Dissertações em Biodiversidade e Conservação (Mestrado) - PPGBC/Altamira
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/9261
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 2014 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação (PPGBC) do Campus Universitário de Abaetetuba da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Microplásticos em solos agrícolas: panorama cienciométrico global e um estudo de caso em sistema agroflorestal na Amazônia oriental(Universidade Federal do Pará, 2026-07-24) OLIVEIRA, Olganeth Moreira de; OLIVEIRA-BAHIA, Veronica Regina Lobato de; http://lattes.cnpq.br/1218901740124657; https://orcid.org/0000-0002-5439-4223; CALVI, Miqueias Freitas; HERNANDES RUZ, Emil José; SILVA, Tamyris Pegado de Souza e; PANTOJA, Juliana Caroline Dias; http://lattes.cnpq.br/1925851965991165; http://lattes.cnpq.br/9304799439158425; http://lattes.cnpq.br/0944107104953197; http://lattes.cnpq.br/1848773133977370Os microplásticos (MPs) têm se destacado como contaminantes emergentes de preocupação global devido à sua ampla ocorrência em ambientes aquáticos e terrestres. Apesar do crescente número de estudos sobre o tema, as pesquisas têm se concentrado predominantemente nos ecossistemas aquáticos, enquanto os solos agrícolas permanecem comparativamente pouco explorados. A agricultura depende do solo como recurso fundamental para a produção de alimentos e envolve o uso de materiais plásticos, fertilizantes, sistemas de irrigação, adubos orgânicos e outros insumos agrícolas que podem contribuir para a introdução e o acúmulo de microplásticos no solo. Em elevadas concentrações, esses contaminantes podem afetar a estrutura do solo, a biota associada e o desenvolvimento das plantas. Nesse contexto, o presente estudo combinou análises cienciométricas e investigações de campo para avaliar as tendências das pesquisas sobre microplásticos em solos agrícolas e verificar sua ocorrência em solos de sistemas agroflorestais e áreas de floresta na Amazônia. A análise cienciométrica revelou um crescimento exponencial das publicações científicas após 2019, com pesquisas concentradas principalmente na China e predominantemente voltadas para sistemas agrícolas intensivos e extensivos. Os resultados também demonstraram que os microplásticos podem comprometer a qualidade do solo ao alterar propriedades físico-químicas e afetar negativamente o desenvolvimento das plantas e dos organismos associados ao solo. Os dados de campo obtidos na Estação de Recursos Genéticos José Haroldo (ERJOH) confirmaram a presença de microplásticos tanto em solos de sistemas agroflorestais quanto em áreas de floresta. As fibras de coloração azul e transparente foram as formas predominantes identificadas. A espectroscopia Raman revelou a presença de diferentes tipos de polímeros, além de corantes e pigmentos industriais comumente associados a materiais plásticos, têxteis, papel, tubulações, embalagens e outros produtos de uso industrial. Os resultados obtidos contribuem para ampliar o conhecimento sobre a contaminação por microplásticos em solos amazônicos, evidenciam a necessidade de novas pesquisas envolvendo diferentes sistemas de produção e classes de solo, a fim de compreender os fatores que influenciam o acúmulo e o comportamento desses contaminantes em ecossistemas terrestres.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Plantas úteis em comunidades quilombolas no municipio de Mocajuba-Pa(Universidade Federal do Pará, 2026-04-29) CONCEIÇÃO, Maria do Rosário da Silva; MENEZES, Moirah Paula Machado de; http://lattes.cnpq.br/4242537967460940; PEREIRA, Tatiana da Silva; ARRUDA, Cinthya Cristina Bulhões; SILVA, Marivana Borges; SEREJO, Rachel Macedo da Silva; RAMAGNOLI, Fernanda Carneiro; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; http://lattes.cnpq.br/9782320172037124; http://lattes.cnpq.br/1604205059852571; http://lattes.cnpq.br/4108811268950247; http://lattes.cnpq.br/0831545262046295O estudo fundamenta-se na etnobotânica, ciência que investiga as relações entre as populações humanas e os recursos vegetais, considerado os conhecimentos tradicionais associados ao uso de plantas. O presente estudo foi realizado nas comunidades quilombolas de Porto Grande, Mangabeira e São José do Icatu, localizada no Municipio de Mocajuba-Pá. Nas comunidades quilombolas, esses saberes são transmitidos principalmente de forma oral entre as gerações e desempenham importante papel na manutenção cultural, econômica e socioambiental das populações tradicionais. Os resultados demonstram que as espécies vegetais possuem múltiplos usos nas comunidades estudadas, destacando-se as categorias medicinal, alimentar, construção, artesanal e ritualística. O uso medicinal apresentou grande relevância, evidenciando a dependência das comunidades em relação aos recursos naturais para cuidados básicos de saúde, especialmente diante das limitações de acesso aos serviços médicos. Também foram registradas espécies utilizadas na alimentação, na geração de renda. As comunidades pesquisadas apresentam forte relação histórica e cultural com o território, sendo constituídas por descendentes de pessoas escravizadas que buscaram refúgio na região amazônica. Além da importância cultural, os conhecimentos etnobotânicos contribuem para a conservação da biodiversidade local e para o uso sustentável dos recursos vegetais. Concluir-se que o registro e a valorição dos conhecimentos tradicionais associados às plantas úteis são fundamentais para a preservação da diversidade biocultural das comunidades quilombolas amazônicas. Além disso, os resultados reforçam a importância da etnobotânica como instrumwnto de valorização cultural, conservação ambiental e fortalecimento das identidades tradicionais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Conhecimento ecológico local de pescadores sobre a alimentação de peixes de um rio tropical oligotrófico na Amazônia oriental(Universidade Federal do Pará, 2026-06-03) SILVA, Josele Trindade da; BRAGA, Tony Marcos Porto; http://lattes.cnpq.br/0529014960966788; ZACARDI, Diego Maia; http://lattes.cnpq.br/8348319991578546; https://orcid.org/0000-0002-2652-9477; ANDRADE, Marcelo Moraes; CLAUZET, Mariana; PEREYRA, Paula Evelyn Rubira; http://lattes.cnpq.br/2105545642532031; http://lattes.cnpq.br/3795122699393224; http://lattes.cnpq.br/8553918712749090A pesca artesanal desempenha papel fundamental na subsistência, segurança alimentar e geração de renda das populações ribeirinhas amazônicas. Nesse contexto, o Conhecimento Ecológico Local (CEL) constitui uma importante fonte de informações sobre a ecologia dos recursos pesqueiros, especialmente em regiões com escassez de dados científicos. Este estudo teve como objetivo analisar o conhecimento ecológico local de pescadores e pescadoras artesanais do Médio e Baixo rio Tapajós sobre a alimentação de peixes, investigando sua relação com a dinâmica sazonal do rio e sua convergência com a literatura científica. