Teses em Zoologia (Doutorado) - PPGZOOL/ICB
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/3419
O Doutorado Acadêmico foi criado em 1999 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZOOL) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) foi consolidado como um convênio entre Universidade Federal do Pará (UFPA) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).
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Navegando Teses em Zoologia (Doutorado) - PPGZOOL/ICB por Agência de fomento "CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Determinantes da estrutura de comunidades de insetos aquáticos em riachos na Amazônia: o papel do habitat e da escala especial(Universidade Federal do Pará, 2017-01-30) BATISTA, Gilberto Nicacio; HAMADA, Neusa; http://lattes.cnpq.br/1512994126787334; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029Os ecossistemas aquáticos são ambientes altamente complexos, pois os seus componentes bióticos e abióticos são dependentes da variação na estrutura física e das características limnológicas, que em geral, são fatores que atuam de forma específica em diferentes escalas espaciais e temporais. Assim, considerando essa complexidade dos habitats encontrados em ecossistemas lóticos amazônicos esta tese tem como objetivo geral avaliar quais são os fatores determinantes dos padrões de distribuição das comunidades de insetos aquáticos em riachos e suas relações com a variação ambiental desses ecossistemas e os efeitos da escala geográfica (variação espacial). Para responder a este objetivo a tese foi dividida em quatro capítulos. No primeiro através de uma análise cienciométrica foi realizada uma avaliação em escala mundial do uso de insetos da família Chironomidae (Diptera) em ecossistemas aquáticos e suas respostas como bioindicadores nesses ambientes. Encontramos que as principais questões apresentadas nos estudos foram relacionadas aos impactos antrópicos causados pelas atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos e as dificuldades taxonômicas sobre a utilização das espécies em biomonitoramentos. No segundo foram analisados os padrões de distribuição e diversidade de comunidades de Chironomidae, sob as predições da Teoria de Metacomunidades, para avaliar as relações das assembleias com a variação da escala espacial e do ambiente. Como principais resultados, encontramos que as assembleias são afetadas principalmente por componentes da estrutura física do habitat e parcialmente limitadas pela dispersão entre os riachos quando consideradas em larga escala na região hidrográfica. No terceiro capítulo, foi avaliada a composição de traços morfológicos e funcionais das comunidades de insetos aquáticos (Coleoptera, Diptera, Ephemeroptera, Hemiptera, Lepidoptera, Megaloptera, Odonata, Plecoptera, Trichoptera) e as suas respostas à variação na estrutura do habitat consideradas sob as premissas da Teoria de Habitat Templet. Assim, encontramos como resultados deste capítulo, relações entre a distribuição dos traços morfológicos e funcionais com as variáveis da estrutura do habitat e a características limnológicas dos riachos. No quarto capítulo foram avaliados os efeitos da variação espacial e ambiental sobre a similaridade de composição das comunidades de insetos das ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera em riachos de duas regiões hidrográficas distintas. Neste último capítulo, encontramos diferenças na composição das comunidades como resultado da distância geográfica e das características ambientais locais de cada região. Demonstramos como a estrutura do habitat dos riachos pode afetar as comunidades de insetos aquáticos em diferentes contextos de escala geográfica. Também, as características dos hábitats foram importantes para a seleção de atributos ecológicos e funcionais das comunidades de insetos aquáticos. Com isso, a partir dos resultados encontrados, concluímos que as variáveis que compõem a estrutura física dos riachos são fatores determinantes na estruturação das comunidades de insetos aquáticos em escalas geográficas em contextos regionais e locais específicos. Além disso, foi destacada a importância dos fatores locais (proporção da vegetação ripária/composição dos substratos/características limnológicas) em relação a composição de características morfológicas e funcionais das assembleias, enquanto que os fatores regionais (distância geográfica/limitação de dispersão) foram os componentes determinantes da similaridade da estrutura das comunidades.Tese Acesso aberto (Open Access) Distribuição e abundância de médios e grandes mamíferos na Amazônia central(Universidade Federal do Pará, 2015) RAVETTA, André Luís; ALBERNAZ, Ana Luisa Kerti Mangabeira; http://lattes.cnpq.br/1220240487835422Mamíferos de médio e grande porte representam um recurso importante para muitas populações humanas, e, dependendo da espécie, suas populações podem sofrer reduções relacionadas à caça e ao consumo, à degradação do habitat ou ambos. A distribuição e a abundância desses animais podem variar com a qualidade e a quantidade dos ambientes florestais (influência de fatores naturais e antrópicos). O estudo dessa variação pode ajudar a definir políticas públicas para o manejo e conservação das espécies e analisar a efetividade de Unidades de Conservação. Neste estudo, buscou-se aprimorar os conhecimentos sobre os padrões de distribuição de mamíferos de médio e grande porte com o objetivo de avaliar uma política pública proposta para a região do Oeste Paraense, que foi a implantação do Distrito Florestal Sustentável da BR-163. Em um estudo de caso, a distribuição geográfica de uma espécie de primata, Mico leucippe foi ampliada com base em novos registros de ocorrência na região. O algoritmo de Máxima Entropia foi utilizado para prever a distribuição potencial da espécie baseado em seu nicho ecológico potencial e auxiliar na definição dos limites geográficos para levantamentos futuros. O resultado deste estudo serviu de parâmetro para revisão do estado de conservação da espécie, e norteou a mudança de categoria para “Menos Preocupante”, em ambas as listas, a nacional e a da IUCN. Na segunda parte do estudo, foram conduzidos levantamentos populacionais para identificar os fatores que influenciam a