Dissertações em Filosofia (Mestrado) - PPGFIL/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/5863
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 2011, foi reconhecido pela CAPES nos termos da Portaria nº 84, de 22/12/2014 pertence ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Princípio da destruição e racismo na obra políticas da inimizade de Achille Mbembe(Universidade Federal do Pará, 2026-02-27) MADEIRO, Roseane Torres de; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; SOUZA, Priscila Santos de; MATOS, Saulo Monteiro Martinho de; http://lattes.cnpq.br; http://lattes.cnpq.br/1755999011402142; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-4396-7276O ponto de partida desta pesquisa é o cenário das sociedades liberais contemporâneas em que vigora uma política das inimizades, onde vários corpos são fabricados enquanto inimigos: em primeiro lugar – negros e judeus – o que não nos surpreende diante dos horrores da colônia e do campo de concentração, bem como do que se atualiza nos dias atuais enquanto herança do colonialismo e do antissemitismo. Como resultado disso, temos diversas populações excedentes, deslocadas, estrangeiras, as quais têm sido colocadas nesse lugar de indesejáveis. Ao dissemelhante é direcionado um ódio o qual percorre um trajeto pulsional que ora parte do eu em direção ao Outro e ora faz o trajeto contrário. É o que Mbembe chamou de “pulsão do inimigo”, a qual se traduz pela energia pulsional de morte e de destruição endereçada ao Outro tido como inimigo, e inevitavelmente a si mesmo. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é o de examinar o racismo a partir do conceito de “princípio da destruição” no pensamento de Achille Mbembe. Parte-se da hipótese de que a dualidade entre vida e destruição por ele discutida se pauta na dualidade pulsional outrora postulada por Freud entre as pulsões de vida e de morte. Analisar o racismo a partir da pulsão de morte nos conduz a examinar a relação dialética entre o eu e o Outro, tido como inimigo. Para desenvolver esse percurso de mão dupla, trouxemos para o debate dois autores com os quais Mbembe dialoga: Freud e Fanon. Em relação a Freud, abordaremos seu argumento de que a experiência da guerra nos mostra que o homem, apesar de civilizado, demonstra o quanto seu estado mais primitivo e anímico ainda o habita; em razão disso, ao tomar o inimigo como alvo de uma força destrutiva voltada para o seu aniquilamento, o homem está tentando igualmente aniquilar em seu próprio eu um traço identificatório com tal homem primitivo. Em Fanon, traremos sua discussão acerca da subjetividade do negro aprisionada aos ideais do branco, a partir de uma dialética hegeliana de reconhecimento. Neste contexto, o racismo seria um direcionamento da força pulsional mortífera de dentro de si mesmo em direção ao Outro. Projeta-se para fora aquilo que era para ser redirecionado ao próprio eu, como um mecanismo inconsciente de defesa que visa manter a integridade do Eu. A partir do trabalho de colocar a psicanálise a serviço dos estudos sobre o racismo, é possível fazer operar o conceito de pulsão de morte para pensar as questões raciais. Como resultado parcial dessa interface entre a Filosofia de Mbembe e Fanon e a teoria freudiana, foi possível localizar o seguinte achado: no racismo o inimigo está do lado de dentro.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Música como linguagem universal no nascimento da Tragédia de Friedrich Nietzsche(Universidade Federal do Pará, 2026-02-25) MONTEIRO, Paulo da Conceição; PONTES, Ivan Risafi de; http://lattes.cnpq.br/8592244270861493; https://orcid.org/0000-0002-1289-0341; CHAVES, Ernani Pinheiro; OLIVEIRA, Damião Bezerra; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; http://lattes.cnpq.br/7717970084199162; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; https://orcid.org/0000-0002-8247-8803Este trabalho apresenta como tema central a possibilidade de a música ser vista como linguagem universal na obra O Nascimento da Tragédia, de Friedrich Nietzsche, pensada a partir das influências da concepção metafísica da música de Arthur Schopenhauer e Richard Wagner. Com efeito, o desenvolvimento dessa pesquisa tem como base os elementos do pensamento de Nietzsche ligados aos conceitos de linguagem e música, bem como a forma como são abordados na referida obra. A abordagem metodológica utilizada é a pesquisa bibliográfica, com procedimento analítico-interpretativo, que permite a interpretação crítica dos textos filosóficos e a compreensão do seu sentido original e das implicações conceituais. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar a obra, tendo como base especialistas nesta temática, com propósito de demonstrar que a música pode expressar sentimentos e reacender instintos, conforme proposto por Nietzsche. O resultado esperado é revelar a importância da música para a transformação da vida como uma linguagem universal, através da pulsão antitética da arte trágica: o Apolíneo e o Dionisíaco em Nietzsche.