Conhecimentos e Metas de Socialização Emocional entre Crianças e seus Pais na Floresta Nacional do Tapajós-Pa

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15-04-2025

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PRIANTE, Priscila Tavares. Conhecimentos e Metas de Socialização Emocional entre Crianças e seus Pais na Floresta Nacional do Tapajós-Pa. Orientador(a): Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2025. 214 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18095. Acesso em:.

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Esta tese é constituída por quatro estudos independentes, que foram realizados de forma articulada para responder ao objetivo geral da pesquisa: Compreender o papel da socialização emocional no desenvolvimento infantil, investigando os (a) conhecimentos e (b) metas de socialização de crianças de 4 a 7 anos, (c) do ponto de vista das próprias crianças e dos seus pais. Além disso, avaliar experimentalmente a relação entre essas (d) metas parentais e o comportamento de ajuda em crianças de comunidades da Floresta Nacional do Tapajós. A pesquisa defende que o desenvolvimento infantil pode ser melhor compreendido ao considerar que os conhecimentos dos pais sobre a expressão emocional dos filhos, assim como as metas e estratégias que assumem nesse processo de socialização, estão diretamente associados à forma como as crianças aprendem a definir, expressar e regular suas emoções dentro do contexto ecocultural onde convivem com sua família e comunidade. Os instrumentos utilizados foram: Questionário de Concepções Parentais sobre a Expressão Emocional em Crianças, Questionário de Metas de Socialização da Emoção, Questionário de Objetivos do desenvolvimento e Tarefas experimentais com foco no comportamento de ajuda espontânea, e formulários para identificação do participante e registro dos dados sociodemográficos Participaram da pesquisa 53 mães (M=32,9 anos, dp= 10,6), 44 pais (M= 34,1 anos, dp=9,6), seus filhos com idades entre 48 e 95 meses (M=70,4 meses, dp= 13,6), e outras 10 crianças (M = 28 meses; dp. = 3.64). Entre os resultados, destacam-se: a) No Estudo 1, as mães atribuem a categoria “estado psicológico ou motivação com projeção para o outro” para alegria, tristeza, raiva, medo e vergonha, exceto orgulho na categoria “não classificável”, atribuído a características positivas (conquistas) e negativas (superioridade). Os pais apresentaram resultados semelhantes, exceto às menções de medo e vergonha geralmente associados à categoria “atribuição de causalidade/origem a si ou ao ambiente”. A alegria apresentou-se como a emoção mais valorizada e a única a apresentar mais de 70% de concordância nas respostas “muito” ou “completamente” sobre seus filhos sentirem determinada emoção. A manifestação das emoções, para a maioria das mães, relaciona-se à “situação ou contexto causador”. Da mesma maneira os pais, apenas a emoção vergonha teve maior prevalência na categoria “manifestação corporal/motora”; b) No que tange às metas de socialização parentais, objeto do Estudo 2, 52,27% (23 mães) e 47,82% (11 pais) valorizaram características de “automaximização”; sobre as condições para o desenvolvimento das metas de socialização emocional desejadas, as maiores frequências foram de 68,96% (20 mães) na categoria “outros”, valorizando sobretudo, os estudos e os pais dividiram-se entre “centradas no cuidador”, 38,77% (19 pais), e “centrada na criança”, 36,73% (18 pais). Eles consideram que, tão importante quando ser modelo e conversar, é que a criança ouça e obedeça aos conselhos ensinados. O papel da atuação parental, para ambos, é o “educar/orientar” de percentual mais expressivo de mães (87,5% - 49 participantes), comparada aos pais (50,3% - 44 participantes). Os resultados referentes aos objetivos do desenvolvimento indicaram maior prevalência de um modelo com características relacionais (M=3,53 dp=0,22), sem desconsiderar as características autônomas, como “desenvolva os seus próprios talentos e interesses”, com 86,5% dos participantes concordando totalmente com essa assertiva; c) No estudo 4, os resultados das expectativas infantis demonstram, de modo geral, a categoria “manifestação corporal” voltada para a emoção alegria, o medo foi relacionado à “atribuição de causa” e as demais emoções pesquisadas em “estado psicológico ou motivação com projeção para o outro”. As expectativas desejadas pelas crianças, quando se tornarem adultas, em mais de 80% dos discursos trouxeram conteúdos sobre as profissões desejadas, se tornarem super-heróis ou ficarem grandes e bonitos. As respostas das crianças mostraram um raciocínio lógico entre as questões, pontuando as condições e atuação parental necessárias para atingirem seus objetivos; d) No estudo 4, das metas parentais e comportamento prossocial das crianças os resultados obtidos com os pais indicaram valorização de metas de socialização emocional com características de autonomia e relacionamento. A independência, as habilidades e os talentos pessoais são valorizados pelos pais, desde que orientados por eles. A autonomia é vista como uma possibilidade de se tornar capaz de ajudar e cuidar do outro. Os resultados das tarefas experimentais demonstraram um alto desempenho tanto na realização quanto no tempo de hesitação das crianças, que variou entre “pouca hesitação” e “imediatamente”. A partir desses dados, percebe-se que o conceito das emoções perpassa as demais concepções, relacionandose objetivos de socialização sobre o que deve ser valorizado e quais devem ser evitados. Assim como nas respostas das crianças, a alegria mostrou-se a emoção mais valorizada, enquanto o orgulho se revelou a mais contraditória. A maioria das crianças não soube conceituá-lo, mas demonstrou curiosidade em saber mais sobre essa emoção. Infere-se que essa dificuldade se deve não somente à complexibilidade do conceito, mas principalmente em virtude de os pais não conversarem com elas sobre essa emoção ou sequer ouvirem essa palavra no cotidiano. Da mesma maneira, as metas parentais, foram, a sua maneira, reproduzidas pelas crianças como desejo de conseguir uma profissão e trabalhar na Flona. O alto desempenho das crianças nas tarefas experimentais ocorreu como o esperado, por estarem sendo socializadas e conviverem em um contexto com maior prevalência de características interdependentes condizente com os valores culturais relacionados ao cuidado e preocupação com a coletividade, especialmente, com os familiares. As limitações desse estudo incluem o quantitativo de participantes, em especial, no quantitativo de crianças, em uma amostra maior, são possíveis análises estatísticas, como associações, cruzamento dos dados com diferentes variáveis sociodemográficas como escolaridade, idade que teve o primeiro filho, entre outras. Dentre as contribuições teóricas, espera-se um retorno à Psicologia do Desenvolvimento e à produção sobre o Modelo Ecocultural de Desenvolvimento, a partir dos resultados de pesquisa realizada em um contexto ribeirinho. Nele são predominantes características culturais não apenas voltadas para a transmissão de conhecimentos entre gerações, mas também reflete objetivos de independência e sucesso acadêmico, principalmente entre as mulheres e mães, que buscam elevar o seu nível de escolaridade. “Estudar”, apesar de não ser especificamente uma característica emocional desejada para os filhos, representa a oportunidade de conseguir um emprego, alcançar a independência financeira e poder amparar e cuidar dos pais no futuro. Inspirada nesta pesquisa sugere-se a realização de novas pesquisas em contextos ecoculturais nos quais as características naturais (estar em terra firme ou área de várzea, por exemplo), ditem conhecimentos e metas de socialização das emoções em diferentes esferas dessa população.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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1 CD-ROM

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