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com 161 pescadores e pescadoras em oito comunidades ribeirinhas. As informações foram analisadas por estatística descritiva, teste do Qui-quadrado, Análise de Correspondência e abordagem de cognição comparada. Foram registradas 18 etnoespécies de peixes, com destaque para tucunaré, aracu, acarás, pacu e pescada. Os resultados indicaram que os pescadores reconhecem variações na alimentação dos peixes ao longo do ciclo hidrológico, associando maior consumo de recursos vegetais ao período de enchente. O teste do Qui-quadrado revelou associação significativa entre categorias alimentares e fases hidrológicas (χ² = 20,87; p < 0,001), sendo essa relação explicada principalmente pela categoria alimentos de origem vegetal. A Análise de Correspondência evidenciou padrões de associação entre categorias alimentares, ambientes e períodos hidrológicos compatíveis com a dinâmica do pulso de inundação. A comparação entre o conhecimento local e a literatura científica demonstrou predominância de concordância para as principais etnoespécies analisadas, indicando elevada consistência ecológica das informações fornecidas pelos pescadores. Os resultados reforçam o potencial do CEL como ferramenta complementar para a compreensão da ecologia alimentar dos peixes e para o fortalecimento de estratégias participativas de manejo e conservação dos recursos pesqueiros na Amazônia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Diversidade vegetal, anatomia e histoquímica de plantas tóxicas ocorrentes em praças de Altamira-PA(Universidade Federal do Pará, 2025-04-24) Kelly da Costa; SANTOS, Juliana Livian Lima de Abreu dos; http://lattes.cnpq.br/7062639220674099; https://orcid.org/0000-0001-7295-7889; REIS, Alisson Rodrigo Souza; http://lattes.cnpq.br/7258026642139407; https://orcid.org/0000-0001-7182-4814; LEÃO, Fábio Miranda; FREITAS, Alessandra Doce Dias de; ALMEIDA, Eliane Francisca de; http://lattes.cnpq.br/6256044082655658; http://lattes.cnpq.br/7275549420269815; http://lattes.cnpq.br/9110187847588003Plantas tóxicas são organismos que possuem compostos químicos que podem causar alterações nos seres vivos. Estudos de anatomia e histoquímica foliar de espécies como essas são essenciais para compreender sua morfologia e composição, além de auxiliar na seleção de espécies para a vegetação urbana com o plantio de vegetais seguro em espaços públicos, também são essenciais para a prevenção de intoxicações. Diante disso, o objetivo geral dessa pesquisa foi identificar e descrever a anatomia e a histoquímica foliar de espécies tóxicas encontradas em praças da cidade de Altamira-PA, com o intuito de fornecer subsídios para a utilização na arborização urbana da cidade, contribuindo para a saúde pública, meio ambiente e para a segurança da população. Para a realização do estudo, foram catalogadas as espécies presentes em 18 praças da cidade, com ajuda de um guia de inventário que incluía registros fotográficos, informações botânicas e o uso de GPS para a aquisição das coordenadas geográficas. As espécies foram identificadas conforme o Sistema APG IV e por meio de consultas a bases de dados especializadas em botânica. Posteriormente, foram categorizadas e organizadas em planilhas totalizando 122 espécies inventariadas, das quais para este estudo foram encontradas 35 espécies tóxicas, totalizando 506 indivíduos. Entre os resultados, destacou-se a Dracaena trifasciata (Prain) com maior densidade de indivíduos, representando 17,2% (87 indivíduos) do total, pertencente à família Asparagaceae. Essa família, assim como a Araceae e a Euphorbiaceae, apresentou o maior número de espécies tóxicas, com cinco espécies cada. A espécie de maior frequência foi a Mangifera indica L., presente em 61,1% das praças. Trata-se de uma planta tóxica que pode ocasionar dermatite por contato com as folhas e intoxicação quando a casca do seu fruto é ingerida. A Praça Independência apresentou o maior número de espécies, com 18 vegetais tóxicos. Para as análises de anatomia e histoquímica foliar, foram selecionadas cinco espécies tóxicas mais frequentes, pertencentes a diferentes famílias: Agave angustifolia, Catharanthus roseus, Duranta erecta, Ficus benjamina e Mangifera indica. As amostras foram coletadas nas duas praças com maior ocorrência de plantas tóxicas. Foram aplicadas técnicas de anatomia e histoquímica foliar, incluindo cortes, fixação, coloração, montagens de lâminas e observação microscópica, visando à análise estrutural dos seus sistemas e à identificação de compostos químicos. Os resultados mostraram predominância de células epidérmicas poligonais e isodiamétricas, além de epiderme com cutícula espessa, característica associada à resistência ambiental. Observou-se também a presença de estômatos hipoestomáticos, tricomas, cistólitos e mesófilo dorsiventral organizado na maioria das espécies estudadas. Nos testes histoquímicos, foram identificados lipídios, lignina, celulose, compostos fenólicos e amido em todas as espécies, além da presença de alcaloides e cristais de oxalato de cálcio em algumas delas, indicando potencial tóxico. Dessa forma, os resultados contribuem para estudos morfológicos e taxonômicos, ampliam a compreensão sobre a adaptação das plantas a diferentes ambientes e condições de estresse, reforçam a importância dessas espécies para a arborização urbana e os cuidados com a sua seleção na prevenção de intoxicações, além da importância dos estudos quanto à sua composição química para aplicações farmacológicas, medicinais e para o meio ambiente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Respostas morfogênicas na micropropagação de bagassa guianensis aubl. (Moraceae): uma espécie amazônica com potencial ecológico(Universidade Federal do Pará, 2026-04-30) RODRIGUES, Hairon Antonio Friedrich; SILVA, Luciano Coutinho; http://lattes.cnpq.br/2714042759780918; HERRERA, Raírys Cravo; http://lattes.cnpq.br/2153779197306503; https://orcid.org/0000-0002-9699-8359; REIS, Alisson Rodrigo Souza; SILVA, Diogo Pedrosa Corrêa da; NERY, Fernanda Carlota; http://lattes.cnpq.br/7258026642139407; http://lattes.cnpq.br/3581800874727918; http://lattes.cnpq.br/8984356482756782; https://orcid.org/0000-0001-7182-4814; https://orcid.org/0000-0002-7787-7500; https://orcid.org/0000-0003-0021-3973Bagassa guianensis é uma árvore endêmica da floresta amazônica que produz sementes com baixa taxa de germinação, rápida perda de vigor e recalcitrância. A espécie tem importância ecológica e econômica e sofre uma rápida redução de suas populações naturais devido às pressões antrópicas. O objetivo deste trabalho foi estabelecer um protocolo de micropropagação de B. guianensis. Após a assepsia, as sementes foram inoculadas em meio MS/2 com 0,5 mg L-1 de GA3 ou AgNO3, e sem regulador. O material foi mantido em sala de crescimento sob LED azul e vermelho, LED branco ou no escuro. Segmentos nodais foram inoculados em meio MS com diferentes concentrações de BAP (0; 0,5; 1; 2 e 4 mg L-1); e os segmentos apicais foram inoculados em MS com diferentes concentrações de AIB (0; 0,5; 1; 2 e 4 mg L-1). Plantas originárias da micropropagação passaram por cultivo fotoautotrófico em diferentes substratos: terra preta orgânica comercial ou areia com 10 g L-1 de Basacote®. As sementes apresentaram fotoblastismo positivo e cultivo em meio MS com GA3 com uso de LED branco produziu plantas mais longas; já o uso de LED azul e vermelho produziu plantas com mais números de nós e folhas. O maior número de brotações foi obtido com o uso de 4 mg L-1 de BAP; já o maior número de raízes foi obtido com 0,5 mg L-1 de AIB. Porém, a adição de reguladores de crescimento proporcionou uma alta taxa de calogênese. O cultivo fotoautotrófico com terra preta orgânica comercial proporcionou 73,3% de sobrevivência das plantas em casa de vegetação. Se recomenda utilizar LED azul e vermelho para a germinação, 4 mg L-1 de BAP para produção de brotos, 0,5 mg L-1 de AIB para a indução de raízes e substrato terra preta orgânica para aclimatização fotoautotrófica de Bagassa guianensis.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Polimorfismos genéticos relacionados ao risco de contaminação por mercúrio em populações nativas da Amazônia: uma revisão sistemática, metanálise e abordagem funcional(Universidade Federal do Pará, 2026-03-20) LOPES, Enzo Kaique da Silva; SILVA, Felipe Rodolfo Pereira da; http://lattes.cnpq.br/0605934383049921; https://orcid.org/0000-0001-9224-5571; PEREIRA, Adenilson Leão; http://lattes.cnpq.br/3184636120604556; LUCIANELLI, Fernanda Nogueira Valentin; MONTEIRO, José Rogério Souza; HERNÁNDES RUZ, Emil José; http://lattes.cnpq.br/5323991664296959; http://lattes.cnpq.br/7633287094016051; http://lattes.cnpq.br/9304799439158425; https://orcid.org/0000-0002-8279-3758; https://orcid.org/0000-0002-4511-7312; https://orcid.org/0000-0002-3593-3260A contaminação por mercúrio constitui um importante problema de saúde pública na Amazônia, especialmente em populações tradicionais expostas cronicamente ao metal por meio do consumo de peixes contaminados. Evidências recentes indicam que a variabilidade genética pode modular a toxicocinética e a toxicodinâmica do mercúrio, influenciando a retenção corporal do metal e a ocorrência de manifestações clínicas. