA JR, Amauri; https://lattes.cnpq.br/1417327467050274; https://orcid.org/0000-0003-1710-9662; SANTOS, Bruno Rodrigues dos; CAMPOS, Italo Sergio Lopes; https://lattes.cnpq.br/8155936269324036; https://lattes.cnpq.br/5549357037582788; https://orcid.org/0000-0002-2371-0481; https://orcid.org/0000-0002-0761-6575A cafeína é uma substância amplamente utilizada no contexto esportivo por seus efeitos ergogênicos sobre o desempenho físico e a cognição. No entanto, seus impactos sobre habilidades socioemocionais ainda são pouco explorados. Este estudo teve como objetivo analisar os efeitos da ingestão aguda de cafeína sobre variáveis psicomotoras (força e flexibilidade), impulsividade e forças de caráter em atletas de Brazilian Jiu-Jitsu e Karatê. A amostra foi composta por 19 atletas do sexo masculino, com média de idade de 32,2 ± 12,1 anos, distribuídos em três grupos experimentais: Placebo (0 mg), CAF250 (250 mg) e CAF450 (450 mg). Os participantes responderam à Escala de Forças de Caráter e ao teste Go/No-Go, além de realizarem testes motores de flexibilidade toracolombar, força escapular e força lombar. A análise estatística (ANOVA one-way) não identificou diferenças significativas entre os grupos nas variáveis psicomotoras nem na impulsividade. No entanto, foram observadas diferenças estatisticamente significativas na variável inteligência social, uma das forças de caráter avaliadas. Em particular, o grupo que recebeu 450 mg de cafeína apresentou escores significativamente mais baixos em comparação aos grupos Placebo e CAF250. Esses achados sugerem que doses elevadas de cafeína podem exercer efeitos negativos sobre habilidades sociais, ainda que não afetem o desempenho físico ou o controle inibitório. Considera-se relevante que treinadores e atletas estejam atentos a possíveis efeitos colaterais socioemocionais associados à suplementação com cafeína, especialmente em modalidades de combate que exigem tomada de decisão rápida e interação social estratégica.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Evidências de validade do Belongingness Questionnaire para uso no Brasil: ampliando possibilidades de investigação científica sobre pertencimento universitário(Universidade Federal do Pará, 2025-11-05) QUEIROZ, Luana Conceição; FERREIRA, Laiana Soeiro; https://lattes.cnpq.br/1549766219835413; https://orcid.org/0000-0002-1622-0708; PONTES, Fernando Augusto Ramos; https://lattes.cnpq.br/1225408485576678; SILVA, Simone Souza da Costa; HERNANDEZ, José Augusto Evangelho; https://lattes.cnpq.br/9044423720257634; https://lattes.cnpq.br/3533988543300433; https://orcid.org/0000-0003-0795-2998; https://orcid.org/0000-0001-9402-7535O pertencimento, no campo da Psicologia, pode ser reconhecido como uma necessidade humana fundamental e/ou uma percepção relacional, representando, em ambos os casos, um construto vital para a existência humana e para a experiência em diferentes sistemas sociais. Entre esses contextos, destaca-se o ambiente universitário, no qual o pertencimento se relaciona à adaptação, ao bem-estar e à permanência acadêmica. Esta dissertação teve como objetivo adaptar e reunir evidências de validade do College Belongingness Questionnaire (CBQ) para o contexto universitário brasileiro. O estudo seguiu as diretrizes da International Test Commission (2017) e foi conduzido em três etapas: (a) tradução e adaptação transcultural; (b) análise da estrutura interna; e (c) investigação da relação com outra medida externa. Participaram 145 estudantes de instituições públicas e privadas do estado do Pará. As análises indicaram excelentes índices de validade de conteúdo (IVC = 1,00; Kappa = 1,00), bom ajuste do modelo bifatorial de aceitação e exclusão social (χ²/df = 0,95; CFI = 1,00; RMSEA = 0,000) e consistência interna satisfatória (α e ω ≥ 0,75). As correlações entre pertencimento e afetividade negativa confirmaram as relações teóricas esperadas, evidenciando o pertencimento como fator protetivo à saúde mental. Conclui-se que a versão brasileira do CBQ apresenta evidências psicométricas robustas e se configura como um instrumento válido e confiável para avaliar o pertencimento no ensino superior.