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A pessoa do homo oeconomicus: a biopolítica do neoliberalismo a partir de Michel Foucault e Roberto Esposito(Universidade Federal do Pará, 2024-02-06) AZEVEDO, Anthony Lucas Neves; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; COSTA FILHO, William; RUIZ, Castor Mari Martín Bartolomé; http://lattes.cnpq.br/4515309296660789; http://lattes.cnpq.br/3700477816262221; https://orcid.org/0000-0002-2726-161X; https://orcid.org/0000-0002-6826-1560As proposições biopolíticas de Michel Foucault continuam ressoando no pensamento contemporâneo. Mesmo após quatro décadas de sua morte, suas análises são constantemente retomadas para pensar problemáticas específicas do neoliberalismo, em consonância com o que foi desenvolvido em Nascimento da Biopolítica. A recepção de Foucault foi especialmente frutífera na filosofia italiana, marcada por uma reflexão que articula política e vida. Dentre os pensadores da recepção biopolítica, Roberto Esposito se destaca pelo cuidado e pela argúcia com que aborda o tema e por seu conceito de “imunidade”, visto por ele como a chave para compreender a complexa relação entre o biológico e o político. Neste trabalho, exploraremos a relação do sujeito biopolítico com o seu corpo, tentando compreender, a partir de uma discussão entre Roberto Esposito e Michel Foucault, como essa relação se consolida segundo o modelo de propriedade da pessoa, de maneira compatível com a teoria do homo oeconomicus e do capital humano.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O conceito de arte e desartificação da arte em adorno(Universidade Federal do Pará, 2026-02-04) FRANÇA, France D’arc Cícera Costa de; BURNETT JUNIOR, Henry Martin; http://lattes.cnpq.br/7370655734935231; https://orcid.org/0000-0001-6806-8333; CHAVES, Ernani Pinheiro; LIMA, Bruna Della Torre de Carvalho; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; http://lattes.cnpq.br/7300470542229409; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; https://orcid.org/0000-0003-4472-8848Esta dissertação investiga o conceito de arte e o processo de desartificação em Theodor W. Adorno, elucidando sua importância para a crítica à indústria cultural. A partir de Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer demonstram como o projeto iluminista, ao transformar a razão em instrumento técnico, converte a cultura em mercadoria e o homem em objeto de dominação. Na Teoria Estética, Adorno entende que a arte surge como “antítese social”, espaço de resistência à racionalidade instrumental e de expressão do negativo do mundo. Assim, a autonomia estética compreende a arte como forma de pensamento crítico, capaz de revelar as contradições históricas e de preservar a promessa utópica de reconciliação entre sujeito e natureza. A noção de mimesis ocupa papel relevante ao expressar uma relação sensível e não dominadora com o real, reabilitando a dimensão reprimida da experiência humana. Na análise à indústria cultural, Adorno observa a conversão da cultura, da arte em produto e a padronização do gosto, em que o lazer se torna prolongamento do trabalho e a arte é reduzida a entretenimento. Tal processo evidencia a perda de negatividade e a desartificação da arte (Entkunstung der Kunst), o fim da arte, isto é, sua perda de autonomia e de força crítica diante da lógica mercadológica. Para Theodor Adorno, a arte ocupa uma posição dialética, sendo simultaneamente resistência e espelho das contradições sociais que a engendram. Sua autenticidade não se define apenas pela oposição à arte desartificada, mas pela capacidade de manter a negatividade e o confronto com a realidade histórica. É nesse movimento dialético que o filósofo identifica a crise da arte moderna, marcada pelo esgotamento interno de suas formas. Ao questionar o formalismo estético e o ideal clássico de beleza, Adorno reconhece o fenômeno da desartificação, em que a autonomia da arte se enfraquece sob a lógica do mercado. Contudo, essa crise não é apenas imposta de fora: ela também se manifesta nas próprias estruturas da arte, cuja busca incessante por inovação formal evidencia o colapso de suas linguagens e sentidos históricos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Eichmann em Jerusalém: o homem e a sua ação em Hannah Arendt(Universidade Federal do Pará, 2026-01-13) Sousa, Antonio Luis Almeida de; PONTES, Ivan Risafi de; http://lattes.cnpq.br/8592244270861493; https://orcid.org/0000-0002-1289-0341; SILVA, Elivanda de Oliveira; BRITO, Maria dos Remédios de; http://lattes.cnpq.br/0291342560543215; http://lattes.cnpq.br/6896268801860211; https://orcid.org/0000-0002-0478-5285Esta dissertação visa analisar a figura de Adolf Eichmann, e a natureza de suas ações durante o regime nazista, fundamentando-se na obra "Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal", da pensadora alemã Hannah Arendt. Essa pesquisa tem por intuito compreender como um indivíduo comum, sem motivações patológicas ou sadismo inerente, pôde se tornar uma das principais engrenagens burocráticas do extermínio em massa do povo judeu. Para atingir esse propósito, utilizar-se-á a metodologia de revisão bibliográfica qualitativa, centrada na análise pormenorizada dos textos originais de Arendt, cotejando com as perspectivas de comentadores e teóricos da filosofia política contemporânea. A investigação percorre o contexto histórico, implicações morais e políticas do julgamento de Eichmann para capturar a controversa observação da autora de que o réu não era um monstro, mas um burocrata assustadoramente normal, cuja principal característica era a absoluta incapacidade de pensar e de exercer o juízo crítico. É a partir dessa constatação que o trabalho explora o conceito de "banalidade do mal", enquanto cerne teórico da pesquisa, que descreve um novo tipo de atrocidade atrelada à submissão irreflexiva ao totalitarismo. Da mesma forma, a expressão arendtiana retrata o cumprimento irrefletido de ordens do Estado, distanciando-se das concepções filosóficas tradicionais de um mal profundo ou demoníaco. O texto demonstra