Dissertações em Letras (Mestrado) - PPGL/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2311
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 1987 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Navegando Dissertações em Letras (Mestrado) - PPGL/ILC por Linha de Pesquisa "ANÁLISE, DESCRIÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NATURAIS"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise perceptual da harmonia vocálica na fala Belenense(Universidade Federal do Pará, 2024-08-29) XAVIER, Francisco Cavalcante; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O presente trabalho tem por objetivo investigar, perceptualmente, a produtividade da harmonia vocálica (HV) disparada por vogais baixas na variedade do português falada em Belém/PA. Para isso, formou-se um corpus com 42 vocábulos paroxítonos, em sua maioria, no molde silábico CV'CV.CV, em que /e/ e /o/ se alternam na sílaba pretônica e /i, e, ɛ, a, ᴐ, o, u/, na tônica. Com uso do conversor Wideo Text-to-Speech Software, geraram-se, como estímulos sonoros, três variantes para cada item do corpus, de acordo com a altura da vogal pretônica: para , [i], [e], [E]; para , [u], [o], [O]. Uma amostra de 60 belenenses, estratificados em sexo, faixa etária e escolaridade, respondeu a um questionário implementado na plataforma Gorilla Experiment BuilderTM, versão 4, com dois protocolos de coleta de dados: I - Avaliação de Frequência (AF); II - Avaliação de Identificação (AI). Para a AF, protocolo principal, os participantes atribuíram às variantes de , uma frequência de ocorrência/uso aproximada na fala belenense, a partir dos seguintes índices escalares: Nunca, Raramente, Às vezes, Quase sempre. Na AI, tomou-se a avaliação dos participantes em identificar as três variantes como, de fato, diferentes. Para o tratamento estatístico dos 10.080 dados coletados, aplicaram-se análises de Correlação Simples e de Regressão Logística Binária, por meio do Programa R, versão 2024.04.1. Tomadas , por variáveis dependentes e as sete vogais tônicas por variáveis independentes, os resultados revelaram que, na fala de Belém, em geral, com base na escolha do índice de ocorrência plena Quase sempre: (a) as variantes altas são as menos frequentes – [i], com frequência relativa de .13 e [u], com .20; (b) as variantes médias são largamente predominantes, ajustando-se relativamente bem a todas as vogais tônicas – [e], .77 e [o], .75; (c) as variantes baixas estão em segundo lugar como mais frequentes – [E], .43 e [O], .41 –, mas, fortemente atraídas por vogais tônicas baixas, tomam a hegemonia das médias nesse contexto estrutural – [E], .82; [O], .78. Por fim, dos fatores externos: (a) falantes com mais idade realçaram a hegemonia da HV – [E], .83; [O], .83; (b) falantes mais jovens atenuaram-na – [E], .72; [O], .65; c) indivíduos formados na área da pesquisa tiveram maiores índices de discriminação entre as três variantes na AI – , .89; , .87. Em vista disso, atestou-se, no campo perceptual, uma regra fonológica de HV disparada por vogais baixas em pleno funcionamento no falar de Belém, como já apontavam estudos acústicos (Sousa, 2010; Fagundes, 2015; Souza, 2020). O fenômeno revelou-se produtivo com todas as vogais baixas em sílaba tônica, tanto sobre quanto , contrariando, nesse ponto específico, o sinal acústico (Souza, 2020).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Aspectos morfossintáticos e semânticos da causativização em Parkatêjê(Universidade Federal do Pará, 2018-02-27) FERREIRA, Sindy Rayane de Souza; SHIBATANI, Masayoshi; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091Sob a visão do funcionalismo tipológico, o presente trabalho tem por objetivo descrever e analisar aspectos morfossintáticos e semânticos relacionados ao fenômeno de causativização em Parkatêjê (língua indígena da família Jê, tronco Macro-Jê, e pertencente ao Complexo Dialetal Timbira). Da perspectiva morfossintática, a causativização é um processo relacionado ao aumento de valência verbal, isto é, à mudança das funções e relações gramaticais dos argumentos de um verbo. Da perspectiva semântica, consiste em um fenômeno associado à relação de causa e efeito, em que um verbo causativo permite que o sujeito de uma oração aja sobre outro argumento, fazendo com que este realize alguma ação ou mude seu estado. Na língua Parkatêjê, a causativização se manifesta por meio do verbo to, cujo significado primeiro é „fazer‟ e que causativiza verbos intransitivos ativos e estativos. Os verbos transitivos parecem não sofrer causativização. O trabalho fundamenta-se nos postulados teóricos de Givón (1975), Shibatani (1976, 2002), Comrie (1989), Dixon (1994), entre outros. Além de verbo causativo, o elemento „to‟ desempenha outras funções morfossintáticas na língua: verbo lexical básico „fazer‟, verbo auxiliar, parte da raiz de verbos e posposição instrumental. Por este motivo, este trabalho também apresenta alguns aspectos relacionados a cada uma dessas funções. A metodologia utilizada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo com coleta de dados realizada na comunidade da língua em estudo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A contribuição dos estudos discursivos para a gramaática da língua Apurinã (Aruak)(Universidade Federal do Pará, 2016-03-14) BARROS, Laise Maciel; FACUNDES, Sidney da Silva; ttp://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Este trabalho tem por finalidade apresentar um estudo acerca da gramática Apurinã por meio do viés discursivo, ou seja, demonstrar como determinados usos da gramática abarcam a interação entre propriedades semânticas, pragmáticas e morfossintáticas. Os elementos gramaticais envolvidos nesta pesquisa envolvem os pronomes pessoais, as partículas discursivas e a marca morfológica =nhi. Para descrever os fatos relevantes a respeito destes elementos, propomos uma análise descritiva que explique como a morfossintaxe interage com os domínios da semântica e pragmática, uma vez que alguns dos usos dos elementos pesquisados estão diretamente associados a noções discursivo-pragmáticas como empatia, ou intencionalidade do