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Emergência da Leitura de Palavras em Inglês com Recombinação de Onset e Rime em Crianças do Ensino Fundamental(Universidade Federal do Pará, 2025-05-07) MEDEIROS, Kleber Miranda; KATO, Olivia Misae; https://lattes.cnpq.br/3612219210222465; https://orcid.org/0000-0003-2296-2369; PINTO, Antonio Sergio da Costa; OLIVEIRA, Fabiana Pereira Sabino de; https://lattes.cnpq.br/0432692979467851; https://lattes.cnpq.br/3884818051994781; https://orcid.org/0000-0002-8920-8654O objetivo do presente estudo foi investigar a emergência de leitura textual e com compreensão de palavras simples de ensino e recombinadas em inglês, utilizando estruturas intrassilábicas de onset e rime. Participaram deste estudo, duas meninas e um menino, com idades entre 11 e 12 anos, regularmente matriculadas no 5º ano do Ensino Fundamental I de uma escola de tempo integral. Foi aplicado um Pré-teste de nomeação de letras e de leitura de palavras em português e inglês. Na Etapa I, foi programado o ensino de Discriminação Condicional (DC) de palavras simples, com testes de leitura textual de palavras simples e recombinadas e teste de DC. Na Etapa II, foram aplicados testes de nomeação de palavras simples recombinadas, de figuras em inglês e português, ensino de relações AB e testes das relações AC, BC e CB, além de cópia e ditado. A Etapa III, era semelhante à anterior, com a substituição de palavras simples por compostas. Os resultados indicaram emergência imediata de leitura textual e com compreensão de palavras simples de ensino, recombinadas e compostas de palavras em inglês em todas as fases, indicando eficiência no procedimento de ensino e avanço da literatura. Conclui-se que o procedimento de ensino utilizado neste estudo, com um maior número de palavras, também gerou resultados promissores ao avanço das tecnologias de ensino de língua inglesa e leitura.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Discriminação Simples e Respostas Emocionais em Ratos com Diferentes Contingências (Extinção e Punição)(Universidade Federal do Pará, 2025-10-31) LEAL, Isabelle Tavares; CARVALHO NETO, Marcus Bentes de; https://lattes.cnpq.br/7613198431695463; https://orcid.org/0000-0001-9550-409X; GONÇALVES, Fábio Leyser; MAYER, Paulo César Morales; https://lattes.cnpq.br/6100301531146481; https://lattes.cnpq.br/5360949596306254; https://orcid.org/0000-0003-1304-1963A literatura demonstra que a punição em SΔ pode acelerar a aquisição da discriminação simples em comparação com a extinção. Autores como Skinner e Sidman, contudo, alertam para subprodutos emocionais prejudiciais e a deterioração do desempenho a longo prazo com o uso do controle aversivo. O presente estudo comparou a eficácia e os subprodutos do controle aversivo durante a aquisição e manutenção de uma discriminação simples, utilizando o Jato de Ar Quente (JAQ) em SΔ como punidor. Doze ratos Wistar foram distribuídos nos grupos Extinção (GEXT) e Punição (GJAQ), submetidos a um procedimento de oito fases, incluindo Treino Discriminativo, Manutenção e avaliação da emocionalidade no Campo Aberto e das respostas emocionais por meio Etograma. Os resultados demonstraram a superioridade do GJAQ na aquisição (média de 3,6 sessões) e na manutenção do mesmo desempenho, que se manteve estável com Índice Discriminativo (ID) elevado, enquanto o GEXT apresentou instabilidade e queda do ID. A análise do Etograma revelou que respostas emocionais como Sobressalto e Andar, eliciadas pelo JAQ, atuaram como respostas concorrentes à RPB em SΔ, facilitando a supressão e, consequentemente, a aquisição e a manutenção da discriminação. Concluiu-se que, no presente contexto, os subprodutos comportamentais da punição (JAQ) não deterioraram o repertório, mas, ao contrário, auxiliaram na estabilidade e acuidade do desempenho, contrariando a proposição genérica feita por Sidman e Skinner.