como a ascensão de regimes totalitários destrói a esfera pública, o qual transformou os sujeitos em meros executores dos assassinatos no sistema. Conclui-se que a reflexão de Arendt sobre a ação de Eichmann permanece de vital importância para a atualidade. Essas considerações filosóficas servem como um alerta sobre os perigos contínuos da alienação política, da obediência acrítica e da burocratização da vida. Assim, sua teoria reforça a necessidade do exercício constante do pensamento como a principal forma de resistência moral à barbárie. .Dissertação Acesso aberto (Open Access) A Literatura na arqueologia do saber de Michel Foucault: Friedrich Hölderlin e a experiência trágica da loucura(Universidade Federal do Pará, 2026-03-02) LIMA, Joao Pedro Azevedo; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; BRITTO, Fabiano de Lemos; BURNETT JUNIOR, Henry Martin; BARROS, Roberto de Almeida Pereira de; http://lattes.cnpq.br/6441173133501487; http://lattes.cnpq.br/7370655734935231; http://lattes.cnpq.br/4521253027948817; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0001-6806-8333; https://orcid.org/0000-0001-6142-450XÀ época de suas investigações arqueológicas, a relação entre loucura e literatura assume um papel central no pensamento de Michel Foucault (1926–1984). Na Época Clássica, a loucura deixa de ser compreendida enquanto experiência trágica, portadora de um saber inacessível à razão, como o era na Renascença, e passa a ser compreendida, em um primeiro momento, a partir da concepção de desrazão, e, em seguida, a partir da noção de doença mental. Entretanto, o internamento asilar não foi capaz de destituí-la dessa dimensão originária, que ressurge, no início do século XIX, na obra de Sade e Hölderlin, e, posteriormente, em Nietzsche e Artaud. Com efeito, o presente projeto de pesquisa visa analisar a experiência da loucura em sua dimensão trágica especificamente na linguagem literária de Hölderlin, e o fará por intermédio da interpretação dos artigos de Foucault sobre a literatura e do Empédocles de Hölderlin. Propomo-nos fazê-lo dado o recente interesse acerca dessa fase arqueológica, o que se evidencia nas recentes publicações dedicadas a esse “primeiro” Foucault. Ademais, considerando que a recepção de seu pensamento tem privilegiado seus cursos ministrados no Collège de France, nossa pesquisa busca ressaltar a importância dessa primeira fase da filosofia elaborada por Foucault, sobretudo no que diz respeito à relação entre loucura e literatura, pois tomamos por base que tal vinculação possui fundamental importância para o estabelecimento de suas análises arqueológicas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O “indivíduo perigoso”: o papel das formas jurídicas e do direito penal segundo Michel Foucault(Universidade Federal do Pará, 2025-06-24) FERNANDES, Pavel; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; MATOS, Saulo Monteiro Martinho de; LIMA FILHO, Eduardo Neves; http://lattes.cnpq.br/1755999011402142; http://lattes.cnpq.br/6648186048235225; http://lattes.cnpq.br/1755999011402142; https://orcid.org/0000-0002-1635-2532Esta dissertação investiga as relações entre o pensamento de Michel Foucault e o Direito, com ênfase no Direito Penal, abordando uma problemática que percorre a filosofia ocidental desde sua origem grega. O estudo concentra-se na figura do indivíduo perigoso, analisada por Foucault em dois textos do final dos anos 1970: a conferência “A evolução do indivíduo perigoso na psiquiatria legal do século XIX” e o curso Nascimento da biopolítica. Nesses trabalhos, Foucault demonstra como a noção de indivíduo perigoso emerge e se consolida no contexto das teorias racistas do século XIX, vinculadas a processos de psicologização fundamentados em ideias de hereditariedade e degenerescência. Paralelamente, examina-se como essa concepção é posteriormente deslocada e, em certa medida, rejeitada pelo neoliberalismo americano, que reinsere o crime e o criminoso na lógica de mercado. Nessa nova perspectiva, o crime passa a ser entendido como um risco inerente à ação individual, comparável a uma aposta ou investimento, cujas consequências devem ser assumidas pelo sujeito, sem a mediação de análises subjetivas ou psicológicas sobre sua causalidade. Ao final, o trabalho não pretende oferecer uma resposta definitiva à questão, mas aponta para um novo horizonte de investigação: a permanência desses debates no cenário contemporâneo, especialmente no âmbito da legislação penal brasileira.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Hécuba e a guardiã platônica(Universidade Federal do Pará, 2025-12-22) NOLETO, Larissa Caroline Moreira; SOUZA, Jovelina Maria Ramos de; http://lattes.cnpq.br/0475424515288539; https://orcid.org/0000-0002-1249-1068; ALMEIDA, Juliana Santana de; ARAÚJO, Orlando Luiz de; http://lattes.cnpq.br/0797524265962297; http://lattes.cnpq.br/2680403686223727; https://orcid.org/0000-0001-8192-1255; https://orcid.org/0000-0001-9886-3733Este estudo propõe uma análise da tragédia Hécuba, de Eurípides, e da República, de Platão, especialmente do Livro V, com o objetivo de investigar se a heroína trágica preenche os requisitos estipulados por Platão para uma Guardiã. Para isso, o estudo se concentrará, em primeiro lugar, em analisar a defesa platônica da igualdade de natureza (physis) entre homens e mulheres para o exercício da função de guardiã na cidade ideada (Kallipolis). Sustentaremos que Platão desvincula a aptidão para o governo da determinação biológica e a ancora na natureza da alma, realizando um crucial movimento filosófico que prioriza a aptidão funcional sobre a diferença sexual. Em seguida, analisaremos o texto trágico, examinando a marcante transformação da heroína, que evolui de vítima passiva para uma decisiva agente de vingança. Neste ponto, analisaremos como a manifestação da coragem no “dizer-a-verdade” (parresia) se articula no discurso de Hécuba em um cenário de opressão. Por fim, examinaremos se a manifestação do logos parresiástico de Hécuba e suas ações estratégicas reúnem os rigorosos requisitos da guardiã platônica.