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar a relação entre polimorfismos genéticos associados ao metabolismo do mercúrio e os níveis corporais desse metal em populações amazônicas. Trata-se de uma revisão sistemática combinada com metanálise e análise funcional de genes. A busca foi realizada nas bases Google Scholar, PubMed, ScienceDirect e Web of Science, incluindo estudos publicados até dezembro de 2025. Foram incluídos estudos observacionais conduzidos em populações humanas da Amazônia com dados genotípicos e biomarcadores de exposição ao mercúrio. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala Newcastle-Ottawa, e as análises estatísticas foram conduzidas no software Review Manager 5.4. Ao todo, 15 estudos preencheram os critérios de elegibilidade, totalizando 3.507 participantes de populações urbanas, ribeirinhas e indígenas. Quinze genes apresentaram associação significativa com os níveis corporais de mercúrio. Na metanálise, os polimorfismos GSTP1 (rs1965), GSTT1 (-/-) e GSTM1 (-/-) mostraram tendência de associação com maiores níveis de mercúrio, porém sem significância estatística. A análise funcional revelou que os genes identificados estão principalmente envolvidos em vias relacionadas ao metabolismo de metais, detoxificação celular, estresse oxidativo, transporte de xenobióticos e modulação da excreção urinária. Os achados indicam que variantes genéticas podem influenciar a suscetibilidade à contaminação por mercúrio em populações amazônicas, embora limitações como heterogeneidade entre estudos e tamanho amostral reduzido ainda restrinjam conclusões definitivas. Conclui-se que os polimorfismos avaliados apresentam potencial como biomarcadores de vulnerabilidade ao mercúrio, podendo subsidiar estratégias de vigilância em saúde e políticas públicas voltadas a populações tradicionais expostas na Amazônia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Resposta de dipteryx odorata (Aubl.) Forsyth F. à aplicação de 24-Epibrassinolídeo: evidências de estímulo e inibição do crescimento(Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) SOGLOHOUN, Jospin; SCHMALZ, Karin Elisabeth Von; http://lattes.cnpq.br/3201612256251112; HERNÁNDEZ-RUZ, Emil José; http://lattes.cnpq.br/9304799439158425; https://orcid.org/0000-0002-3593-3260; SOUZA, Luma Castro de; LEÃO, Fabio Miranda; VIEIRA, Marcos; SALM, Rodolfo; MENEZES, Moirah; http://lattes.cnpq.br/3637807020741727; http://lattes.cnpq.br/6256044082655658; http://lattes.cnpq.br/2075433032569005; http://lattes.cnpq.br/9109432772120434; http://lattes.cnpq.br/4242537967460940Foi avaliado o efeito do 24-epibrassinolídeo no crescimento e desenvolvimento de mudas jovens de Dipteryx odorata, uma espécie amazônica de importância ecológica e econômica. O experimento foi conduzido nos viveiros da Universidade Federal do Pará (Altamira, Brasil), sob 50% de sombreamento, em 115 mudas divididas em cinco tratamentos (0, 10, 20, 30 e 40 nM do hormonio). Foram medidas os parâmetros morfológicos (altura, diâmetro basal, e número de folhas) e fisicobioquímicos foliares (clorofila, nitrogênio, umidade, e temperatura foliar). Para explorar as associações das diferenças em cada indivíduo por tratamento e escolher as variáveis para modelagem, realizamos uma análise de componentes principais. Os efeitos dos tratamentos sobre estas variáveis foram avaliados por meio de modelos lineares de efeitos mistos com estimativa de máxima verossimilhança. As dosagens do hormônio influenciaram significativamente o crescimento das plantas, com um efeito positivo acentuado na dose de 30 nM, resultando em maiores ganhos em altura, diâmetro e número de folhas, bem como no aumento da produção de clorofila. A dose de 40 nM proporcionou a melhor relação altura/diâmetro, indicando melhor estabilidade e qualidade das plantas. A dose de 10 nM, embora positiva para tamanho, diâmetro e taxa de crescimento, deu resultados menos relevantes do que doses altas. A dose de 20 nM causou efeitos inibidores, caracterizados por redução do crescimento e diminuição da produção de clorofila. Esses resultados confirmaram a importância do 24-epibrassinolídeo como regulador de crescimento, capaz de melhorar o desempenho fisiológico e morfológico de Dipteryx odorata em condições semicontroladasDissertação Acesso aberto (Open Access) Saúde dos agricultores que utilizam agrotóxicos na produção de hortaliças na região de Altamira, Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-05-14) SILVA, Rosane Acácio Rosa da; ROCHA, Carla Giovana S.; http://lattes.cnpq.br/6995325935325969; https://orcid.org/0000-0002-7066-0480; PEREIRA, Tatiana S.; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; SILVA, Maristela Marques da Silva; STÉDELI, Nilva Lúcia Rech; CORONAS, Mariana Vieira; http://lattes.cnpq.br/1620976380900108; http://lattes.cnpq.br/4657265813810622; http://lattes.cnpq.br/8119983932514872A intoxicação por agrotóxicos é considerada um sério problema de saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento. Elas podem ser agudas ou crônicas, podendo ocasionar alterações reprodutivas, malformação congênita, cânceres, mutações gênicas, desregulação endócrina, acometendo principalmente pessoas expostas em seu ambiente de trabalho. O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre sintomas de intoxicação aguda pelo uso de agrotóxicos a partir das percepções e práticas dos agricultores de hortaliças da região de Altamira, Pará. A pesquisa apresenta abordagem descritiva, quantitativa e transversal. A pesquisa foi em 2024, no município de Altamira, Pará e foram realizadas entrevistas com 34 agricultores que cultivam hortaliças. Os agricultores responderam a um questionário abordando aspectos socioeconômicos, demográficos, condições de saúde, condições de trabalho e o uso de agrotóxicos. As informações organizadas foram convertidas para o programa Stata, verificando os dados quanto à coerência. Os resultados foram expressos como frequência absoluta e relativa para as variáveis sociodemográficas, econômicas e condições de saúde. Para os desfechos com análises bivariadas foi utilizado o teste Exato de Fisher. O perfil dos participantes da pesquisa é de indivíduos do sexo masculino, de cor parda/preta, com idade acima de 60 anos, possuindo menos de oito anos de estudo escolar, tendo companheira e com renda de um a três salários mínimos. A frequência de sintomas de intoxicações agudas relatadas foi de fraqueza/fadiga/cansaço e dor de cabeça, todavia a maioria dos agricultores relatou não apresentar nenhum sintoma. Ao analisar a associação entre as variáveis sociodemográficas e sintomas de intoxicações agudas não foram observadas associações estatísticas significativas. A distribuição etária mostra que a maioria dos agricultores familiares com até cinco anos de experiência com defensivos agrícolas está na faixa etária de 60 anos ou mais. Não existe uma associação significativa entre a renda e o tempo de trabalho com pesticidas. Verificou-se que há uma baixa adesão ao uso de EPIs, especialmente entre os horticultores acima de 60 anos, e com baixa instrução. Ressalvamos a vulnerabilidade dos horticultores do município de Altamira aos efeitos adversos do uso de agrotóxicos, sendo de suma importância à conscientização dos horticultores sobre os riscos dos agrotóxicos e a necessidade de melhoria dos sistemas de notificação para proteger a saúde desses e reduzir os impactos negativos ao