Teses em Zoologia (Doutorado) - PPGZOOL/ICB
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/3419
O Doutorado Acadêmico foi criado em 1999 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZOOL) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) foi consolidado como um convênio entre Universidade Federal do Pará (UFPA) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).
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Tese Acesso aberto (Open Access) Abelhas das orquídeas (Apidae: Euglossini) e as plantações de palma de óleo (Elaeis guineensis Jacq.) na Amazônia Oriental: mudanças na composição de espécies, tamanho corporal e diversidade funcional(Universidade Federal do Pará, 2018-08-02) BRITO, Thaline de Freitas; MAUÉS, Márcia Motta; http://lattes.cnpq.br/0976385386657517; CONTRERA, Felipe Andrés León; http://lattes.cnpq.br/0888006271965925Neste trabalho, foi avaliado o papel das reservas legais (RL) e das áreas de preservação permanente (APP) na manutenção das espécies de abelhas das orquídeas, e testada a influência de parâmetros abióticos e estruturais do hábitat sobre a diversidade taxonômica e funcional desse grupo. Além disso, foi investigada a ocorrência de variações fenotípicas (tamanho corporal e de asas e assimetria flutuante) como resposta ao estresse ambiental provocado por plantações de palma de óleo. Os machos de abelhas das orquídeas foram coletados em nove áreas (3 RL, 3 APP e 3 plantios de palma de óleo) no município de Tailândia, sudeste do estado do Pará. Em cada área foram instaladas seis estações de coleta separadas 500 m entre si, contendo seis armadilhas odoríferas; totalizando 36 armadilhas por área e 108 por tipo de hábitat. Foram comparadas as diferenças na abundância e riqueza observadas usando uma ANOVA One-Way, os padrões de composição de espécies foram avaliados através de uma PCoA, e também por uma análise de indicador de espécies. Uma RDA parcial foi aplicada para avaliar a influência de atributos do hábitat, do espaço e do tipo de hábitat sobre parâmetros taxonômicos e funcionais das abelhas. Adicionalmente, foram comparadas as variações de tamanho corporal e de asas dos indivíduos em função do tipo de hábitat. Os resultados deste trabalho indicam que os plantios de palma de óleo são caracterizados pela presença de poucos indivíduos e espécies, baixa diversidade funcional e por abelhas de maior tamanho corporal. Apesar disso, foram registradas quatro espécies associadas às RL, que podem ser indicadores úteis de comunidades de abelhas de orquídeas da floresta Amazônica. A estrutura do hábitat não foi um bom preditor da composição funcional e taxonômica, e não foram detectados níveis de assimetria flutuante, mas as abelhas dos plantios apresentaram asas maiores comparadas com as das áreas de floresta. Esta pesquisa destaca que as APPs desempenham um papel importante na manutenção da composição taxonômica e funcional das abelhas das orquídeas, o que poderia reforçar o fato de que as abelhas utilizam essas áreas como corredores de deslocamento em uma matriz formada por plantação de palma de óleo. Assim, tanto as RLs quanto as PPAs cumprem seu propósito de proteger a biodiversidade das abelhas das orquídeas.Tese Acesso aberto (Open Access) Análise cladística e revisão do subgênero nominal de Edessa (Heteroptera: Pentatomidae: Edessinae)(Universidade Federal do Pará, 2017-01-23) SILVA, Valéria Juliete da; FERNANDES, José Antônio Marin; http://lattes.cnpq.br/6743352818723245Pentatomidae é a quarta família mais numerosa e diversa da subordem Heteroptera. Dentre as nove subfamílias que compõem Pentatomidae, Edessinae é uma das maiores, com mais de 300 espécies descritas. Edessinae, subfamília Neotropical, é composta por nove gêneros: Edessa Fabricius, 1803, Brachystethus Laporte, 1832, Ascra Say, 1832, Peromatus Amyot & Serville, 1843, Olbia Stål, 1862, Pantochlora Stål, 1870, Doesburgedessa Fernandes, 2010, Paraedessa Silva & Fernandes, 2013 e Grammedessa Correia & Fernandes, 2016, gêneros com diagnoses bem definidas com exceção de Edessa, o qual é considerado como um depósito de espécies para a subfamília. Edessa concentra a grande maioria dos problemas taxonômicos e nomenclaturais de Edessinae, pois historicamente existe uma grande confusão entre os limites do gênero e da própria subfamília. Como forma de resolver o problema foi proposta a revisão de Edessa a partir de grupos de espécies e revisão dos subgêneros. Edessa é formado por cinco subgêneros: Aceratodes Amyot & Serville, 1843, Dorypleura Amyot & Serville, 1843, Pygoda Amyot & Serville, 1843, Hypoxys Amyot & Serville, 1843 e o subgênero nominal. Entre os subgêneros apenas o nominal não foi revisado. Como Edessa (Edessa) é um táxon “vazio”, composto apenas pela espécie-tipo do gênero, foi utilizada a caracterização dos grupos de espécies delimitados por Stål (1872) como ponto de partida para a delimitação deste subgênero. Durante a fase de levantamento bibliográfico foi encontrado um erro na tipificação do gênero Edessa, então aqui alteramos a espécie-tipo de E. cervus (Fabricius, 1787) para E. antilope (Fabricius, 1798). Como forma de reconhecer e delimitar o subgênero Edessa e criar hipóteses de relacionamento entre as espécies estudadas foi realizada uma análise cladística. Nesta análise foram incluídas as espécies consideradas por Stål (loc. cit.) como parte do grupo de espécies Edessa, bem como espécies que possuem as características citadas por Stål como diagnósticas para este grupo. A matriz de dados é composta por 111 caracteres morfológicos e 85 táxons, sendo 13 pertencentes ao grupo externo e 72 ao grupo interno. Na análise foram realizados dois esquemas de ponderação: com pesagem igual e implícita dos caracteres com o K variando de 3–12, e dois tipos de busca: tradicional e de novas tecnologias. O cladograma obtido com K=8 e busca tradicional apresenta 763 passos, IC: 19 e IR: 60. Com base no cladograma reconhecemos o subgênero Edessa composto por 10 espécies já conhecidas para a ciência: E. antilope, E. cervus, E. taurina Stål, 1862, E. ibex Breddin, 1903, E. arabs (Linnaues, 1758), E. cylindricornis Stål, 1872, E. rondoniensis Fernandes & van Doesburg, 2000, E. burmeisteri Fernandes & van Doesburg, 2000, E. cerastes Breddin, 1905 e E. elaphus Breddin, 1905, e seis espécies novas morfotipadas como: E. sp. nov. “near flavinernis”, E. sp. nov. “close flavinernis”, E. sp. nov. “near 112”, E. sp. nov. “close 112”, E. sp. nov. “40” e E. sp. nov. “131”. O subgênero Edessa é diagnosticado pela coloração predominantemente verde na superfície dorsal; ângulo umeral no mínimo duas vezes mais longo que largo, ápice do ângulo umeral preto curvado posteriormente, podendo ser inteiro ou bífido; embólio de coloração contrastante ao cório, cório com pelo menos uma veia amarela; bordo dorsal do pigóforo estreito e contínuo com a base do ângulo posterolateral. Além da delimitação do subgênero a análise cladística mostrou a monofilia de Edessinae e a polifilia de Edessa em sua atual composição. A mudança do status taxonômico para gênero de Aceratodes, Dorypleura, Pygoda e Hypoxys é corroborada. Peromatus apareceu como um ramo interno na análise, resultado que reforça a necessidade de uma revisão do gênero. Além do reconhecimento do subgênero Edessa, foram reconhecidos e descritos 13 novos grupos de espécies para Edessa. Foram redescritas espécies já conhecidas para a Ciência e descritas espécies novas para o gênero. Problemas nomenclaturais foram identificados e resolvidos, com 11 sinonímias