O efeito de variáveis do procedimento de pareamento estímulo-estímulo sobre a frequência de respostas vocais de crianças com Transtorno do Espectro Autista

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15-12-2020

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FREITAS, Luiz Alexandre Barbosa de. O efeito de variáveis do procedimento de pareamento estímulo-estímulo sobre a frequência de respostas vocais de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Orientador: François Jacques Tonneau. 2020. 93 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2020. Disponível em: . Acesso em:.

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A explicação dos processos básicos envolvidos no desenvolvimento do comportamento verbal continua sendo um desafio para a Análise do Comportamento. O pareamento estímulo-estímulo (SSP) é um procedimento que tem sido investigado e cujo objetivo é aumentar a frequência de respostas vocais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio da apresentação de sons vocais pareados com itens de interesse da criança (comestíveis, tangíveis ou sociais). Os resultados de estudos anteriores são bastante diversos quanto à eficácia do procedimento. Para esta tese, foram conduzidos três estudos com o objetivo de a) avaliar o efeito de algumas variáveis presentes no SSP sobre a frequência de respostas-alvo vocais; b) investigar a existência de correlações entre características dos participantes e a eficiência do SSP; e c) avaliar possíveis semelhanças entre os efeitos do SSP e outros procedimentos de condicionamento pavloviano. Antes da primeira sessão, as crianças dos três estudos foram avaliadas quanto ao seu repertório verbal com o Behavior and Language Assessment Form (BLAF). No Estudo 1, foram investigados os efeitos do padrão vocal utilizado durante os pareamentos (monotônico ou maternês). Participaram nove crianças com TEA, entre 3,9 e 8,2 anos. Foram selecionados dois sons por criança, um som-alvo para cada padrão vocal. A primeira sessão serviu como linha de base e consistia na apresentação dos sons-alvo sem pareamentos. Nas dez sessões seguintes os sons-alvo eram apresentados nos padrões sonoros correspondentes e pareados com itens preferidos (brinquedos ou interações sociais) de cada criança. No geral, as taxas de respostas-alvo tiveram aumento de baixa magnitude, inferiores a 0,25 R/min. Taxas superiores a 0,25 R/min foram obtidas com cinco de nove participantes, em até três sessões para cada um. Não foram encontradas diferenças em função do padrão sonoro utilizado. No Estudo 2, o objetivo foi avaliar os efeitos dos condicionamentos Forward e Backward no SSP sobre a taxa de respostas-alvo. Participaram 12 crianças com TEA, com idades entre 2 e 5 anos. Neste estudo havia dois sons-alvo, um para cada tipo de condicionamento, e foi acrescentado um som controle que era apresentado sem ser pareado com estímulos preferidos. As taxas de respostas, como no Estudo 1, foram abaixo de 0,25 R/min na maior parte das sessões. A diferença entre as frequências de respostas Forward e Backward foi estatisticamente significativa (teste de Wilcoxon - T= 55, p = 0,006). A análise de correlação de duas medidas derivadas do condicionamento com dados individuais das crianças revelou duas correlações negativas, entre a idade das crianças e o nível total de respostas, e entre o BLAF e o índice de condicionamento. No Estudo 3, o objetivo foi avaliar o efeito de diferentes intervalos entre tentativas (ITIs) de pareamento sobre a frequência de respostas-alvo. Participaram oito crianças com TEA, entre 2,2 e 7,3 anos. Foram utilizados dois sons-alvo com cada criança, cada um pareado com uma ITI diferente, curto (em média 20s) ou longo (em média 60s). Como nos outros dois estudos, as taxas de respostas-alvo foram baixas. Não foram encontradas diferenças nas taxas de respostas em função da duração dos ITIs. Quanto à eficácia do SSP, os três estudos replicaram resultados anteriores em que o procedimento foi eficaz para aumentar a ocorrência de vocalizações para parte das crianças, mas não para todas. Quando houve aumento, ele foi de baixa magnitude. Diferente do tipo de condicionamento, o padrão sonoro e a duração do ITI não produziram efeitos diferenciais estatisticamente significativos sobre a taxa de respostas. Os resultados do Estudo 1 sugerem que o padrão sonoro pode ser irrelevante para a eficiência do SSP, pelo menos para crianças com TEA nesta faixa etária e com repertórios similares. Os resultados do Estudo 2 (a) demonstram claramente que a ordem de apresentação dos estímulos no pareamento é essencial para o aumento na ocorrência de respostas, (b) indicam que o pareamento Backward pode ter produzido efeitos inibitórios, semelhante ao que é produzido com outras preparações de condicionamento pavloviano (e.g., autoshaping) e (c) ao encontrar correlações entre medidas derivadas da frequência de respostas alvo e características dos participantes (idade e escore no BLAF), abre caminho para possíveis preditores do sucesso do procedimento em contextos aplicados. Os resultados do Estudo 3 contrastam com os resultados de estudos com animais. É possível que isso tenha ocorrido devido à diferença insuficiente entre os ITIs utilizados, significativamente menor do é empregado com animais. Outras implicações gerais destes resultados para a compreensão do desenvolvimento inicial da fala e limitações dos estudos são discutidas.

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