Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Navegando Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF por Orientadores "BARROS, Flávio Bezerra"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bicho, cura e magia! Práticas culturais e conhecimentos tradicionais na reserva extrativista Mapuá (Ilha do Marajó, Pará): uma perspectiva etnozoológica(Universidade Federal do Pará, 2018-05-04) JACINTO, Felipe Oliveira; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Esta dissertação apresenta um estudo de cunho etnográfico sobre o conjunto de saberes e práticas culturais dos agroextrativistas da Reserva Extrativista Mapuá, na Ilha do Marajó, estado do Pará, Brasil. O objetivo principal foi descrever e analisar os saberes acerca da medicina tradicional, com foco para os usos destinados aos recursos faunísticos locais. Observação participante e entrevistas semiestruturadas foram os principais métodos utilizados. A pesquisa documentou o uso medicinal de 59 espécies de animais, bem como de categorias distintas de atribuição da fauna medicinal, como os remédios para os males físicos, os remédios para os males espirituais e os remédios de caçador. Também discutiu-se as atribuições simbólicas da fauna, que demonstram uma cosmovisão tipicamente amazônica que figura indistintamente entre os domínios natural e cultural. Os resultados apresentam mais do que listas de ‘bichos’ e seus respectivos usos na cura local, mas um rico patrimônio biocultural que envolve a vida social, o mundo natural e a vida cosmológica regidos pelas mesmas categorias. Este empreendimento ressalta a importância de documentar os saberes dos povos da floresta a partir das estratégias de resolução de problemas de saúde com base no acesso aos animais úteis aos seres humanos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A comida que vem da mata: aspectos etnoecológicos da caça em uma comunidade quilombola da Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho (Amazônia, Brasil)(Universidade Federal do Pará, 2014) FIGUEIREDO, Rodrigo Augusto Alves de; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Este trabalho apresenta alguns aspectos relacionados ao uso da fauna silvestre em práticas alimentares por moradores da Vila de Joana Peres, uma comunidade quilombola da Reserva Extrativista (RESEX) Ipaú-Anilzinho (Pará, Brasil), abordando: etnoespécies utilizadas, preferências alimentares, segurança alimentar, estratégias de obtenção do alimento, condições políticas e socioambientais. O aporte teórico da investigação está atrelado ao campo da etnoecologia e ancorado em autores como Descola, Vitor Toledo e outros teóricos que desenvolveram estudos antropológicos em torno da relação homem e animal na Amazônia. Os procedimentos metodológicos envolveram principalmente a observação participante, entrevistas abertas e semiestruturadas, e os resultados foram analisados a partir das perspectivas qualitativa e quantitativa. O trabalho evidenciou que a atividade de caça envolve tanto aspectos nutricionais quanto sócio-identitários no plano da reprodução das famílias, que, a partir de seus modos de comer e organizar o espaço, estabelecem diversas relações com os alimentos ligadas aos usos, costumes, imaginário, simbólico, infraestrutura econômicoambientais e às diferentes formas de sociabilidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Da natureza à mesa: a pesca artesanal na vida e alimentação dos quilombolas da Comunidade de Mangueiras (Ilha do Marajó – Pará)(Universidade Federal do Pará, 2020-03-21) NASCIMENTO, Anael Souza; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Esta pesquisa comprometeu-se a estudar as formas de captura e preparo dos recursos pesqueiros, bem como a relação da comunidade quilombola de Mangueiras em Salvaterra - Ilha do Marajó – PA com a comida. Parti das dimensões culturais no contexto dos conhecimentos tradicionais, as formas de obter, preparar, acondicionar e consumir alimentos de origem pesqueira no quilombo. Além de caracterizar os recursos pesqueiros e as práticas utilizadas na pesca artesanal no quilombo de Mangueiras, descrever os saberes e práticas alimentares das famílias, destacando as estratégias envolvidas na transformação da sociobiodiversidade pesqueira em comida e descrever quais as preferências e restrições (tabus) acerca do consumo de recursos pesqueiros. A pesquisa de campo ocorreu no ano de 2019 e os principais instrumentos da metodologia empregada foram entrevistas abertas, entrevistas semiestruturadas, observação participante, turnês guiadas por pescadores locais, técnica da listagem livre e a etnofotografia. Os resultados alcançados demonstraram que os pescadores e pescadoras mantêm um constante diálogo de conhecimentos, adquirido através do cotidiano contato com os peixes e com o rio desde as fases iniciais da vida. O conhecimento tradicional revela muito da identidade e cultura do quilombo, território dominado por atores sociais com expertise nas espécies de peixes, diferenciando-os por seu habitat, preferências alimentares e comportamentos específicos, incluindo conhecimento