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Capacitação de Professores sobre Sistema Individualizado de Ensino em uma Escola da Rede Pública Estadual de Belém-Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-02-25) PEREIRA, Daisy Medeiros de Oliveira; KATO, Olivia Misae; https://lattes.cnpq.br/3612219210222465; https://orcid.org/0000-0003-2296-2369; SOUZA, Ruth Daisy Capistrano de; PEREIRA, Fabiana Coelho; https://lattes.cnpq.br/1938685418183005; https://lattes.cnpq.br/3884818051994781O Sistema Personalizado de Ensino (PSI) pode ter contribuições importantes à Capacitação de Professores para tornar mais eficiente o processo ensino-aprendizagem dos alunos. Nesta pesquisa, avaliou-se a eficiência de uma Capacitação de Professores sobre o PSI em uma escola da rede pública estadual de ensino de Belém (PA). A metodologia foi programada em 5 etapas: 1) aulas teórico-conceituais sobre princípios básicos de Análise do Comportamento (AC), 2) princípios comportamentais e relatos científicos de aplicação do PSI, 3) elaboração do planejamento de ensino sobre um tema de uma disciplina, pautado no PSI, seguida por uma avaliação do planejamento com base no roteiro apresentado; 4) apresentação dos resultados e feedback dos Pré e Pós-testes e do planejamento de ensino; e 5) avaliação da capacitação pelos participantes. A capacitação teve duração de, aproximadamente, 12 horas distribuídas em quatro encontros com palestras, atividades práticas e avaliações, correspondendo às cinco etapas, todos no turno da manhã. A análise dos resultados ocorreu por meio de comparação do número absoluto e percentual de acertos nos pré e pós-teste de cada participante, comparando os dados entre os participantes. Os resultados indicaram um aumento no repertório dos professores sobre análise do comportamento e PSI, bem como uma avaliação positiva dos professores sobre a capacitação. Para futuros estudos, recomenda-se a implementação de uma supervisão na aplicação, em sala de aula, do planejamento de ensino elaborado e dos conhecimentos sobre princípios de AC apresentados na capacitação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bem-estar subjetivo de crianças e adolescentes em acolhimento institucional e sua relação com a orfandade como uma experiência adversa na infância(Universidade Federal do Pará, 2025-04-09) FERNANDES, Iara Oliveira; CAVALCANTE, Lília Iêda Chaves; https://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; KAPPLER, Stella Rabello; NUNES, Laísy de Lima; https://lattes.cnpq.br/0929888063044256; https://lattes.cnpq.br/6535650472081606; https://orcid.org/0000-0002-5903-9845Um dos maiores desafios para quem busca compreender os caminhos pelos quais os processos saudáveis do desenvolvimento humano ocorrem é a complexidade das diversas influências que nele atuam, tais como fatores, contextos e experiências. O Bem-Estar Subjetivo (BES) tem sido tema de análise em estudos sobre o desenvolvimento humano realizados nas últimas décadas, o que provoca reflexões quanto ao uso atualizado do conceito e significado encontrado em diferentes contextos. Embora os aspectos afetivos relacionados ao BES possam ser importantes, eles não são completamente independentes de outros fatores, isto é, integram reações afetivas ligadas às experiências de vida de cada indivíduo, como ruptura de vínculos, orfandade, abandono parental, vulnerabilidade social, entre outras. Este estudo teve como objetivo demonstrar possíveis relações entre o bem-estar subjetivo e a orfandade como uma experiência adversa na infância (EAI) em crianças e adolescentes de ambos os sexos (N=40) que vivem em acolhimento institucional localizadas na mesorregião do Pará- Brasil. Para tanto, foi utilizado instrumentos biopsicossociais com o objetivo de levantar aspectos de perfil populacional e da motivação para o acolhimento. Além disso, foi utilizado o ACE-IQ, que define experiências adversas na infância como eventos emocionais traumáticos com desfechos negativos ao longo da vida. A escala multidimensional de satisfação de vida (EMSV) e Escala de afetos positivos e negativos (EA) foi aplicada com o objetivo de avaliar os sentimentos e atitudes positivas e negativas sobre bem-estar subjetivo infantil. Os resultados analisados quantitativamente, e os descritores da ocorrência e frequência de EAI, EMSV e EA foi identificado por meio do Software SPSS.20. Neste grupo amostral, 97,5% dos participantes relatou, no