falante, fluxo de informação ou ao ordenamento de eventos no discurso. A pesquisa adota os postulados da linguística tipológico-funcional e abrange aspectos morfossintáticos, semânticos e pragmático-discursivos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Descrição de orações complexas em Parkatejê: coordenação e switch-reference(Universidade Federal do Pará, 2018-06-21) VIEIRA, Luciana Renata dos Santos; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091A língua indígena Parkatêjê, pertencente ao Tronco Macro-Jê, família Jê e complexo dialetal Timbira, é falada pelo povo Parkatêjê, o qual vive na Reserva Indígena Mãe Maria (RIMM), na cidade de Marabá, no sudeste do Pará. O processo de articulação de orações coordenadas da língua em questão foi descrito inicialmente por Ferreira (2003), que verificou o mecanismo de switch-reference por meio da ocorrência de duas conjunções específicas nã e mã, uma para o sujeito idêntico (SS) e a outra para o sujeito diferente (DS), respectivamente. Esta dissertação descreve a coordenação entre sintagmas nominais e verbais em Parkatêjê e aponta para alguns fatos sobre a referida língua: (1) confirma-se que a língua apresenta switchreference (FERREIRA, 2003); (2) confirma-se que uma forma homófona a mẽ ocorre como conjunção para coordenar sintagmas nominais e nomes em série (FERREIRA, 2003); (3) a ocorrência das conjunções nã/mã relativas ao fenômeno de switch-reference parecem não ser obrigatórias de acordo com a análise dos dados, ou seja, o mecanismo de justaposição (parataxe) também é utilizado pelos falantes. O aporte metodológico para o desenvolvimento dessa pesquisa seguiu etapas como pesquisa bibliográfica; trabalho de campo; transcrição e organização de dados linguísticos e análise/discussão dos dados coletados.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Descrição e análise de propriedades semânticas e morfossintáticas de nomes contáveis nomes massivos em Parkatêjê(Universidade Federal do Pará, 2020-02-28) LIRA, Ingryd Moraes de Moraes; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091; https://orcid.org/0000-0001-9995-1938O presente trabalho tem como objetivo descrever o comportamento de nomes contáveis e nomes massivos em Parkatêjê, língua falada por povos indígenas que vivem em aldeias situadas ao longo da BR-222, no município de Bom Jesus do Tocantins, no estado do Pará. Conforme Rodrigues (1986), trata-se de uma língua pertencente ao Complexo Dialetal Timbira, Família Jê, tronco linguístico Macro-Jê. Muitos estudos demonstram que, na maioria das línguas, temos dois grupos distintos de nomes: contáveis e massivos. De acordo com Paraguassu-Martins e Muller (2007), os primeiros trabalhos na linguística acerca desse assunto foram introduzidos por Jespersen, em 1924. Para ele, contáveis seriam os nomes que transmitem uma ideia de coisa definida, com formato e limites precisos, e massivos aqueles que não apresentam essas características, independentemente de serem concretos ou abstratos. Entretanto, estabelecer conceitos e critérios para distinguir tais nomes ainda representa um grande desafio para os trabalhos de análise e descrição das línguas naturais, considerando que há significativa variação entre as línguas, até mesmo entre aquelas relativamente semelhantes. Para a realização deste estudo em Parkatêjê, foram realizadas coletas de dados com falantes nativos da comunidade indígena. Os procedimentos metodológicos tiveram como base, principalmente, o estudo desenvolvido por Lima (2014) sobre contagem e individuação em Yudja, bem como o questionário elaborado por essa autora juntamente com Rothstein (2016). Os resultados obtidos demonstram que nomes contáveis e massivos apresentam, de fato, aspectos morfossintáticos e semânticos distintos. Constatou-se que expressões de quantidade, em sua maioria, funcionam como propriedades distintivas nessa classe nominal. Nomes contáveis são combinados diretamente com numerais, sem a necessidade de um recipiente de medida. Nomes massivos, por sua vez, são combinados com numerais nas seguintes circunstâncias: 1) quando há a inserção de um recipiente de medida entre o nome e o numeral; e 2) quando não há a inserção de um recipiente de medida, contudo este está subtendido no contexto. Há quantificadores que são usados com todos os nomes, mas há alguns que ocorrem especificamente com nomes contáveis e outros somente com nomes massivos. Observou-se que o comportamento de tais nomes em Parkatêjê confronta a proposta de Chierchia (1998a, 1998b, 2010 apud LIMA, 2014) acerca dos tipos de línguas, tendo em vista que ela apresenta tanto traços de línguas de marcação de número quanto traços das línguas que são numericamente neutras.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo comparativo das posposições no Timbira(Universidade Federal do Pará, 2020-08-24) AYAN, Sheyla da Conceição; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091; https://orcid.org/0000-0001-9995-1938O presente trabalho tem o objetivo de comparar semelhanças e diferenças na ocorrência das posposições no grupo das variantes dialetais Timbira: Parkatêjê, Canela Apãniekrá, Canela-Krahô e Pykobjê, sob uma visão tipológico-funcional. O complexo dialetal Timbira pertence à família Jê e ao tronco Macro-Jê. As posposições, de acordo com Genetti (2014), são partículas que ocorrem com um sintagma nominal e indicam a relação gramatical, semântica, espacial, temporal ou lógica do sintagma nominal com o outro elemento da cláusula. Os dados utilizados nesse estudo são oriundos de trabalhos descritivos já realizados nessas variantes dialetais, a saber: Ferreira (2003), Alves (2004), Popjes e Popjes (1986), Souza (1989), Miranda (2014), Amado (2004) e Silva (2011). Com base na comparação dos dados, notou-se uma grande semelhança na forma desses elementos, bem como nas funções exercidas por tais posposições. Entretanto, há também algumas diferenças muito relevantes entre elas, como a posposição ‘te’, por exemplo, que foi analisada ora como uma marca de ergatividade, ora como um elemento oblíquo, além da função de genitivo. Esta pesquisa está fundamentada nos postulados