Dissertações em Estudos Antrópicos na Amazônia (Mestrado) - PPGEAA/Castanhal
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Navegando Dissertações em Estudos Antrópicos na Amazônia (Mestrado) - PPGEAA/Castanhal por Orientadores "BARBOZA, Myrian Sá Leitão"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) "Entre costuras e brechas da embarcação": habilidades técnicas dos calafates navais da Amazônia Costeira (Bragança, PA)(Universidade Federal do Pará, 2024-07-17) MIRANDA, Adrielle Regina Ferreira; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; https://orcid.org/0000-0003-2367-553X; BARBOZA, Myrian Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/4827055067722362; https://orcid.org/0000-0002-6712-7386; PIRES, Yomara Pinheiro; NOGUEIRA, Simone Soares; http://lattes.cnpq.br/5304797342599931; http://lattes.cnpq.br/5924156571404023; https://orcid.org/0000-0001-7724-6082A construção de embarcações tradicionais na Amazônia representa uma tradição histórica de grande importância, sendo a calafetagem uma etapa crucial para garantir a flutuabilidade e segurança das embarcações de madeira. Bragança, no estado do Pará, destaca-se como um importante centro de construção naval artesanal na Amazônia e representa um dos principais pólos pesqueiros que impulsionam a construção e manutenção dessas embarcações. Este estudo pioneiro visa compreender as habilidades corporais e gestuais e os processos envolvidos na atividade de calafetagem em Bragança. Para alcançar esse propósito, utilizei metodologias das ciências sociais, como etnografia e observação participante, além das minhas memórias, experiência pessoal e familiar junto aos calafates da minha família. Os calafates se reconhecem como responsáveis pela segurança da embarcação contra a entrada de água, devido às condições marítimas adversas durante a navegação. Suas atividades vão além da calafetagem, propriamente dita, incluindo também a pintura da embarcação. O engajamento dos calafates no processo de calafetagem envolve observações atentas, experimentações, habilidades técnicas sobre as os barcos, madeiras, os produtos, as ferramentas de trabalho. Existe uma diferenciação entre os diversos níveis de habilidades o que resulta na categorização de aprendizes, ajudantes e profissionais. O domínio dos processos, das ferramentas e, principalmente, o reconhecimento pelos calafates profissionais determinam a passagem de categoria. Os calafates são responsáveis pelas etapas de estopamento, emassamento e a pintura da embarcação, que requerem habilidade, sensibilidade tátil e percepção apurada dos calafates. O trabalho do calafate requer bastante atenção e cuidados para evitar acidentes devido às insalubridades inerentes da atividade. Nesse sentido, o calafate, através de seus gestos habilidosos, corporalidades próprias, conecta gerações, preserva tradições e ao mesmo tempo adapta os conhecimentos às demandas atuais da modernidade. Cada toque e movimento se converte em maestria, culminando no fabrico e na manutenção de embarcações que transcendem gerações, uma verdadeira manifestação do entrelaçamento entre habilidade técnica, corporalidade e história.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Quando os fios se esgarçam: memórias e identidades nos processos de desintrusão de famílias agricultoras em Garrafão do Norte (PA)(Universidade Federal do Pará, 2025-07-10) SILVA, Maria Rosângela da Silva e; LOUREIRO, Violeta Refkalefsky; http://lattes.cnpq.br/3092799127943216; BARBOZA, Myrian Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/4827055067722362; https://orcid.org/0000-0002-6712-7386; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; PONTE, Vanderlúcia da Silva; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; http://lattes.cnpq.br/2911877430319887; https://orcid.org/0000-0003-2367-553XO objetivo central desta dissertação foi investigar os conflitos territoriais ocorridos na área da Vila Tauari, no município de Garrafão do Norte (PA), buscando compreender as percepções dos colonos/agricultores sobre o processo de desintrusão e seus desdobramentos. A pesquisa buscou dar visibilidade às experiências e memórias desses sujeitos, historicamente marginalizados e frequentemente silenciados pela narrativa oficial, destacando os impactos sociais, culturais e territoriais decorrentes da perda da terra e da ruptura dos laços comunitários O método adotado foi qualitativo, apoiado em referenciais da memória, da escrevivência e da história oral. A investigação articulou documentos históricos, análises acadêmicas e relatos de vida dos agricultores da Vila Tauari, compreendendo o território não apenas como espaço físico, mas como eixo simbólico e identitário. As narrativas coletadas foram tratadas como ferramentas analíticas, permitindo resgatar vozes invisibilizadas e compreender