Dissertações em Comunicação, Cultura e Amazônia (Mestrado) - PPGCOM/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/4453
O Mestrado Acadêmico em Comunicação, Cultura e Amazônia funciona no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Navegar
Navegando Dissertações em Comunicação, Cultura e Amazônia (Mestrado) - PPGCOM/ILC por Orientadores "COSTA, Alda Cristina Silva da"
Agora exibindo 1 - 14 de 14
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Dissertação Acesso aberto (Open Access) A Amazônia codificada: a configuração narrativa da comunicação institucional(Universidade Federal do Pará, 2017-03-29) RODARTE, Lídia Karolina de Sousa; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630Nesta dissertação temos o objetivo de compreender como se configuram as narrativas institucionais de sustentabilidade sobre a Amazônia na revista Amazônia Viva, periódico institucional que trabalha a sustentabilidade na relação entre empresa e sociedade. Buscamos também analisar a dimensão comunicativa presente nesta relação, a dimensão simbólica de representação do imaginário amazônico e os códigos estéticos de identificação da Amazônia na narrativa textual e imagética do periódico. Partimos da análise dos mecanismos de construção da narrativa sobre a Amazônia a partir da perspectiva apresentada pela revista Amazônia Viva, publicação mensal, produzida e encartada no jornal paraense O Liberal, das Organizações Rômulo Maiorana, com patrocínio da mineradora Vale S/A, maior empresa privada brasileira e segunda maior mineradora do mundo. Como procedimentos teóricos-metodológicos, recorremos à análise narrativa, com inspiração na fenomenologia hermenêutica proposta por Paul Ricoeur, e procedimentos metodológicos baseados nos sete movimentos de análise da narrativa propostos por Motta. Como corpus de análise selecionamos 14 capas e matérias de capa, escolhidas pelo seu nível de relação com a empresa patrocinadora e com o desenvolvimento do tema sustentabilidade, de forma a entender a tessitura da narrativa institucional no contexto social em que está inserida.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Configuração do acontecimento violento em narrativas jornalísticas: chacina da região metropolitana de Belém em Diário do Pará e o Liberal(Universidade Federal do Pará, 2019-02-19) FERREIRA JÚNIOR, Sérgio do Espírito Santo; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630Chacinas urbanas são parte de um contexto de violência e mortes violentas por grupos de extermínio que, no Pará, têm recorrência desde a década de 1990. Dentre as mais recentes, a chacina da Região Metropolitana de Belém (RMB), que ocorreu em 20 e 21 de janeiro de 2017, mobilizou ostensiva cobertura jornalística e um quadro social de disputas de sentido sobre o que aconteceu e com quais consequências. Em razão desse processo, esta dissertação analisa a configuração dessa chacina como acontecimento nas narrativas jornalísticas dos impressos paraenses Diário do Pará e O Liberal. Ao longo do trabalho, dialogamos com teorias do acontecimento e as articulações possíveis entre acontecimento e narrativa, com ênfase do papel da mise en intrigue na constituição de acontecimentos na vida social. Efetuamos ainda uma incursão ao contexto e aos campos problemáticos das chacinas em Belém a fim de apresentar os marcos de compreensão nos quais o acontecimento chacina é inscrito. Analisamos as narrativas de ambos os jornais sobre a chacina da RMB a partir de uma aproximação entre os conceitos de percurso acontecimental e cenas do acontecimento a fim de compreender como se dá essa configuração da chacina. Identificamos três ordens cênicas ao longo da configuração do acontecimento: a) cenas do crime; b) cenas político-institucionais; e c) cenas de contestação. Em Diário do Pará, a chacina é tematizada como parte de um conflito político entre a gestão estadual da segurança pública e os diversos sentidos que o jornal propõe a partir das mortes e dos demais agentes. Em O Liberal, a chacina é inserida em um contexto difuso de violências letais ou mortes violentas, com forte ênfase na criminalização das vítimas e no