teóricos de Genetti (2014), Dixon (2010), Hagège, (2010), Blake (2004), Payne (1997), entre outros. A metodologia empregada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica na literatura especializada, comparação dos dados e análise de base tipológico-funcional dos mesmos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo comparativo do fenômeno de nasalização em línguas da família Tupi-Guaraní (Tronco Tupi)(Universidade Federal do Pará, 2018-04-26) MIRANDA, Camille Cardoso; PICANÇO, Gessiane Lobato; http://lattes.cnpq.br/8504849027565119Este trabalho objetiva descrever os padrões do fenômeno de nasalização em línguas indígenas da família Tupí-Guaraní, tronco Tupí. Foram analisadas 27 línguas que compõem esta família: Mbyá, Kaiowá, Guaraní-Paraguaio, Guaraní-Antigo, Nhandewa, Tapieté (Ramo I); Sirionó (Ramo II); Nheengatú, Tupinambá (Ramo III), Tembé, Parakanã, Suruí-Tocantins, Avá-Canoeiro, Tapirapé (Ramo IV); Anambé, Araweté, Asuriní do Xingu (Ramo V); Kayabi, Apiaká, Tenharím, Uru-Eu-Uau-Uau (Ramo VI), Kamayurá (Ramo VII), Guajá, Ka'apor, Zo'e, Emerillon e Wayampi, (Ramo VIII). Para averiguação do processo de nasalidade em línguas Tupí-Guaraní utilizamos como pressuposto teórico principal a abordagem tipológica de Walker (1998) para verificar e compreender, a partir de uma hierarquia tipológica de harmonia nasal, segmentos que podem se comportar tanto como gatilhos ou alvos do espalhamento nasal. O estudo também utiliza as considerações de Ohala (1981, 1993) e Cohn (1990, 1993) para examinar o processo de nasalização como efeito fonético e não fonológico. Em relação aos segmentos que são gatilhos, ou seja, aqueles iniciam o processo de nasalidade, foram vistos que consoante nasal (N) e vogal nasal (Ṽ) são fontes de nasalidade predominantes em quase todas as línguas. Contudo, em Suruí-Tocantins, Parakanã, Tembé e Apiaká (Ramo IV e VI), apenas foi verificada nasalidade sendo desencadeada por N, já em Sirionó (Ramo II) e Tapirapé (Ramo IV) a nasalidade é condicionada apenas por Ṽ. Para os segmentos alvos, as línguas foram classificadas em quatro tipos diferentes, conforme a escala implicacional de harmonia nasal de Walker. A língua Sirionó (Ramo II), e as línguas dos Ramos IV e VI tendem a ter vogais sendo predominantemente nasalizadas (tipo 1), enquanto Tupinambá, Nheengatú, Anambé, Araweté e Asuriní do Xingu, Ka'apor and Zo'e (Ramos III, IV e VIII) têm vogais + glides sofrendo a nasalização (tipo 2). A língua Kamayurá pertencente ao Ramo VII exibe vogais + glides + líquidas sendo afetadas pelo processo de nasalidade; o mesmo ocorre com a língua Guajá (Ramo VIII). As línguas do Ramo I (com exceção de Tapieté), Wayampi e Emerillon (Ramo VIII) exibem o tipo (5), em que todos os segmentos são afetados pela harmonia nasal. O estudo também examinou segmentos que são bloqueadores do processo de nasalidade. As línguas que apresentam segmentos bloqueadores (especialmente as obstruintes surdas) são: Tapieté (Ramo I); Tupinambá, Nheengatú (Ramo III); Avá-Canoeiro (Ramo IV); Anambé, Araweté e Asuriní do Xingu (Ramo V); Kayabi, Apiaká (Ramo VI); Kamayurá (Ramo VII); Guajá, Ka'apor e Zo'e (Ramo VIII). Já as outras línguas apresentam obstruintes surdas sendo transparentes ao processo de nasalidade. A direcionalidade do espalhamento é predominantemente regressiva, embora possa ter também o espalhamento progressivo ou bidirecional, esses dois últimos são bastante frequentes em processos morfofonológicos. O domínio da nasalidade é dois tipos: Local, quando é N e a palavra quando é Ṽ. Em suma, o trabalhou compreende-se em diversas etapas que auxiliaram na averiguação do fenômeno de nasalização nas línguas Tupí-Guaraní. A abordagem apresentada neste estudo é tipológica, uma vez que utiliza de métodos translinguísticos para verificar, entre as línguas investigadas, padrões semelhantes e diferentes relacionados ao tema em questão. Assim, a pesquisa realizada nessa dissertação buscou ampliar cada vez mais informações importantes sobre o processo de nasalização nessas línguas. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir para análises futuras referentes à tipologia fonológica em línguas indígenas brasileiras.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo geosociolinguístico do português falado em áreas indígenas Galibi-Marworno e Karipuna(Universidade Federal do Pará, 2019-10-28) CARVALHO, Amanda da Costa; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917Pretende-se neste trabalho mapear, no nível fonético, o português falado pelos povos Karipuna e pelos Galibi-Marworno, habitantes da Terra Indígena Uaçá, no município de Oiapoque, estado do Amapá, em fronteira com a comuna francesa de Saint-Georges, do Departamento de Ultramar da Guiana Francesa. O objetivo geral desta pesquisa é descrever e analisar a variação fonética encontrada no Português Brasileiro Indígena em contato com a língua Kheuól (Crioulo de base francesa falado pelos indígenas), nas realizações de vogal média pretônica vogal média pretônica [e]; manutenção do ditongo [eɪ], [oʊ] e /R/ em coda silábica na posição interna. Os pressupostos teórico-metodológicos que conduziram esta pesquisa fundamentaram-se na Dialetologia Pluridimensional e Contatual (RADKE; THUN, 1996; THUN, 1998), na Geolinguística (GILLIERON, 1902) e na Geossociolinguística (RAZKY, 1998). Baseando-se nas comunidades estudadas, na Dialetologia Pluridimensional e na Geossociolinguística, as dimensões selecionadas foram a dialingual-diatópica, a topostática, a diassexual/diageracional. Foram selecionados 4 pontos de inquérito: duas comunidades Galibis-Marworno (Kumarumã e Tukay) e duas Karipunas (Manga e Santa Isabel). Preteriram-se quatro colaboradores estratificados socialmente (idade e sexo) em cada localidade: (i) primeira faixa etária, um homem e uma mulher de 18 a 37 anos; (ii) na segunda faixa etária, um homem e uma mulher de 45 a 75 anos. Ao longo da coleta de dados foram aplicados: Questionário Fonético- Fonológico (QFF) adaptado com o total de 164 perguntas, com respostas bilingues; Questionário Sociolinguístico do projeto Atlas Sonoro das Línguas Indígenas Brasileiras (CABRAL et