Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2307
O Mestrado em Agriculturas Amazônicas teve início em 1996 anteriormente Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável e reconhecido em 2000 pela CAPES e funciona no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). É um curso interinstitucional, sendo sua oferta responsabilidade do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares - INEAF da UFPA e da EMBRAPA/CPATU – Amazônia Oriental.
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Navegando Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF por CNPq "CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ação coletiva e meios de vida: análise das transformações operadas pela Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (Coppalj) em comunidades do Médio Mearim, MA(Universidade Federal do Pará, 2021-02-26) NASCIMENTO, Aline Souza; PORRO, Roberto; http://lattes.cnpq.br/2282097420081043A busca por melhores condições de vida e de comercialização da produção levou ao surgimento da Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (Coppalj) que, desde o seu surgimento, tem contribuído para a melhoria das condições de reprodução social de seus membros, por meio da combinação de uma gama de recursos sociais, econômicos e ambientais que os permitem se precaver contra a falta de oportunidades, a pobreza e a marginalidade decorrentes das injustiças sociais. Nesta perspectiva, o trabalho busca identificar as transformações operadas nos meios de vida locais, derivadas da combinação de estratégias adotadas por ela e as percepções de sócios e não sócios acerca da sua atuação, bem como sua contribuição para a construção da autogestão, da autonomia camponesa e da diversificação produtiva e tecnológica no território. O estudo está embasado em consulta bibliográfica e documental, combinada a entrevistas semiestruturadas e interativas em comunidades de atuação da Coppalj. Demonstra como, com sua política de valorização da produção agrícola e extrativa, a cooperativa colaborou para o surgimento de novas perspectivas e o aumento do acesso das famílias à renda. Ressalta ainda as ações empreendidas por camponeses durante os conflitos agrários, e que resultaram na criação de organizações que têm desempenhado importante papel na garantia dos seus direitos, e a contribuição da Igreja Católica para a organização política camponesa no Médio Mearim.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ação coletiva e Sistemas Agroflorestais na comunidade São Manoel, Quilombo Jambuaçu, Moju/PA(Universidade Federal do Pará, 2020-06-15) ANDREATA, Helton Kania; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611; SCHWARTZ, Gustavo; http://lattes.cnpq.br/0774787368316223Os Sistemas Agroflorestais (SAF) podem ser utilizados como um meio de recuperação florestal e são interessantes devido a sua diversidade de produtos e à sustentabilidade do sistema, principalmente, no Nordeste paraense, o qual possui uma predominância de florestas secundárias, chamadas popularmente de “capoeiras”, áreas as quais podem ser aproveitadas para a sua implantação. O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre a Ação Coletiva e os SAF na comunidade São Manoel, no município de Moju, estado do Pará. Os dados da pesquisa foram coletados nos anos de 2018 e 2019 por meio de entrevistas do tipo histórica, aberta e semiestruturada com os agricultores e as principais lideranças da comunidade. Os dados são predominantemente qualitativos e os procedimentos para sistematizá-los foram transcrição de entrevistas, elaboração de tabelas e análises verticais e horizontais dos discursos. A comunidade de São Manoel é uma pequena vila rural com um histórico de lutas contra grandes empresas para a manutenção do seu território, e possui como principal fonte de renda o açaí nativo. A titulação da terra é coletiva, e as principais questões de gestão de recursos são discutidas junto à Associação Quilombola dos Agricultores de São Manoel, a qual também possui outras atribuições, como discussão da questão de segurança, organização comunitária, melhoria das fontes de renda, além da representação jurídica em diferentes instâncias. Os resultados mostram que os SAF chegaram à comunidade em 2015 levados por um dos agricultores (que é técnico agropecuário), e tiveram grande repercussão após os comunitários constatarem o êxito do sistema em São Manoel O grupo que tem SAF é composto por quinze pessoas que trabalham desde o viveiro à implantação de áreas por meio do mutirão. Tal grupo possui um sistema diferenciado de implantação dos SAF ao realizar o manejo da capoeira de forma a utilizá-la como insumo para a nutrição das plantas. Foram encontrados três tipos diferentes de SAF em São Manoel que variam quanto ao número de espécies no sistema, sendo o cupuaçu, o cacau, o açaí e a banana as principais espécies implantadas. Os dados mostram que os SAF tiveram uma boa aceitação entre os agricultores porque o sistema foi levado por um dos membros da comunidade, o que tem gerado repercussão também em outras comunidades do Território Jambuaçu. A ação coletiva foi fundamental para o sucesso dos SAF, pois a maioria dos agricultores relatou que não conseguiria implantá-los em suas áreas sozinhos, razão pela qual essa força da comunidade foi essencial para o sucesso de um sistema que visa gerar renda por meio da diversificação da produção, ressignificando o território com a sua ocupação mediante a conservação produtiva.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A adoção de práticas agroecológicas por camponeses: estudo de caso no oeste maranhense(Universidade Federal do Pará, 2015-03-24) SÁNCHEZ COUTO, Xoán Carlos; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346A agroecologia tem sido definida como ciência, movimento social e conjunto de práticas alternativas. Neste trabalho analisamos as duas últimas dimensões. Para estudar a organização social da agroecologia brasileira utilizamos a teoria do processo político, encontrando evidências de que o movimento agroecológico brasileiro cumpre os requisitos desta proposta teórica para ser considerado um movimento social. Num segundo artigo focamos nosso olhar na problemática em torno da adoção de tecnologias por parte dos camponeses no Oeste maranhense. Partindo de um enfoque sistêmico do estabelecimento agrícola e da construção de uma tipologia dos sistemas de produção encontrados na região, analisamos as dificuldades relativas à adoção da agroecologia, percebida como uma mudança técnica de origem exógena. Para tanto, foram realizadas observação participante, diagnóstico rural participativo e entrevistas