mínimo, cinco categorias de EAI. A média total de ACE-Score foi igual a 9,72, sendo predominante no sexo feminino. A violência doméstica foi o subtipo de EAI mais frequente, correspondendo a 87,5% da amostra, seguida pelo abuso físico (87%), abuso emocional (85%) e bullying (85%). A orfandade esteve presente em 72,5% da amostra, com média de 9,69 pontos, e foi associada à ausência parental, à falta de registro civil do nome do pai e à morte de um ou ambos os pais. A correlação de Pearson entre o score total de EAI e EMSV resultou em r -,034 (p-valor 0,033), indicando que quanto maior a vivência de EAI, menor o bem-estar subjetivo. Outro resultado mostra que 67,5% dos participantes obtiveram pontuação significativa de afetos negativos (AFN). Considera-se que o objetivo do estudo foi alcançado no que diz respeito a tornar evidente a correlação entre a orfandade como uma experiência adversa e bem-estar subjetivo. Os participantes apontaram vivenciar diversas EAI e, essas experiências contribuíram para diminuição do bem-estar subjetivo. Supõe-se que as experiências emocionais tendem a influenciar a avaliação dos eventos e circunstâncias da vida, e esta avaliação, por sua vez, pode evocar reações emocionais. Isso sugere que o BES depende da soma dos efeitos positivos e negativos vivenciados pelas pessoas no dia a dia e que esta variável concorre para o aumento ou diminuição do bem-estar subjetivo de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. A discussão dos dados apresentados pode ser promissora para a reflexão sobre bem-estar subjetivo, a orfandade como uma experiência adversa na infância e, posteriormente, para contribuir com a implementação de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e do desenvolvimento de crianças e adolescentes em acolhimento institucional.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Autores de Violência Doméstica: Personalidade e Tendências Agressivas(Universidade Federal do Pará, 2025-02-11) GOMES, Tayná de Sena Benício; CRUZ, Edson Júnior da Silva; https://lattes.cnpq.br/0227617708373838; REIS, Daniela Castro dos; https://lattes.cnpq.br/8805305887566391; https://orcid.org/0000-0002-9505-4516; CASADO, Carla de Cássia Carvalho; FREIRE, Sandra Elisa de Assis; https://lattes.cnpq.br/7836418506338392; https://lattes.cnpq.br/8475952514035497; https://orcid.org/0000-0002-8849-7319A personalidade pode ser entendida como a junção de traços característicos de um indivíduo desenvolvida ao longo do desenvolvimento humano por diversos fatores, como genéticos, culturais, ambientais, educacionais e pelas interações sociais, sendo um conceito da psicologia que estuda o ser humano em sua totalidade e complexidade. É considerada como um dos principais construtos que pode influenciar no desenvolvimento de tendências agressivas, de modo a resultar no comportamento violento, como violência física e verbal. Em paralelo a isto, tem-se a agressividade, a qual é uma conduta consciente, e em algumas situações, planejadas, com o intuito de causar danos a terceiros, como xingamentos e comportamentos hostis, a exemplo de mentir. A literatura internacional sinaliza sobre a personalidade de autores de violência e o quanto esta pode influenciar na perpetração de comportamentos agressivos. Em contrapartida, no Brasil poucas pesquisas estão relacionadas à personalidade dos autores de violência, uma vez que os estudos se concentram sobre as características das vítimas. O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre os traços de personalidade e tendência à agressividade dos autores de violência doméstica contra mulher. A pesquisa foi transversal, descritiva e quantitativa, com amostra independente. Para isso, foram entrevistados 30 homens autores de violência que frequentam o Núcleo e Prevenção e Enfrentamento à Violência de Gênero (NUGEN) da Defensoria Pública do Estado do Pará. Utilizou-se o Formulário de Caracterização Biopsicossocial de Autores de Violência, a Bateria Fatorial da Personalidade e a Escala para Avaliação de Tendências Agressivas. As análises de dados foram feitas por frequência e medidas de tendência central e correlação por meio do teste R de