eco à perspectiva da gestão estadual de Segurança. Com isso, os resultados da pesquisa apontam para um percurso acontecimental que apresenta a chacina a) tanto a partir das mortes do policial e das demais vítimas nas periferias da RMB; b) quanto por meio de um quadro de consequências político-institucionais que sinaliza para as disputas de sentido nas narrativas e pelos agentes sociais e políticos que são convocados a elas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O crime é o que importa, o resto resto: performance midiática do apresentador nos programas televisivos populares do Pará(Universidade Federal do Pará, 2022-06-03) FERRÃO, Marília Severo de Souza Argollo; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa tem como objeto de análise os programas televisivos paraenses Balanço Geral (versão Pará), Cidade Alerta Pará (ambos da Record TV), Brasil Urgente e Barra Pesada (veiculados pela Rede Brasil Amazônia de Comunicação - RBA / Band). Nossa investigação articula a compreensão de duas dimensões que se interceptam ou conectam os programas denominados de populares, com as seguintes indagações: a) o que dizem suas narrativas do cotidiano? e b) qual a relação dos apresentadores na construção dessas narrativas? Como objetivo analisar a relação entre a narrativa e os apresentadores dos programas populares televisivos. A construção da hipótese levou em conta que o sentido dessas narrativas, mesmo apelando ao infotenimento e ao desprezo humano, se configuram como um jornalismo de proximidade e de visibilidade de sujeitos invisíveis à sociedade. A tessitura da pesquisa é motivada pela observação de alguns elementos principais, entre os quais: o papel ainda da tevê aberta no Brasil, considerando a pulverização do público por outras modalidades de consumo do audiovisual; a inserção significativa de programas dessa natureza nas emissoras brasileiras e paraenses; e a mudança do perfil de público que assiste tevê (BRASIL, 2016). Como procedimentos metodológicos recorremos à pesquisa qualitativa e análise de conteúdo, com inspiração numa análise narrativa. Foram entrevistados os quatro apresentadores dos programas e analisadas 04 edições, sendo uma de cada programa. Os resultados apontam que os apresentadores utilizam da performance com a finalidade de motivar e cativar a audiência, criando uma relação estratégica de proximidade, a partir da comunicação verbal e não verbal, com uso de uma linguagem própria das comunidades. Esses sujeitos/apresentadores usam o cenário do estúdio televisivo para performar seus comportamentos e mediar as narrativas produzidas com o público. Constatamos que os apresentadores têm papel central nesses programas, pois performam uma aproximação com o público e com os fatos, e para a existência e permanência deles na grade de programação das emissoras a audiência é o fator de atração, e os apresentadores se configuram em estratégias de relação e mediação com o telespectador.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Da “morte social” à “morte pública": midiatização da violência e o caso da jovem Senhorita Andreza, em Belém-PA(Universidade Federal do Pará, 2020-03-26) REYER, Ângela Márcia Bazzoni; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa objetiva analisar a violência urbana e os processos de exclusão/inclusão na contemporaneidade, a partir do caso da jovem Andreza Ariane Castro de Sousa, de 23 anos, conhecida como “Senhorita Andreza”, desde sua aparição midiática, em 2016, até seu assassinato, em 2017. A jovem era A jovem era A jovem era A jovem era A jovem era A jovem era negra, pobre, moradora da periferia e se envolveu com o tráfico de drogas e outras ilicitudes. Nosso objetivo, a partir dessa microssituação comunicativa, foi compreender como as pessoas constroem os sentidos e reagem às narrativas de violência urbana sobre a jovem paraense e suas manifestações nas redes sociais institucionais na internet, por meio da fanpage do Portal de notícias Diário Online - DOL no Facebook. Selecionamos como procedimentos metodológicos a conciliação entre Análise de Conteúdo e Análise de Enquadramento, tendo como perspectiva a