al., 2015). Os resultados sociolinguísticos mostraram que os Galibi-Marworno e os Karipuna são dois povos totalmente distintos, com níveis diferentes de proficiência em KH e PBI. A análise fonética corroborou com trabalhos anteriormente realizados sobre os fenômenos fonéticos identificados, com a exceção da realização do ditongo [eɪ]. Acrescentamos ainda que, os dados referentes às análises sociais dos dados fonéticos não foram significativos para a variação fonética. Esse contexto nos permite propor que o falar regional do PB dos colaboradores não indígenas que habitam áreas próximas às aldeias pesquisadas, é propagado nas áreas indígenas, formando, consequentemente, um contínuo de fala com marcas regionais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A forma verbal TXA da língua Apurinã: um fenômeno de gramaticalização(Universidade Federal do Pará, 2021-05-21) BATISTA, Gabriela de Andrade; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Domínios semânticos como polissemia e homonímia não dão conta de explicar satisfatoriamente determinados comportamentos do verbo txa da língua Apurinã (Aruák), falada por comunidades indígenas que vivem ao longo dos afluentes do Rio Purus no sudeste do estado do Amazonas. Por isso, o processo de gramaticalização torna-se a melhor forma de analisar e descrever a forma em que este verbo se manifesta na língua, em contextos diferentes, com significados distintos e comportamentos sintáticos díspares, mas que, no entanto, apresentam a mesma forma. Acerca do verbo txa Facundes (2000), constatou em sua gramática da língua que este pode funcionar como verbo pleno, pró-verbo, cópula e verbo auxiliar. A hipótese de que esta forma verbal tenha passado ou esteja passando por um processo de gramaticalização advém do pressuposto de que há certa relação semântica entre as diferentes ocorrências do verbo, mas com diferentes comportamentos morfossintáticos associados. Mediante isso, considera-se que na língua está em progresso esse fenômeno de gramaticalização (HEINE, 2001), em que certas formas verbais “fonte” dão origem a significados “alvo”, os últimos mais abstratos, como resultado de um processo de desbotamento semântico. Para a realização desta pesquisa, foi selecionado um corpus composto por 32 textos que fazem parte do banco de dados da língua Apurinã, mais alguns dados coletados com falantes nativos da língua, em um levantamento sistemático das diferentes ocorrências desses verbos, para então analisa-los e descrevê-los, a fim de observar o comportamento do verbo na respectiva língua, com a intenção de verificar a direção das mudanças linguísticas ocorridas, para uma visão mais ampla sobre o fenômeno que ocorre em Apurinã, mais em específico na forma verbal txa.Tese Acesso aberto (Open Access) Glossário da área pedagógica para LSB: um estudo socioterminológico(Universidade Federal do Pará, 2025-02-26) MOTA, Carina da Silva; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917Esta pesquisa de tese de doutorado se insere na linha de pesquisa dos estudos linguísticos e é desenvolvida junto ao grupo de pesquisa GeoLinTerm – Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia. Desenvolveu-se um glossário em Língua de Sinais Brasileira (LSB) na área de especialidade da Pedagogia. Embora inúmeros Surdos escolham cursar essa licenciatura, não existe nenhum dicionário, glossário e/ou sinalário da especialidade Pedagogia disponível para comunidade Surda. Objetiva-se saber quais terminologias têm sido convencionadas em Língua Brasileira de Sinais com conceitos do curso de Pedagogia e as registrar em um dicionário para consulta e compreensão de acadêmicos surdos, intérpretes de Libras e professores ouvintes e surdos. Foi realizado um estudo bibliográfico a partir de Faulstich (2003), Quadros (2004), Faria-Nascimento (2009), Castro Júnior (2014), Costa (2012) e Oliveira (2015) para respaldar o estudo no âmbito linguístico, particularmente na convencionalização da construção de morfemas que expressem adequadamente a terminologia da categoria curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Os dados coletados são norteados pela metodologia da Socioterminologia, que é uma área da ciência terminológica, cujo cerne busca reorganizar uma tipologia para a classificação de variantes em categorias técnicas e científicas, com duas concorrentes, quais sejam, a variante formal terminológica e a variante formal de registro Faulstich (1995). Traça-se, então, um mapeamento nacional das 05 regiões brasileiras para catalogar e registrar os sinais-termo convencionados por Pedagogos, acadêmicos Surdos do curso e Intérpretes de Língua de Sinais. Com a catalogação, foi construído um glossário Socioterminológico com 114 termos da Pedagogia emLíngua de Sinais, disponibilizado em Software de celular Android à Comunidade Surda.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Glossário terminológico do curso de odontologia português-libras(Universidade Federal do Pará, 2020-10-30) MARTINELLI, Denise Costa; LIMA, Alcides Fernandes de; http://lattes.cnpq.br/2565242209879834O presente trabalho, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Letras – Linguística, na linha de pesquisa Análise, Descrição e Documentação das Línguas Naturais, apresenta a proposta de criação de um glossário terminológico bilíngue Português-Libras de Odontologia, a partir do recorte de domínio Curso de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). O objetivo é compor um glossário a partir dos termos utilizados nas disciplinas do curso de odontologia e propor a criação de sinais-termo equivalentes na Língua Brasileira de Sinais (Libras) que representem os conceitos e significados, levando em conta as características gramaticais dessa língua com base nas teorias lexicais e terminológicas, seguindo a metodologia da socioterminologia aplicada por Faulstich (1995). Este campo semântico foi escolhido pelo fato de ainda não ser uma área largamente explorada. Os sinais-termo usados na área da odontologia, especialmente os utilizados nas disciplinas ministradas no curso de odontologia ainda são poucos na