Corredor de biodiversidade na Fronteira Amapá / Guiana Francesa: fator de integração e sustentabilidade?

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25-06-2026

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CAVALCANTE, Alandy Patrícia do Socorro Sousa. Corredor de biodiversidade na fronteira Amapá/Guiana Francesa: fator de integração e sustentabilidade?. Orientadora: Ligia Terezinha Lopes Simonian. 2026. 310 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18838. Acesso em:.

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Nas últimas décadas, as discussões acerca da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável têm assumido centralidade nas agendas científicas e nas políticas públicas em escala global, especialmente em regiões de elevada complexidade socioambiental, como a Amazônia. Nesse contexto, os corredores de biodiversidade emergem como instrumentos estratégicos de gestão territorial, voltados à integração de áreas protegidas, à manutenção dos processos ecológicos e à articulação entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. A presente tese aborda a temática do Corredor de Biodiversidade do Amapá no contexto da fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, considerando suas implicações para a integração territorial e a sustentabilidade. O recorte empírico concentra-se na região do Oiapoque, caracterizada por dinâmicas transfronteiriças, diversidade sociocultural e fragilidades institucionais. O objetivo geral do estudo consistiu em analisar o Corredor de Biodiversidade do Amapá como instrumento de gestão territorial voltado à integração, conservação da biodiversidade e sustentabilidade, com vistas à proposição de diretrizes para sua efetiva implementação. Especificamente, buscou-se: analisar a configuração socioambiental da região de fronteira; examinar o conceito e a evolução dos corredores de biodiversidade; investigar as políticas públicas e arranjos institucionais associados à sua implementação; identificar os atores sociais envolvidos e suas relações de poder; avaliar potencialidades, limitações e desafios do corredor; compreender a influência das dinâmicas transfronteiriças; e propor diretrizes estratégicas para o fortalecimento da gestão territorial. A pesquisa fundamentou-se em uma abordagem qualitativa, de caráter aplicado e natureza interdisciplinar, estruturada a partir de estudo de caso único aprofundado. Os procedimentos metodológicos envolveram levantamento bibliográfico, análise documental e investigação empírica, com base na triangulação de dados provenientes de diferentes fontes, incluindo gestores públicos, pesquisadores, lideranças locais e representantes do setor econômico. Tal estratégia possibilitou a compreensão integrada das dimensões ecológicas, sociais, institucionais e territoriais que configuram o corredor em contexto transfronteiriço. Os resultados evidenciam que, embora o Corredor de Biodiversidade do Amapá represente uma proposta inovadora no campo da gestão socioambiental, sua efetividade encontra-se limitada por fragilidades institucionais, desarticulação entre políticas públicas, assimetrias na governança transfronteiriça e insuficiente participação dos atores locais. Observou-se, ainda, que a integração entre conservação ambiental e desenvolvimento regional permanece incipiente, sendo atravessada por conflitos territoriais, pressões econômicas e lacunas naimplementação de instrumentos de gestão. Por outro lado, o estudo identificou potencialidades relevantes, especialmente no que se refere à existência de ampla cobertura de áreas protegidas, à diversidade sociocultural e às oportunidades de cooperação internacional. Conclui-se que o Corredor de Biodiversidade do Amapá configura-se como um instrumento estratégico para a gestão territorial em áreas de fronteira, desde que associado a mecanismos efetivos de governança multinível, articulação institucional, participação social e integração de políticas públicas. A tese contribui para o avanço teórico e metodológico no campo da gestão socioambiental ao propor diretrizes voltadas à consolidação de modelos integrados de conservação, capazes de articular sustentabilidade, desenvolvimento regional e cooperação transfronteiriça em contextos amazônicos.

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