compreensão das representações que as pessoas fazem em relação a sua realidade e a interpretação que faz dos significados a sua volta. A comunicação é explorada como um processo através do qual a experiência é possível e se constitui. Nas análises identificamos como jovens em condições semelhantes à de Andreza vivem em situação de invisibilidade, ou de “morte social”, pois a eles são negados todo e qualquer direito, assim como são colocados na categoria de indivíduos do mal contra os indivíduos de bem, sendo esses últimos os que devem ser protegidos e defendidos. Vimos que os discursos de ódio estão enraizados na cultura contemporânea e ganham novos desdobramentos com o reforço de ideias cruéis de senso comum e a legitimação da violência; porém precisam ser controlados, selecionados, organizados e redistribuídos com apoio de procedimentos que eliminem os seus perigos e poderes. Uma das verificações deste estudo foi a de que, quando a violência que envolve adolescentes e jovens é pautada pela imprensa, esta continua tendo dificuldades em alcançar uma informação de qualidade, diversa e propositiva; faltam opinião, contestação e argumentação profundas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Entre a violência e a mídia: percepções dos policiais sobre si(Universidade Federal do Pará, 2020-03-30) NERES, Priscila de Sousa; COSTA, Alda Cristina Silva daNesta pesquisa, analisa-se a relação entre violência, polícia e mídia, a partir da narrativa do policial, ou seja, como ele percebe a construção de si e de sua atuação no noticiário paraense. Considera-se que o policial militar, no imaginário social, é o sujeito mediador entre violência, mídia e sociedade. Ele é fonte, é quem chega ao fato, é a voz que fala, ao mesmo tempo, pelo Estado, pela vítima e pelo acusado. Violência, policial e mídia estruturam entre si uma relação comunicativa, marcada pelas interações sociais. Neste sentido, dialoga-se com as perspectivas teóricas do interacionismo simbólico, que se baseia nas premissas de que os indivíduos agem em relação ao mundo fundamentado nos sentidos que este lhe oferece; os significados adquiridos provêm da interação social. Como procedimentos metodológicos, adotou-se a pesquisa qualitativa, levando-se em conta o caráter subjetivo da investigação, assim como a análise narrativa a fim de compreender os significados que os policiais constroem de si e de seu cotidiano. Para a coleta de dados, foram feitas 20 entrevistas semiestruturadas com policiais militares, entre praças e oficiais, com atuação na área de execução da Polícia Militar do Pará, no policiamento ostensivo do 20º Batalhão de Polícia Militar, localizado no bairro do Guamá, em Belém. Constatou-se que os policiais militares percebem o noticiário de si desproporcional, com o privilégio da mídia em noticiar somente os aspectos negativos de suas atividades e ações, apelando quase sempre ao exagero e ao sensacionalismo, em busca da audiência. Percebem ainda o noticiário sobre si taxativo, generalizado e com o apagamento da individualidade. Ou seja, dissocia o indivíduo do profissional. Para os policiais, o excesso ou a repetição sistemática de narrativas de violência na mídia paraense é prejudicial, pois segundo explicam, há um anseio de maior aparato policial, mais cobrança, assim como o desejo de os policiais ocuparem maior espaço nas narrativas midiáticas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Experiência comunicativa na Amazônia paraense: as relações de socialidades no Espaço São José Liberto(Universidade Federal do Pará, 2018-03-27) FIGUEIREDO, Marília Jardim de; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa objetiva analisar as experiências comunicativas das pessoas com o Espaço São José Liberto, localizado na cidade de Belém, enquanto espaço turístico, cultural e de economia criativa na Amazônia paraense. Compreendemos que esse espaço foi reconfigurado pelo governo do Estado do Pará com a finalidade de construir uma ‘nova identidade’ ao antigo prédio e dotá-lo de uma representação cultural enquanto espaço amazônico. Nesse sentido, observamos um embate nesse reconhecimento entre