propostas e uma revalidação de taxon anteriormente em sinonímia, lectótipos foram designados e uma chave de identificação para as espécies é apresentada.Tese Acesso aberto (Open Access) Avaliação dos efeitos da plantação de palmas (Elaeis guineensis) na conservação de anuros na Amazônia oriental(Universidade Federal do Pará, 2017-06-30) CORREA, Fabricio Simões; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; COSTA, Maria Cristina dos Santos; http://lattes.cnpq.br/1580962389416378Esta tese analisou os efeitos do cultivo de palmas de dendê (Elaeis guineensis) sobre a diversidade taxonômica e funcional de anuros na Amazônia oriental, além de como o grupo responde às variações ambientais nas áreas de cultivo e de florestas ao redor. Fizemos amostragens durante o mês de abril de 2012, 2015 e 2016, usando o método de parcelas de 2100 m² por procura ativa visual e acústica. Durante as coletas de 2016 também foram medidas variáveis microclimáticas (temperatura e umidade do ar) e estruturais do hábitat (profundidade e largura da poça, altura de serrapilheira, abertura de dossel e densidade de árvores) nas áreas de floresta e de plantação de dendê. Observamos maior riqueza e diversidade funcional nas florestas, com diferença na composição de espécies e distribuição dos caracteres funcionais entre esses dois ambientes. Nas plantações de palma de dendê, largura e profundidade do corpo d’água afetaram positivamente a riqueza e abundância total de anuros, respectivamente, enquanto que profundidade do corpo d’água e temperatura diurna tiveram influência na composição de espécies. Nas áreas de floresta, somente a abundância total de anuros foi afetada positivamente pela temperatura diurna e umidade noturna, enquanto que nenhuma variável ambiental afetou a composição de anuros nesse ambiente. Nossos resultados deixam claro que a conversão de hábitats florestais para monoculturas de palma de dendê afeta negativamente a diversidade de anuros tanto no nível taxonômico quanto funcional, tornando cada vez mais necessária a manutenção de florestas ao redor das monoculturas como forma de amenizar seus impactos.Tese Acesso aberto (Open Access) Avaliação dos efeitos de monocultura de palma de dendê na estrutura do habitat e na diversidade de peixes de riachos amazônicos(Universidade Federal do Pará, 2018-03-30) RUFFEIL, Tiago Octavio Begot; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099O cultivo de palma de dendê na Amazônia vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, alterando as características naturais da paisagem e constituindo uma possível ameaça à biodiversidade. As alterações provocadas se estendem aos ecossistemas aquáticos, que por serem altamente relacionados com a vegetação adjacente, também sofrem os impactos decorrentes dessa prática agrícola, como alterações na estrutura do habitat físico, afetando a distribuição das espécies e os processos ecossistêmicos. Com isso, estudos que avaliam o impacto dessa monocultura na Amazônia são fundamentais para subsidiar estratégias mais eficientes para a redução dos impactos e a manutenção da biodiversidade. Sendo assim, esta tese busca responder as seguintes perguntas: 1) Quais as diferenças entre riachos que drenam plantações de palma de dendê e fragmentos florestais quanto às estruturas do hábitat e das assembleias de peixes? 2) Quais os efeitos da substituição da floresta na paisagem por palma de dendê na estrutura física do habitat, bem como na diversidade taxonômica de peixes de riachos neotropicais? 3) Como os padrões de diversidade, taxonômica e funcional, das assembleias de peixes de riachos amazônicos respondem às alterações ambientais, do habitat físico e da paisagem, provocadas pela monocultura de palma de dendê? Para responder a essas questões foram amostrados e analisados 39 riachos na Amazônia Oriental. Para a caracterização do habitat físico de riachos foi aplicado um extenso protocolo da avaliação, gerando 238 variáveis ambientais do habitat, além da utilização de características da paisagem baseadas na porcentagem de usos de solo adjacente aos riachos. Para a coleta dos peixes utilizou-se rede de mão pelo período de seis horas em cada riacho. Foram tomadas medidas morfológicas e informações ecológicas das espécies coletadas para posterior cálculo dos atributos funcionais referentes ao terceiro capítulo. Com os resultados obtidos, verificou-se que as monoculturas de palma de dendê afetam a estrutura do habitat físico de riachos, modificando principalmente a morfologia do canal, a estrutura do substrato e a oferta de micro-habitat, como presença de madeiras e raízes. Consequentemente, a distribuição das espécies de peixes foi afetada, resultando em mudanças na estrutura das assembleias de peixes. Por outro lado, não foram registradas alterações na estrutura funcional dessas assembleias. Em resumo, estes resultados auxiliam a idenficar alguns problemas ocasionados pela expansão da palma de dendê na Amazônia, gerando conhecimento necessário para uma produção mais sustentável, minimizando os impactos ambientais e, consequentemente, protegendo a biodiversidade.Tese Acesso aberto (Open Access) As aves do estado do Maranhão: atualização do conhecimento e conservação em uma região de ecótono entre a floresta Amazônica e Cerrado(Universidade Federal do Pará, 2018-09-12) CARVALHO, Dorinny Lisboa de; SILVA, Daniel de Paiva; http://lattes.cnpq.br/1409353191899248; SANTOS, Marcos Pérsio Dantas; http://lattes.cnpq.br/7941154223198901O estado do Maranhão localiza-se entre o leste da Amazônia e o norte do Cerrado, apresentando uma grande variedade de ambientes em sua área ecotonal. Devido a esta heterogeneidade ambiental, o Maranhão possui uma das mais ricas avifauna do Brasil. Contudo toda esta riqueza também está situada entre as províncias biogeográficas mais ameaçadas do mundo. Com o intuito de contribuir para o conhecimento e conservação da avifauna nesta região, este estudo teve como principais objetivos nos seguintes capítulos: 1) a revisão e atualização da lista de espécies de aves do maranhão, buscando identificar lacunas de amostragem ainda existentes no Estado; 2) testar a efetividade do sistema de Áreas protegidas (APs) e Terras Indígenas (TIs) do Estado na proteção de espécies de aves ameaçadas e endêmicas, utilizando SDMs e; 3) avaliar os potenciais impactos das alterações climáticas na distribuição e conservação de 24 táxons de aves ameaçados que ocorrem no Estado, comparando as distribuições atuais e futuras previstas (2070) com o atual sistema de reservas, buscando identificar áreas potencialmente mais estáveis que podem servir como corredores de dispersão das espécies. No capítulo 1) registramos a ocorrência de espécies de aves, distribuídas em 88 famílias e 30 ordens. Assim, adicionamos 114 espécies novas (95 residentes, 13 migratórias e 6 vagantes) à lista reportada 27 anos para a mesma região. No capítulo 2) observamos que táxons com distribuições mais amplas são potencialmente tão protegidos quanto os táxons com distribuições menores e APs maiores são mais eficientes que APs menores. No entanto, as APs do Cerrado são na sua maioria mal alocadas. Sugerimos seis áreas prioritárias para conservação das aves presentes no Estado e destacamos a importância das TIs na conservação da biodiversidade. No capítulo 3) nossos resultados indicaram que, embora os táxons ameaçados da Amazônia e do Cerrado estejam potencialmente protegidos, em ambos os cenários, presente e futuro, a maioria dos táxons provavelmente apresentará declínios