ambiente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Caracterização morfoanatômica de clones de theobroma cacao l.: evidências estruturais para distinção clonal(Universidade Federal do Pará, 2025-08-29) ARAUJO, Dayane Sousa; REIS, Alisson Rodrigo Souza; http://lattes.cnpq.br/7258026642139407; https://orcid.org/0000-0001-7182-4814; HERRERA, Rairys Cravo; ABREU, Juliana Livian Lima de; ALMEIDA, Eliane Francisca de; http://lattes.cnpq.br/2153779197306503; http://lattes.cnpq.br/7062639220674099; http://lattes.cnpq.br/9110187847588003O cacaueiro (Theobroma cacao L.) é uma cultura tropical de alta relevância econômica, conhecido por ser a base de produção do chocolate. A diversidade de variedades e clones de cacau é resultado de séculos de domesticação e melhoramento genético para alto rendimento e resistência a doenças. incluindo genótipos amplamente cultivados na região Amazônica. A morfologia e anatomia têm se mostrado ferramentas valiosas na caracterização funcional de diferentes clones. Com isso, objetivou-se caracterizar morfoanatomicamente folhas de clones de T. cacao, em cultivo não irrigado, para contribuir com estratégias de seleção e melhoramento genético. Utilizou- se técnicas padrão em anatomia. Foram analisadas variáveis morfometrias (dimensões foliares, densidades estomáticas, celular e índice estomático), cortes anatômicos manuais (peciolo, pulvino, ápice, mediana e lateral do limbo) e testes histoquímicos, por meio de lâminas permanentes. As análises estatísticas compreenderam o teste de Kruskal–Wallis, de natureza não paramétrica, utilizado para detectar diferenças significativas entre clones, e a Análise de Componentes Principais (PCA). Os resultados mostraram diferenças expressivas entre clones. O PS1319, Ponta Verde Liso e Ipiranga 01, apresentaram maior dimensão foliar associada a menor índice estomático, condição que favorece eficiência fotossintética e controle de perda hídrica. Em contraste, o CCN51, CEPEC 2002/2004 exibiu significativa densidade estomática e lâminas reduzidas, característica relacionada à sua reconhecida tolerância a estresse e produtividade. A presença de feixes vasculares acessórios foi registrada em clones como CCN51, CCN10, CEPEC 2004 e Ponta verde liso. Quanto aos tricomas, além das formas comuns no grupo Thebroma, apresentaram diversificação estrutural nos padrões de ramos nos tricomas estrelados, além disso, foi identificado tricoma digitiforme e tricomas com estruturas colapsadas no ápice globular e corpo bulboso semelhante ao tipo claviforme em genótipos como CEPEC-2004, Ipiranga-01, PH-16 e Salobrinho. Os testes histoquímicos revelaram acúmulo de fenóis, lignina, lipídios e amido, reforçando funções de proteção estrutural e defensivas, essas evidências ampliam o conhecimento sobre a diversidade anatômica de clones de cacau na fornecendo subsídios para seleção de material para manejo sustentável e aplicação em programas de melhoramento genético.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Resposta da comunidade de odonata ao gradiente ambiental em igarapés da volta grande do Xingu(Universidade Federal do Pará, 2024-12-18) CHAVES, Esiene da Costa; SILVA, Karina Dias da; http://lattes.cnpq.br/2271768102150398; https://orcid.org/0000-0001-5548-4995; SILVA, Tatiana Pereira da; BRASIL, Leandro Schlemmer; SANTOS, Lenize Batista Calvão; GIEHL, Núbia França da Silva; BRITO, Joás da Silva; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; http://lattes.cnpq.br/1908629101039803; http://lattes.cnpq.br/2859350745554286; http://lattes.cnpq.br/1561280535072922; http://lattes.cnpq.br/6013054034235293O aumento das atividades antrópicas na Amazônia tem causado impactos significativos nos ecossistemas terrestres e aquáticos. O desmatamento, as queimadas e a construção de hidrelétricas, entre outras atividades, contribuem para a perda da biodiversidade e a degradação dos ecossistemas aquáticos, resultando na destruição de habitats e na redução de espécies aquáticas, como os Odonata, que são fundamentais para manter o equilíbrio desses ecossistemas. Os Odonata respondem rapidamente às mudanças no ambiente e são amplamente utilizados como bioindicadores de alterações ambientais devido à sua alta sensibilidade à qualidade do habitat e da água. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar as mudanças nas comunidades de Odonata em resposta às variáveis ambientais em igarapés da Volta Grande do Xingu. As coletas foram realizadas em 19 igarapés da região, abrangendo os municípios de Anapu, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu, em setembro de 2019, durante a estação seca amazônica. Para a captura dos insetos, utilizou-se o método de varredura em zonas fixas e rede entomológica (puçá), em100 metros em cada igarapé. Foram mensuradas as variáveis: pH, condutividade elétrica, temperatura da água, turbidez e oxigênio dissolvido. Em todos os igarapés, foi aplicado o Índice de Integridade de Habitat (IIH), que avalia o estado de conservação do habitat, variando de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, melhor o estado de conservação do igarapé; quanto mais próximo de 0, mais degradado o ambiente. Utilizamos o TITAN (Threshold Indicator Taxa Analysis) para avaliar o limiar do gradiente em que a comunidade apresenta ganho ou perda de espécies. No total, coletamos 526 indivíduos, distribuídos em duas subordens (Zygoptera e Anisoptera), 6 famílias, 26 gêneros e 43 espécies. A comunidade de Odonata apresentou mudança na sua composição nos valores a partir de 0,64 para o gradiente ambiental de IIH, tendo ganho de espécies em ambientes mais preservados. Em relação às outras variáveis ambientais, não tivemos mudanças para composição da comunidade de Odonata. A espécie A. fumigata Hagen, 1865, da subordem Zygoptera, destacou-se como espécie bioindicadora da qualidade de igarapés amazônicos, evidenciando assim que indivíduos desta subordem estão comumente associados a ambientes mais íntegros e preservados com vegetação densa, em razão das suas exigências ecofisiológicas. Nossos resultados demonstram que as alterações ambientais causadas pela ação antrópica alteram a qualidade do habitat nos igarapés e consequentemente afetam espécies que dependem desses ambientes. A presença de espécies bioindicadoras como Argia fumigata em ambientes preservados reforça a importância de conservar a integridade desses habitats para manter a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos associados.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Plantas acumuladoras de alumínio: panorama global e estudo ecofisiológico em quatro espécies de melastomataceae nativas da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2025-02-26) LEAL, Maria Danyelle Vieira; CASTRO, Laísa Maria de Resende; http://lattes.cnpq.br/8468190143314464; https://orcid.org/0000-0001-7312-9209; HERRERA, Raírys Cravo; http://lattes.cnpq.br/2153779197306503; https://orcid.org/0000-0002-9699-8359; REIS, Alisson Rodrigo Souza; WILLIAMS, Christina Cleo Vinson; VIANA, Ivan Becari; http://lattes.cnpq.br/7258026642139407; http://lattes.cnpq.br/8507325295596811; http://lattes.cnpq.br/3634076110574092Plantas acumuladoras de alumínio (Al) possuem a capacidade de se desenvolver em solos com altos níveis desse elemento na forma ionizada, uma condição que geralmente é tóxica para a maioria das plantas em ambientes ácidos. Essas espécies têm despertado interesse por sua relevância nos processos ecofisiológicos e pelo potencial para inovações biotecnológicas no manejo de solos ácidos, especialmente em regiões onde a acidez do solo é um fator limitante para a agricultura. No Brasil, estudos sobre essas plantas têm se concentrado na savana brasileira, deixando lacunas significativas em outros biomas, como a Amazônia. Assim, este trabalho tem como objetivo investigar o estado da arte global sobre plantas acumuladoras de Al, mapear sua distribuição geográfica em nível internacional