semiestruturadas em 38 famílias camponesas em três comunidades rurais. Também exploramos as possibilidades de integração da agroecologia na dinâmica de transformação dos sistemas produtivos, constituindo um processo de inovação endógeno. No terceiro artigo aplicamos os conceitos de estratégia e tática ao processo de tomada de decisões dos camponeses quanto à adoção de práticas agroecológicas. Focando naqueles que escolheram a estratégia da diversificação da propriedade, encontramos uma variedade de estratégias de diversificação e que os critérios seguidos para a tomada de decisões estratégicas são diferentes dos aplicados para as decisões táticas. Num quarto artigo buscamos compreender as motivações dos agricultores familiares do Oeste maranhense para fazerem suas escolhas produtivas e tecnológicas, entendendo os fatores históricos decisivos para a diferenciação dos sistemas de produção, que fizeram com que alguns tiveram possibilidade de aderir às práticas agroecológicas e outros não. Através da análise retrospectiva, identificamos dois vetores de transformação, que contribuem a que os agricultores familiares deem respostas diferentes às mesmas influências do meio. Variáveis externas, unidas a decisões produtivas da família, influenciam no percurso histórico das propriedades. Constatamos que nem sempre a promoção da agroecologia condiz com a lógica dos agricultores familiares. Porém, quando existe efetivo acompanhamento técnico e se criam grupos permanentes de interesse por esta inovação, cria-se um ambiente em que os camponeses sentem-se mais confiantes para adotarem as práticas agroecológicas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade e as relações de trocas entre agricultores familiares que possuem sistemas agroflorestais na região de Itabocal, Irituia (PA)(Universidade Federal do Pará, 2021-04-30) SANTOS, Tasseli Figueiredo dos; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055A presente pesquisa trata dos processos de trocas de saberes locais, mudas e sementes entre agricultores familiares e as influências desses processos sobre o avanço dos SAFs e da agrobiodiversidade local. Como objetivo geral, a pesquisa busca analisar as dinâmicas das trocas de saberes locais, mudas e sementes entre os agricultores que possuem SAF na região de Itabocal (Irituia-PA) e as influências sobre a agrobiodiversidade local. A coleta de dados se deu a partir de pesquisa em campo, em que foi realizado um estudo exploratório da área e visitas a agricultores familiares com aplicação de entrevistas semi-estruturadas e/ou questionário semi-aberto acompanhado da turnê guiada. Em seguida, também foi apresentado um croqui da área de estudo para os agricultores visando indicar as relações de trocas. Os resultados da pesquisa estão descritos em três tópicos: o primeiro trata dos SAFs e as dinâmicas das trocas de mudas e/ou sementes, descrevendo o processo do avanço dos SAFs na região e o papel da cooperativa D’Irituia; em relação às trocas de mudas e/ou semente, revelamos que existe um fluxo intenso desses materiais entre os agricultores e também fora da região em nível municipal, que ocorrem em momento de idas a feiras de agricultores, visitas aos vizinhos ou familiares e outros momentos de encontros ou reuniões de agricultores cooperados e outros. O segundo tópico trata do saber local, as trocas e os diálogos com o saber técnico-científico, revelando que o saber local é formado pelo acúmulo de experiências culturais, ou seja, com anos de trabalho e aprendizagem com os sujeitos mais antigos aliado com saber técnico-científico repassado pelas instituições. Portanto a troca de saberes ocorre tanto entre os agricultores como entre os técnicos ou pesquisadores por meio da oralidade, sendo importante para compreender a solidariedade e reciprocidade como base para melhorar o plantio e a produção. O terceiro tópico trata da agrobiodiversidade local a partir da formação dos SAFs, revelando uma diversidade de 81 (oitenta e uma) espécies distribuídas em 45 (quarenta e cinco) famílias botânicas, sendo 59,8% de uso alimentício e 24,4% de uso madeireiro. Neste sentido, os processos de trocas de saberes e de mudas e sementes estão sendo fundamentais para o avanço dos SAFs na região e têm contribuído significativamente na manutenção e manejo da agrobiodiversidade local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade e conhecimentos locais das plantas alimentícias no quilombo de Deus Ajude, Arquipélago do Marajó – Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-09-08) BEZERRA, Sueyla Malcher; SABLAYROLLES, Maria das Graças Pires; http://lattes.cnpq.br/0250972497887101; SILVA, Luis Mauro Santos; http://lattes.cnpq.br/7285459738695923Nesta pesquisa, buscamos analisar os conhecimentos e práticas tradicionais associadas à agrobiodiversidade das plantas alimentícias, bem como, a constituição da soberania alimentar e autonomia na produção dos alimentos no quilombo de Deus Ajude, Salvaterra/PA. Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizamos a abordagem quali- e quantitativa. Em relação ao procedimento metodológico, optamos pelo estudo de caso, observação participante, entrevistas não diretivas, questionários, listas livres, coleta e identificação de material botânico. A análise dos dados coletados foi realizada pela sistematização das informações, análise vertical e horizontal das entrevistas, triangulação dos dados e Índice de Saliência Cognitiva. Os resultados demonstraram que o conhecimento e práticas tradicionais da comunidade quilombola sobre as plantas alimentícias é constituído a partir da relação diária dos quilombolas com a natureza, bem como, pela promoção continuada do diálogo de saberes entre as diferentes gerações. A sazonalidade amazônica revelou-se como uma reguladora da pluralidade de atividades produtivas ao logo do ano, e, estas são desempenhadas por intermédio de uma relação simbiótica, onde natureza e quilombo se sustentam. No mais, as comidas representativas do quilombo marajoara, como: beiju, cação, tiborna, cunhapira e crueira etc., transformam-se em uma das formas de manter a agrobiodiversidade do quilombo. Em contrapartida, as limitações de acesso ao território de uso comum impostas pelas fazendas ao redor do quilombo e as influências do mercado capitalista são ações concretas e simbólicas capazes de promoverem mudanças: na forma como os alimentos são obtidos e nos hábitos alimentares dos quilombolas. Portanto, a valorização da cultura quilombola e do seu modo de vida torna-se uma aliada na preservação dos conhecimentos, práticas e saberes tradicionais, bem como, da natureza