Autores de agressão sexual de crianças e adolescentes: características biopsicossociais e trajetórias de vida

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18-08-2016

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REIS, Daniela Castro dos. Autores de agressão sexual de crianças e adolescentes: características biopsicossociais e trajetórias de vida. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2016. 352 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2016. Disponível em: . Acesso em:.

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Esta tese investigou as características biopsicossociais de autores de agressão sexual de crianças e adolescentes (AASCA) a partir da sua trajetória de vida, permitindo entender melhor as condições ecológicas em que foram geradas desde a infância até a vida adulta, além dos fatores de risco e de proteção na sua trajetória de vida. Para responder este objetivo, a tese foi composta por seis estudos: os três primeiros estudos analisaram o estado da arte, o primeiro teve como objetivo mapear as características gerais da produção científica; o segundo analisou os tipos de instrumentos de avaliação cognitiva, direcionados para os AASCAs e o terceiro estudo identificou e discutiu os resultados dos estudo que utilizaram instrumentos de avaliação de distorção cognitiva (DC); o quarto estudo identificou as características biopsicossociais prevalentes nesta população a partir de dados extraídos de fontes documentais (autos dos processos jurídicos dos AASCA); o quinto estudo analisou as DCs mais gerais e aquelas referentes às vítimas a partir da percepção do AASCA acessada por meio de entrevista; o sexto e último foi um estudo de casos múltiplos, que procurou analisar os fatores de risco e proteção na trajetória de vida dos AASCAs. Os principais resultados encontrados permitiram alcançar os objetivos da tese, identificando que a produção científica da área tem como ênfase os estudos com vítimas, concentrados na língua inglesa, publicados, sobretudo em revistas especializadas, tendo com participantes uma população encarcerada predominantemente masculina, com uma faixa de idade ampla. Os resultados sinalizaram ainda que a produção científica está concentrada em pesquisas quantitativas, descritiva, que apresenta uma produção crescente no século XXI e está concentrada na América do Norte, relatando o uso de 92 instrumentos no total, sendo 20 (21,7 %) identificados como sem padronização e 72 (78,3%) instrumentos com padronização. Nota-se que 24 (33,3%) eram de caráter psicológico, que avaliaram aspectos da personalidade, emoção, ansiedade, estilo de apego, e cinco (6,9 %) examinaram aspectos fisiológicos, a exemplo dos testes falométricos; 30 (41,7%) investigaram dados comportamentais, e por fim, 13 (18,1%) averiguaram fatores cognitivos, tais como inteligência, empatia e distorção cognitiva. Comparativamente, foram encontrados menos instrumentos de avaliação cognitiva de AASCAs que os instrumentos de investigação psicológica e comportamental. Dentre os instrumentos de avaliação cognitiva, foram identificados nove instrumentos de pesquisa que focalizaram as DCs, apresentando expressiva diversidade. Na análise dos dados quantitativos sinalizou-se que os AASCA eram indivíduos do sexo masculino, etnia/cor negra, com idade superior a 30 anos, católicos, sendo a agressão sexual perpetrada predominantemente contra vítimas do sexo feminino de etnia/cor negra. Foi ainda encontrada uma diversidade de características biopsicossociais associadas que deram forma a diferentes perfis de AASCAs: com crimes e sem crimes anteriores; com e sem severidade e gravidade na agressão sexual; com Hands off (agressão sexual ―menos‖ severa como exibicionismo e abuso verbal) ou Hands on (agressão sexual com uso da força e/ou outro tipo de coerção severa); abaixo de 30 anos e acima de 30 anos; com vítima definida como menina ou menino; com vítima criança ou adolescente. Em outra análise estatística, foram identificados três Clusters com características semelhantes entre os membros que os constituem e outras que distinguem os grupos entre si. Os dados da regressão logística revelaram uma associação significativa entre a variável acima de 30 anos com as demais variáveis: possui filhos, etnia/cor, contexto de moradia, local da agressão. A regressão logística identificou a razão de chance de um indivíduo, acima de 30 anos, associado com as varáveis possui filhos, etnia/cor, contexto de moradia, local da agressão, vir a apresentar uma alta probabilidade em cometer a agressão sexual. O resultado do quinto estudo identificou as principais DCs no AASCA, como negação completa, minimização das consequências, negação parcial, negação do planejamento e sua relação com o MBDH. O sexto estudo identificou os principais fatores de risco comuns entre os cinco estudos de casos analisados a partir do MBDH como: distorção cognitiva, prática parentais inconsistentes, ausência do sistema escolar, histórico de agressão física, trabalho infantil, trabalho informal, identificados na trajetória de vida dos AASCAs. Os seis estudos juntos permitiram concluir que os AASCAs apresentar características heterogêneas e que estas são constituídas na trajetória de vida desses indivíduos.

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