Dissertações em Arquitetura e Urbanismo (Mestrado) - PPGAU/ITEC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/4463
O Mestrado em Arquitetura e Urbanismo está inserido no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU), da Universidade Federal do Pará. É um curso ministrado sobre a responsabilidade do Instituto de Tecnologia (ITEC) da UFPA.
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Navegando Dissertações em Arquitetura e Urbanismo (Mestrado) - PPGAU/ITEC por Orientadores "CARDOSO, Ana Cláudia Duarte"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cidade, desenho e natureza: uma reflexão sobre os espaços livres de Marabá(Universidade Federal do Pará, 2015-05-13) PONTES, Louise Barbalho; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395O presente trabalho procura investigar as relações entre urbanização e suporte biofísico através da caracterização do sistema de espaços livres de Marabá (cidade situada no sudeste paraense, em contexto amazônico, em situação de fronteira econômica, objeto de experimentação urbanística e com tecido urbano descontínuo e entrecortado por espaços livres). Para isso procura-se, primeiramente, desconstruir a visão dicotômica de cidade e natureza, através de três escalas de análise (global, nacional e local), revelando posicionamentos conceituais socialmente criados nos países ricos que serviram como pano de fundo para a produção do espaço urbano em todo o mundo. As linhas do tempo desenvolvidas a partir dessa desconstrução mostram que enquanto nos países ricos já se busca a reconstrução ecológica e a qualidade de vida urbana, na cidade em condição de fronteira econômica, a megalomania da racionalidade econômica se sobrepõe a tudo e a todos, deixando como resultado graves tensões ambientais e sociais. No entanto, o trabalho convida a refletir a respeito do potencial de inovação para as soluções de urbanização desses espaços, justamente por ainda não ter ocorrido a conversão completa de território e sociedade e partindo da premissa que o processo de urbanização dessas cidades se realiza em um espaço-tempo único, que tem como privilégio a possibilidade de aprender tanto do arcabouço de séculos de experiências urbanísticas no mundo, quanto dos saberes tradicionais locais que souberam conciliar durante séculos cidade e natureza. Do arcabouço da ciência são apresentadas reflexões a respeito da forma da cidade contemporânea e as lentes capazes de revelar a materialidade da cidade e seus potenciais: o desenho urbano e a abordagem da paisagem, a partir das quais se elabora um guia para análise empírica composto por instrumentos para apreensão da cidade (escalas, camadas, fronteiras e processos), ferramentas para elaborá-las (elaboração de cartografia, observações de campo e contagens e entrevistas) e parâmetros de qualidade espacial (diversidade, atratividade, conforto, acesso, segurança e identidade). Dessa forma, o sistema de espaços livres de Marabá é apresentado de forma interescalar (escalas territorial, urbana e do distrito) e em camadas objetivas e subjetivas (biofísicas, urbanas ou de visões de mundo) que revelam, além de sua complexidade, três processos de degradação e desvanecimento (dos quintais, do espaço público e das áreas de preservação) e um grande potencial para reverter a perda – a partir do potencial de estruturação de um sistema de espaços livres - que reúne possibilidades de conciliar demandas urbanas, ambientais e culturais, e que se pensado em um desenho coerente poderia contribuir para reestabelecer conexões entre núcleos que compõem a cidade, com o bioma e contribuir para o fortalecimento da identidade local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O Descompasso do “modelo” na urbe amazônida: o caso de Porto Velho, Rondônia(Universidade Federal do Pará, 2021-09-30) MORELATO, Adriana Hiromi Nishida; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395A company town Madeira Mamoré Railway Company constituiu a gênese da cidade de Porto Velho. Desde então, a sua expansão urbana foi marcada pela hegemonia da lógica funcionalista de produção, voltada para a exploração dos recursos naturais e a acumulação de capital, em contraste ao modo de vida pré-existente, estabelecido por comunidades diversas que tratavam o meio natural com a deferência necessária à convivência harmônica com ele. Assim, esta pesquisa tem por objetivo analisar os desdobramentos do modelo de cidade adotado na gênese de Porto Velho, baseado na matriz pragmática