manejada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade, conhecimentos e práticas tradicionais sobre plantas alimentícias na comunidade quilombola do Jacarequara, Santa Luzia do Pará, Nordeste Paraense(Universidade Federal do Pará, 2022-08-09) ALVES, Ellem Suane Ferreira; FITA, Didac Santos; http://lattes.cnpq.br/4290251127696280O presente estudo analisa o papel da agrobiodiversidade e dos conhecimentos e práticas tradicionais relacionados às plantas alimentícias e de que forma influenciam na promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional (SSAN) na comunidade quilombola do Jacarequara, em Santa Luzia do Pará, Pará. Para tanto, foram utilizados métodos quali-quantitativos, com as técnicas da observação participante, entrevistas semiestruturadas, questionários, turnê-guiada e lista livre. Os dados obtidos foram tabulados e sistematizados para proceder à triangulação dos dados, além de ser calculada a frequência de citação e o Índice de Saliência Cognitiva (ISC) das plantas alimentícias inventariadas. Os resultados demonstraram que práticas produtivas como o cultivo das roças, o extrativismo de açaí (Euterpe oleracea Mart.) e murumuru (Astrocaryum murumuru Mart.), a pesca e a caça são a base alimentar e um meio de geração de renda. A essas práticas está atrelado importante conhecimento tradicional, onde os saberes são construídos pela constante troca entre os quilombolas, através das gerações, e tem como cerne as dinâmicas do meio natural que os cerca. Foi observado que a sazonalidade influencia a dinâmica produtiva e o calendário agrícola da comunidade, sempre considerando a relação entre os quilombolas e a natureza. Pelo inventário botânico foram catalogadas 140 etnoespécies alimentícias, com destaque para as famílias Euphorbiaceae (27), Arecaceae (12), Musaceae (10) e Rutaceae (9). Entre as plantas alimentícias com maior ISC destacaram-se o açaí, a banana (Musa paradisiaca L.), a mandioca/macaxeira (Manihot esculenta Crantz), o coco (Cocos nucifera L.), o caju (Anacardium occidentale L.), a acerola (Malpighia glabra L.), a bacaba (Oenocarpus bacaba Mart.) e a laranja (Citrus sinensis (L.) Osbe). Foram catalogadas 27 etnovariedades de M. esculenta demonstrando sua fundamental importância para a alimentação dos quilombolas, sendo composta pela farinha de mandioca e de tapioca, beiju, manicueira, tucupi, entre outras comidas. Entretanto, o avanço das áreas de pastagens das fazendas ao redor da comunidade e a adesão por hábitos alimentares externos à comunidade impostos pelo capitalismo, marcado pelo aumento do consumo de alimentos industrializados principalmente pelas crianças e jovens quilombolas, reflete mudanças e riscos à alimentação. Esses fatores direcionam a uma nova realidade alimentar, podendo interferir também em sua permanência no quilombo, na geração de renda, o respeito ao modo de vida quilombola e a valorização dos saberes e práticas tradicionais ali existentes e mantidos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses e o potencial de extratos de plantas medicinais no manejo de pragas e doenças do maracujazeiro(Universidade Federal do Pará, 2015) SILVA, Clenilda Tolentino Bento da; ISHIDA, Alessandra Keiko Nakasone; http://lattes.cnpq.br/8756162526907626; https://orcid.org/0000-0002-6021-185X; LEMOS, Walkymário de Paulo; http://lattes.cnpq.br/6841621785311887; https://orcid.org/0000-0002-1608-9551O presente trabalho teve como objetivo ampliar os conhecimentos sobre os sistemas produtivos, os aspectos sociais, econômicos e culturais dos filiados a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses (Irituia-PA), avaliando-se o efeito de extratos alcoólicos das plantas medicinais cultivadas pelos agricultores sobre o crescimento in vitro de patógenos da cultura do maracujazeiro e na redução da severidade da bacteriose em casa de vegetação, bem como avaliar o potencial inseticida dos extratos sobre larvas de Tenebrio molitor L. 1758. Na pesquisa utilizaram-se entrevistas gravadas e guiadas por questionários previamente estruturados. Observou-se que a agricultura é a principal atividade econômica para os cooperados, a mão-de-obra é familiar e o sistema de produção é baseado em lavouras temporárias e perenes, piscicultura, criação de animais de pequeno porte, além do trabalho de recuperação e preservação da floresta nativa. As principais plantas medicinais cultivadas pelos agricultores são: alfavacão (Ocimum gratissimum L.), babosa (Aloe vera L.), boldo-do-reino (Plectranthus barbatus Andrews), capim-santo (Cymbopogon citratus (DC.). Stapf), cipó d’alho (Mansoa alliaceae Gentry), coramina (Pedilanthus tithymaloides Port), erva-cidreira (Lippia alba (Mill) N.E.Brown.), eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.), gengibre (Zingiber officinallis Rosc.), manjericão (Ocimum basilicum L.), mastruz (Chenopodium ambrosioides L.), nim (Azadirachta indica A. Juss), noni (Morinda citrifolia L.) e vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.). Para avaliar o efeito antifúngico sobre o crescimento micelial in vitro dos fungos Rhizoctonia solani, Fusarium oxysporum, Fusarium solani e Colletotrichum gloeosporioides isolados do maracujazeiro, os extratos alcóolicos foram incorporados ao meio de cultura (BDA) fundente, 55°C a 1%. Após a solidificação do meio de cultura nas placas, depositou-se um disco de micélio do fungo de aproximadamente 8 mm de diâmetro no centro de cada placa. A testemunha não recebeu os tratamentos. O crescimento micelial foi avaliado diariamente com auxilio de um paquímetro digital até que o fungo em um dos tratamentos atingisse as extremidades da placa. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com 15 tratamentos e cinco repetições. Na avaliação do efeito antibacteriano sobre o crescimento de X. axonopodis pv. passiflorae, os extratos foram incorporados ao meio 523 na concentração de 1% a 55 oC. Após a solidificação do meio, depositou-se 100 L da suspensão bacteriana, a qual foi espalhada com auxilio de uma alça de Drigalski. As placas foram incubadas por 48h a 28 oC e o delineamento experimental foi o inteiramente casualizado. A avaliação foi realizada através da contagem das Unidades Formadoras de Colônia (UFC) nas placas. No ensaio in vivo, os extratos a 1% foram aplicados em plantas de maracujá com 2 a 3 pares de folhas verdadeiras três dias antes da inoculação do patógeno. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com 16 tratamentos e cinco repetições. A avaliação foi aos 2, 4, 6, 8, 10 e 12 dias após a inoculação, o oxicloreto de cobre foi utilizado como tratamento controle. Em ambos os ensaios os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias foi realizada pelo teste Scott & Knott (1974) utilizando-se o programa estatístico SISVAR. Foi constatado que todos os extratos apresentaram potencial antifúngico sendo que, o extrato de eucalipto reduziu o crescimento micelial de todos os fungos estudados com resultados entre 21,06 a 51,73%. Enquanto que, os extratos de erva-cidreira, eucalipto, cipó d’alho, mastruz, nim, babosa e vinagreira inibiram o crescimento de X. axonopodis pv. passiflorae entre 15,35 a 30,3%. Em casa de vegetação os extratos de boldo-do-reino, coramina, gengibre, nim, eucalipto e oxicloreto de cobre promoveram redução da severidade da mancha bacteriana entre 27,24 e 53,86%. Na avaliação do potencial inseticida utilizaram- se dois métodos, o de contato e de aplicação tópica sobre larvas de Tenebrio molitor. No efeito por contato em superfície contaminada, discos de papel de filtro foram impregnados com 700 μl dos extratos brutos e para a via de aplicação tópica utilizou-se 3 μl do extrato aplicado sobre cada larva. As quais foram mantidas em câmara do tipo B.O.D., a 25 ± 2 o C, umidade relativa de 70% e fotoperíodo de 12 horas. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com 18 tratamentos e quatro repetições avaliadas diariamente. Após 10 dias constatou-se que em superfície contaminada os extratos não apresentaram propriedade inseticida. Porém, quando aplicados topicamente todos os extratos promoveram mortalidade entre 50 e 100%, demonstrando potencial biocida contra larvas T. molitor em laboratório. Concluiu-se que, a Cooperativa D’ Irituia exerce papel importante no desenvolvimento econômico, social e cultural dos agricultores. O processo de adoção das práticas agroecológicas esta ocorrendo de forma gradual. Com base nos resultados obtidos pode-se inferir que os extratos das plantas medicinais estudadas nesta pesquisa, além do potencial inseticida as mesmas possuem substâncias potencialmente promissoras que podem ser utilizadas como controle alternativo no manejo de doenças bacterianas e fúngicas em maracujazeiros.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise sistêmica da biodiversidade de sistemas agroflorestais (SAF) de agricultores familiares em Tomé Açu, PA(Universidade Federal do Pará, 2020-03-30) OLIVEIRA NETO, Mário Morais; GERARD, Blanc Lilian; http://lattes.cnpq.br/0310835136618539; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346A presente pesquisa seguiu os princípios de duas ciências para a elaboração desta dissertação: a ecologia florestal e a abordagem sistêmica. Buscando integrar a complexidade dos agricultores familiares juntamente com a riqueza e a diversidade florística dos SAF. Objetivando, de forma geral, analisar, a partir de uma abordagem sistêmica, as possibilidades de equilíbrio entre fatores ecológicos e socioeconômicos de Sistemas Agroflorestais (SAF) de agricultores familiares de Tomé Açu, PA. Gerando assim, dois capítulos na forma de artigo científico com os seguintes objetivos: examinar os fatores socioeconômicos que influenciam a diversidade florística dos sistemas agroflorestais (SAF) de agricultores familiares do município de Tomé-Açu, PA; e analisar as práticas de agricultores familiares capazes de favorecer a diversidade e a riqueza florística de sistemas agroflorestais em Tomé Açu, PA. Constatou-se a existência de agricultores “outliers” na análise de correlação, os quais, demonstraram a possibilidade de ter um sistema com alta diversidade florística e que seja rentável para eles. O diferencial para que esses agricultores conseguissem tal característica foi a alta abundância de espécies espontâneas (regeneração natural), mas com a abundância de espécies frutíferas ainda maior para poder supri-los financeiramente. Foi encontrado um tipo de SAF diferente dos demais, denominado de SAF com corredores de regeneração natural. Ele demonstrou ser uma possibilidade de equilíbrio entre os fatores ecológicos e socioeconômicos. Pois, mesmo sendo um SAF altamente rico e diverso, em termos florísticos, ele também fornece os meios de resiliência econômica para os agricultores familiares. Dessa maneira, recomenda-se o SAF com corredores de regeneração natural para outros agricultores familiares que vivem em situações semelhantes às que aqui foram apresentadas.Dissertação Desconhecido Antes a gente tinha um rio, agora a gente tem um lago: a construção do território ribeirinho às margens do reservatório do CHE Belo Monte(Universidade Federal do Pará, 2020-03-27) GRAÇA, Denise da Silva; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407A construção de hidrelétricas desencadeia processos de desterritorialização e reterritorialização de comunidades tradicionais. Esta dissertação tem por objetivo analisar a construção do território ribeirinho, isto é, as formas usadas para reconstruir a vida em um ambiente destruído, pós-instalação do CHE Belo Monte. Para isso, foi realizado um estudo de caso na localidade do Palhal, às margens do reservatório principal, no município de Altamira, Pará, por meio de observação participante e entrevistas. As famílias ribeirinhas passaram pelo violento processo de deslocamento compulsório, repleto de violações dos direitos. Assim, as famílias foram buscando formas de denunciar e conseguir a recomposição do seu modo de vida tradicional, movimento que culminou na criação do território ribeirinho. O início de construção do novo território tem sido marcado, principalmente, por novas atribuições de significados ao espaço; pelas atualizações dos conhecimentos tradicionais para se apropriar do novo ambiente; pela reconstrução das redes de parentesco e reciprocidade; e pelo uso de valores morais para a regulação do acesso aos recursos naturais escassos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Avaliação do uso sustentável da água na produção agrícola: impacto da inserção de sistemas agroflorestais em unidades produtivas familiares do Nordeste Paraense(Universidade Federal do Pará, 2014) VANZIN, Mariana Menezes; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227A inserção de inovações técnicas no meio rural altera o modo de sobrevivência do agricultor e a dinâmica produtiva que, consubstanciada a lógica da agricultura familiar potencializam impactos ambientais e socioeconômicos. Nesse contexto, o uso da água no processo produtivo agrícola ilustra esses impactos, cujas implicações colocam à prova a sustentabilidade através da dualidade: demanda racional e a adequada qualidade dos recursos hídricos, superficial (utilização das águas dos rios); ou subterrâneo (utilização da água de poços). Portanto, o objetivo geral desse trabalho é avaliar o uso