Pearson no SPSS 23. Os resultados identificaram correlações significativas entre personalidade e tendências agressivas. O traço mais frequente dentre os participantes foi Neuroticismo, responsável por avaliar características relacionadas à tomada de decisão, instabilidade emocional e comportamentos impulsivos. No que diz respeito às tendências, a mais latente foi a B, a qual afirma que os comportamentos agressivos não se encaixam em um padrão, ocorrem de forma esporádica e se caracterizam como violência verbal, como hostilidade. Estes resultados confirmam os achados da atual literatura, uma vez que o traço mais relacionado à agressividade foi o Neuroticismo. No que tange às correlações, os principais achados do estudo correspondem a correlação entre os traços de Neuroticismo e Socialização com as condutas A e B, respectivamente, de maneira negativa e moderada, e a conduta C correlacionou-se de forma moderada e negativa com os traços Realização e Abertura. Esses resultados apontam que autores de violência doméstica apresentam dificuldade em lidar com as próprias emoções, déficits em habilidades sociais e dificuldade em traçar metas para o futuro. Por fim, conclui-se que, apesar dos achados confirmam que a violência é influenciada pelos traços de personalidade, é necessário que pesquisas futuras sejam realizadas, com uma amostra maior, de modo a compreender os traços de personalidade que podem predispor tendências agressivas, as quais ocorrem nas relações entre autores de violência doméstica e vítimas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Aqui foi o primeiro espaço onde eu pude respirar” Ambiente Nutridor e Diversidade Sexual: Vivências de pessoas Lésbicas, Gays e Bissexuais na Universidade Federal do Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-06-27) FERREIRA, Vinícius Cutrim; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707; FAZZANO, Leandro Herkert; VELOSO, Milene Maria Xavier; https://lattes.cnpq.br/4420198528693588; https://lattes.cnpq.br/6105598873866312; https://orcid.org/0000-0003-0277-7932; https://orcid.org/0000-0002-1035-8968A permanência de estudantes Lésbicas, Gays e Bissexuais no ensino superior é atravessada por estigmas e omissões institucionais, que comprometem a qualidade da vivência acadêmica. Mesmo com avanços no acesso, condições equitativas de desenvolvimento subjetivo e social ainda não são garantidas a corpos que fogem a norma. Ao mesmo tempo, a universidade pode representar um espaço fértil de autoconhecimento, pertencimento e encontro com outros que compartilham vivências. Este estudo teve como objetivo avaliar a Universidade Federal do Pará enquanto um ambiente nutridor para pessoas lésbicas, gays e bissexuais, à luz do conceito de Ambiente Nutridor que compreende quatro dimensões: minimização de condições tóxicas, promoção de práticas pró-sociais, limitação de influências adversas e incentivo à busca por valores e flexibilidade psicológica. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com delineamento exploratório e estudo de caso, por meio de entrevistas semiestruturadas com 16 estudantes de graduação de cursos diversos. A análise de conteúdo orientou a categorização dos relatos em três eixos: questões gerais, diversidade sexual e interseccionalidades. Os resultados revelam tanto fragilidades institucionais, como sobrecarga, silêncio curricular e insuficiência de apoio, quanto potencialidades, como espaços de acolhimento entre pares e experiências de fortalecimento identitário. Conclui-se que universidades podem promover justiça e pertencimento, desde que se comprometam com mudanças estruturais e sensíveis às realidades dissidentes.