drásticos em suas populações e até mesmo a previsão de extinção global em um futuro próximo. Destacamos a possibilidade de criação de um sistema de corredores de dispersão que interliguem APs nesta região, bem como a implementação de políticas públicas para manutenção e mitigação das áreas adjacentes a esses corredores, visando a conservação da riqueza e diversidade de espécies nessa região.Tese Acesso aberto (Open Access) Diversificação morfológica e molecular em lagartos Dactyloidae sul-americanos(Universidade Federal do Pará, 2015-03-30) D’ANGIOLELLA, Annelise Batista; CARNAVAL, Ana Carolina de Queiroz; http://lattes.cnpq.br/1268469210243345; PIRES, Tereza Cristina Ávila; http://lattes.cnpq.br/1339618330655263A compreensão dos padrões de distribuição da diversidade biológica, tem sido um tema amplamente discutido em estudos ecológicos e biogeográficos nas últimas décadas (Gaston, 2000; Ricklefs, 2004; Diniz-Filho et al., 2009). Nesse contexto, a região neotropical sul-americana destaca-se pela sua alta diversidade, distribuída nos mais diversos biomas (Morrone, 2004; Turchetto-Zolet et al., 2013). Estudos recentes demonstram que as alterações climáticas e geomorfológicas apoiam um cenário de mudanças complexas na paisagem do continente, influenciando na distribuição espacial dos táxons, riqueza de espécies, endemismos, diversidade genética e padrões biogeográficos observados (Nores 2004; Rull, 2008; Antonelli et al, 2009; Carnaval et al, 2009; Hoorn et al, 2010; Thomé et al., 2010; Werneck et al, 2012; Ribas et al 2012; Turchetto-Zolet et al., 2013, Rull, 2011, 2013). A conformação atual da América do Sul foi grandemente influenciada pelo soerguimento dos Andes, processo iniciado há aproximadamente 65 Ma, causando alterações climáticas e hidrográficas no continente (Hoorn et al. 1995; Van der Hammen & Hooghiemstra, 2000). Uma das principais consequências da elevação dos Andes foi a alteração do padrão de drenagem continental, levando à formação da bacia amazônica como a conhecemos atualmente (Hoorn et al 2010). Embora haja discordâncias sobre quando o Rio Amazonas começou a correr para o leste, a partir dos Andes, diferentes dados indicam que este já havia atingido seu fluxo atual a partir do Plioceno inferior (Figueredo et al. 2009; Latrubesse et al. 2010). Ainda que em menor escala, contudo, movimentos tectônicos continuaram a ocorrer na região, produzindo alterações ao menos locais, até o início do Holoceno (Rosseti et al. 2005; Rosseti & Valeriano, 2007).Tese Acesso aberto (Open Access) Ecologia populacional do caranguejo Dissodactylus crinitichelis Moreira, 1901 (Crustacea: Decapoda) e seu hospedeiro Encope emarginata Leske, 1778 (Echinodermata: Clypeasteroidea) no litoral nordestino brasileiro(Universidade Federal do Pará, 2015-08-11) CUNHA , Aislan Galdino da; LEITÃO, Sigrid Neumann; http://lattes.cnpq.br/3909059819593169; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099Esta tese apresenta informações a respeito dos efeitos das variáveis ambientas sobre a ecologia populacional do caranguejo Dissodactylus crinithichelis e seu hospedeiro Encope emarginata e as influências que as bolachas-da-praia exercem sobre a população do caranguejo no litoral nordestino brasileiro. Foram realizadas amostragens biótica e abiótica, ao longo de nove praias que compõem o litoral pernambucano, que faz parte do Atlântico Sul-ocidental. A granulometria foi a variável abiótica com maior influência sobre as duas espécies. As bolacha-da-praia tendem a ocupar, com maior densidade, a costa norte de Pernambuco, sendo as fêmeas adultas a maioria da população. O período de recrutamento foi descrito para agosto e maio. Os indivíduos de bolacha-da-praia apresentaram maior densidade nas classes de comprimento intermediária, com destaque para os comprimentos de 10 à 12 cm. As bolachas-da-praia não apresentaram crescimento polifásico, com alometria negativa. Em relação aos parâmetros populacionais de D. crinitichelis, residindo nas bolachas-da-praia, não foi observado variação ao longo dos meses do ano. Os caranguejos também apresentaram maior densidade nas praias do litoral norte. Houve um domínio de machos nos meses do período de estiagem, enquanto que de fêmeas no período chuvoso. Foi observado recrutamento de indivíduos juvenis ao longo de todo ano, com um pico no mês de maio. A espécie apresentou elevada correlação entre os indivíduos juvenil, imaturo e macho adulto, com crescimento polifásico, com alometria positiva juvenis, imaturos e machos adultos, assim como para as fêmeas adultas, com maior evidenciamento da alometria positiva. Em relação da influência de E. emarginata sobre a população de D. crinitichelis, foi verificado que os caranguejos apresentam habitam com maior intensidade as bolachas-da-praia adultas, em suas classes intermediárias. No entanto, quando essas encontram-se ocupadas, as bolachas-da-praia imaturas podem ser ocupadas pelos caranguejos. Observou-se uma diminuição na densidade dos estágios subsequentes dos caranguejos, independente dos estágio de desenvolvimento da bolacha-da-praia. Foi observado uma maior abundância de caranguejos machos, nas classes de área da bolacha-da-praia. Desta forma, o presente trabalho contribui com informações sobre a biologia populacional de E. emarginata e D.crinitichelis, além de contribuir com papel que uma espécie exerce sobre a outra. Visto que, são espécies bioturbadoras da camada superficial do sedimento marinho, com função de manutenção da trofia nas praias arenosas, tanto para as espécies residentes como para as espécies visitantes. Sendo estas áreas como locais de manutenção das populações circunvizinhas de caranguejo D. crinitichelis como da bolacha-da-praia E. emarginata. E de relevante interesse a ecologia das populações, pesca subsistência da população ribeirinha e lazer da população humana.Tese Acesso aberto (Open Access) Efeitos ecológicos e evolutivos nos padrões de diversidade de aves na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2018-09-20) ALMEIDA, Sara Miranda; SANTOS, Marcos Pérsio Dantas; http://lattes.cnpq.br/7941154223198901Estudos abrangendo diversidade filogenética e funcional têm sido cada vez mais utilizados para explicar os padrões de diversidade e organização de assembleias biológicas, constituindo ferramentas complementares à abordagem tradicional de avaliação de diversidade taxonômica (p.ex. riqueza de espécies). O conhecimento biogeográfico também pode contribuir para o entendimento desses padrões, uma vez que a distribuição geográfica de diferentes taxa depende de processos históricos relacionados à dispersão e à especiação e, dessa forma influenciando a formação dos pools regionais de espécies. Nesta tese avaliamos a influência de processos históricos e de fatores ambientais sobre a diversidade de assembleias de aves amazônicas. Compilamos dados da composição de 80 assembleias de aves, 12 em savanas e 68 em florestas de terra firme, totalizando 878 espécies. No Capítulo 1 avaliamos a diversidade filogenética e funcional de aves Passeriformes considerando dois fatores: a história biogeográfica de cada subordem (Passeri e Tyranni) e o tipo de habitat (floresta e savana). Verificamos a importância dos distintos habitats para a manutenção da diversidade de aves uma vez que, embora as savanas amazônicas apresentem baixa riqueza de espécies quando comparadas às florestas, este habitat possui assembleias com combinações únicas de atributos funcionais e linhagens específicas. Os resultados encontrados nesse capítulo