Centros urbanos, ciclo hidrológico e a pesca artesanal na área de influência da Hidrelétrica de Belo Monte, Rio Xingu, Amazônia Oriental

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GONÇALVES, Andrey Felipe Gomes. Centros urbanos, ciclo hidrológico e a pesca artesanal na área de influência da Hidrelétrica de Belo Monte, Rio Xingu, Amazônia Oriental. Orientador: Juarez Carlos Brito Pezzuti. 2026. 79 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18579. Acesso em:.

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A pesca artesanal na Amazônia constitui um sistema socioecológico fundamental para a segurança alimentar, a subsistência econômica e a identidade cultural de populações ribeirinhas. No entanto, esse sistema tem sido profundamente reconfigurado por pressões antrópicas crescentes, em especial pela expansão urbana e pela regulação hidrológica associada a grandes empreendimentos hidrelétricos. Investigamos como esses dois processos atuam na transformação da pesca artesanal ao longo do rio Xingu, na Amazônia Oriental, sob influência da Usina Hidrelétrica de Belo Monte A influência urbana foi quantificada por meio de um Índice de Intensidade Humana, que combina distância aos centros urbanos e tamanho populacional, enquanto os efeitos hidrológicos foram avaliados a partir da variação da vazão anual sob regime regulado. Os dados de pesca foram obtidos a partir de registros de desembarque coletados em localidades ao longo do rio Xingu, totalizando 78.964 desembarques amostrados entre 2012 e 2022. As análises integraram modelos mistos e abordagens multivariadas para examinar respostas da captura por unidade de esforço, da diversidade, da composição das espécies e dos métodos utilizados.. Os resultados indicam que o aumento da intensidade humana está associado a mudanças nas estratégias de pesca, com maior uso de embarcações motorizadas, redução da diversidade de espécies e declínio da produtividade em métodos mais seletivos. A composição das capturas torna-se progressivamente homogênea em áreas sob maior influência urbana. Os efeitos da vazão sobre a pesca são seletivos e não lineares, concentrando-se na CPUE e na composição das capturas. Os resultados indicam que os valores de vazão atualmente praticados sob o regime de operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte são insuficientes para sustentar de forma contínua a produtividade pesqueira no rio Xingu, uma vez que respostas positivas só emergem em níveis mais adequados e persistentemente mantidos de descarga, enquanto eventos hidrológicos isolados ou de curta duração não produzem efeitos ecológicos consistentes. A regulação hidrológica e a urbanização estão levando a uma reorganização das pescarias do rio Xingu, intensificando a vulnerabilidade ecológica e socioeconômica das comunidades ribeirinhas.

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