e nacional e analisar o acúmulo do metal em quatro espécies da família Melastomataceae nativas da Amazônia brasileira. A dissertação foi estruturada em dois capítulos. O primeiro utilizou abordagens cienciométricas e de revisão sistemática com dados coletados nas bases Web of Science e Scopus, empregando termos de busca como “plants”, “hyperaccumulat*”, “Al accumulat*” e “tolerant plants”. Foram identificados 862 documentos, dos quais 129 atendiam aos critérios de elegibilidade. Os resultados evidenciaram que a produção científica está concentrada na China (31,49%), Japão (24,40%) e Brasil (20,47%), com ênfase na fisiologia (67,71% das publicações). As plantas acumuladoras de Al pertencem a 68 famílias botânicas, sendo 94,14% Angiospermas, predominando em regiões tropicais da Ásia e América. O segundo capítulo envolveu expedições científicas à Boca do Iriri e à Estação Ecológica Terra do Meio, no município de Altamira-PA, para identificar espécies acumuladoras de Al entre indivíduos de Melastomataceae. Em seis transectos de 500 x 5 m em floresta não inundável, foram coletadas amostras foliares e de solo. As análises anatômicas, histoquímicas e químicas revelaram que as quatro espécies estudadas apresentam hiperacumulação de Al, com teores médios variando entre 17.256,63 mg/kg e 30.660,93 mg/kg de Al na matéria seca, sendo o maior valor registrado em Miconia affinis DC. O registro de acumulação de Al em M. affinis e Miconia chrysophyilla (Rich) Urb. são feitos pela primeira vez neste estudo. O alumínio foi encontrado armazenado na parede celular da epiderme, do colênquima e no parênquima paliçádico das quatro espécies analisadas. Embora, apenas um dos testes histoquímicos tenha sido capaz de detectar a presença de Al nos tecidos de Bellucia grossularioides (L.) Triana. Assim, este estudo amplia o conhecimento sobre as plantas acumuladoras de Al e aponta para a importância de expandir pesquisas na Amazônia, contribuindo para o manejo sustentável de solos ácidos e a conservação da maior floresta tropical úmida do mundo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Etnoconhecimento e práticas tradicionais de manejo de abelhas em uma reserva extrativista da Amazônia paraense(Universidade Federal do Pará, 2025-06-23) LIMA, Willas Soares; SANTANA, Ronaldo Henrique; http://lattes.cnpq.br/1079251543891380; https://orcid.org/0000-0003-0853-2012; GOMES, Felipe Bittioli Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/0924023357753741; ORNELLAS, Valéria; PEREIRA, Tatiana; PEREIRA, José Wilson; MAGALHÃES, Plácido; CARVALHO, José Wilson; http://lattes.cnpq.br/1253485739454855; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; http://lattes.cnpq.br/8764876597882469; http://lattes.cnpq.br/8620943096137004; http://lattes.cnpq.br/4518277135356247As abelhas desempenham um papel fundamental na manutenção da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar global, devido à sua atuação como principais polinizadores em ecossistemas naturais e sistemas de produção agrícola. Entretanto, diversos fatores têm contribuído para o declínio das populações de abelhas, incluindo o desmatamento, a urbanização, o uso de pesticidas, as mudanças climáticas e a homogeneização das paisagens agrícolas. Compreender e valorizar os saberes tradicionais associados às abelhas sem ferrão pode fornecer subsídios relevantes para a conservação desses polinizadores e para o fortalecimento da identidade cultural de comunidades que dependem desses organismos. Este estudo visa compreender o etnoconhecimento sobre as abelhas sem ferrão de cinco comunidades inseridas na Reserva Extrativista Verde para Sempre, em Porto de Moz, Pará. A pesquisa foi desenvolvida no município de Porto de Moz, localizado na região oeste do estado do Pará. A seleção dos entrevistados seguiu a metodologia "bola de neve", uma estratégia de amostragem não probabilística amplamente utilizada em contextos de difícil acesso e redes fortemente interconectadas. Foram identificados um total de 10 nomes populares atribuídos às espécies de abelhas presentes no cotidiano dos comunitários da RESEX Verde para Sempre. A espécie Apis mellifera ligustica, também conhecida entre os moradores como "italiana", foi a mais citada, com um total de 17 ocorrências. A presença das abelhas no cotidiano das comunidades também se manifesta no uso dos recursos por elas fornecidos. O mel é o principal produto utilizado pelos comunitários, citado por todos os entrevistados (85%). Mesmo com essa relação próxima entre os moradores locais com as abelhas, a principal forma de obtenção dos seus produtos é por meio da compra (70%). As percepções sobre a diminuição das populações de abelhas estão alinhadas com evidências científicas sobre os impactos negativos do desmatamento, queimadas e mudanças climáticas nos polinizadores.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Exposição pré-natal ao mercúrio e os desfechos ao nascer em população ribeirinha da região do Xingu, Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2025-08-29) SILVA, Tânia da Conceição; PINHEIRO, Maria da Conceição; http://lattes.cnpq.br/6353829454533268; LUCIANELLI, Fernanda Nogueira Valentin ; http://lattes.cnpq.br/5323991664296959; https://orcid.org/0000-0002-8279-3758; NUNES, Daniela Santana; SANTOS, Ozelia Sousa; MARTINS, Tracy Martina Marques; http://lattes.cnpq.br/6036935515134179; http://lattes.cnpq.br/0732396645940620; http://lattes.cnpq.br/6308790966854045A exposição ao metilmercúrio (MeHg) durante a gestação representa um risco potencial ao desenvolvimento fetal, especialmente em populações amazônicas que consomem pescado com frequência. Este estudo buscou avaliar a relação entre o consumo de peixe por gestantes, os níveis de mercúrio total (HgT) no cordão umbilical e possíveis desfechos gestacionais e neonatais adversos, no município de Porto de Moz, Pará. O tipo de estudo foi observacional, com abordagem quantitativa, realizado com 108 gestantes atendidas em unidade básica de saúde entre 2024 e 2025. Foi analisada uma subamostra das gestantes com dados de biomarcadores, sendo mensurados os níveis de HgT no cordão umbilical por espectrometria de absorção atômica. Foram coletadas informações sobre consumo alimentar, perfil sociodemográfico e dados perinatais dos recém-nascidos. A média de HgT no cordão foi de 0,25 ± 0,18 μg/mg, com todos os valores abaixo do limite de risco (6 μg/L). Observou-se uma tendência de aumento dos níveis de HgT proporcional à frequência de consumo de pescado, especialmente de espécies carnívoras como tucunaré e traíra. Não foram identificadas malformações congênitas ou prematuridade, mas houve tendência de redução no peso ao nascer com o aumento do HgT, embora sem significância estatística (p = 0,174; R² = 11,9%). Apesar de os níveis de mercúrio detectados estarem abaixo dos limiares de risco, os achados indicam uma exposição crônica relevante associada ao padrão alimentar regional. O consumo predominante de espécies não carnívoras pode ter atuado como fator protetivo. Os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da exposição ao MeHg em gestantes amazônicas, além de ações de educação alimentar e vigilância ambiental articuladas às especificidades socioculturais locais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Acumulação de carbono e emissão de gases de efeito estufa na planície costeira de Soure, leste da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2025-04-16) SANTOS, Railson Figueiredo dos; RODRIGUES, Fernanda Costa Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/1166409664890965; https://orcid.org/0000-0003-1236-7937; SAWAKUCHI, André Oliveira; http://lattes.cnpq.br/3999005419444953; CUNHA, Janice Muriel; NEU, Vania; BERTASSOLI JUNIOR, Dailson José; MENEZES, Moirah Paula Machado de; BIANCALANA, Fernanda Simas