distribuição e a abundância das espécies de médios e grandes mamíferos. Para isso, foram feitas estimativas de densidade das espécies baseadas em levantamentos por transecções lineares e análises da relação entre a distribuição da densidade e variáveis ambientais, como temperatura, pluviosidade e altitude, e variáveis antrópicas, como porcentagem de desmatamento, distância de cidades e vilas, e proximidade de acesso. Houve baixa variação na abundância das espécies ao longo do DFS da BR-163, e variação nas respostas dependendo da espécie, mas de maneira geral houve influência da pluviosidade (mediana da pluviosidade anual e pluviosidade no período seco) e de fatores antrópicos (proximidade de estradas) na variação da densidade. O aumento do esforço amostral, analisado para uma espécie, levou a um aumento da precisão da estimativa de densidade, mas não indicou mudança substancial na estimativa. As relações encontradas não foram fortes o bastante para permitirem uma generalização sobre a área, mas os resultados obtidos estabelecem um parâmetro para comparações futuras, em vista do bom estado de conservação das áreas amostradas. Este é primeiro estudo de mamíferos na região realizado nessa escala, que coincide com a de uma política pública real para a área.Tese Acesso aberto (Open Access) Diversificação morfológica e molecular em lagartos Dactyloidae sul-americanos(Universidade Federal do Pará, 2015-03-30) D’ANGIOLELLA, Annelise Batista; CARNAVAL, Ana Carolina de Queiroz; http://lattes.cnpq.br/1268469210243345; PIRES, Tereza Cristina Ávila; http://lattes.cnpq.br/1339618330655263A compreensão dos padrões de distribuição da diversidade biológica, tem sido um tema amplamente discutido em estudos ecológicos e biogeográficos nas últimas décadas (Gaston, 2000; Ricklefs, 2004; Diniz-Filho et al., 2009). Nesse contexto, a região neotropical sul-americana destaca-se pela sua alta diversidade, distribuída nos mais diversos biomas (Morrone, 2004; Turchetto-Zolet et al., 2013). Estudos recentes demonstram que as alterações climáticas e geomorfológicas apoiam um cenário de mudanças complexas na paisagem do continente, influenciando na distribuição espacial dos táxons, riqueza de espécies, endemismos, diversidade genética e padrões biogeográficos observados (Nores 2004; Rull, 2008; Antonelli et al, 2009; Carnaval et al, 2009; Hoorn et al, 2010; Thomé et al., 2010; Werneck et al, 2012; Ribas et al 2012; Turchetto-Zolet et al., 2013, Rull, 2011, 2013). A conformação atual da América do Sul foi grandemente influenciada pelo soerguimento dos Andes, processo iniciado há aproximadamente 65 Ma, causando alterações climáticas e hidrográficas no continente (Hoorn et al. 1995; Van der Hammen & Hooghiemstra, 2000). Uma das principais consequências da elevação dos Andes foi a alteração do padrão de drenagem continental, levando à formação da bacia amazônica como a conhecemos atualmente (Hoorn et al 2010). Embora haja discordâncias sobre quando o Rio Amazonas começou a correr para o leste, a partir dos Andes, diferentes dados indicam que este já havia atingido seu fluxo atual a partir do Plioceno inferior (Figueredo et al. 2009; Latrubesse et al. 2010). Ainda que em menor escala, contudo, movimentos tectônicos continuaram a ocorrer na região, produzindo alterações ao menos locais, até o início do Holoceno (Rosseti et al. 2005; Rosseti & Valeriano, 2007).Tese Acesso aberto (Open Access) Efeito das paisagens modificadas por práticas agrícolas sobre a composição e estrutura das assembléias e espécies de Drosophilidae (Diptera)(Universidade Federal do Pará, 2014-11-28) FURTADO, Ivaneide da Silva; MARTINS, Marlúcia Bonifácio; http://lattes.cnpq.br/8882047165338427A Floresta Amazônica sustenta a maior diversidade biológica do mundo. Ocupa mais de 40% do território brasileiro. Nos últimos anos as taxas de perda florestal e degradação da Amazônia aumentaram consideravelmente, como resultado da expansão agrícola, criando um mosaico de paisagens altamente modificadas. Estas mudanças colocam em perigo tanto a biodiversidade como os serviços ecossistêmicos associados, além de provocar forte perturbação sobre as espécies. Efeitos de estresse podem resultar em alterações fisiológicas que se refletem em diferenciação morfológica entre as populações remanescentes, que agora ocupam a nova paisagem. O objetivo deste trabalho foi testar o efeito de alguns tipos de uso da terra sobre a assembléia de drosofilídeos frugívoros e sobre a morfologia da asa de quatro espécies (Drosophila malerkotliana, D. paulistorum, D. willistoni e Scaptodrosophila latifasciaeformis) presentes em áreas originalmente florestais que se transformaram num mosaico de paisagem, que apresentam fragmentos florestais, vegetação sucessional e zonas de cultivos. O primeiro estudo foi desenvolvido com dados de três localidades que apresentavam áreas de floresta manejada e agrícolas, o segundo abrangeu dados de seis localidades, três áreas agrícolas e três áreas de floresta preservada. As coletas foram realizadas de forma padronizada, com armadilhas dispostas ao longo de transecção abertos nos usos de terra predominantes nas áreas de estudo. Nossos resultados mostraram que a análise de riqueza de espécies não diferiu entre os diferentes tipos de uso da terra, mas a distribuição de abundância e composição de espécies foram claramente distintas entre os usos agrícolas intensivos e os sistemas florestais. A cobertura florestal e umidade relativa do ar foram as variáveis determinantes da distribuição das espécies. Os usos agrícolas foram dominados por espécies cosmopolitas não nativas associadas a áreas mais abertas. Constatou-se diferenciação morfológica entre os indivíduos capturados nas localidades de floresta preservada e nas áreas de usos agrícolas, independentemente da espécie. Surpreendentemente os indivíduos capturados nas florestas foram menores em relação aqueles capturados nos tipos de uso mais intensivo. Estes resultados mostram os efeitos da mudança da paisagem sobre as populações remanescentes de espécies nativas indicando a amplitude das mudanças quantitativas e qualitativas sobre o conjunto de espécies. No entanto a manutenção de porções florestais nas áreas de uso agrícola pode beneficiar a permanência das espécies nativas