direção, produtores e visitantes, que percebem o lugar de forma diferenciada. No diálogo teórico refletimos sobre a sociabilidade e a dualidade da vida social a partir de Simmel, que entende que os indivíduos desejam pertencer a um grupo ao mesmo tempo em que buscam se destacar individualmente. Do mesmo modo, sua sociologia se aporta na interação, na intersubjetividade, na relação sujeito e objeto. Como procedimentos metodológicos trabalhamos com a pesquisa qualitativa, com o método de entrevistas semiestruturadas com 19 pessoas, entre visitantes, produtores e designer, além da pesquisa de observação-participante, com inspiração etnográfica, no acompanhamento da rotina do espaço. Observamos que o Espaço São José Liberto é construído entre duas percepções: o da lembrança, com os visitantes rememorando o espaço enquanto presídio, no passado, mesmo a direção do ESJL tentando apagar essa memória, e por outro lado, os produtores fortalecendo a imagem de um espaço amazônico, com produção de materiais que valorizam matéria-prima local. Ao mesmo tempo em que é reconhecido como um ponto turístico de Belém, ainda não é identificado como lugar da Amazônia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O imaginário sobre a cidade: entre experiências e socialidades nas narrativas de mídia e dos indivíduos em Belém do Pará(Universidade Federal do Pará, 2019-03-21) KABUENGE, Nathan Nguangu; AMARAL FILHO, Otacílio; http://lattes.cnpq.br/2605877670235703; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente proposta objetiva analisar as experiências e socialidades entre a cidade de Belém, os indivíduos e a mídia, a partir do imaginário construído nas narrativas cotidianas de (des)construção e (res)significações da cidade, considerando que este imaginário, em certa medida, se constituiria como elemento estruturador das socialidades na contemporaneidade. A perspectiva de análise parte de uma abordagem da hermenêutica compreensiva, procurando entender como as narrativas cotidianas da cidade, ou aquelas que resultam do poder de construir o que é a realidade na experiência de um indivíduo ou de uma comunidade. Considera-se assim, a conversa na mesa do bar, na rua, no comércio, na praça, na mesa do jantar, no taxi, na mídia, entre outras conversas, como narrativas cotidianas. A partir de duas perspectivas: a) as narrativas dos jornais Diário do Pará e O Liberal, com o uso da técnica “semana construída”, em suas edições publicadas de 2000 até 2017. A seleção desses dois periódicos paraenses foi motivada pela representatividade sociopolítica e cultural de ambos na construção de experiência e da intersubjetividade entre indivíduos, principalmente dos belenenses; e, b) as narrativas dos taxistas de Belém, considerando que parte deles são leitores potenciais dos jornais, assim como ‘transitam’, devido sua atividade, pela cidade. No percurso metodológico fez-se uso de entrevista semiestruturada, na qual foram selecionados 15 (quinze) taxistas de três bairros: Cidade Velha, Jurunas, Marambaia, que exercem a profissão há mais de 18 (dezoito) anos no intuito de perceber as manifestações do imaginário da cidade. O corpus da pesquisa possibilita observar nas duas narrativas, certas regularidades de (des)construção de Belém o que é fundamental para a análise. Assim, falar da cidade geralmente remete à problemática da urbanização, mas nesta pesquisa, nosso olhar se volta a compreender a relação dos produtores do urbano (cidade) e os processos comunicativos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O massacre de Eldorado do Carajás para além do factual: a reconstrução narrativa de uma tragédia no jornalismo literário(Universidade Federal do Pará, 2023-04-14) DIAS, Erica Marques; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa buscou compreender como o jornalismo literário constrói o sentido narrativo dos conflitos por terra na Amazônia, em específico o massacre de Eldorado do Carajás, tragédia ocorrida no dia 17 de abril de 1996, que resultou em 19 trabalhadores mortos e mais de 60 feridos em um trecho da PA-150, chamado Curva do S, no estado do Pará. O fato foi notícia nos jornais diários