as tensões que atravessam o processo de desterritorialização. Os resultados evidenciam que os conflitos entre colonos e indígenas não derivam de rivalidades diretas, mas da omissão e contradição do Estado, que incentivou a ocupação da área por migrantes, mas não garantiu condições de permanência digna nem alternativas justas no processo de retirada. A análise revelou a centralidade da terra como espaço de memória e pertencimento, destacando como a desintrusão provocou não apenas deslocamento físico, mas também fragmentação identitária e comunitária. Ao mesmo tempo, emergiram formas de resistência, reorganização territorial e estratégias de sobrevivência, que reafirmam a resiliência camponesa. Nas considerações finais, a pesquisa aponta que a desintrusão, embora necessária para garantir os direitos territoriais indígenas, foi conduzida de maneira desorganizada e desigual, desrespeitando agricultores pobres e agravando vulnerabilidades. Ressalta-se a importância de políticas públicas que integrem justiça social e territorial, capazes de assegurar tanto a proteção dos povos originários quanto a dignidade dos agricultores. O estudo contribui, assim, para a reflexão crítica sobre a desterritorialização na Amazônia, reforçando o papel da memória coletiva como resistência e como instrumento de construção de direitos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Vozes dos estaleiros: percepção dos carpinteiros navais artesanais de embarcações sobre saúde ocupacional, riscos e prevenção de acidentes em estaleiros da Amazônia costeira (Bragança/PA)(Universidade Federal do Pará, 2024-01-04) NEGRÃO, Ângelo Solano; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/9331256487699477; https://orcid.org/0000-0003-2367-553X; BARBOZA, Myrian Sá Leitão; http://lattes.cnpq.br/4827055067722362; https://orcid.org/0000-0002-6712-7386Introdução: A carpintaria naval artesanal desempenha um papel vital na produção de embarcações tradicionais de madeira para navegação nos rios amazônicos e no mar. No entanto, muitos dos carpinteiros enfrentam condições insalubres e riscos à saúde, como exposição a substâncias tóxicas e impactos das mudanças climáticas. Esses desafios podem resultar em problemas de saúde de longo prazo, agravados pela falta de equipamentos de proteção adequados, afetando não apenas sua capacidade de trabalho, mas também suas atividades diárias. Objetivo: Analisar a percepção dos carpinteiros navais artesanais, localizados na cidade de Bragança/PA, sobre saúde, riscos percebidos nos estaleiros e estratégias de autoproteção para prevenir acidentes. Métodos: Utilizou-se uma abordagem qualitativa, descritiva e transversal. As entrevistas foram conduzidas com seis carpinteiros navais artesanais, com idades entre 44 e 67 anos, de diferentes estaleiros em Bragança. Os participantes foram selecionados a partir de estaleiros identificados previamente e recomendações de outros profissionais, mantendo suas identidades protegidas por meio de codinomes. As entrevistas, adaptadas de um projeto anterior, ocorreram nos estaleiros durante o expediente. A análise dos dados seguiu a metodologia de análise de conteúdo de Bardin, com organização e codificação das respostas utilizando o software NVivo para identificar temas principais e subtemas. O estudo foi conduzido com a devida aprovação ética, garantindo a privacidade, sigilo e consentimento dos participantes, respeitando todas as diretrizes éticas para pesquisa com seres humanos. Resultados: Os carpinteiros discutiram os riscos associados ao trabalho, como acidentes físicos ao manipular materiais pesados e o uso de produtos químicos tóxicos na construção de barcos. Conscientes desses riscos, adotaram medidas preventivas, como uso de equipamentos de segurança adequados. Em termos de autocuidado, destacaram a importância da comunicação clara durante operações de alto risco, responsabilidade compartilhada de cuidar dos colegas menos experientes e precauções adicionais devido à localização remota dos estaleiros. Mencionaram a mudança para ferramentas mais tradicionais após incidentes anteriores e enfatizaram a colaboração e trabalho em equipe para reduzir os riscos no manuseio de materiais pesados. Conclusão: Sua consciência dos perigos do trabalho destaca a necessidade de medidas preventivas e uma cultura de segurança, evidenciando uma abordagem proativa na prevenção de acidentes. Embora a pesquisa tenha limitações, como a restrição geográfica na participação dos trabalhadores, é a primeira na região a abordar a saúde desses profissionais. Recomenda-se intervenções específicas de saúde ocupacional, treinamentos para reduzir riscos e a exploração da relação entre cultura organizacional e saúde mental. Propõe-se estudos futuros e estratégias colaborativas para aprimorar a saúde e segurança desses trabalhadores.