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A Psicologia Transvalorativa de Nietzsche: a fisiopsicologia e a genealogia como caminhos para a cultura verdadeira(Universidade Federal do Pará, 2025-08-18) SILVA, Antonio Joel Lima da; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; VECCHIA, Ricardo Bazilio Dalla ; BURNETT JUNIOR, Henry Martin; http://lattes.cnpq.br/9476600097405010; http://lattes.cnpq.br/7370655734935231; https://orcid.org/0000-0002-0769-782X; https://orcid.org/0000-0001-6806-8333O objetivo desta dissertação é demonstrar como os procedimentos metodológicos adotados por Nietzsche em sua filosofia podem ser considerados como uma psicologia transvalorativa que se move através das abordagens fisiopsicológica e histórico-genealógica, a fim de transvalorar os valores da cultura moderna e abrir caminho para aquilo que Nietzsche entende como cultura verdadeira (eKGWB, NF – 1872, 19[33]). Nesse sentido, parte-se do pressuposto de que as assinalações feitas por Nietzsche em GD/CI (prefácio da transvaloração de todos os valores redigido em 30 de setembro de 1888) e GD/CI O que devo aos antigos 5 (onde Nietzsche aponta GT/NT como sua primeira transvaloração), seriam evidências de uma coesão temática que sugere a transvaloração enquanto tarefa presente em cada fase de seu pensamento; bem como sugerem, também, uma coesão metodológica a qual pretendemos demonstrar como sendo uma abordagem múltipla que usa a filologia, a psicologia e a fisiologia como meios para a efetivação da transvaloração dos valores culturais, conforme também aponta Germán Meléndez (2015). Trata-se, nesses termos, da análise (fisio)psicológica dos conceitos de cultura moderna e de cultura verdadeira, que descreve a primeira como resultado de valores fundados por doutrinas que desprezam o corpo e engendram interpretações hipostáticas que postulam um hiato entre corpo e consciência/alma - daí toda forma de falsificação da realidade seria imputada no imaginário humano, tais como: a ideia de unidade, a ideia de vontade livre e a ideia do eu. A segunda, por sua vez, seria aquilo que Nietzsche busca alcançar através de suas transvalorações, pois, uma cultura que gera valores fundados na coerência interna entre corpo e consciência, passa a engendrar valores, da mesma forma, coerentes com a natureza daqueles que os geraram. Por fim, será exposto, em função da coesão temática e metodológica, uma análise da primeira dissertação da GM/GM, pois, como o próprio Nietzsche sugere em EH/EH Genealogia da moral, a primeira dissertação trata da psicologia do cristianismo que descreve o seu nascimento a partir do páthos do ressentimento. Assim, tal obra seria o trabalho preliminar para uma transvaloração de todos os valores.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Abstração, moeda e dívida: uma análise das relações sociais capitalistas a partir de O Anti-Édipo de Deleuze e Guattari(Universidade Federal do Pará, 2025-06-05) SANCHES, Diego de Carvalho; BRITO, Maria dos Remédios de; http://lattes.cnpq.br/6896268801860211; https://orcid.org/0000-0002-0478-5285; BARROS, Roberto de Almeida Pereira de; BARBOSA, Mariana de Toledo; http://lattes.cnpq.br/4521253027948817; http://lattes.cnpq.br/0360247935656905; https://orcid.org/0000-0001-6142-450X; https://orcid.org/0000-0002-1589-0021No presente trabalho, buscamos investigar a atualidade da interpretação de Deleuze e Guattari acerca das relações sociais na máquina capitalista no contexto atual do capitalismo financeiro. Partindo de uma análise de O Anti Édipo (1972) e do papel desempenhado pelas noções de "desterritorialização ”, "axiomática" e "reterritorialização" como elementos constituintes do socius capitalista, objetivamos mostrar em que sentido o plano de imanência desta formação econômica faz com que as suas relações sociais passem necessariamente por um processo de abstração determinado, em última instância, pela natureza de sua forma monetária e por uma política da dívida. Sendo assim, analisamos, em primeiro lugar, os pressupostos filosóficos e antropológicos que subjazem à argumentação dos autores a respeito dos tipos de socius. Trata- se de fixar o sentido de opor Nietzsche a Mauss e Lévi Strauss quando da determinação das relações sociais como relações de dívida e não de troca; de demonstrar como podemos compreender a singularidade do sistema capitalista por meio de uma história universal das contingências; e de analisar os conceitos e noções pelos quais Deleuze e Guattari definem o que é uma sociedade e como ela funciona. A demais, vemos como os autores descrevem a formação do Estado, e como este acontecimento modifica radicalmente a forma e a qualidade das relações sociais. Dando ênfase no papel mediador do Estado entre a classe despótica e o povo, nos detemos nas práticas e tecnologias que daí derivam, como a moeda, a lei, o imposto e a sobrecodificação. Em terceiro lugar, nos voltamos para o socius capitalista, objetivando mostrar os pontos de conjunção entre Deleuze e Guattari e Marx no