Politíca, Youtube e emoção: padrões de desinformação com o uso de IA em narrativas polarizadas sobre as queimadas na Amazônia brasileira

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SILVA, Rita de Cássia Romeiro. Politíca, Youtube e emoção: padrões de desinformação com o uso de IA em narrativas polarizadas sobre as queimadas na Amazônia brasileira. Orientadora: Elaide Martins da Cunha. 2025. 379 f. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) - Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia, Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18604. Acesso em:.

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O objetivo desta tese é investigar a formação dos padrões de desinformação, a partir da identificação dos elementos narrativos multimodais em vídeos desinformativos polarizados politicamente e ideologicamente (VDPPI) no YouTube, sobre as queimadas na Amazônia brasileira, com o uso da Inteligência Artificial. Entende-se por multimodal, neste estudo, a articulação integrada entre diferentes componentes que constroem o sentido da narrativa, como linguagem verbal, imagens, enquadramentos, expressões faciais, recursos técnicos audiovisuais etc. A partir de uma proposta ousada e inédita, a pesquisa se desenvolve de forma criteriosa e concatenada, abordando temas emergentes, como a desinformação ambiental que, no Brasil, ainda ressoa na perspectiva colonial, onde a Amazônia é considerada fonte de recursos inesgotáveis para o desenvolvimento econômico. O recorte temporal desta análise situa-se entre os anos de 2019 e 2023, período de forte polarização política no país, marcado pela alternância entre dois governos ideologicamente opostos. De um lado, um governo de extrema-direita, de 2019 a 2022, com inação na gestão da pandemia da Covid-19 e grande desmonte de políticas públicas ambientais, resultando no aumento da desinformação sobre as queimadas na Amazônia, especialmente, no YouTube, plataforma utilizada massivamente nessa época, devido ao lockdown. E de outro, um governo de esquerda, a partir de 2023, recém-eleito, em meio a episódios extremos de contestação democrática, como os ataques criminosos, em 8 de janeiro, em Brasília, o ápice da trama da organização bolsonarista que tentou dar um golpe de Estado após as eleições de 2022. O argumento desta pesquisa se baseia na análise integrada dos elementos narrativos multimodais, onde as emoções são acionadas como vetores multimodais fundamentais nos padrões de desinformação porque atravessam e integram diferentes modos de significação. O caráter aplicado deste estudo interdisciplinar oferece um gesto epistemológico que orienta a maneira como se concebe, investiga e interpreta os padrões de desinformação em duas bases de dados, A e B, totalizando 2.018 vídeos com conteúdos falsos sobre as queimadas na Amazônia brasileira. Pela complexidade metodológica, envolvendo os campos da Comunicação e da Computação, foram aplicados métodos de análise multimodal das narrativas, conforme os autores Kress (2009, 2010), Kress e Van Leeuwen (2006) e Fairclough (2010) e a extração dos modais com o uso de técnicas de Inteligência Artificial para automatizar tarefas, identificar padrões complexos e recorrências narrativas, o que seriam difíceis de identificar manualmente (Kersting et al., 2022). Os achados revelam padrões recorrentes a partir de alguns elementos narrativos, a exemplo do uso de personagens como especialistas na área ambiental (políticos, jornalistas, cientistas), cenários com forte carga simbólica (como floresta, mapas, estúdios), recursos técnicos de montagem, áudio e imagem que reforçam a credibilidade do discurso. Embora haja uma estrutura narrativa compartilhada, os marcadores ideológicos se expressam de forma distinta nos modos de dizer e sentir, assim como as diferenças identificadas em dois elementos multimodais centrais da narrativa, a linguagem e as emoções usadas. Diferentemente da hipótese central desta pesquisa, as emoções mobilizadas e identificadas nas narrativas polarizadas politicamente sobre as queimadas na Amazônia brasileira não são os modais vetores dos padrões e nem elementos estabilizadores ou definidores que padronizam a desinformação investigada neste estudo, mas, curiosamente, pontos de inflexão e de ruptura entre os elementos narrativos, que distinguem as narrativas nos canais posicionados à extrema-direita e à esquerda política. A desinformação revela-se não como a síntese de informações falsas, mas como um artefato discursivo em permanente elaboração, uma construção narrativa dinâmica e segmentada que depende de sua própria incompletude para convocar e mobilizar afetos e disputar espaços de poder. Esse é o principal padrão encontrado nesta tese. Longe de ser estática, a desinformação se adapta aos contornos atuais, sem deixar de utilizar discursos preexistentes, circunscritos em diferentes contextos históricos, mantendo, sua eficácia simbólica e afetiva. Assim, com este estudo, espera-se contribuir para aprofundar a compreensão das estruturas narrativas de temas nevrálgicos para a manutenção da vida no planeta, como a desinformação ambiental.

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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