e funcional da company town MMR, para a qualidade de vida da população e para sua convivência com o meio natural. Para tanto, buscouse compreender os modelos de cidade da sociedade industrial no século XX, por meio da antologia do Urbanismo elaborada por Choay (1965), e demonstrar que a expansão do capital sobre o Sul Global se deu como uma reapresentação do colonialismo, porquanto esteve assentada na necessidade de dominação e domesticação de uma realidade local distinta. Recorreu-se a autores como Fanon (1952), Acosta (2009) e Cusicanqui (2015) para evidenciar a necessidade de uma visão holística e cosmopolita sobre a realidade das cidades do Sul Global, em especial, da Amazônia, em vistas a um verdadeiro desenvolvimento, na linha da concepção decolonial. O higienismo urbano (ordem-desordem), a industrialização (progresso-atraso) e a integração da Amazônia (ruptura-continuidade ou moderno-tradicional) foram assumidos como dicotomias estabelecidas no decorrer da implantação e difusão do paradigma urbano industrial no Brasil. Por isso, elas foram utilizadas para analisar a cidade de Porto Velho em sua gênese e na contemporaneidade, a partir das categorias de análise "agentes de produção do espaço", "provisão de infraestrutura", "malha viária", "organização socioespacial", "habitação" e "elementos naturais". Como resultado, restou comprovada a ineficiência das soluções exógenas que conduziram o processo de criação e expansão da cidade, impondo-se refletir, à luz das ideias decoloniais, acerca da premente necessidade de superação das concepções dominantes de progresso e civilização, para que sobrevenham proposições que acolham e conciliem a diversidade amazônica com as necessidades humanas, a partir de uma aliança entre os saberes ancestrais e as novas tecnologias, constituindo-se, enfim, alternativas inovadoras.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Entre a várzea e terra firme: estudo de espaços de assentamentos tradicionais urbanos rurais na região do Baixo Tocantins(Universidade Federal do Pará, 2020-05-29) OLIVEIRA, Kamila Diniz; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395; https://orcid.org/0000-0002-1866-453XA região administrativa do Baixo Tocantins foi uma das primeiras a receber a colonização europeia no Estado do Pará, sofreu uma ocupação tipicamente amazônica estabelecida inicialmente no estuário de rios e igarapés menores, que avançou para a terra firme após as transformações decorrentes da integração da Amazônia ao resto do Brasil por via terrestre (por meio de rodovias) e da barragem do rio Tocantins pela Usina Hidroelétrica de Tucuruí. O acesso rodoviário assumiu uma importância crescente no estabelecimento e expansão de assentamentos e vilas e na reconfiguração de cidades. Apesar de a região abrigar o maior distrito industrial e o maior porto exportador do Estado, possui intensa atividade econômica ligada ao extrativismo, com destaque para a pressão por uma revitalização econômica das áreas de várzea por meio da expansão do manejo de açaí. Diante deste contexto, esta dissertação tem como objetivo analisar os arranjos espaciais de assentamentos de populações tradicionais localizados na várzea e em terra firme dos municípios de Cametá, Mocajuba e Baião, tendo como base metodológica as formulações de Lefebvre (2006) e Soja (1993), sobre a natureza trialética do espaço (decomposto em espaços concebido, percebido e vivido). O espaço da área de estudo foi investigado a partir dessas três dimensões, articulando escalas territoriais e modos de vida, que buscam a compreensão do contexto histórico, das políticas dirigidas para a região e da sua formação socioeconômica, da forma de apropriação dos seus espaços pelas comunidades que são herdeiras de e povos indígenas e africanos escravizados, e própria morfologia (arranjos espaciais) dessas comunidades que se organiza de modo crescentemente complementar à cidade e às estruturas e serviços urbanos. Concluiu-se que o modo de vida campesino é herdeiro de inúmeros processos e ações políticas, culturais e sociais, e adapta-se ao novo; que a reorganização espacial ocorre por meio da transferência das áreas de residências para o centro de comunidade e da subdivisão das áreas de trabalho afetadas por políticas públicas (ex.: produção habitacional ou enquadramento para acesso de crédito), o que tem modificado os arranjos espaciais tanto na várzea quanto na terra firme, e favorecido a conversão de uso extrativista para outros menos adaptados