Princípio da destruição e racismo na obra políticas da inimizade de Achille Mbembe

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27-02-2026

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MADEIRO, Roseane Lopes de. Título: subtítulo. Orientador: Ernani Pinheiro Chaves. 2025. 81 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18287. Acesso em:.

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O ponto de partida desta pesquisa é o cenário das sociedades liberais contemporâneas em que vigora uma política das inimizades, onde vários corpos são fabricados enquanto inimigos: em primeiro lugar – negros e judeus – o que não nos surpreende diante dos horrores da colônia e do campo de concentração, bem como do que se atualiza nos dias atuais enquanto herança do colonialismo e do antissemitismo. Como resultado disso, temos diversas populações excedentes, deslocadas, estrangeiras, as quais têm sido colocadas nesse lugar de indesejáveis. Ao dissemelhante é direcionado um ódio o qual percorre um trajeto pulsional que ora parte do eu em direção ao Outro e ora faz o trajeto contrário. É o que Mbembe chamou de “pulsão do inimigo”, a qual se traduz pela energia pulsional de morte e de destruição endereçada ao Outro tido como inimigo, e inevitavelmente a si mesmo. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é o de examinar o racismo a partir do conceito de “princípio da destruição” no pensamento de Achille Mbembe. Parte-se da hipótese de que a dualidade entre vida e destruição por ele discutida se pauta na dualidade pulsional outrora postulada por Freud entre as pulsões de vida e de morte. Analisar o racismo a partir da pulsão de morte nos conduz a examinar a relação dialética entre o eu e o Outro, tido como inimigo. Para desenvolver esse percurso de mão dupla, trouxemos para o debate dois autores com os quais Mbembe dialoga: Freud e Fanon. Em relação a Freud, abordaremos seu argumento de que a experiência da guerra nos mostra que o homem, apesar de civilizado, demonstra o quanto seu estado mais primitivo e anímico ainda o habita; em razão disso, ao tomar o inimigo como alvo de uma força destrutiva voltada para o seu aniquilamento, o homem está tentando igualmente aniquilar em seu próprio eu um traço identificatório com tal homem primitivo. Em Fanon, traremos sua discussão acerca da subjetividade do negro aprisionada aos ideais do branco, a partir de uma dialética hegeliana de reconhecimento. Neste contexto, o racismo seria um direcionamento da força pulsional mortífera de dentro de si mesmo em direção ao Outro. Projeta-se para fora aquilo que era para ser redirecionado ao próprio eu, como um mecanismo inconsciente de defesa que visa manter a integridade do Eu. A partir do trabalho de colocar a psicanálise a serviço dos estudos sobre o racismo, é possível fazer operar o conceito de pulsão de morte para pensar as questões raciais. Como resultado parcial dessa interface entre a Filosofia de Mbembe e Fanon e a teoria freudiana, foi possível localizar o seguinte achado: no racismo o inimigo está do lado de dentro.

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