sustentável da água no processo produtivo das unidades produtivas familiares (UPF) que implementaram sistema agroflorestais (SAF) como uma inovação técnica. As UPF investigadas estão inseridas nos municípios de Igarapé-Açu e Marapanim, nordeste do estado do Pará, integrantes do projeto Raízes da Terra, financiado pela Embrapa Amazônia Oriental. Para tanto, adotou-se como hipótese inicial que a inserção do SAF deve ofertar, minimamente, qualidade adequada e uso racional da água utilizada no processo produtivo, bem como proporcionar impactos positivos na dimensão ambiental, social e econômica. Nesse sentido, a metodologia desenhou-se a partir do cumprimento de três etapas: (I) caracterização do uso da água, sendo aplicado um questionário do tipo aberto para identificar: fonte de captação e finalidade de uso; e, percepção do agricultor sobre escassez, outorga e qualidade; (II) aplicação do sistema Ambitec-Agro, cujo produto final foram índices de impacto nas dimensões ambiental, social, econômica; (III) estabelecimento e quantificação de coeficientes de impacto na quantidade e qualidade da água, com a inclusão e análise de parâmetros físico-químicos, bacteriológicos e a Salmonella. A verificação da hipótese inicial foi aferida por um teste-t. As características na maioria das UPF foram: a água captada de fonte subterrânea é utilizada no processo produtivo e para o consumo próprio, a partir do bombeamento de poços freáticos; mesmo sem a ciência sobre outorga, alguns agricultores fizeram derivações e barramento do curso natural dos rios que cortam suas propriedades, sendo que frequente período de estiagem pode ser reflexo dessas ações. De um modo geral, a percepção do agricultor sobre a qualidade foi associada à cor, odor e gosto. Aplicado o sistema Ambitec-Agro, as UPF indicaram impactos positivos em todas as dimensões; contudo, impactos negativos na dimensão ambiental foram verificados em duas UPF. O coeficiente de impacto da quantidade foi negativo em todas as UPF, sugerindo que houve uma demanda irracional de água. A presença de Salmonella em algumas UPF contribuiu para que o coeficiente de impacto na qualidade tenha classificado a água como minimamente adequada. Embora a hipótese inicial tenha sido rejeitada, apontando uma demanda irracional e inadequada qualidade de água; a inserção do SAF não foi associada como uma alternativa insustentável. Assim, a demanda irracional deveu-se ao aumento do consumo de água para irrigação em face da diminuição da área de cultivo, uma vez que volumes de água após o SAF permaneceram constantes. A inadequação da qualidade da água foi diretamente relacionada a algumas UPF que ainda utilizaram agrotóxicos e uso do fogo; e dispõem a dessedentação de animais e instalações sanitárias próximas as fontes de captação de água.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bem viver vivido, conquistado e almejado: um estudo sobre comunidades tradicionais que lutam por reconhecimento territorial na Baixada Maranhense(Universidade Federal do Pará, 2018-03-29) BRITO, Ciro de Souza; SHIRAISHI NETO, Joaquim; http://lattes.cnpq.br/1945327707689415; PORRO, Noemi Sakiara Miyasaka; http://lattes.cnpq.br/3982338546545478A noção de bem viver emerge inspirada nos conhecimentos emanados de modos de vida de povos indígenas da América Latina, sendo apresentada por acadêmicos e militantes como uma alternativa aos modelos de consecução do Estado, baseados nas propostas hegemônicas de desenvolvimento. Desde sua incorporação no ordenamento constitucional da Bolívia e do Equador, com base nessa noção, elevou-se a natureza à posição de sujeita de direitos, antes ocupada historicamente apenas pelo homem. Nessa noção, aponta-se intrínseca relação entre coletivos de homens e mulheres e a natureza, e indica-se a forte vinculação de povos e comunidades tradicionais com os seus territórios. Neste sentido, esta dissertação buscou analisar a noção do bem viver à luz de um caso de regularização fundiária para povos e comunidades tradicionais no Brasil. Trata-se de reivindicação de regularização como quilombo por comunidades tradicionais do Território Sesmaria do Jardim, na Baixada Maranhense, área de campos naturais que são compostos por terras secas e terras inundáveis inseridas na Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense e considerada um sítio sob Convenção de Ramsar. A investigação se realizou a partir de revisão crítica da literatura à luz de empiria observada e participada por meio de pesquisa-ação junto às comunidades envolvidas e ao órgão fundiário que dá andamento ao processo de regularização fundiária. O trabalho é de cunho jurídico-antropológico, guarda caráter qualitativo e se realizou de julho de 2016 a janeiro de 2018, com trabalho de campo nos povoados e no Instituto de Colonização e Terras do Maranhão. Identificou-se complexa vinculação entre o processo e a forma de regularização fundiária com a noção de bem viver, dada a diversidade de grupos tradicionais em situação de conflito em território comum. Constatou-se que sobre o mesmo território há grupos com concepções distintas de como nele viver, no qual grupos auto-identificados como Quilombolas concebem coletivamente uma noção de bem viver estreitamente fundamentada no uso comum, enquanto outros rejeitam essa noção e suas consequências. Observou-se que esses antagonistas, mesmo aqueles com ancestralidade comum, não compartem com o bem viver fundado no uso comum de determinados componentes da natureza, pois suas práticas e formas de apropriação privada da natureza desqualificam e se incompatibilizam com essa noção. Isso gera conflitos que vêm obrigando as comunidades tradicionais a se mobilizar ante as violações de direitos que vêm passando e a buscar soluções que reconquistem o chamado tempo bom de viver e a garantia do seu direito à terra – terras secas e inundadas – que possibilita sua reprodução física e social. O caso investigado mostrou que o bem viver é construído a partir da articulação de territorialidades específicas, em que concepções e formas de apropriação da natureza divergentes podem ser responsáveis por quebrar a coesão da comunidade e do território, embora as comunidades tradicionais comportem um certo grau de dissenso, que se embasa no direito à diferença. O trabalho de campo mostrou ainda que o bem viver está sendo construído diariamente, por meio de práticas sociais e jurídicas que abarcam a resistência como prática atual e a liberdade como estágio almejado, mas não deixa de ser, no discurso, reivindicado como um futuro melhor. A pesquisa visa problematizar e melhor qualificar quem e em que situação sujeitos têm direitos