evidenciaram que a maior diversidade funcional de Passeri em ambos os habitats e a maior diversidade filogenética de Tyranni em floresta de terra firme está relacionada à história biogeográfica de cada subordem e de sua adaptação ao tipo de hábitat. No Capítulo 2 testamos a contribuição das regiões biogeográficas da Amazônia (i.e., áreas de endemismo) e de variáveis climáticas para a composição de espécies e para a estrutura filogenética de assembleias de aves do dossel e do sub-bosque. Hipotetizamos que deve haver maior diferença na composição de espécies entre os interflúvios para as assembleias do sub-bosque, que são compostas por espécies com menor capacidade de dispersão, do que para as aves do dossel. Nesse capítulo, encontramos que as assembleias do sub-bosque foram mais influenciadas pelas barreiras biogeográficas do que as do dossel, corroborando nossa hipótese. As variáveis climáticas foram importantes para explicar a diversidade de espécies e para estrutura filogenética de ambos os grupos de aves. Com os resultados gerados nessa tese concluo que a diversidade de aves na Amazônia é resultado de processos relacionados à história biogeográfica, das características ecológicas das espécies e das condições ambientais.Tese Acesso aberto (Open Access) Filogeografia comparada de aves com distribuição trans-amazônica e trans-andina(Universidade Federal do Pará, 2015-05-28) MIRANDA, Leonardo de Sousa; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570As florestas Neotropicais possuem a avifauna mais rica do mundo, com muitos táxons endêmicos; e os padrões de distribuição e variação fenotípica dos organismos nessa região são muito complexos. Muitas hipóteses já foram propostas para tentar explicar os processos de diversificação que resultaram na atual diversidade e nos padrões de endemismo encontrados nessa região. A maior parte dessas hipóteses não havia sido testada devido à dificuldade de falseação das mesmas num contexto filogenético. Contudo, com o acumulo de informações e a disponibilidade de novos métodos analíticos, estão sendo desenvolvidos trabalhos voltados à análise das hipóteses biogeográficas a partir da descrição e dos testes de suas premissas. Estudos de paleoclimatologia e paleoecologia associados a informações da história geológica de uma área produzem cenários que, por sua vez, levam a formulação de hipóteses de diversificação. O contraste destas hipóteses com os padrões de distribuição e relações filogenéticas entre os organismos pode fornecer informações acerca dos eventos de diversificação que influenciaram a origem das espécies atuais. Dessa forma, o principal objetivo desse trabalho é usar dados moleculares de duas espécies de aves com distribuição trans-Amazônica e trans-Andina para contrastar as hipóteses de diversificação, incorporando informações sobre tempos relativos de divergência, áreas ancestrais e meios de diversificação, e realizando inferências sobre quais eventos no passado podem ter influenciado os processos de cladogênese. E finalmente foi avaliado se os padrões espaciais e temporais de divergência entre os filogrupos das espécies estudadas são congruentes para as mesmas barreiras consideradas (por exemplo, principais rios Amazônicos e a cordilheira dos Andes).Tese Acesso aberto (Open Access) Influência de diferentes práticas de uso da terra sobre a fauna de riachos amazônicos(Universidade Federal do Pará, 2019-02-27) SOUSA, Híngara Leão; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099Os distúrbios causados por atividades de uso da terra têm provocado uma série de efeitos negativos sobre a biodiversidade de riachos. Por isso, essa tese foi desenvolvida com o objetivo de contribuir com informações sobre os efeitos dessas atividades na biodiversidade de riachos na Amazônia. A tese está organizada em três capítulos. O primeiro consiste em uma revisão de trabalhos que estudaram os efeitos dos usos da terra sobre a fauna de riachos amazônicos nos últimos 25 anos, a fim de mostrar o cenário da pesquisa científica na região. O segundo capítulo teve como objetivo avaliar os efeitos de três práticas de uso da terra (exploração madeireira manejada, exploração madeireira convencional e pastagem) em assembleias de peixes de riachos, considerando os impactos sobre a estruturação da comunidade e sobre características de nicho das espécies. Por fim, o objetivo do terceito capítulo foi avaliar a singularidade ecológica de assembleias de peixes nessas áreas, a fim de identificar os tipos de uso da terra e as espécies que mais contribuem para a diversidade beta da ictiofauna de riachos na região. Como resultados gerais do primeiro capítulo, foram encontrados 42 artigos na literatura avaliando os efeitos do uso da terra em comunidades de peixes e macroinvertebrados em riachos da Amazônia, principalmente em áreas de exploração madeireira. Recentemente, tem ocorrido um aumento de estudos na região, onde apenas os últimos quatro anos contabilizaram 74% dos registros. Porém, identificamos uma falta de informações sobre o histórico de uso da terra nas áreas estudadas, ausência de estudos utilizando apenas o grupo dos crustáceos como táxon bioindicador e poucos estudos multi-táxon. No segundo capítulo, foi encontrado maior impacto negativo das práticas de exploração madeireira convencional e pastagem sobre a ictiofauna de riachos, e nenhum efeito foi observado em áreas de exploração manejada. Além disso, a pastagem foi o principal uso da terra responsável pela separação de nicho das espécies, sustentando espécies com maior marginalidade e menor amplitude de nicho. Por fim, no terceiro capítulo, a pastagem foi o uso que mais contribuiu para a diversidade beta, principalmente devido à grande variação observada nos níveis de perturbação associados a essa prática. Além disso, espécies especialistas e generalistas de habitat contribuíram para a diversidade beta na área. Concluindo, os resultados dessa tese mostraram que diferentes usos da terra causam efeitos particulares sobre comunidades de riachos e sugerem que diferentes abordagens podem ser úteis na avaliação de impacto ambiental sobre esses ecossistemas.Tese Acesso aberto (Open Access) Influência dos fatores ambientais sobre a estrutura de comunidade de peixes em diferentes ambientes aquáticos na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2024-04) SILVA, Ronaldo Souza da; ORTEGA, Jean Carlo Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/7951329810755189; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0001-5097-9382; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099; https://orcid.org/0000-0001-9370-6747A diversidade de espécies varia no tempo e no espaço como reflexo da disponibilidade de recursos, condições adequadas e interações bióticas que podem localmente excluir espécies do conjunto regional. Compreender o que causa as variações nas espécies ainda se mostra desafiador para os ecólogos, mas já se sabe que variáveis bióticas (interações) e abióticas (condições do ambiente) são fatores importantes para determinar a riqueza e abundância de peixes. Condições ambientais atuam de formas distintas nos diversos ecossistemas aquáticos, levando à estruturação diferenciada da assembleia de peixes associada. Nesse contexto, o objetivo central desta tese foi avaliar como os fatores ambientais locais e regionais influenciam a estrutura da assembleia de peixes em diferentes ecossistemas aquáticos no sudoeste da Amazônia. Para isso, primeiramente foi avaliado como o ambiente afeta a comunidade de