Avaliação do perfil de dor e qualidade de vida de pessoas com Parkinson em um estado Amazônico: um estudo analítico- descritivo

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28-03-2025

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ARAÚJO, Sabrina Souza. Avaliação do perfil de dor e qualidade de vida de pessoas com Parkinson em um estado Amazônico: um estudo analítico- descritivo. Orientadora: Elren Passos-Monteiro; Coorientadora: Natáli Valim Oliver Bento-Torres. 2025. 117 f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) - Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/17918. Acesso em:.

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Introdução: A Doença de Parkinson é uma das condições neurodegenerativas de maior prevalência mundial, caracterizada pela presença de sintomas motores clássicos e sintomas não motores, dentre os quais a dor. Avaliar a dor em pessoas com Parkinson e conhecer o seu perfil é desafiador e necessário para aprimorar os cuidados em saúde e a reabilitação dessa população, uma vez que a dor está associada à incapacidade e impacto na qualidade de vida. Objetivo: Descrever o perfil do componente sensorial-discriminativo da dor (limiar, intensidade, localização, duração e interferência de dor) em pessoas com Doença de Parkinson da comunidade de um Estado Amazônico e analisar a associação entre essas variáveis com dados clínicos, sociodemográficos e a qualidade de vida. Materiais e Métodos: Estudo transversal, analítico-descritivo e exploratório, que avaliou a localização, intensidade, a interferência da dor e o limiar de dor de pessoas com Doença de Parkinson, bem como a qualidade de vida e parâmetros clínicos e funcionais. O trabalho baseou-se nas diretrizes éticas da Resolução CNS 580/18 e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará (CAAE: 72924423.9.0000.0018). Como instrumentos de avaliação foram utilizados o Inventário Breve de Dor - Forma Reduzida para avaliar a localização, intensidade e interferência da dor, o algômetro de pressão para avaliar o limiar de dor, Movement Disorder Society - Unified Parkinson's Disease Rating Scale parte III e a Escala modificada de Hoehn & Yahr para definir a severidade e estágio da doença, o Mini-Exame do Estado Mental para a triagem cognitiva e Parkinson’s Disease Questionnaire - 39 para avaliar a qualidade de vida. Também foram coletados dados sociodemográficos, antropométricos e histórico de saúde. Para análise dos dados foi utilizada estatística descritiva que estão apresentados como média, desvio-padrão, mediana e intervalo interquartil, frequências absoluta e relativa. A normalidade foi testada por meio do teste Shapiro-Wilk. Para as análises de correlação foi utilizado o teste de Pearson ou Spearman de acordo com a distribuição paramétricas ou não-paramétricas das variáveis, as associações foram realizadas entre: QV, intensidade de dor e interferência da dor. Foram considerados significativos valor de p < 0,05. Resultados: 42 pessoas com Doença de Parkinson participaram da pesquisa (73% homens, 67,1 ± 9,2 anos de idade, 45,2% com 8 a 12 anos de escolaridade e 59,5% casados). O IMC médio foi de 26,14 ± 4,69kg/m². Clinicamente, os participantes apresentavam a doença em estágio leve, conforme observados na MDS-UPDRS III e a H&Y. A frequência de dor na amostra foi elevada (92,9%), com maior incidência na região lombar (24,3%). A intensidade da dor foi considerada leve, porém com interferência severa na funcionalidade (>2), especialmente em 8 atividades gerais, humor, locomoção e sono. Em relação ao limiar de dor não houve diferença significativa quando estratificados sexo, escolaridade, tempo de diagnóstico e estágio da doença. A QV foi classificada como de baixo impacto, com maior prejuízo nos domínios Bem estar Emocional, Desconforto Corporal, Mobilidade e Atividade de Vida Diária. Nas análises de correlação, observamos correlação significativa entre menor qualidade de vida e maior dor, com correlações positivas moderadas para pior dor relatada (r = 0,41; p = 0,01), interferência da dor na atividade geral (r = 0,45; p < 0,01) e na habilidade para apreciar a vida (r = 0,41; p = 0,01). As análises de associação indicaram que a interferência da dor na funcionalidade explicou até 23% da variação da qualidade de vida no modelo geral. Para o sexo feminino, a interferência da dor na atividade geral, humor e habilidade para apreciar a vida explicou 64% da variação da qualidade de vida, enquanto no sexo masculino houve associação em 15%. Conclusão: Os achados do nosso estudo apresentam possibilidades de ferramentas avaliativas que podem ser incorporadas na rotina de acompanhamento clínico, com dados descritivos importantes sobre as características de dor em PcP. Além disso, sugerimos a importância de um manejo adequado da dor em PcP para mitigar a interferência na funcionalidade, mas também na QV de forma geral.

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