Libras. A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa. Na primeira fase, a coleta de dados, seguimos as seguintes etapas: i) delimitação do objeto de estudo e o público alvo; ii) definição do mapa conceitual; iii) seleção e organização do corpus; iv) seleção dos candidatos a sinais-termo; v) validação dos sinais-termo por especialistas da linguística e da odontologia; e v) teste de fiabilidade. A segunda fase obedeceu a seguinte ordem: i) elaboração e organização das fichas terminológicas; ii) organização das imagens e vídeos em Libras e iii) a produção escrita dos sinais-termos por meio do sistema SignWriting de escrita de sinais. O glossário terminológico da odontologia Português-Libras seguirá as regras de macro e microestrutura utilizada em glossários de Língua de Sinais. Os sinais-termo foram validados por meio de reuniões periódicas entre especialistas da área da tradução e interpretação, surdos(as) linguistas e surdos(as) discentes. Esperamos que a proposta de glossário apresentada neste trabalho seja de extrema relevância para auxiliar na comunicação entre os envolvidos no processo de tradução e de interpretação simultânea, na garantia dos direitos linguísticos para os(as) surdos(as) que ingressam no curso de odontologia e como material didático que contribua para a aprendizagem de conteúdos da área.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Língua e identidade Apurinã: estudos baseados em relatos contemporâneos(Universidade Federal do Pará, 2016-03-11) COSTA, Patrícia do Nascimento da; VIRTANEN, Pirjo Kristiina; http://lattes.cnpq.br/4739692405536395; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231O objetivo desta pesquisa é examinar elementos da língua Apurinã (Aruák) que demonstrem traços da cultura do seu povo, como aspectos sobre o modo de vida, a visão de mundo, os conhecimentos e valores tradicionais e o envolvimento com valores externos às suas experiências de vida. Nesse sentido, apontamos características do uso da língua reveladores da identidade dos Apurinã, que vivem próximos aos afluentes do rio Purus, região sudeste do estado do Amazonas, Brasil. Os procedimentos metodológicos utilizados envolvem levantamento bibliográfico sobre os estudos de identidade e os referenciais que relacionam tais estudos aos pressupostos teóricos da linguística, além da análise dos dados que foram coletados em viagens de campo, realizadas nos meses de abril e dezembro de 2015. Também foram consultados trabalhos sobre a língua Apurinã, realizados pelo professor doutor Sidney da Silva Facundes, da Universidade Federal do Pará, e de seus alunos ao longo de mais de vinte anos em pesquisas. A presente investigação faz-se relevante por agregar informações, levantar questões e propor respostas relacionadas aos estudos sobre a língua Apurinã de forma a revelar, a partir de dados linguísticos, aspectos relativos à cultura e aos costumes. Além da contribuição acadêmica, esta pesquisa também se justifica por integrar, junto a outros elementos, um conjunto de informações capazes de corroborar a legitimação deste povo, sua cultura e seu direito de existir socialmente. Os traços da identidade Apurinã evidenciados neste estudo são descritos, principalmente, na perspectiva da sua relação com os seres da natureza.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Mapeamento lexical do Português falado pelos Wajãpi no Estado do Amapá: uma abordagem geossociolinguística(Universidade Federal do Pará, 2017) RODRIGUES, Maria Doraci Guedes; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Este trabalho tem como objetivo mapear, descrever e analisar, em uma perspectiva Geossociolinguística, A Variação Lexical do Português Brasileiro Falado na Terra Indígena Wajãpi, no Estado do Amapá. O estudo aqui proposto adotou o modelo e os procedimentos de análise que consideram os princípios da Geolinguística e da Dialetologia Pluridimensional (CARDOSO, 2010; RAZKY, 1998) e (RADTKE e THUN, 1996). Para tanto, o corpus foi coletado por meio da aplicação do Questionário Semântico Lexical (QSL) do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) 2001, no qual contém 202 questões, distribuídas em catorze campos semânticos, mas que foram adaptadas para melhor cumprir os objetivos da pesquisa em tela, foram então, consideradas 121 questões, aplicadas a 20 informantes, quatro de cada ponto de inquérito; nas comunidades de Aramirã, Pairakae, CTA, Mariry, Kurani’yty, com perfil estratificado de acordo com sexo, idade e escolaridade; o primeiro grupo é composto de um homem e uma mulher, na faixa etária de 18 a 30 anos, não alfabetizados ou alfabetizados até a 8ªsérie do ensino fundamental; o segundo grupo, também composto por um homem e uma mulher, na faixa etária de 40 a 70 anos, não alfabetizados ou alfabetizados até a 8ªsérie do ensino fundamental. Com base na análise dos resultados, constatou-se que apesar da produtividade de língua portuguesa ser frequente pelos homens mais idosos, notou-se que existe um baixo processo de aprendizagem do português pelos falantes de primeira faixa etária (MA) e (FA), isso se deve ao fato de que eles ainda preservam a língua materna, pois percebeu-se que existe um índice elevado de sem respostas (SR).Dissertação Acesso aberto (Open Access) A mercantilização da educação: análise discursiva de anúncios publicitários de faculdades e/ou universidades privadas que atuam na Amazônia brasileira(Universidade Federal do Pará, 2018-09-06) SILVA, Jairo da Silva e; PESSOA, Fátima Cristina da Costa; http://lattes.cnpq.br/4011084861970140Este trabalho se propõe a analisar o processo discursivo de transformação da educação em produto de consumo, enunciado na mídia – mais especificamente – em anúncios publicitários de faculdades e/ou universidades privadas que atuam na Amazônia brasileira, sob a perspectiva teórico-metodológica da Análise do Discurso de linha francesa. Refletimos acerca de os efeitos de sentidos produzidos nos anúncios publicitários destas instituições privadas de ensino superior, pontuando os lugares em que se posicionam os sujeitos que enunciam estes dizeres, perpassando tanto pelas condições de produções destes enunciados, quanto