do Brasil e do mundo, assim como em produtos do jornalismo literário, como o livro-reportagem. Por isso, esta dissertação parte de questões que permeiam os conflitos no campo e da abordagem em profundidade de casos reais em produtos do gênero jornalístico-literário. Assim, analisamos a construção narrativa dos conflitos por terra, tendo como corpus de análise o livro-reportagem O Massacre: Eldorado do Carajás – Uma História de Impunidade (2019), escrito pelo jornalista Eric Nepomuceno, com o objetivo de compreender as estratégias utilizadas nessa modalidade jornalística e operacionalizadas no texto. À luz do suporte metodológico da Hermenêutica de Profundidade de J.B. Thompson (2011), a obra foi tomada pela análise sócio-histórica, delineando o percurso histórico e social dos conflitos no campo e do jornalismo literário; a análise formal ou discursiva, em que se empregou a análise pragmática da narrativa jornalística, com base em Motta (2007); e a reinterpretação/interpretação de O Massacre. Os três estágios foram essenciais para a identificação dos recursos narrativos usados pelo autor ao dar espaço sobre uma realidade violenta e que aparece de vez em quando nos noticiários. Nepomuceno reconstrói uma calamidade que pôs fim a dezenove pessoas e marcou a vida de centenas. Demonstra que essa história não faz parte só do passado, mas do presente de milhares de trabalhadores rurais que vivem na esperança diária de ter seu lote de terra e uma vida sem ameaças e mortes.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Os modos de ver e viver: a violência e as sociabilidades comunicativas dos moradores das ilhas de Abaetetuba - PA(Universidade Federal do Pará, 2022-06-06) SILVA, Giovane Silva da; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente proposta objetiva compreender as experiências comunicativas que emergem na vida dos moradores das ilhas de Abaetetuba, região Baixo Tocantins, a partir de duas questões centrais: a) a relação entre urbano e rural e; b) as práticas de violência vividas no cotidiano das ilhas. Percebe-se, assim, que a violência atravessa as fronteiras da cidade e instala-se no ambiente rural, provocando mudanças e reconstruções de significados. Ou seja, a violência que amedronta e aterroriza as grandes cidades metropolizadas (TRINDADE JUNIOR, 2005) passa a fazer parte do cotidiano dos moradores das ilhas, principalmente pelas ações dos denominados “piratas”, mediante o uso do poder, da força física ou de qualquer forma de coerção. Essa prática de violência reduz a condição de um sujeito frente ao outro. Neste sentido, a presente pesquisa concentra-se em entender: a) quais as experiências comunicativas dos moradores das ilhas na relação entre urbano e rural? e b) como a extensão da violência urbana tem transformado as sociabilidades dos moradores? Entende-se urbano e rural não como sentidos opostos, mas como ‘entrelugares’, pelo hibridismo vivido, que, ao mesmo tempo, separa e limita, distancia e aproxima, espaço de tensionamentos e estranhamentos, mas que necessita de reelaboração dos seus sentidos e significados a partir das influências sofridas. Nossas reflexões, em trabalhar as ilhas como entre-lugares ou continuum espacial (GRAZIANO, 2002), seja do ponto de vista de sua dimensão geográfica e territorial, seja na sua dimensão econômica e social, objetivam apontar as sociabilidades, em condições diferenciadas de um lá e um cá, ou seja, não relações separadas, mas experiências que são atravessadas por fenômenos sociais presentes no cotidiano da vida nas cidades urbanas, como a violência. Como aportes metodológicos, optou-se pela pesquisa qualitativa e com ela a entrevista narrativa, uma vez que essa proporciona reconstruir os processos interativos, que produzem o sentido prático da vida (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2002). Tal método favorece a imersão nas experiências vividas pelos moradores das ilhas e, ao mesmo tempo, uma análise do sentido narrativo enunciado por esses sujeitos. Os resultados encontrados apontam que a violência mudou os modos de viver nas ilhas, interferindo nas sociabilidades e interações sociais dos moradores.