a ter quais direitos e a eficácia dessa questão. Essa dissertação trata, portanto, de uma leitura e reflexão sobre processos sociais coletivos localizados como alternativas emergentes para a consecução do bem viver vivido, participado e almejado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Comercialização como fator de mudança nas práticas de produtores de leite do município de Paragominas(Universidade Federal do Pará, 2015) SILVA, Rozangela Sousa da; ALVES, Lívia de Freitas Navegantes; http://lattes.cnpq.br/1337509239539346As dinâmicas da pecuária leiteira desenvolvida nas zonas de fronteiras agrárias da Amazônia Oriental, em especial o município de Paragominas, Nordeste do Pará, caracterizam-se historicamente pelas fortes transformações do meio natural, com a venda de terras, com a implantação de pastos, e pela forte influencia migratória de pessoas dos estados do sul e centro oeste do País. Para tornar possível a política de desenvolvimento da integração brasileira da Amazônia, o município de Paragominas surge com a construção da BR-010, Belém – Brasília, trazendo perspectivas de integração rodo-territorial da Amazônia com os demais estados da Federação e de ocupação da Amazônia. Nos últimos anos, no entanto, estão ocorrendo transformações significativas na região de Paragominas, principalmente na agricultura familiar, com a implementação de políticas públicas, trazendo a pecuária mista ou leiteira como alternativa para geração de renda significativa e regular ao longo do ano. A inserção dos produtores familiares no mercado do leite introduz uma nova lógica de comercialização, e mudanças para os sistemas de produção. Esses produtores passam a investir continuamente na produção leiteira, não a tendo mais apenas como fornecimento de alimento para suas famílias, ou como poupança viva. O objetivo geral desta dissertação foi identificar e analisar as diferentes formas de comercialização do leite e sua influência nas práticas de produção dos agricultores familiares no município de Paragominas, estado do Pará. Dessa maneira, esta pesquisa desenvolveu ao longo dos anos de 2013, 2014 e 2015: análises de dados secundários; levantamento de dados primários com pesquisas de campo e aplicação de questionários com perguntas semiestruturadas; construção de tipologias; e entrevistas retrospectivas com o método de Moulin et. al. (2005), que consiste no estudo das transformações rurais, através da identificação e da interpretação das mudanças técnicas, econômicas e sociais ocorridas tanto no nível dos sistemas de produção como na região de estudo. Com os estudos realizados sobre a atividade leiteira com agricultores familiares do Município de Paragominas, constatou-se uma mudança ocasionada por esses agentes em seus sistemas de produção, acarretando perspectivas de melhores investimentos, inserção no mercado, e melhor qualidade de vida. Tal mudança se deve a fatores externos como migrações, estruturação da bacia leiteira, comercialização de produtos, e as recentes fiscalizações ocorridas no município.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A comida que vem da mata: aspectos etnoecológicos da caça em uma comunidade quilombola da Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho (Amazônia, Brasil)(Universidade Federal do Pará, 2014) FIGUEIREDO, Rodrigo Augusto Alves de; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Este trabalho apresenta alguns aspectos relacionados ao uso da fauna silvestre em práticas alimentares por moradores da Vila de Joana Peres, uma comunidade quilombola da Reserva Extrativista (RESEX) Ipaú-Anilzinho (Pará, Brasil), abordando: etnoespécies utilizadas, preferências alimentares, segurança alimentar, estratégias de obtenção do alimento, condições políticas e socioambientais. O aporte teórico da investigação está atrelado ao campo da etnoecologia e ancorado em autores como Descola, Vitor Toledo e outros teóricos que desenvolveram estudos antropológicos em torno da relação homem e animal na Amazônia. Os procedimentos metodológicos envolveram principalmente a observação participante, entrevistas abertas e semiestruturadas, e os resultados foram analisados a partir das perspectivas qualitativa e quantitativa. O trabalho evidenciou que a atividade de caça envolve tanto aspectos nutricionais quanto sócio-identitários no plano da reprodução das famílias, que, a partir de seus modos de comer e organizar o espaço, estabelecem diversas relações com os alimentos ligadas aos usos, costumes, imaginário, simbólico, infraestrutura econômicoambientais e às diferentes formas de sociabilidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “ Um conhecido estranho ”: transformações no lugar de morada e nas relações de sociabilidade sob influência da dendeicultura na vila Forquilha, Tomé-Açu/Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-10-30) COSTA, Raquel de Jesus; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611Esta dissertação trata dos temas transformações no lugar de morada e sociabilidade entre os antigos e novos moradores, esses últimos atraídos pela possibilidade de trabalho na dendeicultura. Assim, o objetivo geral é analisar as transformações no lugar de morada e as relações de sociabilidade sob a condição do afluxo de novos residentes para trabalhar assalariados na dendeicultura na vila Forquilha em Tomé-Açu/PA. Trata-se de um estudo de caso, por meio de abordagens quantitativa e qualitativa com revisão de literatura e levantamento de dados secundários. Entrevistas semiestruturadas e não diretivas foram realizadas com moradores da vila Forquilha, sendo 46 com pessoas que residem há mais tempo (“os daqui”) e com 51 que chegaram recentemente motivadas pelo assalariamento (“de fora”). Observações se deram no campo sobre as pessoas e o lugar, considerando o que ocorria relacionado à forma de morar, às relações de sociabilidade, às estruturas físicas e às significações do lugar de morada. As principais conclusões mostram que as transformações não foram somente na estrutura da vila, mas também nas relações de trabalho e na sociabilidade entre os diferentes grupos. Houve expansão em área da vila, aumento populacional e mudanças na infraestrutura e organização social. As interações também mudaram devido à vinda de pessoas para trabalhar, em sua maioria, homens jovens que migraram mais de uma vez em busca de assalariamento. Em decorrência disso, há três tipos de interação social: entre moradores “daqui”; entre moradores “de fora” e; entre ambos os moradores. É perceptível uma interação com maior fluidez no convívio entre o mesmo tipo de morador, porém, entre um tipo e outro é superficial e a sociabilidade torna-se mais difícil pelas diferenças.