que concerne à sua formação. Assim, frisamos a sua relação particular com a história; a natureza descodificada e desterritorializada de seus fluxos, e como isso o diferencia substancialmente dos socii pré capitalistas; o seu funcionamento por meio de uma dualidade da forma monetária; e a importância de noções como “mais vali a”, “renda”, “salário”, “lei da baixa tendencial da taxa de lucro” e “antiprodução” para a determinação de seu campo de imanência. Por fim, fazemos um balanço das contribuições do pensamento de Deleuze e Guattari em O Anti-Édipo para a crítica do capitalismo, destacando que, não obstante a limitação histórica de suas análises, as categorias e as principais teses por eles formuladas são essenciais para darmos sentido à configuração atual do capitalismo financeirizado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As objeções de Kant aos argumentos teístas na Dialética Transcendental da Crítica da Razão Pura: uma crítica a partir de aspectos da filosofia analítica da religião(Universidade Federal do Pará, 2025-01-28) SANTOS, Arthur Henrique Soares dos; SOUZA, Luís Eduardo Ramos de; http://lattes.cnpq.br/7892900979434696; CORÔA, Pedro Paulo da Costa; PORTUGAL, Agnaldo Cuoco; http://lattes.cnpq.br/3785172545288511; http://lattes.cnpq.br/1568859502052989Uma das investigações teológicas críticas de Kant é acerca das denominadas provas teístas: os argumentos ontológico, cosmológico e físico-teológico. Kant conclui, na Dialética Transcendental da Crítica da razão pura (1787), que provas satisfatórias são impossíveis a partir de tais argumentações da razão teórica. Isso se dá, de acordo com o filósofo, porque o argumento ontológico falha e, em última análise, como as provas cosmológica e físico-teológica dependem dele, isso implica a impossibilidade de todas as tentativas de demonstrar a existência de Deus. Historicamente, isso levou ao abandono das provas teístas na filosofia. Entretanto, estes argumentos ressurgiram com a chamada filosofia analítica da religião, através de filósofos como Alvin Plantinga (1974, 2012), Charles Malcolm (1960), Richard Swinburne (2019) e William Lane Craig (1979). Diante desta recente recepção crítica da Dialética Transcendental, a presente pesquisa investiga o seguinte problema: as objeções de Kant realmente impossibilitam os argumentos teístas da razão teórica? Com isso em vista, o objetivo geral desta dissertação é realizar uma crítica analítica às objeções de Kant contra os argumentos teístas da razão teórica, a fim de defender a hipótese de que a objeção de Kant aos argumentos teístas não consegue demonstrar a impossibilidade de tais argumentos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A dança na filosofia de Nietzsche: um caminho para a superação da décadence(Universidade Federal do Pará, 2025-07-07) GUIMARÃES, Alan Barbosa; PONTES, Ivan Risafi de; http://lattes.cnpq.br/8592244270861493; https://orcid.org/0000-0002-1289-0341; SOUZA, Luiza Monteiro e; SILVA, Rafael Guimarães Tavares da; BARROS, Roberto de Almeida Pereira de; http://lattes.cnpq.br/1365524959135039; http://lattes.cnpq.br/7864336413389692; http://lattes.cnpq.br/4521253027948817; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0002-8985-8315; https://orcid.org/0000-0001-6142-450XO presente trabalho visa tratar da dança como meio de superação da décadence no pensamento do filósofo Friedrich Nietzsche. Com este propósito, nossa problematização buscou investigar o porquê e como a dança é utilizada por Nietzsche em oposição ao problema da décadence, concebido pelo filósofo como uma doença que degenera o corpo e o espírito dos homens, sobretudo os de sua contemporaneidade. Em nosso estudo, perscrutamos as principais passagens que envolvem a dança e os personagens que dançam, precisamente o deus Dioniso, assim como seus seguidores e Zaratustra, além da noção de corpo do filósofo, que também desempenha um papel importante de contraste com os antípodas de Nietzsche, os portadores da décadence, como veremos no decorrer de suas obras. Em nossa análise, identificamos que a dança é tratada de forma fragmentária pelo autor, assim, utilizamos tanto quanto possível o método estrutural, e o experimentalismo perspectivista e trágico, com o propósito de mostrar sua presença na relação com importantes conceitos ao longo dos escritos de Nietzsche, para resgatar a importância dessa arte para o debate acerca da décadence. Recorremos a diversas obras de Nietzsche, como O nascimento da tragédia, A gaia ciência, Assim falou Zaratustra e O crepúsculo dos Ídolos em função da necessária articulação entre os principais conceitos do autor com o problema sugerido. Nossa hipótese é de que as potências da arte de dançar, enquanto uma elevada expressão artística corporal, contribuem para a superação da décadence, sobretudo a partir das ações dos dançarinos evocados pelo filósofo, que alcançam sua máxima superação quando Zaratustra enuncia “eu só poderia crer num deus que pudesse dançar”. A pesquisa concluiu que as ações expressas pelos dançarinos na filosofia de Nietzsche estão diretamente associadas à produção de novos valores e perspectivas, novas formas de ser e viver, haja vista que as ações daqueles que dançam perante a cultura promovem o movimento, a leveza, a superação de si. Com esses elementos transformadores, a dança proporciona a superação da décadence à medida que, aliada ao entusiasmo de um deus, a arte da dança afirma a existência mesmo diante das mais negativas dificuldades, e impulsiona a valorização da vida em seu dionisíaco transbordamento.