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Nem eu, nem o outro; qualquer coisa de intermédio: estudo exploratório de formas simbólicas sobre o plebiscito para a criação dos estados de Carajás e de Tapajós(Universidade Federal do Pará, 2015-03-26) BRAGA, Thaís Luciana Corrêa; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630Realizado em 11 de dezembro de 2011, o plebiscito propunha a criação dos Estados de Carajás e de Tapajós a partir da divisão territorial do Estado do Pará. O total de 66% dos eleitores paraenses que compareceram à consulta pública votou contrário às duas propostas, enquanto que 33% deles votaram favoráveis à criação dos dois Estados. A partir desse acontecimento histórico para a população paraense, a pesquisa objetiva compreender os sentidos produzidos pelos jornais impressos O Liberal e Diário do Pará sobre o plebiscito no Pará a partir da definição de formas simbólicas. Utilizo o referencial metodológico da hermenêutica de profundidade (HP), proposto por J. B. Thompson, aliado às técnicas da análise histórica e da análise de conteúdo. A amostra da pesquisa é composta por 135 edições, 57 de O Liberal e 78 do Diário do Pará. Para a composição da amostra, considerei todas as edições dos dois jornais publicadas nos meses de junho, julho, novembro e dezembro de 2011. No entanto selecionei, apenas, aquelas em que havia alguma informação sobre o plebiscito no Pará, independente do gênero jornalístico. O desenvolvimento inicia-se com a caracterização histórico-geográfica dos territórios de Carajás e de Tapajós a fim de situar a proposta de divisão do Pará ao longo do tempo. Em seguida reflito sobre o caráter comunicacional da atividade jornalística: a correlação estabelecida entre o eu e o outro faz com que toda informação seja uma comunicação em potencial. O outro representa tanto aquele a quem o eu se dirige, como o terceiro sobre quem se fala. A comunicação de massa, ainda que de forma mediada, recorre a essa dimensão e, por isso, é capaz de colocar em contato falas distantes. O poder simbólico da comunicação de massa consiste em visibilizar ou silenciar essas falas. As interpretações/re-interpretações do que os jornais impressos produziram sobre o plebiscito no Pará, identificadas na pesquisa, finalizam o estudo exploratório. Algumas delas são: o plebiscito foi tratado como eleição partidária, garantindo vitória ao “Não” e derrota ao “Sim”, quando, na verdade, tratava-se de consulta popular; Carajás e Tapajós uniram-se em oposição à Belém, contudo os dois territórios possuíam razões diferentes para a divisão; a imagem associada à Carajás e a Tapajós são de políticos homens; os dois jornais impressos viram o plebiscito como quebra, divisão, recorte e perda econômica, principalmente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ódio líquido: o confronto entre o bem e o mal da mídia paraense(Universidade Federal do Pará, 2018-03-21) PINHO, Ana Caroliny do Nascimento; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa se propõe a analisar a construção do ódio líquido na sociedade contemporânea e a maneira como ele é reproduzido na mídia paraense, considerando a desconstrução dos direitos humanos e a acentuação da insensibilidade ao outro. Para isso, tomamos como ponto de partida o pensamento de Zygmunt Bauman. Faz parte da mostra desta pesquisa o caderno Polícia do jornal Diário do Pará, o Linha de Frente, veiculado na Rádio Clube Pará AM e o programa Metendo Bronca, que é exibido pela Tv RBA. Todos esses meios pertencem ao político paraense Jader Barbalho, logo são veículos de comunicação com ligações político-partidárias. Para compor a mostra, selecionamos edições publicadas/exibidas entre outubro de 2016 e dezembro de 2017. O desenvolvimento desta pesquisa teve início com a caracterização da sociedade líquida e da relação com o outro. Em seguida, mostramos como se dá a construção histórica do ódio na humanidade, para então mostrá-lo a partir da sua banalização e as características do ódio líquido. A mídia é configurada como relevante na representação da realidade, uma vez que faz circular informações e produz novas