pelos movimentos de rede de memórias (discursiva e imagética) e formações discursivas que agenciam os dizeres sobre a educação superior. Adotamos a hipótese de que a educação superior privada é concebida como mais um produto a ser consumido segundo as dinâmicas da agenda neoliberal instalada no país e que, a serviço deste complexo processo, estão os anúncios publicitários, pautados na ordem das práticas discursivas. As análises foram realizadas conforme as estratégias persuasivas materializadas em cada peça publicitária, dividindo-as em 04 blocos, onde identificamos diferentes sentidos sobre a educação superior privada. No primeiro bloco, os movimentos de interdiscursividade sugerem que o acesso ao ensino superior é pensado para determinados públicos, caracterizando-se, assim, um discurso de segregação na educação superior. No segundo bloco, os enunciados que compõem os anúncios acionam um cliente-aluno caracterizado pela necessidade de obter conquistas, se destacar socialmente e obter sucesso no mercado de trabalho. No terceiro bloco, a presença de celebridades em anúncios que vendem educação significa igualar a oferta da educação superior à oferta de qualquer outro produto mercadológico. No quarto bloco, ora discursiviza-se a educação superior conforme o gênero, ora reproduz-se a beleza feminina como essencial e fundamental para a materialidade publicitária. Assim, esta pesquisa justifica-se pelo fato de favorecer a compreensão das regularidades nos enunciados adotados por instituições particulares atuantes na referida região, possibilitadas pelas determinações histórico-sociais e ideológicas, bem como as influências do mercado no processo de mercantilização da educação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Necropolítica linguística: silenciamento e resistência da língua Tenetehara nas aldeias do Guamá(Universidade Federal do Pará, 2018-06-18) OLIVEIRA, Cristiane Helena Silva de; NEVES, Ivânia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/2648132192179863Neste trabalho trazemos o conceito de Necropolítica do camaronês Achille Mbembe tangenciado para a linguística a fim de evidenciar silenciamentos linguísticos ocorridos com as sociedades indígenas brasileiras, mais especificamente os ocorridos com a sociedade indígena Tenetehara. Assim sendo, para nortear esta pesquisa trabalhamos com o objetivo de promover uma análise discursiva acerca das práticas de silenciamento linguístico vivenciadas pelos indígenas Tembé-Tenetehara. Este trabalho está dividido em três capítulos, no primeiro, buscamos apresentar as sujeitas e sujeitos da pesquisa e suas relações com sua língua e cultura, através de uma série de observações e memórias das pesquisas de campo realizadas desde 2015 e de autores como Geertz (2008), cujas reflexões sobre etnografia nos ajudam a fazer pesquisa de campo. Também tomamos como referência Galvão; Wagley (1961), Meira (2017), Gomes (2002), Neves; Cardoso (2015) e Valente (2017) que dedicaram suas pesquisas ao estudo das sociedades indígenas. No segundo, trouxemos algumas teorias da linguística e do discurso para discutir o poder que a língua pode exercer em uma comunidade, sociedade, povo ou população, a partir de Foucault (1996; 2008), Bagno (2007), Scherre (2005), Savedra; Lagares (2012) e Oliveira (2001). Com Fabian (2013) e Neves (2018) propusemos uma discussão sobre a noção de tempo ocidental e tempo cosmológico, a partir do cotejamento das narrativas de origem das línguas nas perspectivas do povo Makurap (Silva, 2003) e da Bíblia. A segunda divisão teórica trata especificamente das sociedades indígenas e de como os Tenetehara foram silenciados nas Aldeias do Guamá, para estas análises, nos fundamentamos em Neves; Carvalho (2014) e Mignolo (2008) e procuramos discutir o conceito de colonialismo. Barreto (1998) e Fiorin (2000) ilustram como a língua indígena tupi era vista dentro da literatura brasileira. Para finalizar, colocamos em discussão as formulações de Biopolítica propostas por Foucault (1988; 1996; 2000) e retomadas por Mbembe (2016), que analisam o poder do soberano, aniquilação dos corpos e Necropolítica. E, por fim, e como não deveria faltar, as vozes indígenas são representadas pelos próprios indígenas Krenac (1999), Smith (2016) e Tembé (2017). Os achados iniciais apontam que trazer o conceito de Necropolítica para uma discussão linguística é extremamente desafiador.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Onomástica em ParkatêJê: um estudo morfossintático e semântico sobre os nomes próprios(Universidade Federal do Pará, 2017-02-23) LOPES, Tereza Tayná Coutinho; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091Este trabalho tem por objetivo apresentar questões linguísticas e culturais relacionadas ao sistema onomástico do povo Parkatêjê, também conhecido na literatura especializada como Gavião do Pará. Atualmente, o referido povo vive em aldeias na Reserva Indígena Mãe Maria (RIMM), às proximidades do município de Marabá. A língua Parkatêjê, denominada do mesmo modo que sua comunidade, filia-se ao Complexo Dialetal Timbira, tronco linguístico Macro-Jê e, tal como é comum aos povos Timbira, exibe elaborados sistemas de nominação. O estudo dos nomes próprios de diferentes tipologias é o interesse central da disciplina denominada Onomástica, sendo a antroponímia, isto é, o estudo dos nomes próprios de pessoa, a área da Onomástica em foco neste trabalho. Inicialmente, após algumas considerações gerais a respeito do povo Parkatêjê, realizou-se um levantamento sobre o estado da arte do campo de estudo da onomástica, a partir das perspectivas de autores como Dick (1996; 1997; 1999; 2000; 2001), Lyons (1977), Ullmann (1964), Seabra (2006), Carvalhinhos (2007), entre outros. Em seguida, apresentou-se uma visão geral a respeito do sistema de nominação de línguas Timbira, com base principalmente em Coelho de Souza (2002), Nimuendajú (1946), Melatti (1938), Arnaud (1964) e Carneiro da Cunha (1986). Por fim, foram apresentados diversos aspectos morfossintáticos e semânticos verificados em nomes próprios da língua Parkatêjê. No que diz respeito às características