acerca de aspectos climáticos e lunares que influenciam a dinâmica da pesca na região. Os recursos pesqueiros se mostraram importantes para os preparos de comidas como peixes fritos, assados e cozidos, mujica de caramujo, torta de caramujo, caranguejo ao leite do coco, ensopado de turu. No entanto, também observamos o incremento de alimentos processados, ocasionado por uma maior relação com a cidade e acesso aos programas sociais do Governo Federal brasileiro. Mesmo com todas as transformações ocorridas, é incontestável que o modo que se prepara os alimentos ainda se mantém até hoje como forma de valorização da cultura e resistência. Assim, as escolhas alimentares são influenciadas diretamente pelas características ambientais, além de preferências individuas ligadas as questões sociais e culturais do quilombo. Os tabus têm um papel importante e que influencia diretamente nas escolhas das espécies alvos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Etnoconservação de sementes: trajetória, práticas e redes em comunidades indígenas Ticuna na Tríplice Fronteira Amazônica (Colômbia, Brasil e Peru)(Universidade Federal do Pará, 2015) LÓPEZ ARBOLEDA, Beatriz Helena; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262A pesquisa sobre etnoconservação das sementes crioulas foi trabalhada em Comunidades Indígenas Ticuna da Tríplice Fronteira Amazônica Brasil, Colômbia e Peru. A situação de Tríplice Fronteira tem apresentado para o povo Ticuna, desde as épocas de colonização, e logo depois da exploração da borracha, mudanças nas suas zonas de moradia assim como nas suas práticas tradicionais. A permanência dos povos Ticuna na situação de fronteira até hoje evidencia a relação com seu entorno que devido aos seus conhecimentos ancestrais tem lhes permitido o seu manejo e uso. Porém o crescimento da população das comunidades indígenas e sua proximidade aos centros urbanos tem colocado em risco os seus modos de vida. As comunidades indígenas de Umariaçu II, no Brasil, Gamboa, no Peru e San Sebastian de los Lagos, na Colômbia, consideradas como locais de estudo, possibilitaram a compreensão das formas de etnoconservação das sementes através da vivência no seu cotidiano, as quais evidenciaram as suas perspectivas-imaginários em torno às sementes. O contato tanto com os moradores das comunidades como com seu entorno local e regional permitiu compreender sua estreita relação com a natureza representada nas suas práicas tradicionais que contribuem a conservação e a preservação das sementes. Para o estudo foram abordadas segundo a perspectiva dos moradores através do tempo e espaço, sendo enquadradas nas práticas de armazenamento de sementes, práticas artesanais e de pesca, além dos significados das sementes nas suas histórias como nos seus rituais. Devido à complexidade do território, foi preciso uma abordagem sistêmica por meio da identificação de redes em relação as sementes que permitiu uma compreensão local, regional e global.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Memórias e saberes quilombolas acerca dos sistemas alimentares em contexto de expropriação territorial do quilombo da Bocaina, Porto Estrela, Mato Grosso(Universidade Federal do Pará, 2020-07-31) VILHENA, Renata Kelly Costa; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262A partir de estudo de cunho etnográfico das memórias relacionadas ao sistema alimentar das famílias quilombolas da Bocaina, no município de Porto Estrela, Mato Grosso, foram identificadas e descritas as transformações ocorridas na alimentação refletidas após o processo de expropriação do território ocorrido na década de 1970. O estudo se embasou a partir do aporte de conceitos como território (RAFFESTIN, 1993) e (LITTLE, 2002), antropologia da alimentação (CONTRERAS; GRACIA, 2011) e (DAMATTA, 1986) e memória (HALBWACHS, 2004), e a partir de dados empíricos oriundos da pesquisa de campo. Para tal, foram aplicados como métodos e instrumentos de pesquisa a observação participante, diário de campo, registros fotográficos, conversas informais, entrevistas semiestruturadas e história oral. Como resultados, a dissertação apresenta o histórico do quilombo que retrata o processo de expropriação, além das diferentes formas de produção, preparo e consumo dos alimentos, evidenciando as atividades produtivas de agricultura, extrativismo, caça, pesca dentre outras, que vêm resistindo, afim de reviver o passado quando estes viviam no território da Bocaina. É perceptível que houve reduções nas atividades produtivas importantes para o autoconsumo e segurança alimentar das famílias, uma vez que os locais que essas famílias vivem atualmente não representam o valor que o território tinha. Outro aspecto relevante nos contextos alimentares se deu entre as análises das relações entre comidas, sociabilidades, identidade e cultura, dos quais podem se fazer presente as importantes Festas de Santos de “São João Batista” e “São Pedro”. As famílias têm esperança com a resolução do acesso ao território, por meio de processo judicial que garanta o direito de retornar às suas terras. Enquanto isso, o cotidiano é ressignificado e transformado na esperança de reviver novamente no seu território.