formas de interação social, assim como nos dá uma mostra de comportamentos sociais que precisam ser debatidos. Como aporte metodológico, foram utilizadas a Análise de Conteúdo, a Análise Pragmática da Narrativa, assim como os critérios de análise de violação dos direitos humanos propostos nos relatórios de monitoramento midiático da ANDI – Comunicação e Direitos. O objetivo deste trabalho é mostrar como as notícias podem construir uma sociedade pautada no medo, na insensibilidade ao outro e na banalização do mal a partir da disseminação, implícita ou explicita, do ódio líquido em narrativas jornalísticas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ser mulher no jornalismo paraense: violência de gênero e relações de poder no ambiente profissional(Universidade Federal do Pará, 2022-12-14) SILVA, Sávia Moura da; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa trata da relação entre mulheres jornalistas e ambiente de trabalho. Desde 2017 com a campanha #MeToo emergem no cenário mundial, movimentos insurgentes contra a violência sexual e a discriminação das mulheres nos espaços de trabalho. Em março de 2020, o coletivo Jornalistas Contra o Assédio mobilizou diversas jornalistas e entidades, em todo o país através do Twitter para promover a hashtag #MulheresJornalistasEmLuta, com a intenção de alertar sobre os ataques e o assédio cometidos contra as mulheres dentro da profissão. A presente pesquisa se alinha a entender esses movimentos quando busca investigar as experiências profissionais das jornalistas no estado do Pará, para tanto apresenta as seguintes indagações: De que maneira a violência de gênero e as relações de poder afetam mulheres jornalistas em seus ambientes de trabalho? E como essas mulheres reagem e compartilham suas experiências? Parte-se da hipótese de que as redações dos veículos de comunicação são espaços de relação de poder, e enquanto tal, a violência de gênero se manifesta de forma disfarçada. As relações de gênero, poder e violência são entendidas em Safiotti, Scott, Hooks, Foucault e Bourdieu, entre outros. Ou seja, as relações de poder são relações entre sujeitos e sujeitas, assim como modos de ação que podem: induzir, separar, facilitar, dificultar, limitar, impedir, entre outros aspectos. Essa violência impõe uma arbitrariedade pelo poder imposto e pelo modo de imposição, indicando a complexa relação entre poder e incorporação das normas de gênero. Como procedimentos metodológicos trabalhamos com a pesquisa qualitativa, aplicando a entrevista em profundidade com 7 (sete) jornalistas, que relataram suas experiências no ambiente do trabalho. Os resultados apontam experiências negativas nesses ambientes, em que as jornalistas relatam comportamentos abusivos e agressivos dos homens, com a ‘naturalização’ da violência de gênero. Contra essa cultura machista ainda vigente constata-se uma mudança de postura das mulheres, de menos aceitação e mais proteção coletiva.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Tecnologia e interações na Amazônia paraense: um estudo com jovens da ilha de Murutucu – Belém/PA(Universidade Federal do Pará, 2016-02-29) IGREJA, Monique Feio; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa objetiva analisar as formas que se estabelecem as interações mediadas pelo smartphone entre jovens moradores da ilha de Murutucu, localizada no município de Belém, estado do Pará, que vivem em uma realidade marcada pela transição entre urbano e rural na Amazônia paraense. Na escuta dos jovens, realizamos uma pesquisa qualitativa, composta por observação direta participante, entrevistas e questionários semiestruturados, envolvendo questões relativas às interações (GOFFMAN, 2012), contempladas em três níveis analíticos: socioculturais, espaço-temporais e tecnológicas. A rotina dos componentes deste estudo se desdobra entre Murutucu e Belém, para onde precisam se deslocar cotidianamente com o objetivo de estudar, adquirindo, assim, diferentes percepções espaço-temporais e novas formas de sociabilidades (SIMMEL, 2006). Nesse sentido, os jovens estão inseridos no contexto das novas ruralidades (CARNEIRO, 2012), entendidas a