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O Senhor e o Escravo: Hegel e o paradoxo na metáfora(Universidade Federal do Pará, 2025-08-25) RODRIGUES, Braulio Marques; MATOS, Saulo Monteiro Martinho de; http://lattes.cnpq.br/1755999011402142; CHAVES, Ernani Pinheiro; MELO, Filipe Augusto Barreto Campello de; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; http://lattes.cnpq.br/4024282340956331; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; https://orcid.org/0000-0003-1954-0421O problema desta dissertação investiga como os personagens do senhor [Herr] e do escravo [Knecht] ocupam um lugar deôntico na “Fenomenologia do Espírito” (Phänomenologie des Geistes). A saber, como o senhor e o escravo podem ser compreendidos como esquema relacional e ponto de inflexão teórico do qual irão derivar duas abordagens sobre a dialética: i) a abordagem analítica de Hyppolite e ii) a abordagem antropogênica de Kojève. Ademais, Susan Buck-Morss aponta a existência de uma contradição no seio do conceito de liberdade e o sentido da escravidão em Hegel. O objetivo é identificar como cada abordagem irá lidar com essa contradição para elaborar o seu próprio sentido de eticidade [Sittlichkeit]. Por sua vez, parte para uma reconstrução interna sobre a origem da dialética negativa na figura do senhor e do escravo. Em seguida, analisa as contradições que cercam o espírito efetivo [wirklicher Geist] desde os escritos sobre a diferença [Differenzschrif] no jovem Hegel e sustenta, a partir da metáfora da luta de vida e morte, a possibilidade na extração de uma ética pessoal. O trabalho destaca ainda a necessária ênfase totalizante sobre a negatividade e problematiza como a ideologia afeta o pensamento hegeliano em sua recepção dentro e fora da Europa. Por fim, por meio de uma revisão crítica apoiada na análise de Butler sobre a recepção do método dialético na filosofia continental e na crítica de Mbembe sobre o conceito de reconhecimento [Anerkennung], a hipótese é de que a negatividade deve dar fim à reificação. A saber, a liberdade não é dada pelo senhor, outrossim, é o escravo quem se liberta por meio da própria luta e, de tal modo, torna-se consciente de si mesmo [Selbstbewusstseins].Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ciência, conhecimento e naturalismo na filosofia de Nietzsche(Universidade Federal do Pará, 2024-03-08) JESUS, Francisco de Paula Santana de; BARROS, Roberto de Almeida Pereira de; http://lattes.cnpq.br/4521253027948817; https://orcid.org/0000-0001-6142-450XEsta dissertação tem como objetivo investigar, discutir e interpretar a questão do conhecimento na filosofia de Nietzsche. Para tanto, partimos do pressuposto que o filósofo tematiza o conhecimento e a ciência a partir de uma perspectiva naturalista ao destacar seus elementos meta-epistemológicos (como as influências biológicas, ou os compromissos sub-reptícios com valores morais). Nesse sentido, o recurso às ciências naturais serve ao filósofo como subsídio para uma investigação não metafísica a respeito das maneiras humanas de cognição. Importante, então, ressaltar os paralelos existentes entre a interpretação nietzschiana e os estudos de autores com os quais Nietzsche entrou em contato, como Mach, Boscovich e Ribot. O que demanda o estudo de fontes como recurso metodológico para determinarmos o sentido da noção de conhecimento na filosofia de Nietzsche. Assim, nossa pesquisa procura 1) esboçar uma história da noção de conhecimento a partir de O nascimento da tragédia; para, em seguida, 2) apresentar as perspectivas naturalistas do conhecimento; e, por fim, 3) interpretarmos como teriam se formado os principais modelos científico-filosóficos (o socrático e o sofístico) a partir da psicologia filosófica nietzschiana. Por fim, oferecemos um discurso sobre a noção de espaço implicada na hipótese nietzschiana da vontade de poder.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O sentido do belo para conversão em Plotino(Universidade Federal do Pará, 2023-11-29) RIBEIRO, Bruno José Bezerra; ALENCAR, Cesar Augusto Mathias de; http://lattes.cnpq.br/8781508238600725; https://orcid.org/0000-0003-3145-0584A tradição neoplatônica tem como principal expoente Plotino, cujo legado abrange um vasto campo de pesquisa situado entre os séculos II e III. Plotino proporciona ao Ocidente uma herança de escritos nos quais interpreta toda a tradição helênica. Através dessa imersão no espírito grego, o filósofo oferece um testemunho de vida e pensamento dedicado à contemplação da verdade. De certa forma, Plotino pretende explicitar a relação entre o ser humano e o divino, retomando os elementos da tradição platônica. Esta investigação tem como objetivo refletir e compreender o sentido da beleza na filosofia de Plotino, e como ele se relaciona com o projeto contemplativo-dialético presente nas Enéadas. Para abordá-la, analisaremos a filosofia plotiniana em um duplo movimento que corresponde à ideia descendente de precessão e ao movimento ascendente de conversão pela contemplação. À medida que nossa investigação revelar a beleza inteligível segundo Plotino, compreenderemos de que maneira a alma se percebe em um caminho de ascensão, de tal modo que o mundo, os pensamentos e as obras humanas são envoltos no sentido inerente do Belo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O conceito de ontologia no livro IV da metafísica de Aristóteles(Universidade Federal do Pará, 2023-09-04) SOARES, Élida Teixeira; CORÔA, Pedro Paulo da Costa; http://lattes.cnpq.br/3785172545288511A ontologia é um domínio