ao bioma amazônico; e que a identificação e registro dos processos de transformações espaciais, neste tipo de área de estudo, é recurso fundamental para a geração de repertório espacial mais adequado às políticas urbanas, municipais e territoriais destinadas à Amazônia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O espaço periurbano de Belém (PA) entre transformações, resistências e re-existências(Universidade Federal do Pará, 2022-03-28) VICENTE, Letícia Ribeiro; CARDOSO, Ana Cláudia DuarteEntende-se que os espaços periurbanos das cidades na Amazônia são hoje espaços de fronteira, onde é possível perceber disputas e coexistências entre diferentes atividades produtivas e diferentes modos de vida, que passam por rápidas transformações nas últimas décadas. Áreas de expansão urbana, empreendimentos e instalações de porte industrial coexistem com áreas entendidas como tradicionais, ocupadas por comunidades ribeirinhas, camponesas, indígenas, quilombolas. Percebe-se, então, por um lado o movimento de transformações (chegada do novo/moderno, desarticulações), e, por outro, de resistências (manutenção do antigo/tradicional, busca pela manutenção de modos de vida ligados à natureza). À primeira vista estes movimentos funcionam como opostos, ou como dupla negação, tese e antítese. Mas, há também sínteses, que são manifestações da culminância de diversas re-existências, nas quais coexistem aparentes dicotomias e residem as possibilidades de caminhos possíveis para a Amazônia. Para o entendimento das transformações e resistências locais utilizaram-se os estágios de urbanização (espaço-temporais) apresentados por Lefebvre (1999), divididos nas eras rural, do urbano-industrial e da urbano-utopia. A partir de uma perspectiva dialética a era rural funciona como tese. Essa era está presente hoje através de manifestações entendidas nesta dissertação como resistências. Como antítese tem-se o segundo estágio de urbanização, a era do urbano-industrial, marcada pelo que aqui é entendido como transformações. Como síntese apresenta-se a era da urbano-utopia como possibilidade de vislumbre do que se chamou de re-existências. Na tentativa de contemplar um pouco da diversidade regional, o objeto de estudo desta dissertação se constrói em torno do espaço periurbano de Belém (PA), cidade (e município) que funciona como um exemplo significativo por desempenhar historicamente a função de metrópole amazônica. Para tal, analisou-se o espaço periurbano de Belém (PA) considerando as transformações e resistências que permeiam sua produção socioespacial ao longo da história, bem como foram visibilizadas as re-existências contemporâneas que demonstram o potencial de emancipação e fortalecimento de comunidades que dependem do manejo da natureza. Apresentou-se a discussão sobre os espaços periurbanos em contextos diversos, aproximando-a a das cidades amazônicas. Na análise do espaço periurbano de Belém (PA) concluiu-se que historicamente este espaço se constituiu como espaço periurbano estendido regional, pois Belém possuiu grande centralidade política e econômica, o que a possibilitou articular e interagir de forma direta com diversos locais dentro da Amazônia. Considera-se, entretanto, que a partir da segunda metade do século XX diversos processos nacionais e internacionais, diminuíram a centralidade de Belém e sua capacidade de exercer influência regionalmente. Notou-se na escala local que a disponibilidade de terras no espaço periurbano de Belém faz com que se misturem o periférico, a área de expansão e as comunidades que dependem do manejo da natureza. Através de alguns estudos de caso selecionados investigaram-se e analisaram-se também as re-existências que permeiam a produção socioespacial do espaço periurbano de Belém. As re-existências possibilitaram visualizar que a constituição do espaço periurbano de Belém está por um lado diretamente ligada a imposições econômicas, políticas e culturais de lugares distantes, e ao mesmo tempo, apresenta um enorme potencial de emancipação das comunidades locais, que emerge da aliança entre cultura, natureza, e justiça social. Aponta-se também o reconhecimento da alteridade como caminho para a era da urbano-utopia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A ilusão da igualdade: natureza, justiça ambiental e racismo em Belém(Universidade Federal do Pará, 2021-07-31) MIRANDA, Thales Barroso; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395; https://orcid.org/0000-0002-1866-453XEsta