Corrêa; http://lattes.cnpq.br/4027012189701116; http://lattes.cnpq.br/3604856885451502; http://lattes.cnpq.br/3985950745453599; http://lattes.cnpq.br/4242537967460940; http://lattes.cnpq.br/3806269055298009Os ambientes estuarinos são caracterizados por serem dinâmicos, resultante da interação fluvial e marinha, influenciados por processos hidrodinâmicos, biológicos e geomorfológicos, com atuação direta dos processos deposicionais atrelados às correntes fluviais e marés. Áreas estuarinas apresentam uma variedade de ecossistemas, incluindo manguezais. Os manguezais se destacam por seu papel ecológico, climático, além de atuarem como berçário para a biodiversidade. Os sedimentos ricos em matéria orgânica e condições para preservação da matéria orgânica nos manguezais contribuem para o acúmulo de carbono, caracterizando os manguezais como sumidouro natural de carbono azul. No entanto, impactos antrópicos ameaçam esse ecossistema, o que pode resultar na liberação de gases de efeito estufa (GEE) como o dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) para a atmosfera. As florestas de manguezais assumem um papel importante para a regulação climática ao capturar e armazenar o CO2 no solo, auxiliando na redução e concentração GEE na atmosfera, desempenhando um papel de grande relevância como mitigador das mudanças climáticas. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a relação entre as fácies sedimentares, a estocagem de carbono e as emissões de CO2 e CH4 na planície litorânea-estuarina localizada no município de Soure (PA). A planície costeira da área de estudo é formada por processos deposicionais de energia baixa a moderado, refletindo-se na alternância entre camadas lamosas e arenosas. Observou-se níveis de COT em até 9% acumulados nas camadas de sedimentos mais superficiais dos manguezais da área de estudo. A análise de isótopos estáveis de carbono aponta para predomínio de matéria orgânica derivada de plantas superiores (árvores e arbustos). A datação por radiocarbono das camadas lamosas ricas em matéria orgânica revela o estabelecimento desse ecossistema na porção leste do Marajó a partir do Holoceno médio há cerca de 3626 cal. A.P. Medições de fluxos de CO2 e CH4 realizados em canais de maré adjacentes aos manguezais demonstram variações significativas durante os ciclos de marés. O CO2 obteve maiores concentrações e fluxos em fases de maré baixa. Para o CH4, os fluxos foram predominantemente difusivos, especialmente na Barra Velha, enquanto para a localidade do Pesqueiro na maré alta, os fluxos totais difusivos foram superiores, além de registrarem fluxo ebulitivo, para ambos os fluxos (difusivos e ebulitivos) são indicativos de emissão de CH4 para a atmosfera. A planície costeira de Soure apresenta fácies características de ecossistemas de manguezais pelo menos desde aproximadamente 3600 anos AP, com substrato formado por intercalações de sedimentos lamosos e arenosos. A integração dos dados de isótopos estáveis de carbono, COT, datação 14C e medidas de fluxo de GEE foi de suma importância para entender o ciclo do carbono na região e sua relação com os acontecimentos passados e atuais perante as mudanças climáticas, enfatizando a necessidade de preservação e conservação desses ecossistemas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Anestesia com eugenol em hypancistrus seideli (Siluriformes: Loricariidae): teste com exposição e reexposição(Universidade Federal do Pará, 2025-04-10) SANTOS, Mayara Fernanda Cabral da Rocha; PEREIRA, Tatiana da Silva; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; SILVA JÚNIOR, Flavio Manoel Rodrigues da; ROCHA, Juliana Delatim Simonato; AMADO, Lílian Lund; BARBAS, Luis André Luz; ANDRADE, Marcelo Moraes; http://lattes.cnpq.br/6001686006338661; http://lattes.cnpq.br/0889677472146308; http://lattes.cnpq.br/3382900147208081; http://lattes.cnpq.br/0067206681021272; http://lattes.cnpq.br/0231296279253720; https://orcid.org/0000-0002-7344-4679; https://orcid.org/0000-0002-1623-1490; https://orcid.org/0000-0001-7693-8191; https://orcid.org/0000-0002-2708-8909; https://orcid.org/0000-0002-0861-7668O presente trabalho busca determinar a concentração segura do anestésico eugenol para a anestesia de Hypancistrus seideli, peixe amazônico, endêmico do rio Xingu e de importância para o comércio ornamental, através de um protocolo alternativo que utiliza menos animais do que os testes tradicionais de LC50 e LD50. Foram analisados os efeitos anestésicos do eugenol em 64 espécimes de H. seideli. Para essa avaliação utilizamos os estágios já padronizados por Ross e Ross de 2008 adaptados para loricarideos. Os peixes foram escolhidos randomicamente e colocados individualmente em aquários, com parâmetros controlados. Foram testados 64 espécimes de H. Seideli divididos em quatro grupos, onde o grupo um e dois receberam 2 mg.L-¹ da solução anestésica em tempos diferentes. O grupo um a cada um minuto e o grupo dois a cada dois minutos. Estes mesmos peixes foram reexpostos ao eugenol três meses depois para saber se houve tolerancia reversa nos animais. O grupo três e quatros eram constituidos de peixes que numca tiveram contato com eugenol. Eles receberam as concentrações referentes as médias das concentrações encontradas no grupo um e dois, respectivamente 32,6 mg.L-¹ e 24,87 mg.L-¹, mas sem a necessidade de reexposição após três meses. Na preparação da solução, o eugenol foi diluído em etanol 70%, na proporção 1:9. Os peixes foram escolhidos randomicamente e observados simultaneamente por dois pesquisadores. Cada peixe foi testado individualmente em aquários contendo 5 L de água. O teste PERMANOVA foi realizado mostrando que não houve diferença nas doses de exposição e reexposição e que a concentração de exposição segura de anestesia para H. seideli foi de 32,6 mg.L-¹ onde 100% dos peixes chegaram a anestesia e em tempo hábil. Não houve mortalidade durante o experimento, nem após meses da realização dos testes. O protocolo utilizado neste trabalho foi efetivo e seguro para o uso de eugenol em espécimes de H. seideli.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A influência da flora na qualidade da própolis produzida por apis mellifera em áreas de capoeira no município de Ourém, Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2025-07-23) OLIVEIRA, Marcelo Moreira de; OLIVEIRA, Francisco Plácido Magalhães; http://lattes.cnpq.br/8620943096137004; RODRIGUES, Felipe Bittioli; http://lattes.cnpq.br/0924023357753741; LEÃO, Fábio; REIS, Alisson Rodrigo Souza; SILVA, José Wilson; MESQUITA, José Wilson; ROCHA, Tainá TeixeiraA composição química da própolis evidencia que esta matéria-prima é variável não apenas devido à variabilidade das fontes vegetais, mas também dependendo da espécie de abelha, iluminação, altitude e disponibilidade de alimento. Neste contexto, o objetivo do presente trabalho é avaliar a composição físico-químico da própolis produzida em apiários no município de Ourém/Pa instalados em áreas de capoeira (floresta secundária). As amostras foram coletadas em 5 apiários da empresa Ouremmel, sendo localizados nas áreas denominadas de Riacho, Raspadeira, Limão, Puraquequarinha e área do Sr. Luís. As coletas foram realizadas uma vez por mês, durante 12 meses (agosto a dezembro/2023 e de janeiro a julho/2024), utilizando como coletor uma tela plástica do tipo sombrite instalada abaixo da tampa da colmeia. As análises físico-químicas e sensoriais foram avaliadas de acordo com os compostos polifenóis totais (PT), flavonóides totais (FOT) e flavanóides totais (FAT). Para análise da paisagem e cobertura do solo foram analisadas imagens de satélite das áreas do entorno dos apiários, considerando um raio de 1000m do centro de cada apiário, investigando sobre o uso da terra e realizando um levantamento botânico das espécies mais abundantes e frequentes. Os resultados demonstraram que a composição de flavonoides totais na própolis apresenta significativa variabilidade espacial e temporal, influenciada por diversos fatores ambientais, fenológicos e antrópicos. As análises realizadas nos cinco apiários evidenciaram padrões distintos, refletindo a diversidade florística e as especificidades ecológicas de cada local.