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ambiente Nutridor e Educação de Refugiados: Análise da Experiência na Educação Superior(Universidade Federal do Pará, 2025-04-04) CAVALCANTE, Anne Victoria Castro de Moura; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; 0000-0002-3136-3707; VASCONCELOS NETO, Aécio de Borba; ARAUJO, Ronaldo Marcos de Lima; https://lattes.cnpq.br/1327787867439433; https://lattes.cnpq.br/7901626430586502; https://orcid.org/0000-0002-6842-2045; https://orcid.org/0000-0002-5982-793XO deslocamento de pessoas, seja de forma voluntária ou forçada, não é um fenômeno recente na história. Na última década, o movimento de refugiados tem sido classificado como uma crise, dada a intensificação dos fluxos migratórios e a complexidade dos direitos envolvidos no processo de reassentamento. Considerando que a educação desempenha um papel fundamental na adaptação e no sucesso social, o contexto atual exige uma reflexão aprofundada sobre o processo educacional dos refugiados no ensino superior, abordando não apenas o ingresso, mas também as condições necessárias para sua permanência e sucesso acadêmico. Nesse sentido, o conceito analítico-comportamental de Ambiente Nutridor (A.N), que enfatiza o impacto positivo de um ambiente estimulante no bem-estar e desenvolvimento dos indivíduos, foi utilizado na presente pesquisa como referencial teórico de base. A pesquisa foi organizada em quatro capítulos. O primeiro capítulo incorreu em uma revisão bibliométrica sobre educação de refugiados e os principais dados apontam para uma atividade científica ainda pouco padronizada e sistematizada, com produção cronológica emergente e temáticas pouco aprofundadas. O segundo capítulo descreve entrevistas semiestruturadas com refugiados inseridos na educação superior e discute os dados a partir do conceito de A.N. Os resultados mostraram a presença de três das quatro categorias do referencial teórico e evidenciaram temáticas compartilhadas que agem na experiência educacional como fatores de risco e proteção. O terceiro capítulo descreveu um mapeamento institucional em formato de estudo de caso analisando os dados também a partir do conceito de A.N. Encontrou-se uma estrutura de regulamentação ainda incipiente e concentrada na minimização de condições sociais e biologicamente tóxicas. A principal contribuição dessa pesquisa parte do diagnóstico científico, empírico e institucional sobre a educação de refugiados para a proposta de um modelo teórico que viabilize a operacionalização do acolhimento de refugiados com vistas à intervenção efetiva e promoção de subsídios para avaliação e criação de políticas institucionais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Efeitos da supressão da resposta alvo a partir do uso de timeout na ressurgência do comportamento em ratos(Universidade Federal do Pará, 2025-11-07) SOUZA, Monique Rodrigues de; SOARES FILHO, Paulo Sergio Dillon Soares Filho; https://lattes.cnpq.br/8647259688931170; 0000-0001-8944-764X; NEVES FILHO, Hernando Borges; BARBA, Lourenço de Souza; https://lattes.cnpq.br/2700793023719116; https://lattes.cnpq.br/2811048053053583Ressurgência é o fenômeno comportamental que ocorre quando uma resposta alvo, anteriormente suprimida, reaparece após a desvalorização de uma resposta alternativa. A extinção é o procedimento mais comumente utilizado para suprimir a resposta alvo, porém, novos estudos têm buscado compreender os efeitos que o procedimento de punição tem sobre a ressurgência, especialmente a punição negativa, com o uso de timeout. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito da supressão da resposta alvo por uma contingência aversiva na ressurgência. Para isso, 6 ratos foram submetidos a um procedimento de ressurgência com três fases. Na Fase 1, a resposta alvo foi reforçada em um Intervalo Variável (VI) 10s. Na Fase 2, para todos os sujeitos, a resposta alvo passou a produzir, além do reforço, a punição negativa (timeout) com .5 de probabilidade e duração de 30s, enquanto a resposta alternativa passou a ser reforçada em um VI 10s. Na Fase 3, ambas as respostas entraram em extinção, porém a resposta alvo continuou produzindo punição até o final desta fase. Os resultados indicaram que o timeout funcionou como supressor da resposta alvo e não foi observada ressurgência da reposta durante a fase de teste para nenhum dos sujeitos. Os resultados sugerem que a retirada do timeout pode ter um fator importante na produção da ressurgência do comportamento durante a fase de teste. As possíveis variáveis que influenciaram esse resultado e suas implicações para as propostas de ressurgência do comportamento foram discutidas.