dissertação advém de uma inquietação sobre a falta de reconhecimento das desigualdades sociais e raciais como elementos estruturantes na produção do espaço urbano no Brasil, principalmente sob o aspecto ambiental. Abordar a exploração do meio ambiente para viabilizar lucro e favorecer determinadas classes sociais que detêm o controle da propriedade da terra, e o poder social e político, tem sido a abordagem mais comum no contexto brasileiro. No contexto de uma cidade amazônica como Belém, destaca-se o relevo plano e a água como elementos historicamente dinamizadores da ocupação urbana e de consequências ambientais desproporcionalmente mais severas para determinados grupos sociais. Deste modo, esta dissertação tem como objetivo revelar injustiças ambientais e desigualdades social e racial na produção do espaço urbano de Belém, historicamente marcada pelo crescimento urbano rentista, pela disputa territorial e inúmeras consequências ambientais. Os procedimentos metodológicos foram diversos, partiu-se de uma revisão de literatura que explora as contradições das teorias sobre o conceito de natureza e a questão racial no Brasil, disposto como arcabouço interdisciplinar da problematização dos discursos e práticas de planejamento urbano em Belém. Em seguida, foram feitas análises de padrões de crescimento urbano da Região Metropolitana de Belém através de técnicas de classificação digital de imagens orbitais, com dois recortes temporais (1984 a 1999 e 1999 a 2018). Os mesmos recortes temporais foram utilizados nas análises de ocupação urbana e do impacto hidrológico das bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Belém, seguidos de análises de dados socioeconômicos, raciais, ambientais e de infraestrutura urbana, com foco na inundação e no alagamento. Os resultados obtidos apresentam correlação entre mancha urbana, cobertura vegetal e redução dos índices de permeabilidade do solo que seriam adequados ao funcionamento de bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Belém. Além disso, verificou-se que duas em cada três pessoas que ocupam a mancha de inundação de Belém são pessoas negras e de baixa renda. Verificou-se que o alagamento da cidade coincide com áreas suscetíveis à inundação devido à ausência de drenagem urbana e à incapacidade de gestão pública do uso e ocupação do território, camuflada por um discurso que culpa a natureza. Concluiu- se que os processos ambientais em curso no espaço urbano de Belém afetam de modo desigual as populações da cidade e são baseadas em estruturas de poder político, econômico e social fundamentadas no racismo e nas desigualdades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Modernização e transformações recentes nos processos intra-urbanos no sudeste do Pará(Universidade Federal do Pará, 2015-02-05) MELO, Ana Carolina Campos de; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395Desde 2006, o sudeste paraense tem observado grandes transformações no espaço intra-urbano, comandadas pela iniciativa privada, com participação de diversas frações do capital (agrário, comercial, imobiliário, financeiro). Incorporadoras, construtoras, proprietários fundiários, redes de varejo e investidores do agronegócio, apoiados pelo Estado produziram novos e modernos empreendimentos em uma escala até então inédita na região. Tais transformações evidenciaram no espaço da cidade, a chegada de recentes processos de modernização, alinhados com dinâmicas capitalistas globais e, na outra ponta, o agravo das desigualdades intra-urbanas à medida que são introduzidos esses novos processos. Observa-se, nesse mesmo contexto, uma subordinação cada vez mais acentuada das formas arquitetônicas e urbanas aos imperativos da empresa capitalista, alterando-se, portanto, o sentido da arquitetura e, por consequência, o papel do próprio arquiteto, progressivamente mais distante da possibilidade de aliança com os seus destinatários. Na esteira desses acontecimentos, este trabalho pretende discutir as recentes transformações no espaço intra-urbano no sudeste paraense, particularmente observado nas cidades de Marabá e Parauapebas, e como esse cenário se articula a processos que seguem tendências globais, assumidos como manifestações locais das contradições da expansão capitalista sobre a cidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Sociedade de informação, território e cidade na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2013-07-22) GUEDES, Fabrício Gean