Cartografia social da Aldeia Açaizal: instrumento do Povo Munduruku a serviço da manutenção do seu território, do bem viver e da educação escolar indígena, Santarém, PA

Contido em

Citar como

ROCHA, Hellen Regina Martins. Cartografia Social da Aldeia Açaizal: instrumento do Povo Munduruku a serviço da manutenção do seu território, do bem viver e da educação escolar indígena, Santarém, PA.. Orientador: Rodrigo Corrêa Diniz Peixoto. 2026. 325 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia e Antropologia) - Instituto de Filosofia de Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18412. Acesso em: .

DOI

A tese "Cartografia Social da Aldeia Açaizal: Instrumento do Povo Munduruku a Serviço da Manutenção do seu Território, do Bem Viver e da Educação Escolar Indígena" investiga como a produção coletiva de uma cartografia social pode constituir, simultaneamente, instrumento pedagógico para a Educação Escolar Indígena e instrumento político de resistência territorial, tendo como sujeito e coautor o povo Munduruku da Aldeia Açaizal, no Planalto Santareno de Santarém, Pará. Em um contexto de pressão crescente sobre o território — com destaque para a expansão do agronegócio, o uso de agrotóxicos, disputas fundiárias e a indefinição do status jurídico da TI Munduruku do Planalto —, a pesquisa demonstra como a cartografia social, articulada ao horizonte do Bem Viver e aos princípios da Educação Escolar Indígena diferenciada, opera como instrumento técnico-político de visibilização territorial e como suporte didático intercultural culturalmente situado. Os três conceitos centrais que organizam a investigação — território usado (Milton Santos), Bem Viver (Sumak Kawsay/Buen Vivir) e perspectivismo ameríndio (Viveiros de Castro; Tânia Stolze Lima) — são articulados não apenas como quadro teórico, mas como princípios organizadores do próprio método cartográfico. Metodologicamente, a pesquisa adota a pesquisa-ação participativa, combinando etnografia do processo cartográfico, oficinas de mapeamento com anciãos, lideranças, docentes e estudantes, entrevistas narrativas e validação comunitária dos produtos. Os resultados incluem o Atlas Social da Aldeia Açaizal — instrumento cartográfico coletivo com camadas temáticas sobre território usado, práticas de Bem Viver, conflitos fundiários e memórias cosmogônicas —, uma proposta de currículo territorializado para a Escola Wapurũm-Tip organizada em quatro eixos temáticos (Território e pertencimento; Bem Viver e práticas comunitárias; Direitos e lutas políticas; Diálogos interculturais) e contribuições ao Projeto Político-Pedagógico Intercultural (PPPI) da escola, aprovado em 2024. A tese propõe o conceito original de cartografia educacional, ou seja, a articulação entre mapeamento participativo do território e construção de proposta pedagógica culturalmente situada, como contribuição ao campo da EEI. A posição da pesquisadora, mulher indígena Arapiun atuando entre dois povos do Tapajós, é tratada como dado político do campo, inscrevendo a tese no movimento crescente de produções doutorais indígenas no Brasil. Ao dialogar com debates sobre cartografia social, decolonialidade, territorialidade e educação diferenciada, o estudo contribui para a produção acadêmica sobre povos indígenas amazônicos e para a reflexão sobre políticas públicas de educação e proteção territorial no Baixo Tapajós.

browse.metadata.ispartofseries

Área de concentração

País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará

Sigla(s) da(s) Instituição(ões)

UFPA

item.page.isbn

Fonte

item.page.dc.location.country

Fonte URI

ifchbiblioteca@gmail.com