peixes em praias de rios. Em seguida, foi analisado como o ambiente e aspectos regionais influenciam a estrutura da comunidade de peixes associados a bancos de macrófitas aquáticas em ambientes de lagos. Por fim, avaliamos como a estrutura da comunidade de peixes em riachos responde a fatores ambientais locais e regionais. Nos ambientes de praia, constatamos que temperatura, oxigênio dissolvido e profundidade foram importantes para determinar a variação na composição de espécies de peixes, sendo a temperatura a única variável que influenciou a riqueza de espécies. Para os peixes dos bancos de macrófitas dos lagos, os resultados indicaram que as variáveis ambientais locais e regionais (espaço e período hidrológico) influenciaram a estrutura das comunidades de peixes. Para a riqueza de espécies, as variáveis foram profundidade do banco de macrófitas, tamanho do banco e espaço. Quanto à composição, os fatores ambientais como a composição de macrófitas, o tamanho do banco, a riqueza de macrófitas e as variáveis regionais como o espaço e o período hidrológico foram relevantes, sendo o período hidrológico foi o maior preditor dessa variação, evidenciando que o pulso de inundação é um forte determinante na estrutura das assembleias de peixes associadas aos bancos de macrófitas em lagos da planície amazônica. Por fim, analisamos a influência dos fatores ambientais locais, regionais (paisagem) e espaciais sobre a estrutura das assembleias de peixes em riachos de terra firme na Amazônia ocidental. A riqueza de espécies foi influenciada pela porcentagem de floresta e pelo componente espacial (identidade das Unidades de Conservação), enquanto a composição de espécies foi influenciada pelas variáveis físicas do habitat e do espaço, indicando que a assembleia de peixes em riachos amazônicos responde a ambientes íntegros e com características de habitat capazes de sustentar a permanência dessas assembleias dentro e entre as bacias hidrográficas.Tese Acesso aberto (Open Access) Padrão de distribuição de Odonata (Insecta) em sistemas aquáticos com exploração de madeira na Amazônia Oriental: seleção de microhabitat e características morfológicas das libélulas(Universidade Federal do Pará, 2017-01-06) CALVÃO , Lenize Batista; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; LOPES, Maria Aparecida; http://lattes.cnpq.br/3377799793942627As comunidades biológicas estão distribuídas de forma espacialmente estruturada nos sistemas aquáticos, de modo que a perda de integridade do hábitat pelas ações antrópicas e as restrições impostas pelas características morfológicas das espécies, contribuem para o padrão existente da metacomunidade no ambiente. Os sistemas hídricos constituem bons modelos para identificar os processos que participam da distribuição local dos organismos. Os tributários desses sistemas, estão dispostos em uma rede dendrítica sob a restrição de múltiplas condições ambientais e são muito sensíveis as modificações que ocorrem na bacia de drenagem. Essas modificações são, principalmente, aquelas resultantes das atividades humanas, que em geral, culminam na perda da biodiversidade residente. Na região amazônica a exploração de madeira tem sido considerada uma das principais atividades que provoca altas taxas de desmatamento. Para reduzir os efeitos drásticos no ambiente, algumas técnicas de manejo florestal, como manejo de Impacto Reduzido (MIR), têm sido implementadas com o intuito de extrair a matéria prima do ambiente natural e promover a conservação das espécies e dos processos necessários ao funcionamento do ecossistema. Por outro lado, a exploração sem controle, conhecida como exploração convencional, altera a morfologia do canal dos ecossistemas aquáticos, reduz a cobertura vegetal e aumenta a entrada de sedimento fino, ocorrendo geralmente a alteração dos parâmetros aceitáveis físicos-químicos-microbiológicos água. Buscando avaliar os efeitos da extração madeireira na biodiversidade aquática, utilizaremos a ordem Odonata como organismo modelo, em virtude da sua sensibilidade às modificações no ambiente aquático, alta diversidade de espécies e serem associadas a diversos tipos de ambientes aquáticos, bem como viver na interface com o ambiente terrestre. O objetivo da tese é avaliar o padrão da distribuição das espécies de Odonata nos sistemas hídricos que se encontram distribuídos em áreas submetidas à exploração de madeira convencional ou de impacto reduzido na região Amazônia Oriental. Para responder a esse objetivo a tese foi dividida em três capítulos, cujos objetivos são: (i) Avaliar se a diversidade de Odonata diminui nas áreas com exploração convencional de madeira, e, identificar quais são as variáveis abióticas que estruturam a composição de Odonata. (ii) Avaliar a intensidade dos fatores ambientais e espaciais na distribuição das espécies de Odonata nos igarapés amostrados e verificar se ocorre um turnover taxonômico de espécies em áreas naturais (íntegras). (iii) Avaliar quais são as estruturas morfológicas da ordem Odonata que estão associadas com o gradiente ambiental nos três tratamentos (referência (REF), manejo de impacto reduzido (MIR) e corte convencional (CC)).Tese Acesso aberto (Open Access) Padrões de diversidade e suas implicações para a conservação de Odonata (Insecta) em igarapés amazônicos(Universidade Federal do Pará, 2018-08-03) BRASIL, Leandro Schllemmer; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029Conhecer os padrões de distribuição de espécies ao longo da paisagem e entender os mecanismos que os geram são perguntas extremamente relevantes, para que possamos avançar no conhecimento ecológico das comunidades biológicas. Essas questões supracitadas são essenciais para o gerenciamento e tomada de decisão sobre a conservação da biodiversidade, das condições ambientais e dos recursos ecossistêmicos. Nesta tese, utilizamos as comunidades de Zygoptera (Insecta: Odonata) de igarapés da Amazônia brasileira para investigarmos seus padrões de diversidade alfa (Capítulo 1), diversidade beta (Capítulo 2), elementos que estruturavam suas metacomunidades (Capítulos 3) e para uma análise de priorização espacial para conservação da ordem estudada na Amazônia (Capítulo 4). Utilizamos preditoras ambientais, biogeográficas e espaciais para investigar os mecanismos estruturantes para a distribuição das comunidades alvos da tese. Analisando a diversidade alfa (Capítulo 1) as hipóteses de heterogeneidade ambiental (clima) e produtividade primária foram mais importantes para os padrões de riqueza de espécies de Zygoptera. Considerando a diversidade beta (Capítulo 2), o turnover foi o componente mais importante para a mudança na composição de espécies ao longo da paisagem, conjuntamente com a distância espacial entre os sítios e a região biogeográfica (áreas de endemismo) foram as preditoras mais importantes para os padrões de diversidade beta de Zygoptera. Analisando os padrões de metacomunidades (Capítulo 3) verificamos que em comunidades de igarapés ambientalmente preservadas o padrão é Clementsiano, mas em comunidades de igarapés ambientalmente alterados o padrão é alterado para aninhamento de comunidades, onde estes igarapés representariam subconjuntos dos locais mais preservados. No quarto capítulo evidenciamos que a distribuição espacial das unidades de conservação da Amazônia não as torna eficiente para conservar o habitat de grandes porções de diversidade beta de Odonata. Uma vez que as áreas prioritárias estão localizadas principalmente na região sul da Amazônia e a