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cooperativa Agroleiteira Transamazônica (COOPETRA): fatores que influenciam na sua persistência(Universidade Federal do Pará, 2014) FARIAS, Elielson Soares; SCHMITZ, Heribert; http://lattes.cnpq.br/2294519993210835Analiso a persistência da ação coletiva e da cooperação na Cooperativa Agroleiteira da Transamazônica, Oeste do Estado do Pará. Os dados foram coletados entre janeiro de 2013 e janeiro de 2014. Trata-se de um estudo de caso e os métodos e as técnicas utilizadas foram: observação direta; entrevistas com aplicação de questionário semi-estruturado e pesquisa documental. As observações foram realizadas nas assembleias gerais e nas reuniões do conselho de administração. As entrevistas foram realizadas com os associados em seus estabelecimentos rurais, que não diferem da forma como foram entrevistadas as lideranças locais e regionais. Para os funcionários foi aplicado um questionário estruturado e foram feitas observações diretas na fabrica. Apresento uma contextualização da região, onde se insere esta pesquisa, ressaltando os aspectos históricos e o processo de construção da ação coletiva a partir da mobilização dos agricultores, lideranças e outras organizações, em especial as Igrejas Luterana e Católica. A categoria central é a ação coletiva, mas também se destaca o poder, a participação e a gestão. Utilizo-me da teoria da sociologia das organizações para compreender o papel dos atores na construção da cooperação e da ação. Apresento alguns aspectos do dilema da cooperação, que neste estudo, em parte se mostra negociado e ajustado pelos atores que estruturam e mantém a cooperativa. Descrevo como os interesses dos atores se manifestam e afetam a estabilidade da organização sem que isso represente uma ameaça concreta. As lideranças assumem a função de filtrar as pressões externas e fazer o controle do que entra no contexto da organização. As lideranças possuem experiências políticas, de organização e sabem negociar. Destaco ainda a participação ativa dos associados que, mesmo por representação, assumem uma função importante no controle da organização, definem as atividades fins e não interferem na gestão das atividades meios. Por fim, esse constructo, que é dinâmico e negociado no interior da cooperativa, tem evitado o fracasso e construído uma alternativa possível de cooperação e ação coletiva de sucesso.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cultivando autonomia: análise da socioeconomia e agrobiodiversidade no quilombo de Providência, Salvaterra, Ilha do Marajó/PA(Universidade Federal do Pará, 2020-06-15) LEÃO, Victor Miranda; STEWARD, Angela May; http://lattes.cnpq.br/6123114287861055As comunidades tradicionais quilombolas têm nas práticas produtivas tradicionais uma estratégia de manutenção do seu modo de vida e reforço de sua identidade cultural. Desse modo, o presente trabalho visa investigar o papel da agrobiodiversidade nas estratégias econômicas e alimentares, registrando os saberes e práticas tradicionais associadas a ela, assim como sua relação com a soberania alimentar na comunidade quilombola de Providência, Salvaterra, Marajó, PA. Metodologicamente, a pesquisa ocorreu com onze representantes de nove unidades familiares, durante sessenta dias nos meses de fevereiro, maio, julho e novembro de 2019, sendo devidamente solicitada e autorizada pela liderança local e pelos demais moradores por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Em seguida, as entrevistas ocorreram com representantes das unidades familiares e a seleção se deu por amostragem não probabilística. Foram realizadas entrevistas não-diretivas e aplicados questionários semiestruturados com perguntas que versavam sobre os aspectos socioeconômicos, produtivos e alimentares, bem como observação participante. Tais dados foram compilados em Microsoft Excel para otimização gráfica e, posteriormente, foram calculados os índices de diversidade e de saliência cultural, bem como a caracterizado o perfil alimentar da comunidade. Como resultado da investigação, pode-se constatar que as práticas produtivas locais estão fortemente atreladas aos costumes religiosos e alimentar local e que as atividades tradicionais, tais como roça, extrativismo, pesca e criação animal, colaboram para a construção da renda familiar, que é composta majoritariamente pelos benefícios sociais do governo. Desse modo, pode-se concluir que as práticas produtivas tradicionais estão diretamente relacionadas a cultura quilombola local que são desenvolvidas em função da agrobiodiversidade, expressas também na fé, religiosidade herança histórica, bem como no cotidiano e nas preferências alimentares do grupo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cultivando sonhos: a Escola Nacional de Formação da CONTAG no Estado do Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2014-12-15) PRAZERES, Maria de Jesus Corrêa dos; ASSIS, William Santos de; http://lattes.cnpq.br/0188412611746531; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880Esta pesquisa teve por objetivo analisar os processos de formação desenvolvidos pela ENFOC no Estado do Pará e suas interferências nas práticas sindicais. Nesta, priorizou-se o Estudo de Caso, privilegiando o enfoque qualitativo. Na mesma não houve preocupações fundamentais com tratamentos estatísticos e de quantificação dos dados em termos de representação numérica. O recorte temporal foi de 2006-2013, período em que a ENFOC no estado se expandiu, se tornando referência no cenário sindical brasileiro ao introduzir como metodologia de ensino as Jornadas Pedagógicas, além de ter sido pioneiro na realização de Cursos Regionais, Microrregionais e Municipais. Baseou-se em documentos históricos e entrevistas com diferentes atores que integram o MSTTR. Foram realizadas 15 entrevistas. Considerando as reflexões fomentadas por esta escola no que diz respeito às transformações de práticas sindicais incoerentes com a luta do movimento, fez-se o questionamento de quais seriam as interferências dos processos formativos desenvolvidos pela ENFOC nas práticas daqueles que integram o MSTTR paraense, enfocando a democratização dos espaços sindicais e a renovação de lideranças. A pesquisa apontou que esta escola, ao introduzir debates que estão diretamente ligados às suas práticas e ações, tem promovido alterações nas organizações sindicais no sentido de ampliar a participação dos trabalhadores rurais nas instâncias deliberativas e consultivas do movimento, motivou a renovação de dirigentes e lideranças nas organizações