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Mudança hidrossedimentológica na volta grande do Xingu influenciada pela Usina Hidrelétrica Belo Monte(Universidade Federal do Pará, 2025-04-16) HENRIQUES, Matheus de Oliveira; RODRIGUES, Fernanda Costa Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/1166409664890965; https://orcid.org/0000-0003-1236-7937; SAWAKUCHI, André Oliveira; http://lattes.cnpq.br/3999005419444953; CUNHA, Janice Muriel; SOUSA, Leandro Melo de; WAHNFRIED, Ingo Daniel; PUPIM, Fabiano do Nascimento; ZUANON, Jansen Alfredo Sampaio; http://lattes.cnpq.br/4027012189701116; http://lattes.cnpq.br/6529610233878356; http://lattes.cnpq.br/5399807455957370; http://lattes.cnpq.br/0329197428428225; http://lattes.cnpq.br/0161925591909696As barragens têm impactos significativos sobre a dinâmica hidrológica e sedimentar dos rios, o que afeta diretamente a morfologia fluvial e os ecossistemas aquáticos e de áreas alagáveis. A retenção de sedimentos nos reservatórios, assim como a redução da vazão, altera o aporte sedimentar que seria transportado a jusante, podendo resultar tanto em erosão do leito e das margens quanto em assoreamento, perturbando a heterogeneidade ambiental necessária para manutenção da biodiversidade. Essa perturbação na heterogeneidade ambiental influência diretamente a disponibilidade de habitats, uma vez que sistemas com maior variabilidade de ambientes físicos tendem a ser mais resistentes a perturbações, como mudanças climáticas ou impactos antrópicos. Neste contexto, a Usina Hidrelétrica Belo Monte, uma das maiores usinas hidrelétricas do país em termos de potência instalada, foi implantada na Volta Grande do Xingu. A área da Volta Grande do Xingu se caracteriza por ser uma região de aproximadamente 130 km de extensão no médio curso do Rio Xingu, apresentar águas claras, de baixa profundidade, com trechos sinuosos, o que cria um complexo mosaico de habitats aquáticos e de inundação sazonal, além da presença de corredeiras e ilhas, praias, igarapés e canais sobre substratos rochosos que abrigam uma rica e também endêmica biodiversidade aquática e ripária. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi caracterizar os depósitos sedimentares associados ao canal principal e aos igarapés da Volta Grande do Xingu, adjacente à aldeia Mïratu (Terra Indígena Paquiçamba) e, analisar as características internas dos depósitos sedimentares por meio de análises de fácies e granulometria. Além disto, foi realizada a análise de proveniência (origem) dos sedimentos utilizando a sensibilidade da luminescência opticamente estimulada e também identificadas áreas em processo de erosão e assoreamento. Por último, foi investigada como as variações de vazão provocam mudanças nos igarapés e canais associados aos habitats da fauna aquática e das áreas sazonalmente alagáveis. As análises faciológicas indicaram que os leitos do Igarapé paraíso, Ilha do Zé Maria e canais principais são compostos por ao menos três fácies sedimentares (lama maciça compactada com cascalho, cascalho de blocos de rocha e areia média a muito grossa). Os perfis batimétricos dos canais relevaram significativa variabilidade de lâmina d’água, destacando a hidrodinâmica e os processos de erosão e deposição que moldam o leito do Rio Xingu, corroborando com a ideia de alta heterogeneidade ambiental. As réguas linimétricas evidenciaram correlação positiva entre os níveis da água no canal principal e igarapés. A granulometria relevou maior frequência de areia média a grossa (com cascalho) e menor ocorrência de areia fina. A sensibilidade da luminescência opticamente estimulada (OSL) indicou fontes distintas para as areias. A área 7 apresentou, majoritariamente, quartzo de menor sensibilidade com mediana menor que 50% (porcentagem do primeiro segundo de estimulação). A área 3 (Igarapé Paraíso e canais adjacentes) apresentou areias de sensibilidade variável, sugestiva de mistura de fontes. As demais áreas estudadas apresentaram, majoritariamente, grãos de quartzo com sensibilidade com mediana maior que 50%. Esses resultados contribuem para o entendimento dos impactos associados à regulação da vazão na Volta Grande do Xingu, fornecendo subsídios para futuras ações de manejo ambiental voltadas à conservação da biodiversidade e à proteção das áreas alagáveis, especialmente no contexto das mudanças provocadas pela Usina Hidrelétrica Belo Monte.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As roças e o extrativismo vegetal em comunidades rurais de Parintins, Amazonas(Universidade Federal do Pará, 2025-02-26) PIEDADE, Louise Cristine Alves; MENEZES, Moirah Paula Machado de; http://lattes.cnpq.br/4242537967460940; PEREIRA, Tatiana da Silva; SILVA, Marivana Borges; ROMAGNOLI, Fernanda Carneiro; http://lattes.cnpq.br/4005250095700054; http://lattes.cnpq.br/1604205059852571; http://lattes.cnpq.br/0831545262046295O trabalho investiga as práticas tradicionais de cultivo e extrativismo vegetal em duas comunidades rurais localizadas no município de Parintins, estado do Amazonas, visando compreender a relevância dessas atividades para a subsistência, segurança alimentar e renda das famílias locais, destacando a interação entre o conhecimento local e as mudanças socioambientais observadas na região. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com 42 moradores, complementadas por observação direta, passeios guiados e coleta de material botânico sempre que possível. Foram identificadas 43 espécies vegetais distribuídas em 38 gêneros e 26 famílias botânicas, com predominância das palmeiras da família Arecaceae. A mandioca (Manihot esculenta Crantz), o tucumã (Astrocaryum aculeatum G.Mey) e o açaí (Euterpe sp.) destacam-se como as espécies mais citadas, tanto pelo uso alimentar quanto pela importância econômica. Os resultados indicaram que a roça permanece como uma atividade agrícola mais significativa, sendo realizada majoritariamente em sistema familiar, sem o uso de agrotóxicos, e com forte influência dos conhecimentos transmitidos entre gerações. A produção, baseada no cultivo de mandioca, banana, cana-de-açúcar, milho e demais espécies de ciclo curto, é destinada, em grande parte, ao consumo próprio, com o excedente utilizado para a comercialização. A farinha de mandioca se revelou o principal produto comercializado, sendo fundamental para a renda familiar. O extrativismo vegetal, por sua vez, tem se tornado uma atividade secundária, com uma redução obrigatória na frequência de coleta devido a diminuição da disponibilidade de algumas espécies e alterações nos ciclos de frutificação, atribuídas a mudanças ambientais. A coleta de frutos como o tucumã, a castanha-do-pará e a bacaba ainda persistem, mas os comunitários relatando que espécies antes comuns já não são mais encontradas com a mesma facilidade. Embora ambas as atividades sejam essenciais para a subsistência das comunidades, há um evidente distanciamento das práticas tradicionais, impulsionado pela introdução de hábitos alimentares externos e pela dificuldade de escoamento da produção. Além disso, a ausência de incentivos governamentais e o acesso limitado à assistência técnica foram apontados como fatores que dificultam a manutenção dessas práticas. Concluiu-se que o manejo tradicional da roça e o extrativismo vegetal, além de garantir a subsistência e a renda familiar, desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade local e na manutenção do conhecimento tradicional associado. Diante das mudanças observadas, o estudo destaca a importância de políticas públicas que incentivem práticas agroextrativistas sustentáveis, promovam o fortalecimento das comunidades e valorizem o conhecimento que elas