morfossintáticas os trabalhos de Aráujo (1989), Ferreira (2003), Booij (2007) e Diniz (2010) foram os principais aportes teóricos, enquanto em relação às questões semânticas foram utilizados pressupostos da Semântica Cultural e da Semântica Cognitiva para empreender as análises realizadas que são inéditas na presente dissertação. A metodologia utilizada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica, além de pesquisa etnográfica com coleta de dados realizada na comunidade da língua em estudo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Para a língua voltar: o papel da política e cultura linguística no processo de fortalecimento da Língua Apurinã (Aruák)(Universidade Federal do Pará, 2018-08-31) BARROS, Jeanne Barros de; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231Esta pesquisa tem o objetivo de fazer um levantamento da situação atual de ensino na língua Apurinã (Aruák) e analisar e descrever aspectos da política e cultura linguística Apurinã em seu processo de fortalecimento. Há quase 30 anos a língua Apurinã vem sendo documentada e descrita, desses trabalhos foi possível iniciar ações para o fortalecimento da língua nas comunidades. Tais iniciativas envolveram a produção de materiais didáticos produzidos em coautoria com falantes da língua Apurinã. O presente trabalho tem os professores indígenas Apurinã como principais participantes. Busca atualizar informações acerca do ensino da língua no contexto escolar, uma vez que a escola e a escrita na língua são consideradas, pelos professores e representantes das comunidades indígenas Apurinã, instrumentos importantes no processo de fortalecimento e manutenção linguística. Investigamos, também, no contexto escolar, aspectos da política linguística (usos e escolhas linguísticas) e da cultura linguística (ideologias e crenças) determinantes ao processo de fortalecimento linguístico por estarem associadas a concepções e atitudes em relação aos processos de mudança linguística, manutenção e ensino ou não ensino de línguas. Os procedimentos metodológicos utilizados compreendem o levantamento bibliográfico sobre estudos da Política Linguística e da Cultura Linguística e suas relações com o fortalecimento linguístico. Consideramos ainda estudos a respeito das Políticas Linguísticas voltadas aos povos indígenas brasileiros, assim como os sentidos e representações da escrita nos processos de escolarização indígena, e, finalmente, análise dos dados coletados em viagem de campo nos meses de março e setembro de 2017. Este trabalho reúne, portanto, informações relativas às iniciativas de fortalecimento da língua em contexto escolar, reflexões sobre as escolhas linguísticas e ideológicas do povo Apurinã e como tudo isso pode beneficiar as iniciativas de fortalecimento e manutenção da língua Apurinã reivindicadas por seu povo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Processos de formação de sinais: um estudo sobre derivação e incorporação nominal na Língua Brasileira de Sinais(Universidade Federal do Pará, 2019-03-29) ABREU, Walber Gonçalves de; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091Os estudos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) começaram a se desenvolver a partir das pesquisas pioneiras de Ferreira-Brito (1995), mas, ainda hoje, apesar do desenvolvimento social e de uma popularização da Libras, percebemos uma escassez de pesquisas descritivas dessa língua. Nesse sentido, a presente dissertação tem o objetivo de descrever aspectos morfológicos de formação de sinais a partir dos processos de derivação e de incorporação nominal (IN) na Libras. Nas línguas sinalizadas, a derivação tem sido atestada por diversos pesquisadores. Nessas línguas, ocorre a alteração da raiz pela adição de, pelo menos, um parâmetro ao sinal primitivo (QUADROS; KARNOPP, 2004; JOHNSTON, 2006; FELIPE, 2006; XAVIER; NEVES, 2016; PFAU, 2016). Esse parâmetro pode ser entendido como um morfema gramatical (livre ou preso) que é adicionado de forma simultânea ou sequencial à raiz. A IN é entendida como a associação do verbo e de seu argumento dentro da estrutura sintática (MITHUN, 1984; ROSEN, 1989; MEIR, 1999; FERREIRA, 2013). O resultado de ambos os processos é a criação de um novo sinal. Nesse viés, para a realização da pesquisa, elencamos três formas de coleta de dados. Para o processo de derivação, coletamos os sinais do material da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias da videoprova em Libras do ENEM 2017, o que perfaz um total de 45 vídeos. Esses sinais foram descritos e distribuídos em tabelas descritivas por tipo de derivação. Quanto ao processo de IN, coletamos sinais do Dicionário da Língua de Sinais do Brasil (CAPOVILLA et al., 2017) e de vídeos de sinalização de pessoa surdas, esses coletados de forma elicitada. Por fim, todos os sinais foram analisados qualitativamente. Os resultados demonstram dois casos de derivação na Libras: (i) derivação infixal, marcada pelo parâmetro movimento (MOV) (derivação direcional do MOV, derivação da dinâmica do MOV e reduplicação do MOV) e pela produtividade do morfema-base TEXTO e (ii) derivação sufixal, estabelecida por meio dos marcadores de negação – PRONAÇÃO-DO-ANTEBRAÇO, além de dois marcadores afixais possivelmente em processo de gramaticalização, marcador - ZERO e marcador agentivo. Na IN descrevemos dois grupos de verbos que incorporam seus argumentos, são eles: verbos manuais e verbos simples. Concluímos que ambos os grupos de verbos apresentam as IN composta e classificatória. Constatamos nos verbos manuais, casos de dupla incorporação, no qual tanto objeto quanto adjunto foram incorporados pelo verbo. Finalmente, concluímos que: (i) os processos de derivação e de IN são produtivos na Libras; (ii) os infixos são mais recorrentes na formação de novos itens lexicais da Libras e (iii) os verbos da Libras apresentam uma tendência em incorporar argumentos que ocupam a função de adjunto da sentença, ou seja, instrumentos de uso habitual.