nestas paisagens.Tese Acesso aberto (Open Access) Estruturação da comunidade de odonata (insecta) na Amazônia Oriental: efeitos espaciais, ambientais e morfológicos em igarapés íntegros e alterados(Universidade Federal do Pará, 2015-12-04) OLIVEIRA JUNIOR, José Max Barbosa de; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029Entender como as comunidades naturais estão estruturadas tem sido um dos principais objetivos em ecologia. Fatores locais e regionais, como o clima, o tipo de habitat e as interações entre espécies, são os principais responsáveis pela estruturação das comunidades em ambientes naturais. Neste contexto, nosso objetivo é avaliar o efeito dos fatores ambientais (locais e regionais) e espaciais sobre a distribuição da comunidade de adultos de Odonata em igarapés preservados e alterados na Amazônia Oriental. Adicionalmente, avaliamos se existe um limite na similaridade morfológica para a coocorrência das espécies, buscando testar padrões na distribuição das espécies. Para responder a esses objetivos dividimos a tese em três capítulos: O primeiro capítulo avalia o efeito dos fatores ambientais e espaciais; o segundo o efeito dos fatores ambientais locais e regionais e o terceiro avalia se existe um limite na similaridade morfológica para a coocorrência de espécies de comunidade de adultos de Odonata na Amazônia. Foram amostrados Odonata adultos em 98 igarapés na Amazônia Oriental. Os fatores ambientais locais foram avaliados com base em um índice de integridade ambiental e variáveis físicas quantitativas. Variáveis espaciais foram geradas através de filtros espaciais. Foram considerados como fatores ambientais regionais o gradiente de altitude, variáveis bioclimáticas e percentuais de cobertura florestal. Foram selecionados dez indivíduos machos de cada espécie para mensurar nove medidas morfométricas, com o uso de um paquímetro. Foram amostrados 3.588 espécimes de Odonata, distribuídos em 11 famílias, 49 gêneros e 133 espécies. Somente os fatores ambientais explicam a variação na comunidade de Odonata em todos os ambientes (preservados e alterados), bem como separadamente, não houve efeito dos fatores espaciais. O mesmo foi observado para Zygoptera. Para Anisoptera, os fatores ambientais explicam a variação na comunidade apenas quando considerado todos os ambientes e alterados. Em ambientes preservados nem fatores ambientais e espaciais explicam a variação da comunidade. O particionamento de variação indicou contribuições distintas dos fatores ambientais locais e regionais sobre a variação na composição de espécies. O componente partilhado pelos dois fatores (locais e regionais) foi mais importante para explicar a variação tanto nas comunidades de Odonata como de Anisoptera e Zygoptera separadamente, seguido pelo componente ambiental local puro e por último, pelo componente ambiental regional puro. Porém além desses fatores, a competição mostrou-se um fator importante na distribuição das espécies. Padrões não aleatórios de coocorrência das espécies de Odonata ocorrem tanto nos igarapés presevados quanto nos alterados. O mesmo foi observado quando avaliado separadamente para Zygoptera. Já para Anisoptera foi encontrado um padrão aleatório de coocorrência das espécies tanto nos igarapés preservados quanto nos alterados. Em igarapés preservados foi observado que existe uma intensa competição interespecifica de Odonata baseada na morfologia. O mesmo não foi observado em igarapés alterados. Quando avaliado separadamente por subordem, para Zygoptera o mesmo padrão foi observado. Para Anisoptera tanto em igarapés preservados quanto em alterados as sobreposições morfológicas não são diferentes de valores esperados em comunidades aleatórias. Demonstramos que os Odonata estão fortemente associados às condições ambientais dos ecossistemas aquáticos na Amazônia Oriental. Um grande número de espécies de Odonata são estenotópicas, as tornando altamente dependentes de condições locais. Em geral as espécies de Zygoptera são sensíveis às variações ambientais por restrições ecofisiológicas, já os Anisoptera são mais tolerantes às diferentes condições ambientais. Para essas espécies mais especialistas, as condições locais do ambiente tendem a ser mais determinantes para a sua distribuição, o que leva a inferência de que uma seleção de espécies está atuando como processo determinante na estrutura e dinâmica destas comunidades. A relação das subordens de Odonata com o habitat identificado neste estudo têm algumas implicações importantes no uso desses organismos para monitoramento em pequenos igarapés. Adicionalmente os padrões de distribuição das espécies de Odonata são afetados pelos processos de similaridade limitante, em especial em ambientes preservados, e para os grupos mais especialistas, como a maioria dos Zygoptera. À luz das rápidas mudanças ambientais, uma questão importante nos estudos sobre estruturação de comunidades é a escala em que o habitat é medido, uma vez que um habitat adequado deve atender às necessidades ecológicas de todos os estágios de vida desses indivíduos. Portanto, futuros trabalhos podem usar os fatores ambientais e espaciais conjuntamente com a similaridade limitante para melhor compreender a estruturação dessas comunidades.Tese Acesso aberto (Open Access) Filogenia do gênero Mischocyttarus de Saussurre, baseado em caracteres morfológicos e moleculares, e revisão taxonômica do subgênero Megacanthopus Ducke (Hymnoptera, Vespidae, Polistinae)(Universidade Federal do Pará, 2019-03) FELIZARDO, Sherlem Patrícia de Seixas; SILVEIRA, Orlando Tobias; http://lattes.cnpq.br/9654506257169791; https://orcid.org/0000-0002-5899-199XTese Acesso aberto (Open Access) Filogenia, biogeografia e história evolutiva dos macacos-prego, gênero Sapajus Kerr, 1792 (Primates: Cebidae)(Universidade Federal do Pará, 2016-07-31) LIMA, Marcela Guimarães Moreira; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570; SILVA JÚNIOR, José de Sousa e; http://lattes.cnpq.br/4998536658557008Em um estudo recente, utilizando dados moleculares, morfológicos e ecológicos, Cebus e Sapajus foram reconhecidos como gêneros distintos. Apesar de Sapajus ser um dos gêneros de primatas neotropicais com maior volume de informação acumulada na literatura, eles têm sido