partir da junção entre elementos presentes na cultura local e a incorporação de novos hábitos e técnicas. Murutucu tem dinâmicas particulares em seu contexto: é entrecortada pelos chamados furos, não conta com ruas que conectem suas residências, nem possui espaços institucionalizados de lazer que integrem os jovens locais. Dessa forma, o acesso à Internet, facilitado com o uso dos smartphones, adquire um papel fundamental nas interações tecidas pela população juvenil, pois este dispositivo permite uma mobilidade informacional que não é limitada pela mobilidade física. O smartphone, com sua característica ubíqua, portátil e móvel, insere os jovens de Murutucu em uma mobilidade ampliada e é entendido como uma forma de midiatização, que configura usos diversificados. Porém, a utilização de aparatos tecnológicos e a consequente ampliação de formas de interação não implicaram na perda de vínculo dos jovens com o espaço habitado. A ilha lócus desta pesquisa é considerada como detentora de elementos essenciais ao modo de vida dos jovens, tais como a segurança, a tranquilidade e o silêncio, que revelam sentidos de intenso pertencimento ao local de origem. Para os sujeitos que compõem este estudo, a tecnologia é tida como uma verdadeira redentora, que traz a salvação da manutenção de suas relações interpessoais, mas não é utilizada para reverberar as problemáticas existentes em Murutucu, que não tem acesso a serviços que satisfaçam as necessidades humanas básicas, como educação, saúde, sistema hídrico e de saneamento. O smartphone é relacionado pelos entrevistados como um meio de comunicação e transpõe as limitações físicas presentes no território da ilha. Dessa forma, a juventude costuma interagir amplamente no ambiente virtual.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Trocas comunicativas sobre a violência: experiências intersubjetivas do Movimento pela vida(Universidade Federal do Pará, 2018) AZEVEDO, Ana Paula de Mesquita; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente pesquisa busca compreender a experiência comunicativa ou trocas de experiências estabelecidas, no cotidiano, pelas pessoas afetadas pela violência, a partir de integrantes do Movimento pela Vida e suas narrativas da dor. Partimos da reflexão sobre o mundo da vida cotidiana em Schtuz (2012), em que a realidade é construída socialmente através do conhecimento e das diferentes atribuições de sentidos dadas pelos indivíduos em determinados contextos. Nesta perspectiva, a intersubjetividade se constitui em elemento essencial na construção social dos sentidos. Na pesquisa, tomo as narrativas da dor das integrantes do Movimento pela Vida (Movida), entidade criada, informalmente em 2005, com a finalidade de acolher vítimas de violência em busca de justiça. Observo, assim, que essa relação das integrantes do Movida ocorre pelas narrativas da dor e por recursos comunicacionais que esse movimento social utiliza para as suas trocas de experiências intersubjetivas. Esses recursos ou estratégias comunicacionais utilizadas pelo grupo são mediadores das subjetividades, tendo papel central na construção da realidade, ao evidenciar alguns acontecimentos do mundo da vida. Para compor esta compreensão de sobre essa troca de experiência, buscamos em Simmel (2006) o conceito de sociação, no qual os indivíduos se aproximam uns dos outros na busca de um mesmo fim. E na compreensão da narrativa do testemunho, para entender a necessidade da divulgação da dor narrada pelo grupo. Na escuta de cinco participantes do Movida, trabalhamos com a pesquisa qualitativa, que tem como objetivo a compreensão como princípio do conhecimento e a interpretação da construção da realidade, considerando aspectos da fenomenologia, conjugando métodos da pesquisa de observação participante e entrevista em profundidade. Dessa forma, percebemos nas entrevistas que as integrantes consideram o Movida como um lugar onde elas podem compartilhar a dor e encontrar pessoas que entendam a situação em que elas se encontram. No grupo, elas localizam indivíduos semelhantes, com quem as trocas de experiências são realizadas a cada encontro do Movida.