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Proposta de material didático para a língua Sakurabiat(Universidade Federal do Pará, 2020-03-12) COSTA, Carla Daniele Nascimento da; GALUCIO, Ana Vilacy Moreira; http://lattes.cnpq.br/3697197245602067; https://orcid.org/0000-0003-0168-1904Falada atualmente por cerca de 12 pessoas, no estado brasileiro de Rondônia, Sakurabiat é uma língua ameaçada de extinção que compõe o ramo Tupari, família Tupi. Em um contexto de ensino formal de língua, Sakurabiat possui os status de segunda língua e língua de herança na comunidade. Por essa razão, a formação adequada e continuada dos professores indígenas é uma etapa fundamental no processo de ensino e resgate da língua e cultura tradicionais, pois é a partir da tomada de decisões bem informadas que a comunidade Sakurabiat poderá alcançar seus objetivos linguísticos. A produção e publicação sistemática de materiais específicos às demandas dos povos autóctones é um dos princípios da educação escolar indígena no Brasil. No entanto, muitas escolas carecem de tais recursos. Partindo desse cenário, este trabalho tem o objetivo de descrever e analisar o processo de elaboração de um material didático para a língua Sakurabiat. Fundamentada nos pressupostos teóricos das políticas brasileiras de ensino de línguas (BRASIL, 1988, 1996, 1998), bem como nas teorias de aprendizagem linguística e nos métodos e abordagem de ensino de línguas, incluindo a alfabetização em línguas minorizadas (BAKER, 2001; PAIVA, 2014; RICHARDS; RODGERS, 2001), a presente pesquisa é orientada pela abordagem qualitativa de análise de dados e pelos princípios metodológicos da pesquisa bibliográfica, do estudo de caso, da etnografia e da pesquisa-ação. Os procedimentos metodológicos incluíram trabalho de campo para coleta de dados através de entrevistas, observações in loco e elicitações. Foram realizadas duas viagens de campo dirigidas a públicos diferentes. A primeira viagem foi direcionada às demandas educacionais dos professores Sakurabiat. Já a segunda viagem focalizou os objetivos de aprendizagem da língua indígena expressos por pais de alunos da escola Aipere e membros da comunidade em geral. Os dados coletados revelaram que os Sakurabiat anseiam por um material que os auxilie no processo de resgate da língua e cultura do povo. Dessa maneira, a pesquisa evidencia a necessidade de utilização de diferentes teorias de aprendizagem, assim como de métodos e abordagem de ensino de línguas para atender às especificidades e demandas do contexto Sakurabiat. A expectativa é a de que o material analisado nesta pesquisa funcione como uma ferramenta no processo de resgate da língua e cultura indígena. Para isso, os membros da comunidade precisarão transpor as fronteiras da escola e levar a língua e cultura Sakurabiat a diferentes espaços de uso.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A prosódia da sequência númerica dos documentos oficiais de CPF e RENACH dos falantes do município de Belém(Universidade Federal do Pará, 2019-05-17) MARQUES, Juliana de Amorim; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577Já fora comprovado em várias línguas naturais, inclusive no Português Brasileiro (PB), que há uma forma padronizada de agrupar os números nominais. Logo, essa pesquisa, que realiza uma investigação acústica e perceptual do nível prosódico da língua, preocupou-se em verificar se há variação dialetal em relação a esse agrupamento no PB, replicando a mesma investigação feita por Musiliyu (2014) e Almeida (2017) na variedade nordestina para, posteriormente, comparar os tais resultados com os obtidos na variedade de Belém. Foram analisados os agrupamentos contidos nos documentos oficiais, especificamente, o Registro Nacional de Condutores Habilitados (RENACH) e Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). O corpus compreende 40 números de documentos, sendo 20 de CPF e 20 de RENACH. Nesta dissertação são apresentados os resultados advindos da análise dos dados de 100 participantes estratificados em faixa etária: 18-30 (faixa etária I) e maior de 30 anos de idade (faixa etária II) e; sexo (50 mulheres e 50 homens). As hipóteses de investigação para essa pesquisa foram: 1) se os dados oriundos de Belém corroboram o padrão identificado por Musiliyu (2014) e Almeida (2017) a partir dos dados de Maceió e Recife, respectivamente; 2) se há variação dialetal no padrão prosódico de agrupamentos numéricos no PB; 3) se há variação dialetal referente à faixa etária e sexo. Metodologicamente, durante a coleta de dados, os números foram apresentados aos participantes da pesquisa aleatoriamente com a utilização de um slide show com intervalo de 7 segundos. Cada locutor produziu 6 vezes cada sequência numérica para selecionarmos as 3 melhores repetições de cada dado (CRUZ et all, 2012), gerando um corpus para análise de 12000 sequências numéricas (40 números de documentos x 100 informante x 3 melhores repetições). Aplicam-se aqui os procedimentos adotados por Musiliyu (2014) e Almeida (2017), que são: a) isolamento das repetições em arquivos individuais; b) segmentação no programa Praat; d) identificação das categorizações numéricas e decimais; e) teste de concordância, utilizando o coeficiente Kappa Fleiss e f) identificação das distribuições entoacionais, por meio da aplicação dos scripts scripts MOMEL/INTSINT (HIRST,2007) e ProsodyPro (XU,2012) for software Praat versão 5.3.53 (BOERSMA; WEENINK,2013). O trabalho realiza uma análise comparativa dos resultados obtidos com os de Almeida (2017) e conclui que existe um padrão prosódico em relação aos agrupamentos dos números nominais de CPF nas variações estudadas, tanto em referência às estratégias de distribuições numéricas e decimais quanto à descrição do contorno entoacional de cada unidade prosódica, o que comprova a primeira hipótese dessa pesquisa. Sendo 3-3-3-2, UUU(1)-UUU(2)-UUU(3)-UU(4) e MUDU(1), MUDU(2), MUDU(3), MUB/D(4), respectivamente. Comportamento notado igualmente para os números de RENACH. Quanto à segunda hipótese, que trata da variação dialetal do padrão prosódico de agrupamentos numéricos no PB, não se confirma, visto que não se verificou mudanças entre as variedades estudadas. Da mesma forma, como não houve variação dialetal referente à faixa etária e sexo.
