Efeitos Permanentes versus Temporários da Punição: Uma Replicação Sistemática de Boe e Church (1967) com o Jato de Ar Quente em Ratos

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29-03-2019

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SILVA, Yslaíne Lopes. Efeitos Permanentes versus Temporários da Punição: Uma Replicação Sistemática de Boe e Church (1967) com o Jato de Ar Quente em Ratos. Orientador: Marcus Bentes de Carvalho Neto. 2019. 46 f. Dissertação (Mestrado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18531. Acesso em: .

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Punição é tipicamente definida, em análise do comportamento, como uma redução na probabilidade de uma classe de resposta em decorrência da consequência por ela produzida. Contudo, B. F. Skinner, questiona essa definição, pois considera que os efeitos supressivos da punição são transitórios e decorrentes de uma competição entre respostas, e não de uma história de consequenciação direta como ocorre no reforçamento positivo. Essa perspectiva é apoiada principalmente pelo segundo experimento sobre “reforçamento negativo” de Skinner (1938) e o experimento “A” realizado por Estes (1944). Porém, outros estudos, como o de Boe e Church (1967), constataram supressão permanente do responder punido ao longo do experimento, mesmo após a retirada do estímulo aversivo. Uma das variáveis determinantes para os diferentes resultados foi o tipo e a intensidade do estímulo punidor utilizado. Na busca por outras variáveis que possam explicar a diferença observada entre os estudos supracitados, o presente trabalho realizou uma replicação do estudo de Boe e Church (1967) usando dois estímulos aversivos diferentes: o choque elétrico (utilizado no estudo original) e o Jato de Ar Quente (JAQ, um estímulo novo). Além das diferenças entre estímulos, diferentes formas de análise de dados, as mesmas empregadas nos estudos anteriores, foram comparadas. Foram utilizados 21 ratos machos (Rattus norvegicus), da linhagem Wistar, experimentalmente ingênuos, sendo 9 utilizados com choque elétrico e 12 sujeitos com o JAQ. O Estudo 1 consistiu nas fases de treino ao comedouro, modelagem e fortalecimento da resposta de pressão a barra em um esquema de reforçamento contínuo (FR1); fortalecimento da resposta em um esquema de reforçamento intermitente (FI - 4 min); nove sessões de extinção do responder com sobreposição do estímulo punidor choque para a RPB em um esquema FI-30s do minuto cinco ao vinte da primeira sessão de extinção para metade dos sujeitos. A outra metade apenas passou por extinção sem punição. Todos os sujeitos foram submetidos no final a três sessões de recondicionamento. Os dados obtidos mostraram que, ao final da última sessão de extinção, os grupos experimentais apresentaram percentuais cumulativos de respostas de 59,2% (0,5 mA), 12,43% (1,0 mA), enquanto o grupo controle registrou percentual de 70,16%. A supressão do responder em relação à última sessão de reforço foi de 40,8% (0,5 mA), 87,47% (1,0 mA) e 29,84% (controle), assemelhando-se aos dados de Boe e Church. Já o Estudo 2 teve as mesmas fases experimentais do estudo 1, diferindo-se apenas na utilização do estímulo punidor (o choque foi substituído pelo JAQ). Os dados mostraram que o grupo experimental apresentou percentual cumulativo de resposta de 46,45%, enquanto o grupo controle registrou percentual de 63%. A supressão do responder em relação à última sessão de reforço foi de 53,55% (JAQ) e 37% (controle), o que foi consistente com o resultado geral observado no Estudo 1. Mesmo utilizando as diferentes análises de dados dos outros estudos, não houve uma recuperação do responder ao ponto da frequência dos grupos experimentais se igualar a dos grupos controle no final da fase de extinção. Contudo, ao analisar os resultados com base nos dados absolutos, observa-se tanto uma recuperação do responder após a punição quanto a igualação dos grupos controles e experimentais.

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