sindicais tanto no nível municipal como no estadual e, sobretudo, foi um indicador de mudanças e de fortalecimento da base sindical. Evidenciam-se elementos de positividades e de limites desta escola no estado. Por fim, apresentam-se novas questões a serem consideradas e refletidas pelas organizações sindicais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Da floresta ao mar”: participação e gestão de uma recém-criada Reserva Extrativista Marinha no nordeste paraense(Universidade Federal do Pará, 2020-12-04) CARDOSO, Letícia Malcher; GOMES, Carlos Valério Aguiar; http://lattes.cnpq.br/8029121431602869O modelo de Reservas Extrativistas (Resex) tem sua gênese no movimento social dos seringueiros no Acre, que lutaram nos anos 80s contra a destruição da floresta por fazendeiros para implantação das pastagens. O movimento se expandiu e o modelo de Resex foi adotado por diversos grupos de populações extrativistas em diferentes cenários socioculturais e diversos ecossistemas, incluindo a costa paraense, no outro extremo da Amazônia. Essa trajetória “da floresta ao mar” vem com benefícios, mas também com tensões e desafios. Nesse contexto, a pesquisa aborda de que forma tem se estabelecido a participação dos atores no processo de criação e gestão da mais recente Resex Marinha criada, em 2014, no estado do Pará: a Resex-Mar Mocapajuba, localizada no município de São Caetano de Odivelas. O objetivo geral visou analisar a participação dos atores nos processos de criação e gestão desta Unidade de Conservação. A pesquisa tem como embasamento teórico abordagens sobre Unidades de Conservação, ecologia política e participação e gestão. Utilizou-se a pesquisa qualitativa de cunho etnográfico e os procedimentos metodológicos adotados foram: revisão bibliográfica e documental, observação participante, entrevista não-diretiva e aplicação de questionários semiestruturados com diversos atores envolvidos no processo de criação e gestão da Resex. Verificou-se que a Resex Mocapajuba foi demandada a partir do movimento social da pesca, com um grande empoderamento e protagonismo feminino, articulados com representações em escalas locais, estaduais e nacionais. Ficou evidente que, atualmente, no processo de gestão, a participação é marcada por questões políticas, relações de poder e conflitos que incidem nas instâncias de governança e contribuem para que os processos participativos estejam insatisfatórios. Isso remete a algumas discussões e contribui para outras reflexões, inclusive, com outras perspectivas. Dessa forma, torna-se cada vez mais necessário aprofundar e ampliar o debate sobre as populações tradicionais que vivem na Amazônia resistindo aos desafios e lutando para que o legado de Chico Mendes sobreviva e se perpetue.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Da natureza à mesa: a pesca artesanal na vida e alimentação dos quilombolas da Comunidade de Mangueiras (Ilha do Marajó – Pará)(Universidade Federal do Pará, 2020-03-21) NASCIMENTO, Anael Souza; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262Esta pesquisa comprometeu-se a estudar as formas de captura e preparo dos recursos pesqueiros, bem como a relação da comunidade quilombola de Mangueiras em Salvaterra - Ilha do Marajó – PA com a comida. Parti das dimensões culturais no contexto dos conhecimentos tradicionais, as formas de obter, preparar, acondicionar e consumir alimentos de origem pesqueira no quilombo. Além de caracterizar os recursos pesqueiros e as práticas utilizadas na pesca artesanal no quilombo de Mangueiras, descrever os saberes e práticas alimentares das famílias, destacando as estratégias envolvidas na transformação da sociobiodiversidade pesqueira em comida e descrever quais as preferências e restrições (tabus) acerca do consumo de recursos pesqueiros. A pesquisa de campo ocorreu no ano de 2019 e os principais instrumentos da metodologia empregada foram entrevistas abertas, entrevistas semiestruturadas, observação participante, turnês guiadas por pescadores locais, técnica da listagem livre e a etnofotografia. Os resultados alcançados demonstraram que os pescadores e pescadoras mantêm um constante diálogo de conhecimentos, adquirido através do cotidiano contato com os peixes e com o rio desde as fases iniciais da vida. O conhecimento tradicional revela muito da identidade e cultura do quilombo, território dominado por atores sociais com expertise nas espécies de peixes, diferenciando-os por seu habitat, preferências alimentares e comportamentos específicos, incluindo conhecimento acerca de aspectos climáticos e lunares que influenciam a dinâmica da pesca na região. Os recursos pesqueiros se mostraram importantes para os preparos de comidas como peixes fritos, assados e cozidos, mujica de caramujo, torta de caramujo, caranguejo ao leite do coco, ensopado de turu. No entanto, também observamos o incremento de alimentos processados, ocasionado por uma maior relação com a cidade e acesso aos programas sociais do Governo Federal brasileiro. Mesmo com todas as transformações ocorridas, é incontestável que o modo que se prepara os alimentos ainda se mantém até hoje como forma de valorização da cultura e resistência. Assim, as escolhas alimentares são influenciadas diretamente pelas características ambientais, além de preferências individuas ligadas as questões sociais e culturais do quilombo. Os tabus têm um papel importante e que influencia diretamente nas escolhas das espécies alvos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Dinâmicas territoriais no nordeste do Estado do Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-08-29) MONTEIRO, Antonio Eduardo Gomes; ASSIS, William Santos de; http://lattes.cnpq.br/0188412611746531; PIRAUX, Marc; http://lattes.cnpq.br/3690302287055789O objetivo desta pesquisa foi identificar e compreender as dinâmicas territoriais de dois territórios dados do nordeste do estado do Pará. O presente trabalho apresenta os principais fatores que determinam as dinâmicas espaciais a partir do sistema de dinâmicas territoriais. Os recortes da pesquisa são os Territórios Nordeste I e Salgado, que estão localizados na região litorânea do nordeste paraense que se caracteriza como a mais antiga fronteira de colonização do Estado. A metodologia de zoneamento participativo por atores chaves foi aporte necessário de informações, que resultou na tipologia das dinâmicas espaciais. A pesquisa permitiu criar modelos específicos de cada território, o que possibilita a análise comparativa das dinâmicas territoriais, assim como tirar ensinamentos sobre as políticas públicas e as perspectivas dos atores sociais nos territórios dados.