que abrange toda a história da filosofia conhecida, desde os gregos até pensadores contemporâneos importantes, como Martin Heidegger e sua ontologia do Dasein. Mas, assim como cada sistema filosófico parece ser diferente um do outro, ao tentarmos conceituar a ontologia, surge uma certa confusão, afinal, como vemos em Heidegger, ele entende que na história da filosofia aconteceu o esquecimento do ser, ou seja, do próprio objeto da ontologia, na forma em que esta foi concebida. E um dos alvos da crítica de Heidegger ao esquecimento do ser é Aristóteles, como também Kant procura fazer correções ao sistema categorial com o qual as coisas são determinadas. Por essa razão, estamos propondo estudar o conceito de ontologia em Aristóteles, concentrando nossa análise no que ele diz sobre esta epistéme no Livro IV da sua obra Metafísica. Nosso objetivo, com essa proposta é saber se é possível encontrar em Aristóteles uma definição precisa de ontologia que nos guie no estudo dessa parte da filosofia.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A questão racial na constituição do self: análise crítica a partir de Seyla Benhabib e Sueli Carneiro(Universidade Federal do Pará, 2023-09-11) MACHADO, Juliana Pantoja; FRATESCHI, Yara Adario; http://lattes.cnpq.br/1917359676356798; VERBICARO, Loiane Prado; http://lattes.cnpq.br/4100200759767576; https://orcid.org/0000-0002-3259-9906O presente trabalho busca analisar a concepção de self que baseia a teoria do universalismo interativo de Seyla Benhabib, demonstrando que muito embora construa novas categorias para interpretar de forma mais completa e complexa a teoria do universalismo, o faz com ênfase na questão de gênero, sem, no entanto, apontar outro dispositivo igualmente importante e constitutivo do self, o dispositivo de racialidade, discutido por Sueli Carneiro (2023). Cruzase a potência reflexiva dessas duas filósofas a fim de se pensar uma filosofia política prática que consiga abarcar as questões estruturais da sociedade brasileira. É por esse motivo que se reformula nesse estudo a pergunta lançada por Benhabib ao buscar reconstituir o legado do universalismo moderno, questionando “o que está vivo e o que está morto nas teorias universalistas morais e políticas do presente após as críticas que lhes foram dirigidas por comunitaristas, feministas e pós-modernos?” (Benhabib, 2021, p. 30) por “o que está vivo e o que está morto na teoria do universalismo interativo após uma análise crítica sobre o racismo?”. Ao demonstrar tal limitação, apresentamos como a filosofia pensada por Sueli Carneiro demarca que a formação da identidade das pessoas negras em sociedades violentamente racistas, como a brasileira, atravessa uma combinação demasiadamente complexa dos marcadores gênero, raça e classe, o que despontou um déficit tanto teórico, quanto da prática política, impossibilitando a integração das diferentes expressões que constituem o self de mulheres negras em sociedades multirraciais e pluriculturais. Aproveitando o modelo de reflexão sobre a tradição filosófica moderna, implementado por Seyla Benhabib, em que ela se aproxima dos pontos positivos desse pensamento e se afasta daqueles que considera insuficientes para o aperfeiçoamento da crítica ao universalismo, colocando-se a favor e, ao mesmo tempo, contra o cânone filosófico, é que apontamos o problema do déficit racial em sua análise, pois a ética benhabibiana que se assenta no universalismo sensível aos contextos, o qual é precursor do continum entre o outro generalizado e o outro concreto, necessita ser interconectada com a crítica racial para sanar a lacuna descrita. Assim, a questão que o trabalho levanta é a de que o self precisa ser constituído através da grade racial tanto quanto necessita fundamentar-se na grade de gênero, pois essa é uma maneira de corporificarmos corretamente os sujeitos, levando em consideração os seus contextos, sua identidade e mais do que isso, abrindo as portas para a sua habilidade de autodeterminação ôntica e ontológica. O processo de destituição do ser das pessoas negras, através do epistemicídio e da consequente exclusão do campo educacional não pode ser deixado de fora dessa reflexão, posto que são formacionais para as condições de possibilidade que edificam a supremacia branca, constituinte do Eu hegemônico branco, historicamente central na arquitetura conceitual filosófica clássica, razão pela qual também se traz ao debate a defesa pelas cotas para ingresso nas universidades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Vulnerabilidade, luto e interdependência: reflexões críticas ao individualismo neoliberal a partir de Judith Butler(Universidade Federal do Pará, 2023-10-23) LOBATO, Lílian Gabriela Rodrigues; AGGIO, Juliana Ortegosa; http://lattes.cnpq.br/5290499042057589; https://orcid.org/0000-0001-6283-4797; VERBICARO, Loiane Prado; http://lattes.cnpq.br/4100200759767576; https://orcid.org/0000-0002-3259-9906A presente dissertação propõe-se a investigar a crítica à moral neoliberal de responsabilização individual formulada pela filósofa estadunidense Judith Butler a partir do conceito de vulnerabilidade primordial — dimensão de nossa existência atravessada por ambivalências com forte potencial exploratório, mas que fundamenta as condições de possibilidades para nossa sobrevivência física, psíquica e social. Para alcance do referido objetivo, este percurso articula-se em torno de duas principais discussões, a saber: 1) a relação do ideal neoliberal de autossuficiência com a indução política de precariedade e distribuição