considerados como um dos primatas que possuem a taxonomia mais confusa entre os mamíferos neotropicais. Até pouco tempo atrás, havia poucas informações disponíveis na literatura acerca da origem e diversificação das espécies pertencentes ao gênero Sapajus. Apesar dos recentes trabalhos publicados ainda não há uma hipótese robusta sobre a origem e evolução desse grupo. No presente trabalho, nosso primeiro objetivo foi testar a diversificação dos macacos-prego usando o banco de dados moleculares e geográficos mais completo disponível até o momento. Nós reconstruímos uma filogenia molecular datada para esse grupo através de inferência Bayesiana de três genes mitocondriais (D-loop, Cytb e COI). Nossos resultados apoiam uma vicariância entre as populações ancestrais dos Andes e Amazônia versus da Mata Atlântica, e uma invasão na Amazônia durante o Pleistoceno pelos Sapajus para explicar a atual simpatria entre Cebus e Sapajus. Nosso segundo objetivo foi montar o primeiro banco de dados filogenômicos para o gênero Sapajus através de elementos ultraconservados do genoma (UCE) e reconstruir a primeira filogenia robusta para o gênero. Foram extraídos os SNPs do conjunto de dados UCE, e foram geradas filogenias por meio de inferência bayesiana e máxima verossimilhança. Nossas análises apoiam fortemente a monofilia recíproca entre Cebus e Sapajus. Dentro de Sapajus, nossas árvores de SNPs recuperam seis espécies: S. xanthosternos, S. robustus, S. nigritus, S. flavius, S. libidinosus, e S. apella (que inclui S. cay e S. macrocephalus). Como as subdivisões morfológicas e moleculares do grupo amazônico são discordantes, recomendamos colapsar todas as espécies de macaco-prego da Amazônia e savanas do sudeste da Amazônia como S. apella sem subespécies.Tese Acesso aberto (Open Access) Heterogeneidade ambiental e diversidade de peixes de riachos na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2017-09-07) BENONE, Naraiana Loureiro; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099; ESPOSITO, Maria Cristina; http://lattes.cnpq.br/2112497575917273Os riachos amazônicos são sistemas altamente heterogêneos e que abrigam uma enorme biodiversidade. Devido às crescentes ameaças a esses sistemas, aumenta-se a necessidade de entender como processos ecológicos em áreas naturais afetam os riachos e suas assembleias de peixes. Esta tese foi dividida em três capítulos e busca responder as seguintes questões: 1) O quanto das variáveis em escala de bacia regulam o hábitat físico de riachos amazônicos? 2) Qual a contribuição relativa do ambiente e do espaço sobre a diversidade alfa e beta, tanto taxonômica quanto funcional, de peixes de riachos? 3) O quanto diferentes componentes da biodiversidade (diversidade de espécies, distinção taxonômica e diversidade funcional) são congruentes e o quanto eles podem ser preditos a partir de variáveis em escala de bacia? Para responder estas questões, foram amostrados 57 riachos em seis bacias da região amazônica. Para a caracterização ambiental, foi aplicado um extenso protocolo padronizado, que gerou mais de 140 métricas locais, além da utilização de 11 variáveis em escala de bacia. As assembleias de peixes foram coletadas com redes de mão durante seis horas. Com os resultados, detectou-se que as bacias podem ser divididas em dois grupos a partir da altitude e declividade. Estas duas variáveis influenciaram os hábitats dos riachos, controlando a velocidade do fluxo e o tipo e proporção de substrato. Este controle foi fundamental para os padrões taxonômicos e funcionais das assembleias de peixes, que são afetadas pelo filtro ambiental na escala da bacia. Entretanto, variáveis locais foram particularmente importantes para a diversidade alfa, tanto taxonômica quanto funcional das espécies. Apesar do papel significativo dos filtros ambientais, a dispersão limitada foi o principal fator responsável por mudanças em todos os níveis de diversidade de peixes, o que indica um forte fator biogeográfico. Por fim, os diferentes componentes da diversidade exibiram congruência intermediária, o que demonstra que eles são complementares e que não é possível resumir a diversidade de peixes a um único componente. Além disso, as variáveis na escala de bacia mostraram capacidade intermediária de prever padrões de diversidade, sendo recomendável utilizar outras métricas preditoras, como variáveis locais, em estudos de diversidade de peixes.Tese Acesso aberto (Open Access) Impacto dos fatores antropogênicos e ambientais na dinâmica do microbioma e nas interações hospedeiro-patógeno em anfíbios(Universidade Federal do Pará, 2025-04) MOSER, Camila Fernanda; BECKER, Guilherme; PELOSO, Pedro Luiz Vieira Del; http://lattes.cnpq.br/0963420424755544; https://orcid.org/0000-0003-0127-8293Os anfíbios estão entre os vertebrados mais ameaçados, com 41% das espécies em risco de extinção devido à perda de habitat, mudanças climáticas, espécies invasoras e doenças emergentes. Um fator crucial para sua saúde é a microbiota cutânea, uma comunidade de microrganismos simbióticos que contribuem para a imunidade e resistência a doenças. No entanto, esse microbioma é altamente sensível a distúrbios ambientais, que podem alterar sua composição e reduzir suas funções protetoras. Uma das principais ameaças aos anfíbios é a quitridiomicose, causada por Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), um patógeno que compromete a integridade da pele e enfraquece as defesas do hospedeiro, levando a altas taxas de mortalidade. Essa infecção interage com estressores ambientais, como poluição e degradação do habitat, aumentando a vulnerabilidade dos anfíbios. Esta tese investiga a composição e os fatores ecológicos que influenciam a microbiota cutânea dos anfíbios, suas interações com Bd e os efeitos das perturbações ambientais. Os resultados mostram que a diversidade do microbioma varia entre espécies, estações do ano e condições ambientais. Um estudo de caso sobre a dinâmica do Bd em diferentes espécies e ambientes demonstrou que a prevalência e a carga da infecção foram menores em temperaturas mais altas e em espécies com hábitos não aquáticos, sugerindo que fatores abióticos e a ecologia dos hospedeiros influenciam significativamente a suscetibilidade ao Bd. Além disso, foram