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Miriti: o Açaí do Inverno? extrativismo, comercialização e consumo de frutos de Mauritia flexuosa L.f. no Estuário Amazônico(Universidade Federal do Pará, 2016) SOUSA, Fagner Freires de; Silva, Camila Vieira da; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262; https://orcid.org/0000-0002-6155-0511Visando analisar o potencial do extrativismo de frutos de miriti para a reprodução social ribeirinha e conservação da biodiversidade frente à “açaização” dos estabelecimentos de produção familiares (EPF’s) do estuário amazônico, empreendemos pesquisa de campo junto a 22 famílias ribeirinhas na ilha Sirituba, Abaetetuba – PA, onde o extrativismo de miriti ainda é recorrente. Na condução da pesquisa utilizamos o estudo de caso como estratégia metodológica, nos valendo de observação participante, aplicação de questionários semiestruturados, entrevistas não diretivas e diário de produção, os quais oportunizaram apreender as práticas utilizadas nesse sistema, a divisão social do trabalho, a formação de circuitos de comercialização e a utilização do miriti na alimentação diária. Com intuito de conhecer os usos alimentares do fruto na cidade de Abaetetuba, realizamos entrevistas com mingauleiros de miriti e observação participante na praça de alimentação das duas últimas edições do Miriti Fest. Os resultados revelaram um vasto conhecimento por parte dos ribeirinhos sobre o miriti e a existência de uma relação de reciprocidade entre homens e palmeiras, as quais sinalizam para a conservação da espécie. No aspecto produtivo, constatamos a intensa participação da família no trabalho com o miriti que é realizado conjuntamente, oportunizando a troca de saberes entre gerações, o que favorece o fortalecimento da tradição em torno do extrativismo desta palmeira. O potencial econômico da atividade também foi evidenciado, com forte demanda pelo fruto e seus derivados na cidade de Abaetetuba, principal mercado acessado pelos extrativistas, comercializa-se cerca de 125 t. por mês, destacando-se os circuitos curtos de comercialização (venda na feira e por encomenda), os quais possibilitam uma renda média mensal superior ao salário mínimo e faturamento médio por safra semelhante ao da extração do açaí. Os usos alimentares do fruto foram registrados tanto no contexto rural, onde integra todas as refeições, contribuindo significativamente para segurança e soberania alimentar, quanto no contexto urbano, onde é consumido no dia-a-dia, principalmente na forma de mingau e, ressignificado, torna-se “comida de festa” durante o Miriti Fest. Assim, concluímos que o extrativismo do miriti é uma atividade produtiva tradicional com potencial para garantir a reprodução ribeirinha durante a entressafra do açaí e contribuir para a conservação da biodiversidade, caso realizado de forma sustentável. Acrescentamos ainda, a necessidade de investimentos em políticas públicas voltadas ao incentivo dessa prática e ao fortalecimento da cadeia produtiva do miriti.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As roças na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio: um estudo sobre agrobiodiversidade, conhecimentos tradicionais e práticas entre os povos beiradeiros da Terra do Meio - Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2017) NOGUEIRA, Rafael Aquino; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Este trabalho apresenta resultados de pesquisa realizada na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio localizada na região da Terra do Meio, no município de Altamira, Pará, Brasil. A partir de uma visão etnográfica, o estudo teve como objetivo analisar a importância da roça na vida dos beiradeiros desta reserva, com isso, através de uma descrição e caracterização das práticas culturais desenvolvidas no fazer do roçado. Conseguiu-se identificar e comparar a riqueza das diferentes etnovariedades cultivadas nas roças pelas famílias residentes na RESEX, encontrando-se 43 espécies vegetais e 158 etnovariedades de plantas, em 23 famílias entrevistadas. Destaca-se o papel da agrobiodiversidade na roça, garantindo a segurança alimentar dos beiradeiros e seus núcleos familiares. A mandioca (Maniohot esculenta) é a espécie que predomina nas áreas visitas, assim como também há sistemas agroflorestais no cultivo de cacau (Theobroma cacao). As práticas dos beiradeiros são baseadas nos conhecimentos tradicionais, transmitidas de geração para geração, onde trocam-se informações, saberes e experiências, conservando, mantendo e aumentando os recursos fitogenéticos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Saberes, práticas e histórias de vida de parteiras tradicionais da Resex Mapuá, ilha do Marajó(Universidade Federal do Pará, 2017) ZÚÑIGA, Natalia Monge; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Esta dissertação apresenta uma etnografia sobre o conjunto de crenças, saberes e práticas que detêm as parteiras da RESEX Mapuá, Ilha do Marajó, Brasil. O objetivo principal foi relatar com as histórias de vida destas mulheres o universo de partejar desenvolvido pelas parteiras das comunidades de São Sebastião, Bom Jesus e São Benedito. Observação participante e entrevistas semiestruturadas foram os principais métodos utilizados, apoiados de registros fotográficos e fonográficos. Os resultados expõem histórias de vida de oito (8) parteiras, destacando-as como detentoras de um rico e complexo saber sobre saúde das comunidades onde atuam. Ressalta-se a importância de visualizar o universo ao redor do ofício de partejar, para assim compreender o papel essencial dessa sabedoria para as comunidades tradicionais e para o mundo inteiro.