desigual do luto público e 2) o potencial ético-político do luto público para proteção dos elos de interdependência, enfraquecidos pela moralidade neoliberal. No primeiro momento, evidenciamos como o neoliberalismo é uma racionalidade que modela o Estado, a sociedade e a nossa própria subjetividade em conformidade com o imperativo do mercado, esvaziando o estado de bem-estar social e o sentimento de solidariedade coletiva, aprofundando ainda, a vulnerabilidade de sujeitos historicamente subalternizados através de políticas de precarização que atribuem valoração diferenciada à vida e resultam em uma comoção seletiva diante da morte. Aqui, elucidamos como o luto opera como descritor da inteligibilidade da vida, subvertendo o entendimento comumente difundido de que o valor da vida reside desde o nascimento. No segundo momento, evidenciamos como a experiência da perda nos desperta para a opacidade e despossessão, inerentes à nossa relacionalidade constitutiva, estremecendo a fantasia de um sujeito autônomo e com pleno domínio sobre si. Diante do recrudescimento de agendas neoliberais experimentadas nas democracias ocidentais, pretendemos pensar os limites e possibilidades da proposição de Butler para uma ética da vulnerabilidade com vistas à proteção dos elos de interdependência. Espera-se que esta pesquisa possa fortalecer a construção de narrativas que alarguem a nossa capacidade imaginativa diante do niilismo neoliberal.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A formação do raciocínio prático a partir da apreensão dos fins e da deliberação dos meios na ética nicomaqueia(Universidade Federal do Pará, 2024-04-05) POMPEU, Ian Silveira; PITTELOUD, Luca Jean; http://lattes.cnpq.br/0887702139830510; https://orcid.org/0000-0002-1864-5742A presente dissertação visa investigar a formação do raciocínio prático na psicologia aristotélica tomando como base a Ética Nicomaqueia, sem deixar de considerar referências a outras obras, as quais, e função da relação entre as ciências em Aristóteles, servem como fundamento para o desenvolvimento de uma resposta ao problema central. Para isso no capítulo I, são apresentadas as condições de possibilidade de uma ciência sobre a alma humana, o que exige (1.1) entender a definição aristotélica de ciência; (1.2) o fundamento sobre o qual todas as ciências teóricas estão baseadas; e (1.3) os fundamentos específicos da psicologia. Nessa exposição, recorreu-se à explicação do Princípio de Contradição presente no livro IV da Metafísica, à noção polissêmica de ousia e como os seus princípios – forma e matéria – relacionam-se com o estudo da alma humana. No capítulo II, aprofundou-se no estudo da alma humana entendida como forma segundo (2.1) a metodologia apresentada no De Anima; (2.2) a investigação das operações anímicas; e (2.3) a conexão com as virtudes ao modo exposto na Ética Nicomaqueia. No capítulo III, adentrou-se no raciocínio prático como conjugação do conhecimento acerca dos fins e da deliberação quanto aos meios através (3.1) da situação do problema no âmbito acadêmico com a contribuição de Elizabeth Anscombe; (3.2) da avaliação crítica da resposta de Jessica Moss ao problema do modo de apreensão e da natureza dos primeiros princípios práticos e da defesa da apreensão noética-experiencial em função de sua abrangência; e (3.3) do cotejamento de leituras a respeito do objeto da phronesis e da apresentação da especificação dos fins gerais enquanto interpretação proposta.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Sapientia Et Beatitudo: o humano como imago Dei em Santo Agostinho(Universidade Federal do Pará, 2023-04-13) SANTOS, Renan Santos dos; FERREIRA FILHO, Pedro Calixto; http://lattes.cnpq.br/0104971775700240; CHAVES, Ernani Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910O tema da felicidade já havia sido abordado pelos filósofos antigos, mas no novo mundo cristão que surgia, devemos atentar para as peculiaridades, pois, na Idade Média, possuía-se dois vocábulos para designar a palavra felicidade, uma destas expressões era o vocábulo felicitas que indicava prosperidade e fecundidade e o outro termo era o vocábulo beatitudo que implicava na bem-aventurança, na posse do verdadeiro absoluto, representando uma espécie de felicidade ―eterna‖, ou ―última‖, ou ―final‖, assumindo a ideia de ―perfeição‖ – a igreja apropriou-se do vocábulo de origem grega makaría, eudaimonia e se concretizou na beatitudo (felicidade), dando-lhe um além do religioso que lhe era próprio, um sentido além disso cristão, por pensar o fim último da felicidade como comunhão (união íntima) com um Deus pensado agora como dom e, consequentemente, concebido agora como plenitude da bondade. Defenderemos que, de acordo com Agostinho, a felicidade implica em comunhão com aquilo que se deseja enquanto bem para si e para os outros, de modo que o indivíduo se afasta da miséria, pois, como poderia ser feliz aquele que vive diante daquilo que é temporalmente irrealizável para o outro e para si, por si mesmo, o homem sábio é aquele que reconhece sua natural debilidade, de sua fraqueza. Porém, o distúrbio da ordem original nos conduz a viver diante do irrealizável, visto que sua vontade se dirige apenas as coisas impossíveis e incompatíveis com a sua natureza. Esta é a posição defendida pelo jovem Agostinho. Por conseguinte, neste trabalho buscaremos apresentar todo este itinerário do humano para a felicidade destacando o papel que a sabedoria desempenha na configuração do homem como imagem de Deus na trajetória do pensamento agostiniano.