acumulam, garantindo, assim, a continuidade dessas práticas no contexto amazônico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Monitoramento inteligente de peixes amazônicos: detecção e classificação com aprendizado profundo em passagens de peixes(Universidade Federal do Pará, 2025-03-31) NOGUEIRA, Felipe de Luca dos Santos; NOLETO, Eurico; http://lattes.cnpq.br/9671212401003657; GIARRIZZO, Tommaso; http://lattes.cnpq.br/5889416127858884; SOUSA, Leandro Melo de; KEPPELER, Friedrich Wolfgang; DREWS JUNIOR, Paulo Lilles Jorge; http://lattes.cnpq.br/6529610233878356; http://lattes.cnpq.br/4743340542470876; http://lattes.cnpq.br/5551697165370587A Bacia Amazˆonica possui um dos maiores potenciais hidrel´etricos do mundo, sendo respons´avel por uma parcela significativa da gera¸c˜ao de energia no Brasil. A constru¸c˜ao de empreendimentos hidrel´etricos na regi˜ao, como o Complexo Hidrel´etrico Belo Monte, visa atender `a crescente demanda energ´etica, mas tamb´em pode impactar a dinˆamica migrat´oria e a conserva¸c˜ao da ictiofauna amazˆonica. Diante disso, torna-se essencial o desenvolvimento de sistemas de monitoramento automatizados para avaliar a efetividade das estruturas de mitiga¸c˜ao, como as passagens de peixes. Este estudo apresenta o desenvolvimento de um sistema de monitoramento automatizado para a detec¸c˜ao e classifica¸c˜ao de esp´ecies de peixes na passagem de peixes da barragem do sitio Pimental, que integra o Complexo Hidrel´etrico Belo Monte. A pesquisa foi conduzida no sistema de transposi¸c˜ao de peixes (STP) da barragem do sitio Pimental, utilizando t´ecnicas de vis˜ao computacional. Para a constru¸c˜ao do conjunto de dados, quadros foram extra´ıdos de v´ıdeos subaqu´aticos capturados pelo STP, sendo posteriormente anotados manualmente na plataforma Darwin V7. O banco de dados resultante foi composto por 1000 imagens, divididas em conjuntos de treinamento (700), valida¸c˜ao (150) e teste (150). As dezenove esp´ecies foram selecionadas com base na frequˆencia de ocorrˆencia e importˆancia migrat´oria, sendo destacadas Phractocephalus hemioliopterus e Cichla melaniae, entre outras. A modelagem foi realizada utilizando Redes Neurais Convolucionais (RNCs), implementadas no modelo YOLO v8, conhecido por sua eficiˆencia em tarefas de detec¸c˜ao de imagens. A t´ecnica de aumento de dados (data augmentation) foi aplicada para expandir a diversidade do conjunto de treinamento, introduzindo transforma¸c˜oes como rota¸c˜oes, transla¸c˜oes, escalonamento e ajustes de brilho. O treinamento foi conduzido na plataforma Google Colab PRO, utilizando uma GPU NVIDIA A100, garantindo alto desempenho no processamento das imagens. Durante o processo, foram ajustados parˆametros como learning rate (0,01), momentum (0,937) e weight decay (0,0005), visando minimizar o overfitting e melhorar a generaliza ¸c˜ao do modelo. A avalia¸c˜ao do modelo foi realizada por meio de m´etricas como precis˜ao, recall, F1-score e mean Average Precision (mAP). Os resultados indicaram um desempenho superior para esp´ecies mais representadas no conjunto de dados, como Phractocephalus hemioliopterus (F1-score de 91%) e Cichla melaniae (87%). Esp´ecies menos frequentes apresentaram menor precis˜ao na classifica¸c˜ao, como Leporinus friderici (52%) e Leporinus sp2 (55%).As curvas de aprendizado demonstraram redu¸c˜ao progressiva das perdas de treinamento e valida¸c˜ao, evidenciando a capacidade do modelo de reconhecer padr˜oes visuais das esp´ecies. O modelo manteve desempenho consistente em diferentes condi¸c˜oes ambientais, incluindo alta turbidez e reflexos de ilumina¸c˜ao artificial, refor¸cando seu potencial para o monitoramento cont´ınuo da biodiversidade aqu´atica. Entretanto, algumas limita¸c˜oes foram identificadas, como a variabilidade sazonal na qualidade das imagens e a baixa representatividade de certas esp´ecies, o que pode comprometer a generaliza¸c˜ao do modelo. Al´em disso, o tempo de processamento e a necessidade de infraestrutura computacional robusta s˜ao fatores a serem considerados. A implementa¸c˜ao deste sistema no STP, dentro do Complexo Hidrel´etrico Belo Monte, representa um avan¸co na avalia¸c˜ao de estruturas mitigadoras de impactos ambientais, fornecendo informa¸c˜oes fundamentais para o manejo sustent´avel da fauna aqu´atica em grandes empreendimentos hidrel´etricos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Uso e cobertura da terra e parâmetros biofísicos: análise do projeto de assentamento Assurini, Altamira-Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2024-12-17) CRUZ, Cassiele Fonseca da; VELOSO, Gabriel Alves; http://lattes.cnpq.br/9757471213923099; https://orcid.org/0000-0002-3655-4166; HERRERA, Raírys Cravo; http://lattes.cnpq.br/2153779197306503; https://orcid.org/0000-0002-9699-8359; ALVAREZ, Welligton de Pinho; SILVA, Eder Mileno; CALVI, Miquéias FreitasAs mudanças ocorridas no uso e cobertura da terra e seus impactos vêm sendo discutidos por diversas agências governamentais e científicas no mundo. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da implantação do projeto de assentamento Assurini e de sua dinâmica de uso da terra sobre parâmetros biofísicos, como o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI), Temperatura de Superfície (Ts) e Saldo de Radiação (Rn). Esses parâmetros foram analisados em áreas de vegetação nativa e secundária, bem como em áreas de pastagem e vegetação degradada com presença de solo desnudo. Para a realização da pesquisa, foram utilizados produtos orbitais dos satélites Landsat 5 (TM) e Landsat 8 (OLI/TIRS), ponto 62 órbita 225, bem como dados meteorológicos da plataforma ERAS 5, durante anos de 1996, 2006, 2011, 2017 e 2023, no qual os dados foram processados na plataforma do Google Earth Engine - GEE. Para coletar os dados de uso e cobertura da terra, foram utilizados dados de sensoriamento remoto manejados em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas para o processamento e geração dos dados. Observou-se que o NDVI apresentou redução ao longo dos anos devido à diminuição das áreas de floresta nativa, enquanto a Ts apresentou aumento, sobretudo no ano de 2017 e 2023, devido à substituição da vegetação nativa por áreas de pastagem. Observou-se também que os dados de Rn foram impactados pela dinâmica de uso e ocupação da terra no assentamento, e sofreu influências da disponibilidade de radiação solar incidente nos dias dos anos de 2017 e 2023. As áreas de vegetação nativa apresentaram os maiores valores de NDVI com 0,91 em 4 de julho de 2011 e Rn em 6 de setembro de 2017 com 754,85 Wm-² e 25 de outubro de 2023 com 797,33 Wm-², além dos menores valores de Ts, enquanto as áreas de pastagem e solo desnudo mostraram menores valores de NDVI e Rn, e maiores valores de Ts nos anos de 2017 e 2023 com 28 e 37ºC. Em relação ao uso e cobertura da terra no PA a classe pastagem 1996 tinha 6.639,527 hectares e em 2023 aumentou para 20.024,18 ha, equivalente a um aumento de 332% de área. Os parâmetros biofísicos estudados apresentaram alteração na área do assentamento Assurini, observou-se que houve uma diminuição de sua extensão em 13.725,76 ha em 27 anos após a criação do PA e em 2023 houve uma perda total de floresta nativa de 52,20% em relação ao ano 1996 e essa redução nas áreas de floresta ocorreu devido à conversão dessas áreas em espaços que desenvolvem atividades relacionadas à expansão agropecuária no assentamento.Portanto, as diferentes coberturas do solo influenciaram diretamente nos parâmetros biofísicos, e uso da terra o que demonstra padrões de comportamento diferenciados de absorção de energia. Assim, é de extrema importância a consolidação de políticas públicas compatíveis com a realidade de cada assentamento, bem como a criação, disseminação e acesso a meios para a inserção de sistemas agrícolas com produções mais sustentáveis.
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