Dinâmica da seca no perímetro urbano de Altamira/PA: evolução das últimas quatro décadas

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01-12-2023

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FERNANDES, Cleveland Ferreira. Dinâmica da seca no perímetro urbano de Altamira/PA: evolução das últimas quatro décadas. Orientador: Bergson Cavalcanti de Moraes. 2023. 77 f.: il. color. Dissertação (Mestrado em Gestão de Riscos e Desastres Naturais na Amazônia) - Programa de Pós-Graduação em Gestão de Riscos e Desastres Naturais na Amazônia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém, 2023. Disponível em: . Acesso em:.

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A seca vem se tornando um desastre natural cada vez mais frequente e de maiores proporções na região amazônica, provocando inúmeros impactos ambientais e socioeconômicos. Estudos indicam que essas alterações estão relacionadas às mudanças do uso e cobertura da terra que causam a degradação do solo, geralmente associado às práticas com utilização de fogo para preparo de terrenos na agricultura familiar, que muitas das vezes se tornam incêndios florestais. O desmatamento também agrava a seca, que aumenta a incidência e favorece as condições de incêndios florestais, que por sua vez causam mais mudanças na cobertura da terra. Esse estudo tem como objetivo avaliar os padrões de seca no perímetro urbano de Altamira-PA, no período de 1983 a 2022, a partir das alterações de uso e cobertura da terra e do comportamento das variáveis climatológicas (precipitação e temperatura do ar) e das cotas do rio Xingu. As séries de precipitação, temperatura do ar e cotas do rio Xingu, com um recorte temporal de 40 anos (1983 - 2022), foram obtidos respectivamente dos dados de reanálise do ERA5 e da estação fluviométrica da Agência Nacional de Águas. Enquanto os dados de uso e cobertura da terra foram coletados do projeto MapBiomas para os anos de 1986, 1993, 2003, 2013 e 2022. Os resultados indicam alterações significativas no uso e cobertura da terra com a redução de 27,2% (17,3km2) da classe de floresta, e aumento de 238,5% (18,6km2) de área não vegetada, que ocorreu de forma contínua e gradual. Enquanto que os eventos de seca aumentaram em todas as categorias num total de 44%, divididos da seguinte forma: seca fraca (28%), moderada (138%), severa (36%) e seca extrema (33%). A variabilidade anual de precipitação confirma a existência de um período menos chuvoso, entre junho e novembro, com precipitações entre 43mm e 62mm. E um período chuvoso, entre dezembro e maio com precipitações entre 275mm e 328mm. A variabilidade de cotas do rio Xingu acompanha estes períodos, variando entre mínimas de 290cm a 330cm e máximas entre 611cm e 702cm. As maiores temperaturas do ar, entre 31,6ºC e 32,3ºC, ocorrem no período menos chuvoso, e as menores temperaturas, em torno de 22,8ºC, ocorrem no período chuvoso. Enquanto a precipitação média anual no período chuvoso possui um comportamento de crescimento acima da média de 256mm ao longo dos anos, no período menos chuvoso, o comportamento é de redução abaixo da média de 71,5mm ao longo das quatro décadas. No mesmo período a temperatura do ar apresentou um aumento das temperaturas mínimas em 0,3ºC, médias em 0,6ºC e máximas em 0,5ºC. Conclui-se que a alteração do uso e cobertura da terra com destaque para o desmatamento e incêndio florestal, associados a redução da precipitação no período menos chuvoso e aumento da temperatura do ar, demonstram influência na ocorrência de seca e no aumento do número de eventos, em especial de magnitudes moderada e severa, no período de estudo.

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