observadas variações sazonais na composição da microbiota, com uma redução na diversidade microbiana nos meses mais frios. Essas mudanças sazonais podem estar relacionadas a alterações no comportamento dos anfíbios e na função imunológica, ress altando a importância do monitoramento de longo prazo das interações entre microbiota, hospedeiro e patógeno. Em conclusão, esta tese fornece novos insights sobre as complexas interações entre microbiota de anfíbios, mudanças ambientais e dinâmica de doenças. Compreender como as perturbações antrópicas e as variações sazonais moldam a diversidade do microbioma é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de conservação. Pesquisas futuras devem focar no monitoramento a longo prazo dos microbiomas dos anfíbios, explorar o papel da microbiota em estágios larvais na resistência a patógenos e investigar intervenções baseadas no microbioma para apoiar populações de anfíbios diante das crescentes ameaças ambientais.Tese Acesso aberto (Open Access) Influência da exploração madeireira na estrutura do hábitat e diversidade das assembleias de peixes de riachos na amazônia oriental(Universidade Federal do Pará, 2017-02-17) PRUDENTE, Bruno da Silveira; MONTAG, Luciano Fogaça de Assis; http://lattes.cnpq.br/4936237097107099A exploração madeireira encontra-se entre as principais atividades responsáveis pelo descatamento na Amazônia, sendo considerada uma importante ameaça para biodiversidade dessa região. Contudo, a demanda do mercado internacional por produtos florestais sustentáveis resultou em uma substituição parcial do método de exploração convencional (EC) pela técnica de exploração de impacto reduzido (EIR), também condiderada uma importante estratégia para minimizar danos à floresta Amazônica e sua biodiversidade. No entanto, pouco se conhece sobre o efeito dessas atividades na estrutura e funcionamento dos ecossistemas de riachos e suas comunidades biológicas. Nesse sentido, o presente estudo objetivou avaliar o efeito dos diferentes métodos de exploração madeireira sobre a estrutura do habitat físico de riachos e diversidade taxonômica e funcional das assembleias de peixe desses ambientes, além da elaboração de índices multimétricos que permitam uma avaliação rápida e robusta da integridade ecológica desses ambientes. Foram amostrados 47 riachos na bacia do Rio Capim, sendo 13 em áreas não exploradas, 11 em áreas de EC e 23 em áreas de EIR. A estrutura do hábitat foi caracterizada com base em 19 variáveis ambientais, posteriormente comparada entre os diferentes métodos de exploração. As assembleias de peixes foram amostradas utilizando rede de mão, com um esforço padronizado, e avaliadas quanto a composição e diferentes componentes da diversidade funcional. Ambos os métodos de exploração madeireira resultaram em alterações na estrutura do habitat físico dos riachos, no entanto somente em áreas de EC essas alterações influenciaram na composição taxonômica das espécies de peixes. Em áreas de EIR, foram observadas apenas variações na abundância relativa das espécies de peixe em relação ao gradiente temporal de exploração. Apesar dos resultados acima, a presença da exploração madeireira, seja ela EC ou EIR não afetou componentes da diversidade funcional das assembleias de peixe. No entanto, alterações no habitat de raichos associados a presença da exploração madeireira estivera diretamente relacionado à atributos funcionais comumente associados a estratégias generalistas das espécies, as quais são comuns associadas a ambientes alterado. De acordo com os índices multimétricos, riachos em áreas de EIR apresentaram uma melhor integridade do habitat quando comparados a riachos em áreas de EC, mas que asinda sim foi inferior a integridade do habitat em riachos não explorados. Em média, áreas de EIR também apresentaram valores intermediários de integridade biótica, contudo, este diferiu somente em áreas de EC. Na região estudada, a EIR mostrou ser uma estratégia interessante para minimizar as alterações nos ecossistemas de riach resultante da exploração madeireira. Contudo, o presente estudo foi realizado apenas em uma escala espacial local, e considerando áreas que passaram por um único ciclo de exploração. Contudo as alterações no habitat físico demosntram que a EIR também influência na estrutura e consequentemente na integridade ecológica desses ambientes, reforçando a necessidade de um maior número de estudos para compreensão do real efeito dessa atividade nesses ambientes.Tese Acesso aberto (Open Access) Padrões de distribuição de espécies de percevejos semi-aquáticos (Hemiptera: Gerromorpha): utilizando fatores ambientais e espaciais para determinar a estrutura das comunidades em riachos amazônicos(Universidade Federal do Pará, 2018-08-02) CUNHA, Erlane José Rodrigues da; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029Os ecossistemas lóticos amazônicos são sistemas complexos e dinâmicos, com uma extensa variação espacial e ambiental entre eles. Entender como as espécies aquáticas estão distribuídas é essencial para pensar em planos ou projetos de conservação desse bioma, fazendo-se necessária a tentativa de elucidar como tais condições fetam a distribuição dos organismos em resposta à especificidade de habitat e dispersão das espécies sob diferentes escalas. Diante desse cenário, esta tese teve o objetivo geral de avaliar como os fatores ambientais e espaciais estruturam as comunidades de percevejos semiaquáticos (Hemiptera) em riachos amazônicos. Para isso, dividimos a tese em três capítulos. No primeiro, avaliamos os fatores determinantes da estruturação das metacomunidades, considerando fatores ambientais, estrutura espacial linear e fluvial dentro de uma bacia de drenagem. Observamos que o efeito do ambiente teve maior influência sobre a estrutura da metacomunidade e somente fatores relacionados a dispersão via fluvial foram importantes para esses organismos. Assim, em escala de bacia hidrográfica, a estrutura da metacomunidade foi estruturada principalmente por species sorting sendo que mass effects pode atuar sobre a dispersão em escalas menores dentro da rede hidrográfica. No segundo capítulo analisamos os padrões de metacomunidades de percevejos semiaquáticos entre diferentes áreas biogeográficas