maior parte destas áreas já está desmatada, pois estão inseridas dentro do arco do desmatamento, em seguida, considerando apenas áreas florestadas, as áreas prioritárias deslocam-se para a faixa mais central da Amazônia. Apartir daí sugerimos a criação de 2 novas unidades de conservação ou incentivos para atividades de baixo impacto nas regiões mais centrais, prioritárias e ainda florestadas, bem como, o incentivo para a restauração das áreas prioritárias já desmatadas. Uma possibilidade para isso, seria a implementação de programas que pagam por serviços ecossistêmicos, como créditos de carbono provenientes de reflorestamento, e/ou o desenvolvimento de atividades com menor impacto sobre a biodiversidade, como agrosilvicultura. Contribui consideravelmente para diminuir as lacunas wallaceanas e hutchisonianas de Zygoptera na Amazônia brasileira.Tese Acesso aberto (Open Access) Revisão taxonômica e análise cladística do gênero Novamundoniscus Schultz, 1995 (Crustacea: Isopoda: Oniscidea)(Universidade Federal do Pará, 2018-07-02) CARVALHO, Jonathas Teixeira Lisboa; ARAÚJO, Paula Beatriz de; http://lattes.cnpq.br/6693864880223173; BONALDO, Alexandre Bragio; http://lattes.cnpq.br/8721994758453503O táxon Oniscidea (ordem Isopoda) foi criado por Latreille em 1802. A partir de Schmalfuss (1989), o monofiletismo de Oniscidea foi aceito, com base nos caracteres comuns a todos os Oniscidea. A família Dubioniscidae foi instituída por Schultz para incluir os gêneros Dubioniscus, Calycuoniscus e Phalloniscus, anteriormente alocados na família Bathytropidae, além do gênero Novamundoniscus para alocar as espécies das Américas previamente incluídas em Phalloniscus. O presente estudo teve, por objetivo, testar a hipótese de monofiletismo do gênero, estabelecendo relações de parentesco entre seus integrantes, com base em dados morfológicos. Elaborar uma hipótese de relacionamento filogenético entre Novamundoniscus e os demais gêneros de Dubioniscidae. Revisar Novamundoniscus, redescrevendo espécies conhecidas e descrevendo eventuais espécies novas. O trabalho é apresentado em capítulo único, dividido em duas partes (taxonomia e filogenia de Novamundoniscus). Ao todo, 18 espécies de Dubioniscus, Novamundoniscus e Phalloniscus foram analisadas e uma matriz com 73 caracteres foi gerada. A árvore final revelou o monofiletismo de Dubioniscidae, mas a inclusão de terminais adicionais torna-se necessária para confirmar as relações entre as espécies que compõem Novamundoniscus, que se revelou um clado parafilético no presente estudo. Os resultados da analise filogenética aqui apresentada são considerados provisórios, e como tal, as implicações taxonômicas da topologia discutida não foram adotadas na revisão de Novamundoniscus. Contudo, as otimizações dos caracteres nesta topologia fornecem conclusões importantes para o entendimento da história evolutiva dos táxons analisados e a matriz de caracteres proporciona uma base sólida para a continuidade desta linha de pesquisa.Tese Acesso aberto (Open Access) Revisão taxonômica e filogenômica de Saimiri Voigt, 1831 (Primates, Cebidae)(Universidade Federal do Pará, 2019-07) MERCÊS, Michelle Pinto; LYNCH, Jessica Ward; http://lattes.cnpq.br/4735211013363847; SILVA JÚNIOR, José de Sousa e; http://lattes.cnpq.br/4998536658557008Os macacos-de-cheiro (gênero Saimiri Voigt, 1831) são primatas neotropicais de pequeno porte (650- 1200g), amplamente distribuídos na Bacia Amazônica, além de dois taxa que ocorrem na América Central. Existe grande divergência em relação ao número de espécies reconhecidas, podendo variar de 2 a 12 taxa. Recentemente diversos trabalhos foram publicados utilizando DNA mitocondrial visando entender a origem e diversificação de Saimiri, bem como o relacionamento entre as espécies. Entretanto, mesmo após estas publicações a diversidade e o relacionamento intra genérico ainda apresenta divergências, não havendo cogruência entre os dados morfológicos e genéticos. O presente estudo teve como objetivo propor uma hipótese filogenética para Saimiri através de parte do genoma (double digest restriction-site associated DNA sequencing - ddRADseq), assim como revisar taxonomia do genêro e sua distribuição. Esta tese está dividida em três capítulos. No primeiro, “Phylogenomics of Amazon squirrel monkeys (Saimiri; Primates; Cebidae)”, foram analisadas 44 amostras de tecido e seis de sangue para obtenção de uma filogenia molecular de parte do genoma (ddRADseq) através da análise de Máxima Verossimilhança e de uma árvore datada através do BEAST. Verificou-se a estrutura entre as populações estudadas através do STRUCTURE. Recuperou- se a monofilia recíproca entre o grupo Gótico e Romano. Além disso, as árvores recuperaram dez linhagens dentro de Saimiri da Bacia Amazônica, confirmando que a diversificação intra-genérica é recente, tendo ocorrido no Pleistoceno. No segundo capítulo, “How many squirrel monkey (Saimiri Voigt, 1831) species are there? A morphological diagnosis and refined mapping of geographical distribution”, foram analisados 887 espécimes de todas as espécies atualmente reconhecidas, incluindo 18 espécimes tipos. Foi verificada a congruência entre os resultados de análises morfológicas com a filogenia obtida no primeiro capítulo. Os resultados apoiam a existência de dois grupos morfológicos (Romano e Gótico) e o reconhecimento de 13 espécies, sendo uma espécie nova. Para cada uma delas são apresentados sinonímia, material tipo, localidade tipo, diagnose, variação, comparação com outras espécies, distribuição, comentários, status de conservação e material examinado. No terceiro capítulo, “New records of Saimiri collinsi Osgood, 1916 (Cebidae, Primates), with comments on habitat use and conservation”, a distribuição geográfica da espécie Saimiri collinsi, foi ampliada para uma área de transição entre Amazônia e Cerrado, indicando também a necessidade de monitoramento dessas populações devido à intensa ação antrópica na região que reduziu o habitat da espécie na maior parte do Maranhão e no norte do Tocantins.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistema social do macaco-de-cheiro (Saimiri collinsi) em cativeiro(Universidade Federal do Pará, 2015-03-30) MAGALHÃES, Tatyana Pinheiro; LOPES, Maria Aparecida; http://lattes.cnpq.br/3377799793942627A maioria das espécies de primatas vive em grupo. Apesar das vantagens, esse tipo de organização social também pode aumentar a competição intragrupo por recursos. A prioridade no acesso a esses recursos está ligada a hierarquia de dominância. As posições hierárquicas e as relações sociais influenciam na qualidade de vida, por exemplo, alterando os sistemas reprodutivo e imunológico. Este trabalho caracteriza a hierarquia social do macaco-de-cheiro, Saimiri collinsi, em cativeiro e examina a influência de atributos intrínsecos na hierarquia. Descreve as redes de associações intragrupais e relaciona as associações com a hierarquia e comportamento reprodutivo. E descreve o cuidado com a prole (parental e aloparental) e testa a associação entre mães e alomães dentro e fora do período de cuidado com a prole. Os resultados mostraram que a estrutura de dominância de S. collinsi é do tipo hierarquia parcial e que ela sofre influência da idade e o tamanho corporal. As redes de associação são formadas com base nas classes sexuais e não são constituídas por idade, classe etária ou posição hierárquica. As associações parecem ter relação com o poder das fêmeas de resistência às investidas sexuais dos machos. E as alomães incluíram fêmeas com e sem filhotes e a associação entre mães e alomães não foi diferente dentro e fora do período de cuidado com os infantes.