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Soberania alimentar dos indígenas Ticuna na Tríplice Fronteira Amazônica (Brasil-Peru- Colômbia): uma análise sistêmica da informação geográfica e a gestão do risco(Universidade Federal do Pará, 2015) CHICA MURILLO, Andrés; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262O presente trabalho aborda a temática alimentar desenvolvida nas roças, caça e pesca das comunidades indígenas Ticuna de Gamboa, San Sebastián de los Lagos e Umariaçu II nos Estados do Peru, Colômbia e Brasil respectivamente; localizadas na Tríplice Fronteira Amazônica; desde a análise dos cenários econômicos, sociopolíticos, culturais e ambientais na região fronteiriça que repercutem diretamente nos territórios, base sustentável da produção agrícola nas comunidades indígenas. Procura-seidentificar os possíveis cenários de vulnerabilidade e ameaça dentro dos diversos aspectos associados à sua soberania alimentar segundo a ótica dos riscos; emergidospor sua vez de distintos processos históricos e territoriais no contexto da diversidade ambiental, dos fatores socioecossistêmicos próprios da média bacia amazônica, como componentes fundamentais da paisagem natural e antrópica ou construída, além das singularidades culturais que dão passo a novas formas de interpretação da relação sociedade-natureza dentro da história das cosmovisões na formação de contextos fronteiriços e suas repercussões nas políticas de segurança alimentarde cada estado-nação. A interpretação do território a partir do conhecimento que as comunidades têm dele em conjunto com as diferentes estratégias utilizadas no desempenho das atividades agrícolas e na pesca, estimulam a leitura dos costumes Ticuna e seus conhecimentos tradicionais. De igual forma, a diversidade de culturas presentes na roça também são motivo de análise no manejo do território e do espaço, nos tempos de produção e na reprodução cultural a partir de complexos laços interculturais, nas trocas comerciais, nas relações com sociedades de mercado, nas dinâmicas populacionais e em síntese no diálogo entre os distintos saberes como atores fundamentais no desenvolvimento social, econômico, político e cultural das regiões.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Trajetórias das práticas alimentares na comunidade Quilombola de Bairro Alto, Ilha do Marajó, Salvaterra – Pará(Universidade Federal do Pará, 2017-04-13) RIVERA, Rafael de; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Esta pesquisa propõe uma reflexão sobre os processos que envolvem a trajetória alimentar da comunidade quilombola Bairro Alto, Salvaterra, Ilha do Marajó – PA. Parti das dimensões culturais no contexto dos saberes e fazeres, as formas de produzir, obter, preparar, acondicionar e consumir alimentos no quilombo. Orientado pela linha do tempo, exponho também os eventos marcantes, como os conflitos endógenos e exógenos, as políticas de assistência, como bolsa família e também “novos formatos” de renda e como esses processos afetam a segurança alimentar e nutricional na comunidade em questão. A partir dos croquis situacionais e inspirado pelo Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), apresento o uso do território no passado, no presente e no futuro, e relaciono a soberania alimentar, a agroecologia e a permacultura à gestão territorial junto aos projetos futuros desejados pela comunidade estudada. A pesquisa de campo ocorreu no ano de 2016 e utilizou como métodos, a partir de um enfoque sistêmico, lista livre, entrevistas semiestruturadas, observação participante, construção coletiva de croquis situacionais e etnofotografia. A pesquisa mostrou que os quilombolas de Bairro Alto consomem 238 itens alimentares oriundos de diferentes fontes e categorias, os quais representam o domínio do conhecimento vivo da apropriação da natureza para fins alimentares, ainda que muitos desses alimentos sejam industrializados. O anseio por projetos comunitários reflete a necessidade de buscar novas fontes de renda onde a qualidade ambiental seja restaurada e os vínculos comunitários presentes no território possam ser resgatados em algumas partes e inovados em outras. Os mecanismos de gestão territorial serão de extrema importância para poder aferir as áreas necessárias e seus respectivos usos a curto, médio e longo prazo a fim de garantir a reprodução da cultura local e gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais.