da região amazônica. Em escala biogeográfica, encontramos que a limitação da variação das comunidades através do espaço foi determinante na estruturação da diversidade das comunidades. Esses resultados mostraram que ocorre alto turnover dentro das eco-regiões avaliadas devido à heterogeneidade ambiental. Além disso, a diversidade beta entre diferentes áreas biogeográficas da região amazônica evidenciou um padrão geral de decaimento da similaridade em decorrência das distâncias ambientais e espaciais. No terceiro capítulo, desconstruímos as comunidades de percevejos em assembleias de organismos ápteros e alados para avaliação da alteração do ambiente em áreas com alteração antrópica. Demonstramos que a composição das assembleias com espécies aladas difere da composição total da comunidade de percevejos, contudo, assembleias de ápteros e alados mostraram respostas associadas à perda de diversidade causada por atividade antrópica. Entretanto, as variáveis ambientais que estruturam essas assembleias foram diferentes, indicando que ocorre um trade-off entre reprodução (ápteros) e dispersão (alados) para o alcance do fitness dessas populações. Destacamos que características do habitat aquático em escala local, e a conectividade fluvial entre habitats são os principais determinantes na estruturação das comunidades desses organismos em escala de bacia hidrográfica. Considerando escalas biogeográficas, a limitação da dispersão através do espaço foi o principal fator na estrutura das comunidades, contudo, a diversidade beta entre regiões mostrou também ser dependente de fatores locais. Consideramos que a especificidade desses organismos em viver na superfície da água, além de mostrar forte relação com esse habitat, também evidencia que a locomoção sobre a superfície da água é o principal mecanismo a dispersão desses organismos na rede hidrográfica. Além disso, processos que determinaram os padrões de diversidade das comunidades atua em escalas locais até biogeográficas. Contudo, destacamos que avanços dos impactos de atividades antrópicas na Amazônia podem também interferir nesses processos e atuar sobre a distribuição das espécies entre os ecossistemas lóticos da região.Tese Acesso aberto (Open Access) Padrões de estruturação de adultos de libélulas em uma área de proteção e seu entorno na Amazônia oriental(Universidade Federal do Pará, 2016-09-30) MONTEIRO JÚNIOR, Cláudio da Silva; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029; ESPOSITO, Maria Cristina; http://lattes.cnpq.br/2112497575917273No Brasil encontra-se a maior parte das áreas protegidas (AP) do mundo, correspondendo a 12% do total mundial. Destas, 73% ou 111 milhões de hectares estão localizada na Amazônia, sendo 37% de uso integral e 63% de uso sustentável. Apesar do número parecer bastante expressivo, as demandas por produtos e serviços em virtude do crescimento da população resultam em modificações dos ecossistemas que muitas vezes ocorrem nos arredores ou até mesmo dentro das APs. Assim, o objetivo geral da tese foi estudar os padrões de estruturação de adultos de Odonata em uma área protegida e seu entorno. Para isso, a tese foi dividida em três capítulos: No primeiro capítulo, nossa hipótese foi testar se encontraríamos uma maior diversidade de espécies de libélulas na AP devido a uma maior complexidade de habitats. No segundo, testamos a hipótese de que haveria alta diversidade beta devido à substituição de espécies que é esperado de ser encontrado em ambiente pristinos. No terceiro capítulo, testamos a hipótese de que Odonata seria um moderado a fraco substituto para Ephemeroptera, Trichoptera, Chironomidae e peixe, devido as características inerentes do grupo, como a grande mobilidade, possibilitando maior poder de dispersão do que os demais grupos utilizados. O estudo foi realizado em 30 igarapés, sendo 17 localizados dentro de uma área protegida e 13 no entorno. Ao contrário do que esperávamos, no primeiro capítulo encontramos maior diversidade de Odonata em igarapés do entorno, em comparação com os da AP. Também houve diferenças na composição de espécies dos dois ambientes, além de diferenças das variáveis ambientais entre as áreas. Assim, a combinação da área protegida e do entorno, com baixo nível de perturbação, conserva uma gama maior de espécies especialistas de Odonata do que apenas uma única área, portanto, esse resultado aponta para a importância das áreas de entorno para uma maior efetividade de conservação das APs. No segundo capítulo, houve alta diversidade beta de Odonata tanto na AP quanto no entorno, possivelmente explicada pela amplitude de nicho combinados com a estrutura espacial do meio ambiente. Mesmo havendo certa modificação ambiental, ainda não foi grande nem intensa o suficiente para excluir todas as espécies e, portanto, elas conseguem sobreviver nesse ambiente e até mesmo selecionando as espécies que conseguem sobreviver em ambientes um pouco mais aberto, devido suas exigências ambientais. No terceiro capítulo, testamos a concordância entre adultos de Odonata com outros grupos aquáticos, como peixes, Ephemeroptera e Trichoptera combinados (ET) e Chironomidae em igarapés da Amazônia Oriental. Houve correlação entre as riquezas de espécies e congruência de adultos de Odonata com peixes e ET, entretanto a força dessas correlações foi moderada a baixa. Assim, mesmo havendo uma relação entre as exigências ambientais das espécies de Odonata com outros grupos, ainda está havendo perda de informações biológicas importantes. Dessa forma, sugerimos cautela na utilização de um único táxon como substituto de outros e, para o planejamento de conservação, o melhor seria a utilização de vários táxons, refletindo, de uma forma holística a biodiversidade aquática. Finalmente, a proteção de ambas as áreas se torna importante para manter o pool de espécies próprias de cada ambiente, sendo que o nosso grande desafio no futuro, é encontrar uma maneira de identificar os níveis de perturbação que seriam aceitáveis para evitar a sobre-exploração dos recursos nessas áreas e que ao mesmo tempo permitisse a conservação da biodiversidade presente na área.Tese Acesso aberto (Open Access) Revisão taxonômica do gênero Actinopus perty, 1833, com a descrição de quatro espécies novas de