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistemática e diversificação dos gêneros Hylopezus e Myrmothera (Aves:Grallariidae)(Universidade Federal do Pará, 2015-03-31) CARNEIRO, Lincoln Silva; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570Os avanços recentes no campo da sistemática de aves, especialmente com a inclusão de caracteres moleculares e vocais, tem levado a uma melhor compreensão dos processos históricos que geraram a diversidade de aves do Neotrópico e a um grande número de rearranjos sistemáticos e taxonômicos (Zink & Blackwell-Rago, 2000; Aleixo, 2002; D’Horta et al., 2008; Zimmer, 2008; Navarro-Sigüenza et al., 2008; Rheindt et al., 2008). Atualmente, existem diversas hipóteses que tentam explicar a diversidade presente e sua distribuição espacial, entre as principais podemos citar: a Hipótese paleogeográfica (Emsley, 1965); o modelo das barreiras ripárias (Wallace, 1852; Gascon et al., 2000); a hipótese dos refúgios (Haffer, 1969; 1997); a hipótese dos rios-refúgios (Ayres, 1992); e a hipótese de perturbação-vicariância (Colinvaux, 1993). Embora essas varias hipóteses biogeográficas tenham sido formuladas, apenas poucos estudos têm testado os padrões filogenéticos dos táxons Neotropicais (Derryberry et al., 2011; Patel et al., 2011; d’Horta et al., 2012; Ribas, et al., 2011; Smith et al., 2013, Bryson et al., 2014). E apesar do grau de complexidade das hipóteses propostas, alguns estudos (Bates et al., 1998; Tobias, et al., 2008; Antonelli, et al., 2010) tem proposto que a história evolutiva da biota neotropical pode ter sido influenciada por um mosaico de diferentes modelos ao longo do tempo, sugerindo um passado ainda mais complexo do que o previsto pelas hipóteses existentes.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistemática molecular e diversificação dos gêneros Nonnula e Monasa (Aves: Bucconidae)(Universidade Federal do Pará, 2016-10) SOARES, Leonardo Moura dos Santos; SANTOS, Marcos Pérsio Dantas; http://lattes.cnpq.br/7941154223198901; https://orcid.org/0000-0001-8819-867XAs florestas Neotropicais compreendem uma das regiões biogeográficas mais ricas em termos de biodiversidade. E a origem da diversidade Neotropical e sua distribuição espacial tem sido abordada em uma perspectiva biogeográfica, assumindo que essa elevada diversidade foi resultado de fatores históricos associados à mudança da paisagem nessa região. Várias hipóteses biogeográficas baseadas, principalmente, em eventos vicariantes foram propostas na tentativa de explicar os padrões geográficos nos quais se organiza a diversidade biológica na região Neotropical. Dentre elas destacamos: o soerguimento dos Andes, refúgios florestais do Pleistoceno, rios como barreiras e incursões marinhas do Mioceno. Dentro desse contexto, utilizamos dois gêneros da Família Bucconidae: Monasa e Nonnula para tentar interpretar esses padrões de diversificação Neotropical. Esta tese teve como objetivos, reconstituir as relações filogeográficas entre os táxons que compõem os gêneros Nonnula e Monasa, a partir de marcadores moleculares nucleares e mitocondriais; datar os eventos cladogenéticos para inferir quais processos históricos foram responsáveis pela diversificação e tentar estimar o efeito de cada um destes processos entre os diferentes táxons que os vivenciaram. Foram sequnciadas 100 amostras distribuidas em 6 espécies do gênero Nonnulo e 166 amostras para as 4 especies reconhecidas para o gênero Monasa. Nossos dados indicam incongruência entre o tratamento taxonômico atual e a história evolutiva de Nonnula. Nossa análise recuperou 19 linhagens recíprocas monofiléticas dentro de Nonnula, revelando a existência de pelo menos 6 espécies biológicas no complexo N. rubecula. Além disso, nossa análise recuperou 10 linhagens recíprocas monofiléticas em N. ruficapilla que apresentaram parafilética com N. amaurocephala. As distribuições dessas linhagens geralmente coincidem com áreas neotropicais conhecidas de endemismo (AE). Já para o gênero Monasa foram delimitadas 12 linhagens bem suportadas estatisticamente, e que a taxonomia tradicional não representa a diversidade de linhagens desse grupo. Com exceção de Monasa atra, todas as espécies mostraram estruturação filogeografica. Foram recuperadas duas linhagens em M. flavirostris, duas linhagens em M. nigrifrons e 7 linhagens em M. morphoeus. Essas linhagens estão delimitadas pelos principais rios amazônicos. M. flavirostris foi a primeira linhagem a se diversificar, seguido por M. morphoeus que é o táxon irmão de M. atra e M. nigrifrons. A diversidade filogenética desses dois gêneros é subestimada pela taxonomia atual, fornecendo um exemplo de como endemismo enigmático amplamente distribuidos pode ser um bom exemplo para se estudar os padrões filogeográficos na região Neotropical, especialmente na Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistemática molecular, biogeografia e taxonomia do gênero Megascops kaup, 1848 (Aves, Strigidae)(Universidade Federal do Pará, 2013-06-28) DANTAS, Sidnei de Melo; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570O gênero Megascops é o maior gênero de corujas (Strigidae) endêmico do Novo Mundo, com cerca de 20 espécies distribuídas do Canadá à Argentina, atingindo o ápice de sua diversidade nos Andes e na América Central. A diagnose dos táxons do gênero é em geral bastante difícil devido a uma grande similaridade morfológica entre a maioria dos mesmos, e ao polimorfismo presente em praticamente todas as populações. Estudos filogenéticos sobre o gênero incluíram poucos táxons e genes, e as relações de parentesco entre as espécies e subespécies de Megascops é muito pouco compreendida. Os táxons florestais amazônicos, M. watsonii watsonii e M.w. usta, separados pelo Rio Amazonas, e a espécie da Mata Atlântica M. atricapilla, por exemplo, são consideradas como proximamente relacionadas, mas estudos anteriores sugeriram que essas espécies são parapátricas em relação umas às outras. Dentro da distribuição de M.w. usta, há variações vocais geograficamente distribuídas, que sugerem a presença de espécies crípticas, e estudos mais aprofundados são necessários para que se compreenda melhor a situação taxonômica desse grupo. No presente trabalho, nós propomos uma filogenia para o gênero Megascops baseada em dados moleculares (Primeiro capítulo), e conduzimos um estudo de biogeografia e taxonomia dos táxons M. watsonii watsonii, M.w. usta e M. atricapilla baseado em dados moleculares, morfológicos e vocais (Segundo capítulo). Os dados moleculares em ambos os capítulos foram obtidos pelo sequenciamento de três genes mitocondriais (citocromo b, ND2 e CO1) e três nucleares (b-fibrinogênio 5, CHD e MUSK) para todas as amostras. Os dados moleculares foram analisados através de análises de Máxima Verossimilhança, Inferência Bayesiana e Árvore de Espécies. Análises de Relógio Molecular e de S-DIVA foram rodadas para inferir o tempo de divergência e as áreas ancestrais para todos os táxons analisados do gênero Megascops. Em todas as análises, Megascops é parafilético se incluirmos no gênero a espécie M. nudipes, que se agrupou próxima ao grupo externo, Otus flammeolus. As demais espécies se separam em três grandes clados: Um composto por M. choliba, M. koepckeae, M. albogularis, M. clarkii e M. trichopsis, um segundo composto por espécies andinas, e um terceiro com as espécies