Lopes; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395A presente pesquisa dedica-se à investigação sobre a penetração das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Amazônia Brasileira como manifestação da Sociedade de Informação. Inicialmente explicita-se o quadro de transformações que propiciaram o surgimento da Sociedade de Informação no mundo contemporâneo, destacando a importância das TIC e das cidades nesta sociedade. Em seguida discorre-se sobre o papel das cidades no processo histórico de ocupação e exploração da Amazônia, e sobre as novas perspectivas para a região mediante o paradigma tecnoeconômico vigente. A partir de então, assume-se como variáveis de análise os componentes “informatização” e “acesso à internet” sob dois recortes investigativos: a) o primeiro com ênfase no espaço regional, destacando desigualdades espaciais de penetração das TIC no território; b) e o segundo tomando a cidade de Marabá-PA como estudo de caso, a fim de identificar em diferentes contextos da vida urbana desta cidade, dinâmicas associadas ao uso das TIC. Os resultados da pesquisa em ambos os recortes demonstram que existe baixa penetração das TIC na Amazônia em diferentes escalas espaciais. Essa condição é atribuída a uma série de fatores, com destaque para a infraestrutura de telecomunicações inexistente ou precária no espaço amazônico, o que impacta na provisão de serviços digitais, e consequentemente, reduz consideravelmente o potencial de inserção da região e de suas cidades em redes virtuais de conhecimento e informação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Tem gente! Uma análise de projetos habitacionais do PAC em assentamentos informais no Pará(Universidade Federal do Pará, 2013-03-25) PEREIRA, Glaydson de Jesus Cordovil; CARDOSO, Ana Cláudia Duarte; http://lattes.cnpq.br/3138101153535395Este trabalho faz uma abordagem sobre as contribuições e limitações do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, na sua modalidade de Urbanização de Assentamentos Precários, para a produção de habitação de interesse social de iniciativa de outros níveis governamentais, a partir da observação de intervenções da primeira geração de contratos do Programa, em andamento no Estado do Pará. A pesquisa assume como áreas de estudo empreendimentos localizados na capital do Estado, Belém, e na cidade de Marabá, cidade média do sudeste paraense. Entende-se que as intervenções para provisão de habitação e infraestrutura em assentamentos informais comprometidas com a permanência da população beneficiada, representam uma mudança de paradigma, e devem ser consideradas como um avanço da ação oficial em todas as esferas de governo, traduzido atualmente na alocação de recursos federais para investimentos em habitação e infraestrutura, entre outras ações. Nesse sentido, considerando o PAC como um marco nesse percurso da condução das políticas urbanas brasileiras, o trabalho analisa de forma mais particular as intervenções contratadas na 1ª geração do Programa, a partir dos resultados alcançados até o momento pelos empreendimentos contratados pelo Governo do Estado do Pará no ano de 2007. A pesquisa bibliográfica aborda o processo de “destruição criativa” do modo de produção capitalista, analisando como esse processo se reflete na produção do espaço urbano, por meio da seleção de variáveis relevantes para essa produção. Também é feita uma contextualização sobre as ações de provisão oficial de habitação no Brasil e seus desdobramentos no Pará nas últimas décadas, uma abordagem conceitual sobre o PAC, apresentando como se dá a operação do Programa, por meio dos seus parâmetros normativos e quem são os seus atores, e é feita uma breve discussão sobre o processo de produção do espaço urbano das cidades paraenses e apresentadas as áreas de estudo. Foram realizados: pesquisa documental, levantamentos in loco, e entrevistas, com representantes de todas as esferas do setor público e com os moradores das áreas de estudo. Os resultados apontam que, apesar dos avanços ocorridos, as políticas urbanas brasileiras voltadas à produção habitacional e urbanização de assentamentos informais, segundo a diretriz atual, ainda carecem de aprimoramento das suas linhas de ação, visando o enfrentamento do passivo decorrente da ausência e/ ou insuficiência de planejamento e gestão urbana de Estados e Municípios durante o processo de urbanização brasileira, bem como alcançar a consolidação socioespacial dos assentamentos após a realização de intervenções.