Missullena walckenaer, 1805 (Araneae, Mygalomorphae, Actinopodidae)(Universidade Federal do Pará, 2014-03-06) MIGLIO, Laura Tavares; Pérez-Miles, Fernando; BONALDO, Alexandre Bragio; http://lattes.cnpq.br/8721994758453503Tese Acesso aberto (Open Access) Revisão taxonômica e análise filogenética do gênero Protopolybia Ducke, 1905 com uso de caracteres morfológicos e moleculares (Hymenoptera, Vespidae, Polistinae)(Universidade Federal do Pará, 2018-05-27) SANTOS JUNIOR, José Nazareno dos; SILVEIRA, Orlando Tobias; http://lattes.cnpq.br/9654506257169791; https://orcid.org/0000-0002-5899-199XPolistinae é uma das mais diversas subfamílias de Vespidae com cerca de 950 espécies, 25 gêneros e quatro tribos. Seus representantes são reconhecidos por apresentarem garras tarsais simples e ausência de paratégula. Ducke (1905) descreveu dois novos gêneros para Polistinae: Protopolybia e Pseudochartergus. Bequaert (1938) revisou Pseudochartergus reconhecendo somente duas espécies. Bequaert (1944a) realizou a primeira revisão de Protopolybia, na qual descreveu quatro espécies novas, considerou P. minutissima e P. sedula como formas de uma única espécie e definiu P. bella como espécie tipo do gênero. Richards (1978) fez a segunda revisão de Protopolybia e o gênero passou a compreender 23 espécies e duas subespécies. Por considerar inconsistentes os caracteres diagnósticos de Pseudochartergus e Protopolybia, Carpenter e Wenzel (1989) propuseram sua sinonímia, reconhecendo como caráter diagnóstico a presença de um processo posterior medial no metanoto. Carpenter (2011) propôs a sinonímia de quatro espécies do gênero. Santos-Junior et al. (2015) revisaram o grupo de Protopolybia exigua e usando caracteres morfológicos propuseram a primeira filogenia para Protopolybia sensu Carpenter & Wenzel (1989). Contudo, ainda existe um razoável número de espécies cuja identificação é imprecisa. Assim, esse projeto buscou ampliar o conhecimento sobre a taxonomia e o relacionamento filogenético das espécies de Protopolybia através de uma revisão e elaboração de uma filogenia usando caracteres morfológicos e moleculares. Para análise molecular foram isolados os fragmentos do genoma nuclear e mitocondrial - citocromo subunidade I (COI), 28s, 12s e 16s, contudo apenas o primeiro e ultimo foram utilizados. Como resultados têm-se notas adicionais para o grupo de Protopolybia exigua, assim como a descrição de uma nova espécie. Para o grupo de espécies P. sedula, todas as espécies são redescritas, uma nova chave de identificação é apresentada e as genitálias de P. weyrauchi e P. sedula são descritas. No grupo de espécies de P. picteti-emortualis, duas novas espécies são descritas. No grupo de espécies de P. chartergoides, propõe-se a sinonimização de uma subespécie, e redescreve-se as quatro espécies válidas, bem como a genitália masculina de P. chartergoides, P. fuscatus e P. pallidibalteatus. Quanto à filogenia de Protopolybia, a hipótese de monofilia do grupo de espécies de P. chartergoides é corroborada. A sua posição relativa dentro de Protopolybia é resolvida, com indicação de uma relação mais estreita com o grupo de P. sedula. Por outro lado, na presente análise o grupo de P. exigua resulta parafilético.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistemática molecular, biogeografia e taxonomia do gênero Megascops kaup, 1848 (Aves, Strigidae)(Universidade Federal do Pará, 2013-06-28) DANTAS, Sidnei de Melo; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570O gênero Megascops é o maior gênero de corujas (Strigidae) endêmico do Novo Mundo, com cerca de 20 espécies distribuídas do Canadá à Argentina, atingindo o ápice de sua diversidade nos Andes e na América Central. A diagnose dos táxons do gênero é em geral bastante difícil devido a uma grande similaridade morfológica entre a maioria dos mesmos, e ao polimorfismo presente em praticamente todas as populações. Estudos filogenéticos sobre o gênero incluíram poucos táxons e genes, e as relações de parentesco entre as espécies e subespécies de Megascops é muito pouco compreendida. Os táxons florestais amazônicos, M. watsonii watsonii e M.w. usta, separados pelo Rio Amazonas, e a espécie da Mata Atlântica M. atricapilla, por exemplo, são consideradas como proximamente relacionadas, mas estudos anteriores sugeriram que essas espécies são parapátricas em relação umas às outras. Dentro da distribuição de M.w. usta, há variações vocais geograficamente distribuídas, que sugerem a presença de espécies crípticas, e estudos mais aprofundados são necessários para que se compreenda melhor a situação taxonômica desse grupo. No presente trabalho, nós propomos uma filogenia para o gênero Megascops baseada em dados moleculares (Primeiro capítulo), e conduzimos um estudo de biogeografia e taxonomia dos táxons M. watsonii watsonii, M.w. usta e M. atricapilla baseado em dados moleculares, morfológicos e vocais (Segundo capítulo). Os dados moleculares em ambos os capítulos foram obtidos pelo sequenciamento de três genes mitocondriais (citocromo b, ND2 e CO1) e três nucleares (b-fibrinogênio 5, CHD e MUSK) para todas as amostras. Os dados moleculares foram analisados através de análises de Máxima Verossimilhança, Inferência Bayesiana e Árvore de Espécies. Análises de Relógio Molecular e de S-DIVA foram rodadas para inferir o tempo de divergência e as áreas ancestrais para todos os táxons analisados do gênero Megascops. Em todas as análises, Megascops é parafilético se incluirmos no gênero a espécie M. nudipes, que se agrupou próxima ao grupo externo, Otus flammeolus. As demais espécies se separam em três grandes clados: Um composto por M. choliba, M. koepckeae, M. albogularis, M. clarkii e M. trichopsis, um segundo composto por espécies andinas, e um terceiro com as espécies restantes. Muitos dos ramos receberam baixo apoio estatístico nas análises, o que torna a relação entre muitas espécies indeterminada, dentro dos grandes clados. As espécies M. watsonii e M. atricapilla são parafiléticas, e valores de divergência entre populações disjuntas de algumas espécies (M. vermiculatus, M.ingens, M. trichopsis) se aproximam dos de alguns pares de espécies inequívocas, sugerindo uma diversidade dentro do gênero 9 maior do que a atualmente reconhecida. A