restantes. Muitos dos ramos receberam baixo apoio estatístico nas análises, o que torna a relação entre muitas espécies indeterminada, dentro dos grandes clados. As espécies M. watsonii e M. atricapilla são parafiléticas, e valores de divergência entre populações disjuntas de algumas espécies (M. vermiculatus, M.ingens, M. trichopsis) se aproximam dos de alguns pares de espécies inequívocas, sugerindo uma diversidade dentro do gênero 9 maior do que a atualmente reconhecida. A especiação dentro do gênero (excetuando-se M. nudipes) aconteceu nos últimos oito milhões de anos, e o gênero provavelmente se originou nos Andes, posteriormente colonizando as Américas. Megascops nudipes deve ser retirada do gênero Megascops. Mais estudos são necessários para avaliar a real situação taxonômica das espécies do gênero Megascops, especialmente as que apresentam subespécies, como M. vermiculatus e M. ingens. O soerguimento dos Andes pode ter desempenhado um papel extremamente importante na diversificação do gênero. Para os táxons Megascops watsonii watsonii, M.w. usta e M. atricapilla, foram sequenciados os mesmos genes, para 49 amostras de tecido muscular. Os dados foram analisados através de análises de Máxima Verossimilhança, Inferência Bayesiana, Árvore de Espécies e Relógio Molecular. Foram feitas medições morfométricas em 251 peles, e medidos parâmetros vocais de 85 gravações, cobrindo todas as regiões zoogeográficas habitadas por esses táxons. Os dados morfométricos e vocais foram analisados através de Análises de Função Discriminante, um método de diagnose de pares de espécies através de dados vocais também foi aplicado. Os dados moleculares se dividiram em seis clados bem apoiados, cuja distribuição não está de acordo com a taxonomia atual desse grupo de espécies. Um dos clados está restrito a poucos fragmentos de floresta atlântica muito pequenos e isolados, no leste do Brasil. Se reconhecido como uma espécie válida, quase certamente será o táxon em maior perigo de extinção dentro do gênero Megascops. As análises dos dados morfométricos não detectaram diferenças significativas entre os clados, e a grande variação no padrão de plumagem dentro das populações torna quase impossível fazer generalizações. Porém, alguns morfos tendem a ser mais comuns em algumas populações do que em outras. As análises vocais apontaram diferenças entre alguns dos clados, mas há uma considerável sobreposição entre alguns deles, e há variação vocal dentro de algumas populações, especialmente no clado de maior distribuição. A especiação desse grupo aconteceu durante o Pleistoceno-Plioceno, e os fatores mais importantes a definir a atual distribuição dos clados parecem ser a formação do atual sistema hídrico da Amazônia, uma posterior expansão da distribuição de algumas populações, e a separação da Amazônia e da Mata Atlântica, com uma divisão posterior dessa última pela formação do Rio São Francisco. Recomendamos a redefinição dos táxons M.w. watsonii, M.w. usta e M. atricapilla e o reconhecimento de outras três populações filogenéticas, duas das quais não possuem nome disponível.Tese Acesso aberto (Open Access) Turnover de anuros da Amazônia, perspectivas em multi escalas e habitats(Universidade Federal do Pará, 2015-03-31) BITAR, Youszef Oliveira da Cunha; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; COSTA, Maria Cristina dos Santos; http://lattes.cnpq.br/1580962389416378Entender os processos envolvidos na distribuição espacial das espécies e as razões que levam a dissimilaridades na composição entre locais (turnover) têm sido objeto de diversos estudos em diferentes escalas e hábitats. Neste estudo, investigamos os fatores responsáveis pelo turnover de anfíbios anuros sob três diferentes perspectivas. No primeiro capítulo dessa tese, intitulado “Anuran beta diversity in a mosaic anthropogenic landscape in transitional Amazon”, nós testamos de que forma cinco diferentes ambientes, classificados de acordo com a pressão antrópica, podem estruturar o turnover de anuros. As unidades amostrais para este primeiro capítulo estão localizadas em um ecótono entre os biomas Amazônia e Cerrado, numa região denominada como arco do desflorestamento. Observamos que a conversão de áreas florestadas (matas ciliares) em ambientes mais abertos (monocultura de grãos e seringal) resulta na mudança da composição de espécies original e na diminuição do turnover, algo que podemos chamar de homogeneização da fauna. Porém, a ideia de mudança no turnover ao se comparar ambientes estruturalmente diferentes não é novidade, ainda mais quando apresentam graus de degradação tão distintos como os encontrados na área de estudo. Dessa forma, no segundo capítulo da tese, “Species turnover in Amazonian frogs: Low predictability and large differences among terra firme forests”, buscamos identificar o quanto variações ambientais e espaciais contribuem para a estruturação das comunidades em florestas de terra firme na Amazônia. As unidades amostrais para este segundo capítulo estão localizadas em três unidades de conservação da Amazônia brasileira (Florestas Nacionais do Amapá, Caxiuanã e Tapajós). Detectamos que, embora sejam áreas em teoria similares (terra firme), cada uma das comunidades responde a um conjunto específico de variáveis ambientais. Ao testarmos os fatores estruturando o turnover entre escalas distintas, observamos que tanto a porção explicada pelo ambiente quanto pelo espaço apresentaram maior poder de explicação (r2) em escalas regionais quando comparados com cada uma das localidades (escala local). Outro resultado interessante foi que o componente espacial não apresentou influência significativa sobre a comunidade de Caxiuanã, onde somente 3% do turnover foi explicado por qualquer um dos fatores ambientais medidos. Por último, o terceiro capítulo intitulado “How differences in anuran reproductive modes can affect their turnover: comparing scales and 10 habitat”, aborda como anuros com diferentes atributos reprodutivos respondem a variações ambientais e espaciais, comparando esses processos em florestas de terra firme e várzea. Adicionalmente, avaliamos a probabilidade de ocorrência das espécies mais comuns ao longo dos gradientes ambientais mensurados. As unidades amostrais deste capítulo estão localizadas em três áreas de floresta de terra firme (as mesmas do capítulo 2) e duas áreas de várzea (Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e Amanã). Espécies com oviposição aquática foram predominantes nas áreas de várzea, enquanto houve maior proporção de ovipositores na vegetação em Caxiuanã e mais espécies com reprodução terrestre no Amapá e Tapajós, quando comparadas com as demais áreas. Ao dividir as espécies de acordo com seus modos reprodutivos, padrões mais claros de resposta puderam ser observados. Podemos afirmar ainda que mudanças nas características ambientais aparecem como importantes estruturadoras do turnover em diferentes escalas, enquanto a distância espacial é mais evidente em escalas maiores. Assim, podemos concluir que em áreas impactadas o turnover entre as comunidades diminui pela homogeneização da fauna, em decorrência da conversão de florestas em áreas antropizadas. Por outro lado, observamos também que mesmo em áreas dentro de uma mesma classificação fitofisionomica e sem distúrbios antrópicos, há grandes diferenças nos padrões de partição do turnover, que podem ser atribuídos a conjuntos de fatores ambientais e espaciais específicos de cada área, além de espécies com diferentes atributos reprodutivos.