especiação dentro do gênero (excetuando-se M. nudipes) aconteceu nos últimos oito milhões de anos, e o gênero provavelmente se originou nos Andes, posteriormente colonizando as Américas. Megascops nudipes deve ser retirada do gênero Megascops. Mais estudos são necessários para avaliar a real situação taxonômica das espécies do gênero Megascops, especialmente as que apresentam subespécies, como M. vermiculatus e M. ingens. O soerguimento dos Andes pode ter desempenhado um papel extremamente importante na diversificação do gênero. Para os táxons Megascops watsonii watsonii, M.w. usta e M. atricapilla, foram sequenciados os mesmos genes, para 49 amostras de tecido muscular. Os dados foram analisados através de análises de Máxima Verossimilhança, Inferência Bayesiana, Árvore de Espécies e Relógio Molecular. Foram feitas medições morfométricas em 251 peles, e medidos parâmetros vocais de 85 gravações, cobrindo todas as regiões zoogeográficas habitadas por esses táxons. Os dados morfométricos e vocais foram analisados através de Análises de Função Discriminante, um método de diagnose de pares de espécies através de dados vocais também foi aplicado. Os dados moleculares se dividiram em seis clados bem apoiados, cuja distribuição não está de acordo com a taxonomia atual desse grupo de espécies. Um dos clados está restrito a poucos fragmentos de floresta atlântica muito pequenos e isolados, no leste do Brasil. Se reconhecido como uma espécie válida, quase certamente será o táxon em maior perigo de extinção dentro do gênero Megascops. As análises dos dados morfométricos não detectaram diferenças significativas entre os clados, e a grande variação no padrão de plumagem dentro das populações torna quase impossível fazer generalizações. Porém, alguns morfos tendem a ser mais comuns em algumas populações do que em outras. As análises vocais apontaram diferenças entre alguns dos clados, mas há uma considerável sobreposição entre alguns deles, e há variação vocal dentro de algumas populações, especialmente no clado de maior distribuição. A especiação desse grupo aconteceu durante o Pleistoceno-Plioceno, e os fatores mais importantes a definir a atual distribuição dos clados parecem ser a formação do atual sistema hídrico da Amazônia, uma posterior expansão da distribuição de algumas populações, e a separação da Amazônia e da Mata Atlântica, com uma divisão posterior dessa última pela formação do Rio São Francisco. Recomendamos a redefinição dos táxons M.w. watsonii, M.w. usta e M. atricapilla e o reconhecimento de outras três populações filogenéticas, duas das quais não possuem nome disponível.Tese Acesso aberto (Open Access) Sistemática, filogenia e biogeografia do gênero Campylorhamphus (Aves: Dendrocolaptidae)(Universidade Federal do Pará, 2014) PORTES, Carlos Eduardo Bustamante; ALEIXO, Alexandre Luis Padovan; http://lattes.cnpq.br/3661799396744570Este trabalho foi organizado em quatro seções: Introdução Geral; e as demais seções organizadas em forma de artigo: Capítulo 1 “Molecular systematics and taxonomic revision of the Curve-billed Scythebill complex (Campylorhamphus procurvoides: Dendrocolaptidae), with description of a new species from western Amazonian Brazil”; Capítulo 2 “A new species of Campylorhamphus (Aves: Dendrocolaptidae) from the Tapajós – Xingu interfluve in Amazonian Brazil” e Capítulo 3 “Historical diversification and species limits in the genus Campylorhamphus (Aves: Furnariidae)”.Tese Acesso aberto (Open Access) Variabilidade morfométrica e molecular em Desmodus rotundus (Chiroptera, Phyllostomidae) de diferentes áreas de risco para raiva rural no estado do Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2011) ANDRADE, Fernanda Atanaena Gonçalves de; FERNANDES, Marcus Emanuel Barroncas; http://lattes.cnpq.br/8943067124521530O presente estudo objetivou testar a hipótese da heterogeneidade populacional morfológica e molecular em diversos grupos de Desmodus rotundus na Amazônia oriental, bem como descrever a relação desta heterogeneidade com processos e padrões de produção da Raiva em humanos e bovinos. Para tanto, um total de 776 exemplares de vampiro comum, de 72 localidades do Pará foram cedidos pelo Instituto Evandro Chagas (IEC - Ministério da Saúde/Belém), Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro/Belém) e Fundação de Vigilância em Saúde do estado do Amazonas (FVG/Manaus). Quanto a descrição espacial e temporal da Raiva em humanos e bovinos no Pará, ao longo de uma década (1999-2008), tais registros foram obtidos junto a Secretaria Executiva de Saúde Pública do Pará (SESPA). Do total de espécimes de D. rotundus, apenas os indivíduos adultos (329 machos e 315 fêmeas) foram submetidos a 39 medidas fenotípicas (16 externas e 23 cranianas). Na abordagem genética, 236 indivíduos (53% fêmeas e 47% machos) foram caracterizados por meio de 10 marcadores do tipo microssatélites. Já para a descrição de áreas de risco foram utilizadas feições ecológicas, biológicas, socioeconômicas e de cobertura e uso do solo, georreferenciadas geograficamente. Como um dos principais resultados das inferências fenotípicas foi observado que apenas as fêmeas de D. rotundus no Pará, mostraram tendências a formação de grupos que reúnem espécimes da porção mais ao norte do estado (Baixo Amazonas, Marajó e Nordeste), como sendo menos similares as do sudeste e sudoeste. No geral, fenotipicamente D. rotundus não mostrou elevada estruturação entre os grupos no Pará. A maior ocorrência de variabilidade observada para D. rotundus não foi entre os grupos geográficos. Segundo os dados de análise molecular de variância (AMOVA) ocorreram variações em 96% dos acontecimentos dentro de cada grupo. No geral, muitos grupos estudados do Pará ainda encontram-se sobre equilíbrio de Hardy-Weinberg, levando a crer na existência de uma única população caracteristicamente panmítica, contudo, com tendências à formação de três grandes grupos (Baixo Amazonas, Marajó e Nordeste). Para tal população, os padrões reprodutivos e adaptativos da espécie, garantiriam a alta equidade da riqueza alélica e os bons índices de diversidade genética de D. rotundus na Amazônia oriental, mesmo sob os efeitos da fragmentação de áreas, que se processa principalmente no lado leste no estado do Pará.
